sábado, 13 de abril de 2024

Coloquei mais um parágrafo na escatologia e na TS. (chaga mortal da besta de Apocalipse 13).

 Eis o parágrafo na seção 12.9 da Teologia Sistemática. Arquivo atualizado, mesmo link.

Vamos esclarecer Apocalipse 13.3 “E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta”: Como sua ferida mortal foi curada? Segundo Jim Gibson (2018), "Desde que Nero foi morto em 68 d.C., como então a “ferida mortal” foi curada? Bem, Nero foi o último da dinastia Julio-Claudiana do Césares, a família fundadora. Quando ele morreu, Roma foi mergulhada em uma grande guerra civil. Muitos motins eclodiram e muitos dos melhores edifícios de Roma foram queimados. Em menos de um ano, três imperadores haviam reivindicado essa honra, mas logo foram destronados. De fato, 69 d.C. ficou conhecido como o “ano dos quatro Césares”. A inquietação e a perturbação política não estavam isoladas apenas em Roma. Ele reverberou por todo o Império. No entanto, a paz e a calma retornaram quando Vespasiano se tornou imperador em 69 dC Assim, “a ferida mortal foi curada”. Por um breve período, o império romano estava à beira do colapso."

https://www.mediafire.com/file/goflv7bfghu1lfm/Teologia+Sistemática+Interdenominacional+-+Roberto+F.+Rossi+-+700p+abril+2ª+ed.+clubedeautores.pdf/file


terça-feira, 2 de abril de 2024

Atualizações na Teologia Sistemática e PDFs

Graça e paz

3.6 Deus É Amor. A Essência de Deus: Podemos Conhecer a Deus?

Stanley Grenz, 2000, em sua obra Theology for the Community of God, faz uma explanação sobre o Amor de Deus, complementando a seção sobre a Doutrina de Deus. O raciocínio abaixo não exclui nenhum outro atributo divino citado anteriormente:

A doutrina da Trindade constitui a base para a concepção cristã da essência de Deus. Por esta razão, carrega profundas implicações para nossa compreensão da realidade divina.

Como o apóstolo indica, a essência de Deus é Amor (1Jo 4.8). Por toda a eternidade a vida divina - a vida do Pai, Filho e Espírito - é melhor caracterizada pela nossa palavra "amor". O amor, portanto, isto é, a autodedicação recíproca dos membros trinitários, constrói a unidade do único Deus. Não há outro Deus além do Pai, Filho e Espírito, ligados juntos por toda a eternidade.

Quando visto em termos do seu papel na doutrina da Trindade, o termo “amor” oferece uma janela na profundidade da realidade de Deus como entendido pela tradição cristã. O Amor trinitariano descreve a vida interna de Deus – Deus como Deus fora de qualquer referência à Criação.

A explicação de como o amor pode ser a essência de Deus permanece na natureza triuna de Deus como Pai, Filho e Espírito. Amor é um termo relacional, que requer tanto o sujeito como o objeto (alguém ama algum outro). Se Deus fosse um sujeito de ação solitário, uma pessoa separada do Pai, do Filho e do Espírito, Deus exigiria o mundo como objeto de seu amor para ser quem ele é, ou seja, o Amado. Mas porque Deus é triuno, a realidade divina já compreende tanto o sujeito quanto o objeto do amor.

[Assim, o Pai ama o Filho e o Espírito. O Filho ama o Pai e o Espírito. O Espírito ama o Pai e o Filho].

De um modo teológico, então, a afirmação de João de que Deus é Amor, refere-se primeiramente à relação intratrinitariana dentro do eterno Deus. Deus está em amor consigo mesmo. Em suma, por toda a eternidade Deus é a Trindade social, a comunidade de amor.

Visto que Deus é amor à parte da criação do mundo, o amor caracteriza Deus. O amor é a essência eterna do único Deus. Mas isso significa que o amor trinitário não é apenas um atributo de Deus entre muitos. Em vez disso, o amor é o "atributo" fundamental de Deus. "Deus é amor" é a declaração ontológica fundamental que podemos declarar a respeito da essência divina.

Porque por toda a eternidade e à parte do mundo, o único Deus é amor, o Deus que é amor não pode deixar de responder ao mundo de acordo com sua própria essência eterna, que é o amor. Assim, esta característica essencial de Deus também descreve a maneira como Deus interage com o seu mundo. O "amor", portanto, não é apenas a descrição do Deus eterno em si mesmo, é também a característica fundamental de Deus na relação com a criação. Com profunda visão teológica, portanto, João irrompe: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu..." (João 3:16).

O atributo fundamental de Deus, a declaração central e básica que podemos afirmar sobre a essência de Deus, é "Deus é amor". Não há Deus senão o Pai e o Filho [e o Espírito Santo] por toda a eternidade unidos pelo amor... É apenas dentro desse contexto que podemos entender as supostas afirmações "obscuras" a respeito de Deus, incluindo sua santidade, natureza ciumenta e ira.

No século vinte, muitos teólogos afirmaram que a santidade, que inclui a disposição resoluta de Deus contra o pecado - e não apenas o amor - deve ser classificada entre os atributos morais fundamentais de Deus. Brunner (Brunner, The Christian Doctrine of God, pág. 163, 167, 183), por exemplo, falou de uma "dialética" ou "dualismo paradoxal" de santidade e amor. Louis Berkhof listou três atribuições morais, que ele viu como "as mais gloriosas das perfeições divinas": bondade (sob a qual ele incluiu o amor), santidade e justiça (Louis Berkhof, Systematic Theology, revised edition, Grand Rapids: Eerdmans, 1953, pág. 70-76). E o grande pensador batista Augustus Hopkins Strong elevou a santidade a "o atributo fundamental em Deus" (Augustus Hopkins Strong, Systematic Theology, three volumes, Philadelphia: Griffith and Rowland, 1907, 1:296).

Em parte, essa ampliação da santidade como atributo divino central é motivada pelo desejo de proteger a prerrogativa de Deus de condenar pecadores impenitentes e, por sua vez, tornar palatável a doutrina do inferno. Bem compreendido, porém, o amor inclui dentro dele o que esse interesse busca preservar. Em termos simples, a presença do pecado transforma a experiência do amor divino da bem-aventurança pretendida por Deus em ira.

A possibilidade de experimentar o amor como ira surge da própria natureza do amor. Vinculado ao amor está um ciúme protetor. Como observou James I. Packer (James I. Packer, Knowing God, Downers Grove, InterVarsity, 1973, pág. 154), além da atitude pecaminosa e viciosa que geralmente associamos ao termo, os humanos também exibem outro ciúme, o "zelo para proteger um relacionamento de amor ou para vingá-lo quando rompido". Packer então aplicou isso a Deus: "Agora, as Escrituras consistentemente veem o ciúme de Deus como sendo deste último tipo, isto é, como um aspecto de sua aliança de amor por seu próprio povo."

