Graça e paz!
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Roberto
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Paz! Coloquei dia 9 no nome do arquivo:
Link para download do PDF oficial para a glória de Deus e edificação da Igreja:
Graça e paz. Acho que ficou bom.
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PDF original: (21h25 8/3/26)
Tabela está na seção 10.7.2.
21h20 8/3/26
Observação
final: se a parte culpada pelo divórcio (por adultério ou abandono) se
arrepender dos seus pecados, se converter e nascer de novo em Cristo, seus
pecados passados foram apagados. Ainda que a aliança anterior tenha sido
desfeita, a pessoa está livre no Senhor para um novo casamento.
Em último
lugar, o apóstolo não está excluindo as mulheres solteiras ou estéreis, ele está
combatendo falsas doutrinas: algumas doutrinas proibiam o casamento (1Tm 4.3), algumas
mulheres estavam abandonando os lares para viverem como fofoqueiras e ociosas
(1Tm 5.13-14), portanto a mulher é preservada do engano de Satanás quando
abraça seu chamado e plano ordinário de Deus para a família, que na época de
Paulo envolvia casamento e maternidade, mas lembrem-se que o apóstolo não
recomendava sempre isso sob muita perseguição. Para a solteira ou estéril hoje,
ela é preservada do engano do inimigo ao se dedicar fielmente ao chamado de
Deus na sua vida (lembre-se, cada um tem um chamado específico), vivendo em fé,
amor e santificação com modéstia.
8.1.2 Corpo, Alma, Mente e Cérebro
Filosofando sobre a ligação de
corpo e alma, e como a mente funciona, podemos pensar que:
1. 1. O corpo possui um cérebro.
2. 2. Sem o cérebro o homem terreno não pode
pensar, ou seja, o cérebro é um instrumento para a mente.
3. 3. Bíblia fala que a alma pensa (Ap 6.9-10 – almas sem corpo clamando e
raciocinando).
4. 4. Portanto, podemos crer que a alma do homem, que pensa, utiliza o cérebro
como meio, pelo qual ele pensa na Terra. Podemos crer que a alma/espírito do
homem é o princípio de vida que rege a mente em geral, e, na Terra, o faz através
do cérebro.
Antes do homem ser concebido ele
não existia, nem possuía alma. Desde a sua concepção até a eternidade, pois a
alma é imortal segundo a Bíblia, o homem possui uma alma, e pensa. Nesta vida, faz
sentido que a alma ativa a mente pelo cérebro. Além disso, se o cérebro for
danificado em alguma parte essencial, a mente humana será bloqueada ou
prejudicada, e o homem não pensará corretamente, pois o cérebro é um
instrumento para o homem pensar, para a mente nesta realidade.
A Bíblia diz que o homem, depois
de morto, ainda pensa e está consciente diante de Deus, seja no tormento ou no
gozo celeste. Como a Bíblia não fala que o homem depois de morto e antes da
eternidade (estado intermediário) possuirá um corpo temporário (pois o corpo
terreno viu a corrupção, virou pó, e o corpo incorruptível só será inaugurado
na eternidade), certamente a alma/espírito possui intelecto, emoção e vontade
(sendo princípio de vida) sem precisar de um cérebro no estado intermediário.
Na terra a fala se propaga
através do som, e nesta vida o ser humano pensa com um cérebro. Já no Paraíso
de Deus não se sabe se tem ar para a fala se propagar, creio que não, mas Deus
é quem sustenta a comunicação sem ar e o pensamento de almas sem corpo conforme
relatos na Escritura.
Se a alma pensa sozinha sem ajuda
do cérebro nessa realidade, ou seja, se a mente apenas está na alma ignoramos a
ciência, que mostra que um cérebro danificado de um homem, que claramente
possui uma alma, impede a mente (como a lobotomia). Mas a Bíblia diz que a alma
pensa, portanto ela ativa a mente pelo cérebro, e no estado intermediário, ela mesmo
promove o raciocínio e a comunicação.
Apesar de tudo isso, o homem é
uma unidade, e como tal o seu corpo e espírito não permanecem separados nesta
vida. Mais detalhes acerca da unidade do homem em sua relação mente-cérebro na
seção 8.1.7 O Homem é uma Unidade: Aplicações Práticas.
PDF oficial:
PDF letra gigante:
https://www.mediafire.com/file/yetnahqox46pesw/7-mar-26_LETRA_GIGANTE_TEOL_SIST.pdf/file
Vi que isso não estava bem explicado. Agora está.
Além disso, nem toda pessoa que sente o Espírito Santo e
seus dons, e nem todos os que são usados esses dons espirituais são salvos de
verdade, ou seja, nem todos praticam o fruto do Espírito Santo, evidência do
novo nascimento! Assim não nasceram de novo, mas Deus pode lhes ter concedido
dons sem que isso implique regeneração, concedido dons segundo o contato com a
Palavra e o Espírito para um propósito Soberano nas suas vidas, em que,
conforme a citação de Bunyan adiante (parágrafo 303: Vi, portanto, que aquele
que possui os dons precisa ser levado a reconhecer a natureza deles...),
quem tem dons deve ser levado a reconhecer a natureza deles e se render
plenamente a Cristo!
São pessoas chamadas pelo evangelho, como os servos que
receberam talentos do seu Senhor, ou como as virgens que tinham suas lâmpadas
(Mateus 25.1-30): eles conheciam (pelo menos minimamente) o Senhor. Já ímpios
zombadores ou não chamados pelo Senhor não recebem dons do Senhor.
