quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

ATUALIZADO epígrafe (texto abaixo) dia 27/fev/26, links mediafire

PDF NORMAL (Teologia Sistemática Interdenominacional, fonte do corpo do texto tamanho 10):



PDF LETRA ENORME (Teologia Sistemática Interdenominacional, esboço, com fonte do corpo do texto tamanho 14 para idosos): 

https://www.mediafire.com/file/yetnahqox46pesw/LETRA_GIGANTE_TEOL_SIST_27-2-26.pdf/file

Epígrafe:

O valor e estima de um cristão verdadeiro não é aumentado pelas obras de justiça - boas obras - que ele faz pelo Espírito Santo em vida, pois a sua justiça diante de Deus é imutável e está no Céu, à direita de Deus: a nossa justiça é Cristo, o mesmo ontem, hoje e eternamente.

Portanto, nosso valor, nossa autoestima, nossa autoimagem, nosso contentamento devem vir de um só fato: somos filhos de Deus adotados em Sua família por estarmos unidos em Cristo e, por isso mesmo, o que Cristo faz, o que Ele é - respeitando as diferenças como pessoa, personalidade e natureza - nós somos.

Tendo nascido de Deus, somos filhos amados intimamente de Deus – e Ele quer o nosso bem – o Pai quer que estejamos no centro de Sua boa, perfeita e agradável vontade.

Todos os cristãos verdadeiros e fiéis são espiritualmente um com Cristo pelo Espírito Santo e pela graça de Deus. Estamos em um noivado que vai culminar em um casamento eterno com Cristo, em um relacionamento eterno mais íntimo com o Pai, e em uma ainda maior aproximação com o Espírito Santo que vive em nós.

Em Cristo, o cristão é pleno, e nenhuma criatura, ato ou força poderá separá-lo do amor de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor, Salvador e Deus Todo-Poderoso!

Gálatas 2:19b-20a: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.”

domingo, 22 de fevereiro de 2026

10.4.5 ANEXO – Aprofundando a Justificação, a Imputação, a União com Cristo e a Ressurreição: Uma Via Média, Bíblica, entre a Nova Perspectiva sobre Paulo e a da Reforma Protestante

23/fev 0h 

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/23-fev-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file

10.4.5 ANEXO – Aprofundando a Justificação, a Imputação, a União com Cristo e a Ressurreição: Uma Via Média, Bíblica, entre a Nova Perspectiva sobre Paulo e a da Reforma Protestante

Nem todo conceito da justificação vindo da reforma protestante (conceito usado ao longo de todo esse livro, mas não alterado conforme essa seção) é completo, e nem todo conceito da Nova Perspectiva sobre Paulo é correto (por exemplo, trocar o entendimento da expressão bíblica “justificados pela fé em Cristo” por “justificados pela fidelidade de Cristo”) não é cem por cento correto. Fazendo uma via média, ainda que com raciocínios circulares, compreendendo melhor e aprofundando, temos que:

Fonte da síntese abaixo: Seminário Teológico Jonathan Edwards. Masterclass – “Abordagens sobre a doutrina paulina da justificação na dogmática do século XXI” – Prof. Guilherme Nunes, Mestrado em Teologia Sistemática, turma III, módulo cinco. Janeiro de 2026. Para as citações bíblicas eu, Roberto, variei com várias versões bíblicas.

“Acerca do legalismo judaico na época apostólica aparentemente combatido pelo apóstolo Paulo, e por Tiago e Pedro na assembleia de Atos 15, deve-se dizer que o judaísmo era variado no tempo de Cristo, não era único. Nem todo judaísmo era legalista [como os fariseus pelas palavras de Jesus em Mateus 21-23], pois havia linhas e grupos judaicos que se apoiavam na graça e misericórdia, como o judaísmo messiânico (que era exclusivista), e outros que se apoiavam na obediência à Torá (lei de Deus) para livramento do juízo final - estes, como Paulo combatia, eram grupos legalistas.

Existia a necessidade por alguns de cumprimento da circuncisão, guarda do sábado etc. - prática da lei para ser salvo no último dia. E existia o etnocentrismo (nomismo etnocêntrico) - o "lugar" de salvação que eles defendiam era que deviam aderir à lei para ter uma identidade judaica. Apenas sendo judeu a pessoa seria salva, como um prosélito [combatido por Jesus em Mateus 23, colchetes meus]. Para alguns a salvação era em tornar-se judeu, e para isso a pessoa devia cumprir a lei para ser salva - e é isso que Paulo combatia. Parece que os fariseus liam "os gentios" em Isaías, e entendiam "prosélitos" dentro do judaísmo.

A natureza efetiva da justificação é a santificação, de modo que uma está ligada a outra.

A natureza da justificação é ampla, não só vertical e individual: Deus cria um novo povo, com um novo status, dentro de uma nova aliança, preparando para uma nova era: para o momento escatológico / eternidade.

O problema da nova perspectiva em Paulo é reduzir os termos em grego de justiça e retidão em mera categoria pactual.

O ato de justificação no presente, como dito, não é tornar-se justo [sem pecado na Terra], mas ser declarado justo diante de Deus.

Paulo, acerca de justificação, fala de justificação tanto no presente como no futuro. Paulo diz, combatendo alguns grupos judaicos, que você não tem que ser prosélito judeu para se tornar ou ser garantido justo no último dia, porque Jesus te justifica no presente, ou seja, te coloca dentro de um novo povo, te dá um status de justo no presente, e sua ressurreição garante que no último dia você seja declarado justo, obviamente pelo sacrifício de Jesus, por sua morte e ressurreição, e por conta da declaração presente já de que você está no status de justo diante de Deus, e que você faz parte do povo de Deus.

~~

União com Cristo: Efésios 2:4-10 (“Em Cristo”, várias vezes)

A parte da união com Cristo é um centro importantíssimo na teologia paulina. Em Cristo, expressão várias vezes escrita na Escritura, significa união com Cristo como fonte de vida em toda a obra da salvação: se a justiça de Cristo é dada a mim porque estou ligado a Cristo. "Não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim." Como estou em Cristo, tudo o que Cristo é, faz, eu sou.