O amor genuíno, portanto, é positivamente ciumento. É protetor, pois o verdadeiro amante procura manter, até mesmo defender, o relacionamento amoroso sempre que ele é ameaçado de ruptura, destruição ou intrusão externa. Sempre que outra pessoa procura ferir ou minar o relacionamento amoroso, ela experimenta o ciúme do amor, que chamamos de "ira". Quando falta essa dimensão, o amor degenera em mero sentimentalismo.

É assim que podemos entender que o Amado é um Deus de zelo e de ira. Aqueles que querem minar o amor que Deus derrama pelo mundo, experimentam seu amor na forma de ira.

A santidade, o ciúme e a ira de Deus diante do pecado também podem ser vistos de outra maneira. O amor de Deus pela criação significa que ele deseja que cada pessoa se torne tudo o que Deus planejou para a humanidade [1Tm 2.4]. Isso forma o plano de fundo teológico para a repetida ordenação bíblica de que sejamos santos (por exemplo, Êxodo 20:3-6). Mas, à medida que os humanos rejeitam o desígnio divino, eles sofrem a realização de seu curso de ação rebelde escolhido. Eles continuam sendo os recipientes do amor de Deus, mas experimentam esse amor na forma de ira.

A manifestação final da rejeição do amor de Deus é uma experiência sem fim da ira do Amante eterno. O inferno, portanto, não é a experiência da ausência do amor de Deus. Deus ama sua criação com um amor eterno. Portanto, o amor de Deus está presente até no inferno. Mas no inferno as pessoas experimentam a presença do amor divino na forma de ira. [Porque Deus não odeia ninguém, ainda que seja no inferno, do mesmo modo que uma pessoa má faria, pois Deus é Amor, colchetes meus].

A declaração "Deus é amor" constitui a base para a nossa compreensão dos chamados atributos morais de Deus. Estes incluem termos como "graça", "misericórdia" e "longanimidade" – termos que falam da bondade de Deus. Todas essas palavras, no entanto, são mais bem vistas como várias tentativas de descrever as dimensões do caráter fundamental de Deus – o amor – conforme é experimentado por sua criação. Porque Deus é amor, Deus é bom – isto é, gracioso, misericordioso e longânimo – em tudo o que faz. Acima de tudo, porque Deus ama, ele busca a salvação e a renovação da criação caída.” Grenz, Stanley (2000).

 

O Espírito Santo e o Amor

Para se aprofundar no amor de Deus, vamos ver a relação do Espírito com o Amor Perfeito de Deus.

A Bíblia dá a entender que o Pai é a fonte da Divindade, que gerou eternamente o Filho e Dele procede eternamente o Espírito. A Bíblia diz também que o Filho é Sabedoria e Poder de Deus pelo apóstolo Paulo. Nessa mesma linha, também dá a entender que o Espírito Santo é Amor: Leia o ANEXO E – O ESPÍRITO SANTO E O AMOR, POR AGOSTINHO DE HIPONA.

Se ainda não ficou esclarecido com Agostinho, deixe-me tentar:

Alguém pode dizer que não se pode chamar o Espírito Santo de Amor pois Agostinho usava a tradução conhecida como Vulgata, e, porque, penso eu, como era a doutrina da salvação de alguns, “o amor precede a fé salvadora”. Portanto, vou explicar isso usando a ACF (Almeida Corrigida Fiel) com a ótica protestante da doutrina da salvação, em breves palavras, baseado no raciocínio de Agostinho, para mostrar que vale sim dizer que o Espírito Santo pode ser chamado de Amor:

1 João 4:7,8 “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.”

Explicação. Qualquer que ama, como Deus é amor, é nascido de Deus, conhece a Deus, e recebeu esse amor de Deus.

1 João 4:12,13 “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito.”

Explicação. Como ninguém jamais viu a Deus, sabemos de outra forma (no caso, palpável e visível) que Deus está em nós, como? “Se nos amamos uns aos outros”. Se Deus está em nós, somos nascidos de novo e amamos os irmãos (1Jo 4.7,8 “qualquer que ama [já] é nascido de Deus e conhece a Deus”).

Em nós é perfeito o seu amor”: Como é Deus que está em nós, e Deus é amor, segue que o Amor que o nascido de novo tem dentro dele, que é Deus, é perfeito. Se o amor com que amamos os irmãos fosse um fruto imperfeito, não seria perfeito, mas o amor que é Deus, que está em nós, é perfeito (manifestado como fruto perfeito em 1Co 13) porque senão não seria Deus, que é absolutamente Perfeito e cuja essência é o Amor.

Leia 1Jo 4.12,13: “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito”. Agora voltemos um pouco no raciocínio: Como conhecemos que estamos nele (e ele em nós)?

1.      1. Conhecemos que estamos nele, e ele em nós ao amarmos os irmãos (1Jo 4.8 “Qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”; 1Jo 4.12 “Se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós”), amor de natureza perfeita.

2.     2. E o que o apóstolo João complementa? Que sabemos que Deus está em nós, e nós Nele não só por Deus-Amor Perfeito estar em nós, e não só por manifestar o amor aos outros, mas: “nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito.” Então também conhecemos que estamos nele e ele em nós por causa do Espírito Santo que habita em nós! Portanto, o Espírito Santo, que é Deus, é Amor. Pelo contexto, João relaciona claramente o Espírito Santo com o Amor perfeito de Deus, pois é por ambos que conhecemos que estamos nele e ele em nós! Sendo Deus (tanto o Pai, como o Filho, como o Espírito, como os Três juntos) Amor, quem mais propriamente seria chamado de Amor senão o Espírito Santo, pois o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5:5)?

3. Concluímos que o apóstolo diz que estamos em Deus e Deus em nós por causa do Seu Amor Perfeito em nós; estamos também em Deus, e Deus em nós, por causa do Seu Espírito. Portanto, o Espírito Santo em essência, é Amor, e não vejo problema em chamá-lo, humildemente e respeitosamente, assim.

 

Outros versículos que relacionam a forte relação do Espírito com o Amor:

Romanos 5:5 "E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado."

Romanos 15:30 "E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus;"

Gálatas 5:22a "Mas o fruto do Espírito é: amor... "

Colossenses 1:8 "O qual nos declarou também o vosso amor no Espírito."

