Graça e paz
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Atualizado 19h20
11.1.1 A Missão / Propósitos da Igreja, por Wayne
Grudem
Wayne
Grudem, Teologia Sistemática: Atual e Exaustiva (2010, Vida Nova, p. 727-728)
pode nos auxiliar aqui:
“Podemos entender os propósitos da igreja em termos de
ministério com relação a Deus, aos cristãos e ao mundo.
1.
Ministério
com relação a Deus: adorar. No relacionamento com Deus o propósito da igreja é
adorá-lo. Paulo ordena à igreja de Colossos que louve a Deus "com salmos,
e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão no coração" (Cl 3.16). Deus
nos destinou e nos escolheu em Cristo
"para sermos para louvor da sua glória" (Ef 1.12) A adoração na
igreja não é simplesmente uma preparação para algo mais. Ela está em si mesma
cumprindo o principal propósito da igreja com referência ao seu Senhor. Essa é
a razão por que Paulo, depois de nos advertir de que devemos "remir o
tempo", acrescenta o mandamento de sermos cheios do Espírito e de estarmos
"entoando e louvando de coração ao Senhor” (Ef 5.16-19).
2.
Ministério com relação
aos cristãos: edificar. De acordo com as
Escrituras, a igreja tem a obrigação de nutrir aqueles que já são cristãos e
edificá-los à maturidade na fé. Paulo disse que seu próprio alvo não era apenas
levar pessoas à fé salvífica inicial, mas sim "apresentar todo homem
perfeito (maduro) em Cristo" (Cl 1.28). E ele escreveu à igreja de Éfeso
que Deus havia concedido à igreja pessoas com dons "com vistas ao
aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação
do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno
conhecimento do Filho de Deus, [...] à medida da estatura da plenitude de
Cristo" (Ef 4.12-13). E evidentemente contrário ao modelo do Novo
Testamento pensar que o nosso único alvo para com as pessoas é levá-las à fé
salvífica inicial. Nosso alvo como igreja deve ser apresentar a Deus todo
cristão "perfeito (maduro) em Cristo" (Cl 1.28).
3.
Ministério com relação
ao mundo: evangelização e misericórdia. Jesus disse aos
seus seguidores que eles deveriam "fazer discípulos de todas as
nações" (Mt 28.19). Essa obra evangelística de declarar o evangelho é o
ministério principal da igreja com relação ao mundo. Todavia, acompanhando a
obra de evangelização há também o ministério de misericórdia, que inclui
cuidado dos pobres e dos necessitados em nome do Senhor. Embora a ênfase do
Novo Testamento esteja na ajuda material para os que fazem parte da igreja (AL
11.29, 2Co 8.4, 1Jo 3.17), há ainda uma afirmação de que é correto ajudar os
descrentes ainda que eles não respondam com gratidão nem aceitem a mensagem do
evangelho. Jesus nos ensina:
Amai,
porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga,
será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno
até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é
misericordioso vosso Pai (Mt 6.35-36).
A
questão central na explicação dada por Jesus é que devemos imitar a Deus, sendo
bondosos para os que são ingratos e também egoístas. Além do mais, temos o
exemplo de Jesus, que não tentou curar apenas os que o aceitaram como Messias.
Em vez disso, quando grandes multidões o procuravam, "ele os curava,
impondo as mãos sobre cada um (Lc 4.40). Isso deve incentivar-nos a executar
atos de bondade, a orar pela cura e por outras necessidades, tanto na vida de
cristãos como de descrentes. Tal ministério de misericórdia para com o mundo
pode também incluir participação em atividades cívicas ou tentativas de
influenciar a política do governo a ser mais consonante aos princípios morais
bíblicos [inclusive preservar o meio ambiente, colchetes meus, Roberto].
Onde há uma injustiça sistemática no tratamento dos pobres ou de minorias
étnicas ou religiosas, a igreja deve também orar – quando tiver tal
oportunidade – e denunciar tal injustiça. Todos esses são meios com os quais a
igreja pode complementar seu ministério evangelístico para com o mundo e de
fato adornar o evangelho que ela professa. Mas tal ministério de misericórdia
para com o mundo nunca deve tornar-se um substituto da evangelização genuína
nem de outras áreas de ministério com relação a Deus e aos cristãos, conforme
já mencionados.
4.
Manter esses propósitos em equilíbrio: Os três propósitos da igreja foram
ordenados pelo Senhor nas Escrituras, portanto, os três são importantes e
nenhum deles pode ser negligenciado. De fato, uma igreja forte terá ministérios
eficazes nas três áreas. [...]. Todavia, indivíduos são diferentes de igrejas
ao colocar uma relativa prioridade sobre um ou outro desses propósitos. Pelo
fato de sermos um corpo com diversos dons espirituais e vários talentos, será
correto colocar mais ênfase no cumprimento daquele propósito da igreja que for
mais relacionado com os dons e interesses que Deus nos deu [ou: que Deus deu
a cada um].” Grudem (2010).
Grudem quer
dizer acima na última sentença que cada membro deve gastar mais tempo naquilo
que é o dom e chamado que a pessoa recebeu de Deus, e não “um terço para
adoração, um terço para edificação, e um terço para evangelismo e
misericórdia”. Grudem finaliza dizendo: “Essa é apenas uma resposta adequada
para a diversidade de dons que Deus nos concedeu”.
Complementando Grudem, creio que seja adequado que as denominações do Senhor atuem em diversas áreas para o bem da comunidade ao redor, especialmente em criação de escolas confessionais para cristãos e redes de distribuição de alimentos conforme a prosperidade da igreja.
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