Os servos ou mordomos fiéis foram para a glória, mas o
servo ou mordomo infiel, chamado pelo Senhor, também recebeu um talento/dom
pela graça infinita de Deus, mas era mau e negligente (Mateus 25.16). As
virgens prudentes (ou salvas) foram à glória, mas as virgens loucas (ou não
salvas), cujas lâmpadas também estavam inicialmente acesas, mas que não tinham
azeite em suas vasilhas (Mt 25.3-4), foram condenadas, ainda que tinham
recebido inicialmente uma porção de virtude ou dons pela graça do Espírito
Santo (suas lâmpadas estavam inicialmente acesas).
Outros versos que mostram que Deus enche do Seu Espírito
Santo pessoas chamadas pelo evangelho até mesmo antes da regeneração:
TEOL. SIST. 6/MARÇO/2026:
PDF com letra normal (oficial):
PDF com letra gigante (esboço):
https://www.mediafire.com/file/yetnahqox46pesw/6-mar-26_LETRA_GIGANTE_TEOL_SIST.pdf/file
Correção seção 9.4 (a corrupção não vem do DNA, mas de geração natural etc.):
A respeito da culpa e da
corrupção herdada pela humanidade por causa de Adão, cito Grudem (2001):
Culpa herdada – Segundo as Sagradas Escrituras somos considerados culpados perante Deus por causa do pecado de Adão. E o apóstolo Paulo nos explica dizendo: “Portanto… por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” (Romanos 5.12). Ao observarmos o contexto, veremos que Paulo não está tratando dos pecados que as pessoas cometem efetivamente no seu dia a dia, pois todo o parágrafo (Romanos 5.12-21) trata exatamente da comparação entre Adão e Cristo, portanto quando Paulo diz “assim passou a todos os homens, porque todos pecaram”, ele está dizendo que por meio do pecado de Adão, “todos (os homens) pecaram”. Herdamos em Adão a culpa do pecado. Quando Adão pecou, o Senhor Deus considerou todos os futuros descendentes de Adão como pecadores. Mesmo que ainda não existíssemos, Deus que sabe quer o futuro quer o presente, Ele sabia que iríamos existir e passou a nos considerar culpados em Adão. E ele afirma mais: Ele diz que Cristo morreu “por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8), mesmo que muitos de nós nem existíssemos, mas Ele nos considerou pecadores necessitados de salvação. Adão pecou, e Deus nos considerou tão culpados tanto quanto Adão. Isto se chamar imputar, isto é, “considerar pertencente a alguém, e assim fazer pertencer a esse alguém”. Grudem (2001).
Essa culpa herdada da Queda de
Adão foi removida por Cristo na sua morte (na seção “A relação entre a Queda de Adão e do Sacrifício de Cristo a Todos e a
Cada Um” dentro da doutrina da salvação). Discursaremos em qual estágio
creio que essa remoção da culpa é aplicada na vida das pessoas na seção 10.3.3.
Corrupção herdada – Assim, o estado de depravação ou corrupção que se seguiu é agora inerente a toda humanidade. Todos nascem com a natureza carnal herdada de Adão. Davi diz: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51.5). Muitos estudiosos de maneira equivocada, julgam que o que está aqui em evidência é o pecado da mãe de Davi, mas isso não está no texto, pois se dermos uma boa e demorada olhada no contexto, verificaremos que nada ali narrado tem a ver com a mãe da Davi. Vamos olhar novamente o texto: “Compadece de mim, ó Deus… apaga as minhas transgressões… Lava-me completamente da minha iniquidade… conheço as minhas transgressões… Pequei contra Ti…” (Salmos 51.1-4). Davi é honesto, examina o seu passado, que se abate diante da legítima consciência do seu próprio pecado e percebe que ele foi pecador desde o início e que desde tenra idade teve uma natureza pecaminosa. Portanto, nossa natureza humana inclui uma disposição para o pecado. Grudem (2001).
Essa corrupção herdada só será
extinguida de nós na eternidade quando formos a completa imagem de Cristo na
glória, ou seja, sem pecado. Falemos um pouco da consequência da doutrina da
aliança das obras feita no Éden. Bom, basicamente é uma aliança (pacto) feito
com Adão, que se fosse fiel a Deus, obteria direitos legítimos à vida eterna
para ele e para seus descendentes. Claro que Adão já possuía a vida eterna, de
modo que comia dos frutos da árvore da vida, pois Gn 2.16-17 fala “De toda árvore do jardim comerás livremente,
mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque [...]
certamente morrerás”, em conjunto com Gn 2.9 “O Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e
boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do
conhecimento do bem e do mal”, que existia a árvore da vida no Éden, mas o
Senhor só proibiu a do conhecimento do bem e do mal. Então Adão comia dos
frutos da árvore da vida para viver, como nós comeremos nos novos céus e nova
terra (Ap 2.7, 22.14). Desobedecer a Deus nessa aliança das obras (também
chamada “aliança da criação”) seria desastroso. Deixo as palavras de Berkhof,
Louis, 1990:
Esta doutrina da aliança das obras [antes
de Adão cair em pecado] implica que Adão tinha dupla relação com os seus
descendentes, a saber, a de chefe natural da humanidade [pai de toda a
humanidade segundo a carne], e a de chefe representativo [cabeça] de toda a
raça humana. Além de ser pai de toda a humanidade, o primeiro homem [relação de
chefe natural], era também representante de todos os seus descendentes, de tal
modo que Deus ordenou que nessa aliança Adão não estaria só como si próprio,
mas como o chefe da raça, não somente num sentido paterno, mas também num sentido federal. Enquanto
que, sem essa aliança, Adão e os seus descendentes estariam num continuado
estado de prova, em constante risco de pecar, a aliança garantiu que a
perseverança, ao persistir por um período fixo de tempo,
seria recompensada com o estabelecimento do homem num permanente estado de
santidade e bem-aventurança. Segundo os termos da aliança, obteria legítimos
direitos à vida eterna, se cumprisse as condições da aliança. E não somente
ele, mas também todos os seus descendentes participariam dessa bênção.