II Timóteo 1:7 “Pois Deus não nos deu um Espírito que produz temor e covardia, mas sim [...] amor [...]. (Nova Versão Transformadora, 2016).

I Pedro 1:22 "Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro;"

 

Ainda, se alguém pecar/blasfemar contra o Pai e o Filho pode-lhe ser perdoado, mas contra o Espírito Santo (que é Amor), não lhe será perdoado nem nesta vida, nem na vindoura. E por que isso? Justamente que aquele que pisa no amor de Deus, mesmo sendo também o Pai e o Filho também amor, recebe sua justa condenação.

Inclusive quem tem um relacionamento há muitos e muitos anos com o Espírito Santo, pois somos templos dele, sabe que Ele é Amor, e, seja nos abençoando diretamente e diariamente, seja nos guiando no coração, seja nos repreendendo quando pisamos fora do caminho, sabe que o Espírito nunca desistiu de nós, mas sempre nos envolve com Sua doce Presença.

Amém.

 

O Amor de Deus em Jacó Armínio

Continuando, Armínio, nas suas Obras de Armínio, Vol. 2 (2015), considera que um dos afetos primitivos de Deus é o amor, afeto de união em Deus. O amor é logicamente oposto ao ódio, afeto de separação em Deus, que flui do amor: “Uma vez que Deus ama, propriamente, a si mesmo e o bem da justiça e, pelo mesmo impulso, detesta a iniquidade; e uma vez que Ele ama, em segundo lugar, a criatura e a sua bem-aventurança e, nesse impulso, detesta a desgraça da criatura, isto é, deseja que ela seja removida da criatura, consequentemente, Ele detesta a criatura que persevera na injustiça e que ama a sua infelicidade.”

Unindo os conceitos de Stanley Grenz com Jacó Armínio, no qual o primeiro fala que Deus ama a todos, seja com amor ou com o ciúme do amor ou ira, e o último fala que Deus detesta ou “odeia” [odeia segundo Armínio significa estar separado Dele] a criatura que persevera na injustiça e que ama a sua infelicidade, concluo que o ciúme do amor ou ira de que fala Grenz pode ser identificado com o conceito de separação [“ódio”] de Deus para com o homem, segundo Armínio. Nesse livro trataremos que Deus ama a todos, seja com o amor íntimo, ou com o amor incondicional, ou com o amor em forma de ira.

Veja também a subseção “O Amor e Propósito de Deus versus a Eleição Calvinista” na doutrina da Salvação, seção “da Eterna Eleição de Deus”.

 

Os Atributos e a Essência de Deus

Depois de todos esses complexos raciocínios na doutrina de Deus, vale a pena refletirmos sobre a relação entre os atributos conhecidos e a essência/substância/natureza de Deus. Sabemos que a Bíblia com suas afirmações/atributos de Deus é a verdade absoluta pois foi inspirada pelo Espírito, e que a teologia, por sua vez, é limitada pela mente humana. Deste modo, o quanto podemos conhecer, de fato, na nossa mente limitada, a essência e o ser absoluto de Deus com absoluta certeza, pelos seus atributos? De acordo com Stanley Grenz (2000),

Em vez de afirmações estritas [de atributos] que pretendem representar um conhecimento objetivo e “científico” sobre Deus, os atributos são expressões que surgem da nossa experiência do Deus que se relaciona com os humanos e o mundo. Consequentemente, as descrições na forma de atributos são projetadas para facilitar e evocar louvores da comunidade de fé. Eles facilitam o louvor daqueles que conhecem a Deus de maneira pessoal. As afirmações atributivas não transmitem conhecimento da essência de Deus como uma realidade estática ou isolada do mundo [porém, se os atributos estão na Palavra (em contradição aos raciocínios e atributos construídos racionalmente por teólogos), que é inspirada, são verdade absoluta e pura realidade em Deus, colchetes meus, Roberto]. Em vez disso, as nossas descrições do Deus que conhecemos são tentativas de descrever o Deus em relacionamento. Através de tais declarações [baseadas na teologia e filosofia, colchetes meus], falamos sobre as relações eternas do Deus Triuno e a realidade de Deus no relacionamento com a criação, principalmente conosco. Deus não pode ser conhecido meramente por meio de uma compreensão intelectual de várias afirmações que pretendem descrever a sua natureza eterna. Assim, os vários atributos que os teólogos tradicionalmente atribuem a Deus não medeiam [de mediar, transmitir] o conhecimento de Deus. Deus é conhecido pessoalmente – como uma pessoa é conhecida – através do encontro pessoal, e nunca como um objeto que examinamos. Os atributos tradicionais de Deus funcionam como um lembrete útil da perfeição de Deus em comparação com seres humanos e o universo. Eles servem para mostrar a grandeza de Deus, quando comparamos Deus com o universo que ele criou. Grenz (2000).

Entretanto, a Escritura afirma e testifica que parte de Deus pode ser conhecido com certeza absoluta, mesmo na nossa mente limitada, pois Deus se revelou a nós de diversas maneiras. Por exemplo: Romanos 1:19-21a Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças...

As afirmações, atributos e pensamentos de Deus declarados por Ele mesmo na Bíblia são verdade absoluta (Deus não pode mentir e a Escritura é inerrante), e por eles realmente conhecemos, mesmo na nossa mente limitada, parte da essência e da verdade absoluta de Deus em Si mesmo, como Ele é fora da criação, pois somos imagem Dele.

Mas, claro, como a Bíblia é verdade absoluta e a teologia não, afirmações concebidas racionalmente, de fora da bíblia, por seres humanos como nós – como as da teologia – não nos fazem compreender a essência de Deus em Si mesmo, como escreveu Stanley Grenz (2000) acima, mas foram concebidas racionalmente para edificação e para louvor da glória de Deus na terra. Porém, conhecemos o Senhor nosso Deus, de fato, não através de afirmações de atributos descritivos, mas através de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo, pelo Espírito de amor.

Se uma criança não compreende com maestria as conversas de adultos com seus raciocínios, assim também nós não compreendemos plenamente o Senhor nosso Deus nesta vida, mas em parte - a Bíblia afirma que verdadeiramente conhecemos em parte, e isso não é ilusão, nem relativo (1Coríntios 13:12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então [na eternidade] veremos face a face; agora conheço em parte, mas então [na eternidade] conhecerei como também sou conhecido). A verdade absoluta é a Palavra de Deus. E ela também diz que devemos ser humildes como meninos para entrarmos no Reino dos céus.

Veja também a conclusão da subseção 10.5.2.2 Os Decretos de Deus, da relação do nosso conhecimento atual com a Mente de Deus.

