11 DOUTRINA DA IGREJA
11.1 Introdução
Cremos na Igreja Universal de Jesus (Hb 12.23, Ef 5.25) que, num sentido mais amplo, é a união dos salvos de todos os tempos e épocas (incluindo judeus e gentios crentes), no Céu e na terra, o Corpo de Cristo (Ef 5.23, Cl 1.18, 1Co 12.27). Na verdade, para uma definição mais específica e complementar, sendo criterioso (baseado no Novo Testamento), a Igreja num sentido mais específico teve início na celebração de Pentecostes e compreende os salvos do Novo Testamento. Os salvos do Antigo Testamento eram sim povo de Deus, estavam num casamento com Deus, mas não eram chamados de Igreja, mas Israel. Millard J. Erickson (2015, Teologia Sistemática, Vida Nova, p. 1011/1012) discursa sobre isso:
É notório, porém, que Jesus faz somente duas referências à igreja (Mt 16.18; 18.17) e que, no primeiro caso, ele fala do futuro dela (“edificarei a minha igreja”). O fato de que Lucas nunca usa εκκλησία (ekklesia) no seu Evangelho, mas o emprega 24 vezes em Atos, também é significativo. Poderia dar a entender que ele não considerava a igreja como presente até o período narrado em Atos. (Embora At 7.38 use εκκλησία com referência ao povo de Israel no deserto, é provável que o termo seja usado aqui com um sentido não técnico.) Concluímos que a igreja se originou no Pentecostes. Erickson (2015).
A Igreja, que é o novo Israel de Deus (pela fé), substituiu Israel (com seus moldes do Antigo Testamento) na nova aliança (significa que Deus trata Israel no período do Novo Testamento (que se inicia com a ressurreição de Cristo e termina na eternidade) da mesma maneira que trata a Igreja do Novo Testamento): 1Pedro 2.9,10 Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia; Mateus 21.43 Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado [Israel na antiga aliança], e será dado a uma nação que dê os seus frutos [judeus e gentios crentes: Igreja]. Isso tudo porque judeus e gentios são um povo em Cristo.
Os crentes devem se reunir regularmente na igreja local, congregação ou templo (Hb 10.25), em forma de culto racional (Rm 12.1) para, principalmente, adoração a Deus, evangelização e edificação dos santos. A salvação é espiritual, não denominacional; não há igreja visível que a abrigue sozinha, mas é de um só Caminho que leva ao céu (Jo 14.6), Jesus Cristo. Assunto da Igreja como sendo Corpo místico ou espiritual de Cristo também está explicado na seção “Respostas às 20 Razões Porque Não Sou Protestante” depois da Conclusão.
Então, como o leitor pode perceber, existem dois tipos de Igreja: A Igreja Mística, de união invisível, o Corpo de Cristo, união dos salvos da terra e do Céu; e Igreja física ou visível, as denominações, como os batistas, presbiterianos, assembleanos, metodistas etc. que possuem salvos e perdidos ligados a elas (trigo e joio) na terra conforme as parábolas de Jesus.
A Igreja está intimamente ligada ao Reino de Deus ou dos Céus, pois é formada de salvos que são reis e sacerdotes no Reino de Deus, cujo Rei dos Reis e sumo sacerdote é Jesus. O Reino de Deus ou dos céus (são sinônimos) é mais amplo que a Igreja, é o Reino em que Deus (quero dizer, a Trindade toda) é o (sumo) Rei, Senhor e Governador sobre tudo e todos, e governa tudo e todos com justiça e amor. Apesar de tamanha grandeza, Cristo nos fez assentar com Ele em seu reino, que se inicia desde essa vida como filhos adotados até a eternidade (onde entraremos em seu Reino Eterno na glória). Não há consenso absoluto entre os teólogos sobre todos os detalhes da relação entre Reino e Igreja, mas é isso o que Deus revelou e dá a entender na Palavra.
A Igreja é o Corpo de Cristo, que tem muitos membros (eu e você, por exemplo), mas que é Igreja / assembleia / comunidade / reunião de pessoas com mesmo propósito (e não pessoas isoladas), conforme o significado original na Escritura a partir das línguas originais.
Eu não sou Igreja sozinho, você não é Igreja sozinho. Eu não sou Igreja, mas faço parte da Igreja. Você não é Igreja, mas faz parte da Igreja. Não se diz: "Sou Igreja”, mas: “Somos Igreja."
Não existe ser Igreja sem os irmãos em Cristo.
Mesmo assim, a Bíblia declara que tanto individualmente como coletivamente somos templo do Espírito Santo, habitação de Deus. Enfatizando, nossos corpos, individualmente, também são templo ou habitação do Espírito.
Por isso tudo, os desigrejados não vivem como Igreja, ainda que escutem ou assistam pregação em casa, pois não se relacionam com os irmãos, não fazem parte da comunidade de fé, e estão desobedecendo o mandamento do Senhor:
Não deixando nossa mútua congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. (Hebreus 10:25 acf)
Deus nos chamou para suportar os outros, para amar os outros, para carregar o fardo uns dos outros, para ensinar os outros, para sermos admoestados e ensinados pelos outros, para crescermos juntos para parecermos mais com Cristo já nesta Terra e até chegarmos a ser conforme a plena imagem de Deus no Céu: até sermos como Jesus Cristo na glória de Deus Triuno.
Para isso, precisamos uns dos outros, e não só de Deus: pessoas também precisam de outras pessoas. Não somos seres humanos isolados:
Cada pessoa é um membro orgânico da humanidade como um todo e, ao mesmo tempo, nesse todo, ocupa um lugar independente, preservando a unidade orgânica (física e moral) da humanidade, além de respeitar o mistério da personalidade individual. Deste modo, os seres humanos não são espécies [como animais], nem são indivíduos isolados como os anjos, mas são parte de um todo e também são indivíduos: pedras vivas do templo de Deus (1Pe 2.5). Bavinck (Dogmática Reformada, 2012).
Se um ser humano sofre, o outro sofre também. Estamos ligados, a humanidade é uma unidade orgânica, não somos indivíduos isolados.
Assim, nos relacionando com Deus e uns com os outros, família, Igreja, amigos, colegas, conhecidos, vizinhos etc. cresceremos em sabedoria, graça, comunidade e no favor do Senhor:
E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada. (Hebreus 13:16 acf). Amém!
11.1.1 A Missão / Propósitos da Igreja
Wayne Grudem, Teologia Sistemática: Atual e Exaustiva (1999, Vida Nova, p. 727-728) pode nos auxiliar aqui:
“Podemos entender os propósitos da igreja em termos de ministério com relação a Deus, aos cristãos e ao mundo.
1. Ministério com relação a Deus: adorar. No relacionamento com Deus o propósito da igreja é adorá-lo. Paulo ordena à igreja de Colossos que louve a Deus "com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão no coração" (Cl 3.16). Deus nos destinou e nos escolheu em Cristo "para sermos para louvor da sua glória" (Ef 1.12) A adoração na igreja não é simplesmente uma preparação para algo mais. Ela está em si mesma cumprindo o principal propósito da igreja com referência ao seu Senhor. Essa é a razão por que Paulo, depois de nos advertir de que devemos "remir o tempo", acrescenta o mandamento de sermos cheios do Espírito e de estarmos "entoando e louvando de coração ao Senhor” (Ef 5.16-19).
2. Ministério com relação aos cristãos: edificar. De acordo com as Escrituras, a igreja tem a obrigação de nutrir aqueles que já são cristãos e edificá-los à maturidade na fé. Paulo disse que seu próprio alvo não era apenas levar pessoas à fé salvífica inicial, mas sim "apresentar todo homem perfeito (maduro) em Cristo" (Cl 1.28). E ele escreveu à igreja de Éfeso que Deus havia concedido à igreja pessoas com dons "com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, [...] à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Ef 4.12-13). E evidentemente contrário ao modelo do Novo Testamento pensar que o nosso único alvo para com as pessoas é levá-las à fé salvífica inicial. Nosso alvo como igreja deve ser apresentar a Deus todo cristão "perfeito (maduro) em Cristo" (Cl 1.28).
3. Ministério com relação ao mundo: evangelização e misericórdia. Jesus disse aos seus seguidores que eles deveriam "fazer discípulos de todas as nações" (Mt 28.19). Essa obra evangelística de declarar o evangelho é o ministério principal da igreja com relação ao mundo. Todavia, acompanhando a obra de evangelização há também o ministério de misericórdia, que inclui cuidado dos pobres e dos necessitados em nome do Senhor. Embora a ênfase do Novo Testamento esteja na ajuda material para os que fazem parte da igreja (At 11.29, 2Co 8.4, 1Jo 3.17), há ainda uma afirmação de que é correto ajudar os descrentes ainda que eles não respondam com gratidão nem aceitem a mensagem do evangelho. Jesus nos ensina:
Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga, será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai (Lc 6.35-36).