Além disso, não dá para separar a justificação e santificação: Romanos 6 até o v. 14: a natureza efetiva da justificação é uma nova vida, e que ao te colocar diante de Deus, você vive como alguém que está diante de Deus. Puxando as heranças de Calvino vemos que ele juntava as duas coisas, afirmava claramente que justificação não é santificação, mas ambas são amparadas no fato de que nós temos participação em Cristo, nós devemos afirmar de que apesar de que nós somos justificados, isso não significa que nós devemos buscar menos santificação do que valorizamos justificação. As duas coisas estão juntas, porque estamos em Cristo, e temos participação direta com Cristo.

A natureza efetiva da justificação é me colocar diante de Deus para ser santo, assim não se gera divisão estranha entre justificação e santificação.

Justificação é pela fé, e a outra moeda da fé é o arrependimento.

Já a doutrina da imputação é a implicação necessária e lógica da doutrina da união com Cristo. É teológica, mas não exegética. Existe uma solidariedade corporativa entre o crente e o Messias de forma que aquilo que aconteceu e aquilo que pertence aos Messias pertence aos crentes por conta de que os crentes estão em Cristo. Então isso gera uma implicação direta que a doutrina da imputação é correta e teológica.

O ato de imputação vem junto com a misericórdia de Deus. Salmo 103.8-10. Não é como se alguém dissesse: “Eu preciso da imputação porque senão Deus me aniquila, a ira de Deus vem, etc.” – pois o ato de imputação vem junto com a misericórdia de Deus. Há uma relação da imputação [comunitária] com a relação judeu - gentio na nova comunidade, novo homem. A justiça de Cristo nos coloca também como povo de Deus, aí entendemos que a imputação implica na minha relação (ou na linguagem Paulina na relação de judeus e gentios) na nova comunidade, formando um novo homem.

2 Coríntios 5:21 NAA [Nova Almeida Atualizada]: Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

Imputação não só é algo dado a mim. É dado a mim porque estou em Cristo. Imputação não pode ser retirada das relações com as outras áreas / relações diretas, por exemplo, diminuindo a obediência a Deus. A obediência é uma resposta de gratidão à graça de Deus.

Portanto a morte de Cristo não é apenas uma questão de imputação do pecado, mas também uma questão de participação direta, nossa, em união com ele. Essa participação também é real e efetiva na ressurreição de Cristo: "se alguém está em Cristo, é nova criatura."

Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. (II Coríntios 5:14 acf)

O ato de estar em Cristo rege as questões de imputação.

2Co 5.21 (Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus) diz que nós somos tornados pessoas justas: isso fala da união com Cristo. A justificação não pode ser vista como mera questão forense, mas com união com outras frentes.

Somos feitos justiça de Deus: não tínhamos isso mas nos foi dado, presenteado, portanto existe uma ideia de imputação aqui. A justiça que foi dada foi dada em união com Cristo.

Romanos 4, Abraão, creditado em justiça ou imputado? Creditar é sendo contada para mim, e imputar é sendo transferida para mim.

O ato de Abraão ter crido no que Deus falou, esse ato de crer/confiança, fez Abraão ser contado como justo, e não com algum tipo de transferência.

A justificação é obra do Espírito que incorpora os crentes a Cristo.

Romanos 4:3, 5 NVI [3] Que diz a Escritura? “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi atribuído como justiça.” [5] No entanto, ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé é atribuída como justiça.

A fé é que está sendo creditada. A fé [embora seja meio cf. Ef 2.8-10, não fim em si mesma] faz com que eu seja justo, somos redefinidos como justos, mas alguns textos não falam propriamente de transferência de justiça explicitamente na Bíblia.

A união com Cristo é a doutrina exegética da Palavra e imputação é a implicação lógica-teológica (justiça de Cristo transferida a mim e meu pecado transferido a Cristo).

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Ligação da justificação com a ressurreição de Jesus

Paulo, quando o assunto é o evangelho, não separa cruz e ressurreição, como a teologia muitas vezes separa: em Romanos 1:3, Romanos 10:9, 1Coríntios 15.3-8, 2Timóteo 2:8, e também em Romanos 4:25, Paulo sempre une a ressurreição com a mensagem do evangelho.

"Ressuscitou para nossa justificação": Rm 4:25.

Existe uma relação implícita de que existe uma relação direta e indissolúvel entre morte/cruz e ressurreição.

1Coríntios 15:17 ACF E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.

Para que haja perdão de fato dos pecados dos salvos, é necessário que Cristo tenha ressuscitado. Sem a ressurreição, ainda estamos mortos nos pecados (1Co 15.17). A morte de Jesus está ligada com a ressurreição. Na ressurreição, há um maior veredito do que a morte: vocês estão perdoados! É uma declaração viva. Só com a morte a declaração de perdão ainda não foi feita. Uma coisa é pagar dívida (morte), outra coisa é colocar dinheiro na sua conta, é alguém que agora vive para Deus, vive como perdoado para Deus (ressurreição).

Romanos 1:3: há uma declaração de ser filho de Deus. Não só de divindade, mas de função baseado na descendência davídica, como Rei pela ressurreição. Na ressurreição, Cristo não ressuscitou como cabeça individual, mas cabeça de um povo. Na ressurreição, o Rei dá vida ao seu povo, faz deles família!

Romanos 4:24-25 (Ressuscitou para nossa justificação):

24 Mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; 25 O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação (Romanos 4:24-25 acf)

"Para" nossa justificação, e não "por causa" da nossa justificação:

Justificação é um processo temporal na história do crente (fator presente e futuro), e o que me garante essa justificação no último dia é a ressurreição, e que a obra de ressurreição de Cristo é a Obra necessária pela qual seremos julgados no futuro. Romanos 4.25, enfatizando o fator futuro, de que lá no futuro eu serei justificado por conta de que Jesus ressuscitou. A ideia é de que a ressurreição também justifica no presente, mas sua ênfase de justificação é que naquele grande Dia nós seremos justificados porque nós fomos justificados no presente, mas o que garante nosso veredito final lá também é justamente que Cristo ressuscitou.

9 Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. 11 E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação. (Romanos 5:9-11 acf)

A reconciliação também garante que serei salvo pela sua vida porque Ele ressuscitou. Na morte (e, claro, ressurreição, mas enfatizando a morte) eu fui reconciliado e ela me garante o perdão no presente, mas no futuro (enfatizando a ressurreição) serei salvo da sua ira, pela sua vida – pois vida no final de Rm 5.10 seria a ressurreição.