Para olhar para a plenitude de Deus, basta olhar para Cristo, o resplendor da Glória de Deus e a expressa imagem do Pai. Cristo nos revelou tudo o que ouviu do Pai, pelo Espírito, conforme a Escritura.

 

A Essência de Deus

Depois de tudo isso, podemos concluir e avançar um pouco no raciocínio. Assim como uma pessoa qualquer (como eu e você) não pode ser conhecida meramente por afirmações, ainda que sejam verdadeiras afirmações de nossa pessoa, assim também não conhecemos a Deus verdadeiramente e intensamente apenas com afirmações de atributos, mas conhecemos o que de Deus se pode conhecer (o que Ele se revelou Dele mesmo) com um relacionamento pessoal com Jesus Cristo pelo Espírito Santo na preparação de Deus Pai.

O nome Yahweh em Êxodo 3 dito por Deus mesmo (que é Ehyeh) significa EU SOU (lembre-se de que o nome de Deus dito por uma criatura, Yahweh, significa Ele É). Desta maneira, a essência de Deus também reside no fato de que Deus é o Ser Absoluto, a própria “Realidade Absoluta(Piper, John, 2020, Who Is Yahweh?), compartilhada entre as três Pessoas da Trindade. Deus é criador de tudo, causador de tudo; tudo o que existe existe Nele. O apóstolo Paulo disse em Atos 17 que “nele [em Deus] vivemos, e nos movemos, e existimos”, “pois ele [Deus] mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas”.

A essência de Deus, além do significado de Ser Absoluto – o Eu Sou (do qual todas as coisas, substâncias e seres derivam) – conforme João indica, conforme a Pessoa e o sacrifício de Cristo, conforme o relacionamento com o Espírito diariamente, e conforme o relacionamento com o Pai em oração claramente indicam é o AMOR (1João 4).

Mas eu discordo de Agostinho que isso signifique com todas as letras que o Espírito é o amor em que o Pai ama o Filho e o Filho ama o Pai conforme escreveu Agostinho, pois o Espírito é uma Pessoa também, e para mim também faz sentido que, sendo três Pessoas (e baseado na teoria social da Trindade), o Pai também ama o Espírito e vice-versa e o Filho também ama o Espírito e vice-versa.

É claro que o Espírito é Amor também, como o Pai é a fonte da Divindade e como o Filho é o Poder, Sabedoria e Palavra de Deus, mas não podemos extrapolar com isso, pois, acima de tudo, o Pai, Filho e Espírito são três Pessoas, que falam, pensam, agem, interagem etc. que se relacionam entre Si e conosco e que são ligados pela essência divina de Deus que se chama Yahweh - a realidade absoluta, o Eu Sou, o ser Absoluto em Amor (sem rejeitar o ciúme benigno do amor de Deus).

Portanto, em contradição com a realidade do mundo longe de Deus, o que vejo e creio que é possível de se afirmar com precisão, olhando toda a Bíblia, toda a cosmovisão cristã, todo o histórico da Igreja, e todo o relacionamento de Deus com seu povo por Cristo e pelo Espírito Santo, unindo o significado do nome de Deus, Yahweh (de Êxodo 3), com o Novo Testamento, que trouxe luz ao Antigo, é que Deus Triuno é a Realidade Absoluta (da qual originalmente todas as outras realidades derivam) regida por Amor e que permanece eternamente em Amor.

Amém!

atualizado 16h25 horário de Brasília, 2/abr/24.


segunda-feira, 1 de abril de 2024

Atualização na seção 7.2.1 Acerca do nome 'Lucifer'.

 Graça e paz.


7.2.1 Acerca do Nome “Lúcifer”

Alguns chamam Satanás (que significa adversário) ou Diabo (que significa acusador), antes da sua queda, de ‘Lúcifer’ (o que não é um nome próprio de um anjo no texto original da Bíblia – como, por exemplo, Gabriel ou Miguel – mas significa somente expressões como “estrela da manhã” ou “portador de luz” a partir da palavra hebraica “heylel”).

Esse apelido de Satanás, enquanto anjo de luz de Lúcifer, ou seja, estrela da manhã, foi baseado na tradução de Isaías 14:12 da Bíblia para o latim que foi traduzida por Jerônimo no final do séc. IV (ou início do séc. V), chamada de “Vulgata Latina”. Embora Jerônimo não tenha escrito a palavra ‘lucifer’ (em latim não tem acento) com letra maiúscula (que seria um nome próprio) em Isaías 14:12, mas com letra minúscula, ou seja, ainda que Jerônimo tenha escrito apenas “estrela da manhã” em latim no texto, a tradição e interpretação da época (cf. Lucas 10.18), que lembramos que era muito mística, atribuiu essa palavra, lucifer de Isaías 14.12, a Satanás antes de sua queda – mas isso não é bíblico, não está nos originais em hebraico – o contexto claramente diz que fala do rei da Babilônia, e não de Satanás.

Tanto é que a tradição adotou tal nome para Satanás nesse trecho que uma das versões posteriores da vulgata, a Bíblia Vulgata Clementina em sua versão eletrônica, uma das bíblias oficiais da Igreja Católica, cuja referência é “Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam” (2006, “https://www.wilbourhall.org/pdfs/vulgate.pdf”, pág. 849 (Is. 14.12); acesso em mar. 2024”) traduziu e adotou “Lucifer” em Isaías 14:12 como nome próprio (L maiúsculo – dirigido a Satanás), e não como expressão que significa estrela da manhã ou equivalente (L minúsculo – dirigido ao rei da Babilônia). Em outras referências da vulgata (não sendo Isaías 14.12), a palavra ‘lucifer’ é associada a expressões como ‘estrela da manhã’, ‘portador da luz’, etc.

Resumindo: a expressão “estrela da manhã” em português é equivalente em latim a “lucifer” (sem o acento em latim, com a inicial minúscula), mas a palavra Lucifer com L maiúsculo seria um nome próprio fictício adotado pela tradição da igreja aproximadamente após o século V.

Se não é bíblico, Satanás nunca deve ter sido chamado de Lucifer no céu, da mesma maneira como Gabriel e Miguel são chamados de Gabriel e Miguel, na terra e no céu – mas a tradição adotou isso, e de fora da Bíblia inspirada nas línguas originais. Tanto que “estrela da manhã” é um título de CRISTO em Apocalipse 22.16. Ainda, alguns católicos na Páscoa (com as cerimônias em latim) chamam Deus de lucifer, mas com letra minúscula (o que significa apenas “estrela da manhã” e não um nome próprio), e não estão errados nesse cântico, pois Deus é Luz, é como uma estrela da manhã. E Cristo é Filho da Luz, Luz de Luz, Deus de Deus, também estrela da manhã.

