quinta-feira, 18 de junho de 2026

(12h00) A Trindade: Oriente versus Ocidente: 6ª edição de 18 de junho de 2026

Graça e Paz

Nova versão!

Deus me agraciou!

Vamos até as raízes do que a Bíblia diz.

"Seção 3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais. Ocidente versus Oriente" aprimorada

Baixem de graça:

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Seção nova vinda da Providência e do Amor de Deus.

3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais. Ocidente versus Oriente

Essa seção foi aperfeiçoada em junho de 2026 para a glória de Deus, e para que a Igreja do Senhor chegue mais perto da Palavra com a teologia, através de uma “fé mais pura e límpida, clara como cristal, cuja origem está na Palavra” (Rm 10.17).

 

As formulações mais conhecidas da Trindade, a mesma da seção anterior, usadas abundantemente neste livro, amparadas pelos Católicos e Protestantes, são baseadas na formulação da Igreja do Ocidente: “1 DEUS em 3 PESSOAS”, ou seja, “1 ESSÊNCIA DIVINA (1 DEUS) em 3 PESSOAS, o PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO”.

Já a formulação da Trindade na Igreja Ortodoxa Oriental, mesmo que não apoie algumas doutrinas dela que me parecem estranhas (por ex., a definição de “essência versus energia”), também é bíblica, baseada nos pais da Igreja e no credo Niceno-Constantinopolitano (aperfeiçoamento do Credo de Niceia):

O PAI é fundamentalmente DEUS, chamado na Escritura “DEUS” (pois grande parte da Escritura, quando usa a expressão “Deus”, fala do Pai). JESUS CRISTO e o ESPÍRITO SANTO são DEUS de DEUS, LUZ de LUZ, sendo CRISTO GERADO e o ESPÍRITO PROCEDENTE do PAI. Essa doutrina chama-se “Monarquia do Pai”. Não entraremos em detalhes secundários dela, apenas aos essenciais claramente expostos na Escritura.

 

A Escritura, na linguagem do Novo Testamento, chama o Pai de Deus, o Filho de Senhor, e o Espírito Santo de Espírito. Isso não é acidental. A Escritura não apoia em seus versículos explicitamente e expositivamente a notação “essência divina (Deus), Pai, Filho e Espírito Santo”, mas sim, “Pai (origem, não gerado, não procedente), Filho (gerado de Deus), Espírito Santo (procedente de Deus)”.

Em contrapartida, o problema com a formulação integral do Ocidente é que implicitamente, na prática, ao ensinar essa doutrina, podemos pender para uma quaternidade: “ESSÊNCIA DIVINA (DEUS), PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO”.

O que a Escritura nos diz?

 

Vejamos a Escritura, ela é perfeita e é a preservada Palavra de Deus para todos os cristãos, sejam eles ocidentais ou orientais. Quando a Escritura usa a expressão “Deus”, quer dizer que a fonte da Divindade é o Pai, a própria Pessoa do Pai, e não uma essência divina abstrata.

1 Coríntios 8:6 "Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e em quem estamos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele."

João 17:3 "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste."

João 15:26 "Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim."

Efésios 4:6 "Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós."

João 5:26 "Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo;"

1 Coríntios 11:3 "Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo."

 

Mesmo após a ressurreição em glória, o Pai permanece como a fonte e o Deus da humanidade de Cristo

João 20:17 "Disse-lhe Jesus: Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus."

 

No Apocalipse: Relação Eterna Deus-Cristo

No livro de Apocalipse, o Cristo glorificado e entronizado repete quatro vezes seguidas a expressão "meu Deus", reforçando que sua relação filial e a primazia do Pai persistem na eternidade.

Apocalipse 3:12 "A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome."

 

Divindade do Filho, onde a Escritura chama Jesus de Deus. Na teologia (Credo Niceno): DEUS de DEUS.

Hebreus 1:8 "Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do teu reino."

Romanos 9:5 "Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém."

Tito 2:13 "Aguardando a bem-aventurada esperança, e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus;"

 

Divindade do Espírito Santo (que é, assim como o Filho, Deus de Deus):

Atos 5:3-4 "Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava contigo? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus."