Romanos 5.16ss: Adão e Cristo: Há um ato da ressurreição (Paulo usa a expressão: "na sua vida", que quer dizer estado pós-ressurreição, reinando em vida). O julgamento, como diz N.T. Wright também, seria um veredito já (não um filme passando, um "telão"), não é um ponto de ver se você pode passar, e esse veredito estaria definido na ressurreição dos crentes. É por isso que Paulo fala: se Ele não ressuscitou, vocês não vão ressuscitar. E, se Jesus não ressuscitou, vocês permanecem mortos nos seus pecados.

A ressurreição garante que foi dada vida para vocês, e também garante que vocês serão ressuscitados e salvos da ira naquele dia onde obras serão requeridas, por causa da obra de Jesus na cruz e na grande obra de ressurreição, a obra de justiça, que é ressurgir dos mortos como cabeça de um povo.

E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória. (I Timóteo 3:16 acf)

O termo justificação (Cristo foi justificado no Espírito) aqui cabe bem como 'vindicação', que tem ênfase no ato que torna alguém vindicado, de fato recebido, de fato colocado no seu lugar apropriado de honra e glória. Jesus na ressurreição é colocado no seu lugar apropriado de glória, vindicado. O que significa que nossa união com ele nos coloca lá também. Então sem o movimento de ressurreição não teríamos vida, não estaríamos lá também: pois todo o processo de encarnação, morte e ressurreição são ancorados no fato de que nós estamos em Cristo, e esse ato de estar em união com Cristo nos faz perceber que porque Jesus reina, porque Jesus está vivo, nós também estamos vivos, e também reinaremos, e também seremos salvos da ira vindoura.

O processo de justificação é garantido pela morte (ênfase no presente) e ressurreição (ênfase no futuro). O nosso andar com Deus e o final no último Dia também são garantidos pois Jesus fez a obra necessária para que eu passasse no juízo final. No juízo final, quando ressuscitarmos e/ou sermos transformados com corpos glorificados, esse já será o ato de julgamento de Deus, só que o que nos garante que seremos transformados e/ou ressuscitados, passar por esse julgamento, é justamente que Jesus ao ressuscitar já nos representou no julgamento final de forma antecipada por meio dessa ressurreição. O ato dele ir à frente, como representando todos nós, e seu ato de justiça ao ressuscitar, sua pureza, quem ele é, já garante que na nossa ressurreição já seremos ressuscitados para entrar no reino eterno do Senhor por causa da sua ressurreição.

Esse é o olhar escatológico da ressurreição, e a relação da justificação com a ressurreição."

Seminário Teológico Jonathan Edwards (2026).

Aprimorado: 4.1.3 A Cruz: Reconciliação, Satisfação da Justiça Divina e a Questão da Nova Criação (22-fev 23h)

Aprimorado 22-fev 23h. Além disso, a questão da nova criação é importante e vale falar sobre ela.

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/22-fev-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file


4.1.3 A Cruz: Reconciliação, Satisfação da Justiça Divina e a Questão da Nova Criação

Introdução

Deixo a introdução dessa importante seção com a mensagem da música “Se Isso Não For Amor” de Mariana Valadão:

 

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira
Que deu o Seu Filho Unigênito
Para que todo aquele que n'Ele crê não pereça
Mas tenha a vida eterna

Esta é a realidade maior do amor de Deus
Ele prova o Seu amor para conosco
Em que Cristo morreu por nós
Sendo nós ainda pecadores

Nós os seres humanos
Conhecemos o amor apenas através de condições
Amamos quando
Amamos se
Amamos porque

Mas o amor de Deus
É esse amor incondicional
Ele não nos ama por causa de nossos valores
Ou méritos
Ele escolheu nos amar
É esta a realidade do amor do Senhor
E só podemos conhecer toda a extensão desse amor
Toda a profundidade, toda largura
Toda a altura
Somente quando olhamos para a cruz
Ao contemplarmos o Calvário
Ao vermos ali a realidade
Do amor de Deus “sendo encarnado”
Se dando, se oferecendo
Para que pudéssemos ter a vida eterna

Só a cruz! Somente ela!
E somente através do sangue que foi derramado ali
É que podemos experimentar
Toda a realidade do amor de Deus

Ele escolheu nos amar
Ele escolheu nos amar
Ele escolheu nos amar de tal maneira

Que deu Seu Filho
Isto é que é verdadeiro
E eterno amor!”

 

Doutrina e Base Bíblica

Efésios 2:13-16 Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe [como os gentios, povos distantes, perdidos e longe da salvação que veio dos judeus], já pelo sangue de Cristo chegastes perto. 14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos [judeus e gentios] fez um [trouxe-nos a união e igualdade pelo Sangue]; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, 15 Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos [lei mosaica], que consistia em ordenanças [mandamentos que ninguém conseguia obedecer plenamente], para criar em si mesmo dos dois [judeus e gentios, circuncisão e incircuncisão] um novo homem [nascido de novo, pela fé], fazendo a paz, 16 E pela cruz [meio que Deus escolheu] reconciliar ambos com Deus em um corpo [corpo de Cristo, Igreja], matando com ela as inimizades [matou com a cruz tudo o que era contrário a nós].

À luz desse princípio, podemos aplicar na nossa vida o fato de que todos os homens têm alguma separação, ou até inimizade entre eles: alguns são separados por faixa etária, outros por desigualdade social; outros, por renda; outros, por povo, raça (embora só exista uma, a raça humana), origem, sexo; outrora tínhamos escravos e livres; ainda, judeus e gentios, sábios e tolos, mas pela cruz Jesus reconciliou todos os que creem em Cristo com Deus, sem acepção de pessoas, em seu corpo, a Igreja, chamada de Corpo de Cristo, e, por meio dessa reconciliação com Deus e união com Cristo, eles recebem paz com Deus o que elimina pela cruz também todas as separações e contendas entre as pessoas! Somos todos nascidos de novo, membros do corpo de Cristo. Então, com essa consciência, por que você briga com o seu próximo? Jesus pagou o preço por esse pecado também! Por que você briga com seu irmão na fé? Cristo morreu por ele também! Se Jesus acabou com as inimizades, preconceitos e contendas na cruz, que andemos em Espírito, obediência, santidade e amor!

 

Reconciliou todas as coisas

Colossenses 1:20 E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.

