domingo, 22 de fevereiro de 2026

10.4.5 ANEXO – Aprofundando a Justificação, a Imputação, a União com Cristo e a Ressurreição: Uma Via Média, Bíblica, entre a Nova Perspectiva sobre Paulo e a da Reforma Protestante

23/fev 0h 

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/23-fev-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file

10.4.5 ANEXO – Aprofundando a Justificação, a Imputação, a União com Cristo e a Ressurreição: Uma Via Média, Bíblica, entre a Nova Perspectiva sobre Paulo e a da Reforma Protestante

Nem todo conceito da justificação vindo da reforma protestante (conceito usado ao longo de todo esse livro, mas não alterado conforme essa seção) é completo, e nem todo conceito da Nova Perspectiva sobre Paulo é correto (por exemplo, trocar o entendimento da expressão bíblica “justificados pela fé em Cristo” por “justificados pela fidelidade de Cristo”) não é cem por cento correto. Fazendo uma via média, ainda que com raciocínios circulares, compreendendo melhor e aprofundando, temos que:

Fonte da síntese abaixo: Seminário Teológico Jonathan Edwards. Masterclass – “Abordagens sobre a doutrina paulina da justificação na dogmática do século XXI” – Prof. Guilherme Nunes, Mestrado em Teologia Sistemática, turma III, módulo cinco. Janeiro de 2026. Para as citações bíblicas eu, Roberto, variei com várias versões bíblicas.

“Acerca do legalismo judaico na época apostólica aparentemente combatido pelo apóstolo Paulo, e por Tiago e Pedro na assembleia de Atos 15, deve-se dizer que o judaísmo era variado no tempo de Cristo, não era único. Nem todo judaísmo era legalista [como os fariseus pelas palavras de Jesus em Mateus 21-23], pois havia linhas e grupos judaicos que se apoiavam na graça e misericórdia, como o judaísmo messiânico (que era exclusivista), e outros que se apoiavam na obediência à Torá (lei de Deus) para livramento do juízo final - estes, como Paulo combatia, eram grupos legalistas.

Existia a necessidade por alguns de cumprimento da circuncisão, guarda do sábado etc. - prática da lei para ser salvo no último dia. E existia o etnocentrismo (nomismo etnocêntrico) - o "lugar" de salvação que eles defendiam era que deviam aderir à lei para ter uma identidade judaica. Apenas sendo judeu a pessoa seria salva, como um prosélito [combatido por Jesus em Mateus 23, colchetes meus]. Para alguns a salvação era em tornar-se judeu, e para isso a pessoa devia cumprir a lei para ser salva - e é isso que Paulo combatia. Parece que os fariseus liam "os gentios" em Isaías, e entendiam "prosélitos" dentro do judaísmo.

A natureza efetiva da justificação é a santificação, de modo que uma está ligada a outra.

A natureza da justificação é ampla, não só vertical e individual: Deus cria um novo povo, com um novo status, dentro de uma nova aliança, preparando para uma nova era: para o momento escatológico / eternidade.

O problema da nova perspectiva em Paulo é reduzir os termos em grego de justiça e retidão em mera categoria pactual.

O ato de justificação no presente, como dito, não é tornar-se justo [sem pecado na Terra], mas ser declarado justo diante de Deus.

Paulo, acerca de justificação, fala de justificação tanto no presente como no futuro. Paulo diz, combatendo alguns grupos judaicos, que você não tem que ser prosélito judeu para se tornar ou ser garantido justo no último dia, porque Jesus te justifica no presente, ou seja, te coloca dentro de um novo povo, te dá um status de justo no presente, e sua ressurreição garante que no último dia você seja declarado justo, obviamente pelo sacrifício de Jesus, por sua morte e ressurreição, e por conta da declaração presente já de que você está no status de justo diante de Deus, e que você faz parte do povo de Deus.

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União com Cristo: Efésios 2:4-10 (“Em Cristo”, várias vezes)

A parte da união com Cristo é um centro importantíssimo na teologia paulina. Em Cristo, expressão várias vezes escrita na Escritura, significa união com Cristo como fonte de vida em toda a obra da salvação: se a justiça de Cristo é dada a mim porque estou ligado a Cristo. "Não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim." Como estou em Cristo, tudo o que Cristo é, faz, eu sou.

Além disso, não dá para separar a justificação e santificação: Romanos 6 até o v. 14: a natureza efetiva da justificação é uma nova vida, e que ao te colocar diante de Deus, você vive como alguém que está diante de Deus. Puxando as heranças de Calvino vemos que ele juntava as duas coisas, afirmava claramente que justificação não é santificação, mas ambas são amparadas no fato de que nós temos participação em Cristo, nós devemos afirmar de que apesar de que nós somos justificados, isso não significa que nós devemos buscar menos santificação do que valorizamos justificação. As duas coisas estão juntas, porque estamos em Cristo, e temos participação direta com Cristo.

A natureza efetiva da justificação é me colocar diante de Deus para ser santo, assim não se gera divisão estranha entre justificação e santificação.

Justificação é pela fé, e a outra moeda da fé é o arrependimento.

Já a doutrina da imputação é a implicação necessária e lógica da doutrina da união com Cristo. É teológica, mas não exegética. Existe uma solidariedade corporativa entre o crente e o Messias de forma que aquilo que aconteceu e aquilo que pertence aos Messias pertence aos crentes por conta de que os crentes estão em Cristo. Então isso gera uma implicação direta que a doutrina da imputação é correta e teológica.

O ato de imputação vem junto com a misericórdia de Deus. Salmo 103.8-10. Não é como se alguém dissesse: “Eu preciso da imputação porque senão Deus me aniquila, a ira de Deus vem, etc.” – pois o ato de imputação vem junto com a misericórdia de Deus. Há uma relação da imputação [comunitária] com a relação judeu - gentio na nova comunidade, novo homem. A justiça de Cristo nos coloca também como povo de Deus, aí entendemos que a imputação implica na minha relação (ou na linguagem Paulina na relação de judeus e gentios) na nova comunidade, formando um novo homem.