Antigamente, antes da Vulgata e antes da tradição que adotou o nome Lucifer para Satanás, davam-se nomes aos filhos de Lucifer, para dizer que eram como estrelas da manhã (assim como muitos de nós nomeamos nossos filhos com nomes que significam bênçãos), tanto é que até existiu no século IV um bispo chamado Lucifer, que hoje é idolatrado como santo da igreja católica. Todavia, como pegou esse apelido infame para o Satanás no imaginário popular (até entre muitos teólogos evangélicos), não vale a pena mencionar hoje essa palavra em latim nem compará-la com outra coisa.

O trecho que em algumas bíblias aparece o nome próprio/título/apelido incorreto de Satanás como Lúcifer (em português tem acento, em latim, não) é Isaías 14:12.

 

Versões incorretas neste trecho (Lúcifer como nome próprio):

Bíblia Vulgata Clementina Eletrônica (2006 [latim])Quomodo cecidisti de cælo, Lucifer, qui mane oriebaris ? corruisti in terram, qui vulnerabas gentes ?”

Bíblia ACF (2007, 2011 [português]) “Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!”

Bíblia King James (KJV, 1611 [inglês antigo]) “How art thou fallen from heaven, O Lucifer, son of the morning! how art thou cut down to the ground, which didst weaken the nations!

 

Versões corretas – tradução fiel (grande maioria):

Bíblia NVI (2001) “Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações!”

Bíblia ARC (2009) “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!”

Bíblia NVT (2016) “Como você caiu dos céus, ó estrela brilhante, filho da alvorada! Foi lançado à terra, você que destruía as nações.”

Bíblia ARA (1993) “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!”

 

Até a Bíblia ACF em versões anteriores, sem alguma influência errônea e infeliz externa, havia traduzido isso corretamente:

Bíblia ACF (1994, 1995) “Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!”

 

E, além disso, esse trecho não fala propriamente de Satanás, visto que essa pessoa que era como uma “estrela da manhã” “debilitava as nações”, e, como Satanás foi certamente criado dentro dos seis dias de vinte e quatro horas, e não na eternidade, não havia nações para ele debilitar. Isaías 14.16 (mesmo capítulo) diz: “É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos?” fala que o trecho fala de um homem, não anjo. Matthew Henry (1706) diz: Isso tem sido comumente aludido (e é uma mera alusão) para ilustrar a queda dos anjos, que eram como estrelas da manhã (Jó 38.7). O Dicionário do Google, acessado em 2019, fala que alusão é uma referência vaga, de maneira indireta, ou uma avaliação indireta de uma pessoa ou fato, pela citação de algo que possa lembrá-lo. Assim, fico com Matthew Henry, que, como ele diz, esse trecho claramente fala da soberba do rei da Babilônia, que realmente debilitou as nações. Vejamos o contexto:

Isaías 14:4 Então proferirás este provérbio contra o rei de babilônia, e dirás: Como já cessou o opressor, como já cessou a cidade dourada!

Isaías 14:22 Porque me levantarei contra eles, diz o SENHOR dos Exércitos, e extirparei de babilônia o nome...

 

Já para o Satanás, existem textos como Ezequiel 28.12-18, especialmente Ezequiel 28.14 (querubim ungido), que é uma lamentação para o rei de Tiro, e que, bem provavelmente, encaixa com o caráter de Satanás também. Deus pode, na minha opinião, ter escrito o livro de Ezequiel 28.12-18 para ambos, caso Ele quisesse. Mesmo assim, não há base forte para classificar Satanás como um querubim ungido, pois não é repetido no Novo Testamento, nem em qualquer outro lugar.


sábado, 2 de dezembro de 2023

Teologia Sistemática aprimorada na Escatologia (3 seções)

Prezados, graça e paz.

Conteúdo aprimorado (2 citações de Beale e Campbell, Revelation, 2015, google 

12.13.1 Selos, Trombetas e Taças de Apocalipse

Deixo essa seção para que os irmãos tenham uma noção acerca do assunto. Antes de ler essa seção favor ler 12.2 Apocalipse Tem Muitas Alegorias, Pois É Uma Revelação. Adams, Jay. The Time is at Hand. Timeless Texts. 2000. Os colchetes são meus comentários. Segundo Jay Adams:

Podemos dividir Apocalipse em duas seções:

Seção 1. O primeiro inimigo e sua derrota. A história da perseguição judaica e a destruição de Jerusalém (caps. 6-11).

Seção 2. O segundo inimigo e sua derrota. A história da perseguição romana e a destruição de Roma (caps. 13-19).

Primeiro ao quarto selo (Conquista, Guerra, Fome e Morte). Os selos não são cronológicos. Ver os paralelos da Escritura para saber os significados:

Lucas 21.9-11 E, quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis. Porque é necessário que isto aconteça primeiro, mas o fim não será logo. Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino; E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.

Ezequiel 14.21 Porque assim diz o Senhor Deus: Quanto mais, se eu enviar os meus quatro maus juízos, a espada, a fome, as feras, e a peste, contra Jerusalém, para cortar dela homens e feras?

[Apenas isso].

Quinto selo: Situação difícil dos mártires, sem ação.

Sexto selo (Ap 6.12-17 comparado com Lucas 23.27-30): Julgamento dos perseguidores judeus, queda da antiga ordem e entrada da nova aliança (Mat. 24 e Pedro citando Joel em Atos 2).

Começam as trombetas: cap. 8 (as orações dos santos foram atendidas). Julgamentos parciais começam a acontecer. As primeiras quatro pragas para a natureza: julgamento indireto; as três próximas ao homem: julgamento direto (três ais). As primeiras provavelmente dizem respeito a vários anos de devastação e pilhagens antes da destruição de Jerusalém. Neste período, a terra sofreu terrivelmente. O primeiro ai provavelmente significa a epidemia de doenças, o que sempre acompanhou guerra e cerco. Comparar Ap. 9.6 com Lucas 23.27-30 e Ap. 6.16. O segundo ai pode ser interpretado como invasão por si mesma. No cap. 11, pode-se ver que Jerusalém ainda está de pé (Ap 11.1-2, 8, 11 cidade). O último ai é a destruição de Jerusalém, na sétima trombeta (cap. 11.15-19). A cidade cai, o templo é destruído. O império mundial, assim como a teocracia nacional (a parte do Antigo Testamento), foi abolido quando o templo foi destruído. Deus inaugurou seu próprio reino, e começou a reinar. Cristianismo apenas começou como religião mundial (ou reino) depois que foi desassociado do judaísmo em 70 AD. Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste. Chegou o tempo dos mortos: as almas debaixo do altar foram julgadas e vingadas em resposta às suas orações (cap. 6).