Portanto, em sua operação normal, as disposições pactuais seriam de
incalculável benefício para a humanidade. Mas havia a possibilidade de que o
homem desobedecesse, e, nesse caso, os resultados seriam correspondentemente
desastrosos. A transgressão do mandamento incluso na aliança redundaria em
morte. Adão escolheu o curso da
desobediência, corrompeu-se pelo pecado, tornou-se culpado aos olhos de Deus e,
como tal, sujeito à sentença de morte. E porque ele era o representante federal
da raça, sua desobediência afetou os seus descendentes todos. Em Seu reto
juízo, Deus imputa a culpa do primeiro pecado, cometido pelo chefe da aliança,
a todos quantos se relacionam federalmente com ele. E, como resultado, nascem
também numa condição depravada e pecaminosa, e essa corrupção inerente envolve
culpa também. Berkhof, Louis, 1990.
Sobre a Aliança da Graça, favor
ver a citação da Bíblia de Genebra no Apêndice C – Aliancismo versus
Dispensacionalismo.
Juntando algumas seções, a alma
vem diretamente por uma criação de Deus na concepção (seção Origem da Alma), todavia, como diz G. Voetius, F. Turretin e B. de Moor
apud Bavinck, Herman (2012, vol. 2, pág. 595), “a alma, embora chamada à
existência como uma entidade racional espiritual por uma atividade criativa de
Deus [...] recebe seu ser não de cima ou de fora, mas sob as condições e
no meio dos vínculos do pecado que oprime a raça humana”. Enfim, por
isso, é claro que a alma também peca: “A alma que pecar, essa morrerá”
(Ez 18.20a). Já o nosso corpo em sua plenitude (tudo, menos a alma ou espírito)
certamente vem transmitido por geração de nossos pais, formado de modo único
pelo nosso DNA, assim como corretamente a ciência mostra, e Jesus em João 3.6
fala que o que é nascido de carne é carne.
Como descrito na citação de
Grudem acima e na seção “4.3 Cristo Nasceu sem Pecado”, herdamos de Adão
(e não de Deus), o primeiro cabeça ou representante federal da humanidade, a
culpa imputada espiritualmente e a corrupção do pecado herdada por geração
natural (Gn 5.3; Sl 51.5; Rm 5.12). A respeito da culpa, como Cristo é o segundo
e novo cabeça da humanidade, depois da sua ressurreição, ele removeu tal culpa
imputada por Adão, ou seja, tirou todos os impedimentos legais à salvação a
todo aquele que crê, pela Graça, chamada preveniente ou anterior. Porém, nós,
nascidos de novo, sem a culpa que foi imputada por Adão, ainda herdamos a natureza
corrompida pelo pecado, pois não somos perfeitos, mesmo nascidos de novo, mas
somos ao mesmo tempo santos e pecadores, como Lutero disse.
Culpa e Corrupção: Relação de
Cristo, os homens e os demônios na transmissão do pecado
Agora que estudamos que os seres
humanos nascem culpados do pecado de Adão e com uma natureza humana corrompida
(natureza pecaminosa), vamos continuar o raciocínio. Relembrando raciocínios
anteriores:
Seção 4.3 – Cristo Nasceu sem
Pecado: baseado no ministério Answers in Genesis, pode-se ver que a natureza
pecaminosa passa espiritualmente.
Nessa mesma
seção, 9.4, baseado nas teologias sistemáticas reformadas, pode-se observar com
clareza que a Escritura, lendo muitas passagens bíblicas com a palavra corrupção,
defende que o ser humano, descendente de Adão, pecou [passado] em Adão
(Rm 5.12), e que por imputação [1] e geração natural [2],
como Adão morreu espiritualmente quando tomou do fruto com a Mulher (depois
chamada Eva, que também morreu espiritualmente), e como Adão é o primeiro
cabeça da humanidade [1] e como todo casal concebe filhos em sua imagem e
semelhança [2] (como diz a Escritura de Adão para Sete), “a morte passou a
todos por isso que todos pecaram” (Rm 5.12): nascem mortos por estar sob a
sentença de morte do pecado de Adão [1, pela culpa, pois somos culpados uma vez
que pecamos com ele] e mortos por causa de seus pecados cotidianos [2, pela
corrupção/natureza pecaminosa que recebemos na concepção]. Desta
maneira, todos
os seres humanos nascem mortos no pecado (Ef 2.1-3, Cl 2.13, Rm 3.9-12, Rm 5.12
etc. - depravação total), e nascem assim pecadores (antes do primeiro pecado
pessoal já são pecadores e mortos espirituais), e por serem pecadores cometem
seus pecados cotidianos, continuando nesse estado escravizado até ter um
encontro com o Evangelho do Salvador pelo Espírito e pela preparação do Pai, no
qual ao salvo é possível crucificar progressivamente a carne com Cristo de modo
que o pecado, ainda presente, não mais nos domine.
Culpa herdada (pecado de Adão
herdado – pecamos com ele, pois a humanidade está ligada como num organismo
vivo, não são indivíduos isolados como os anjos) – a culpa é transmitida
espiritualmente (imputada), por isso certamente o ministério Answers in
Genesis acertou que Cristo, como é o Santo Filho de Deus, infinitamente Santo,
não foi afetado por ela. Assim como nós recebemos a justiça de Cristo na
justificação por imputação, recebemos também a culpa de Adão por imputação,
conforme a Escritura usa a expressão imputado (Rm 5.13).