A questão central na explicação dada por Jesus é que devemos imitar a Deus, sendo bondosos para os que são ingratos e também egoístas. Além do mais, temos o exemplo de Jesus, que não tentou curar apenas os que o aceitaram como Messias. Em vez disso, quando grandes multidões o procuravam, "ele os curava, impondo as mãos sobre cada um (Lc 4.40). Isso deve incentivar-nos a executar atos de bondade, a orar pela cura e por outras necessidades, tanto na vida de cristãos como de descrentes. Tal ministério de misericórdia para com o mundo pode também incluir participação em atividades cívicas ou tentativas de influenciar a política do governo a ser mais consonante aos princípios morais bíblicos [inclusive preservar o meio ambiente, colchetes meus, Roberto]. Onde há uma injustiça sistemática no tratamento dos pobres ou de minorias étnicas ou religiosas, a igreja deve também orar – quando tiver tal oportunidade – e denunciar tal injustiça. Todos esses são meios com os quais a igreja pode complementar seu ministério evangelístico para com o mundo e de fato adornar o evangelho que ela professa. Mas tal ministério de misericórdia para com o mundo nunca deve tornar-se um substituto da evangelização genuína nem de outras áreas de ministério com relação a Deus e aos cristãos, conforme já mencionados.
4. Manter esses propósitos em equilíbrio: Os três propósitos da igreja foram ordenados pelo Senhor nas Escrituras, portanto, os três são importantes e nenhum deles pode ser negligenciado. De fato, uma igreja forte terá ministérios eficazes nas três áreas. [...]. Todavia, indivíduos são diferentes de igrejas ao colocar uma relativa prioridade sobre um ou outro desses propósitos. Pelo fato de sermos um corpo com diversos dons espirituais e vários talentos, será correto colocar mais ênfase no cumprimento daquele propósito da igreja que for mais relacionado com os dons e interesses que Deus nos deu [ou: que Deus deu a cada um].” Grudem (2010).
Grudem quer dizer acima na última sentença que cada membro deve gastar mais tempo naquilo que é o dom e chamado que a pessoa recebeu de Deus, e não “um terço para adoração, um terço para edificação, e um terço para evangelismo e misericórdia”. Grudem finaliza dizendo: “Essa é apenas uma resposta adequada para a diversidade de dons que Deus nos concedeu”.
Complementando Grudem, creio que seja adequado que as denominações do Senhor atuem em diversas áreas para o bem da comunidade ao redor, especialmente em criação de escolas confessionais para cristãos e redes de distribuição de alimentos conforme a prosperidade da igreja.
Próximas seções
Cremos em dois sacramentos para a Igreja: O Batismo e a Ceia. Assim como a Confissão de Fé de Westminster (1643-1649), não consideramos o batismo e ceia simplesmente ordenanças, ou simplesmente mandamentos, ou que apenas possuem aparência exterior, mas sacramentos, pelos quais o fiel é certamente abençoado e agraciado pelo Senhor continuamente (e não pelo sacramento por ele mesmo).
Como a Confissão de Fé de Westminster corretamente expressa: “Só há dois sacramentos ordenados por Cristo, nosso Senhor, no evangelho, ou seja: o Batismo e a Ceia do Senhor [alguns a chamam de Santa Ceia]. Nenhum dos quais pode ser administrado senão por um ministro da Palavra, legalmente ordenado. Mt 28.19; 1Co 11.20,23; 4.1; Hb 5.4.
11.2 Batismo
Cremos no sacramento do batismo para a Igreja (Mt 28.19). O método batismal mais adequado biblicamente é a imersão completa (conforme Mt 3.6, Mt 3.16 saiu logo da água) uma só vez, com imposição de mãos (Hb 6.2), em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, (Mt 28.19) sob a autoridade do Senhor Jesus (At 19.5).
Como aprendi num culto de batismo na Livres Church, Igreja Livres, denominação que frequentava, ainda que eu não soubesse se isso seria realmente correto para Deus, mas como o Senhor me reforçou pela Palavra, compartilho: Acerca do batismo, por uma questão logística, quem já aceitou a Jesus e tem compromisso e temor a Deus, mesmo que ainda não conseguiu fazer o curso de batismo (como é ministrado em diversas denominações cristocêntricas), nem se inscreveu para a lista de batismo, mas sabendo que fará o curso e que não deixará a denominação (ou seja, não desaparecerá após o batismo...), pois o curso demora meses, e nem sempre temos a disponibilidade do curso e culto de batismo para batizar imediatamente os que se rendem a Cristo como fazia a igreja primitiva, portanto, frisando, por uma questão logística, o irmão / irmã pode sim ser batizado pelos ministros legalmente ordenados no culto de batismo em que estiver no momento em que tal menção e chamado for feito pelos pastores, e segue-se que está liberado para tomar a Ceia do Senhor dali em diante (talvez iniciando-se no mesmo culto), isso se não estiver fazendo-o indignamente, pois quem se batiza e participa da ceia indignamente o faz para sua própria condenação (sim, inclui-se nisto o batismo), mas quem se batiza e ceia de acordo com o que instruiu o Senhor Jesus e o apóstolo Paulo nas Escrituras certamente é abençoado e renovado. Assim, quem já aceitou a Jesus no apelo, SE já teve uma mudança interior (regeneração), não deve ser impedido de declarar ao mundo e a todos externamente pelo batismo que é ovelha e seguidor de Cristo por uma questão logística – de disponibilidade do curso de batismo na igreja (a cada três meses, no caso), e de falta de condição para batizar os batizandos imediatamente após aceitarem a Jesus – pois o culto de batismo só ocorre uma vez ao mês nessa denominação, e creio que em muitas denominações a realidade é semelhante, e por isso podem levar isso em consideração em nome do Senhor Jesus.
Conversei com minha sábia esposa Suzi em 27 de outubro de 2025, e por isso complemento o parágrafo anterior, escrevendo que em cada país e em cada cultura o processo de batismo, membresia e ceia pode e deve ser adaptado no que a Bíblia não ordena explicitamente. No Brasil, país com relativa paz, é realmente adequado e bom que aquele que quer ser batizado seja ensinado nos caminhos do Senhor e discipulado por um excelente e robusto curso (gratuito) antes de fazer tal importante escolha de se batizar e declarar ao mundo a sua fé, especialmente levando em consideração tanta confusão com centenas de denominações e dezenas de seitas, com pessoas que usam o nome de Deus e não são "árvores que dão bons frutos", com muita desinformação, confusões no meio "gospel" (lembre-se de que estamos nos "últimos tempos"), desconhecimento do que se deve renunciar para ser seguidor de Cristo, ou talvez o simples desconhecimento das boas novas, que é o evangelho de Cristo encontrado na Bíblia Sagrada, poder de Deus para todo aquele que crê. Em contrapartida, suponhamos que uma pessoa se converte em meio a alguma guerra, e esse irmão esteja em grande alegria após ter aceitado e confessado a Jesus, então, quem ousaria colocar condições adicionais para que ele seja batizado nas águas conforme o Senhor ordena, constrangendo-o de modo que precisaria passar por algumas aulas de teologia e ministrações para ser batizado sendo que está em risco de vida em meio à guerra, e sendo que a Obra e o Reino de Deus na vida das pessoas da Terra são maiores do que o impacto de todas as denominações juntas?
Chaimberlain, Richard ‘Aharon’ (Tevilah (Batismo) - um Mandamento. Disponível em: <https://www.petahtikvah.com/Articles/TevilahMandamento.htm>. Acesso em: ago. 2026) traz alguns esclarecimentos sobre a herança judaica do batismo por imersão, para um casamento com o Senhor:
“A palavra grega para batismo é Baptizma. O equivalente em hebraico é Tevilah, que se refere a banhar-se em águas correntes, ou seja, de rio, lago ou banheira cheia com água corrente.
“Batismo” (ou tevilah) não é uma invenção do Novo Testamento. O ritual Judaico da imersão na água foi praticado por muitos séculos, muito antes do início do Ministério de Jesus. A única “Bíblia” que Jesus e os seus discípulos tinham era o Tanach (Velho Testamento). Eles não poderiam mencionar o Livro de Romanos (Rm 6.1-13) para a imersão, porque o Novo Testamento não tinha sido escrito ainda só em décadas após a morte e ressurreição do Messias.
