sábado, 18 de julho de 2026

Em breve, um livro novo na Amazon em Português e em Inglês

Em breve, um livro abençoado na Amazon Kindle Global:

"Uma Soteriologia Armínio-Calvino-Lutero-Wesleyana" 

"An Arminian-Calvinist-Lutheran-Wesleyan Soteriology"

Baseado no documento que seria minha dissertação de mestrado.


E, se Deus preparar, esperem depois um livro completo de Escatologia também!


Para a glória de Deus e para a edificação da Igreja.

Roberto Fiedler Rossi


Teologia Sistematica Interdenominacional e Declaração de Fé Bíblica despublicadas e removidas.

domingo, 12 de julho de 2026

ELEIÇÃO. Complementação aos meus livros

Graça e Paz da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus.

Deus me deu um híbrido da eleiçao luterana com a arminiana: penso que Deus me agraciou.

É tudo muito novo, não tenho certeza que esteja 100% correto, foi pela fé.


17.           DA ELEIÇÃO ETERNA DE DEUS EM CRISTO E PELA PALAVRA

 

 

Baseado em Marcos 4, Mateus 13 e Lucas 8, a parábola do semeador, com paralelos em João 15, a parábola da videira, a semente (que salva) é a Palavra. Ela opera em duas etapas.

Neste capítulo também abordaremos Jo 15, a parábola da videira com paralelos com os capítulos do parágrafo anterior. Jo 15 diz que os chamados por Deus para um relacionamento com Cristo, ainda não sendo justificados e regenerados, também estão em certa forma em Cristo, implicitamente considerados como varas enxertadas na videira cf. Jo 15.2. É nesse sentido específico que este capítulo fala de pessoas ainda não salvas como estando em Cristo.

Ao primeiro contato com a Palavra, isto é, ao plantar a semente no solo da mente das pessoas (Mc 4.14,3) pode gerar ou não gerar uma planta da Palavra de Deus com o fim de dar fruto (a Palavra fala de semente e fruto, então está implícita a “planta”). A semente, ainda que brote, não gerará fruto se não tiver raiz suficiente (Mc 4.16-17), ou seja, se após plantada, a semente for tirada por Satanás (v. 15) ou se as pessoas se escandalizarem pela perseguição (v. 17). Esse é o processo de conversão, a primeira etapa da atuação da Palavra. Essa planta ainda não está salva se não der fruto (pode ser temporária cf. Mc 4.17, pode até crescer um pouco e ficar infrutífera cf. Mc 4.19). O que mostra que a semente de Deus salvou a pessoa é a planta dar frutos (Mc 4.20 cf. v. 12). A Palavra chama, e é a mesma Palavra que salva dando fé (Rm 10.17), que é a segunda etapa da atuação da Palavra.

Da mesma forma, o Pai chama a muitas pessoas através de sua Palavra a ponto de enxertar varas/ramos na videira que é Cristo. Como na parábola do semeador, ser enxertado em Cristo ainda não salva se não der fruto (Jo 15.2). Isso equivale a ser chamado por Jesus pelo evangelho. E se não der fruto será tirado (Jo 15.2), irá ao inferno de fogo (Jo 15.6). Para dar fruto, não é só estar em Cristo (Jo 15.1), mas Cristo na pessoa (Jo 15.5 quem está em mim, e eu nele). Isso equivale a estar em Cristo e as palavras de Cristo estarem em nós (Jo 15.7). Esse é o escolhido de Deus, aquele que a Palavra/Jesus chamou (Rm 8.30), e que deu fruto (boas obras são o fruto da fé salvadora, pois fé sem obras é fé morta cf. Tiago 2.14ss). Como deu fruto, isso é consequência do relacionamento com a Palavra, e consequência também da eleição, isto é, a pessoa foi escolhida por Deus pela Palavra, ou seja, por Cristo. Cristo chama por meio da palavra do evangelho, e o Espírito opera mediante essa palavra. É o mesmo Deus pela mesma Palavra que completa a obra, inclusive para eleger os seus para si pela presciência, pois Deus conhece os seus antes da fundação do mundo (Ef 1.4).

Ao que é humilde pela graça e escuta atentamente quando a Palavra ensina, chama, repreende, ao que se arrepende quando a Palavra o acusa, eis que é eleito de Deus – isto é comprovado se, de fato, a pessoa receber a Palavra e der frutos (Jo 15.1-8 cf. Jo 15.16 Cristo nos escolheu com o propósito de dar fruto!). E o fruto é o fruto do Espírito de Gálatas 5.22, bem como a fé perseverante, a obediência e as boas obras produzidas pela graça.

Eis que o Senhor não condena ninguém sem motivo! Jesus chama a todos cf. 1Tm 2.4, para cear cf. Ap 3.20, para as bodas cf. Mt 22! Se fosse apenas pelo caráter e bondade de Deus, uma eleição de via única, todos seriam salvos (1Tm 2.4).

Quem não recebe a Palavra não dá fruto (Mc 4.20). Resistir ao Espírito Santo é não receber/desprezar a Palavra cf. Mateus 13.15 o coração deste povo está endurecido, e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; e cf. Mt 23.37 quantas vezes quis eu, e tu não quiseste. Desprezar a Palavra é desprezar a Cristo (Jo 14.23). Estes são chamados pelo evangelho (todavia, não segundo o propósito de ser como Cristo pela presciência de Deus conforme Rm 8.30 e 1Pe 1.2), pois ouviram a Palavra, estiveram plantados temporariamente nesse processo de conversão em Cristo, mas não deram fruto, foram tirados de Cristo e secarão: serão jogados no fogo e arderão (Jo 15.6)! Taparam os ouvidos para não ouvir e não receber a Palavra (Mt 13.15) e por isso não foram escolhidos!

Ainda que receba a Palavra com alegria, se não produzir o fruto do Espírito, mas se for crente apenas por algum tempo, desviando-se no tempo da tentação (Lc 8.13), se der fruto sem amadurecer (Lc 8.14) ou se não conservar a Palavra, não será salvo, não dará fruto com perseverança (Lc 8.15).

Deus elege pela Palavra, pelo contato com a Palavra, pois Jo 15 relaciona três coisas: 1) Estar em Cristo como ramo sem fruto (chamado mas não escolhido); 2) Estar em Cristo como ramo frutífero (chamado e escolhido); E o escolher de Deus: compare Jo 15.1-6 com v. 16 (Deus nos escolheu para dar fruto!).

Repetindo, a Palavra chama, Jesus chama, e é a mesma Palavra que salva dando fé (Rm 10.17). Deus elege pela Palavra para dar fruto. E, ainda que o critério da eleição seja o relacionamento com a Palavra, somos eleitos e amados por Deus desde a eternidade pela Sua bondade, misericórdia, graça, amor, pelo Espírito Santo, pela presciência de Deus e para obediência do sangue de Cristo (1Pe 1.2).

O Pai, como faz um agricultor com uma videira, coloca as pessoas como ramos ou varas em Cristo, ou seja, convida e chama a todos pelo evangelho (Jo 15.1,2). O Pai, como agricultor, prova e manifesta no tempo a condição dos ramos. Segundo sua presciência eterna, Deus já conhece aqueles que receberão a Palavra, permanecerão em Cristo e produzirão fruto pela graça pelo próprio contato com a Palavra (Jo 15.2). O fruto é sinal da eleição cf. Jo 15.16 - mas se a pessoa convidada por Cristo para a salvação (Ap 3.20) endurecer o coração e ouvir a mensagem do evangelho de mau grado, endurecendo os ouvidos e fechando seus olhos (Mt 13.15 cf. Mt 23.37), não será eleita em Cristo desde a fundação do mundo pelo conhecimento prévio de Deus Pai cf. 1Pe 1.2.