Como dito, Jesus nos trouxe, através da cruz, do seu sacrifício por nós, a paz de Deus, e assim reconciliados estamos com Deus Pai (Rm 5.1)! O Senhor Jesus também nos dá a Sua paz (Jo 14.27), a paz que vence o mundo! E o Espírito Santo produz em nós o fruto do Espírito com paz (Gl 5.22).

Cristo não só reconciliou os homens com Deus, mas reconciliou com Ele mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus:

Assim como a queda de Adão trouxe morte e separação entre Deus e os homens, trouxe também corrupção universal da criação. Usando esse raciocínio, uma inferência possível é usada por criacionistas, que dizem que houve separação entre o homem e os animais (ficaram carnívoros e selvagens após a queda, pois antes eram mansos e herbívoros segundo Gn 1.29,30), maldição na natureza (ervas daninhas), além de morte no cosmo, como as estrelas que “morrem”, e pela cruz de Cristo Ele reconciliou consigo mesmo todas as coisas, homens, animais, natureza e os cosmos!

E obviamente também sujeitou todos os tronos e potestades angelicais sob seu domínio.

E olhe que a graça de Cristo é infinitamente superior do que a queda de Adão. Se o que Adão fez já trouxe todo esse mal, imagine o que a graça de Cristo, muito superior [1], vai trazer de glória [2] na Sua vinda (Romanos 5.17 Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais [1] os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida [2] por um só, Jesus Cristo)!

O homem regenerado já está reconciliado com Deus, e a sua imagem se tornará plenamente conforme à de Cristo somente no céu, e não nesta terra. Continuando com a inferência possível de Col. 1.20 baseado em Gênesis 1-3 pela lente criacionista jovem, os animais ainda são carnívoros, e ainda existem plantas venenosas e ervas daninhas, mas, quando a Palavra do Senhor se cumprir e vier o estado eterno, os animais serão novamente mansos, herbívoros (isto é, estado originalmente pacífico antes da queda), e não haverá mais maldição nem na natureza com ervas daninhas, espinheiros e plantas venenosas (Isaías 65:17,25a: Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra... [e, nos novos céus e nova terra (contexto),] O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi), nem haverá mais destruição no universo.

O que fazer? Se o homem já está reconciliado com Deus, ora, além de amar o próximo, também cuide da criação que Deus fez, sabendo que Deus tem cuidado até dos animais (Não hei de eu ter compaixão de Nínive ... e também muitos animais? Jonas 4.11). Compreenda e enxergue as coisas pela cosmovisão bíblica “criação-queda-redenção-consumação”!

 

Esclarecimento sobre a Cruz e a Reconciliação

Devo colocar um esclarecimento de que, na realidade, a cruz garante sim a reconciliação de todas as coisas. Entretanto, exceto a reconciliação Deus-homem (do homem com Deus) já realizada em Cristo formando um povo santo, que é a Igreja (que já faz parte da nova criação segundo 2Co 5.17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” e Ef 2.15: “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem.”), a reconciliação e a nova criação serão de fato consumadas e efetivadas somente após a vinda de Jesus, quando recebermos corpos glorificados, quando estes céus e terra vão fugir da presença daquele que está assentado no trono (Ap 20.11)! Ainda que a humanidade redimida seja parte da nova criação, o impacto dessa humanidade redimida (Igreja) no mundo, embora seja real e significativo, é limitado na criação caída, não culminando historicamente em um final dos tempos de paz e prosperidade antes da vinda do Senhor, e assim o que quero transmitir é que os últimos tempos antes da vinda do Senhor serão de trevas conforme as profecias de apostasia dos últimos tempos registradas no Novo Testamento. Não existe nas Escrituras transição gradual desse céu e terra (Universo) para o Paraíso! A transição desta ordem criada para o novo céu e a nova terra será feita pelo próprio poder de Deus na vinda do Senhor Jesus a esta terra, especialmente após o juízo!

 

Cl 2.14 Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.

Sim, isto fala da lei mosaica, com suas ordenanças, porém, como Cristo reconciliou-nos com Deus pela cruz, tudo o que Deus tinha contra você, os seus muitos pecados e seu passado sujo, quando você foi vivificado (recebeu vida) por Cristo, quando foi perdoado das suas ofensas e pecados, tudo o que Deus tinha contra você foi cravado na Cruz! Deus “esqueceu” o teu passado mau! Deus “não se lembra” dos seus pecados (Hb 8.12; 10.17), foram cravados na cruz! É passado! Viva o presente e o futuro revestido de uma roupa limpa, branca, pura e resplandecente, de linho fino (que são as justiças dos santos cf. Ap 19.8). Obrigado, Senhor pela cruz!

Obrigado Senhor, que você se fez pecado (2Co 5.21) e maldição (Gl 3.13 cf. Dt 21.22,23) por nós!

 

Como Cristo se fez maldição por nós?

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro). Gálatas 3.13

Deus propôs [a Cristo], no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos. Romanos 3.25

Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. 1 João 4.10

Se Deus não fosse justo, não haveria exigência para o sofrimento e a morte de seu Filho. E se Deus não fosse amoroso, não haveria disposição do Filho de sofrer e morrer. Mas Deus é justo e amoroso. Assim, seu amor se dispõe a cumprir as exigências de sua justiça.

A lei de Deus exige: “Amarás… o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6.5). Porém, todos temos amado mais a outras coisas. O pecado é isso — desonrar a Deus pela preferência de outras coisas, e agir com base nessas preferências. Assim, diz a Bíblia que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Nós glorificamos aquilo em que mais temos prazer. E não é Deus.

Sendo assim, o pecado não é algo pequeno, porque não é uma falta contra um pequeno suserano [senhor feudal]. A seriedade do insulto aumenta com a dignidade daquele que é insultado. O Criador do universo é infinitamente digno de respeito, admiração e lealdade. Sendo assim, deixar de amá-lo não é trivial — é uma traição. Difama a Deus e destrói a felicidade humana.

Como Deus é justo, ele não varre esses crimes para debaixo do tapete do universo. Ele tem ira santa contra eles. Merecem a punição e isso fica muito claro “porque o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4).

Existe uma santa maldição pairando sobre todo o pecado. Não punir seria injustiça. Seria endossar o desmerecimento de Deus. Uma mentira estaria reinando sobre o cerne da realidade. Assim, Deus disse: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Gl 3.10; Dt 27.26).