João o Batista, na realidade não era um “batista”. Honestamente! Ele era um judeu observante e um filho de Israel. Ele realizava Batismo para Arrependimento no rio Jordão.
Em Israel, para se juntar a comunidade religiosa e converter-se ao judaísmo, o indivíduo tem que ser imerso (tevilah) dentro de uma mikvê e renunciar a sua velha forma de viver, e então ser considerado um judeu. Os judeus não creem em aspersões. O indivíduo entra na água como Gentio e ressurge como Judeu, este ato de fé renunciando todas idolatrias, e arrependendo-se de seus pecados, e prometendo obedecer aos mandamentos e cumprir com a Halachah (O Caminho da Fé) exatamente como o nosso pai Abraão o fez.
Para entrar no plano da salvação nós concordamos em um contrato de casamento com o Deus de Israel: E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o Senhor: Lembro-me de ti, da piedade da tua mocidade, e do amor do teu noivado, quando me seguias no deserto, numa terra que não se semeava. Jeremias 2.1,2.
Um dos costumes do Tevilah (Batismo) no casamento Judaico é quando a noiva se torna santificada pela imersão na água. A palavra Mikveh (Mikvê) significa um tanque ou depósito de água para ritual de purificação. Para as noivas, a imersão em água representa uma demonstração externa de uma realidade interna. Significa a necessidade de separar-se do mundo para unir-se ao seu esposo. Significa que você tem deixado a sua vida passada para continuar uma nova vida em matrimônio. Quando nós nos arrependemos dos nossos pecados, nós aceitamos o batismo para anunciar a nossa união com Jesus. O Corpo do Messias (a igreja) é a Noiva, ligada a Jesus como o Noivo. Portanto nós devemos seguir a compreensão correta da imersão que tem sido entregue a nós através da Torah, Profetas e Tradições Judaicas.
Nós devemos entender que de acordo ao tema Bíblico Tevilah (imersão em águas) foi instituído do Êxodo e que a imersão poderia ter sido feita mais de uma vez como também no ritual de purificação. Contudo, nós devemos compreender que um relacionamento completo com o Deus de Abraão, Isaque e Jacó é um casamento, e, portanto, o princípio da imersão torna-se essencial porque é a maneira pela qual a noiva se prepara para encontrar com o seu noivo, mostrando obediência desde o início.” Chaimberlain, Richard ‘Aharon’ (2026).
Então, resumindo, assim como ocorreu com o Pai Abraão, para se juntar à comunidade religiosa de cristãos, ao Corpo de Cristo, o indivíduo é imergido nas águas, onde o batismo é um casamento com Jesus, e a imersão representa uma demonstração externa de uma já existente realidade interna (regeneração). Nessa demonstração externa ao mundo, à Igreja e a Cristo, demonstra-se que já havíamos crido no Senhor e renunciado a toda nossa vida passada, com o velho homem pecador. Demonstra-se que deixamos o velho homem para, como uma nova criatura, continuar uma nova vida em matrimônio com Jesus. O batismo é um ato de fé, em que é necessário fé anterior para se batizar, pois não recebemos fé pelo batismo, mas pela Palavra que é Cristo, e o servo renuncia a todas as idolatrias, arrepende-se dos seus pecados, promete obedecer aos mandamentos e cumprir com ‘O Caminho da Fé’, que se encontra em Cristo. Deste modo, como o batismo é um casamento com o Senhor, e o Senhor tem ordenado que todos que quiserem ser salvos sejam batizados, certamente, o fiel é abençoado pela graça de Deus e pela obediência ao mandamento, em que, deste modo, ao fiel, o batismo é como um meio de graça, e o descrente se batiza para sua condenação, tal como o que acontece na ceia com aquele que quer se apropriar da bênção do Senhor sem passar pela porta estreita, sem se sujeitar a Cristo e à Sua Palavra. O batismo não salva ninguém pois o ladrão na cruz ao lado do Senhor (Lc 23.43) não precisou se batizar.
Como falei que o método mais adequado biblicamente é a imersão completa do corpo, também digo que não devemos fazer disso uma completa divisão de águas. Pois, como faremos com um enfermo acamado nos seus últimos suspiros que deseja se batizar? Deste modo, deixo registrado que, conforme o Didaquê – A Instrução dos Doze Apóstolos nos informa, o procedimento que era realizado na Igreja Primitiva, assim seria bom segui-lo. Ele diz que, na falta de água, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
11.2.1 Pedobatismo ou Credobatismo? O Batismo Substituiu a Circuncisão?
Pedobatismo é o termo que significa batismo de crianças. Credobatismo é o termo que significa batismo após uma confissão individual de fé (credo).
Falemos da circuncisão e da incircuncisão: Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão. Romanos 3:30
A circuncisão por natureza são os judeus pela cortadura, filhos de sangue de Abraão. A incircuncisão por natureza (natureza Rm 2.27) são os gentios que, quando creem, se tornam filhos de Abraão segundo a fé, pois quando Deus fez aliança com Abraão ele era incircunciso na carne. Portanto, Abraão é pai dos judeus e gentios crentes.
A nossa circuncisão é do coração e não aliança da carne:
29 Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus. (Romanos 2:29 acf)
Na nova aliança não tem valor a circuncisão:
19 A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus. (I Coríntios 7:19 acf)
Os pedobatistas, como os presbiterianos, batizam bebês e crianças muito novas pois creem que o batismo substituiu a circuncisão na nova aliança. Mas, olhando com calma os textos acima, os gentios crentes, como nós no Brasil, são chamados de incircuncisão por natureza (Rm 2.27) – Deus é um só que justifica/salva pela fé a incircuncisão também (Rm 3.30).
Nós não somos da circuncisão por natureza pois não somos judeus na carne, e a verdadeira circuncisão é no coração. Mesmo assim, a incircuncisão, ou seja, os gentios crentes também são filhos de Abraão! Portanto nem todo filho de Abraão é da circuncisão, ou seja, a circuncisão nem é mais necessária como sinal pactual de aliança hoje, o que quer dizer que o argumento de batizar bebês filhos de pais crentes pois o batismo substituiu a circuncisão, que podia ocorrer desde bebê, é incorreto, pois o Novo Testamento apresenta o batismo ordinariamente ligado à fé, ao arrependimento e à confissão pessoal.
O correto é o credobatismo: à medida que a criança compreende as Escrituras, tem um relacionamento pessoal com Jesus, e crê em Cristo como Senhor e Salvador, deve ser batizada com uma pública confissão de fé - e não só porque os pais (ou um dos pais) são cristãos, mas como obediência ao mandamento.
É claro que nós gentios crentes, de origem chamados incircuncisão somos circuncisão no coração, ou seja, nascidos de novo, quando recebemos um novo Espírito e um novo coração:
No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, pela circuncisão de Cristo [novo nascimento]; Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. Colossenses 2:11,12
Ainda que Col 2.12 faça analogia, o NT exige fé/arrependimento como condição normativa.
19 E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne; 20 Para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus. (Ezequiel 11:19-20)
Jesus disse ... vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. (João 20:17)
Os que creem no credobatismo, entretanto, costumam apresentar a criança que nasceu na igreja para que os ministros orem publicamente por ela e seja consagrada ao Senhor. Mas o batismo em si, cremos que é apenas quando a criança ou adulto professa a fé e se arrepende dos seus pecados (Atos 2.38 E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo). Não há idade mínima para batizar, o que ocorre é que quando a criança já tem maturidade espiritual e comunhão com Cristo (não quero dizer que fala em línguas) na Palavra e na oração, confessando sua fé, já pode ser batizada. Meu filho João Marcos foi apresentado na igreja depois de algum tempo que nasceu, aceitou a Jesus aos quatro anos e foi batizado aos oito anos de idade.
Atos 18.8 E Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados.
Marcos 16.6 Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.
Esses versículos dizem que quem crer deve ser batizado, ou seja, mostram que já haviam nascido de novo anteriormente e interiormente (creram) e depois confessaram sua fé publicamente.
Até os versículos de que “creram ele e sua casa e todos foram batizados” denota crer, e bebês não conseguem crer: é um argumento fraco em favor ao pedobatismo. Se quando “toda a sua casa creu, foi salva e batizada” os bebês foram batizados, a Escritura simplesmente não afirma isso. A igreja nos séculos seguintes ao dos apóstolos aceitou o pedobatismo, mas também muito cedo começou a se distanciar da Bíblia em alguns costumes (no século II já havia heresia). Todavia, guiamo-nos pela Bíblia, assim como muitos cristãos, tais como os batistas, que também têm esse entendimento.