Não somos eleitos por boas obras. Não somos eleitos por sermos bons ou por alguma obediência, visto que ninguém é bom senão Deus e ninguém faz o bem de si mesmo, mas todo bem é ato da graça de Deus. Receber a palavra de Jesus após Ele nos convidar é como um mendigo que estende as mãos para receber um presente de um Rei que lhe vem ao encontro em tempo oportuno. O mendigo não merece, não chamou o Rei ao seu encontro, não puxa o presente para si, não rouba o presente, só estende a mão, e é o Rei Jesus que vai ao seu encontro, que coloca o presente na mão do mendigo, é o Rei que salva e transforma o mendigo e o faz assentar com os Seus príncipes no Reino dos Céus. Amém!

 

Conclusão

Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. (Filipenses 2:13 acf)

Deus elege pela Palavra: é Deus pela Palavra que chama; que, sendo recebida adequadamente, pela Palavra transforma cessando a resistência do coração e constrangendo a livre vontade do homem por amor (opera em nós o querer e efetuar cf. Fp 2.13); que pelo Espírito através da Palavra, convence do pecado, justiça e juízo (Jo 16.8); constrange-nos pelo amor de Cristo (2Co 5.14); opera o arrependimento (a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade... 2Tm 2.25); e opera a fé, dom de Deus (Ef 2.8 cf. Rm 10.17) pelo qual a pessoa é salva. A Trindade opera, além disso, a adoção, a regeneração, a justificação, a união com Cristo, a preservação, a parte ativa e transformadora da santificação e a glorificação.

Quem tapa os ouvidos à Palavra não pode se confortar com a doutrina da graciosa eleição, pois resiste a Deus, não abre a porta para Cristo (Ap 3.20), rejeita o convite para as bodas e não comparece (Mt 22). Não são eleitos justamente por não ouvir a Palavra e não ser transformados por ela, por Cristo. Amém.

1Pe 1.2: eleitos para a obediência, e não pela obediência: o mendigo estender a mão não o faz receber o presente sem o Rei dá-lo. O estender a mão do mendigo não é boa obra, ou obediência ativa, mas é obra neutra salvificamente, pois não salva em si mesma: é Jesus que convida, que dá o presente, que transforma, que se revela, e de modo nenhum será lançado fora por Jesus, de modo nenhum será rejeitado por Cristo, de modo nenhum será considerado não eleito se receber e conservar pela graça a Palavra que transforma e salva o coração/mente (cf. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. João 6:37; Lc 8.15). Amém.

 

Base Bíblica Adicional

O Pai amou a todos e a cada um dos seres humanos dando-lhes oportunidade de salvação:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3.16

 

Confirmando isso, Deus deseja que todos sejam salvos, não como decreto irresistível (ou seja, não como decreto ativo):

Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” 1 Timóteo 2.3,4

 

Porém, Deus elegeu somente alguns pela graça, pelo Espírito e pela Palavra:

Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: A vós graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo! Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, Para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça...” Efésios 1.1-7

 

A salvação, antes de ser recebida, pode ser resistida:

Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais.” Atos 7.51

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” Mateus 23.37

 

O pecado de Adão atingiu a todos, e a graça de Cristo convida a todos dando-lhes oportunidade de justificação de vida:

Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.” Romanos 5.18;

Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.” Romanos 11.32

 

Concluímos que a predestinação (que significa “destinados previamente”, desde a eternidade, a ser filhos amados unidos a Cristo na glória), ou eleição individual para a vida eterna, é bíblica, operação de Deus pela graça, pela Palavra, que é o meio pelo qual vem a fé salvadora (Rm 10.17) e meio pelo qual, com o Espírito, convence o mundo do pecado, justiça, juízo e constrange amorosamente nossa liberdade de escolha (a mesma liberdade de escolha que é restaurada pelo contato com a Palavra, mencionada no capítulo seguinte: “O Processo de Conversão: Comentário Abreviado de Romanos 7. Homem Natural, Carnal e Espiritual”), cessando a resistência do coração, para o amor voluntário a Deus.

O Livro de Concórdia (Sinodal, 7ª ed., 2016), embora não ensine a interpretação condicional da eleição adotada aqui, expressa corretamente a atuação eficaz do Espírito por meio da pregação e audição da Palavra, comentando Romanos 10.17, João 17.17,20 e Atos 11.14:

O Pai eterno clama do céu a respeito de seu amado Filho e quanto a todos os que, em seu nome, pregam arrependimento e perdão dos pecados: “a ele ouvi”, Mt 17.5.

Todos os que querem ser salvos devem ouvir essa pregação, pois a pregação e a audição da palavra de Deus são o instrumento do Espírito Santo, no qual, com o qual e por intermédio do qual ele quer operar eficazmente, converter os homens a Deus e neles operar tanto o querer como o efetuar.

A fé vem do ouvir a palavra de Deus quando é pregada em sua “genuinidade e pureza”, ou pregada de modo “impermista [genuíno, puro, simples, que não foi misturado] e puramente”.

Por esse meio, a saber, a pregação e a audição de sua palavra, Deus opera, quebranta-nos o coração e atrai o homem, de modo que, pela pregação da lei, chega ao conhecimento de seus pecados e da ira de Deus e experimenta, no coração, terror, contrição e pesar verdadeiros e, pela pregação e meditação do santo evangelho do gracioso perdão dos pecados em Cristo, acende-se nele uma centelhazinha de fé que aceita o perdão dos pecados por amor de Cristo e se consola com a promessa do evangelho. E assim, o Espírito Santo (que opera tudo isso) é introduzido no coração.

Deus nos dá o dom da fé pela Palavra, e nós cremos através desse dom dado por Ele, conforme a própria outra seção do mesmo livro:

Cremos, ensinamos e confessamos que essa fé não é mero conhecimento da história de Cristo, mas uma espécie de dom de Deus por meio de que [nós] reconhecemos retamente a Cristo nosso Salvador, na palavra do evangelho e nele confiamos que somente por causa da sua obediência temos, de graça, perdão dos pecados, somos considerados santos e justos por Deus e somos eternamente salvos. Livro de Concórdia (Sinodal, 7ª ed., 2016).

Isso é apenas aos eleitos – para o fim de ser conforme a imagem de Cristo cf. Romanos 8.28-30, para ser adotado na família de Deus, para a obediência cf. 1Pedro 1.2 (e não pela obediência: Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas) conforme também toda a Escritura.

Como a fé salvadora é anterior à justificação (Rm 5.1, Ef 2.8), como a Palavra produz a fé salvadora (Romanos 10.17), como a pessoa precisa receber a Palavra em seu coração segundo as Escrituras antes dessa fé (Atos 2.41, 17.11), e como a eleição de Deus é desde a eternidade (Ef 1.4) segundo o conhecimento prévio de Deus Pai (1Pe 1.2), além de que a eleição é de Deus pelo contato com a Palavra, ocorre que Deus mesmo faz a separação dos justos e injustos em vida pela Palavra de Cristo no convencimento do Espírito Santo que testifica de Cristo (1Jo 5.6-12). Como a eleição é de Deus, assim como Seu Amor, conclui-se que a não resistência da livre vontade do ser humano (com consequente amor voluntário) é pela Palavra, e também a fé, a justificação, regeneração e glorificação vêm todas de Deus pela Sua graça, natureza, bondade, palavra e amor.