Mas o amor de Deus não descansa com a maldição que paira sobre toda a humanidade pecaminosa. Ele não se contenta em demonstrar a ira, por mais santa que seja. Assim, Deus envia seu próprio Filho para absorver a sua ira e carregar a maldição no lugar de todos quantos nele confiam. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (GI 3.13).

É esse o significado da palavra “propiciação” no texto acima citado (Rm 3.25). Refere-se à remoção da ira de Deus por prover um substituto. O próprio Deus oferece o substituto. Jesus Cristo não apenas cancela a ira; ele absorve-a e desvia-a de nós para si mesmo. A ira de Deus é justa, e foi executada, não retirada.

Não podemos brincar com Deus ou deixar por menos o seu amor. Jamais estaremos diante de Deus maravilhados por sermos por ele amados até que reconheçamos a seriedade de nosso pecado e a justiça de sua ira contra nós. Mas quando, pela graça, acordamos para nossa própria indignidade, podemos olhar o sofrimento e a morte de Cristo e dizer: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10).Piper, John (2023).

Seção 2.4.1 Linguagem Bíblica versus Linguagem Teológica (22/fev/26)

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/22-fev-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file

Graça e Paz, aqui é o Roberto. Arquivo acima.

Não sei como, mas me lembrei que não expliquei o motivo de eu alternar nove vezes no livro entre linguagem bíblica e teológica. Portanto, eis aí seção nova.

Data da versão agora na contracapa.


2.4.1 Linguagem Bíblica versus Linguagem Teológica

Ao longo da obra utilizo a expressão “linguagem bíblica” (até o momento, nove vezes no corpo do texto), distinguindo conscientemente entre formulações bíblicas diretas (linguagem bíblica crua sem interpretação), muitas vezes faladas por Jesus, e construções teológicas sistemáticas posteriores.

Por exemplo, às vezes uso certas expressões bíblicas lado a lado com a construção lógica-sistemática para chegar mais perto da Palavra com a teologia, e não me distanciar muito nesta obra com a sistematização do estilo de linguagem usado na Bíblia, especialmente por Jesus.

Tais expressões em aspas coloco como “linguagem bíblica”: 1. “A pessoa crê...” (mas sabe-se que a fé vem do Autor da fé, pela Palavra); 2. “Aceitar a graça de Deus” (sabendo que é Cristo pelo Espírito que nos chama e convence, que nos aceita); 3. “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (sabendo que o perseverar ou ser preservado não é feito nem mérito nosso); 4. “Aquele que renuncia tudo o que Jesus pede, toma a cruz, não resiste ao Espírito Santo, nega a si mesmo... é salvo” (mas, como a Escritura diz que todo bem vem de Deus, e como a salvação é um bem de Deus – dádiva divina –, o não renunciar, o tomar a cruz, negar a si mesmo e não resistir ao Espírito em si também são operações da graça de Deus); 5. “Aquele que não tampa os ouvidos à Palavra e não resiste ao Espírito que o chama será salvo” (linguagem bíblica também, pois não somos salvos por não resistir a Deus, mas pela graça, pela fé e por Jesus, pelo Cristo que a Escritura e o Espírito testificam, pois Ele é o Salvador, e é não meu não resistir que define minha salvação, nem meu livre-arbítrio que escolhe ao Senhor).; 6. “Aquele que rejeita a Palavra não recebe a salvação” (isso é retirado diretamente de parábolas, como a do semeador: semente que não deu fruto etc.). Espero que esteja claro.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

3.6.1 A Simplicidade de Deus e o Amor como Essência de Deus (nova seção)

Paz! Atualizado!

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/21-fev-26+Teologia+Sistemática+Interdenominacional.pdf/file

3.6.1 A Simplicidade de Deus e o Amor como Essência de Deus

Continuando a seção “3.4.1: A Trindade: Esclarecimentos Adicionais”, como a essência de Deus (essência divina) é simples – há uma unidade indivisível em Deus – ou seja, há um Deus, então quando o Pai eternamente gerou o Filho e do Pai eternamente procedeu o Espírito a essência divina não se multiplicou em três (o que seria três deuses), mas permanece uma essência divina indivisível (isto é ser simples) – um Deus em três Pessoas Divinas, a Trindade Cristã, Bíblica.

Baseado na seção anterior, “3.6 Deus é Amor”, eu faço leve divisão conceitual entre a essência divina de “Deus” (Deus em si mesmo), e a “essência” de Deus como “amor”: esta última, notação de Stanley Grenz na seção 3.6, significa que o amor descreve a forma natural e eterna do agir divino, que é proposto por ele como sendo um atributo fundamental em Deus em termos de essência (ou caráter). Por isso eu não adoto o conceito clássico da simplicidade divina em seu sentido mais forte, de que todos os atributos em Deus são iguais.

O que é admitido nessa teologia sistemática:

1.       1. Deus é o Ser absoluto;

2.       2. Amor é o caráter absoluto do Ser.

Ou seja,

1.       1. Deus não é composto, é simples: um Deus;

2.       2. Mas o ser de Deus tem centralidade (valor central) no amor: a essência de Deus é eternamente expressa como Amor, ou, em linguagem simples: Deus é Amor.

 

4.1.1 Cristo é Eternamente Gerado do Pai? Gerado ou Criado? A Simplicidade de Deus

Daqui a algumas horas corrigirei no PDF o ter pelo receber nessa frase abaixo: "Então ser gerado significa "ter" (ter está errado, é receber) receber a mesma natureza de quem gera."

Graça e paz! Aprimorado 21-fev-26 14h30, horário de Brasília

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/21-fev-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file

4.1.1 Cristo é Eternamente Gerado do Pai? Gerado ou Criado? A Simplicidade de Deus

Continuando a seção “3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais”, eis que há inovações teológicas e filosóficas boas, e inovações danosas à fé. Dois ou três teólogos que respeito negam a geração eterna do Filho pelo Pai na eternidade, falando que: 1. Jesus foi gerado no seu nascimento (O Espírito Santo gerou Jesus pela concepção / encarnação no ventre de Maria); 2. Hb 1.5,6 cf. Sl 2.7, Jesus foi gerado na ressurreição (gerado no sentido de coroado pelo Pai como Rei).