 

Segue-se que a Escritura, embora apoie quase toda a seção anterior (3.4 A Trindade, citação da AGIR), só não apoia a designação de DEUS como essência divina abstrata (o que parece uma quaternidade), mas apoia a designação de DEUS identificado com a própria Pessoa do Pai, Deus Pai, e, consequentemente, o FILHO e o ESPÍRITO como DEUS de DEUS (Deus cuja origem – gerado e procedente – vem de Deus).

 

A Trindade

Diferenciamos o Pai ao Filho, pois o Pai gerou o Filho, e o Filho é gerado pelo Pai. O Pai é quem gera, e assim Ele se autodenominou através das Palavras do Filho na Escritura como o Pai, e o Filho é autodenominado Filho de Deus, ou Deus Filho, porque é fruto da geração do Pai, gerado pelo Pai (Hebreus 1:5 Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?). Essa é a diferenciação da primeira com a segunda pessoa da Trindade. O Pai não foi gerado, nem procedente. Nenhuma Pessoa divina foi criada, nem existiu tempo algum em que uma Pessoa existia e outra Pessoa da Trindade não.

Acerca do Espírito Santo, a Escritura afirma que o Espírito é Procedente do Pai, e que Cristo, da parte do Pai, é quem envia o Espírito (João 15.26 Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim), também que o Pai enviará em nome do Filho (João 14.26 Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito). O Espírito é chamado Espírito de Deus (do Pai), e Espírito de Cristo (do Filho) em Romanos 8.9 (Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele).

Veja essa citação (origem ocidental), será usada para outros raciocínios abaixo:

“Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade: Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de ninguém: não é gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.Confissão de Fé de Westminster, 1643-1649.

Devemos meditar ainda: O Filho/Logos/Verbo/Palavra (Jo 1.1) existia ou era uma pessoa, inclusive divina, antes de ser gerado na eternidade, assim como o Espírito, Ele era uma pessoa divina antes de ser procedente, ou apenas o Pai?

Segundo os autores do livro Filosofia e Cosmovisão Cristã, de J.P. Moreland e William Lane Craig (2005), Tertuliano, um pai da igreja, acreditava incorretamente que antes de ser gerado e procedente, respectivamente, o Filho e o Espírito não eram pessoas distintas do Pai:

O Pai existe eternamente com seu Logos imanente; na criação, antes do começo de todas as coisas, o Filho procede do Pai e, assim, se torna seu primeiro Filho gerado, por meio de quem o mundo é criado {Contra Práxeas - CP, 19). Desse modo, o Logos se torna Filho de Deus somente ao proceder do Pai como ser substantivo {CP, 7). Parece que Tertuliano estaria considerando o Filho e o Espírito pessoas distintas somente depois de sua processão do Pai {CP, 7), mas está claro que ele insiste em sua distinção pessoal a partir pelo menos deste ponto.

Apesar de Tertuliano ter contribuído em muito para a teologia na sua época, essa parte está incorreta, pois o Filho e o Espírito sempre existiram como pessoas divinas distintas da pessoa do Pai, sendo eternos. Era uma época em que a igreja não havia desenvolvido e descoberto os primeiros credos dos concílios pela Escritura.

Por que a igreja cristã verdadeira não creu nisso, que o Filho e o Espírito fossem pessoas distintas somente depois de sua “processão” do Pai na eternidade? A pergunta é respondida pelo pai da Igreja Atanásio, anos mais tarde, contra a heresia do arianismo. A heresia defendida por Ário (daí vem arianismo) está citada no parágrafo abaixo:

“Embora outros teólogos alexandrinos como Orígenes — em contraste com Tertuliano — argumentassem que a geração do Logos do Pai não teve início, mas é desde a eternidade, a razão de a maioria dos teólogos considerar a doutrina de Ário inaceitável não era, como Ário imaginava, porque ele afirmava que “o Filho teve um início, mas Deus não teve início” {Carta a Eusébio de Nicomédia 4,5). Em vez disso, questionava-se que Ário negava até mesmo que o Logos preexistia imanentemente em Deus antes de ser gerado, ou que não era, em qualquer sentido, da substância do Pai, de modo que seu início não foi de fato um início, mas uma criação ex nihilo e que, portanto, o Filho era uma criatura. Como protestou mais tarde Atanásio, bispo de Alexandria, no conceito de Ário, Deus sem o Filho carecia de seu Verbo e sabedoria, o que é blasfêmia {Discurso contra os arianos 1.6.17) [...].” Moreland e Craig (2005).