Corrupção herdada de nossos
pais: nascemos à imagem e semelhança caída de Adão através de nossos pais
(Gênesis 5.3), isto é, com a natureza pecaminosa que habita no nosso ser e que
nos escraviza e faz continuamente pecar. Se é assim, por que Jesus não nasceu
com a corrupção herdada de Maria? Porque Jesus não nasceu à imagem e semelhança
de Adão, não nasceu por geração natural, mas sobrenatural – como se fora antes
da queda, pois Jesus é o “Segundo Adão”, puro e imaculado, o cabeça da
humanidade redimida.
Desta maneira Jesus não recebeu
a culpa espiritual imputada que vem de Adão por ser Filho de Deus, nem a
corrupção (natureza pecaminosa) pela concepção miraculosa através do Espírito
Santo. Já, nós, recebemos ambas, culpa (embora esta recebemos antes de nascer)
e corrupção na concepção.
E os demônios? O pesquisador do
ministério Answers in Genesis da citação da seção 4.3 diz que Satanás e os
demônios receberam a natureza pecaminosa espiritualmente. E isso faz todo
sentido pois, em primeiro lugar, anjos ou demônios não se multiplicam nem
procriam segundo a Escritura verdadeiramente inspirada, portanto não
fazem outros anjos/demônios segundo sua imagem e semelhança para poderem passar
a natureza pecaminosa.
Em segundo lugar, baseado na
seção 12.23.3, parte B (O Diabo Está no Inferno? Explicando 2Pe 2:4):
2 Pedro 2:4 (NVI) Pois Deus
não poupou os anjos que pecaram [1], mas os lançou no inferno [3], prendendo-os
em abismos tenebrosos [2] a fim de serem reservados para o juízo.
Pode-se ver que Pedro liga o
fato de que [1] Deus não poupou os anjos pecaram e estão perdidos para sempre
sem chance de salvação, com o fato de que [2] estão presos em abismos
tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo. E o apóstolo dá a entender
que o que faz que eles fiquem para sempre perdidos e prendem eles para o juízo
é? O inferno [3]. O inferno é o termo que liga e conecta o início do fim da
frase inspirada de Pedro. Certamente não é uma prisão que eles não possam sair
(como se fosse o lago de fogo, não é um local “físico”), mas um estado
espiritual de sofrimento, condenação e prisão fora e longe da luz de Deus, e também (como as palavras em grego são diferentes)
não é o mesmo local em que os mortos sem Cristo estão.
Portanto, no meu ponto de vista,
fica claro que Satanás e os demônios estão sob uma sentença pecaminosa e
separação da luz, que inclui a morte espiritual/eterna e, claro, a natureza
pecaminosa deles (transmitida e/ou imputada espiritualmente após a queda de
Satanás e seus anjos, evento esse que ocorreu depois dos seis dias da criação e
antes da queda de Adão conforme a seção 7.3), demônios estes que estão em
infindáveis trevas, a fim de serem reservados para o juízo.
Assim, concluindo, o ser humano
nasce morto espiritualmente, pois recebe culpa espiritual e corrupção (natureza
humana corrupta) por geração natural;
Cristo, o Santo Messias, foi
gerado sem pecado (sem culpa nem corrupção, recebendo a natureza humana perfeita
como se fosse original do Éden (antes da queda Adâmica)) pelo Espírito. Como
diz a citação na seção 4.3, a Mulher foi tentada no Éden mesmo sem natureza
pecaminosa: Cristo também, mesmo sem natureza pecaminosa, foi em tudo tentado
por nós (Hb 4.15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa
compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi
tentado, mas sem pecado);
E os demônios recebem a morte e
natureza pecaminosa espiritualmente pela queda e maldição própria do pecado
deles, uma vez que, mesmo tendo visto a glória de Deus, deixaram seu principado
(E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria
habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele
grande dia - Judas 6).
Amém.
PDF LETRA ENORME (Teologia Sistemática Interdenominacional, esboço, com fonte do corpo do texto tamanho 14 para idosos):
https://www.mediafire.com/file/yetnahqox46pesw/LETRA_GIGANTE_TEOL_SIST_27-2-26.pdf/file
Epígrafe:
O valor e
estima de um cristão verdadeiro não é aumentado pelas obras de justiça - boas
obras - que ele faz pelo Espírito Santo em vida, pois a sua justiça diante de
Deus é imutável e está no Céu, à direita de Deus: a nossa justiça é Cristo, o
mesmo ontem, hoje e eternamente.
Portanto, nosso
valor, nossa autoestima, nossa autoimagem, nosso contentamento devem vir de um
só fato: somos filhos de Deus adotados em Sua família por estarmos unidos em
Cristo e, por isso mesmo, o que Cristo faz, o que Ele é - respeitando as
diferenças como pessoa, personalidade e natureza - nós somos.
Tendo nascido
de Deus, somos filhos amados intimamente de Deus – e Ele quer o nosso bem – o
Pai quer que estejamos no centro de Sua boa, perfeita e agradável vontade.
Todos os
cristãos verdadeiros e fiéis são espiritualmente um com Cristo pelo Espírito
Santo e pela graça de Deus. Estamos em um noivado que vai culminar em um
casamento eterno com Cristo, em um relacionamento eterno mais íntimo com o Pai,
e em uma ainda maior aproximação com o Espírito Santo que vive em nós.
Em Cristo, o
cristão é pleno, e nenhuma criatura, ato ou força poderá separá-lo do amor de
Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor, Salvador e Deus Todo-Poderoso!
Gálatas
2:19b-20a: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas
Cristo vive em mim.”