Em contrapartida, a condenação ao inferno é pelo desprezo à Palavra de Deus, e não por decreto divino inescapável e irresistível desde a eternidade. Quem despreza e odeia a Palavra, meio pelo qual o Espírito testifica de Cristo, também despreza e odeia a Cristo, e consequentemente despreza e odeia ao Pai. Deus não rejeita ninguém sem dar chance a ele (1Tm 2.4), embora nem todos recebam a mesma oportunidade ou a mesma exposição ao evangelho, mas o culpado da não aceitação divina é o próprio pecador que recusou o convite de Deus e preferiu amar seu próprio pecado (Jo 15.22-23, especialmente “Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado” e “Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia.” cf. Jo 12.48: Jesus condena a estes pelo desprezo à Sua Palavra).

Deus recebe a todos os que se aproximam Dele em humildade – Deus os espera como Bom Pai, suficiente Salvador, verdadeiro e amoroso Senhor sobre tudo e sobre todos: consequentemente confirma-se o fato de que Deus quer salvar a todos conforme a Escritura (1Timóteo 2.4), que é inerrante, e não contraditória nos manuscritos originais inspirados (2Timóteo 3.16-17 Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra).

O apóstolo diz claramente que Deus suportou com muita longanimidade os vasos da ira. Não diz que fez vasos de ira. Pois se tal houvera sido sua vontade, não teria necessidade de grande longanimidade. Quanto a serem preparados para a perdição, disso é culpado o diabo e os homens, não Deus. Livro de Concórdia, editora Sinodal e Concórdia, 2016.

sábado, 4 de julho de 2026

Teologia Sistemática Interdenominacional - 6ª ed. de 7/julho/26 (8h40h)

Graça e paz.

Teologia Sistemática Interdenominacional

8/julho/26

pdf:

https://www.mediafire.com/file/9z8gcm8lcjqnna8/8-julho-26+-+Teologia+Sistemática+Interdenominacional.pdf/file

epub:

https://www.mediafire.com/file/t8q6idl5ppq1lt0/8-julho-26+-+Teologia+Sistemática+Interdenominacional.epub/file


Últimas atualizações (Teol. Sist e Declaração de Fé):

8/7/26

10.3.3 Como Faço a Ligação Teológica entre a Depravação Total Calvinista, a Expiação Calvinista Moderada e a Graça Preveniente Armínio-Wesleyana acerca da Culpa Herdada? A Graça é, segundo a Bíblia, Resistível ou Irresistível?

Concluímos que todos nascem em Adão, sob culpa herdada, corrupção da carne, morte espiritual, cegueira e escravidão do pecado. Contudo, pela obra de Cristo, entendemos que Deus não condena eternamente bebês e crianças pequenas nem pela culpa herdada de Adão, nem por pecados pessoais antes de haver neles discernimento moral responsável. À medida que a pessoa cresce e se torna moralmente responsável diante de Deus, conforme a luz recebida, permanece morta em Adão e também culpada por seus próprios pecados, isto é, em estado de morte, cegueira e escravidão espiritual; por isso, é considerada culpada em Adão e transgressora por seus pecados pessoais, sendo julgada pelo Senhor conforme a luz recebida, ainda que essa luz seja apenas a consciência e a criação. A partir do momento em que o Senhor encontra essa pessoa pela Palavra, mediante a graça preveniente que vem da cruz de Cristo, o Espírito começa a iluminá-la, despertá-la e chamá-la a Cristo, aplicando-lhe os benefícios da redenção a ponto de remover a culpa adâmica enquanto impedimento jurídico-espiritual à resposta salvadora da fé. Assim, mesmo antes do contato claro com a Palavra pregada, o ser humano natural permanece caído em Adão e culpável diante de Deus conforme a luz da criação, da consciência e da lei moral; e, quando a Palavra lhe chega eficazmente por meio da lei e do evangelho, o Espírito aplica os benefícios da cruz pela graça preveniente, iluminando-o parcialmente e chamando-o a Cristo.



7/7/26

8h40

Jesus não obedeceu mais de seiscentos mandamentos (pois haviam para purificação de mulheres, sacerdotes, etc.), mas cententas. Corrigido.


Seção 10.2.5 6/jul/26 21h

Retiradas 2 frases problemáticas também nessa seção.


Não estamos falando aqui que Deus remove condenação por causa de seus pecados pessoais (isto permanece), nem isso equivale à justificação pessoal diante de Deus, que é pela fé e pela união com Cristo, mas estou dizendo que Deus remove os impedimentos jurídicos à salvação pela fé, impedimentos que eram consequência do pecado de Adão, entretanto, as pessoas certamente serão condenadas por seus próprios pecados se não houver arrependimento:

...

A obra de Cristo removeu as consequências jurídicas dessa culpa imputada em Adão. Essa culpa englobava os impedimentos legais para que cada pessoa pudesse ser salva por Deus. Como assim?

Como Adão pecou e por ele veio a morte (Romanos 5.12), todos os seres humanos nascem sob condenação, culpa e corrupção. Sem um Salvador, restaria ao homem apresentar diante de Deus uma justiça perfeita, obedecendo plenamente à lei moral de Deus pelos próprios méritos e sem pecado, o que é impossível ao homem caído ou natural. Esta lei moral de Deus, conhecida em parte pela consciência e pela criação, foi revelada de modo especial e escrito na lei dada por meio de Moisés. Assim, sem Cristo, o homem estaria debaixo da exigência perfeita da lei para satisfazer a justiça divina, mas incapaz de cumpri-la para alcançar salvação.

...

MAS veio um, Cristo Jesus, que cumpriu a lei na íntegra (Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. Mateus 5.17), todos os mandamentos. Jesus adquiriu a salvação para nós pelos próprios méritos e abriu o caminho da salvação, que se havia perdido, a todo homem. É o Salvador.

...


5/jul

Perseverança dos Santos:

"Permanecer no pecado, aqui, não significa não ter quedas, fraquezas, tentações recorrentes ou lutas contra a carne (pois os salvos também passam por isso), mas sim ter a vida dominada pelo pecado, sem arrependimento real, sem combate espiritual e, inclusive, sem crescimento no relacionamento pessoal com Deus, em Cristo, pelo Espírito, que livraria tal pessoa de viver pecando (1João 3.9 ARA)."


Retiradas menções a Jesus ser eternamente gerado do Espírito Santo por Deus Pai. Está incorreto.