Ainda que esses raciocínios são válidos, por exemplo, saber que Hebreus 1.5,6 foi baseado no Salmo 2, salmo messiânico, no qual fala-se de que Cristo foi ungido Rei, e, de fato, isso é verdade. Isso não quer dizer que, em primeiro lugar, o autor de Hebreus se limita ao significado do Salmo 2 (gerado = coroado), mas o autor de Hebreus pode ter dado um significado mais pleno (releitura cristológica inspirada) ao do Salmo, visto que o profeta que escreveu o Salmo 2 escreveu sem entender como aquilo ocorreria, e talvez até sem compreender a plenitude do que escrevia.

O Credo Niceno, os Credos Primitivos, a grande maioria dos Pais, a grande maioria dos teólogos antigos, a grande maioria dos Reformadores e a grande maioria dos teólogos conservadores de todos os séculos do Cristianismo defendem a geração eterna do Filho.

Mas uma minoria de teólogos nos últimos séculos (especialmente no século vinte), dos quais muitos não enxergam que a geração eterna do Filho está implícita na Bíblia, mas procuram textos claríssimos e explícitos para eles (que não acharam), que talvez não compreendam como se formou o conceito de geração eterna do Pai ao Filho, enfraquecem a Trindade revelada nas Escrituras – que não é mero conceito lógico, mas verdade revelada em Deus – e defendida pelos Pais.

A geração eterna não é baseada em um único texto explícito, mas é baseada em todo o Cânon revelado e inspirado, em passagens que fala das relações intratrinitarianas.

Por exemplo: Hebreus 1 realmente fala da coroação do Filho:

Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem. E, em verdade quanto aos anjos, diz: Que faz dos seus anjos espíritos, e de seus ministros labareda de fogo. Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do teu reino. (Hebreus 1:5-8).

Mas, se a relação de Hebreus 1 (Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito) fosse só relacional, e só a partir da concepção de Cristo, significa que Cristo seria só Filho – e Deus seria só Pai – após a encarnação. Este último raciocínio (espúrio) leva a crer que Deus Pai não era Pai de Jesus Cristo antes de Cristo ser gerado (acima: “introduz no mundo”), mas só Deus (e não Pai) de Jesus, como disse Armínio na seção 3.4.1. E não haveria distinção entre as Pessoas da Trindade antes da encarnação (ou as pessoas se confundem ou haveria três deuses! – heresias dos primeiros séculos do cristianismo!), e Deus teria mudado, e não seria imutável, portanto é incompatível com a ortodoxia cristã e teológica.

Contrariando isso, o trecho acima de Hb 1 diz: (“introduz no mundo o primogênito”), querendo dizer, contrariando o raciocínio dos teólogos que não creem que Jesus é eternamente gerado do Pai, que Jesus já era primogênito antes da encarnação: veja, acima, o “primogênito (eterno) foi introduzido ao mundo”. Concorda com isso Gálatas 4.4 (Deus enviou seu Filho) – já era Filho antes de ser enviado!

Isso leva a entender que o trecho de Hebreus, quando diz: “Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho” é desde a eternidade, ou seja, o Pai sempre foi Pai, o Filho sempre foi Filho, o Pai é Pai porque gera, o Filho é Filho porque é gerado, assim como os Pais escreveram, invalidando o conceito moderno de que Hebreus 1 só fala de gerado como coroado, e que não poderia sequer implicitamente falar da geração eterna do Filho!

A própria Trindade se distingue pela paternidade do Pai, filiação do Filho, e processão do Espírito conforme está explicitamente na Escritura!

 

Vejamos versículos paralelos da Escritura:

João 5.26: “Assim como o Pai tem vida em si mesmo, concedeu ao Filho ter vida em si mesmo”. Isso é historicamente entendido como comunicação eterna de vida!

João 1.18 “o Filho unigênito, que está no seio do Pai”: o Filho está – não começou a estar – no seio do Pai, é uma relação contínua, uma intimidade eterna!

João 1: “O Logos” é eternamente o Verbo ou a Palavra; Hb 1:3: “Jesus é a expressão exata do ser de Deus (NVI)”, portanto a origem dessa relação é eterna! Jesus é luz de luz, Deus de Deus, mesma natureza do Pai, com relação distinta!

João 17.5 E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.

João 17.24 Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.

A relação Pai-Filho precede a criação. Portanto, para leitores menos entendidos em teologia, vou deixar mais claro: como um filho é filho? Através de geração. Deus muda? Não, então a geração é eterna, é eternamente gerado.

1Jo 5.1b “...e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido.” Pode significar que todo aquele que ama o Pai, ama o Filho!

1 João 2:23 Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.


Gerado ou Criado? A Simplicidade de Deus

O que significa ser gerado? Em primeiro lugar, João 3.16 fala que Jesus é o unigênito do Pai, o único gerado. Então ser gerado significa receber a mesma natureza de quem gera. O Pai sendo Deus eterno, o Filho, gerado, é Deus eterno. Um ser humano que gera outro gera um ser humano finito, temporal, com início (o que foi gerado é semelhante em natureza ao que o gerou). Mas Deus gera Deus, luz de luz. Nós, seres humanos, não somos gerados por natureza por Deus, mas criados por Deus. Por isso mesmo somos adotados em sua família. Ser humano criado não compartilha da mesma essência de Deus, somos criaturas, filhos por adoção em Jesus Cristo, o Filho de Deus. Deus criou os céus e a terra, os homens e os anjos etc., e essa criação teve início. O Pai não tem início, então logicamente o Filho não teve início – portanto, não é criado, mas gerado (e isso não diz que o Filho teve início!). Se alguém negar a geração eterna do Filho, nega (pelo menos historicamente) a eternidade e a divindade do Filho. Deus é eterno, atemporal, está num presente contínuo. O Pai é eterno, e gera Deus eterno, no caso, Deus Filho. Como a essência de Deus (essência divina) é simples, e não é divisível, ou seja, há um Deus, quando o Pai eternamente gerou o Filho e do Pai eternamente procedeu o Espírito a essência divina não se multiplicou em três (o que seria três deuses), mas permanece uma essência divina – simples - um Deus em três Pessoas Divinas, a Trindade Cristã, Bíblica.


Concluímos que:

1.      1. O Filho é Filho eterno (sempre foi Filho);

2.       2. O Pai é Pai eterno;

3.      3. O Filho é eternamente gerado do Pai (não no tempo, mas na eternidade);

4.      4. Deus é imutável, portanto essa relação é eterna;

5.     5. E isso não só na encarnação ou na ressurreição!

