DO CASAMENTO E DA SEXUALIDADE
A Palavra de Deus é a nossa única regra para a conduta moral. O desígnio de Deus para o casamento é a união exclusiva (única) e pactual – uma verdadeira aliança diante de Deus e dos homens (e não apenas uma união estável) – entre um homem e uma mulher (biológicos, claro), sendo este o único contexto lícito para a intimidade sexual aprovada diante de Deus:
Gênesis 2.24-25 “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.”
Mateus 19.6 “Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe.”
Provérbios 18.22 “Quem encontra uma esposa encontra algo excelente; recebeu uma bênção do Senhor.”
Sobre o casamento, e sobre ser uma só carne, Hernandes Dias Lopes e Adam Clarke complementam:
O casamento nasceu no coração de Deus, sua origem está no céu. Deus é quem dá o fundamento para o casamento, e também o edifica, protege e galardoa. É uma aliança que só deve terminar com a morte. É uma aliança de amor, compromisso e fidelidade entre um homem e uma mulher. O propósito de Deus é que tenhamos um casamento saudável, santo e feliz. Hernandes Dias Lopes. Casamento, Divórcio e Novo Casamento. Hagnos. 2005.
O casamento não apenas significa que eles devem ser considerados uma só carne, mas também como “duas almas em um corpo”, com uma completa união de interesses, e uma parceria indissolúvel de vida e riquezas, conforto e suporte, desejos e inclinações, alegrias e tristezas. Adam Clarke (Clarke’s Commentary, 1810) em Mt 19.5.
O relacionamento e a aliança entre o casal são comparados e devem se espelhar no relacionamento de Jesus Cristo com a sua Igreja. O marido deve imitar o caráter de Cristo, e a mulher, claro, também:
João 15.12 “Que vos ameis uns aos outros, assim como eu [Jesus] vos amei.”
Filipenses 2.5 “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus...”
A sexualidade também deve ser santa nos casais cristãos (e não de modo inatural (Rm 1.26), sodomita (1Co 6.9-10), impuro ou lascivo (Gl 5.19)).
Hebreus 13.4 O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros.
Praticamente todos os teólogos protestantes da história até o século XIX – a tradição histórica majoritária – defenderam a pureza e a santidade no leito conjugal. Infelizmente, essa reverência tem sido banalizada há menos de um século, amplamente diluída por livros de teólogos contemporâneos, dos quais devo discordar. Rejeito, por exemplo, a tendência moderna de teólogos e cristãos que usam o livro de Cantares de Salomão (como Ct 4.16 e 5.1) como um manual para legitimar práticas sexuais contemporâneas.
Primeiramente, embora a vida amorosa de Salomão não seja mesmo um exemplo a se seguir da Bíblia cf. Neemias 13.26 e Deuteronômio 17.17, Cantares de Salomão foi inspirado pelo Espírito Santo e não reflete essa parte da vida de Salomão, sendo válido também para crentes do Novo Testamento pois retrata o casamento apaixonado, santo e lícito de um homem com uma mulher, como era desde o princípio o projeto de Deus (como Adão e Eva). Assim, o livro de Cantares é Palavra de Deus inspirada e retrata a beleza do casamento monogâmico, puro e exclusivo entre o noivo e a Sulamita, refletindo o padrão ideal de Deus. Retrata tanto o amor puro do noivo pela noiva (e vice-versa) que também simboliza o amor puro de Jesus por nós – e vice-versa – poeticamente e espiritualmente.
Em segundo lugar, a linguagem poética pura de Cantares, além da relação de Cristo com a Igreja conforme as lentes de Efésios 5 (Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. cf. Efésios 5.31-32), é uma belíssima metáfora oriental para a consumação sagrada do casamento (a união lícita onde os dois se tornam uma só carne, isto é, um só corpo com um mesmo propósito). O fato de a intimidade conjugal ser uma bênção aprovada por Deus não nos dá licença para fazer tudo o que o mundo faz. Toda e qualquer prática dentro do casamento cristão deve passar pelo crivo do Novo Testamento, que nos ordena manter o corpo em santificação e honra, fugindo de toda impureza e conservando o leito sem mácula (Hebreus 13.4).
Concluindo, embora a sexualidade entre casais seja santa, prazerosa, útil e boa (e não só, obviamente, para gerar filhos), não é bíblico nem é cristão ser um casal hipersexualizado com base em 1Co 7.5 (“Não vos priveis um ao outro...”), pois é possível pecar e desagradar a Deus mesmo com seu cônjuge. Hoje em dia, muitas vezes, mesmo entre casais cristãos, há uma considerável extensão da cultura secular de busca implacável pelo prazer (hedonista), explicação clara do altíssimo número de divórcios por mera “incompatibilidade”, falta de “felicidade segundo os padrões do mundo (inclusive na área financeira)”, condenado explicitamente por Jesus Cristo em Mateus 19.6b (“o que Deus ajuntou não o separe o homem”), divórcio fruto da dureza do coração do casal cf. Mateus 19.8 (“Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio.”).
Enfim, o casamento é um voto diante de Deus e dos homens que só deveria terminar com a morte. Para que ele vá bem, não se deve casar rapidamente sem orar a Deus para que Ele confirme e prepare todas as coisas (na realidade, não tome nenhuma decisão importante sem consultar a Deus!). O casamento do casal cristão diante de Deus, diante do próprio casal, da família e sociedade, se bem nutrido, com o amor cultivado, para um casal que ora junto, que dialoga, que pede perdão quando erra, será um relacionamento vitorioso.