Resposta à pergunta número 20 das 80 Questões de ateus:

Jesus é Filho de Deus Pai por geração eterna (Deus de Deus), e na história foi concebido pelo Espírito Santo no ventre de Maria virgem, quando Jesus, que é e sempre foi Deus, também se tornou homem, isto é, assumiu a humanidade junto à divindade. Sua concepção foi miraculosa de modo que não herdou o pecado original conforme os relatos em Lucas 1. Maria, claramente, deixou de ser virgem depois, pois teve outros filhos segundo a Escritura, irmãos de Jesus. Deste modo, como a Bíblia diz várias vezes, Cristo é o único sem pecado, imaculado, perfeito. Ele é, ao mesmo tempo, Deus e homem. Desde sua ressurreição, não possui mais um corpo humano sujeito à corrupção, fraqueza e mortalidade, mas o mesmo corpo humano verdadeiro, agora glorificado, incorruptível e exaltado, de constituição que não conhecemos plenamente (pois João 20 diz que Jesus entrava em lugares quando a porta estava fechada; Lucas 24.31 diz que desaparecia também), embora Lucas 24.39 diz que Jesus com corpo glorificado também era constituído de carne e ossos. Jesus ascendeu ao Céu com este corpo humano glorificado.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

(12h00) A Trindade: Oriente versus Ocidente: 6ª edição de 18 de junho de 2026

Graça e Paz

Nova versão!

Deus me agraciou!

Vamos até as raízes do que a Bíblia diz.

"Seção 3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais. Ocidente versus Oriente" aprimorada

Baixem de graça:

Link novo:

EPUB

https://www.mediafire.com/file/3usmsb03ke7sd9b/18-jun-26_-_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.epub/file

PDF

https://www.mediafire.com/file/zj68j8u7f3sgkvw/18-jun-26_-_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file


Seção nova vinda da Providência e do Amor de Deus.

3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais. Ocidente versus Oriente

Essa seção foi aperfeiçoada em junho de 2026 para a glória de Deus, e para que a Igreja do Senhor chegue mais perto da Palavra com a teologia, através de uma “fé mais pura e límpida, clara como cristal, cuja origem está na Palavra” (Rm 10.17).

 

As formulações mais conhecidas da Trindade, a mesma da seção anterior, usadas abundantemente neste livro, amparadas pelos Católicos e Protestantes, são baseadas na formulação da Igreja do Ocidente: “1 DEUS em 3 PESSOAS”, ou seja, “1 ESSÊNCIA DIVINA (1 DEUS) em 3 PESSOAS, o PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO”.

Já a formulação da Trindade na Igreja Ortodoxa Oriental, mesmo que não apoie algumas doutrinas dela que me parecem estranhas (por ex., a definição de “essência versus energia”), também é bíblica, baseada nos pais da Igreja e no credo Niceno-Constantinopolitano (aperfeiçoamento do Credo de Niceia):

O PAI é fundamentalmente DEUS, chamado na Escritura “DEUS” (pois grande parte da Escritura, quando usa a expressão “Deus”, fala do Pai). JESUS CRISTO e o ESPÍRITO SANTO são DEUS de DEUS, LUZ de LUZ, sendo CRISTO GERADO e o ESPÍRITO PROCEDENTE do PAI. Essa doutrina chama-se “Monarquia do Pai”. Não entraremos em detalhes secundários dela, apenas aos essenciais claramente expostos na Escritura.

 

A Escritura, na linguagem do Novo Testamento, chama o Pai de Deus, o Filho de Senhor, e o Espírito Santo de Espírito. Isso não é acidental. A Escritura não apoia em seus versículos explicitamente e expositivamente a notação “essência divina (Deus), Pai, Filho e Espírito Santo”, mas sim, “Pai (origem, não gerado, não procedente), Filho (gerado de Deus), Espírito Santo (procedente de Deus)”.

Em contrapartida, o problema com a formulação integral do Ocidente é que implicitamente, na prática, ao ensinar essa doutrina, podemos pender para uma quaternidade: “ESSÊNCIA DIVINA (DEUS), PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO”.

O que a Escritura nos diz?

 

Vejamos a Escritura, ela é perfeita e é a preservada Palavra de Deus para todos os cristãos, sejam eles ocidentais ou orientais. Quando a Escritura usa a expressão “Deus”, quer dizer que a fonte da Divindade é o Pai, a própria Pessoa do Pai, e não uma essência divina abstrata.

1 Coríntios 8:6 "Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e em quem estamos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele."

João 17:3 "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste."

João 15:26 "Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim."

Efésios 4:6 "Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós."

João 5:26 "Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo;"

1 Coríntios 11:3 "Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo."

 

Mesmo após a ressurreição em glória, o Pai permanece como a fonte e o Deus da humanidade de Cristo

João 20:17 "Disse-lhe Jesus: Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus."

 

No Apocalipse: Relação Eterna Deus-Cristo

No livro de Apocalipse, o Cristo glorificado e entronizado repete quatro vezes seguidas a expressão "meu Deus", reforçando que sua relação filial e a primazia do Pai persistem na eternidade.

Apocalipse 3:12 "A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome."

 

Divindade do Filho, onde a Escritura chama Jesus de Deus. Na teologia (Credo Niceno): DEUS de DEUS.

Hebreus 1:8 "Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do teu reino."

Romanos 9:5 "Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém."

Tito 2:13 "Aguardando a bem-aventurada esperança, e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus;"

 

Divindade do Espírito Santo (que é, assim como o Filho, Deus de Deus):

Atos 5:3-4 "Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava contigo? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus."

 

Segue-se que a Escritura, embora apoie quase toda a seção anterior (3.4 A Trindade, citação da AGIR), só não apoia a designação de DEUS como essência divina abstrata (o que parece uma quaternidade), mas apoia a designação de DEUS identificado com a própria Pessoa do Pai, Deus Pai, e, consequentemente, o FILHO e o ESPÍRITO como DEUS de DEUS (Deus cuja origem – gerado e procedente – vem de Deus).

 

A Trindade

Diferenciamos o Pai ao Filho, pois o Pai gerou o Filho, e o Filho é gerado pelo Pai. O Pai é quem gera, e assim Ele se autodenominou através das Palavras do Filho na Escritura como o Pai, e o Filho é autodenominado Filho de Deus, ou Deus Filho, porque é fruto da geração do Pai, gerado pelo Pai (Hebreus 1:5 Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?). Essa é a diferenciação da primeira com a segunda pessoa da Trindade. O Pai não foi gerado, nem procedente. Nenhuma Pessoa divina foi criada, nem existiu tempo algum em que uma Pessoa existia e outra Pessoa da Trindade não.

Acerca do Espírito Santo, a Escritura afirma que o Espírito é Procedente do Pai, e que Cristo, da parte do Pai, é quem envia o Espírito (João 15.26 Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim), também que o Pai enviará em nome do Filho (João 14.26 Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito). O Espírito é chamado Espírito de Deus (do Pai), e Espírito de Cristo (do Filho) em Romanos 8.9 (Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele).

Veja essa citação (origem ocidental), será usada para outros raciocínios abaixo:

“Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade: Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de ninguém: não é gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.Confissão de Fé de Westminster, 1643-1649.

Devemos meditar ainda: O Filho/Logos/Verbo/Palavra (Jo 1.1) existia ou era uma pessoa, inclusive divina, antes de ser gerado na eternidade, assim como o Espírito, Ele era uma pessoa divina antes de ser procedente, ou apenas o Pai?

