cap. 2
1. Teologia Ortodoxa e Método de Interpretação das Sagradas Escrituras. Na seção 2.1 e 2.2, e em todo o livro, seguimos a ortodoxia teológica, o que os fiéis escreveram ao longo de mais de 1900 anos. Não me lembro de alguma coisa importante que retirei de uma fonte heterodoxa que esteja neste livro e seja defendida por mim.
Também seguimos e interpretamos a Bíblia pelo método que denomino “histórico-gramatical-teológico”
(isto é, de fundamentação histórico-gramatical, mas sem desconsiderar a
teologia por trás dos versículos), e não o liberal método histórico-crítico,
nem o fantasioso método alegórico usado na idade média (que dizia que cada
verso tem quatro significados / níveis diferentes). Além disso, Deus (que é
infinito) pode ter escrito alguns versos chave com dois significados legítimos –
a isso leia-se, além do significado e sentido imediato, “outro sentido pretendido
por Deus, ainda que não plenamente compreendido pelo profeta” – (assim eu não
limito a Deus ter se revelado em cada verso apenas com um significado com esse
pressuposto), por exemplo, Ezequiel 28 serve tanto literalmente para o rei de
Tiro, como tipologicamente (ou alegoricamente – não no sentido medieval nem
fantasioso, mas conforme a palavra alegoria no sentido bíblico usado por
Paulo em Gl 4.24) para Satanás; Ou: Oseias 11.1 fala tanto de Israel
como de Jesus: ambos foram chamados do Egito (do Egito chamei a meu filho,
citado por Mateus 2:15).
^^^^^^ alterado 22/1 21h53
Por que, alguém pode se perguntar, não sigo estritamente o método histórico-gramatical ou gramático-histórico, mas sim adaptei e criei um método chamado histórico-gramatical-teológico? Vou dar um exemplo.
Leia 1Samuel 28 (Saul consulta uma
necromante/feiticeira/médium).
Veja que o autor bíblico do final de
1Samuel não era Samuel, pois ele já havia morrido. Isso é comum, assim como
Josué deve ter sido o autor do final de Deuteronômio (trecho após a morte de
Moisés). O narrador que escreveu 1Sm 28, leia, escreveu que era Samuel quem
falava (implicitamente, segundo uma leitura literal, pode dar a entender que
Samuel voltou dos mortos: 1Sm 28-15-16: “Samuel perguntou a Saul...”; “Disse
Samuel...”). Se eu cresse apenas na gramática e historicidade desse capítulo,
sem ver o resto da Bíblia, alguém poderia acreditar (penso eu), como Augustus
Nicodemus acreditou (e uma minoria de outros teólogos ao longo da história) –
lembre-se de que ele usa o método gramático-histórico – afirmando que Samuel
realmente voltou dos mortos (Nicodemus, Augustus: Cristianismo
Descomplicado, Mundo Cristão, 1ª ed., 2017, pág. 29), mas é uma ideia
biblicamente absurda vendo os 66 livros do Cânon.
Mas graças a Deus temos a teologia e
as outras Escrituras (outros trechos). Não dá para se interpretar a Bíblia apenas
historicamente e gramaticalmente desconsiderando a teologia: a Bíblia é um
livro teológico.
A Bíblia inteira diz outra coisa:
que seria impossível Samuel voltar à vida por uma feiticeira, o relato é
duvidoso e estragado pois Saul estava perturbado e sem comer, a profecia do
pseudo-Samuel não se cumpriu, Samuel era salvo e estava na Glória etc. (ver “Hernandes Dias Lopes. É possível os mortos se
comunicarem com os vivos? EBD. <https://www.YouTube.com/watch?v=ZgUndEF-Eis>.
24 de agosto de 2020.”).
Por isso que meu método de
interpretação das Escrituras é a união do modelo histórico-gramatical com a sã
teologia, na qual faço um equilíbrio com a história, com as palavras e a
gramática do texto, e com a teologia ortodoxa.
Cremos no Espírito Santo de Deus (Mt 28.19), que é Deus (Atos 5.3-4). O Espírito aplica em nós a salvação conquistada por Jesus através do novo nascimento (nos faz nascer de novo), uma só vez (João 3.3-8). Já adiantando, o novo nascimento, nascer do alto ou nascer de novo é chamado também de regeneração, obra do Espírito: Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo (Tito 3:5). O ato de regeneração, aspecto essencial de salvação (às vezes visto como sinônimo da salvação), ocorre, conforme Romanos 10.9, quando confiamos no Senhor Jesus Cristo para a nossa salvação (melhor explicado na seção 10.4 Efeitos da Salvação Divina), o que geralmente não é instantâneo, mas é pelo contato com a Palavra que vem a fé salvadora, e por meio do relacionamento pessoal com Cristo pelo Espírito. Detalhe, neste livro, especialmente nesse capítulo, ao falar de ‘regeneração plena’ refiro-me à habitação permanente do Espírito em todos os crentes segundo a nova aliança (Jo 7.39; At 2; 1Co 12.13), sem negar que o Espírito já operava de modo salvífico na antiga aliança, mas de modo não pleno, não permanente, não universal.[...]