6.       Tal é demonstrado pelas Sagradas Escrituras, como dizem os Credos Primitivos e, mais recentemente, como diz a Confissão de Fé de Westminster. E por este livro.

Atanásio: Nunca houve tempo nem pensamento “quando Ele não era”. Wedgeworth, Steven. Athanasius on the Simple God And Eternal Generation. The Gospel Coalition (2020).

Amém.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Aprimoramento no raciocínio (19-2-25 7h20)

Graça e paz a todos!

Mesmo link (atualizado 19-fev-25 7h20):

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/18-fev-26+Teologia+Sistemática+Interdenominacional.pdf/file

Sumário atualizado (coloquei: União com Cristo em 10.4, Ordo Salutis em 10.7, O Problema do Mal em 13.9 etc.).

Maior atualizaçao:

13.9 Conclusão: A Soberania de Deus e “o Problema do Mal”

Na conclusão deste capítulo cito Norman Geisler:

“Apesar de a liberdade ser boa em si mesma, ela também proporcionou o potencial para fazermos o mal. Assim, o livre-arbítrio tornou possível o mal. Porém, apesar de Deus ser responsável pela liberdade (o qual tornou possível o surgimento do mal), as criaturas livres são, por si mesmas (por exemplo, “Lúcifer” e Adão), responsáveis pelos seus atos de liberdade (os quais tornam o mal algo real). Deus deu às criaturas livres o poder de escolher, e em vez de escolher obedecer a Deus e seguir o bem, [algumas delas] desobedeceram e utilizaram a liberdade de escolha para dar vazão ao pecado. Como vemos, o mal surgiu do livre-arbítrio das boas criaturas que Deus havia criado.” [Geisler, Norman, Teologia Sistemática, 2010, vol. 2, p. 81].

Deus é Soberano. Tudo Ele pode fazer, e Ele é por Natureza perfeitamente Bom. Consequentemente só faz coisas boas. Deus, eterno e incriado, criou todas as coisas visíveis e invisíveis, mas com anjos e homens criou o potencial de escolha para o mal (Deus requer amor voluntário, lembre-se, amor forçado não é amor), que por si mesmo é uma coisa boa, pois tudo o que Deus faz é perfeito. Com esse potencial, ou seja, livre-arbítrio dos anjos e de Adão e Eva, pôde e pode realmente testar os corações na sua presença. Deus permitiu a queda de Satanás com seus anjos, de onde originou-se o mal, mas nisso Deus teve um propósito. Deus criou o homem reto, mas, assim como o adversário (que também foi criado perfeito), pecou e trouxe o mal à humanidade, à natureza e ao mundo. Não foi Deus que desejou que Satanás e que o homem pecassem, isto é, Deus não desejou os atos maus (Deus é luz, não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta), mas Deus teve um propósito nisso. Satanás e seus anjos, Adão e Eva, pelos seus pecados receberam a morte, mas Deus o permitiu para algo maior. Com esse cenário montado, num mundo regido sob as leis de Deus, ele exaltou a Cristo Jesus dentre a humanidade a um patamar em honra mais elevado que os homens e do que os anjos, pois é Deus. Nele fez um meio de salvação, pelo seu sangue. Deus, neste cenário, desde a eternidade, já ‘conhecia’ a todos os seres humanos futuros e sabia o que estaria no íntimo deles (para que os seres humanos ficassem inescusáveis e para que a eleição fosse imparcial), não limitamos o poder, conhecimento, onisciência e presciência de Deus, que por graça, conhecendo a todos segundo sua onisciência, elegeu alguns desses (conhecidos, estes sim, de modo íntimo e salvífico por Jesus desde a fundação do mundo) aos quais decidiu se revelar segundo Seus critérios ou condições não revelados (ou modo/razão não revelados a nós), pois na Mente de Deus existe um fundamento real para a eleição não revelado na Escritura, isto é, há em Deus um fundamento conhecido somente por Ele, fruto do seu conselho sábio e justo de modo que, logicamente, não é arbitrária nem aleatória que é pela Graça somente, por Cristo somente, pela Palavra somente, através do Espírito Santo, pela providência de Deus Pai, que sabe, forma o futuro e já está lá.

Logo Deus finalizará o seu trabalho, chegando à conclusão (ou, claro, novo recomeço!), isto é, eternidade. A queda trouxe morte, sofrimento e pecado a nós. Quem pecou primeiramente foi Adão, e nós somos responsáveis pelos nossos pecados no mundo com a liberdade que Deus deu. Mas, nesse cenário de morte, doenças e tristeza, Deus tem um propósito de fazer uma colheita, de separar as ovelhas e os bodes, o trigo e o joio pelo Seu poder. Nesse cenário de morte e pecado, também existe a Graça e o Amor de Deus. Neste cenário de luto, também existe a vida de Cristo em nós pelo Espírito. Neste cenário de tristeza, existe esperança, e alegria com o nascimento de mais um bebê, alegria ao contemplar os pássaros nas árvores, ao contemplar a lua cheia, ao contemplar uma linda flor. O bebê pode chegar a morrer, mas viverá para Deus. Se viver, ainda que se morrer idoso, estando no Senhor, sua vida inteira estará repleta de alegria e superação. Os pássaros podem perecer, mas não cai um passarinho por terra sem que seja a vontade do Pai. Essa vida engloba morte, mas há nela muita vida, linda vida, vida vinda da mão de Deus, cuja vontade é boa, perfeita e agradável. Deus permite essa vida com provações, e cada um é responsável pelas escolhas e pelo mal que faz: o que o homem semear, isto colherá. Nem todos os pensamentos, motivações e intenções do coração são decretados por Deus, mas no Seu mundo vivemos e existimos, com suas leis e a liberdade recebida. Liberdade de escolha limitada, sim, mas real. Deus permitiu a queda, mas com isso tinha o propósito principal de exaltar a Cristo e trazer o perdão e a reconciliação. Deus permitiu que o mal e o pecado entrassem no mundo, mas Deus é o único que, mesmo sendo Bom, está acima do nosso bem e do nosso mal. Permitiu a queda e criou o potencial para o mal, mas não autor deles. O fim de todas essas coisas na vida dos que amam a Deus é viver em sua vida toda a própria vontade do Senhor Deus, pois todas as coisas, boas e ruins, fáceis e difíceis, belas e feias, vida e morte, paz e guerra cooperam para o bem dos que amam a Deus. Deus está no controle! Ele usa o bem e o mal como quer, pois rege a criação, o seu reino está sobre tudo, e Ele está acima do nosso bem e do nosso mal, e permanece assim sem se contaminar, mas para que só as sementes boas fiquem na peneira através desse teste e sofrimento que às vezes é esta vida. Deus reina sobre toda a sua vida! Até Satanás teve que pedir permissão a Deus para tocar Jó. O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo (Salmo 103.19). Agora, descanse no Senhor se você ama a Deus e permanece fiel no seu caminho, sendo chamado segundo o Seu propósito, que não é simplesmente glorificar todos os eleitos de Deus em Cristo segundo a presciência de Deus Pai, mas, conforme Romanos 8.28-29 (E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque [o apóstolo aqui explica o propósito divino] os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos) e Gênesis 1.27 (E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou), o propósito último de Deus (assim como era no Éden, pois o propósito não foi frustrado) é ter uma família com filhos como Jesus, o que é alcançado em parte já na terra após a justificação e pela santificação, e em plenitude apenas na glorificação. Assim, tal propósito diz que ser salvo não é o fim último da humanidade, não é o objetivo final do ser humano, mas sim ser como Jesus, ser uma família em que Jesus é o irmão mais velho de todos os eleitos e na qual todos são como Ele (respeitando, claro, a personalidade de cada um), portanto não devemos nos contentar em apenas sermos justificados, mas devemos imitá-lo sempre, começando em vida, ou seja, fazer, como Cristo fez em vida, tudo à glória de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. A vida daquele que é fiel é a vontade do Senhor, Soberano sobre o bem e o mal, que é o Eu Sou, ser Absoluto e Subsistente, que está, como o tempo é relativo e criação de Deus, no passado, presente e futuro ao mesmo tempo! Deus é DEUS. Isaías 55:8,9 Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Exaltação ao Senhor