Como já disse, o batismo não salva ninguém, não regenera ninguém, pois o ladrão na cruz não precisou de batizar. Mas o batismo também não faz a pessoa ingressar no corpo de Cristo, visto que se ingressa no corpo de Cristo pela fé no ato da salvação! Não adianta se batizar sem ser nascido de novo (sem verdadeiramente crer/confiar em Cristo para a salvação – crer não é só acreditar!), pois a Escritura não aconselha isso.
A Igreja do Senhor se iniciou em Pentecoste, ou seja, os salvos do Antigo Testamento não eram Igreja (ainda que a Igreja seja o Israel/novo povo de Deus!), por isso o pensamento de que o batismo é a circuncisão na nova aliança que faz ingressar no Corpo de Cristo está totalmente equivocado: o máximo é que uma denominação cristã (igreja física local) aceite apenas os batizados como membros, o que racionalmente faz sentido para mim.
11.3 Ceia do Senhor
O tópico sobre a Ceia é muito importante e dividiu igrejas, por isso será dada ênfase necessária ao conteúdo explanado pela Palavra.
11.3.1 Introdução
A Igreja Universal do Senhor, o Corpo de Cristo, sempre se dividiu acerca da presença de Cristo na Santa Ceia (conforme os protestantes a chamam), Ceia do Senhor (conforme Paulo a chama em 1Coríntios 11.20) ou Eucaristia (conforme os católicos a chamam). Este livro abordará a Bíblia, em Mateus 26, João 6 e 1Coríntios 10 e 11 acerca do que o Espírito diz na Palavra, onde deixo minha opinião sobre o assunto. Com este livro não busco divisão, pois bem creio que pessoas que creem que a Ceia é apenas uma ordenança podem viver pacificamente na mesma igreja com pessoas que creem que a Ceia é um sacramento (meio de transmitir graça). Com este livro busco resgatar verdades ocultas a muitos da Escritura para edificação do Reino de Deus no fundamento que é o próprio Cristo Jesus.
A Igreja do Senhor, a união de pessoas salvas, se divide em suas denominações de como comemorar a ceia. A Igreja Primitiva, na ceia do Senhor, fazia uma real ceia, talvez um banquete (festa de amor, Judas 12), não se comia apenas um pedaço pequeno de pão e de vinho (ou suco de uva), 1Co 11.21. Na igreja moderna é quase impossível fazer um banquete (porém é possível nas igrejas em células / casas), visto que há muitas pessoas reunidas, e nas igrejas protestantes come-se um pedaço pequeno de pão e toma-se um pouquinho de suco de uva integral.
Algumas igrejas fazem a ceia semanalmente, outras quinzenalmente, outras semanalmente, mensalmente, outras quatro vezes ao ano, outras anualmente etc. pois a Bíblia não especifica isso, então há liberdade.
11.3.2 A Presença de Cristo na Ceia
Porém, agora discutiremos sobre a presença de Cristo na ceia. A Igreja católica romana crê na transubstanciação, que o verdadeiro corpo de Cristo e sangue de Cristo estão nos elementos, e que há um verdadeiro sacrifício de Cristo em toda missa, o que os protestantes não podem aceitar, pois Hebreus 7 e 9 fala que Cristo se ofereceu uma só vez em sacrifício perfeito, santo, imaculado e celeste, e os sacrifícios que eram feitos repetidamente eram apenas os do Antigo Testamento, os sacrifícios imperfeitos dos animais.
A Igreja luterana crê no que é comumente chamado de consubstanciação, que o Corpo de Cristo está fisicamente presente nos elementos da ceia, assim como uma ferradura de um cavalo no fogo não se mistura com o fogo, mas fica incandescente. A ferradura continua ferradura, o fogo continua fogo, mas há uma mudança de temperatura e de cor (senão de fase do material). O problema com isso é que a Escritura não enfatiza e não dá a entender que o verdadeiro corpo físico de Cristo está no pão e vinho, mas a Escritura, a sã hermenêutica e a razão dão a entender que o pão e o vinho são símbolos. Além disso, nessa doutrina, outro problema ocorreria se estragasse o pão ou o vinho, pois seria um pecado jogar fora o corpo do Senhor.
Outros, como muitos batistas, creem que a ceia é apenas uma ordenança do Senhor, que o corpo e o sangue de Cristo não se fazem presente na ceia, mas que isso é apenas uma obediência ao mandamento do Senhor, um cerimonial. O problema com essa visão é que num culto falamos: “Como Deus falou comigo, e usou o pregador! Fui renovado por Deus neste culto!” e na ceia, apenas um memorial. Isso é incoerente. Ainda, muitos falam: “Na ceia não há nada sobrenatural...”, mas ignoram que o apóstolo Paulo em 1Coríntios 11 falou que por tomar a ceia indignamente muitos estavam enfermos e muitos morreram (dormem) – para Deus a Ceia é sagrada. Paulo em 1Coríntios 10 fala que o cálice da ceia é cálice de bênção. Isso certamente quer dizer que a ceia não é só um cerimonial ou culto, pois é fruto de bênção se tomada pela fé, ou condenação se tomada indignamente: portanto certamente há algo espiritual nela, o que vamos ver adiante.
Outros, como os reformados, seguindo Calvino, creem que a presença real espiritual de Cristo se faz presente e é outorgada ao fiel pela fé, pelo Espírito Santo, ao comer e beber os símbolos, o pão e vinho, símbolos do corpo e sangue de Cristo. Mas nessa doutrina o corpo e o sangue não estão nos elementos do pão e do vinho.
É de quase comum acordo entre os cristãos que apenas os batizados podem tomar a ceia, pois o batismo é o símbolo de iniciação na fé cristã, e a ceia de permanência na fé cristã.
Vamos ver na próxima seção o que creio que a Bíblia diz sobre a presença de Cristo.
11.3.3 Ceia do Senhor
No aêndice desta Teologia Sistemática, deixei registrados dois motivos pelo qual um católico declarava que não era protestante. Esse assunto será aprofundado agora, com base em 1Coríntios 10-11, Mateus 26 e João 6.
8- Não sou protestante porque, há passagens da Bíblia que eles não aceitaram como tais; a Eucaristia, por exemplo... Jesus disse claramente: “Isto é o meu corpo” (Mateus 26,26) e “Isto é o meu sangue” (Mateus 26,28).
9- Não sou protestante, porque: os “supostos intérpretes da Bíblia” não aceitam a real presença de Cristo no pão e no vinho consagrado, sendo que em (João 6,51) Jesus afirma: “O pão que eu darei, é a minha carne para a vida do mundo”. Aos judeus que zombavam, o Senhor tornou a afirmar: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Pois a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue é uma verdadeira bebida”.” Veritatis Splendor (20 razões pelas quais não sou protestante (refutação da refutação). Disponível em: <https://www.veritatis.com.br/20-razoes-pelas-quais-nao-sou-protestante-refutacao-da-refutacao/>. Acesso em: Outubro de 2021).
Explicação dos versículos citados:
É uma metáfora. Quando Jesus disse: Eu sou a luz do mundo; Eu sou o bom pastor; Eu sou a porta das ovelhas; Eu sou a videira verdadeira... Quando Jesus disse: vós sois o sal da terra... Jesus não é literalmente nada disso, assim isso quer dizer que é figurado, portanto Jesus falou por meio de comparações, metáforas, figuras e alegorias para que o entendêssemos.
No que creio?