Portanto, de acordo com esses parágrafos (cujo raciocínio será aperfeiçoado até o final dessa seção), o Filho, em sua pessoa, é eterno, e, mesmo tendo sido gerado no pai desde a eternidade, já preexistia em Deus Pai “antes” de ser gerado (logo veremos se a expressão “antes” é satisfatória para a eternidade). Por quê? Esclarece Atanásio: Deus sem o Filho carecia de seu Verbo e sabedoria, o que é blasfêmia.

Esticando esse raciocínio, posso dizer que o Espírito, em sua pessoa, que também é eterno, mesmo tendo sido procedente do Pai e do Filho desde a eternidade, já preexistia em Deus antes de ser procedente. Por quê? Porque Deus sem o Espírito não é Espírito (ou melhor, Deus é eternamente Espírito – então o Espírito é eterno). E Deus é Espírito, sempre foi. "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. João 4:24." Nunca houve um tempo, momento ou condição em que Deus não fosse Espírito. Alguém que não conhece teologia pode dizer que Jesus não era espírito. Na verdade, sim, a humanidade de Jesus se consistia também de carne, mas Deus (essência divina) é Espírito!

Para melhorar e aperfeiçoar o raciocínio dos últimos parágrafos, começamos falando que, na eternidade, não existe a noção de “antes de ser gerado”, ou “antes de ser procedente”. Na eternidade, na qual está o Deus eterno, não há antes e depois, mas um presente absoluto e completo.

Portanto, acerta quem confia na Confissão de Fé de Westminster, que diz que o Filho é eternamente gerado do Pai, e o Espírito eternamente procedente também! É algo eterno, contínuo, sem início ou fim (se é eternamente gerado e procedente, permanece assim, “continuamente” – melhor dizendo, “sem sucessão”). Armínio (Obras de Armínio, vol. 1, pág. 423, 2015), concordando com isso, diz que:

Dizemos que [o Pai] gerou desde toda a eternidade, porque Ele não foi o Deus de Jesus Cristo, antes de ser seu Pai, nem foi simplesmente Deus antes de ser seu Pai. Porque, assim como não podemos imaginar uma mente destituída de razão, também dizemos que é ímpio formar em nossa mente uma concepção de um Deus sem a sua palavra (Jo 1.1,2). Além disso, segundo os sentimentos da antiguidade sagrada e da Igreja universal, visto que esta geração é uma operação interna [...], ela é igualmente desde toda a eternidade [contínua]. Porque todas as operações são eternas, a menos que desejemos sustentar que Deus é passível de mudar.

Então? Então, segundo Armínio, “o Pai é a fonte e a origem de toda a Divindade, e o princípio e a causa do próprio Filho, como sugere a palavra “Pai” (Jo 5.26,27). [...]. O Pai é chamado de “não gerado” [...], e é também por esse motivo que o nome de Deus com frequência é atribuído nas Escrituras, peculiarmente e por meio de eminência, ao Pai.” Obras de Armínio (2015).

Como diz o credo niceno-constantinopolitano, “o Filho foi gerado do Pai, luz de luz, Deus de Deus...” Isso implica que Deus Pai comunica (em linguagem grosseira, “comunica” significa “transmite”) a divindade ao Filho (e, claro, também ao Espírito!).

Concluímos, finalmente, que Deus Pai é “não gerado” (sendo assim a primeira pessoa da trindade), pois é, segundo Armínio, a fonte e origem da divindade do Filho e do Espírito. Na Bíblia, muitas vezes, quando se diz ‘Deus’, geralmente está falando de Deus ‘Pai’. O Pai gera eternamente (isto é, na eternidade, fora do tempo criado) o Filho e, nessa geração eterna, comunica ao Filho, sem sucessão, atemporalmente, sua essência divina (isto é, a mesma natureza ou divindade), de modo que, assim como a Confissão de Westminster diz que o Filho é eternamente gerado pelo Pai, o Filho sempre foi Deus, uma pessoa divina. Deus é imutável e isso sempre foi assim e nunca mudou, o que quero dizer que o Filho sempre foi e sempre será gerado eternamente do Pai, que é a fonte imutável dessa essência divina. Nunca houve época em que o Filho não fosse uma pessoa divina, ou que não tivesse sido gerado.