2 Coríntios 5:21 NAA [Nova Almeida Atualizada]: Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

Imputação não só é algo dado a mim. É dado a mim porque estou em Cristo. Imputação não pode ser retirada das relações com as outras áreas / relações diretas, por exemplo, diminuindo a obediência a Deus. A obediência é uma resposta de gratidão à graça de Deus.

Portanto a morte de Cristo não é apenas uma questão de imputação do pecado, mas também uma questão de participação direta, nossa, em união com ele. Essa participação também é real e efetiva na ressurreição de Cristo: "se alguém está em Cristo, é nova criatura."

Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. (II Coríntios 5:14 acf)

O ato de estar em Cristo rege as questões de imputação.

2Co 5.21 (Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus) diz que nós somos tornados pessoas justas: isso fala da união com Cristo. A justificação não pode ser vista como mera questão forense, mas com união com outras frentes.

Somos feitos justiça de Deus: não tínhamos isso mas nos foi dado, presenteado, portanto existe uma ideia de imputação aqui. A justiça que foi dada foi dada em união com Cristo.

Romanos 4, Abraão, creditado em justiça ou imputado? Creditar é sendo contada para mim, e imputar é sendo transferida para mim.

O ato de Abraão ter crido no que Deus falou, esse ato de crer/confiança, fez Abraão ser contado como justo, e não com algum tipo de transferência.

A justificação é obra do Espírito que incorpora os crentes a Cristo.

Romanos 4:3, 5 NVI [3] Que diz a Escritura? “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi atribuído como justiça.” [5] No entanto, ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé é atribuída como justiça.

A fé é que está sendo creditada. A fé [embora seja meio cf. Ef 2.8-10, não fim em si mesma] faz com que eu seja justo, somos redefinidos como justos, mas alguns textos não falam propriamente de transferência de justiça explicitamente na Bíblia.

A união com Cristo é a doutrina exegética da Palavra e imputação é a implicação lógica-teológica (justiça de Cristo transferida a mim e meu pecado transferido a Cristo).

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Ligação da justificação com a ressurreição de Jesus

Paulo, quando o assunto é o evangelho, não separa cruz e ressurreição, como a teologia muitas vezes separa: em Romanos 1:3, Romanos 10:9, 1Coríntios 15.3-8, 2Timóteo 2:8, e também em Romanos 4:25, Paulo sempre une a ressurreição com a mensagem do evangelho.

"Ressuscitou para nossa justificação": Rm 4:25.

Existe uma relação implícita de que existe uma relação direta e indissolúvel entre morte/cruz e ressurreição.

1Coríntios 15:17 ACF E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.

Para que haja perdão de fato dos pecados dos salvos, é necessário que Cristo tenha ressuscitado. Sem a ressurreição, ainda estamos mortos nos pecados (1Co 15.17). A morte de Jesus está ligada com a ressurreição. Na ressurreição, há um maior veredito do que a morte: vocês estão perdoados! É uma declaração viva. Só com a morte a declaração de perdão ainda não foi feita. Uma coisa é pagar dívida (morte), outra coisa é colocar dinheiro na sua conta, é alguém que agora vive para Deus, vive como perdoado para Deus (ressurreição).

Romanos 1:3: há uma declaração de ser filho de Deus. Não só de divindade, mas de função baseado na descendência davídica, como Rei pela ressurreição. Na ressurreição, Cristo não ressuscitou como cabeça individual, mas cabeça de um povo. Na ressurreição, o Rei dá vida ao seu povo, faz deles família!

Romanos 4:24-25 (Ressuscitou para nossa justificação):

24 Mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; 25 O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação (Romanos 4:24-25 acf)

"Para" nossa justificação, e não "por causa" da nossa justificação:

Justificação é um processo temporal na história do crente (fator presente e futuro), e o que me garante essa justificação no último dia é a ressurreição, e que a obra de ressurreição de Cristo é a Obra necessária pela qual seremos julgados no futuro. Romanos 4.25, enfatizando o fator futuro, de que lá no futuro eu serei justificado por conta de que Jesus ressuscitou. A ideia é de que a ressurreição também justifica no presente, mas sua ênfase de justificação é que naquele grande Dia nós seremos justificados porque nós fomos justificados no presente, mas o que garante nosso veredito final lá também é justamente que Cristo ressuscitou.

9 Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. 11 E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação. (Romanos 5:9-11 acf)

A reconciliação também garante que serei salvo pela sua vida porque Ele ressuscitou. Na morte (e, claro, ressurreição, mas enfatizando a morte) eu fui reconciliado e ela me garante o perdão no presente, mas no futuro (enfatizando a ressurreição) serei salvo da sua ira, pela sua vida – pois vida no final de Rm 5.10 seria a ressurreição.

Romanos 5.16ss: Adão e Cristo: Há um ato da ressurreição (Paulo usa a expressão: "na sua vida", que quer dizer estado pós-ressurreição, reinando em vida). O julgamento, como diz N.T. Wright também, seria um veredito já (não um filme passando, um "telão"), não é um ponto de ver se você pode passar, e esse veredito estaria definido na ressurreição dos crentes. É por isso que Paulo fala: se Ele não ressuscitou, vocês não vão ressuscitar. E, se Jesus não ressuscitou, vocês permanecem mortos nos seus pecados.

A ressurreição garante que foi dada vida para vocês, e também garante que vocês serão ressuscitados e salvos da ira naquele dia onde obras serão requeridas, por causa da obra de Jesus na cruz e na grande obra de ressurreição, a obra de justiça, que é ressurgir dos mortos como cabeça de um povo.

E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória. (I Timóteo 3:16 acf)

O termo justificação (Cristo foi justificado no Espírito) aqui cabe bem como 'vindicação', que tem ênfase no ato que torna alguém vindicado, de fato recebido, de fato colocado no seu lugar apropriado de honra e glória. Jesus na ressurreição é colocado no seu lugar apropriado de glória, vindicado. O que significa que nossa união com ele nos coloca lá também. Então sem o movimento de ressurreição não teríamos vida, não estaríamos lá também: pois todo o processo de encarnação, morte e ressurreição são ancorados no fato de que nós estamos em Cristo, e esse ato de estar em união com Cristo nos faz perceber que porque Jesus reina, porque Jesus está vivo, nós também estamos vivos, e também reinaremos, e também seremos salvos da ira vindoura.