Cremos que todo batizado deve tomar a Ceia do Senhor, sacramento que é um memorial de Cristo (Lucas 22.19, 1Co 11.24-25), não indignamente, comendo o pão – que é o corpo do Senhor Jesus (Lucas 22.19), e tomando o vinho – que é o Novo Testamento no Seu sangue (Lucas 22.20). O pão e o vinho não se transformam na carne e no sangue do Senhor, mas certamente, espiritualmente, a vida de Cristo é transmitida e renovada ao seu povo através do pão e do cálice como meios de graça. Na ceia, verdadeiramente o corpo de Cristo é comido, e o seu sangue verdadeiramente é bebido (Jo 6.55). Jesus enfatizou tal afirmação na Escritura. Não estou falando o corpo material de Cristo, mas verdadeiramente recebemos vida espiritual e renovação através do corpo e do sangue espirituais de Cristo, através da Ceia, para aquele que é fiel. Este permanece em Cristo, tem a vida eterna e será ressuscitado no último dia (Jo 6.54,56). Pela Ceia, nós o anunciamos, até que volte para nos buscar (1Co 11.26). A Santa Ceia é a comunhão do Corpo de Cristo (1Co 10.16, Lc 22.19-20), e é fruto de bênçãos espirituais na vida do crente (cálice de bênção, 1Co 10.16) e fruto de condenação (1Co 11.29) e enfermidades (fracos e doentes, 1Co 11.30) que podem levar à morte (dormem, 1Co 11.30) para quem o toma indignamente (1Co 11.27-29). Quem não participa dessa comunhão espiritual com Cristo — isto é, quem não o recebe pela fé como Senhor e Salvador — não tem parte com Ele (Jo 6.53). Antes de tomar a ceia, devemos nos examinar primeiro (1Co 11.28). O Senhor julga o seu povo, e os repreende continuamente, para que não sejam condenados com o mundo (1Co 11.31-32). Assim, fazendo uma ponte com outros versículos, o infiel, como não é julgado pelo Senhor, e como não se examina (se apartando do mal), toma para condenação. Deste modo, até a vida que lhe resta poderá ser ceifada, como é ceifada, em verdade, aos poucos, por estar fora de Cristo. E o fiel cristão, como é julgado pelo Senhor em obediência, e como se examina, é abençoado, para crescer mais e mais como uma flor perfeita, até ser a imagem perfeita do Senhor. Nisto se cumpre espiritualmente as palavras do Senhor: Pois eu vos digo que a qualquer que tiver ser-lhe-á dado, mas ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado (Lucas 19.26, Mt 13.12, Mt 25.29).
Nota-se que a ceia, além de nutrir um relacionamento íntimo com Cristo pela fé, é fruto de comunhão e união da Igreja, dos membros do corpo de Cristo (1Co 10.16 Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?).
Além disso, pela Ceia declaramos que continuaremos tomando a Ceia nos novos céus e na nova terra, na festa de casamento da Igreja com Cristo no Reino de Deus:
Mateus 26.29 E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.
Apocalipse 19.6 E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Aleluia! pois já o Senhor Deus Todo-Poderoso reina.
7 Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou.
8 E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos.
9 E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.
Quando partirmos para a Glória, então, cearemos com o Senhor novamente!
11.3.4 Mateus 26 e João 6
Então, vamos explicar algumas afirmações do início da seção anterior comparando Mateus 26 com João 6:
Mateus 26.26-29 (a última páscoa e a santa Ceia): Dia de Páscoa dos judeus. Jesus e os apóstolos comeram pão, e Ele disse, isto é o meu corpo, partido por vós. Jesus e os apóstolos tomaram vinho, e Ele disse: Este é o Novo Testamento (nova aliança ou pacto) no meu sangue, derramado por vós.
João 6: Estava próxima a Páscoa dos judeus (Jo 6.4). Jesus quis falar sobre pão, de modo que puxou o assunto (Jo 6.5-6). Jesus multiplicou os pães e, no dia seguinte (Jo 6.22), com a mesma multidão (Jo 6.26), Jesus falou que é o pão da vida (Jo 6.35), o verdadeiro maná, e ainda falou que o seu corpo é verdadeiramente comida, e o seu sangue verdadeiramente bebida (Jo 6.55).
Mateus 26 | João 6 |
Dia de Páscoa (em que Jesus foi traído) Mt 26.18-19 | Próxima a Páscoa (Jo 6.4) |
Comeram Pão (ceia) Mt 26.26 | Jesus quis falar sobre Pão (Jo 6.5-6); Comeram Pão (multiplicação dos pães) |
Comeram Pão e Jesus disse: Isto é o meu corpo, partido por vós (Mt 26.26) | Jesus é o Pão da Vida (Jo 6.35) |
Comeram Pão e Jesus disse: Isto é o meu corpo, partido por vós (Mt 26.26) | O meu corpo é verdadeiramente comida (Jo 6.55) |
Tomaram vinho: Isto é o meu sangue, derramado por vós (Mt 26.27,28) | O meu sangue é verdadeiramente bebida (Jo 6.55) |
Tabela 4 – 11.3.4 Semelhanças entre Mateus 26 e João 6 para a Ceia
Pode notar a semelhança de João 6 e Mateus 26 agora? Páscoa, Pão e Vinho (verdadeiramente bebida), Corpo e Sangue... Certamente João 6, além de falar de salvação (crer e receber vida, João 6.40), também fala da Ceia do Senhor, pois há muita semelhança com Mateus 26! Certamente há um mistério nisso em que, pela ceia, de algum modo, recebemos vida e renovo espirituais de Cristo pela fé. Então quando seu corpo é verdadeiramente comido o seu sangue verdadeiramente bebido, há uma ênfase aqui, na palavra verdadeiramente, de modo que Cristo enfatizou nesses dois trechos paralelos da Escritura que de fato, recebemos vida Dele (Jo 6.55) na Ceia (Mateus 26.26,28). E corpo + sangue = vida. E somos abençoados pelo Espírito Santo, pela fé, espiritualmente, conforme o que a Escritura mostra em outras passagens acerca do Espírito, que a aplicação da salvação e das bênçãos concernentes ao sacrifício de Cristo em nós são pelo Espírito Santo e pela fé.
11.3.5 Recebemos Vida de Cristo Primeiramente no Ato da Salvação, e depois na Ceia
Ainda pode-se efetivamente mostrar que no ato da nossa salvação, ao crer (e não só na Ceia) nós também comemos o corpo de Cristo e bebemos seu sangue (o que simplesmente quer dizer que recebemos Sua vida em nós):
Verdadeiramente ele [Jesus] tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Isaías 53:4,5
Esses versos acima dizem que Jesus levou NO SEU CORPO (inclui-se o corpo e o sangue) os nossos pecados. Se somos perdoados, somos perdoados por causa que comemos espiritualmente, pela fé, o pão da vida que dá vida ao mundo, e temos vida eterna. O pão da vida é o corpo de Jesus.
João 6.58 “Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.”
Em contraste com o maná, o pão físico, Jesus dá o seu corpo, que para nós é vida espiritual, vida eterna (Eu sou a vida Jo 14.6). Como somos salvos crendo em Cristo pela fé, e não por obras, segue-se que:
1) A salvação é pela fé, e não por algo que fazemos, para que ninguém se glorie (Efésios 2.8,9). Se a salvação fosse conquistada, por exemplo, por aquele que subiu o monte Everest, ele ia se gloriar, se achar melhor do que aquele que não conseguiu subir, e Deus não se agradaria disso. Por isso Deus colocou a fé como meio para a salvação em Cristo, e não boas obras: para colocar igualdade para com todos os seres humanos, pois todos somos pecadores e desobedientes diante de Deus.
2) Portanto, nenhuma obra (algo que fazemos) é necessária para ser salvo.
3) Portanto, a santa ceia ou eucaristia (quero dizer aqui o ato de comer o pão e beber o vinho) não salva por si mesma, não dá a vida eterna a quem não tem a vida eterna, nem perdoa pecados. Para ter seus pecados perdoados (depois de salvo), confesse-os a Deus em arrependimento sincero e mudança de atitude pelo Espírito. E, para receber pela primeira vez o perdão dos pecados (porque todos somos pecadores) e a permanente vida eterna (que é o próprio Cristo em nós), a Escritura também diz que deve-se confiar inteiramente em Cristo, Deus Filho, o Cristo da Bíblia, como seu Senhor e Salvador (o Senhor que você segue e serve, e o Salvador que te salva).
Ou:
1) Jesus é o pão da vida; para vivermos temos que comer o corpo [1] de Jesus e beber o seu sangue [2] (João 6);
2) Jesus verteu seu corpo [1] e sangue por nós [2], e Jesus levou nossos pecados no seu corpo na Cruz;
3) A salvação não é por meios materiais ou físicos como comer e beber, nem algo que possamos fazer, Ele é o Salvador, e a salvação é pela fé.
4) Segue-se que, sendo salvos (espiritualmente, pela fé) temos nossos pecados perdoados, logicamente ao sermos salvos “comemos o corpo” e “bebemos o sangue” de Jesus espiritualmente. Ou seja, nos apropriamos do sacrifício de Cristo feito na cruz por nós.
Ainda,
1) João 6.58 “Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná [3] e morreram [5]; quem comer este pão [4] viverá para sempre [6].”
2) Jesus contrasta o pão físico, maná [3], com o pão que é o corpo de Jesus [4]. Segue-se que, se Jesus também contrasta o físico (morreram fisicamente [5]) com o espiritual (vida eterna [6]), o comer a carne e beber o sangue de Cristo é feito espiritual, pela fé e pelo Espírito Santo, não material, ou seja, o ato físico de comer o pão e beber o vinho na ceia ou eucaristia por si mesmo não significa comer o corpo e o sangue de Jesus fisicamente, pois o pão não se transforma no corpo, nem o vinho no sangue.