Concluímos, também, que uma vez que o Espírito Santo “procede do Pai e do Filho”, Ele é, em sua ordem, a terceira pessoa da trindade. O verso abaixo, referido, Jo 15.26 (Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim) diz que o Espírito, na verdade, é enviado por Cristo, mas procede apenas do Pai. É a Bíblia, leia. Não procede do Filho segundo a literalidade das Palavras da Bíblia, mas é enviado pelo Filho e procede (vem) do Pai. O que quer dizer? Que é Cristo quem O envia (e de fato enviou a nós quando ascendeu ao Pai), mas que o Espírito recebe Sua Divindade do Pai “continuamente” (isto é, sendo eternamente procedente de modo atemporal e sem sucessão), que é a fonte da Divindade, assim como o Filho também recebe Sua Divindade do Pai “continuamente” (isto é, significando eternamente gerado de modo atemporal e sem sucessão).

Para um maior esclarecimento, o Espírito Santo procede apenas do Pai, ou do Pai e do Filho? Resposta: ambos estão corretos, dependendo do significado atribuído ao verbo proceder, e justamente por isso ocorreu a confusão do Cisma da Igreja em cima da Cláusula Filioque (...e do Filho). Ela ocorreu principalmente devido à diferença da expressão “que procede do Pai” em latim versus no grego: latim (procedere - avançar, espalhar-se, enviar) e em grego (ekporeuesthai - proceder a partir de uma fonte original de existência):

No quesito de receber sua Divindade, conforme a Escritura, o Espírito é procedente apenas do Pai (o Pai é a fonte da Divindade, ou seja, a causa – o princípio – do Filho e do Espírito). No quesito mais abrangente do termo "proceder", conforme a comunhão da mesma divindade entre as três Pessoas da Trindade, em que a Bíblia também é extremamente clara, o Espírito Santo é o Espírito do Pai e do Filho, procedente (no sentido geral) tanto do Pai como do Filho – do Filho não por receber a divindade do Filho, mas porque "o Espírito é dado, revelado, manifesto, advém e é conhecido pelo Filho" conforme Gregório Palamas, Tomo (1351 apud Migne, J. P., Patrologiae cursus completus (Apology 142.262C-D), series graeca, Paris (1857-1866) apud Papadakis, Aristeides (1983, Crisis in Byzantium: The Filioque Controversy in the Patriarchate of Gregory II of Cyprus (1283-1289), New York: Fordham University Press, pág. 91))). Amém.

Portanto, Deus Pai é eternamente a fonte da divindade, não gerado; Deus Filho é eternamente gerado do Pai; e Deus Espírito Santo é eternamente procedente do Pai, e eternamente enviado do Filho (ou, em formulações teológicas distintas, conforme a variação do significado do verbo “proceder”, eternamente procedente do Pai e do Filho). Por que coloquei tantas vezes eternamente? Porque, dando uma última ênfase, isso nunca foi diferente, pois Deus é imutável – não muda, nunca mudou! Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente! (Hb 13.8).

Concluímos que nossa compreensão da Trindade não necessita obrigatoriamente que pensemos nela através do modo ocidental de ‘Um Deus em Três Pessoas’, nem como ‘Um Deus (uma essência divina) que subsiste em três Pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo’. A própria menção de “PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO” já engloba a Divindade, ou seja, já abarca a Divindade que tem sua fonte na Pessoa do Pai, estando o Filho Jesus Cristo e o Espírito Santo eternamente e imutavelmente unidos em comunhão com o Pai.

Amém.

 


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Atualizado, ampliado e corrigido: "O Cristão e o Preconceito"

Graça e paz


O Cristão e o Preconceito, um Estudo

Roberto Fiedler Rossi

Versão corrigida e aprimorada em junho de 2026

 


Prefácio

Queridos leitores, neste estudo pretende-se esclarecer e colocar algumas coisas em ordem:

O crente ou cristão deve ser separado das práticas mundanas sim, mas para isso será que devemos deixar de ter contato com pessoas de outras religiões e de outras práticas que nos rodeiam? Devemos, em nossa mente, como falava Davi, nos separarmos desses “incircuncisos filisteus”, ou, como mostrava Jesus na Terra, estarmos no meio de todos e todas, inclusive de pecadores não arrependidos?