[Complemento Jay Adams dizendo que é possível ver a diferença entre as pragas das trombetas para com a das taças: ainda que algumas sejam semelhantes, as pragas das trombetas destroem “um terço” da terra, e as pragas das taças destroem “toda a terra”. O que isso quer dizer? Quer dizer que são para locais diferentes, um menor e, depois, um maior: Simplesmente, confirmando Adams, que as trombetas (até o cap. 11) eram para a destruição de Jerusalém e arredores (local pequeno comparado ao império – simbolicamente “um terço da terra”), e que as taças (Cap. 15 em diante) foram julgamentos para o Império Romano como um todo (local grande – simbolicamente “toda a terra”)].

[Vamos direto ao capítulo 15]. As taças da ira, que estiveram enchendo pelos anos, estão agora cheias. O grande Rei das Nações triunfará sobre os reis do mundo e seu império. Cap. 16 descreve os julgamentos sobre Roma e sua queda [faz um paralelo com as trombetas da seção um, porém agora escreve acerca de Roma, e não Jerusalém]. As quatro primeiras taças são julgamentos para o Império como um todo. A quinta taça é jogada sobre Roma mesmo, o trono da besta. A terminologia da profecia do sexto anjo relembra o início do fim da Babilônia. O anjo prediz a queda de Roma em termos desta original potência mundial [antiga Babilônia] por boa razão (Ap 18.2), pois é o fim do império mundial satânico. Isto começou com Babilônia [a cabeça da visão de Daniel], e termina com o reino de Deus, que destrói a imagem, e a quebra em pedaços. Claramente Roma logo cessou de ser o centro do domínio mundial, e, como Babilônia, caiu totalmente de sua posição de ascendência. Em 476, Roma chegou ao seu merecido e terrível fim [pelos bárbaros].

Os comentadores de Apocalipse Beale e Campbell (2015) também escreveram, concordando nisso com Jay Adams, que João baseou-se, para escrever o julgamento da besta de Apocalipse, no julgamento sobre Babilônia do passado. Vamos tomar como exemplo Apocalipse 16.12, que não havia explicado adequadamente no livro até agora:


O ai da sexta taça (E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente. Apocalipse 16:12) é retratado de acordo com a descrição do julgamento de Deus sobre a Babilônia e a restauração de Israel, que por sua vez foi modelada após a secagem do Mar Vermelho no êxodo (cf. Êx 14.21-22 com Is 11.15; 44.27; 50.2; 51.10). O Antigo Testamento profetizou que esse julgamento incluiria o ressecamento do rio Eufrates (Is 11.15; 44.27-28; Jr. 50.38; 51.36; cf. Zc 10.11). A profecia foi cumprida literalmente por Ciro, que desviou as águas do Eufrates (Is 44.27-28). Isso permitiu que seu exército cruzasse as águas agora rasas do rio, entrasse inesperadamente na cidade e derrotasse os babilônios.

A ideia aqui é que Deus, como fez nos dias de Ciro, secará as águas do rio que protegem e nutrem Babilônia [agora Roma, colchetes meus] para permitir que os reis da terra, sob influência demoníaca imediata, mas em última análise sob o controle soberano de Deus, se reúnam juntos para que a Babilônia [Roma] seja derrotada [o que ocorreu no passado] e para que o reino eterno Dele e o reinado dos Seus santos sejam estabelecidos [de modo pleno].

Beale e Campbell (2015).

Deste modo, como cremos, e como escreveu Jay Adams, 2000 (“A terminologia da profecia do sexto anjo relembra o início do fim da Babilônia. O anjo prediz a queda de Roma em termos desta original potência mundial [antiga Babilônia] por boa razão (Ap 18.2), pois é o fim do império mundial satânico.”), baseado no parágrafo anterior, assim como Ciro venceu a Babilônia passando pelo rio Eufrates, também depois, durante o julgamento de Roma, na sexta taça da ira de Apocalipse, os povos que derrotaram o Império Romano no passado também foram usados para julgamento semelhante vindo da parte de Deus, isto é, alguns dos reis chamados por João de “reis do oriente” [sabe-se que foram os bárbaros] com seus exércitos de algum modo tiraram a “proteção” [como o Rio Eufrates era para a Babilônia] do Império Romano, de modo que invadiram Roma, que já estava fragilizada pelas guerras civis, e esse foi o fim do Império Romano do Ocidente. Assim como Deus usando-se de Ciro restaurou as terras a Israel (povo) depois de sua vitória sobre os babilônios, também a queda do Império Romano foi uma vitória de Cristo, do exército de Cristo (que é a Igreja, o Israel de Deus cf. Gálatas 6.16 cf. seção 12.17 Acerca do Povo de Deus. O Israel de Deus), guerreado pela proclamação da Palavra de Deus (conforme seção anterior 12.13 Acerca da Batalha de Apocalipse 19...), usando-se dos bárbaros como ferramenta de juízo, que fez com que o Reino de Cristo fosse o único reino global ou mundial (portanto, claro, não existirá mais nenhum outro império mundial nesta terra) no lugar do cambaleante Império Romano, e que fez com que o evangelho, por mais de mil anos, chegasse cada vez mais a todos os povos, tribos, línguas e nações de toda a terra para a glória de Deus e a salvação de muitas almas através dos missionários espalhados pela terra. Como já dito por Daniel, “Mas, nos dias desses reis [nos dias do Império Romano], o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre... Daniel 2:44”. O único império global ou mundial que existe hoje ou existirá no futuro é o reino de Deus e do seu Cristo. Amém.

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Outro conteúdo aprimorado:


12.26 Acerca do Céu e da Nova Jerusalém

Assim, irmãos, vemos que o próprio céu descrito na Palavra de Deus é algo fora da nossa imaginação, algo que os olhos não podem contemplar. Se a própria Nova Jerusalém é identificada com a Igreja santa, sem ruga nem mácula, a Bíblia não nos diz nada literal do que será no novo céu e nova terra: Nos novos céus e terra “o mar já não existe.” (Ap 21.1b). Segundo Beale e Campbell (2015):

Quando a nova criação chegar não haverá mais qualquer ameaça de Satanás, ameaça de nações rebeldes, ou morte – nunca mais no novo mundo – de modo que não haverá espaço para o mar como o lugar dos mortos. Também não haverá mais práticas comerciais idólatras usando o mar como avenida principal. Mesmo a percepção do mar literal como uma parte turva e indisciplinada da criação de Deus não é mais apropriada no novo cosmos, uma vez que o novo cosmos será caracterizado pela paz. Contudo, haverá um lago de castigo ardente (Ap 20:10, 14-15), mas estará localizado enigmaticamente fora dos perímetros geográficos dos novos céus e terra (Ap 21:27; 22:15).