O processo de justificação é garantido pela morte (ênfase no presente) e ressurreição (ênfase no futuro). O nosso andar com Deus e o final no último Dia também são garantidos pois Jesus fez a obra necessária para que eu passasse no juízo final. No juízo final, quando ressuscitarmos e/ou sermos transformados com corpos glorificados, esse já será o ato de julgamento de Deus, só que o que nos garante que seremos transformados e/ou ressuscitados, passar por esse julgamento, é justamente que Jesus ao ressuscitar já nos representou no julgamento final de forma antecipada por meio dessa ressurreição. O ato dele ir à frente, como representando todos nós, e seu ato de justiça ao ressuscitar, sua pureza, quem ele é, já garante que na nossa ressurreição já seremos ressuscitados para entrar no reino eterno do Senhor por causa da sua ressurreição.

Esse é o olhar escatológico da ressurreição, e a relação da justificação com a ressurreição."

Seminário Teológico Jonathan Edwards (2026).

Aprimorado: 4.1.3 A Cruz: Reconciliação, Satisfação da Justiça Divina e a Questão da Nova Criação (22-fev 23h)

Aprimorado 22-fev 23h. Além disso, a questão da nova criação é importante e vale falar sobre ela.

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4.1.3 A Cruz: Reconciliação, Satisfação da Justiça Divina e a Questão da Nova Criação

Introdução

Deixo a introdução dessa importante seção com a mensagem da música “Se Isso Não For Amor” de Mariana Valadão:

 

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira
Que deu o Seu Filho Unigênito
Para que todo aquele que n'Ele crê não pereça
Mas tenha a vida eterna

Esta é a realidade maior do amor de Deus
Ele prova o Seu amor para conosco
Em que Cristo morreu por nós
Sendo nós ainda pecadores

Nós os seres humanos
Conhecemos o amor apenas através de condições
Amamos quando
Amamos se
Amamos porque

Mas o amor de Deus
É esse amor incondicional
Ele não nos ama por causa de nossos valores
Ou méritos
Ele escolheu nos amar
É esta a realidade do amor do Senhor
E só podemos conhecer toda a extensão desse amor
Toda a profundidade, toda largura
Toda a altura
Somente quando olhamos para a cruz
Ao contemplarmos o Calvário
Ao vermos ali a realidade
Do amor de Deus “sendo encarnado”
Se dando, se oferecendo
Para que pudéssemos ter a vida eterna

Só a cruz! Somente ela!
E somente através do sangue que foi derramado ali
É que podemos experimentar
Toda a realidade do amor de Deus

Ele escolheu nos amar
Ele escolheu nos amar
Ele escolheu nos amar de tal maneira

Que deu Seu Filho
Isto é que é verdadeiro
E eterno amor!”

 

Doutrina e Base Bíblica

Efésios 2:13-16 Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe [como os gentios, povos distantes, perdidos e longe da salvação que veio dos judeus], já pelo sangue de Cristo chegastes perto. 14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos [judeus e gentios] fez um [trouxe-nos a união e igualdade pelo Sangue]; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, 15 Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos [lei mosaica], que consistia em ordenanças [mandamentos que ninguém conseguia obedecer plenamente], para criar em si mesmo dos dois [judeus e gentios, circuncisão e incircuncisão] um novo homem [nascido de novo, pela fé], fazendo a paz, 16 E pela cruz [meio que Deus escolheu] reconciliar ambos com Deus em um corpo [corpo de Cristo, Igreja], matando com ela as inimizades [matou com a cruz tudo o que era contrário a nós].

À luz desse princípio, podemos aplicar na nossa vida o fato de que todos os homens têm alguma separação, ou até inimizade entre eles: alguns são separados por faixa etária, outros por desigualdade social; outros, por renda; outros, por povo, raça (embora só exista uma, a raça humana), origem, sexo; outrora tínhamos escravos e livres; ainda, judeus e gentios, sábios e tolos, mas pela cruz Jesus reconciliou todos os que creem em Cristo com Deus, sem acepção de pessoas, em seu corpo, a Igreja, chamada de Corpo de Cristo, e, por meio dessa reconciliação com Deus e união com Cristo, eles recebem paz com Deus o que elimina pela cruz também todas as separações e contendas entre as pessoas! Somos todos nascidos de novo, membros do corpo de Cristo. Então, com essa consciência, por que você briga com o seu próximo? Jesus pagou o preço por esse pecado também! Por que você briga com seu irmão na fé? Cristo morreu por ele também! Se Jesus acabou com as inimizades, preconceitos e contendas na cruz, que andemos em Espírito, obediência, santidade e amor!

 

Reconciliou todas as coisas

Colossenses 1:20 E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.

Como dito, Jesus nos trouxe, através da cruz, do seu sacrifício por nós, a paz de Deus, e assim reconciliados estamos com Deus Pai (Rm 5.1)! O Senhor Jesus também nos dá a Sua paz (Jo 14.27), a paz que vence o mundo! E o Espírito Santo produz em nós o fruto do Espírito com paz (Gl 5.22).

Cristo não só reconciliou os homens com Deus, mas reconciliou com Ele mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus:

Assim como a queda de Adão trouxe morte e separação entre Deus e os homens, trouxe também corrupção universal da criação. Usando esse raciocínio, uma inferência possível é usada por criacionistas, que dizem que houve separação entre o homem e os animais (ficaram carnívoros e selvagens após a queda, pois antes eram mansos e herbívoros segundo Gn 1.29,30), maldição na natureza (ervas daninhas), além de morte no cosmo, como as estrelas que “morrem”, e pela cruz de Cristo Ele reconciliou consigo mesmo todas as coisas, homens, animais, natureza e os cosmos!