 


Introdução

A Bíblia é fascinante, e é a inspirada Palavra de Deus. Ela abrange períodos e povos distintos da humanidade, como o estado original no Éden, a civilização avançada antediluviana, pós-dilúvio (antiguidade) com os semitas, passando pela Mesopotâmia e pelo Egito antigo (época na qual surgiram, de Abraão, os hebreus (posteriormente chamados de judeus, com os quais Deus fez uma aliança)), seguidos por impérios como o da Assíria, Babilônico, Medos e Persas, Grego/Macedônico, Romanos (durante o qual veio o Novo Testamento, e a nova aliança), e o Reino de Deus, fundado por Cristo, Reino Universal que séculos depois destronou o Romano.

Hoje, no século 21, lemos a Bíblia e, curiosamente, alguns cristãos não sabem quais mandamentos obedecer, ou seja, se de toda a Bíblia (imitando exemplos do antigo e do novo testamentos, como Davi através dos Salmos e Jesus, através dos evangelhos), se apenas o Novo Testamento (sob o qual a inspiração e revelação chegou ao auge), ou outro esquema.

Por exemplo, em Mateus 5.43 Jesus cita o que era feito no antigo testamento: “Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.”

Davi diversas vezes fala nos Salmos do ódio que sentia pelos que odiavam o Senhor, e ele cria que isso não o levava a um caminho mau:

21 Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti? 22 Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos. 23 Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. 24 E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno (Salmos 139:21-24 acf)

O profeta Jeú cobrou da parte do Senhor o rei Jeosafá a não ajudar o ímpio e nem amar os inimigos:

1 E Jeosafá, rei de Judá, voltou em paz à sua casa em Jerusalém. 2 E Jeú, filho de Hanani, o vidente, saiu ao encontro do rei Jeosafá e lhe disse: Devias tu ajudar ao ímpio, e amar aqueles que odeiam ao Senhor? Por isso virá sobre ti grande ira da parte do Senhor. 3 Boas coisas contudo se acharam em ti; porque tiraste os bosques da terra, e preparaste o teu coração para buscar a Deus. (II Crônicas 19:1-3 acf)

É isso modelo para nós hoje?


 


Cap. 1 – Mandamentos da Nova Aliança


Respondendo, não, estes mandamentos não permaneceram iguais no Novo Testamento. 

Embora:

1. Deus seja imutável;

2. A moral de Deus não muda nunca;

3. Tenham sido os mandamentos cerimoniais os abolidos por Cristo;

4. Os mandamentos morais do Antigo Testamento permaneçam para nós hoje, pois a moral de Deus não muda;

Temos que levar em consideração que a revelação de Deus é progressiva, ou seja, Deus não revelou plenamente sua vontade e caráter no AT.

Se os israelitas do passado tratassem todos em paz e amor sem filtro, em primeiro lugar iriam novamente acabar na idolatria (como ocorreu muitas vezes), em segundo lugar num mundo cheio de guerras e violência que não conheceu o Amor de Cristo - pois com Cristo veio o Amor a todos - iriam sofrer graves consequências se não houvesse clara separação.

Lembre-se de que Deus permitia poligamia e repúdio no passado, mas não era o propósito original de Deus.

O que ocorre é que Jesus, na nova aliança, mudou algumas práticas e aperfeiçoou a lei mosaica, nos dando a lei do reino de Deus no sermão da montanha (Mateus 5):

Se antigamente o pecado era matar e adulterar, hoje Jesus disse que quem odeia também está matando, e quem olha cobiçando (ex. desejo ilícito aprovado) já está adulterando!

Se antigamente o costume era jurar em nome do Senhor, Jesus disse para nunca mais fazermos tal, pois o homem não consegue sempre cumprir seus juramentos;

Se na época de Moisés divorciava-se sem motivo (repúdio), Jesus disse: O que Deus ajuntou não separe o homem. [Aplicação à vida: Muitos cristãos hoje divorciam-se sem motivo forte e lícito, sem lutar pelo seu casamento, sem dialogar, sem orar e perdoar, sem arrependimento. Vocês que estão brincando de ter relacionamentos, digo que isso é sério. Vocês são de Cristo mesmo? Como disse Augustus Nicodemus, hoje os cristãos não praticam poligamia estando casados com várias mulheres ao mesmo tempo, mas poligamia com várias pessoas ao longo da vida! Isso é perfil do salvo? Jesus faria isso?]

