Aprimorado 22-fev 23h. Além disso, a questão da nova criação é importante e vale falar sobre ela.
https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/22-fev-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file
4.1.3 A Cruz: Reconciliação, Satisfação da Justiça
Divina e a Questão da Nova Criação
Introdução
Deixo a introdução dessa
importante seção com a mensagem da música “Se Isso Não For Amor” de Mariana
Valadão:
“Porque
Deus amou o mundo de tal maneira
Que deu o Seu Filho Unigênito
Para que todo aquele que n'Ele crê não pereça
Mas tenha a vida eterna
Esta
é a realidade maior do amor de Deus
Ele prova o Seu amor para conosco
Em que Cristo morreu por nós
Sendo nós ainda pecadores
Nós
os seres humanos
Conhecemos o amor apenas através de condições
Amamos quando
Amamos se
Amamos porque
Mas
o amor de Deus
É esse amor incondicional
Ele não nos ama por causa de nossos valores
Ou méritos
Ele escolheu nos amar
É esta a realidade do amor do
Senhor E só podemos conhecer toda a extensão desse amor
Toda a profundidade, toda largura
Toda a altura
Somente quando olhamos para a cruz
Ao contemplarmos o Calvário
Ao vermos ali a realidade
Do amor de Deus “sendo encarnado”
Se dando, se oferecendo
Para que pudéssemos ter a vida eterna
Só
a cruz! Somente ela!
E somente através do sangue que foi derramado ali
É que podemos experimentar
Toda a realidade do amor de Deus
Ele
escolheu nos amar
Ele escolheu nos amar
Ele escolheu nos amar de tal maneira
Que
deu Seu Filho
Isto é que é verdadeiro
E eterno amor!”
Doutrina e Base Bíblica
Efésios
2:13-16 Mas agora em Cristo Jesus, vós, que
antes estáveis longe [como os gentios, povos distantes, perdidos e longe da
salvação que veio dos judeus], já pelo sangue de Cristo chegastes perto. 14 Porque
ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos [judeus e gentios] fez um [trouxe-nos
a união e igualdade pelo Sangue]; e, derrubando a parede de separação que
estava no meio, 15 Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos
mandamentos [lei mosaica], que consistia em ordenanças [mandamentos
que ninguém conseguia obedecer plenamente], para criar em si mesmo dos dois [judeus
e gentios, circuncisão e incircuncisão] um novo homem [nascido de novo,
pela fé], fazendo a paz, 16 E pela cruz [meio que Deus escolheu] reconciliar
ambos com Deus em um corpo [corpo de Cristo, Igreja], matando com ela as
inimizades [matou com a cruz tudo o que era contrário a nós].
À luz desse princípio, podemos
aplicar na nossa vida o fato de que todos os homens têm alguma separação, ou até
inimizade entre eles: alguns são separados por faixa etária, outros por
desigualdade social; outros, por renda; outros, por povo, raça (embora só
exista uma, a raça humana), origem, sexo; outrora tínhamos escravos e livres; ainda,
judeus e gentios, sábios e tolos, mas pela cruz Jesus reconciliou todos os que
creem em Cristo com Deus, sem acepção de pessoas, em seu corpo, a Igreja, chamada
de Corpo de Cristo, e, por meio dessa reconciliação com Deus e união com
Cristo, eles recebem paz com Deus o que elimina pela cruz também todas as
separações e contendas entre as pessoas! Somos todos nascidos de novo, membros
do corpo de Cristo. Então, com essa consciência, por que você briga com o seu
próximo? Jesus pagou o preço por esse pecado também! Por que você briga com seu
irmão na fé? Cristo morreu por ele também! Se Jesus acabou com as inimizades,
preconceitos e contendas na cruz, que andemos em Espírito, obediência,
santidade e amor!
Reconciliou todas as coisas
Colossenses 1:20 E que,
havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele
reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como
as que estão nos céus.
Como dito, Jesus nos trouxe,
através da cruz, do seu sacrifício por nós, a paz de Deus, e assim
reconciliados estamos com Deus Pai (Rm 5.1)! O Senhor Jesus também nos dá a Sua
paz (Jo 14.27), a paz que vence o mundo! E o Espírito Santo produz em nós o
fruto do Espírito com paz (Gl 5.22).