E obviamente também sujeitou todos os tronos e potestades angelicais sob seu domínio.

E olhe que a graça de Cristo é infinitamente superior do que a queda de Adão. Se o que Adão fez já trouxe todo esse mal, imagine o que a graça de Cristo, muito superior [1], vai trazer de glória [2] na Sua vinda (Romanos 5.17 Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais [1] os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida [2] por um só, Jesus Cristo)!

O homem regenerado já está reconciliado com Deus, e a sua imagem se tornará plenamente conforme à de Cristo somente no céu, e não nesta terra. Continuando com a inferência possível de Col. 1.20 baseado em Gênesis 1-3 pela lente criacionista jovem, os animais ainda são carnívoros, e ainda existem plantas venenosas e ervas daninhas, mas, quando a Palavra do Senhor se cumprir e vier o estado eterno, os animais serão novamente mansos, herbívoros (isto é, estado originalmente pacífico antes da queda), e não haverá mais maldição nem na natureza com ervas daninhas, espinheiros e plantas venenosas (Isaías 65:17,25a: Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra... [e, nos novos céus e nova terra (contexto),] O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi), nem haverá mais destruição no universo.

O que fazer? Se o homem já está reconciliado com Deus, ora, além de amar o próximo, também cuide da criação que Deus fez, sabendo que Deus tem cuidado até dos animais (Não hei de eu ter compaixão de Nínive ... e também muitos animais? Jonas 4.11). Compreenda e enxergue as coisas pela cosmovisão bíblica “criação-queda-redenção-consumação”!

 

Esclarecimento sobre a Cruz e a Reconciliação

Devo colocar um esclarecimento de que, na realidade, a cruz garante sim a reconciliação de todas as coisas. Entretanto, exceto a reconciliação Deus-homem (do homem com Deus) já realizada em Cristo formando um povo santo, que é a Igreja (que já faz parte da nova criação segundo 2Co 5.17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” e Ef 2.15: “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem.”), a reconciliação e a nova criação serão de fato consumadas e efetivadas somente após a vinda de Jesus, quando recebermos corpos glorificados, quando estes céus e terra vão fugir da presença daquele que está assentado no trono (Ap 20.11)! Ainda que a humanidade redimida seja parte da nova criação, o impacto dessa humanidade redimida (Igreja) no mundo, embora seja real e significativo, é limitado na criação caída, não culminando historicamente em um final dos tempos de paz e prosperidade antes da vinda do Senhor, e assim o que quero transmitir é que os últimos tempos antes da vinda do Senhor serão de trevas conforme as profecias de apostasia dos últimos tempos registradas no Novo Testamento. Não existe nas Escrituras transição gradual desse céu e terra (Universo) para o Paraíso! A transição desta ordem criada para o novo céu e a nova terra será feita pelo próprio poder de Deus na vinda do Senhor Jesus a esta terra, especialmente após o juízo!

 

Cl 2.14 Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.

Sim, isto fala da lei mosaica, com suas ordenanças, porém, como Cristo reconciliou-nos com Deus pela cruz, tudo o que Deus tinha contra você, os seus muitos pecados e seu passado sujo, quando você foi vivificado (recebeu vida) por Cristo, quando foi perdoado das suas ofensas e pecados, tudo o que Deus tinha contra você foi cravado na Cruz! Deus “esqueceu” o teu passado mau! Deus “não se lembra” dos seus pecados (Hb 8.12; 10.17), foram cravados na cruz! É passado! Viva o presente e o futuro revestido de uma roupa limpa, branca, pura e resplandecente, de linho fino (que são as justiças dos santos cf. Ap 19.8). Obrigado, Senhor pela cruz!

Obrigado Senhor, que você se fez pecado (2Co 5.21) e maldição (Gl 3.13 cf. Dt 21.22,23) por nós!

 

Como Cristo se fez maldição por nós?

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro). Gálatas 3.13

Deus propôs [a Cristo], no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos. Romanos 3.25

Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. 1 João 4.10

Se Deus não fosse justo, não haveria exigência para o sofrimento e a morte de seu Filho. E se Deus não fosse amoroso, não haveria disposição do Filho de sofrer e morrer. Mas Deus é justo e amoroso. Assim, seu amor se dispõe a cumprir as exigências de sua justiça.

A lei de Deus exige: “Amarás… o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6.5). Porém, todos temos amado mais a outras coisas. O pecado é isso — desonrar a Deus pela preferência de outras coisas, e agir com base nessas preferências. Assim, diz a Bíblia que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Nós glorificamos aquilo em que mais temos prazer. E não é Deus.

Sendo assim, o pecado não é algo pequeno, porque não é uma falta contra um pequeno suserano [senhor feudal]. A seriedade do insulto aumenta com a dignidade daquele que é insultado. O Criador do universo é infinitamente digno de respeito, admiração e lealdade. Sendo assim, deixar de amá-lo não é trivial — é uma traição. Difama a Deus e destrói a felicidade humana.

Como Deus é justo, ele não varre esses crimes para debaixo do tapete do universo. Ele tem ira santa contra eles. Merecem a punição e isso fica muito claro “porque o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4).

Existe uma santa maldição pairando sobre todo o pecado. Não punir seria injustiça. Seria endossar o desmerecimento de Deus. Uma mentira estaria reinando sobre o cerne da realidade. Assim, Deus disse: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Gl 3.10; Dt 27.26).

Mas o amor de Deus não descansa com a maldição que paira sobre toda a humanidade pecaminosa. Ele não se contenta em demonstrar a ira, por mais santa que seja. Assim, Deus envia seu próprio Filho para absorver a sua ira e carregar a maldição no lugar de todos quantos nele confiam. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (GI 3.13).

É esse o significado da palavra “propiciação” no texto acima citado (Rm 3.25). Refere-se à remoção da ira de Deus por prover um substituto. O próprio Deus oferece o substituto. Jesus Cristo não apenas cancela a ira; ele absorve-a e desvia-a de nós para si mesmo. A ira de Deus é justa, e foi executada, não retirada.