Glória a Deus, o eterno, o único, acima de toda teologia, filosofia, física e ciência! Acima de toda lógica! Acima do intelecto, pensamento, imaginação e feitos de toda humanidade passada, presente e futura! Infinitamente acima dos computadores quânticos e da inteligência artificial! Acima de toda Terra! Acima de toda vida! É o doador da vida! Está acima de todo Universo! Acima de todos os anjos! Acima de todos os tronos! Acima de todo o Paraíso! Os céus/Universo refletem a glória de Deus, e o homem nem chegou a saber o que há em toda sua extensão! Deus é o infinito, o exaltado, o TODO-PODEROSO! Nada é impossível para Deus! Deus dá a vida e tira a vida! Leva à sepultura e faz subir dela! Enriquece e empobrece! Ele está acima das guerras humanas, Ele é o Senhor dos Exércitos!

Ele rege e peleja com justiça! O Senhor é o que pisa o lagar da ira e do furor do Deus Todo-Poderoso!

Ele é Deus, Pai, Filho, Espírito Santo! É Amor e Santo, Santo, Santo! É bondoso com quem quer e severo com quem merece! É imparcial! É Justo! É Fiel!

Quem compreendeu a mente do Senhor? Ele está acima da nossa realidade! Ele é a própria realidade absoluta! Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida! Ele é o Salvador, Criador, Sustentador, Planejador, Rei Supremo!

Ele é o EU SOU! É aquele que É! Que abriu o mar vermelho, que faz o monte fumegar, que fez a virgem ficar grávida de Jesus! Que encarnou e entrou na nossa realidade, assumindo a humanidade como nós!

Ele é Aquele que conhece teu sofrimento! É aquele que viveu por nós, que sofreu e morreu em nosso lugar! O amigo que dá a vida pelos outros! O Cordeiro cujo sacrifício é perfeito, único, celeste, vicário e cabal! É aquele mais sublime que os céus!

Não podemos alcança-lo, mas é Ele quem se revela por bondade!

Sua Palavra é a Verdade! A Palavra de Deus é infinita, é viva e eficaz!

Aleluia!

Rm 11.33 Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!

34 Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?

35 Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?

36 Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. (Romanos 11:3-36 acf)


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Complementação futura 2 à Teologia Sistemática (aprimorado 18-fev 16h30)

Graça e paz
Voltando com... Lucas 14 melhorado!

26 Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo [verdadeiro, colchetes meus].
27 E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo.
28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?
29 Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele,
30 Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.
31 Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?
32 De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.
33 Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo. (Lucas 14:26-33 acf)

Lucas 14 ensina que ninguém que não deixou tudo pode ser discípulo verdadeiro e fiel de Jesus. Mas isso pode ser entendido que, conforme a linguagem da parábola, Deus, Aquele que deu a própria exigência para o discipulado e Aquele que chama os homens, capacitando-os para serem discípulos, faz as contas desde a eternidade se a pessoa pela graça deixou ou renunciou tudo o que Ele pediu (o equivalente a ter dinheiro suficiente para construir aquela torre até a conclusão, ou se tomou conselho se com um exército de 10 mil guerreiros vence um de 20 mil), e só essas pessoas que amaram Jesus mais do que pai, mãe etc., levaram a cruz, serão discípulos de Jesus. E um verdadeiro discípulo, fiel e temente a Deus, é sinônimo de um salvo. E todo aquele que, pela graça, segundo a linguagem bíblica crua, renunciou tudo o que Deus pede (v.33) vai perseverar até o fim e alcançar a glorificação (que é equivalente, conforme a parábola, ao fato do exército de 10 mil vencer o de 20 mil, e ao fato da torre ser construída). E Deus, o Rei e arquiteto da parábola (Senhor dos Exércitos e Edificador da Obra), não será escarnecido (cf. Romanos 2.24: “Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa.”). Assim, todos que serão salvos, aqueles que não resistirão ao contato da Palavra de Deus, que serão ou estão sendo constrangidos em seu livre-arbítrio pelo Espírito, estes receberão fé salvadora pela Palavra e pelo testemunho de Cristo, pois renunciarão a tudo o que Cristo pedir, levarão a cruz e serão justificados (isto é, serão discípulos fiéis e bons mordomos) e, baseado também nessa parábola, todos os justificados serão glorificados, ou seja, a Obra de Deus na vida dos discípulos, dos salvos, será completada (conforme v. 30), ecoando Romanos 8.28-30. Amém.