Cristo não só reconciliou os
homens com Deus, mas reconciliou com Ele mesmo todas as coisas, tanto as que
estão na terra, como as que estão nos céus:
Assim como a queda de Adão
trouxe morte e separação entre Deus e os homens, trouxe também corrupção
universal da criação. Usando esse raciocínio, uma inferência possível é usada
por criacionistas, que dizem que houve separação entre o homem e os animais
(ficaram carnívoros e selvagens após a queda, pois antes eram mansos e
herbívoros segundo Gn 1.29,30), maldição na natureza (ervas daninhas), além de
morte no cosmo, como as estrelas que “morrem”, e pela cruz de Cristo Ele
reconciliou consigo mesmo todas as coisas, homens, animais, natureza e os
cosmos!
E obviamente também sujeitou
todos os tronos e potestades angelicais sob seu domínio.
E olhe que a graça de Cristo é
infinitamente superior do que a queda de Adão. Se o que Adão fez já trouxe todo
esse mal, imagine o que a graça de Cristo, muito superior [1], vai trazer de
glória [2] na Sua vinda (Romanos 5.17 Porque, se pela ofensa de um só, a
morte reinou por esse, muito mais [1] os que recebem a abundância da
graça, e do dom da justiça, reinarão em vida [2] por um só, Jesus Cristo)!
O homem regenerado já está
reconciliado com Deus, e a sua imagem se tornará plenamente conforme à de
Cristo somente no céu, e não nesta terra. Continuando com a inferência possível
de Col. 1.20 baseado em Gênesis 1-3 pela lente criacionista jovem, os animais
ainda são carnívoros, e ainda existem plantas venenosas e ervas daninhas, mas,
quando a Palavra do Senhor se cumprir e vier o estado eterno, os animais serão
novamente mansos, herbívoros (isto é, estado originalmente pacífico antes da
queda), e não haverá mais maldição nem na natureza com ervas daninhas,
espinheiros e plantas venenosas (Isaías 65:17,25a: Porque, eis que eu crio
novos céus e nova terra... [e, nos novos céus e nova terra (contexto),] O
lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi),
nem haverá mais destruição no universo.
O que fazer? Se o homem já está
reconciliado com Deus, ora, além de amar o próximo, também cuide da criação que
Deus fez, sabendo que Deus tem cuidado até dos animais (Não hei de eu ter
compaixão de Nínive ... e também muitos animais? Jonas
4.11). Compreenda e enxergue as coisas pela cosmovisão bíblica
“criação-queda-redenção-consumação”!
Esclarecimento sobre a Cruz e a Reconciliação
Devo colocar um esclarecimento
de que, na realidade, a cruz garante sim a reconciliação de todas as coisas.
Entretanto, exceto a reconciliação Deus-homem (do homem com Deus) já realizada
em Cristo formando um povo santo, que é a Igreja (que já faz parte da nova
criação segundo 2Co 5.17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova
criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” e Ef
2.15: “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que
consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem.”),
a reconciliação e a nova criação serão de fato consumadas e efetivadas somente
após a vinda de Jesus, quando recebermos corpos glorificados, quando estes céus
e terra vão fugir da presença daquele que está assentado no trono (Ap 20.11)!
Ainda que a humanidade redimida seja parte da nova criação, o impacto dessa
humanidade redimida (Igreja) no mundo, embora seja real e significativo, é
limitado na criação caída, não culminando historicamente em um final dos tempos
de paz e prosperidade antes da vinda do Senhor, e assim o que quero transmitir
é que os últimos tempos antes da vinda do Senhor serão de trevas conforme as
profecias de apostasia dos últimos tempos registradas no Novo Testamento. Não
existe nas Escrituras transição gradual desse céu e terra (Universo) para o
Paraíso! A transição desta ordem criada para o novo céu e a nova terra será feita
pelo próprio poder de Deus na vinda do Senhor Jesus a esta terra, especialmente
após o juízo!
Cl 2.14 Havendo riscado a
cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era
contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.