3) Mas ao comer o pão e o vinho somos renovados pela fé, uma vez que o salvo fiel, ao comer o pão e beber o vinho recebe os benefícios do verdadeiro corpo e do verdadeiro sangue de Cristo espiritualmente, somente pela fé e pelo Espírito Santo (ou seja, a aplicação é pela fé e pelo Espírito em seu espírito), e não porque ele está realmente comendo o corpo físico de Jesus ao comer o pão – está simplesmente tomando posse dos benefícios do Corpo e do Sangue, o renovo da vida espiritual.
4) Portanto, não há necessidade de inventar doutrina como a transubstanciação ou consubstanciação na eucaristia e na ceia.
Concluímos que, na Ceia, pela fé, recebemos vida real de Cristo. Concluímos também que, no ato da salvação (ao crer e ser salvo), também, pela fé, recebemos vida real de Cristo. Então, na salvação, pela fé, recebemos pela primeira vez vida espiritual de Cristo pelo Espírito Santo em nós, e na Ceia recebemos um renovo para manutenção da vida e regozijo nessa vida:
Devemos notar diligentemente, que quase toda virtude e força do sacramento consiste nestas palavras: [corpo] que por vós é entregue; [sangue] que por vós se derrama; porque de outra maneira não nos serviria de grande coisa que o corpo e o sangue do Senhor nos fosse servido agora, se não houvessem sido entregues de uma vez por todas para a nossa salvação e redenção. E assim nos são representados pelo pão e vinho, para que saibamos que não somente são nossos, e sim que também nos concedem a vida e o sustento espiritual. Já temos advertido que pelas coisas corporais que se propõem devemos dirigir-nos segundo uma certa proporção e semelhança, às coisas espirituais. E assim quando vemos que o pão nos é apresentado como um símbolo e sacramento do corpo de Cristo, devemos recordar em seguida a semelhança de que como o pão sustenta e mantém o corpo, de mesma maneira o corpo de Jesus Cristo é o único mantimento para alimentar e vivificar a alma... Quando vemos que nos é dado o vinho como símbolo e sacramento do sangue, devemos considerar para que serve o vinho ao corpo e que bem este lhe faz, para que entendamos que o mesmo faz o sangue de Cristo em nós: nos confirma, conforta, regozija e alegra. Porque se considerarmos atentamente que proveito obtemos do fato de que o corpo sacrossanto de Cristo tenha sido entregue e Seu precioso sangue derramado por nós, veremos claramente, que o que se atribui ao pão e ao vinho lhes convém perfeitamente segundo a analogia e semelhança a que aludimos.
Há alguns que numa palavra definem que comer a carne de Cristo e beber Seu sangue não é outra coisa, senão crer nEle. Porém, a mim me parece que o mesmo Cristo quis dizer, neste notável sermão, algo muito mais alto e sublime, ao recomendar-nos que comamos Sua carne; a saber, que somos vivificados pela verdadeira participação que nos dá nEle, a qual se significa pelas palavras comer e beber, a fim de que ninguém pensasse que consistia num simples conhecimento. Porque, como o comer e beber, e não o simplesmente mirá-lo, é o que dá sustento ao corpo, assim também é necessário que a alma seja verdadeiramente partícipe de Cristo, para ser mantida na vida eterna.
Calvino. A Santa Ceia do Senhor, e os Benefícios Conferidos por Ela (Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/jcalvino/ceia_calvino.htm>. Acesso em: Outubro de 2021).
Como disse Calvino, na ceia recebemos “vida e sustento espiritual (alimento e vida na alma), e também confirmação, conforto, regozijo e alegria”. Isso recebemos pela vida real espiritual de Cristo (seu corpo e sangue, pois corpo + sangue = vida), que nos é transmitida, pela fé e pelo Espírito Santo, em nós, ao comer e beber os símbolos do pão e do vinho na Ceia.
11.3.6 Conclusão
Portanto,
“Cristo está presente de uma forma especial na ceia, mas não está ligado à essência do pão e do vinho. É como a distância entre o Sol e a Terra. Quando os raios do Sol te tocam, você está tocando o Sol mesmo que o Sol está muito distante. E este é o meio de graça que chega ao cristão na ceia do Senhor.”
This Changed Everything (Documentário. 2016. Disponível em: <https://www.YouTube.com/watch?v=P_iXWUEjAFQ>. Acesso em: Outubro de 2021).
Assim, faz sentido que recebemos vida de todo Cristo na salvação (assim como Cristo, Deus e homem, se sacrificou por nós), e depois na ceia: de sua natureza humana glorificada e de sua natureza divina onipresente. E isso não ocorre pelos elementos sem a fé, mas é pela fé, e pelo Espírito Santo, ao tomar a Ceia. De fato, é um grande mistério a Ceia, mistério que Deus não revelou a todos os cristãos, visto que a ceia é cálice de bênção para os fiéis (1Co 10.16), e de condenação para os que a tomam indignamente (1Co 11), de modo que não é simplesmente um culto de Ceia ou um memorial solene, mas, mais do que isso, a Ceia é um meio de graça, é a comunhão do membro com a Igreja, e também com Cristo, pelo qual a Igreja recebe renovo: vida, alimento e sustento espiritual, na alma, e também confirmação, conforto, regozijo e alegria. Assim, pode-se reconhecer a verdadeira presença espiritual e real de Cristo na Ceia, que não se mistura com os elementos, mas que é comunicada ao cristão fiel pela fé.
Como muitos na época de Paulo ficaram doentes e morreram por tomar a ceia indignamente, e muitos outros foram abençoados, certamente Cristo de modo especial se faz presente nessa cerimônia solene. Portanto, reconhecendo estas verdades na Escritura, os irmãos, de qualquer denominação, podem se regozijar ainda mais, com mais motivos para maior temor, reverência, adoração, comunhão e alegria ao participar da Santa Ceia do Senhor, sabendo que este Cristo está conosco e que este feito continuará até a glória, na ceia das bodas do Cordeiro por toda a eternidade (Apocalipse 19.9 conforme Mateus 26.29: E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus – E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai), onde adoraremos ao Senhor face a face.
Amém.
11.3.7 Era Usado Vinho ou Suco de Uva na Ceia do Senhor?
Deixo algumas considerações:
1. Lucas escreveu que Jesus, ao contrário de João Batista (que não podia beber álcool), bebia vinho:
Lucas 7.33-35 Porque veio João o Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demônio; Veio o Filho do homem, que come e bebe [vinho, ver contexto], e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.
Jesus era acusado de ser comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Será mesmo que não bebia vinho alcoólico para ser acusado desta forma, ainda que moderadamente? Como Jesus foi defendido nisto? Pela última frase (v. 35): a sabedoria é justificada por todos os seus filhos. O que isso quer dizer? Quer dizer que, se fazemos algo louvável, usando de sabedoria, os frutos ou filhos dessa boa obra, que virão mais para frente, no futuro, mostrarão que quem fez tal obra louvável, a fez com justiça, corretamente, retamente.
Portanto, Jesus estava sendo difamado de bebedor de vinho, que é um pecado da carne (bebedice, bêbado), mas os filhos da sabedoria de Jesus o justificaram nisso, o defenderam, pois, mesmo bebendo vinho alcoólico, bebeu moderadamente e nunca pecou pecadinho nenhum.
Sl 104.15 E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem; Ec 9.7 Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras;
3. Provérbios condena o mau uso do vinho:
Pv 20.1 O VINHO é escarnecedor, a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio, 21.17 o que ama o vinho e o azeite nunca enriquecerá. 23.30,31 29 Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? 30 Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado. 31 Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. 32 No fim, picará como a cobra, e como o basilisco morderá;
4. Porém, Provérbios também fala que o vinho é uma bênção de Deus àquele que O honra:
Provérbios 3:9,10. Honra ao Senhor com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos; E se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.
5. Paulo e o vinho:
Para a enfermidade de Timóteo, Paulo recomendou vinho: 1Tm 5.23 Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades.
Para os diáconos, Paulo recomendou a moderação no vinho: 1Tm 3.8 Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho [moderação: “não dados a muito vinho” quer dizer “tomem pouco vinho...”], não cobiçosos de torpe ganância;
Para as mulheres idosas, Paulo também recomendou a moderação: Tito 2:3 As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho [moderadas], mestras no bem;
Para a Igreja de Éfeso, Paulo diz: Efésios 5:18 E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito:
Tal verso não quer dizer que o vinho não presta para uso moderado. Paulo disse: não vos embriagueis com vinho: para se embriagar é necessário beber uma quantidade razoável de vinho, e assim, Paulo não está condenando seu uso moderado e equilibrado, visto que não podemos pegar versos isolados para formar doutrinas, mas a Bíblia toda.