Além
disso, nem toda pessoa que sente o
Espírito Santo
e seus dons, e nem todos os
que são usados esses
dons espirituais são salvos de verdade, ou seja, nem todos praticam o fruto do
Espírito Santo, evidência do novo nascimento! Assim não nasceram de novo, mas
Deus
pode lhes ter concedido dons sem que isso implique regeneração segundo o contato com a Palavra e o Espírito para um propósito Soberano nas suas vidas, em que, conforme a citação de Bunyan abaixo
(parágrafo 303: Vi, portanto, que aquele que possui os dons precisa ser levado
a reconhecer a natureza deles...), quem tem dons deve ser levado
a reconhecer a natureza deles e se render a Cristo!
[...]
O que isso quer dizer? Significa,
que os salvos da antiga aliança, que eram justificados como o pai Abraão nunca
nasceram de novo da mesma forma que os salvos da nova aliança após Pentecoste,
porque não era necessário... ficou sendo necessário o novo nascimento junto com
a justificação a partir de Cristo para “entrar e ver o Reino de Deus”, que
havia acabado de chegar, assim como os profetas falaram (por exemplo, Ezequiel
e Joel), que receberíamos um novo Espírito e um novo coração, e o Espírito
seria dado à toda carne. E o Espírito Santo foi dado à Igreja em Pentecoste
(Atos 2), na qual as primícias (primeiros salvos) foram regenerados pelo
Espírito Santo e receberam os mais ricos dons.
[...]
Notou?
A diferença é que os santos do Antigo Testamento, embora salvos como nós pela
fé (justificados), não receberam o Espírito Santo como habitação permanente no sentido
universal da nova aliança.
Na antiga aliança, embora seja evidente que possuíam
um novo coração no Senhor, não
desfrutavam dessa regeneração de forma plena como ocorre na nova aliança:
A
Bíblia de Estudo Pentecostal (1995, p. 1613) diz que, antes da regeneração, os discípulos [exceto Judas!] eram
verdadeiros crentes em Cristo segundo os preceitos do antigo concerto [antiga aliança]. Porém, eles [como os
santos do AT] não eram plenamente
regenerados no sentido da nova aliança.
Isso
tudo digo porque a fase apostólica era uma
transição da antiga para a nova aliança: Quem já era salvo pela fé na época de
Jesus (Jesus disse para muitos: tua fé te salvou), ou seja, quem já era
justificado (antiga aliança), nasceu de novo de pentecoste (Atos 2) em diante
(nova aliança): receberam o Espírito Santo e os seus mais ricos dons, foram
regenerados. Portanto, na nova aliança somos tanto justificados como plenamente
regenerados.
Pedro, quando negou a Jesus, embora salvo / justificado pela fé nos moldes do Antigo Testamento (vós [11 apóstolos] já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado Jo 15.3), não era ainda nascido de novo (pelo menos com a plenitude da nova aliança) quando negou a Jesus, pois Jesus ainda não havia dado o Espírito Santo (João 7.39), mas ele era justificado pela fé como Jesus falava aos outros: tua fé te salvou. Quando Jesus disse que Pedro o negaria, disse também: quando te converteres [quando houver se convertido / restaurado, fato que levou à plenitude do Espírito em Pentecostes na nova aliança], fortalece teus irmãos (Lucas 22.31-32). Pedro nasceu de novo (plenamente) depois da ressurreição quando recebeu o Espírito Santo, e o crente justificado e nascido de novo (salvo da nova aliança), em comparação ao apenas justificado (salvo da antiga aliança), não nega a Jesus, não é natural, pois tem a semente de Deus de 1João 3. Além disso, 1João 2.23 diz, na nova aliança, “Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.”; Ezequiel 36.26-27 diz que Deus nos transforma interiormente no novo nascimento: “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.”; Jeremias 32.40 fala que o nascido de novo teme a Deus: “E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim.”
cap. 9
9.10 Conclusão
Depois de tudo isso, portanto, a humanidade inteira nasce caída em Adão, culpada, corrompida e espiritualmente morta, incapaz de
salvar-se a si mesma. O pecado não é apenas ou mera fraqueza moral, mas rebelião real contra Deus, afetando entendimento,
vontade e afetos. Assim, ninguém pode agradar a Deus sem a intervenção graciosa
do Espírito Santo. Todavia, onde abundou o pecado, superabundou a graça
(Rm 5.20). A mesma Escritura que revela a profundidade da queda aponta também
para a suficiência do Salvador. A doutrina do pecado, longe de nos levar ao
desespero, prepara-nos para compreender a necessidade absoluta de Cristo e
conduz naturalmente à próxima etapa desse livro: a doutrina da salvação.
