1. Teologia
Ortodoxa e Método de Interpretação das Sagradas Escrituras. Na seção 2.1 e 2.2, e em todo o livro,
seguimos a ortodoxia teológica, o que os fiéis escreveram ao longo de mais de 1900
anos. Não me lembro de alguma coisa importante que retirei de uma fonte
heterodoxa que esteja neste livro e seja defendida por mim.
Também seguimos e
interpretamos a Bíblia pelo método que denomino “histórico-gramatical-teológico”
(isto é, de fundamentação histórico-gramatical, mas sem desconsiderar a
teologia por trás dos versículos), e não o liberal método histórico-crítico,
nem o fantasioso método alegórico usado na idade média (que dizia que cada
verso tem quatro significados diferentes). A única exceção nisso é que eu creio
que Deus (que é infinito) pode ter escrito alguns versos chave com dois
significados (assim eu não limito a Deus ter se revelado em cada verso apenas
com um significado com esse pressuposto), por exemplo, Ezequiel 28 serve tanto
literalmente para Satanás, como alegoricamente para o príncipe de Tiro; Outro
exemplo: Oseias 11.1 fala tanto de Israel como de Jesus: ambos foram chamados
do Egito (do Egito chamei a meu filho, citado por Mateus 2:15).
Por que, alguém pode se perguntar, não sigo estritamente o
método histórico-gramatical ou gramático-histórico, mas sim adaptei e criei um
método chamado histórico-gramatical-teológico? Vou dar um exemplo.
Leia 1Samuel 28 (Saul consulta uma
necromante/feiticeira/médium).
Veja que o autor bíblico do final de 1Samuel provavelmente
era um servo de Saul, pois Samuel já havia morrido. Isso é comum, assim como Josué
deve ter sido o autor do final de Deuteronômio (trecho após a morte de Moisés).
A pessoa que escreveu 1Sm 28, leia, está realmente convencida, crendo que
Samuel veio dos mortos pela feiticeira. Se eu cresse apenas na gramática e
historicidade desse capítulo, sem ver o resto da Bíblia, alguém poderia
acreditar, como Augustus Nicodemus acreditou – lembre-se de que ele usa o
método gramático-histórico, afirmando loucamente que Samuel realmente voltou da
sepultura (Nicodemus, Augustus: Cristianismo Descomplicado, Mundo Cristão, 1ª
ed., 2017, pág. 29).
Mas graças a Deus temos a teologia e as outras Escrituras
(outros trechos). Não dá para se interpretar a Bíblia apenas historicamente e
gramaticalmente desconsiderando a teologia: a Bíblia é um livro teológico.
A Bíblia inteira diz outra coisa: que seria impossível
Samuel voltar à vida por uma feiticeira, o relato é duvidoso e estragado pois
Saul estava perturbado e sem comer, a profecia do pseudo-Samuel não se cumpriu,
Samuel era salvo e estava na Glória etc. (ver “Hernandes
Dias Lopes. É possível os mortos se comunicarem com os vivos? EBD. <https://www.YouTube.com/watch?v=ZgUndEF-Eis>.
24 de agosto de 2020.”).
Por isso que meu método de interpretação das Escrituras é a
união do modelo histórico-gramatical com a sã teologia, na qual faço um
equilíbrio com a história, com as palavras e a gramática do texto, e com a
teologia ortodoxa.
Complementação 3: Seção 4.2
Para embasar o raciocínio citado
de Bodie Hodge (Cristo, sendo Deus, simplesmente não a recebe [natureza
pecaminosa] pela virtude de que Ele é o Filho de Deus), achando eu que
era mistério oculto cf. Deuteronômio 29.29 (As coisas encobertas pertencem
ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos
para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei), fui
surpreendido pelo Pr. Gilberto Ferraz que me levou a um vídeo na
internet: “The Bible Project: Santidade”
(Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=EEf8lGwWr2k>. Acesso em:
Dez. 2025): com as minhas
palavras: “No tempo da lei quem tocasse em
morto, leproso ou fluxo corporal (ou cometesse pecado) teria que cumprir um
ritual para se aproximar de Deus e corria risco de morte se não estivesse
totalmente purificado, pois Deus é Santo. Por isso Isaías quando viu ao Senhor
pensou que iria morrer, mas o Senhor tocou-o com uma brasa do altar e disse:
“Você está purificado de sua iniquidade”. Da mesma maneira, as águas sanadoras
da visão de Ezequiel por onde passavam purificavam tudo à sua volta (as mesmas
do final de Apocalipse). Pelo mesmo raciocínio, Jesus, o Filho de Deus,
infinitamente Santo, tocou em leproso, também foi tocado pela mulher com fluxo
de sangue (além de ter tocado em defuntos), e ao tocar em Jesus as pessoas
foram purificadas e Jesus não se contaminou. Em resumo, aplicando isso à
concepção miraculosa de Jesus, a infinita santidade de Deus manteve puro o
fruto no ventre de Maria, ainda que ela mesmo fosse pecadora (ela mesmo
confessa precisar do Salvador no evangelho de Lucas cap. 1). Conclusão: a
impureza limitada de Maria jamais mancharia a
infinita pureza de Deus e de Cristo.” Amém!
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