Segundo os autores do livro Filosofia e Cosmovisão Cristã, de J.P. Moreland e William Lane Craig (2005), Tertuliano, um pai da igreja, acreditava incorretamente que antes de ser gerado e procedente, respectivamente, o Filho e o Espírito não eram pessoas distintas do Pai:

O Pai existe eternamente com seu Logos imanente; na criação, antes do começo de todas as coisas, o Filho procede do Pai e, assim, se torna seu primeiro Filho gerado, por meio de quem o mundo é criado {Contra Práxeas - CP, 19). Desse modo, o Logos se torna Filho de Deus somente ao proceder do Pai como ser substantivo {CP, 7). Parece que Tertuliano estaria considerando o Filho e o Espírito pessoas distintas somente depois de sua processão do Pai {CP, 7), mas está claro que ele insiste em sua distinção pessoal a partir pelo menos deste ponto.

Apesar de Tertuliano ter contribuído em muito para a teologia na sua época, essa parte está incorreta, pois o Filho e o Espírito sempre existiram como pessoas divinas distintas da pessoa do Pai, sendo eternos. Era uma época em que a igreja não havia desenvolvido e descoberto os primeiros credos dos concílios pela Escritura.

Por que a igreja cristã verdadeira não creu nisso, que o Filho e o Espírito fossem pessoas distintas somente depois de sua “processão” do Pai na eternidade? A pergunta é respondida pelo pai da Igreja Atanásio, anos mais tarde, contra a heresia do arianismo. A heresia defendida por Ário (daí vem arianismo) está citada no parágrafo abaixo:

“Embora outros teólogos alexandrinos como Orígenes — em contraste com Tertuliano — argumentassem que a geração do Logos do Pai não teve início, mas é desde a eternidade, a razão de a maioria dos teólogos considerar a doutrina de Ário inaceitável não era, como Ário imaginava, porque ele afirmava que “o Filho teve um início, mas Deus não teve início” {Carta a Eusébio de Nicomédia 4,5). Em vez disso, questionava-se que Ário negava até mesmo que o Logos preexistia imanentemente em Deus antes de ser gerado, ou que não era, em qualquer sentido, da substância do Pai, de modo que seu início não foi de fato um início, mas uma criação ex nihilo e que, portanto, o Filho era uma criatura. Como protestou mais tarde Atanásio, bispo de Alexandria, no conceito de Ário, Deus sem o Filho carecia de seu Verbo e sabedoria, o que é blasfêmia {Discurso contra os arianos 1.6.17) [...].” Moreland e Craig (2005).

Portanto, de acordo com esses parágrafos (cujo raciocínio será aperfeiçoado até o final dessa seção), o Filho, em sua pessoa, é eterno, e, mesmo tendo sido gerado no pai desde a eternidade, já preexistia em Deus Pai “antes” de ser gerado (logo veremos se a expressão “antes” é satisfatória para a eternidade). Por quê? Esclarece Atanásio: Deus sem o Filho carecia de seu Verbo e sabedoria, o que é blasfêmia.

Esticando esse raciocínio, posso dizer que o Espírito, em sua pessoa, que também é eterno, mesmo tendo sido procedente do Pai e do Filho desde a eternidade, já preexistia em Deus antes de ser procedente. Por quê? Porque Deus sem o Espírito não é Espírito (ou melhor, Deus é eternamente Espírito – então o Espírito é eterno). E Deus é Espírito, sempre foi. "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. João 4:24." Nunca houve um tempo, momento ou condição em que Deus não fosse Espírito. Alguém que não conhece teologia pode dizer que Jesus não era espírito. Na verdade, sim, a humanidade de Jesus se consistia também de carne, mas Deus (essência divina) é Espírito!

Para melhorar e aperfeiçoar o raciocínio dos últimos parágrafos, começamos falando que, na eternidade, não existe a noção de “antes de ser gerado”, ou “antes de ser procedente”. Na eternidade, na qual está o Deus eterno, não há antes e depois, mas um presente absoluto e completo.

Portanto, acerta quem confia na Confissão de Fé de Westminster, que diz que o Filho é eternamente gerado do Pai, e o Espírito eternamente procedente também! É algo eterno, contínuo, sem início ou fim (se é eternamente gerado e procedente, permanece assim, “continuamente” – melhor dizendo, “sem sucessão”). Armínio (Obras de Armínio, vol. 1, pág. 423, 2015), concordando com isso, diz que:

Dizemos que [o Pai] gerou desde toda a eternidade, porque Ele não foi o Deus de Jesus Cristo, antes de ser seu Pai, nem foi simplesmente Deus antes de ser seu Pai. Porque, assim como não podemos imaginar uma mente destituída de razão, também dizemos que é ímpio formar em nossa mente uma concepção de um Deus sem a sua palavra (Jo 1.1,2). Além disso, segundo os sentimentos da antiguidade sagrada e da Igreja universal, visto que esta geração é uma operação interna [...], ela é igualmente desde toda a eternidade [contínua]. Porque todas as operações são eternas, a menos que desejemos sustentar que Deus é passível de mudar.

Então? Então, segundo Armínio, “o Pai é a fonte e a origem de toda a Divindade, e o princípio e a causa do próprio Filho, como sugere a palavra “Pai” (Jo 5.26,27). [...]. O Pai é chamado de “não gerado” [...], e é também por esse motivo que o nome de Deus com frequência é atribuído nas Escrituras, peculiarmente e por meio de eminência, ao Pai.” Obras de Armínio (2015).

Como diz o credo niceno-constantinopolitano, “o Filho foi gerado do Pai, luz de luz, Deus de Deus...” Isso implica que Deus Pai comunica (em linguagem grosseira, “comunica” significa “transmite”) a divindade ao Filho (e, claro, também ao Espírito!).

Concluímos, finalmente, que Deus Pai é “não gerado” (sendo assim a primeira pessoa da trindade), pois é, segundo Armínio, a fonte e origem da divindade do Filho e do Espírito. Na Bíblia, muitas vezes, quando se diz ‘Deus’, geralmente está falando de Deus ‘Pai’. O Pai gera eternamente (isto é, na eternidade, fora do tempo criado) o Filho e, nessa geração eterna, comunica ao Filho, sem sucessão, atemporalmente, sua essência divina (isto é, a mesma natureza ou divindade), de modo que, assim como a Confissão de Westminster diz que o Filho é eternamente gerado pelo Pai, o Filho sempre foi Deus, uma pessoa divina. Deus é imutável e isso sempre foi assim e nunca mudou, o que quero dizer que o Filho sempre foi e sempre será gerado eternamente do Pai, que é a fonte imutável dessa essência divina. Nunca houve época em que o Filho não fosse uma pessoa divina, ou que não tivesse sido gerado.

Concluímos, também, que uma vez que o Espírito Santo “procede do Pai e do Filho”, Ele é, em sua ordem, a terceira pessoa da trindade. O verso abaixo, referido, Jo 15.26 (Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim) diz que o Espírito, na verdade, é enviado por Cristo, mas procede apenas do Pai. É a Bíblia, leia. Não procede do Filho segundo a literalidade das Palavras da Bíblia, mas é enviado pelo Filho e procede (vem) do Pai. O que quer dizer? Que é Cristo quem O envia (e de fato enviou a nós quando ascendeu ao Pai), mas que o Espírito recebe Sua Divindade do Pai “continuamente” (isto é, sendo eternamente procedente de modo atemporal e sem sucessão), que é a fonte da Divindade, assim como o Filho também recebe Sua Divindade do Pai “continuamente” (isto é, significando eternamente gerado de modo atemporal e sem sucessão).