Não podemos brincar com Deus ou deixar por menos o seu amor. Jamais estaremos diante de Deus maravilhados por sermos por ele amados até que reconheçamos a seriedade de nosso pecado e a justiça de sua ira contra nós. Mas quando, pela graça, acordamos para nossa própria indignidade, podemos olhar o sofrimento e a morte de Cristo e dizer: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10).Piper, John (2023).

Seção 2.4.1 Linguagem Bíblica versus Linguagem Teológica (22/fev/26)

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Graça e Paz, aqui é o Roberto. Arquivo acima.

Não sei como, mas me lembrei que não expliquei o motivo de eu alternar nove vezes no livro entre linguagem bíblica e teológica. Portanto, eis aí seção nova.

Data da versão agora na contracapa.


2.4.1 Linguagem Bíblica versus Linguagem Teológica

Ao longo da obra utilizo a expressão “linguagem bíblica” (até o momento, nove vezes no corpo do texto), distinguindo conscientemente entre formulações bíblicas diretas (linguagem bíblica crua sem interpretação), muitas vezes faladas por Jesus, e construções teológicas sistemáticas posteriores.

Por exemplo, às vezes uso certas expressões bíblicas lado a lado com a construção lógica-sistemática para chegar mais perto da Palavra com a teologia, e não me distanciar muito nesta obra com a sistematização do estilo de linguagem usado na Bíblia, especialmente por Jesus.

Tais expressões em aspas coloco como “linguagem bíblica”: 1. “A pessoa crê...” (mas sabe-se que a fé vem do Autor da fé, pela Palavra); 2. “Aceitar a graça de Deus” (sabendo que é Cristo pelo Espírito que nos chama e convence, que nos aceita); 3. “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (sabendo que o perseverar ou ser preservado não é feito nem mérito nosso); 4. “Aquele que renuncia tudo o que Jesus pede, toma a cruz, não resiste ao Espírito Santo, nega a si mesmo... é salvo” (mas, como a Escritura diz que todo bem vem de Deus, e como a salvação é um bem de Deus – dádiva divina –, o não renunciar, o tomar a cruz, negar a si mesmo e não resistir ao Espírito em si também são operações da graça de Deus); 5. “Aquele que não tampa os ouvidos à Palavra e não resiste ao Espírito que o chama será salvo” (linguagem bíblica também, pois não somos salvos por não resistir a Deus, mas pela graça, pela fé e por Jesus, pelo Cristo que a Escritura e o Espírito testificam, pois Ele é o Salvador, e é não meu não resistir que define minha salvação, nem meu livre-arbítrio que escolhe ao Senhor).; 6. “Aquele que rejeita a Palavra não recebe a salvação” (isso é retirado diretamente de parábolas, como a do semeador: semente que não deu fruto etc.). Espero que esteja claro.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

3.6.1 A Simplicidade de Deus e o Amor como Essência de Deus (nova seção)

Paz! Atualizado!

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/21-fev-26+Teologia+Sistemática+Interdenominacional.pdf/file

3.6.1 A Simplicidade de Deus e o Amor como Essência de Deus

Continuando a seção “3.4.1: A Trindade: Esclarecimentos Adicionais”, como a essência de Deus (essência divina) é simples – há uma unidade indivisível em Deus – ou seja, há um Deus, então quando o Pai eternamente gerou o Filho e do Pai eternamente procedeu o Espírito a essência divina não se multiplicou em três (o que seria três deuses), mas permanece uma essência divina indivisível (isto é ser simples) – um Deus em três Pessoas Divinas, a Trindade Cristã, Bíblica.

Baseado na seção anterior, “3.6 Deus é Amor”, eu faço leve divisão conceitual entre a essência divina de “Deus” (Deus em si mesmo), e a “essência” de Deus como “amor”: esta última, notação de Stanley Grenz na seção 3.6, significa que o amor descreve a forma natural e eterna do agir divino, que é proposto por ele como sendo um atributo fundamental em Deus em termos de essência (ou caráter). Por isso eu não adoto o conceito clássico da simplicidade divina em seu sentido mais forte, de que todos os atributos em Deus são iguais.

O que é admitido nessa teologia sistemática:

1.       1. Deus é o Ser absoluto;

2.       2. Amor é o caráter absoluto do Ser.

Ou seja,

1.       1. Deus não é composto, é simples: um Deus;

2.       2. Mas o ser de Deus tem centralidade (valor central) no amor: a essência de Deus é eternamente expressa como Amor, ou, em linguagem simples: Deus é Amor.

 

4.1.1 Cristo é Eternamente Gerado do Pai? Gerado ou Criado? A Simplicidade de Deus

Daqui a algumas horas corrigirei no PDF o ter pelo receber nessa frase abaixo: "Então ser gerado significa "ter" (ter está errado, é receber) receber a mesma natureza de quem gera."

Graça e paz! Aprimorado 21-fev-26 14h30, horário de Brasília

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/21-fev-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file

4.1.1 Cristo é Eternamente Gerado do Pai? Gerado ou Criado? A Simplicidade de Deus

Continuando a seção “3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais”, eis que há inovações teológicas e filosóficas boas, e inovações danosas à fé. Dois ou três teólogos que respeito negam a geração eterna do Filho pelo Pai na eternidade, falando que: 1. Jesus foi gerado no seu nascimento (O Espírito Santo gerou Jesus pela concepção / encarnação no ventre de Maria); 2. Hb 1.5,6 cf. Sl 2.7, Jesus foi gerado na ressurreição (gerado no sentido de coroado pelo Pai como Rei).

Ainda que esses raciocínios são válidos, por exemplo, saber que Hebreus 1.5,6 foi baseado no Salmo 2, salmo messiânico, no qual fala-se de que Cristo foi ungido Rei, e, de fato, isso é verdade. Isso não quer dizer que, em primeiro lugar, o autor de Hebreus se limita ao significado do Salmo 2 (gerado = coroado), mas o autor de Hebreus pode ter dado um significado mais pleno (releitura cristológica inspirada) ao do Salmo, visto que o profeta que escreveu o Salmo 2 escreveu sem entender como aquilo ocorreria, e talvez até sem compreender a plenitude do que escrevia.