A nuance maligna do mar representa metaforicamente toda a gama de aflições que anteriormente ameaçavam o povo de Deus no velho mundo. A alusão a Isaías 65:17 em Ap 21:1 e Ap 21:4b e a Is 65:19 em Ap 21:4b confirma [isso].

Isto significa que a presença de um mar literal na nova criação não seria inconsistente com o figurativo “o mar já não existe” em Ap 21:1. Beale e Campbell.

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Amém. 

 



sábado, 25 de novembro de 2023

Três colchetes explicativos adicionados à Teologia Sistemática no Apêndice A.

Na Teologia Sistemática, Apêdice A (Oração para Salvação), coloquei 3 colchetes (em negrito abaixo), pois não é o pensamento/desejo resistido que é pecado, mas o desejo errado aprovado. De acordo com a Bíblia de Estudo Pentecostal (1995) em Mateus 5.28, com minhas palavras, não é o pensamento que às vezes paira na nossa cabeça que resistimos que é pecado, nem o desejo errado que às vezes vem que resistimos é pecado, mas os desejos errados aprovados por nossa vontade, seja conscientemente ou não que são pecaminosos, amém.

O arquivo zip foi atualizado hoje, link do próximo post, também no clubedeautores/smashwords.com.


Texto do livro (Apêndice A): 

APÊNDICE A – Oração Para Salvação

Antes da oração para salvação, coloco uma citação de Comfort, Ray em A Desilusão Ateísta (2016):

"Jesus disse em João cap. 3 que se alguém não nascer de novo não entrará no céu, por isso [o que será dito] é realmente importante. É como a diferença entre acreditar num paraquedas e, na verdade, usar um. As coisas são boas até que você pule. A Bíblia diz para nos revestirmos do Senhor Jesus Cristo, e fazemos isso através do novo nascimento. A única maneira de perceberes a necessidade de nascer de novo, seria, provavelmente, a mesma maneira de perceberes a necessidade de colocar um paraquedas. Se não quisesses colocar um paraquedas, a melhor coisa que eu poderia fazer por ti seria pendurar-te fora do avião pelos teus tornozelos durante 2 segundos. Tu irias voltar para dentro e dirias: “Dá-me o paraquedas!” Cristo é o paraquedas.

Você acha que é uma boa pessoa? A maioria diz que sim. Quantas mentiras disseste em toda sua vida? E acerca do download de música de internet que não é tua? Já roubaste algo? Já mentiste e roubaste? Sabe como se chama quem mente e rouba? Tens uma multidão de pecados. És igual a mim. Cada pensamento ímpio que já tiveste, despertou ira. Jesus disse que se atentares numa mulher para a cobiçar estás a cometer adultério com ela no teu coração. Cobiças mulheres? Vês pornografia? Já alguma vez olhaste para uma mulher com desejo? Pensas [desejando um] homicídio, Deus diz que cometeste homicídio. Pensas [desejando um] adultério, já cometeste adultério, porque Deus considera o desejo [impróprio, aprovado pela pessoa] da mesma forma que o ato. Porque Ele sabe que tu o farias se tivesses oportunidade. A senhora da porta ao lado abre a porta e diz: “Vem pra cá, querido...”, e tu serias mais rápido que um relâmpago se tivesse oportunidade. Deus sabe. Ele conhece os pensamentos e os motivos do coração, porque amamos a escuridão e odiamos a luz. Tiveste relações íntimas antes do casamento? Já usaste o nome de Deus em vão? “Oh, meu Deus?” Isso é blasfêmia. Se isso é verdade, você mostra que é um ladrão, mentiroso, blasfemo, devasso, idólatra, adúltero, fornicador, e violou todos os dez mandamentos, se fores ver quais são. “Para mim isso é natural”. É isso exatamente que a Bíblia diz. Nós, naturalmente, fazemos o que é errado. Não podemos culpar a Deus pela nossa própria moral. Alguém pode dizer, “Se Ele me fez com uma natureza pecaminosa, então como é que Ele vai me culpar?”. Foi-te dada uma consciência. Sabes o que é certo e errado. Assim, cada vez que porventura fornicaste, cobiçaste, blasfemaste, viste pornografia, mentiste ou roubaste, fizeste isso com o conhecimento de que era errado. Vai ter que enfrentar Deus no Dia do Julgamento, acreditando Nele ou não. Se Ele te julgar pelos 10 mandamentos, achas que serias inocente ou culpado? Céu ou inferno? Como Ele pode deixar que algumas coisas aconteçam que nem nós permitiríamos? Quando olhas para a Alemanha nazista, em vez de falar “se Deus é bom, como é que Ele pode criar o inferno?”, a tua questão devia ser: “Se Deus é bom, como é que pode não existir um inferno [para condenar com justiça Hitler e os nazistas]?” Tem que haver retribuição pelo homicídio, tem que haver justiça. A Bíblia diz que Deus é tão bom que vai punir esses violadores, ladrões e homicidas, estupradores, mentirosos e fornicadores. A Bíblia diz que os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor. Mentir é ‘incrível’, tal como a blasfêmia. Usar o nome de Deus como um palavrão. Ainda que tentemos ser as melhores pessoas possíveis todos os dias, é como dizer a um juiz: “Sr. Juiz, eu violei aquela mulher, mas agora estou a tentar ser uma pessoa melhor.” Já fizeste o mal. O juiz vai julgar-te com o livro. O juiz vai julgar-te pelos seus crimes, e não pela sua ‘boa’ pessoa. Deus te deu o conhecimento da Sua existência: Olhe para todas as maravilhas da Sua mão à tua volta. Pensa na complexidade da vida. Não está nem mesmo em controle da sua vida. Não pode parar de respirar, sonhar, piscar os olhos, pensar. As funções do teu corpo surgem independentemente da tua vontade. Todas essas coisas são colocadas em ação por Deus no DNA, escritas no momento da concepção. E dentro de seu ser, existe uma vontade de viver “eu não quero morrer”. Sabes o certo e o errado, para que no Dia do Julgamento, não possa dizer que não sabias. És um ser humano. Estás ciente da tua existência. A Bíblia diz que Jesus aboliu a morte. Se isso não é verdade, não devemos perder tempo com isso. Mas se há uma hipótese, em um milhão, de que seja verdade, o teu bom senso deve apenas abrir o teu coração e dizer: “Vou dar uma olhada nisso.” Sabes o que Deus fez pelos pecadores culpados para que não tivéssemos que ir ao inferno? Quem te poderia ajudar? Ser religioso e bom não pode te ajudar. A única coisa que pode te ajudar é a misericórdia de Deus, que foi estendida e chegou a nós pela cruz, por meio do Salvador. Não há ninguém na face da terra que te possa ajudar. A Bíblia diz que não há salvação em nenhum outro, não há outro nome, debaixo do Céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. É por isso que Jesus disse “Eu sou o Caminho, a Verdade, e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” Apenas um paraquedas te é oferecido, que é Cristo, Jesus de Nazaré, verdadeiro Deus e homem perfeito que deu sua vida a nós na cruz. Deus é um juiz. Somos criminosos. Vamos para a prisão de Deus, o inferno, sem condicional, sob sentença de morte, mas Jesus entrou em cena e pagou a nossa dívida ou multa na íntegra, sob a cruz, onde disse “Está Consumado”. Nesse caso, está livre da sentença, pode ir. Ele pode fazer isso pois é Justo. E assim você pode legalmente receber o dom da vida eterna. E o que podes fazer é arrepender-se do seu pecado e confiar em Cristo como Salvador. Não precisa ser religioso ou fazer boas obras. É de graça, dado gratuitamente por ti. Não podemos subornar Deus para vivermos. Podemos suplicar o Seu perdão. Deus é rico em misericórdia, e pode nos salvar pela Sua Graça, seu favor imerecido. A vida eterna é uma dádiva gratuita, e a morte não terá mais poder sobre ti. No que acreditar certamente importa."