23/fev 0h
Nem todo conceito da justificação vindo da reforma protestante
(conceito usado ao longo de todo esse livro, mas não alterado conforme essa
seção) é completo, e nem todo conceito da Nova Perspectiva sobre Paulo é
correto (por exemplo, trocar o entendimento da expressão bíblica “justificados
pela fé em Cristo” por “justificados pela fidelidade de Cristo”) não é cem por cento correto. Fazendo uma via média, ainda que com raciocínios circulares, compreendendo melhor e
aprofundando, temos que:
Fonte da síntese abaixo: Seminário Teológico Jonathan Edwards. Masterclass – “Abordagens sobre a doutrina paulina da justificação na dogmática do século XXI” – Prof. Guilherme Nunes, Mestrado em Teologia Sistemática, turma III, módulo cinco. Janeiro de 2026. Para as citações bíblicas eu, Roberto, variei com várias versões bíblicas.
“Acerca do legalismo judaico na época apostólica aparentemente combatido pelo apóstolo Paulo, e por Tiago e Pedro na assembleia de Atos 15, deve-se dizer que o judaísmo era variado no tempo de Cristo, não era único. Nem todo judaísmo era legalista [como os fariseus pelas palavras de Jesus em Mateus 21-23], pois havia linhas e grupos judaicos que se apoiavam na graça e misericórdia, como o judaísmo messiânico (que era exclusivista), e outros que se apoiavam na obediência à Torá (lei de Deus) para livramento do juízo final - estes, como Paulo combatia, eram grupos legalistas.
Existia a necessidade por alguns de cumprimento da circuncisão, guarda do sábado etc. - prática da lei para ser salvo no último dia. E existia o etnocentrismo (nomismo etnocêntrico) - o "lugar" de salvação que eles defendiam era que deviam aderir à lei para ter uma identidade judaica. Apenas sendo judeu a pessoa seria salva, como um prosélito [combatido por Jesus em Mateus 23, colchetes meus]. Para alguns a salvação era em tornar-se judeu, e para isso a pessoa devia cumprir a lei para ser salva - e é isso que Paulo combatia. Parece que os fariseus liam "os gentios" em Isaías, e entendiam "prosélitos" dentro do judaísmo.
A natureza efetiva da justificação é a santificação, de modo que uma está ligada a outra.
A natureza da justificação é ampla, não só vertical e individual: Deus cria um novo povo, com um novo status, dentro de uma nova aliança, preparando para uma nova era: para o momento escatológico / eternidade.
O problema da nova perspectiva em Paulo é reduzir os termos em grego de justiça e retidão em mera categoria pactual.
O ato de justificação no presente, como dito, não é tornar-se justo [sem pecado na Terra], mas ser declarado justo diante de Deus.
Paulo, acerca de justificação, fala de justificação tanto no presente como no futuro. Paulo diz, combatendo alguns grupos judaicos, que você não tem que ser prosélito judeu para se tornar ou ser garantido justo no último dia, porque Jesus te justifica no presente, ou seja, te coloca dentro de um novo povo, te dá um status de justo no presente, e sua ressurreição garante que no último dia você seja declarado justo, obviamente pelo sacrifício de Jesus, por sua morte e ressurreição, e por conta da declaração presente já de que você está no status de justo diante de Deus, e que você faz parte do povo de Deus.
~~
União com Cristo: Efésios 2:4-10 (“Em Cristo”, várias vezes)
A parte da união com Cristo é um centro importantíssimo na teologia paulina. Em Cristo, expressão várias vezes escrita na Escritura, significa união com Cristo como fonte de vida em toda a obra da salvação: se a justiça de Cristo é dada a mim porque estou ligado a Cristo. "Não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim." Como estou em Cristo, tudo o que Cristo é, faz, eu sou.
Além disso, não dá para separar a justificação e santificação: Romanos 6 até o v. 14: a natureza efetiva da justificação é uma nova vida, e que ao te colocar diante de Deus, você vive como alguém que está diante de Deus. Puxando as heranças de Calvino vemos que ele juntava as duas coisas, afirmava claramente que justificação não é santificação, mas ambas são amparadas no fato de que nós temos participação em Cristo, nós devemos afirmar de que apesar de que nós somos justificados, isso não significa que nós devemos buscar menos santificação do que valorizamos justificação. As duas coisas estão juntas, porque estamos em Cristo, e temos participação direta com Cristo.
A natureza efetiva da justificação é me colocar diante de Deus para ser santo, assim não se gera divisão estranha entre justificação e santificação.
Justificação é pela fé, e a outra moeda da fé é o arrependimento.
Já a doutrina da imputação é a implicação necessária e lógica da doutrina da união com Cristo. É teológica, mas não exegética. Existe uma solidariedade corporativa entre o crente e o Messias de forma que aquilo que aconteceu e aquilo que pertence aos Messias pertence aos crentes por conta de que os crentes estão em Cristo. Então isso gera uma implicação direta que a doutrina da imputação é correta e teológica.
O ato de imputação vem junto com a misericórdia de Deus. Salmo 103.8-10. Não é como se alguém dissesse: “Eu preciso da imputação porque senão Deus me aniquila, a ira de Deus vem, etc.” – pois o ato de imputação vem junto com a misericórdia de Deus. Há uma relação da imputação [comunitária] com a relação judeu - gentio na nova comunidade, novo homem. A justiça de Cristo nos coloca também como povo de Deus, aí entendemos que a imputação implica na minha relação (ou na linguagem Paulina na relação de judeus e gentios) na nova comunidade, formando um novo homem.
2 Coríntios 5:21 NAA [Nova Almeida Atualizada]: Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.
Imputação não só é algo dado a mim. É dado a mim porque estou em Cristo. Imputação não pode ser retirada das relações com as outras áreas / relações diretas, por exemplo, diminuindo a obediência a Deus. A obediência é uma resposta de gratidão à graça de Deus.
Portanto a morte de Cristo não é apenas uma questão de imputação do pecado, mas também uma questão de participação direta, nossa, em união com ele. Essa participação também é real e efetiva na ressurreição de Cristo: "se alguém está em Cristo, é nova criatura."
Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. (II Coríntios 5:14 acf)
O ato de estar em Cristo rege as questões de imputação.
2Co 5.21 (Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus) diz que nós somos tornados pessoas justas: isso fala da união com Cristo. A justificação não pode ser vista como mera questão forense, mas com união com outras frentes.
Somos feitos justiça de Deus: não tínhamos isso mas nos foi dado, presenteado, portanto existe uma ideia de imputação aqui. A justiça que foi dada foi dada em união com Cristo.
Romanos 4, Abraão, creditado em justiça ou imputado? Creditar é sendo contada para mim, e imputar é sendo transferida para mim.
O ato de Abraão ter crido no que Deus falou, esse ato de crer/confiança, fez Abraão ser contado como justo, e não com algum tipo de transferência.
A justificação é obra do Espírito que incorpora os crentes a Cristo.
Romanos 4:3, 5 NVI [3] Que diz a Escritura? “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi atribuído como justiça.” [5] No entanto, ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé é atribuída como justiça.
A fé é que está sendo creditada. A fé [embora seja meio cf. Ef 2.8-10, não fim em si mesma] faz com que eu seja justo, somos redefinidos como justos, mas alguns textos não falam propriamente de transferência de justiça explicitamente na Bíblia.
A união com Cristo é a doutrina exegética da Palavra e imputação é a implicação lógica-teológica (justiça de Cristo transferida a mim e meu pecado transferido a Cristo).
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Ligação da justificação com a ressurreição de Jesus
Paulo, quando o assunto é o evangelho, não separa cruz e ressurreição, como a teologia muitas vezes separa: em Romanos 1:3, Romanos 10:9, 1Coríntios 15.3-8, 2Timóteo 2:8, e também em Romanos 4:25, Paulo sempre une a ressurreição com a mensagem do evangelho.
"Ressuscitou para nossa justificação": Rm 4:25.
Existe uma relação implícita de que existe uma relação direta e indissolúvel entre morte/cruz e ressurreição.
1Coríntios 15:17 ACF E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.
Para que haja perdão de fato dos pecados dos salvos, é necessário que Cristo tenha ressuscitado. Sem a ressurreição, ainda estamos mortos nos pecados (1Co 15.17). A morte de Jesus está ligada com a ressurreição. Na ressurreição, há um maior veredito do que a morte: vocês estão perdoados! É uma declaração viva. Só com a morte a declaração de perdão ainda não foi feita. Uma coisa é pagar dívida (morte), outra coisa é colocar dinheiro na sua conta, é alguém que agora vive para Deus, vive como perdoado para Deus (ressurreição).
Romanos 1:3: há uma declaração de ser filho de Deus. Não só de divindade, mas de função baseado na descendência davídica, como Rei pela ressurreição. Na ressurreição, Cristo não ressuscitou como cabeça individual, mas cabeça de um povo. Na ressurreição, o Rei dá vida ao seu povo, faz deles família!
Romanos 4:24-25 (Ressuscitou para nossa justificação):
24 Mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; 25 O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação (Romanos 4:24-25 acf)
"Para" nossa justificação, e não "por causa" da nossa justificação:
Justificação é um processo temporal na história do crente (fator presente e futuro), e o que me garante essa justificação no último dia é a ressurreição, e que a obra de ressurreição de Cristo é a Obra necessária pela qual seremos julgados no futuro. Romanos 4.25, enfatizando o fator futuro, de que lá no futuro eu serei justificado por conta de que Jesus ressuscitou. A ideia é de que a ressurreição também justifica no presente, mas sua ênfase de justificação é que naquele grande Dia nós seremos justificados porque nós fomos justificados no presente, mas o que garante nosso veredito final lá também é justamente que Cristo ressuscitou.
9 Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. 11 E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação. (Romanos 5:9-11 acf)
A reconciliação também garante que serei salvo pela sua vida porque Ele ressuscitou. Na morte (e, claro, ressurreição, mas enfatizando a morte) eu fui reconciliado e ela me garante o perdão no presente, mas no futuro (enfatizando a ressurreição) serei salvo da sua ira, pela sua vida – pois vida no final de Rm 5.10 seria a ressurreição.
Romanos 5.16ss: Adão e Cristo: Há um ato da ressurreição (Paulo usa a expressão: "na sua vida", que quer dizer estado pós-ressurreição, reinando em vida). O julgamento, como diz N.T. Wright também, seria um veredito já (não um filme passando, um "telão"), não é um ponto de ver se você pode passar, e esse veredito estaria definido na ressurreição dos crentes. É por isso que Paulo fala: se Ele não ressuscitou, vocês não vão ressuscitar. E, se Jesus não ressuscitou, vocês permanecem mortos nos seus pecados.
A ressurreição garante que foi dada vida para vocês, e também garante que vocês serão ressuscitados e salvos da ira naquele dia onde obras serão requeridas, por causa da obra de Jesus na cruz e na grande obra de ressurreição, a obra de justiça, que é ressurgir dos mortos como cabeça de um povo.
E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória. (I Timóteo 3:16 acf)
O termo justificação (Cristo foi justificado no Espírito) aqui cabe bem como 'vindicação', que tem ênfase no ato que torna alguém vindicado, de fato recebido, de fato colocado no seu lugar apropriado de honra e glória. Jesus na ressurreição é colocado no seu lugar apropriado de glória, vindicado. O que significa que nossa união com ele nos coloca lá também. Então sem o movimento de ressurreição não teríamos vida, não estaríamos lá também: pois todo o processo de encarnação, morte e ressurreição são ancorados no fato de que nós estamos em Cristo, e esse ato de estar em união com Cristo nos faz perceber que porque Jesus reina, porque Jesus está vivo, nós também estamos vivos, e também reinaremos, e também seremos salvos da ira vindoura.