Não se pode separar ou divorciar por motivo fútil, senão por adultério (conforme disse Jesus em Mateus 19.9) ou abandono irreconciliável por parte de um cônjuge ímpio conforme disse Paulo em 1Co 7.15 (inclui-se aqui abandono irreconciliável por parte de um cônjuge que pode se dizer crente mas que na verdade pratica as obras das trevas se nisso estiver incluso violência psicológica, física e/ou abuso consideráveis e sem real arrependimento e mudança de vida, o que caracteriza de fato “abandono mesmo com o cônjuge dentro de casa”). Enfatizando, é irreconciliável somente a violência contínua e/ou de natureza grave sem arrependimento real, não um episódio isolado de desentendimento ou ofensa com arrependimento e restauração.
Para os que sofreram muito nessa parte o Senhor quer levar ao arrependimento e pode dar uma nova oportunidade pois, mesmo após divórcio, desilusão, traição, feridas, Deus tem consolo e Deus pode preparar um marido ou esposa crente e fiel para você (Pv 18.22), especialmente se você se der valor e esperar no Senhor, ou seja, se você também for fiel e se for a vontade do Senhor o casamento para você. Há pessoas que têm dom de ser casado, e há pessoas que possuem dom de ser solteiro (se abstendo de práticas sexuais) conforme o que disse Paulo em 1Coríntios 7.7 e o que disse Jesus em Mateus 19.12.
Para concluir, o relacionamento entre uma pessoa e outra qualquer, e entre um marido e uma esposa deve ser de igual para igual, em respeito mútuo:
João 15.12 (amor para com todos) O meu mandamento [Jesus dizendo] é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu [Jesus] vos amei.
Fazer bem um ao outro: 1Co 7.3 O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido.
Efésios 5.21 Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. 1Pe 5.5b ...e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.
Efésios 4.2b: ...suportando-vos uns aos outros em amor.
Mateus 5.44 Eu [Jesus], porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
O marido não deve mandar (impor sua vontade) na mulher e vice-versa. A mulher não é secretária ou assistente do homem, mas sua auxiliadora. A respeito disso, Deus também é nosso auxiliador (Salmos 70.5). Assim, enfatizo, todas as decisões importantes devem ser tomadas em conjunto, dialogando e orando juntos. Se a mulher é mais experiente do que o homem e tem razão e luz de Deus no momento (isto é, se compreender melhor a vontade de Deus para a situação), a opinião dela deve prevalecer, e vice-versa. Ainda que a Escritura diga que o homem é o cabeça da esposa e sacerdote no lar (quando os dois são cristãos e fiéis, e quando a família estiver completa, senão a esposa é a coluna da família), o homem deve imitar o modelo de Cristo, convencendo por amor, com sabedoria e pelo Espírito. A missão de cabeça do marido cristão é especialmente de apascentar e interceder por sua família no Senhor como sacerdote. O marido e a esposa devem convencer um ao outro, quando estiverem com luz de Deus no momento, com sabedoria de Deus. Ninguém deve impor sua vontade a ninguém, pois dificilmente alguém convence outra pessoa, mas o Espírito Santo, sim, convence. Se um cônjuge não conseguir convencer o outro em algo que for essencial e bom, insista e ore a Deus que o Senhor convencerá no tempo certo.
A propósito, a mulher pode sim, biblicamente, trabalhar fora se desejar e se for adequado: a mulher exemplar, a mulher de Provérbios 31.10-31 trabalhava, e muito:
“¹⁰ Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.¹¹ O coração do seu marido está nela confiado; assim ele não necessitará de despojo.¹² Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida.¹³ Busca lã e linho, e trabalha de boa vontade com suas mãos.¹⁴ Como o navio mercante, ela traz de longe o seu pão.¹⁵ Levanta-se, mesmo à noite, para dar de comer aos da casa, e distribuir a tarefa das servas.¹⁶ Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com o fruto de suas mãos.¹⁷ Cinge os seus lombos de força, e fortalece os seus braços.¹⁸ Vê que é boa a sua mercadoria; e a sua lâmpada não se apaga de noite.¹⁹ Estende as suas mãos ao fuso, e suas mãos pegam na roca.²⁰ Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado.²¹ Não teme a neve na sua casa, porque toda a sua família está vestida de escarlata.²² Faz para si cobertas de tapeçaria; seu vestido é de seda e de púrpura.²³ Seu marido é conhecido nas portas, e assenta-se entre os anciãos da terra.²⁴ Faz panos de linho fino e vende-os, e entrega cintos aos mercadores.²⁵ A força e a honra são seu vestido, e se alegrará com o dia futuro.²⁶ Abre a sua boca com sabedoria, e a lei da beneficência está na sua língua.²⁷ Está atenta ao andamento da casa, e não come o pão da preguiça.²⁸ Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva.²⁹ Muitas filhas têm procedido virtuosamente, mas tu és, de todas, a mais excelente!³⁰ Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa sim será louvada.³¹ Dai-lhe do fruto das suas mãos, e deixe o seu próprio trabalho louvá-la nas portas.”Provérbios 31.10-31
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