O Credo Niceno, os Credos Primitivos, a grande maioria dos Pais, a grande maioria dos teólogos antigos, a grande maioria dos Reformadores e a grande maioria dos teólogos conservadores de todos os séculos do Cristianismo defendem a geração eterna do Filho.

Mas uma minoria de teólogos nos últimos séculos (especialmente no século vinte), dos quais muitos não enxergam que a geração eterna do Filho está implícita na Bíblia, mas procuram textos claríssimos e explícitos para eles (que não acharam), que talvez não compreendam como se formou o conceito de geração eterna do Pai ao Filho, enfraquecem a Trindade revelada nas Escrituras – que não é mero conceito lógico, mas verdade revelada em Deus – e defendida pelos Pais.

A geração eterna não é baseada em um único texto explícito, mas é baseada em todo o Cânon revelado e inspirado, em passagens que fala das relações intratrinitarianas.

Por exemplo: Hebreus 1 realmente fala da coroação do Filho:

Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem. E, em verdade quanto aos anjos, diz: Que faz dos seus anjos espíritos, e de seus ministros labareda de fogo. Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do teu reino. (Hebreus 1:5-8).

Mas, se a relação de Hebreus 1 (Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito) fosse só relacional, e só a partir da concepção de Cristo, significa que Cristo seria só Filho – e Deus seria só Pai – após a encarnação. Este último raciocínio (espúrio) leva a crer que Deus Pai não era Pai de Jesus Cristo antes de Cristo ser gerado (acima: “introduz no mundo”), mas só Deus (e não Pai) de Jesus, como disse Armínio na seção 3.4.1. E não haveria distinção entre as Pessoas da Trindade antes da encarnação (ou as pessoas se confundem ou haveria três deuses! – heresias dos primeiros séculos do cristianismo!), e Deus teria mudado, e não seria imutável, portanto é incompatível com a ortodoxia cristã e teológica.

Contrariando isso, o trecho acima de Hb 1 diz: (“introduz no mundo o primogênito”), querendo dizer, contrariando o raciocínio dos teólogos que não creem que Jesus é eternamente gerado do Pai, que Jesus já era primogênito antes da encarnação: veja, acima, o “primogênito (eterno) foi introduzido ao mundo”. Concorda com isso Gálatas 4.4 (Deus enviou seu Filho) – já era Filho antes de ser enviado!

Isso leva a entender que o trecho de Hebreus, quando diz: “Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho” é desde a eternidade, ou seja, o Pai sempre foi Pai, o Filho sempre foi Filho, o Pai é Pai porque gera, o Filho é Filho porque é gerado, assim como os Pais escreveram, invalidando o conceito moderno de que Hebreus 1 só fala de gerado como coroado, e que não poderia sequer implicitamente falar da geração eterna do Filho!

A própria Trindade se distingue pela paternidade do Pai, filiação do Filho, e processão do Espírito conforme está explicitamente na Escritura!

 

Vejamos versículos paralelos da Escritura:

João 5.26: “Assim como o Pai tem vida em si mesmo, concedeu ao Filho ter vida em si mesmo”. Isso é historicamente entendido como comunicação eterna de vida!

João 1.18 “o Filho unigênito, que está no seio do Pai”: o Filho está – não começou a estar – no seio do Pai, é uma relação contínua, uma intimidade eterna!

João 1: “O Logos” é eternamente o Verbo ou a Palavra; Hb 1:3: “Jesus é a expressão exata do ser de Deus (NVI)”, portanto a origem dessa relação é eterna! Jesus é luz de luz, Deus de Deus, mesma natureza do Pai, com relação distinta!

João 17.5 E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.

João 17.24 Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.

A relação Pai-Filho precede a criação. Portanto, para leitores menos entendidos em teologia, vou deixar mais claro: como um filho é filho? Através de geração. Deus muda? Não, então a geração é eterna, é eternamente gerado.

1Jo 5.1b “...e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido.” Pode significar que todo aquele que ama o Pai, ama o Filho!

1 João 2:23 Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.


Gerado ou Criado? A Simplicidade de Deus

O que significa ser gerado? Em primeiro lugar, João 3.16 fala que Jesus é o unigênito do Pai, o único gerado. Então ser gerado significa receber a mesma natureza de quem gera. O Pai sendo Deus eterno, o Filho, gerado, é Deus eterno. Um ser humano que gera outro gera um ser humano finito, temporal, com início (o que foi gerado é semelhante em natureza ao que o gerou). Mas Deus gera Deus, luz de luz. Nós, seres humanos, não somos gerados por natureza por Deus, mas criados por Deus. Por isso mesmo somos adotados em sua família. Ser humano criado não compartilha da mesma essência de Deus, somos criaturas, filhos por adoção em Jesus Cristo, o Filho de Deus. Deus criou os céus e a terra, os homens e os anjos etc., e essa criação teve início. O Pai não tem início, então logicamente o Filho não teve início – portanto, não é criado, mas gerado (e isso não diz que o Filho teve início!). Se alguém negar a geração eterna do Filho, nega (pelo menos historicamente) a eternidade e a divindade do Filho. Deus é eterno, atemporal, está num presente contínuo. O Pai é eterno, e gera Deus eterno, no caso, Deus Filho. Como a essência de Deus (essência divina) é simples, e não é divisível, ou seja, há um Deus, quando o Pai eternamente gerou o Filho e do Pai eternamente procedeu o Espírito a essência divina não se multiplicou em três (o que seria três deuses), mas permanece uma essência divina – simples - um Deus em três Pessoas Divinas, a Trindade Cristã, Bíblica.


Concluímos que:

1.      1. O Filho é Filho eterno (sempre foi Filho);

2.       2. O Pai é Pai eterno;

3.      3. O Filho é eternamente gerado do Pai (não no tempo, mas na eternidade);

4.      4. Deus é imutável, portanto essa relação é eterna;

5.     5. E isso não só na encarnação ou na ressurreição!