Ray Comfort (2016).


Se você, depois ler este livro, especialmente depois de ler a seção "conversão" ou o capítulo "salvação", reconhecer que não é salvo, mas quer que Jesus perdoe os seus pecados, e lhe faça uma nova criatura, onde fará parte do Reino de Deus, estará onde nenhum inimigo poderá lhe separar do amor de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor, e viverá eternamente com Cristo na Nova Jerusalém, no Novo Céu e Terra, em alegria, plenitude, e vida eterna, você tem que fazer uma aliança com Deus, um pacto, uma confissão. Não basta ir em qualquer igreja aceitar a Jesus, se uma oração de arrependimento e fé não é feita, ou seja, se não houver genuíno arrependimento (renúncia) e fé com confissão a Deus. Você fará parte da nova aliança, que é pelo sangue de Jesus vertido na Cruz, onde isto é aplicado pelo Espírito Santo no teu coração. Leve a sério, pois Deus leva isto a sério. Creia na Bíblia e no que ela diz. Se não consegue acreditar em algo, como a existência de Deus, ou na Palavra de Deus que os santos homens de Deus registraram na Bíblia, peça a Deus, humildemente, para lhe mostrar a verdade, insistindo a Ele, com fé, não duvidando, pelo tempo que for necessário, e Ele certamente atenderá a sua oração, como atendeu a minha. Todo o seu sacrifício, tudo o que tiver que sacrificar para estar com o Senhor, e crer no Senhor, descendo do seu orgulho e talvez conhecimento secular, lhe será recompensado pelo próprio Deus, cem vezes tanto, já nesta vida, e no fim alcançarás a vida eterna. Deus lhe mostrará a verdade! Humilhe-se perante o Senhor, seu Deus, e Ele lhe exaltará. Ore de coração, sem orgulho, sem apego ao pecado, sem fingimento.

Enfim, Ore a Deus uma oração como esta:

Senhor, nosso Deus, Pai de Jesus Cristo, meu Criador, em nome de Jesus venho diante de ti e me humilho, pois não sou nada sem ti, mas um vil pecador, nasci pecador, e reconheço que sempre estive distante e separado de Ti. Agora, pois, com tristeza arrependo-me de todo mal e de todos os pecados que cometi durante a minha vida, para nunca mais os cometer, mas santifica-me para uma nova vida de bons frutos contigo, praticando o fruto do Espírito Santo, que existe principalmente em amor ao próximo e a Ti, Deus. Livra-me da escravidão do pecado, e do fardo do pecado, para ser finalmente livre em Cristo Jesus, cheio da presença do teu Espírito Santo. Perdoa meus pecados, assim como eu perdoo por esta oração a todos que me fizeram mal. Cura as minhas feridas. Eu creio nas coisas que a Bíblia Sagrada fala de Ti. Eu creio que Jesus Cristo veio em carne, e que Ele também é Deus. Creio que Jesus ressuscitou, ascendeu aos céus, e vive eternamente. Creio na ressurreição dos mortos. Creio que Jesus morreu em meu lugar, pagando a pena de morte pelos meus pecados, e que sou perdoado apenas pelos méritos conquistados por Cristo na sua vida e morte, pela graça, misericórdia e bondade de Deus. Lava meus pecados pelo Teu sangue vertido na Cruz do Calvário, e salva-me, pois confio inteiramente em Ti. Nada que eu possa fazer garantirá a minha salvação, por isso confio e dependo de Ti. Dá-me vestes brancas, e faz-me ser uma nova criatura em Cristo. Convido-te, Jesus, para morar no meu coração e ser Senhor da minha vida, reinando em mim. Eu escolho te seguir, te amar, e me apartar de tudo o que não te louva, obedecendo os Teus mandamentos escritos na Bíblia. Torna-me cheio do Teu Espírito Santo, e guia-me em toda a verdade. Confirma a minha eleição, faz-me ser teu filho adotivo por Cristo Jesus, e livra-me de todo mal e da aparência dele. Quero te dizer que eu te adoro! Adoro a Ti como único Deus, ó Pai, Filho e Espírito Santo! Obrigado por tudo, Pai, em nome de Jesus. Amém.

Agora, se você foi verdadeiro na sua oração, jubila, louva e adora ao Senhor, pois você nasceu de novo, seus pecados foram perdoados, e é declarado inocente frente o juízo de Deus para todas as pessoas. Deus mora no seu coração, e Ele é íntimo de você agora, e lhe julgará, e lhe guiará por toda a sua vida. É necessário que você se junte a uma comunidade do Corpo de Cristo, uma Igreja que prega e vive a Palavra de Deus, afastando-se das falsas igrejas (que são muitas), e seja batizado, confessando publicamente a sua verdadeira conversão, e durante a sua vida não se esqueça de tomar a Ceia do Senhor frequentemente, para que te vá bem. Confie ao Senhor a sua vida. Deus é consigo, e Ele não te deixará, nem te desamparará, nem nesta vida, nem na Sua Glória. Amém.