Se antigamente o costume era retribuir o dano (às vezes) por igual pela lei do "Olho por olho, dente por dente", Jesus disse para abnegar a si mesmo, pensar no bem do outro antes do seu, e conquistar o outro pelo amor, que sofre a injustiça e não querer nada em troca, só o favor de Deus. Vencer o mal com o bem. [Aplicação à vida aqui: às vezes, o melhor é perdoar a dívida e o dano e não abrir processo judicial. Às vezes é melhor ganhar o coração, o respeito e a honra das pessoas do que uma mera vingança ou crua retribuição: estás na Lei de Moisés ou na Lei de Cristo?]

Se antigamente o costume era amar apenas os que nos amam, Jesus disse que isso, pelo menos a partir da época neotestamentária, era costume dos publicanos, que não conheciam a Deus, e os filhos de Deus devem amar também aos que não os amam!

Sobre esse último tópico continuaremos nosso raciocínio.


 


Cap. 2 – Billy Graham (Billy Graham Responde, 2012, CPAD) explica como Jesus transformou o conceito de amor de uma vez por todas:

Amor

Antes que as Boas-Novas de Jesus Cristo chegassem ao cenário humano [exemplo, época de Davi, colchetes meus], a palavra amor era interpretada principalmente em termos de cada um buscar o próprio benefício. Amar os desagradáveis e difíceis de amar era algo incompreensível. Um Deus amoroso que se inclinava para alcançar seres humanos pecadores era algo inimaginável.

Os autores do Novo Testamento escolheram uma palavra grega pouco usada para expressar o amor, ágape, para expressar o que Deus desejava revelar sobre si mesmo em Cristo, e como Ele desejava que os cristãos se relacionassem uns com os outros: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1 Jo 3.16, ARA).

Este novo vínculo de amor recebeu a sua mais completa expressão no Calvário. Os redimidos pela morte de Cristo seriam capazes de alcançar Deus, e uns aos outros, em uma dimensão nunca antes entendida ou vivenciada. Ágape seria agora o “caminho ainda mais excelente” para a vida (1 Co 12.31). Esse novo tipo de amor rapidamente se tornou a característica que distinguiria a Igreja Primitiva. Jesus havia dito: “Um novo mandamento vos dou... como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.34,35).

Mas, com o passar dos anos, grande parte da verdadeira força de ágape desapareceu. A igreja de hoje está na posição de ter que redescobrir o seu significado. Ágape não é um mero sentimento: o amor adormecido ou inativo é impotente. O amor só é dinâmico quando ama a Deus ativamente, da mesma maneira como Ele nos amou; somente quando ele emerge, irrestrito e desimpedido – o amor por irmãos, irmãs, vizinhos e o mundo pelo qual Cristo morreu (1 Jo 4.10-12; 2 Co 5.14).

No plano humano, como no divino, o amor diz: “Eu respeito você. Eu me interesso por você. Sou responsável por você”.

Eu respeito você: Vejo você como você é, um indivíduo singular – como todos nós somos. Eu o aceito como você é, e permitirei que se desenvolva da maneira como Deus lhe propõe. Não vou explorá-lo para meu próprio benefício. Tentarei conhece-lo tão bem quanto eu puder, porque sei que a comunicação e o conhecimento aumentarão o meu respeito por você.

Eu me interesso por você: O que acontece com você me interessa. Eu me preocupo com a sua vida e crescimento. Desejo promover os seus interesses, ainda que isso signifique sacrificar os meus próprios.

Sou responsável por você: Eu lhe responderei, não por um sentimento de dever, mas voluntariamente. As suas necessidades espirituais me levarão a orar por você. Eu o protegerei, mas evitarei a superproteção. Irei corrigi-lo com amor, mas tentarei não corrigir em excesso. Não encontrarei nenhum prazer em suas fraquezas ou fracassos, e não me lembrarei de nenhum deles. Pela graça de Deus, serei paciente e não falharei com você (1 Co 13).