O processo de justificação é garantido pela morte (ênfase no presente) e ressurreição (ênfase no futuro). O nosso andar com Deus e o final no último Dia também são garantidos pois Jesus fez a obra necessária para que eu passasse no juízo final. No juízo final, quando ressuscitarmos e/ou sermos transformados com corpos glorificados, esse já será o ato de julgamento de Deus, só que o que nos garante que seremos transformados e/ou ressuscitados, passar por esse julgamento, é justamente que Jesus ao ressuscitar já nos representou no julgamento final de forma antecipada por meio dessa ressurreição. O ato dele ir à frente, como representando todos nós, e seu ato de justiça ao ressuscitar, sua pureza, quem ele é, já garante que na nossa ressurreição já seremos ressuscitados para entrar no reino eterno do Senhor por causa da sua ressurreição.
Esse é o olhar escatológico da ressurreição, e a relação da justificação com a ressurreição."
Seminário Teológico Jonathan Edwards (2026).
Aprimorado 22-fev 23h. Além disso, a questão da nova criação é importante e vale falar sobre ela.
4.1.3 A Cruz: Reconciliação, Satisfação da Justiça Divina e a Questão da Nova Criação
Deixo a introdução dessa
importante seção com a mensagem da música “Se Isso Não For Amor” de Mariana
Valadão:
Doutrina e Base Bíblica
Efésios
2:13-16 Mas agora em Cristo Jesus, vós, que
antes estáveis longe [como os gentios, povos distantes, perdidos e longe da
salvação que veio dos judeus], já pelo sangue de Cristo chegastes perto. 14 Porque
ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos [judeus e gentios] fez um [trouxe-nos
a união e igualdade pelo Sangue]; e, derrubando a parede de separação que
estava no meio, 15 Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos
mandamentos [lei mosaica], que consistia em ordenanças [mandamentos
que ninguém conseguia obedecer plenamente], para criar em si mesmo dos dois [judeus
e gentios, circuncisão e incircuncisão] um novo homem [nascido de novo,
pela fé], fazendo a paz, 16 E pela cruz [meio que Deus escolheu] reconciliar
ambos com Deus em um corpo [corpo de Cristo, Igreja], matando com ela as
inimizades [matou com a cruz tudo o que era contrário a nós].
À luz desse princípio, podemos
aplicar na nossa vida o fato de que todos os homens têm alguma separação, ou até
inimizade entre eles: alguns são separados por faixa etária, outros por
desigualdade social; outros, por renda; outros, por povo, raça (embora só
exista uma, a raça humana), origem, sexo; outrora tínhamos escravos e livres; ainda,
judeus e gentios, sábios e tolos, mas pela cruz Jesus reconciliou todos os que
creem em Cristo com Deus, sem acepção de pessoas, em seu corpo, a Igreja, chamada
de Corpo de Cristo, e, por meio dessa reconciliação com Deus e união com
Cristo, eles recebem paz com Deus o que elimina pela cruz também todas as
separações e contendas entre as pessoas! Somos todos nascidos de novo, membros
do corpo de Cristo. Então, com essa consciência, por que você briga com o seu
próximo? Jesus pagou o preço por esse pecado também! Por que você briga com seu
irmão na fé? Cristo morreu por ele também! Se Jesus acabou com as inimizades,
preconceitos e contendas na cruz, que andemos em Espírito, obediência,
santidade e amor!
Reconciliou todas as coisas
Colossenses 1:20 E que,
havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele
reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como
as que estão nos céus.
Como dito, Jesus nos trouxe,
através da cruz, do seu sacrifício por nós, a paz de Deus, e assim
reconciliados estamos com Deus Pai (Rm 5.1)! O Senhor Jesus também nos dá a Sua
paz (Jo 14.27), a paz que vence o mundo! E o Espírito Santo produz em nós o
fruto do Espírito com paz (Gl 5.22).
Cristo não só reconciliou os
homens com Deus, mas reconciliou com Ele mesmo todas as coisas, tanto as que
estão na terra, como as que estão nos céus:
Assim como a queda de Adão
trouxe morte e separação entre Deus e os homens, trouxe também corrupção
universal da criação. Usando esse raciocínio, uma inferência possível é usada
por criacionistas, que dizem que houve separação entre o homem e os animais
(ficaram carnívoros e selvagens após a queda, pois antes eram mansos e
herbívoros segundo Gn 1.29,30), maldição na natureza (ervas daninhas), além de
morte no cosmo, como as estrelas que “morrem”, e pela cruz de Cristo Ele
reconciliou consigo mesmo todas as coisas, homens, animais, natureza e os
cosmos!
E obviamente também sujeitou
todos os tronos e potestades angelicais sob seu domínio.
E olhe que a graça de Cristo é
infinitamente superior do que a queda de Adão. Se o que Adão fez já trouxe todo
esse mal, imagine o que a graça de Cristo, muito superior [1], vai trazer de
glória [2] na Sua vinda (Romanos 5.17 Porque, se pela ofensa de um só, a
morte reinou por esse, muito mais [1] os que recebem a abundância da
graça, e do dom da justiça, reinarão em vida [2] por um só, Jesus Cristo)!
O homem regenerado já está
reconciliado com Deus, e a sua imagem se tornará plenamente conforme à de
Cristo somente no céu, e não nesta terra. Continuando com a inferência possível
de Col. 1.20 baseado em Gênesis 1-3 pela lente criacionista jovem, os animais
ainda são carnívoros, e ainda existem plantas venenosas e ervas daninhas, mas,
quando a Palavra do Senhor se cumprir e vier o estado eterno, os animais serão
novamente mansos, herbívoros (isto é, estado originalmente pacífico antes da
queda), e não haverá mais maldição nem na natureza com ervas daninhas,
espinheiros e plantas venenosas (Isaías 65:17,25a: Porque, eis que eu crio
novos céus e nova terra... [e, nos novos céus e nova terra (contexto),] O
lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi),
nem haverá mais destruição no universo.