6.       Tal é demonstrado pelas Sagradas Escrituras, como dizem os Credos Primitivos e, mais recentemente, como diz a Confissão de Fé de Westminster. E por este livro.

Atanásio: Nunca houve tempo nem pensamento “quando Ele não era”. Wedgeworth, Steven. Athanasius on the Simple God And Eternal Generation. The Gospel Coalition (2020).

Amém.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Correção (seção inteira) contra imprecisões: 3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais

Graça e paz! Essa seção me deu trabalho rsrs (são palavras e notações complexas e sutis). Mesmo link.

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/20-fev-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file

3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais

De acordo com a Confissão de Ausburgo (1530),

“Em primeiro lugar, ensina-se e mantém-se, unanimemente, de acordo com o decreto do Concílio de Nicéia, que há uma só essência divina, que é chamada Deus e verdadeiramente é Deus. E, todavia, há três pessoas nesta única essência divina, igualmente poderosas, igualmente eternas, Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, todas três uma única essência divina, eterna, indivisa, infinita, de incomensurável poder, sabedoria e bondade, um só criador e conservador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E com a palavra pessoa se entende não uma parte, não uma propriedade em outro, mas aquilo que subsiste por si mesmo, conforme os Pais usaram esse termo nessa questão.”

Diferenciamos o Pai ao Filho, pois o Pai gerou o Filho, e o Filho é gerado pelo Pai. O Pai é quem gera, e assim Ele se autodenominou através das Palavras do Filho na Escritura como o Pai, e o Filho é autodenominado Filho de Deus, ou Deus Filho, porque é fruto da geração do Pai, gerado pelo Pai (Hebreus 1:5 Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?). Essa é a diferenciação da primeira com a segunda pessoa da Trindade. O Pai não foi gerado, nem procedente. Nenhuma Pessoa divina foi criada, nem existiu tempo algum em que uma Pessoa existia e outra Pessoa da Trindade não.

Acerca do Espírito Santo, a Escritura afirma que o Espírito é Procedente do Pai, e que Cristo, da parte do Pai, é quem envia o Espírito (João 15.26 Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim), também que o Pai enviará em nome do Filho (João 14.26 Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito). O Espírito é chamado Espírito de Deus (do Pai), e Espírito de Cristo (do Filho) em Romanos 8.9 (Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele).

Veja essa citação, será usada para outros raciocínios abaixo:

“Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade: Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de ninguém: não é gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.” Confissão de Fé de Westminster, 1643-1649.

Devemos meditar ainda: O Filho/Logos/Verbo/Palavra (Jo 1.1) existia ou era uma pessoa, inclusive divina, antes de ser gerado na eternidade, assim como o Espírito, Ele era uma pessoa divina antes de ser procedente, ou apenas o Pai?

Segundo os autores do livro Filosofia e Cosmovisão Cristã, de J.P. Moreland e William Lane Craig (2005), Tertuliano, um pai da igreja, acreditava incorretamente que antes de ser gerado e procedente, respectivamente, o Filho e o Espírito não eram pessoas distintas do Pai:

O Pai existe eternamente com seu Logos imanente; na criação, antes do começo de todas as coisas, o Filho procede do Pai e, assim, se torna seu primeiro Filho gerado, por meio de quem o mundo é criado {Contra Práxeas - CP, 19). Desse modo, o Logos se torna Filho de Deus somente ao proceder do Pai como ser substantivo {CP, 7). Parece que Tertuliano estaria considerando o Filho e o Espírito pessoas distintas somente depois de sua processão do Pai {CP, 7), mas está claro que ele insiste em sua distinção pessoal a partir pelo menos deste ponto.

Apesar de Tertuliano ter contribuído em muito para a teologia na sua época, essa parte está incorreta, pois o Filho e o Espírito sempre existiram como pessoas divinas distintas da pessoa do Pai, sendo eternos. Era uma época em que a igreja não havia desenvolvido e descoberto os 4 primeiros credos dos concílios pela Escritura.

Por que a igreja cristã ortodoxa não creu nisso, que o Filho e o Espírito fossem pessoas distintas somente depois de sua “processão” do Pai na eternidade? A pergunta é respondida pelo pai da Igreja Atanásio, anos mais tarde, contra a heresia do arianismo. A heresia defendida por Ário (daí vem arianismo) está citada no parágrafo abaixo:

“Embora outros teólogos alexandrinos como Orígenes — em contraste com Tertuliano — argumentassem que a geração do Logos do Pai não teve início, mas é desde a eternidade, a razão de a maioria dos teólogos considerar a doutrina de Ário inaceitável não era, como Ário imaginava, porque ele afirmava que “o Filho teve um início, mas Deus não teve início” {Carta a Eusébio de Nicomédia 4,5). Em vez disso, questionava-se que Ário negava até mesmo que o Logos preexistia imanentemente em Deus antes de ser gerado, ou que não era, em qualquer sentido, da substância do Pai, de modo que seu início não foi de fato um início, mas uma criação ex nihilo e que, portanto, o Filho era uma criatura. Como protestou mais tarde Atanásio, bispo de Alexandria, no conceito de Ário, Deus sem o Filho carecia de seu Verbo e sabedoria, o que é blasfêmia {Discurso contra os arianos 1.6.17) [...].” Moreland e Craig (2005).

Portanto, de acordo com esses parágrafos (cujo raciocínio será aperfeiçoado até o final dessa seção), o Filho, em sua pessoa, é eterno, e, mesmo tendo sido gerado no pai desde a eternidade, já preexistia em Deus Pai “antes” de ser gerado (logo veremos se a expressão “antes” satisfatória para a eternidade). Por quê? Esclarece Atanásio: Deus sem o Filho carecia de seu Verbo e sabedoria, o que é blasfêmia.