Para um maior esclarecimento, o Espírito Santo procede apenas do Pai, ou do Pai e do Filho? Resposta: ambos estão corretos, dependendo do significado atribuído ao verbo proceder, e justamente por isso ocorreu a confusão do Cisma da Igreja em cima da Cláusula Filioque (...e do Filho). Ela ocorreu principalmente devido à diferença da expressão “que procede do Pai” em latim versus no grego: latim (procedere - avançar, espalhar-se, enviar) e em grego (ekporeuesthai - proceder a partir de uma fonte original de existência):

No quesito de receber sua Divindade, conforme a Escritura, o Espírito é procedente apenas do Pai (o Pai é a fonte da Divindade, ou seja, a causa – o princípio – do Filho e do Espírito). No quesito mais abrangente do termo "proceder", conforme a comunhão da mesma divindade entre as três Pessoas da Trindade, em que a Bíblia também é extremamente clara, o Espírito Santo é o Espírito do Pai e do Filho, procedente (no sentido geral) tanto do Pai como do Filho – do Filho não por receber a divindade do Filho, mas porque "o Espírito é dado, revelado, manifesto, advém e é conhecido pelo Filho" conforme Gregório Palamas, Tomo (1351 apud Migne, J. P., Patrologiae cursus completus (Apology 142.262C-D), series graeca, Paris (1857-1866) apud Papadakis, Aristeides (1983, Crisis in Byzantium: The Filioque Controversy in the Patriarchate of Gregory II of Cyprus (1283-1289), New York: Fordham University Press, pág. 91))). Amém.

Portanto, Deus Pai é eternamente a fonte da divindade, não gerado; Deus Filho é eternamente gerado do Pai; e Deus Espírito Santo é eternamente procedente do Pai, e eternamente enviado do Filho (ou, em formulações teológicas distintas, conforme a variação do significado do verbo “proceder”, eternamente procedente do Pai e do Filho). Por que coloquei tantas vezes eternamente? Porque, dando uma última ênfase, isso nunca foi diferente, pois Deus é imutável – não muda, nunca mudou! Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente! (Hb 13.8).

Concluímos que nossa compreensão da Trindade não necessita obrigatoriamente que pensemos nela através do modo ocidental de ‘Um Deus em Três Pessoas’, nem como ‘Um Deus (uma essência divina) que subsiste em três Pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo’. A própria menção de “PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO” já engloba a Divindade, ou seja, já abarca a Divindade que tem sua fonte na Pessoa do Pai, estando o Filho Jesus Cristo e o Espírito Santo eternamente e imutavelmente unidos em comunhão com o Pai.

Amém.

 


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Atualizado, ampliado e corrigido: "O Cristão e o Preconceito"

Graça e paz


O Cristão e o Preconceito, um Estudo

Roberto Fiedler Rossi

Versão corrigida e aprimorada em junho de 2026

 


Prefácio

Queridos leitores, neste estudo pretende-se esclarecer e colocar algumas coisas em ordem:

O crente ou cristão deve ser separado das práticas mundanas sim, mas para isso será que devemos deixar de ter contato com pessoas de outras religiões e de outras práticas que nos rodeiam? Devemos, em nossa mente, como falava Davi, nos separarmos desses “incircuncisos filisteus”, ou, como mostrava Jesus na Terra, estarmos no meio de todos e todas, inclusive de pecadores não arrependidos?


 


Introdução

A Bíblia é fascinante, e é a inspirada Palavra de Deus. Ela abrange períodos e povos distintos da humanidade, como o estado original no Éden, a civilização avançada antediluviana, pós-dilúvio (antiguidade) com os semitas, passando pela Mesopotâmia e pelo Egito antigo (época na qual surgiram, de Abraão, os hebreus (posteriormente chamados de judeus, com os quais Deus fez uma aliança)), seguidos por impérios como o da Assíria, Babilônico, Medos e Persas, Grego/Macedônico, Romanos (durante o qual veio o Novo Testamento, e a nova aliança), e o Reino de Deus, fundado por Cristo, Reino Universal que séculos depois destronou o Romano.

Hoje, no século 21, lemos a Bíblia e, curiosamente, alguns cristãos não sabem quais mandamentos obedecer, ou seja, se de toda a Bíblia (imitando exemplos do antigo e do novo testamentos, como Davi através dos Salmos e Jesus, através dos evangelhos), se apenas o Novo Testamento (sob o qual a inspiração e revelação chegou ao auge), ou outro esquema.

Por exemplo, em Mateus 5.43 Jesus cita o que era feito no antigo testamento: “Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.”

Davi diversas vezes fala nos Salmos do ódio que sentia pelos que odiavam o Senhor, e ele cria que isso não o levava a um caminho mau:

21 Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti? 22 Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos. 23 Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. 24 E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno (Salmos 139:21-24 acf)

O profeta Jeú cobrou da parte do Senhor o rei Jeosafá a não ajudar o ímpio e nem amar os inimigos:

1 E Jeosafá, rei de Judá, voltou em paz à sua casa em Jerusalém. 2 E Jeú, filho de Hanani, o vidente, saiu ao encontro do rei Jeosafá e lhe disse: Devias tu ajudar ao ímpio, e amar aqueles que odeiam ao Senhor? Por isso virá sobre ti grande ira da parte do Senhor. 3 Boas coisas contudo se acharam em ti; porque tiraste os bosques da terra, e preparaste o teu coração para buscar a Deus. (II Crônicas 19:1-3 acf)

É isso modelo para nós hoje?


 


Cap. 1 – Mandamentos da Nova Aliança


Respondendo, não, estes mandamentos não permaneceram iguais no Novo Testamento. 

Embora:

1. Deus seja imutável;

2. A moral de Deus não muda nunca;

3. Tenham sido os mandamentos cerimoniais os abolidos por Cristo;

4. Os mandamentos morais do Antigo Testamento permaneçam para nós hoje, pois a moral de Deus não muda;

Temos que levar em consideração que a revelação de Deus é progressiva, ou seja, Deus não revelou plenamente sua vontade e caráter no AT.

Se os israelitas do passado tratassem todos em paz e amor sem filtro, em primeiro lugar iriam novamente acabar na idolatria (como ocorreu muitas vezes), em segundo lugar num mundo cheio de guerras e violência que não conheceu o Amor de Cristo - pois com Cristo veio o Amor a todos - iriam sofrer graves consequências se não houvesse clara separação.

Lembre-se de que Deus permitia poligamia e repúdio no passado, mas não era o propósito original de Deus.

O que ocorre é que Jesus, na nova aliança, mudou algumas práticas e aperfeiçoou a lei mosaica, nos dando a lei do reino de Deus no sermão da montanha (Mateus 5):

Se antigamente o pecado era matar e adulterar, hoje Jesus disse que quem odeia também está matando, e quem olha cobiçando (ex. desejo ilícito aprovado) já está adulterando!

Se antigamente o costume era jurar em nome do Senhor, Jesus disse para nunca mais fazermos tal, pois o homem não consegue sempre cumprir seus juramentos;

Se na época de Moisés divorciava-se sem motivo (repúdio), Jesus disse: O que Deus ajuntou não separe o homem. [Aplicação à vida: Muitos cristãos hoje divorciam-se sem motivo forte e lícito, sem lutar pelo seu casamento, sem dialogar, sem orar e perdoar, sem arrependimento. Vocês que estão brincando de ter relacionamentos, digo que isso é sério. Vocês são de Cristo mesmo? Como disse Augustus Nicodemus, hoje os cristãos não praticam poligamia estando casados com várias mulheres ao mesmo tempo, mas poligamia com várias pessoas ao longo da vida! Isso é perfil do salvo? Jesus faria isso?]