cap. 10. especialmente 10.5:
10.5.3 A
Eleição no Ponto de Vista Luterano Clássico – Baseado na Palavra de Deus e Não
na Lógica
Recentemente
escrevi uma “Declaração de Fé Bíblica”, onde eu colocava o ponto de fé e as
referências bíblicas e simplesmente não achei nenhuma referência bíblica na
Escritura sobre o critério da eleição arminiana como defendida na seção 10.5.2
em diante por mim que defendi por aproximadamente seis anos! Que choque! Como
Deus me alegrou ao voltar à Palavra! Claro que tudo o que aprendi não foi em
vão, foi tudo muito útil, ainda mais que Deus nos conduz passo a passo, e de fé
em fé.
Já a
eleição calvinista aparentemente tenta encaixar Deus numa caixa teológica
afirmando que Deus não quer salvar a todos, como é bem conhecido, e eu não a
aceito, crendo que não faz jus ao retrato fiel da Escritura do Deus de Amor.
Retomo
agora a abordagem luterana clássica, por considerá-la mais fiel ao limite da
revelação.
A
eleição arminiana deste livro será mantida no lugar dela pois acredito que
muitos arminianos podem se beneficiar dela, e não vão querer adotar a eleição
luterana – eles podem preferir consistência teológica a ficar com o explícito e
evidenciado pela Palavra de Deus. Por isso, eu prefiro sacrificar parte da
consistência lógico-teológica, ou seja, falar que realmente não sei o critério
de Deus eleger uns e condenar outros (pois a Bíblia não o diz), e estar um
passo mais perto da Palavra, da qual vem virtude, com a teologia. Mas simplesmente
deixei as duas teorias da eleição lado a lado e o leitor escolhe qual vai
querer. Bom, não despreze nenhuma linha teológica antes de conhecê-la, não?
A
eleição luterana, por sua vez, é chamada de incondicional à revelação bíblica,
pois a Bíblia não esclarece o assunto, não fala o motivo pelo qual elege alguns
para a vida, mas a eleição luterana crê que em Deus, ou na Mente de Deus,
existe um fundamento real para a eleição não revelado na Escritura, isto é, há
em Deus um fundamento conhecido somente por Ele, fruto do seu conselho sábio e
justo de modo que, logicamente, não é arbitrária nem aleatória. Assim, em Deus há
um critério (não sendo bem ou mal, claro, segundo a Escritura, pois todo bem
vem de Deus), mas, na revelação, a eleição é incondicional.
A
eleição luterana com vivacidade afirma que Deus elege os eleitos à vida pela
graça, pelo contato com a Palavra de Deus, que produz fé salvadora em nós
(Romanos 10.17)! Ao mesmo tempo rejeita a condenação dos ímpios por vontade de Deus
(o que seria a dupla predestinação), pois eles são condenados por si mesmos por
resistir a graça de Deus, resistir ao Espírito Santo e endurecer o coração e
tampar os ouvidos à Palavra. Isso é, simplesmente, evidenciado pelo texto bíblico.
Sim, cremos na graça resistível, e por isso – pelo seu próprio pecado – o
réprobo será condenado!
Assim,
estou voltando à Palavra, às origens, a Deus!
A vontade
revelada de Deus é suficiente, inerrante e inspirada, ainda que não seja plenamente
determinada pela lógica e razão.
Por eleição através da graça de Deus nós consideramos essa verdade, que todos aqueles que, pela graça de Deus somente, pelos méritos de Cristo, através dos meios de graça [para mim, a Palavra, colchetes meus], são trazidos à fé, são justificados, santificados e preservados em fé aqui no tempo, que todos estes já foram dotados por Deus com fé, justificação, santificação, e preservação na fé, e isso pelo mesmo motivo, a saber, pela graça somente, pelo amor, mérito, causa, objetivo, motivo e intento de Cristo, e através dos meios da graça. Que essa é a doutrina da Sagrada Escritura é evidente de Ef 1.3-7, 2Ts 2.13-14, At 13.48, Rm 8.29-30, 2Tm 1.9, Mt 24.22-24. LCMS – The Lutheran Church Missouri Synod (1932).
10.2.1.2 A Antiga e Nova Aliança, os sacrifícios de animais com foco na justificação e expiação: imperfeito e foi retirado;
10.6.4 Lucas 14.33: incorreto e foi retirado;
Anexo F de Swinburne - removido por ser polêmico, desnecessário, e talvez até errado, portanto foi retiado
todo o livro foi atualizado, seção a seção.
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