Nós entendemos o amor de Deus somente quando respondemos a ele, em Cristo. O mais importante momento na vida de qualquer indivíduo é o momento da decisão de receber esse amor que não merecemos e ao qual não temos direito, pelo qual aprendemos a amá-lo e transmitir o seu amor aos outros.

“... Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.8-10, ARA).


 


Cap. 3 – O Trato de Deus com um Salvo da Antiga Aliança era o mesmo do Trato de Deus conosco, na Nova Aliança?

Na antiga aliança Deus nos deu Sua lei, e ainda disse (com minhas palavras): “Maldito todo o homem que não viver por estas coisas, e não obedecê-las...” Se alguém cometer algum deslize podia facilmente ser morto. E se alguém cometer algum pecado horrendo, sua família inteira podia ser condenada e morta. Nessa aliança Deus disse: “Escolhe a bênção ou a maldição...”. E costumeiramente as pessoas eram abençoadas ou amaldiçoadas pela obediência às leis, no caso, leis divinas. Como Israel foi desobediente, toda a maldição da lei de Deuteronômio 28 caiu a ele: primeiro com o reino do norte com a Assíria, e depois com Judá no sul pelos babilônios, e depois toda a nação caiu em 70 d.C. conforme previu Jesus. Só recentemente está se reerguendo, mas agora no regime da nova aliança.

Na nova aliança, Jesus se fez maldição por nós, em nosso lugar! Aquele que está em Cristo é abençoado, e não está mais sob maldição! Aquele, entretanto, que não está em Cristo, está sob a maldição da lei mosaica, da qual não falarei propriamente aqui. Quem está em Cristo, aquele que é de Deus, que por natureza é obediente (1Jo 3, vivendo uma vida de arrependimento), o maligno não lhe toca (1Jo 5), nenhuma condenação há para aquele que está em Cristo!

Então, Deus não trata da mesma maneira uma pessoa agora na nova aliança do que uma pessoa na antiga aliança, pois o mundo era outro, as pessoas eram outras, a cultura era outra, e os mandamentos eram outros!


E por que estou falando tudo isso?

É porque eis que alguns, que leem muito o Antigo Testamento (mas não entendem o Novo) não se relacionam, não tem contato com pessoas de outras religiões ou práticas (ou até igrejas e linhas teológicas) achando que Deus os amaldiçoará! Achando que estão dando brecha ao diabo! Achando que só tem que ter contato com família de sangue e irmãos na fé (e alguns, pior, desprezam a sua própria família)! Achando que Deus vai cobrar! – Mas é mentira! Não somos como Davi e os de outra religião como Golias! Jesus mudou o mundo e aperfeiçoou nosso relacionamento com Deus! Nosso modelo e exemplo é Jesus, que se relacionava com todos! Estamos na Nova Aliança, e não na Antiga! Assim, não seremos amaldiçoados, nem abriremos brechas, nem Deus vai cobrar se tivermos um mínimo contato com algumas pessoas de outras práticas. Não devemos odiar a ninguém, mas amar o próximo! Tenhamos como bom exemplo os piedosos missionários do Senhor em países com perseguição que, apanhando, não blasfemam nem amaldiçoam, mas abençoam e evangelizam, como fez Jesus e Estêvão na morte: “Perdoa-lhes, Pai, pois não sabem o que fazem”!


 


Conclusão - “Amai a vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem”

O verdadeiro cristão, se obediente, e se entende a Palavra, não deve se isolar numa redoma ou aquário de peixinhos do seu tipo, nem numa panelinha, nem o calvinista despreze o arminiano e vice-versa, mas amemo-nos uns aos outros, usando-se de comunicação (contato) e beneficência (fazer bem), pois com tais sacrifícios Deus se agrada (cf. Hebreus 13.16). Se alguém, ainda que seja pastor, te diz para fazer isso – se isolar – ignore-o pois é ignorante da Palavra: fique com a Bíblia, ela diz a verdade!

Não deve, realmente, o salvo ter amizades íntimas com aquele que escancaradamente pratica o mal, mas devemos sempre ter contato (como, por exemplo, cumprimentar, conversar, ser amigo com uma certa distância) com aqueles que estão ao nosso redor, como conhecidos, vizinhos, colegas de trabalho, escola, faculdade, não importa de qual religião, filosofia, ideologia ou prática sexual eles são – às vezes nem pergunte – pois mesmo que for satanista, não perca a oportunidade e fale de Jesus quando Deus preparar!