Sim, isto fala da lei mosaica,
com suas ordenanças, porém, como Cristo reconciliou-nos com Deus pela cruz, tudo
o que Deus tinha contra você, os seus muitos pecados e seu passado sujo, quando
você foi vivificado (recebeu vida) por Cristo, quando foi perdoado das suas
ofensas e pecados, tudo o que Deus tinha contra você foi cravado na Cruz! Deus
“esqueceu” o teu passado mau! Deus “não se lembra”
dos seus pecados (Hb 8.12; 10.17), foram cravados na cruz! É passado! Viva o
presente e o futuro revestido de uma roupa limpa, branca, pura e
resplandecente, de linho fino (que são as justiças dos santos cf. Ap 19.8).
Obrigado, Senhor pela cruz!
Obrigado Senhor, que você se fez
pecado (2Co 5.21) e maldição (Gl 3.13 cf. Dt 21.22,23) por nós!
Como Cristo se fez maldição por nós?
“Cristo nos resgatou da maldição
da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está
escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro). Gálatas 3.13
Deus propôs [a Cristo], no seu sangue,
como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter
Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente
cometidos. Romanos 3.25
Nisto consiste o amor: não em que nós
tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como
propiciação pelos nossos pecados. 1 João 4.10
Se Deus não fosse justo, não haveria
exigência para o sofrimento e a morte de seu Filho. E se Deus não fosse
amoroso, não haveria disposição do Filho de sofrer e morrer. Mas Deus é
justo e amoroso. Assim, seu amor se dispõe a cumprir as exigências de sua
justiça.
A lei de Deus exige: “Amarás… o SENHOR,
teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força”
(Dt 6.5). Porém, todos temos amado mais a outras coisas. O pecado é isso —
desonrar a Deus pela preferência de outras coisas, e agir com base nessas
preferências. Assim, diz a Bíblia que “todos pecaram e carecem da glória
de Deus” (Rm 3.23). Nós glorificamos aquilo em que mais temos prazer. E
não é Deus.
Sendo assim, o pecado não é algo
pequeno, porque não é uma falta contra um pequeno suserano [senhor feudal].
A seriedade do insulto aumenta com a dignidade daquele que é insultado. O
Criador do universo é infinitamente digno de respeito, admiração e
lealdade. Sendo assim, deixar de amá-lo não é trivial — é uma traição.
Difama a Deus e destrói a felicidade humana.
Como Deus é justo, ele não varre esses
crimes para debaixo do tapete do universo. Ele tem ira santa contra eles.
Merecem a punição e isso fica muito claro “porque o salário do pecado é a
morte” (Rm 6.23). “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4).
Existe uma santa maldição pairando
sobre todo o pecado. Não punir seria injustiça. Seria endossar o
desmerecimento de Deus. Uma mentira estaria reinando sobre o cerne da
realidade. Assim, Deus disse: “Maldito todo aquele que não permanece em
todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Gl 3.10; Dt
27.26).
Mas o amor de Deus não descansa com a
maldição que paira sobre toda a humanidade pecaminosa. Ele não se contenta em
demonstrar a ira, por mais santa que seja. Assim, Deus envia seu próprio
Filho para absorver a sua ira e carregar a maldição no lugar de todos
quantos nele confiam. “Cristo nos resgatou
da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (GI
3.13).
É esse o significado da palavra
“propiciação” no texto acima citado (Rm 3.25). Refere-se à remoção da ira
de Deus por prover um substituto. O próprio Deus oferece
o substituto. Jesus Cristo não apenas cancela a ira; ele absorve-a
e desvia-a de nós para si mesmo. A ira de Deus é justa, e foi executada,
não retirada.
Não podemos brincar com Deus ou deixar
por menos o seu amor. Jamais estaremos diante de Deus maravilhados por
sermos por ele amados até que reconheçamos a seriedade de nosso pecado e a
justiça de sua ira contra nós. Mas quando, pela graça, acordamos para
nossa própria indignidade, podemos olhar o sofrimento e a morte de Cristo
e dizer: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas
em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”
(1Jo 4.10).” Piper, John (2023).