6. Na ceia do Senhor, alguns ficaram bêbados, pois, certamente, o vinho utilizado possuía algum teor de álcool, e alguns irmãos de Corinto não tinham moderação:
1Coríntios 11:20-22 De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor. Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se. Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo.
7. Moisés escreveu em Levítico 10.9 “Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações;” porém, pelo contexto – versos anteriores, vemos que esse verso fala acerca dos sacerdotes da tribo de Levi, Arão e seus filhos, quando iam consagrar-se para irem se apresentar diante do Senhor. Esse raciocínio não se repete no Novo Testamento, pelo qual cada crente é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, a ordem da qual veio Cristo, e nosso Senhor bebeu, ensinando-nos a moderação (Lucas 7.33-34). Se nos basearmos nesses versos, que eram destinados apenas aos levitas, é o mesmo de que nos basearmos em outros versículos de Levítico para não comer certos animais, mandamentos que eram apenas para os judeus.
8. Daniel dá a entender que ele ficava sem comer carne, vinho, e alimento desejável somente quando estava se consagrando ao Senhor:
Daniel 10:3 Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com unguento, até que se cumpriram as três semanas.
Desta maneira, como Daniel e os levitas anteriormente, se alguém quer se consagrar com jejum e oração, fica o exemplo deles para também se abster de comida desejável, carne e vinho.
9. Quando não beber vinho, nem comer carne? Não devemos beber vinho se, com isso, formos motivo para algum irmão fraco tropeçar, se escandalizar ou se enfraquecer:
Romanos 14:21 Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.
Muitos presbiterianos, luteranos e batistas bebem vinho moderadamente. Muitos pentecostais não bebem absolutamente nada, achando que é pecado. Desta maneira, quando alguém que bebe vinho estiver na companhia de alguém que se escandaliza com isso, aquele que bebe não deve beber na presença deste.
A Bíblia fala sobre os pecados da carne: Os bêbados não herdarão o reino dos céus (1Co 6.10); A bebedice é uma obra da carne (Gl 5.19-21). Não se chama o vinho em si mesmo de pecado. Não se chama o vinho por si mesmo de obra da carne (pois senão nem o seu consumo moderado seria aceito), mas o consumo desenfreado ou imoderado de bebida alcoólica é chamado de obra da carne, pecado (bêbados / bebedice). Alguns querem colocar fardos nos irmãos a quem nem o Espírito Santo que inspirou a Bíblia colocou!
10. Deixo também, para finalizar, uma frase que aprendi comprando uma garrafa de suco de uva integral sem conservantes, nem estabilizantes no supermercado, com minhas palavras: “Depois de aberta a embalagem, conservar em geladeira e consumir em até cinco dias, pois o produto pode passar por fermentação natural.”.
Não se sabe se naquela região e época do Novo Testamento ocorria safra o ano todo, para que todo o suco de uva fosse recente (pois senão fermentaria naturalmente e viraria vinho alcoólico). É bem provável que existisse uma época certa, ou algumas épocas de colheita de uvas. O suco de uva recém espremido seria apenas suco de uva. Passavam-se alguns dias, ocorria naturalmente que um pouco de açúcar da uva virava um pouco de álcool. Ocorre que é bem provável que não houvesse conservante e estabilizante (nem geladeiras!) para o suco de uva não virar vinho alcoólico, ainda que tivesse apenas 1% de álcool (e não como é habitual hoje), em poucos dias.
Acrescentando mais um motivo, é óbvio que o suco de uva embalado a vácuo como temos no supermercado não fermenta sozinho, mas fermenta depois de alguns dias aberto. Enfim, provavelmente na época do Império Romano, também não havia método de se retirar o ar de uma embalagem, método de criar vácuo para que não fermentasse.
Desta forma, ainda que eu mesmo não bebo vinho (mas só suco de uva integral) nem nada alcoólico, devo defender a verdade, e conforme 1Co 11.20-22 unido a todas as razões bíblicas enumeradas anteriormente, inclusive da falta de safra o ano todo para se ter um suco de uva fresco, e provável da falta de conservantes, estabilizantes, envase a vácuo ou método de refrigeração da época, era natural para a igreja beber vinho com um baixo teor de álcool, moderadamente, dando o exemplo para os descrentes, seguindo os exemplos de Paulo e de Jesus Cristo.
Claro que quem já foi alcoólatra não pode nem tomar um gole de bebida alcoólica, mas deve se abster totalmente: cada um fique inteiramente seguro de si no Senhor.
Finalizo dizendo que, se os apóstolos tivessem disponível suco de uva integral não fermentado, acredito que eles teriam usado esse, para minimizar escândalos como os de Corinto. Na época, a meu ver, não havia opção. Além disso, não estou querendo incentivar o consumo de vinho na ceia de modo algum (ainda que provavelmente o vinho dos apóstolos tivesse menor teor de álcool do que os vinhos alcoólicos hoje), nem estimular o uso cotidiano moderado por quem não bebe nada (o que pode levar a vícios danosos), embora seja provado cientificamente que um cálice de vinho diário faça bem para a saúde (assim como o suco de uva integral), mas a intenção principal é defender a realidade bíblica do Séc. I.
11.4 Sábado Cristão?
Cremos que o primeiro dia da semana, o Domingo (nome adotado bem depois da época de Cristo), é o dia da ressurreição de Jesus (Mc 16.9, Atos 20.7, 1Co 16.2), e chamado de dia do Nosso Senhor (Ap 1.10). Algumas igrejas consideram o domingo um dia especial de descanso, oração, louvor e adoração a Deus, chamando este dia de sábado cristão. De fato, é importante o dedicar-se a Deus, porém:
1. O Novo Testamento simplesmente não repete o mandamento do sábado do Antigo Testamento:
Marcos 10.19 (Jesus): Tu sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mãe;
Rm 13.9 (Paulo): Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
Esses mandamentos acima (dos dez mandamentos) são os mandamentos para o próximo. Já os mandamentos para Deus (exceto o do Sábado) estão no Novo Testamento em: Não ter outros deuses: Mateus 4.10 e 1Co 8.6; Não fazer ídolos: 1João 5.21 e 1Co 10.14; Não tomar o nome de Deus em vão: Mateus 5.33-37 e Tiago 5.12.
Concluímos que o NT não repete em lugar algum o mandamento de guardar o sábado.
2. O repouso de Deus. Hebreus 4 diz que foi deixada a nós, os cristãos, assim como aos israelitas (como a eles, Hb 4.2) uma promessa de entrar no repouso de Deus (Hb 4.1), pela fé (Hb 4.2). Hb 4.4 diz que “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia.” Portanto, no dia sétimo (Sábado), Deus repousou de todas as suas obras. Aquele que ouvia a palavra das boas novas de entrar no repouso de Deus (Hb 4.2), pela fé, seja na época do Antigo ou do Novo Testamentos, entrava no seu repouso, na eternidade com Cristo: Hb 4.3 “Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso...” Portanto, se já entramos no repouso de Deus pela fé, não precisamos mais guardar o sábado, que apontava para esse descanso ou repouso espiritual.
3. Sombra das coisas futuras.
Cl 2.16 Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, 17 Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.
Portanto, Paulo, em Colossenses 2, diz que o sábado é sombra das coisas futuras. Hebreus 8.5 e 10.1 falam que a lei e o antigo pacto eram exemplos e sombras das coisas futuras ou celestiais:
Hebreus 8.5, 10.1: “Os quais serem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado...”; “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas...”.
Cristo cumpriu a lei e o antigo pacto, fazendo uma nova aliança, um Novo Testamento no seu sangue, trazendo a nós as coisas futuras (Cl 2.17) ou celestiais (Hb 8.5) pelo Reino de Deus (Mt 10.7 é chegado o reino dos céus), ocultas desde a fundação do mundo. As sombras e tipos de Cristo do Antigo Testamento (incluindo o sábado) não precisam mais ser guardadas por nós, cristãos, pois não são mandamentos para nós.
Princípio do Mandamento do Sábado
O mandamento do Sábado findou junto com a lei cerimonial do Antigo Testamento. O princípio dos mandamentos cerimoniais não. O princípio de um mandamento considero que é o porquê intentado por Deus ao criar o mandamento, nos salvar ou preservar de quê: isso permanece? No caso, preservar e proteger o ser humano da exaustão física e da escravidão do trabalho, apontando para a nossa necessidade contínua de comunhão com Deus permanece, ou seja, o ideal é descansar pelo menos um dia na semana por este princípio do Sábado.