Se antigamente o costume era retribuir o dano (às vezes) por igual pela lei do "Olho por olho, dente por dente", Jesus disse para abnegar a si mesmo, pensar no bem do outro antes do seu, e conquistar o outro pelo amor, que sofre a injustiça e não querer nada em troca, só o favor de Deus. Vencer o mal com o bem. [Aplicação à vida aqui: às vezes, o melhor é perdoar a dívida e o dano e não abrir processo judicial. Às vezes é melhor ganhar o coração, o respeito e a honra das pessoas do que uma mera vingança ou crua retribuição: estás na Lei de Moisés ou na Lei de Cristo?]

Se antigamente o costume era amar apenas os que nos amam, Jesus disse que isso, pelo menos a partir da época neotestamentária, era costume dos publicanos, que não conheciam a Deus, e os filhos de Deus devem amar também aos que não os amam!

Sobre esse último tópico continuaremos nosso raciocínio.


 


Cap. 2 – Billy Graham (Billy Graham Responde, 2012, CPAD) explica como Jesus transformou o conceito de amor de uma vez por todas:

Amor

Antes que as Boas-Novas de Jesus Cristo chegassem ao cenário humano [exemplo, época de Davi, colchetes meus], a palavra amor era interpretada principalmente em termos de cada um buscar o próprio benefício. Amar os desagradáveis e difíceis de amar era algo incompreensível. Um Deus amoroso que se inclinava para alcançar seres humanos pecadores era algo inimaginável.

Os autores do Novo Testamento escolheram uma palavra grega pouco usada para expressar o amor, ágape, para expressar o que Deus desejava revelar sobre si mesmo em Cristo, e como Ele desejava que os cristãos se relacionassem uns com os outros: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1 Jo 3.16, ARA).

Este novo vínculo de amor recebeu a sua mais completa expressão no Calvário. Os redimidos pela morte de Cristo seriam capazes de alcançar Deus, e uns aos outros, em uma dimensão nunca antes entendida ou vivenciada. Ágape seria agora o “caminho ainda mais excelente” para a vida (1 Co 12.31). Esse novo tipo de amor rapidamente se tornou a característica que distinguiria a Igreja Primitiva. Jesus havia dito: “Um novo mandamento vos dou... como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.34,35).

Mas, com o passar dos anos, grande parte da verdadeira força de ágape desapareceu. A igreja de hoje está na posição de ter que redescobrir o seu significado. Ágape não é um mero sentimento: o amor adormecido ou inativo é impotente. O amor só é dinâmico quando ama a Deus ativamente, da mesma maneira como Ele nos amou; somente quando ele emerge, irrestrito e desimpedido – o amor por irmãos, irmãs, vizinhos e o mundo pelo qual Cristo morreu (1 Jo 4.10-12; 2 Co 5.14).

No plano humano, como no divino, o amor diz: “Eu respeito você. Eu me interesso por você. Sou responsável por você”.

Eu respeito você: Vejo você como você é, um indivíduo singular – como todos nós somos. Eu o aceito como você é, e permitirei que se desenvolva da maneira como Deus lhe propõe. Não vou explorá-lo para meu próprio benefício. Tentarei conhece-lo tão bem quanto eu puder, porque sei que a comunicação e o conhecimento aumentarão o meu respeito por você.

Eu me interesso por você: O que acontece com você me interessa. Eu me preocupo com a sua vida e crescimento. Desejo promover os seus interesses, ainda que isso signifique sacrificar os meus próprios.

Sou responsável por você: Eu lhe responderei, não por um sentimento de dever, mas voluntariamente. As suas necessidades espirituais me levarão a orar por você. Eu o protegerei, mas evitarei a superproteção. Irei corrigi-lo com amor, mas tentarei não corrigir em excesso. Não encontrarei nenhum prazer em suas fraquezas ou fracassos, e não me lembrarei de nenhum deles. Pela graça de Deus, serei paciente e não falharei com você (1 Co 13).

Nós entendemos o amor de Deus somente quando respondemos a ele, em Cristo. O mais importante momento na vida de qualquer indivíduo é o momento da decisão de receber esse amor que não merecemos e ao qual não temos direito, pelo qual aprendemos a amá-lo e transmitir o seu amor aos outros.

“... Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.8-10, ARA).


 


Cap. 3 – O Trato de Deus com um Salvo da Antiga Aliança era o mesmo do Trato de Deus conosco, na Nova Aliança?

Na antiga aliança Deus nos deu Sua lei, e ainda disse (com minhas palavras): “Maldito todo o homem que não viver por estas coisas, e não obedecê-las...” Se alguém cometer algum deslize podia facilmente ser morto. E se alguém cometer algum pecado horrendo, sua família inteira podia ser condenada e morta. Nessa aliança Deus disse: “Escolhe a bênção ou a maldição...”. E costumeiramente as pessoas eram abençoadas ou amaldiçoadas pela obediência às leis, no caso, leis divinas. Como Israel foi desobediente, toda a maldição da lei de Deuteronômio 28 caiu a ele: primeiro com o reino do norte com a Assíria, e depois com Judá no sul pelos babilônios, e depois toda a nação caiu em 70 d.C. conforme previu Jesus. Só recentemente está se reerguendo, mas agora no regime da nova aliança.

Na nova aliança, Jesus se fez maldição por nós, em nosso lugar! Aquele que está em Cristo é abençoado, e não está mais sob maldição! Aquele, entretanto, que não está em Cristo, está sob a maldição da lei mosaica, da qual não falarei propriamente aqui. Quem está em Cristo, aquele que é de Deus, que por natureza é obediente (1Jo 3, vivendo uma vida de arrependimento), o maligno não lhe toca (1Jo 5), nenhuma condenação há para aquele que está em Cristo!

Então, Deus não trata da mesma maneira uma pessoa agora na nova aliança do que uma pessoa na antiga aliança, pois o mundo era outro, as pessoas eram outras, a cultura era outra, e os mandamentos eram outros!


E por que estou falando tudo isso?

É porque eis que alguns, que leem muito o Antigo Testamento (mas não entendem o Novo) não se relacionam, não tem contato com pessoas de outras religiões ou práticas (ou até igrejas e linhas teológicas) achando que Deus os amaldiçoará! Achando que estão dando brecha ao diabo! Achando que só tem que ter contato com família de sangue e irmãos na fé (e alguns, pior, desprezam a sua própria família)! Achando que Deus vai cobrar! – Mas é mentira! Não somos como Davi e os de outra religião como Golias! Jesus mudou o mundo e aperfeiçoou nosso relacionamento com Deus! Nosso modelo e exemplo é Jesus, que se relacionava com todos! Estamos na Nova Aliança, e não na Antiga! Assim, não seremos amaldiçoados, nem abriremos brechas, nem Deus vai cobrar se tivermos um mínimo contato com algumas pessoas de outras práticas. Não devemos odiar a ninguém, mas amar o próximo! Tenhamos como bom exemplo os piedosos missionários do Senhor em países com perseguição que, apanhando, não blasfemam nem amaldiçoam, mas abençoam e evangelizam, como fez Jesus e Estêvão na morte: “Perdoa-lhes, Pai, pois não sabem o que fazem”!


