Download:
Atualizado 3-1-26 14h45
10.5.3.3 Romanos 9.22 e 23 ensinam a dupla predestinação? Condenação desde a
eternidade?
Romanos 9:21-23 Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição, para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia que para glória já dantes preparou (Romanos 9.22.23).
Parece com
uma olhada rápida que Deus ‘predestinou’ os ímpios à perdição, cada um deles,
desde a eternidade, para o inferno, assim como defende o calvinismo. Mas vamos
olhar com mais calma.
Os versos
acima, se com cuidado notados, não ensinam a fatalidade da dupla predestinação,
que alguns são rejeitados e ignorados desde a eternidade sem chance de serem
salvos. Na eleição à salvação desde a eternidade nós cremos. Mas Deus da chance
a todos, conforme a Escritura, clara como cristal, e o Espírito Santo é que
testifica. Ora, a diferença do verso 22 (preparados para a perdição) para o 23
(preparados para a glória) é que apenas os eleitos são predestinados: “para
glória já dantes [elemento de tempo, colchetes meus] preparou” no
v.23, ou seja, desde a eternidade. Os vasos preparados para a perdição no v. 22
não são ditos que são preparados para a perdição num tempo anterior (desde a
eternidade) como é falado dos eleitos, e não se acha na Escritura frases como
"dantes preparados para a perdição", ou "predestinados para a
perdição" etc. Claro que os nomes deles desde a fundação do mundo não
estão no livro da vida (Apocalipse 13.8), mas não, a Bíblia não fala de
presciência, predestinação, condenação, eleição individual ao inferno desde a
eternidade!
Acrescentemos
mais dois trechos da Bíblia complementares a Romanos 9 nestes raciocínios:
Judas 1:3,4 (“Porque se introduziram furtivamente alguns, os quais já antes
estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em
dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso,
Jesus Cristo”), e Apocalipse 13.8 (“E adoraram-na todos os que habitam
sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do
Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”): os vasos preparados
para a perdição são pessoas que já estavam inscritas para o juízo final,
todavia foram preparadas durante suas vidas por terem rejeitado o
Senhor, e Deus, claro, já sabia disso desde a eternidade (Deus já está no
futuro), ou seja, sabia que os descrentes que resistem ao Espírito e à Palavra
em vida seriam condenados no juízo do último dia pelo próprio pecado (colhendo
o que plantaram) contra Sua lei, portanto cada pessoa que rejeita a Palavra e o
Espírito sofrerá individualmente o juízo e a condenação eterna futura a qual
Deus já conhecia, mas não serão condenados por terem sido predestinadas
individualmente, ativamente, ao inferno (como se fosse um decreto forçado de
Deus), pois não é bíblico falar em predestinação ou eleição individual ao
inferno eterno ou lago de fogo desde a eternidade.
Deste juízo
Deus criou os critérios, baseados na Lei divina, retos e justos – no qual
sabe-se que a aprovação só em Cristo – só entra pessoa perfeita no céu. Como
nenhum de nós é perfeito, só podemos ser aprovados no Céu se declarados justos
por Cristo, sendo justos e santos pela justiça de Cristo, e não a nossa – isto
é ser justificado. Todo justificado irá à glória com Cristo.
As pessoas
não são, por isso, excluídas da salvação, ou da eleição, pois, como dito, Deus
recebe a todos os que se aproximam Dele em humildade – Deus os espera como Bom
Pai, suficiente Salvador, verdadeiro e amoroso Senhor sobre tudo e sobre todos:
consequentemente confirma-se o fato de que Deus quer salvar a todos conforme a
Escritura, que é inerrante, e não contraditória. Se há contradições, ainda que
existam por mais de quinhentos anos na teologia, fruto de tradição, nós que
cremos nessa tradição é que estamos errados.
Frisando,
as pessoas são condenadas pelo pecado, pela resistência à Palavra e ao Espírito
em vida! Deus seriamente quer salvar a todos e chama a todos às bodas,
lembre-se das palavras de Jesus!
O apóstolo diz claramente que Deus suportou com muita longanimidade os vasos da ira'. Não diz que fez vasos de ira. Pois se tal houvera sido sua vontade, não teria necessidade de grande longanimidade. Quanto a serem preparados para a perdição, disso é culpado o diabo e os homens, não Deus. Livro de Concórdia, 2016.
Lund e
Nelson, em Hermenêutica (2007), afirma sobre Jacó a Esaú:
O uso do amar e aborrecer (ou amar e rejeitar) era para expressar preferência de uma coisa à outra. Tanto é assim que, por exemplo, ao lermos, "Amei a Jacó, e aborreci a Esaú" (Rm 9.13), devemos compreender: preferi Jacó a Esaú. (ver também Dt 21.15; Jo 12.25; Lc 14.26; Mt 10.37).
Isso não
quer dizer: “condenei a Esaú desde a fundação do mundo”, tal não é bíblico!
Mas, sim, preferi a Jacó, elegi a Jacó.
Nenhum comentário:
Postar um comentário