Outro exemplo é: no Antigo Testamento vemos mandamentos cerimoniais para os sacerdotes se aproximarem de Deus em santidade. Já na nova aliança não são mais requeridos, mas o princípio sim: Todos somos sacerdotes, e Deus requer reverência ao se aproximar de Sua Presença.
11.5 Culto Racional e Avivado: Línguas e Profecia
[...].
Deus ainda mostra revelação e sonho, Deus ainda usa seus filhos com profecia como os profetas, mas tudo isso está sujeito à Palavra de Deus, a Suma revelação:
Mateus 2.12: E, sendo por divina revelação avisados num sonho para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho. Mateus 2.22: E, ouvindo que Arquelau reinava na Judeia em lugar de Herodes, seu pai, receou ir para lá; mas avisado num sonho, por divina revelação, foi para as partes da Galileia.
Há denominações que erram desprezando o Espírito e há denominações que erram desprezando o conhecimento:
Mateus 22:29 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras [1], nem o poder de Deus [2].
Uma denominação plena, completa deve ter conhecimento profundo das Escrituras (conhecimento que é colocado em prática) e poder do alto do Espírito, que é recebido em oração. Assim nós também individualmente devemos ter conhecimento das Escrituras e poder de Deus, ainda que não seja dom, virtude, talento ou poder visível nem externo.
Amém.
[...].
11.7 Governo da Igreja / Governo Eclesiástico
Continuando a seção anterior, a Igreja do Senhor, com suas diversas denominações, deve ser organizada, assim como era a igreja na época apostólica. Os modelos ou sistemas de governo da igreja mais comuns são:
1. Episcopal: Um líder, como um pastor presidente, um papa, um ‘apóstolo’ de igreja neopentecostal, muitas vezes (nem sempre) tem a palavra final e decide tudo verticalmente, muitas vezes com hierarquia (muitas vezes antibíblica, nem sempre) como, do mais alto para o cargo de líder mais baixo, ‘apóstolo’ – bispo – pastor etc., ou papa – cardeal – arcebispo – bispo – padre etc., ou pastor – presbítero – diácono – cooperador etc.; às vezes o líder governa só, às vezes auxiliado por um grupo.
2. Congregacional: Os membros, que possuem direitos e deveres iguais, elegem o líder/pastor, e fazem assembleias regularmente para a tomada de diversas decisões (não todas, pois o pastor também tem alguma liberdade disso). É como uma democracia. Os membros, como são batizados para serem membros e também sacerdotes em Cristo, participam em votações, e por isso são mais influentes do que no modelo episcopal ou presbiteriano;
3. Governo por Presbíteros: Há um corpo/conselho escolhido formado por presbíteros e anciães, que toma as decisões importantes da igreja, assim como Paulo levantou presbíteros no Novo Testamento por onde passava, após fazer discípulos e ver que se tornaram experientes no evangelho. Os presbíteros não costumam possuir mandato vitalício como muitos no modelo episcopal. O pastor/reverendo também é um desses presbíteros, mas com a diferença que é ministro (pregador) da Palavra de Deus. Às vezes essas igrejas são submissas a convenções, sínodos e concílios superiores, ou podem ser independentes.
Observação sobre o método episcopal: foi-se o tempo em que a grande maioria das pessoas, e principalmente os homens tinham caráter (e talvez temor a Deus... e talvez saúde mental) para não serem corrompidos por poder, fama ou status, pois hoje em dia fazem impérios com as denominações e ganham-se milhões com ofertas dos fiéis, sendo que o pastor deve ser chamado a viver com o suficiente, não esbanjando. Além disso existe muita pressão num líder que toma muitas decisões (veja o conselho de Jetro a Moisés). Existem hoje líderes autoritários, igrejas que se tornaram sinagogas de Satanás na mão de lobos devoradores (conforme Paulo advertiu), e ninguém consegue tirá-los do cargo, só o juízo de Deus. A igreja do Senhor sofre na mão deles. Muitas vezes o líder carismático (que nem sempre é autoritário) foi colocado no cargo pelo fundador de sua denominação, ou por um pastor influente anterior a ele, mas esse líder pode fazer nepotismo colocando seus familiares como sucessores, muitas vezes sem eles terem chamado ou vocação para isso.
Além disso, se um pastor planta uma igreja, e não há pessoas experientes, pode-se fundá-la sobre o modelo episcopal temporário (inicialmente) até que sejam levantados homens e mulheres de Deus por anos experientes e experimentados na Palavra para compor um conselho (para um futuro governo por presbíteros, por exemplo) e a igreja ser cada vez mais saudável e não centrada em uma pessoa só. Se, porventura, é uma família que funda a igreja, também deve-se ter cautela em levantar familiares a pastores (Paulo disse a Timóteo em 1Timóteo 5.22: a ninguém imponhas precipitadamente as mãos), pois muitos deles, embora podem ajudar em muitas áreas da igreja, podem não ter chamado ou vocação para o ministério pastoral. Nesse caso, após o(s) pastor(es) principais da família discipularem a igreja, é adequado que a denominação não seja estritamente da família quando a denominação crescer, mas se a família notar que homens e mulheres de Deus se destacam no Senhor e na Palavra, creio que devem levantar presbíteros para que haja um conselho de pessoas de Deus, uma mescla da família e de fora da família, e não só da sua família, quero dizer, não só que pensam como sua família pensa. A Igreja é do Senhor Jesus, e não de uma família.
Observação sobre o método congregacional: Pode ser válido se os membros forem experientes e tementes a Deus, e se houver essa cultura de votação aprovada, pois não me parece válido se a igreja for nova ou de novos convertidos ou meninos na fé: a votação terminaria provavelmente em desastre (não é só porque os membros são batizados que necessariamente são salvos, tementes a Deus e tomem decisão segundo a vontade de Deus). Os apóstolos plantavam igrejas e depois de algum tempo levantavam presbíteros e diáconos por onde andavam.
Observação sobre o método presbiteriano: É o mais adequado regularmente na minha opinião para que o poder seja distribuído adequadamente e o futuro da denominação não se concentre em decisões de uma pessoa só (lembre-se do ditado: Quer saber quem uma pessoa é? Dê-lhe poder!), especialmente para uma igreja séria, embora a validade de cada modelo eclesiástico e embora o futuro da denominação esteja mais relacionado ao compromisso com a Bíblia, ao amor e à santidade da Igreja, fidelidade ao Senhor, temor a Deus, respeito e submissão mútuos, do que simplesmente escolher o modelo de igreja.
É aceitável que uma igreja (e líderes) esteja submissa a uma declaração de fé bíblica e saudável eleita pelo conselho, embora: As denominações devem estar primeiro e cem por cento sujeitas à Bíblia, a Palavra de Deus; Secundariamente, aos Credos Primitivos (ex. Credo Apostólico, de Nicéia, Calcedônia, Atanásio); Em terceiro lugar, e somente assim (se não houver sido adotadas Confissões, senão essas seriam em terceiro lugar e a declaração de fé em quarto lugar), a declaração de fé da denominação, que é viva e mutável (assim como as confissões). Cada membro da igreja, especialmente os líderes, deve ter liberdade para consultar e às vezes questionar os pontos das confissões e das declarações de fé que a sua denominação se sujeita para edificação mútua (para que não aconteça o que Grudem (1999) disse que ocorre com relativa frequencia: “a liderança nacional de uma denominação presbiteriana adota uma falsa doutrina e exerce grande pressão sobre as igrejas locais para se conformarem a ela”). Questionar o estatuto de fé da denominação é apenas pela Bíblia, pelo princípio “a Escritura interpreta a Escritura”, especialmente porque nenhuma declaração humana é perfeita e imutável, a Bíblia é que é a perfeita e preservada Palavra.
Independente do modelo de governo da igreja adotado (cabe salientar que a Bíblia não ordena nenhum destes sistemas, mas dá diretrizes para a Igreja), enquanto a denominação for e continuar sendo cristocêntrica, principalmente no estudo e na pregação da Palavra, enquanto a denominação tiver a Cristo como cabeça, submissa à Palavra, sujeita à voz de Deus, sem se render ao modelo do mundo – ou seja, sem tomar a forma do mundo, Deus velará com Sua providência a favor dela. Deus é o Rei, e Cristo o cabeça da Igreja, é Ele que toma as decisões, e Deus tem total interesse na preservação de uma denominação saudável que vive em comunhão e amor para sua glória.
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