Esticando esse raciocínio, posso dizer que o Espírito, em sua pessoa, que também é eterno, mesmo tendo sido procedente do Pai e do Filho desde a eternidade, já preexistia em Deus antes de ser procedente. Por quê? Porque Deus sem o Espírito não é Espírito (ou melhor, Deus é eternamente Espírito – então o Espírito é eterno). E Deus é Espírito, e sempre foi. "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. João 4:24." Nunca houve um tempo, momento ou condição em que Deus não fosse Espírito. Alguém que não conhece teologia pode dizer que Jesus não era espírito. Na verdade, sim, a humanidade de Jesus se consistia também de carne, mas Deus (essência divina) é Espírito!

Para melhorar e aperfeiçoar o raciocínio dos últimos parágrafos, começamos falando que, na eternidade, não existe a noção de “antes de ser gerado”, ou “antes de ser procedente”. Na eternidade, na qual está o Deus eterno, não há antes e depois, mas um presente absoluto e completo.

Portanto, acerta quem confia na Confissão de Fé de Westminster, que diz que o Filho é eternamente gerado do Pai, e o Espírito eternamente procedente também! É algo eterno, contínuo, sem início ou fim (se é eternamente gerado e procedente, permanece assim, “continuamente” – melhor dizendo, “sem sucessão”). Armínio (Obras de Armínio, vol. 1, pág. 423, 2015), concordando com isso, diz que:

Dizemos que [o Pai] gerou desde toda a eternidade, porque Ele não foi o Deus de Jesus Cristo, antes de ser seu Pai, nem foi simplesmente Deus antes de ser seu Pai. Porque, assim como não podemos imaginar uma mente destituída de razão, também dizemos que é ímpio formar em nossa mente uma concepção de um Deus sem a sua palavra (Jo 1.1,2). Além disso, segundo os sentimentos da antiguidade sagrada e da Igreja universal, visto que esta geração é uma operação interna [...], ela é igualmente desde toda a eternidade [contínua]. Porque todas as operações são eternas, a menos que desejemos sustentar que Deus é passível de mudar.

Então? Então, segundo Armínio, “o Pai é a fonte e a origem de toda a Divindade, e o princípio e a causa do próprio Filho, como sugere a palavra “Pai” (Jo 5.26,27). [...]. O Pai é chamado de “não gerado” [...], e é também por esse motivo que o nome de Deus com frequência é atribuído nas Escrituras, peculiarmente e por meio de eminência, ao Pai.” Obras de Armínio (2015).

Como diz o credo niceno-constantinopolitano, “o Filho foi gerado do Pai, luz de luz, Deus de Deus...” Isso implica que Deus Pai comunica (em linguagem grosseira, “comunica” significa “transmite”) a divindade ao Filho (e, claro, também ao Espírito!).

Concluímos, finalmente, que Deus Pai é “não gerado” (sendo assim a primeira pessoa da trindade), pois é, segundo Armínio, a fonte e origem da divindade do Filho e do Espírito. Na Bíblia, muitas vezes, quando se diz ‘Deus’, geralmente está falando de Deus ‘Pai’. O Pai gera eternamente (isto é, na eternidade, fora do tempo criado) o Filho e, nessa geração eterna, comunica ao Filho, sem sucessão, atemporalmente, sua essência divina (isto é, a mesma natureza ou divindade), de modo que, assim como a Confissão de Westminster diz que o Filho é eternamente gerado pelo Pai, o Filho sempre foi Deus, uma pessoa divina. Deus é imutável e isso sempre foi assim e nunca mudou, o que quero dizer que o Filho sempre foi e sempre será gerado eternamente do Pai, que é a fonte imutável dessa essência divina. Nunca houve época em que o Filho não fosse uma pessoa divina, ou que não tivesse sido gerado.

Concluímos, também, que uma vez que o Espírito Santo “procede do Pai e do Filho”, Ele é, em sua ordem, a terceira pessoa da trindade. O verso abaixo, referido, Jo 15.26 (Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim) diz que o Espírito, na verdade, é enviado por Cristo, mas procede apenas do Pai. É a Bíblia, leia. Não procede do Filho segundo a literalidade das Palavras da Bíblia, mas é enviado pelo Filho e procede (vem) do Pai. O que quer dizer? Que é Cristo quem O envia (e de fato enviou a nós quando ascendeu ao Pai), mas que o Espírito recebe Sua Divindade do Pai “continuamente” (isto é, sendo eternamente procedente de modo atemporal e sem sucessão), que é a fonte da Divindade, assim como o Filho também recebe Sua Divindade do Pai “continuamente” (isto é, significando eternamente gerado de modo atemporal e sem sucessão).

Para um maior esclarecimento, o Espírito Santo procede apenas do Pai, ou do Pai e do Filho? Resposta: ambos estão corretos, dependendo do significado atribuído ao verbo proceder:

No quesito de receber sua Divindade, conforme a Escritura, o Espírito é procedente apenas do Pai (o Pai é a fonte da Divindade, ou seja, a causa – o princípio – do Filho e do Espírito). No quesito mais abrangente do termo "proceder", conforme a comunhão da mesma essência (ou substância) entre as três Pessoas da Trindade, em que a Bíblia também é extremamente clara, o Espírito Santo é o Espírito do Pai e do Filho, procedente tanto do Pai como do Filho ("pois o Espírito é dado, revelado, manifesto, advém e é conhecido pelo Filho" conforme Gregório Palamas, Tomo (1351 apud Migne, J. P., Patrologiae cursus completus (Apology 142.262C-D), series graeca, Paris (1857-1866) apud Papadakis, Aristeides (1983, Crisis in Byzantium: The Filioque Controversy in the Patriarchate of Gregory II of Cyprus (1283-1289), New York: Fordham University Press, pág. 91))). Amém.

Portanto, Deus Pai é eternamente a fonte da divindade, não gerado; Deus Filho é eternamente gerado do Pai; e Deus Espírito Santo é eternamente procedente do Pai, e eternamente enviado do Filho (ou, em formulações teológicas distintas, eternamente procedente do Pai e do Filho). Por que coloquei tantas vezes eternamente? Porque, dando uma última ênfase, isso nunca foi diferente, pois Deus é imutável – não muda, nunca mudou! Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente! (Hb 13.8).

Amém.