 


Conclusão - “Amai a vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem”

O verdadeiro cristão, se obediente, e se entende a Palavra, não deve se isolar numa redoma ou aquário de peixinhos do seu tipo, nem numa panelinha, nem o calvinista despreze o arminiano e vice-versa, mas amemo-nos uns aos outros, usando-se de comunicação (contato) e beneficência (fazer bem), pois com tais sacrifícios Deus se agrada (cf. Hebreus 13.16). Se alguém, ainda que seja pastor, te diz para fazer isso – se isolar – ignore-o pois é ignorante da Palavra: fique com a Bíblia, ela diz a verdade!

Não deve, realmente, o salvo ter amizades íntimas com aquele que escancaradamente pratica o mal, mas devemos sempre ter contato (como, por exemplo, cumprimentar, conversar, ser amigo com uma certa distância) com aqueles que estão ao nosso redor, como conhecidos, vizinhos, colegas de trabalho, escola, faculdade, não importa de qual religião, filosofia, ideologia ou prática sexual eles são – às vezes nem pergunte – pois mesmo que for satanista, não perca a oportunidade e fale de Jesus quando Deus preparar!

O salvo nunca deve desprezar a família de sangue (com a qual deve ter um relacionamento mais íntimo e profundo), tampouco a família de irmãos na fé. Mas deve saber que Deus encerrou a todos na desobediência para com todos exercer misericórdia cf. Romanos 11, ou seja, você não é melhor do que o ímpio por ser salvo, pois um dia você também era filho das trevas, como foi também Paulo! Se você tem algum bem e alguma virtude hoje, isso veio da Graça, do Favor Imerecido de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo!

Não importa se aquela pessoa próxima de você é de alguma religião oriental, ou espírita, ou islâmica, ou ateia, ou religião ocultista. Não importa se é de uma panelinha do cristianismo que não é a sua. Importa é que você deve dar bom testemunho com sua vida e com suas palavras, testemunho de Jesus Cristo (Apocalipse 1.2, 1.9, 12.18., 19.10, 20.4)! Isso se você já tem Jesus Cristo na sua vida.

Há pessoas das quais realmente devemos nos afastar, pois influenciam-nos para o mal e nos fazem pecar. Disso Deus não se agrada. Mas não são dessas que estou me referindo. O cristão não deve ser influenciado nem conformado com o mundo (não deve tomar a forma do mundo), mas ser um influenciador de Jesus Cristo, ESPECIALMENTE com seu testemunho de vida, sem acepção de pessoas, mas respeitando a todos!

Se você se isola, como poderia evangelizar ou ser exemplo para outros? Como poderia Deus te usar para falar com alguém que tem sede de Deus e está desesperado e perdido no mundo, pensando em como a vida dele não faz sentido, naquele instante, do teu mesmo lado?

Não, não é para você frequentar o local da prática antibíblica dele, da religião, ideologia, prática ou filosofia dele (pois isso seria pecado), mas, por exemplo, se você está na sua vizinhança, como poderia ter inimizade com algum vizinho se o mandamento é “se possível, tende paz com todos os homens”? Como poderia esquecer-se de que, se Deus realmente te tocar naquela hora para falar algo, você vai realmente deixar de lado teu preconceito e ter que falar? Você vai ter que amar! Vai ter que compartilhar teu tesouro na hora em que Deus te tocar, pois eis que quando Deus toca, o milagre acontece! Não é para jogar “pérolas aos porcos” (evangelizar excessivamente - ou fora do tempo - sem o Espírito), mas sim, quando Deus cobrar de você e chegar sua hora, dar o Testemunho de Jesus Cristo (Apocalipse 1.2, 1.9, 12.18., 19.10, 20.4) custe o que custar!

Importa viver pelo Senhor e morrer pelo Senhor, mas que seja em obediência! Se pelo nome de Jesus Cristo sofreis, bem-aventurados sois (o mundo não entende como é isso)! Quão felizes são os que são de Cristo, que sofrem com Ele! E: Que amam como Ele ama!

Ele nos ensinou o amor verdadeiro, e não o preconceito! Ele nos ensinou a perdoar todos os pecados, todas as ofensas, senão o Pai não nos perdoa! Aquele que foi perdoado em Cristo, como não perdoaria o próximo? Devemos perdoar, querer o bem do ofensor (que às vezes corretamente deve ficar muito distante), não importa quão grave isso for, pois Dele é a vingança, “Eu recompensarei” – diz o Senhor em Hebreus - isso é perdoar. Perdão não é ausência de mágoas, mas ter uma disposição favorável àquele que causou o dano: ore de coração por ele/ela e estará perdoando. Uma característica do cristão nascido de novo é o perdão, uma vida em arrependimento. Se não perdoa o próximo, ainda que demore algum tempo, tem que se converter ou voltar ao primeiro amor!

Como poderia também tu entrar na justiça por bobagem diante de Deus, querendo o mal do próximo, não perdoando o teu próximo, se Deus é teu vingador? O que o homem/mulher semear, colherá. A justiça terrena é imperfeita! Quer colher espinhos?

A nossa parte é amar sem acepção de pessoas. Deus faz seu sol e chuva cair sobre todos. Deus dá o início e o fim da vida de todos, e é Ele quem enriquece e empobrece, exalta e abaixa, cf. o cântico de Ana em 1Samuel 2. Deus oferece a salvação a todos em Cristo, e usa o sofrimento para o nosso crescimento e para nos levar à salvação, para mais próximo Dele. Deus quer que todos sejam salvos igualmente conforme a Escritura, Deus não faz acepção de pessoas, e quem é você que age com preconceito / acepção de pessoas? Quem é você diante de Deus? É maior? É melhor? É mais perfeito? Mais sábio? Eis que Deus disse que as próprias nações são menos do que nada para Ele, e como a gota dum balde (conforme Isaías). Portanto, que amemos aos inimigos, aos amigos, aos conhecidos, aos desconhecidos, e a todos intercedamos ao Pai, pois todos os seres humanos são iguais, pequenininhos diante de Deus como recém-nascidos, e todos têm necessidade da mesma salvação, que só se encontra em Cristo Jesus, o Senhor.

Concluindo, toda a Escritura é inspirada, e devemos ler ela toda, pois é registro da revelação de Deus aos homens; é Palavra de Deus em linguagem humana. Mas um conselho para os que costumam ler Salmos (Antigo Testamento) seria:

Alguns deles, como Salmo 139.21-22 de Davi, não são exemplos perfeitos para os cristãos da nova aliança: “Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti? Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos.”

Siga, porém, as Palavras de Jesus, pois Ele é o Perfeito Deus: Eu [JESUS], porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.

Que esse estudo seja de edificação.

Amém.


Mensagem final:

“Espero que todos oremos mais para que possamos amar mais a nosso próximo, seja lá quem for, e para que sempre estejamos obedientes, vigilantes e perseverantes no Senhor. Somos julgados pelo Senhor e pela Escritura para não sermos condenados com o mundo. Já aquele que não se deixa mais admoestar, que futuro haverá para ele?”

Roberto