quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Outra atualização (21-jan-26 19h20): Propósito da Igreja, por Wayne Grudem

Graça e paz

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Atualizado 19h20


11.1.1 A Missão / Propósitos da Igreja, por Wayne Grudem

Wayne Grudem, Teologia Sistemática: Atual e Exaustiva (2010, Vida Nova, p. 727-728) pode nos auxiliar aqui:

“Podemos entender os propósitos da igreja em termos de ministério com relação a Deus, aos cristãos e ao mundo.

1.            Ministério com relação a Deus: adorar. No relacionamento com Deus o propósito da igreja é adorá-lo. Paulo ordena à igreja de Colossos que louve a Deus "com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão no coração" (Cl 3.16). Deus nos destinou e nos escolheu em Cristo "para sermos para louvor da sua glória" (Ef 1.12) A adoração na igreja não é simplesmente uma preparação para algo mais. Ela está em si mesma cumprindo o principal propósito da igreja com referência ao seu Senhor. Essa é a razão por que Paulo, depois de nos advertir de que devemos "remir o tempo", acrescenta o mandamento de sermos cheios do Espírito e de estarmos "entoando e louvando de coração ao Senhor” (Ef 5.16-19).

2.            Ministério com relação aos cristãos: edificar. De acordo com as Escrituras, a igreja tem a obrigação de nutrir aqueles que já são cristãos e edificá-los à maturidade na fé. Paulo disse que seu próprio alvo não era apenas levar pessoas à fé salvífica inicial, mas sim "apresentar todo homem perfeito (maduro) em Cristo" (Cl 1.28). E ele escreveu à igreja de Éfeso que Deus havia concedido à igreja pessoas com dons "com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, [...] à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Ef 4.12-13). E evidentemente contrário ao modelo do Novo Testamento pensar que o nosso único alvo para com as pessoas é levá-las à fé salvífica inicial. Nosso alvo como igreja deve ser apresentar a Deus todo cristão "perfeito (maduro) em Cristo" (Cl 1.28).

3.            Ministério com relação ao mundo: evangelização e misericórdia. Jesus disse aos seus seguidores que eles deveriam "fazer discípulos de todas as nações" (Mt 28.19). Essa obra evangelística de declarar o evangelho é o ministério principal da igreja com relação ao mundo. Todavia, acompanhando a obra de evangelização há também o ministério de misericórdia, que inclui cuidado dos pobres e dos necessitados em nome do Senhor. Embora a ênfase do Novo Testamento esteja na ajuda material para os que fazem parte da igreja (AL 11.29, 2Co 8.4, 1Jo 3.17), há ainda uma afirmação de que é correto ajudar os descrentes ainda que eles não respondam com gratidão nem aceitem a mensagem do evangelho. Jesus nos ensina:

Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga, será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai (Mt 6.35-36).

A questão central na explicação dada por Jesus é que devemos imitar a Deus, sendo bondosos para os que são ingratos e também egoístas. Além do mais, temos o exemplo de Jesus, que não tentou curar apenas os que o aceitaram como Messias. Em vez disso, quando grandes multidões o procuravam, "ele os curava, impondo as mãos sobre cada um (Lc 4.40). Isso deve incentivar-nos a executar atos de bondade, a orar pela cura e por outras necessidades, tanto na vida de cristãos como de descrentes. Tal ministério de misericórdia para com o mundo pode também incluir participação em atividades cívicas ou tentativas de influenciar a política do governo a ser mais consonante aos princípios morais bíblicos [inclusive preservar o meio ambiente, colchetes meus, Roberto]. Onde há uma injustiça sistemática no tratamento dos pobres ou de minorias étnicas ou religiosas, a igreja deve também orar – quando tiver tal oportunidade – e denunciar tal injustiça. Todos esses são meios com os quais a igreja pode complementar seu ministério evangelístico para com o mundo e de fato adornar o evangelho que ela professa. Mas tal ministério de misericórdia para com o mundo nunca deve tornar-se um substituto da evangelização genuína nem de outras áreas de ministério com relação a Deus e aos cristãos, conforme já mencionados.

4. Manter esses propósitos em equilíbrio: Os três propósitos da igreja foram ordenados pelo Senhor nas Escrituras, portanto, os três são importantes e nenhum deles pode ser negligenciado. De fato, uma igreja forte terá ministérios eficazes nas três áreas. [...]. Todavia, indivíduos são diferentes de igrejas ao colocar uma relativa prioridade sobre um ou outro desses propósitos. Pelo fato de sermos um corpo com diversos dons espirituais e vários talentos, será correto colocar mais ênfase no cumprimento daquele propósito da igreja que for mais relacionado com os dons e interesses que Deus nos deu [ou: que Deus deu a cada um].” Grudem (2010).

Grudem quer dizer acima na última sentença que cada membro deve gastar mais tempo naquilo que é o dom e chamado que a pessoa recebeu de Deus, e não “um terço para adoração, um terço para edificação, e um terço para evangelismo e misericórdia”. Grudem finaliza dizendo: “Essa é apenas uma resposta adequada para a diversidade de dons que Deus nos concedeu”.

Complementando Grudem, creio que seja adequado que as denominações do Senhor atuem em diversas áreas para o bem da comunidade ao redor, especialmente em criação de escolas confessionais para cristãos e redes de distribuição de alimentos conforme a prosperidade da igreja.

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