O que fazer? Se o homem já está
reconciliado com Deus, ora, além de amar o próximo, também cuide da criação que
Deus fez, sabendo que Deus tem cuidado até dos animais (Não hei de eu ter
compaixão de Nínive ... e também muitos animais? Jonas
4.11). Compreenda e enxergue as coisas pela cosmovisão bíblica
“criação-queda-redenção-consumação”!
Esclarecimento sobre a Cruz e a Reconciliação
Devo colocar um esclarecimento
de que, na realidade, a cruz garante sim a reconciliação de todas as coisas.
Entretanto, exceto a reconciliação Deus-homem (do homem com Deus) já realizada
em Cristo formando um povo santo, que é a Igreja (que já faz parte da nova
criação segundo 2Co 5.17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova
criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” e Ef
2.15: “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que
consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem.”),
a reconciliação e a nova criação serão de fato consumadas e efetivadas somente
após a vinda de Jesus, quando recebermos corpos glorificados, quando estes céus
e terra vão fugir da presença daquele que está assentado no trono (Ap 20.11)!
Ainda que a humanidade redimida seja parte da nova criação, o impacto dessa
humanidade redimida (Igreja) no mundo, embora seja real e significativo, é
limitado na criação caída, não culminando historicamente em um final dos tempos
de paz e prosperidade antes da vinda do Senhor, e assim o que quero transmitir
é que os últimos tempos antes da vinda do Senhor serão de trevas conforme as
profecias de apostasia dos últimos tempos registradas no Novo Testamento. Não
existe nas Escrituras transição gradual desse céu e terra (Universo) para o
Paraíso! A transição desta ordem criada para o novo céu e a nova terra será feita
pelo próprio poder de Deus na vinda do Senhor Jesus a esta terra, especialmente
após o juízo!
Cl 2.14 Havendo riscado a
cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era
contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.
Sim, isto fala da lei mosaica,
com suas ordenanças, porém, como Cristo reconciliou-nos com Deus pela cruz, tudo
o que Deus tinha contra você, os seus muitos pecados e seu passado sujo, quando
você foi vivificado (recebeu vida) por Cristo, quando foi perdoado das suas
ofensas e pecados, tudo o que Deus tinha contra você foi cravado na Cruz! Deus
“esqueceu” o teu passado mau! Deus “não se lembra”
dos seus pecados (Hb 8.12; 10.17), foram cravados na cruz! É passado! Viva o
presente e o futuro revestido de uma roupa limpa, branca, pura e
resplandecente, de linho fino (que são as justiças dos santos cf. Ap 19.8).
Obrigado, Senhor pela cruz!
Obrigado Senhor, que você se fez
pecado (2Co 5.21) e maldição (Gl 3.13 cf. Dt 21.22,23) por nós!
Como Cristo se fez maldição por nós?
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro). Gálatas 3.13
Deus propôs [a Cristo], no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos. Romanos 3.25
Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. 1 João 4.10
Se Deus não fosse justo, não haveria exigência para o sofrimento e a morte de seu Filho. E se Deus não fosse amoroso, não haveria disposição do Filho de sofrer e morrer. Mas Deus é justo e amoroso. Assim, seu amor se dispõe a cumprir as exigências de sua justiça.
A lei de Deus exige: “Amarás… o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6.5). Porém, todos temos amado mais a outras coisas. O pecado é isso — desonrar a Deus pela preferência de outras coisas, e agir com base nessas preferências. Assim, diz a Bíblia que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Nós glorificamos aquilo em que mais temos prazer. E não é Deus.
Sendo assim, o pecado não é algo pequeno, porque não é uma falta contra um pequeno suserano [senhor feudal]. A seriedade do insulto aumenta com a dignidade daquele que é insultado. O Criador do universo é infinitamente digno de respeito, admiração e lealdade. Sendo assim, deixar de amá-lo não é trivial — é uma traição. Difama a Deus e destrói a felicidade humana.
Como Deus é justo, ele não varre esses crimes para debaixo do tapete do universo. Ele tem ira santa contra eles. Merecem a punição e isso fica muito claro “porque o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4).
Existe uma santa maldição pairando sobre todo o pecado. Não punir seria injustiça. Seria endossar o desmerecimento de Deus. Uma mentira estaria reinando sobre o cerne da realidade. Assim, Deus disse: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Gl 3.10; Dt 27.26).
Mas o amor de Deus não descansa com a maldição que paira sobre toda a humanidade pecaminosa. Ele não se contenta em demonstrar a ira, por mais santa que seja. Assim, Deus envia seu próprio Filho para absorver a sua ira e carregar a maldição no lugar de todos quantos nele confiam. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (GI 3.13).
É esse o significado da palavra “propiciação” no texto acima citado (Rm 3.25). Refere-se à remoção da ira de Deus por prover um substituto. O próprio Deus oferece o substituto. Jesus Cristo não apenas cancela a ira; ele absorve-a e desvia-a de nós para si mesmo. A ira de Deus é justa, e foi executada, não retirada.
Não podemos brincar com Deus ou deixar por menos o seu amor. Jamais estaremos diante de Deus maravilhados por sermos por ele amados até que reconheçamos a seriedade de nosso pecado e a justiça de sua ira contra nós. Mas quando, pela graça, acordamos para nossa própria indignidade, podemos olhar o sofrimento e a morte de Cristo e dizer: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10).” Piper, John (2023).