O salvo nunca deve desprezar a família de sangue (com a qual deve ter um relacionamento mais íntimo e profundo), tampouco a família de irmãos na fé. Mas deve saber que Deus encerrou a todos na desobediência para com todos exercer misericórdia cf. Romanos 11, ou seja, você não é melhor do que o ímpio por ser salvo, pois um dia você também era filho das trevas, como foi também Paulo! Se você tem algum bem e alguma virtude hoje, isso veio da Graça, do Favor Imerecido de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo!

Não importa se aquela pessoa próxima de você é de alguma religião oriental, ou espírita, ou islâmica, ou ateia, ou religião ocultista. Não importa se é de uma panelinha do cristianismo que não é a sua. Importa é que você deve dar bom testemunho com sua vida e com suas palavras, testemunho de Jesus Cristo (Apocalipse 1.2, 1.9, 12.18., 19.10, 20.4)! Isso se você já tem Jesus Cristo na sua vida.

Há pessoas das quais realmente devemos nos afastar, pois influenciam-nos para o mal e nos fazem pecar. Disso Deus não se agrada. Mas não são dessas que estou me referindo. O cristão não deve ser influenciado nem conformado com o mundo (não deve tomar a forma do mundo), mas ser um influenciador de Jesus Cristo, ESPECIALMENTE com seu testemunho de vida, sem acepção de pessoas, mas respeitando a todos!

Se você se isola, como poderia evangelizar ou ser exemplo para outros? Como poderia Deus te usar para falar com alguém que tem sede de Deus e está desesperado e perdido no mundo, pensando em como a vida dele não faz sentido, naquele instante, do teu mesmo lado?

Não, não é para você frequentar o local da prática antibíblica dele, da religião, ideologia, prática ou filosofia dele (pois isso seria pecado), mas, por exemplo, se você está na sua vizinhança, como poderia ter inimizade com algum vizinho se o mandamento é “se possível, tende paz com todos os homens”? Como poderia esquecer-se de que, se Deus realmente te tocar naquela hora para falar algo, você vai realmente deixar de lado teu preconceito e ter que falar? Você vai ter que amar! Vai ter que compartilhar teu tesouro na hora em que Deus te tocar, pois eis que quando Deus toca, o milagre acontece! Não é para jogar “pérolas aos porcos” (evangelizar excessivamente - ou fora do tempo - sem o Espírito), mas sim, quando Deus cobrar de você e chegar sua hora, dar o Testemunho de Jesus Cristo (Apocalipse 1.2, 1.9, 12.18., 19.10, 20.4) custe o que custar!

Importa viver pelo Senhor e morrer pelo Senhor, mas que seja em obediência! Se pelo nome de Jesus Cristo sofreis, bem-aventurados sois (o mundo não entende como é isso)! Quão felizes são os que são de Cristo, que sofrem com Ele! E: Que amam como Ele ama!

Ele nos ensinou o amor verdadeiro, e não o preconceito! Ele nos ensinou a perdoar todos os pecados, todas as ofensas, senão o Pai não nos perdoa! Aquele que foi perdoado em Cristo, como não perdoaria o próximo? Devemos perdoar, querer o bem do ofensor (que às vezes corretamente deve ficar muito distante), não importa quão grave isso for, pois Dele é a vingança, “Eu recompensarei” – diz o Senhor em Hebreus - isso é perdoar. Perdão não é ausência de mágoas, mas ter uma disposição favorável àquele que causou o dano: ore de coração por ele/ela e estará perdoando. Uma característica do cristão nascido de novo é o perdão, uma vida em arrependimento. Se não perdoa o próximo, ainda que demore algum tempo, tem que se converter ou voltar ao primeiro amor!

Como poderia também tu entrar na justiça por bobagem diante de Deus, querendo o mal do próximo, não perdoando o teu próximo, se Deus é teu vingador? O que o homem/mulher semear, colherá. A justiça terrena é imperfeita! Quer colher espinhos?

A nossa parte é amar sem acepção de pessoas. Deus faz seu sol e chuva cair sobre todos. Deus dá o início e o fim da vida de todos, e é Ele quem enriquece e empobrece, exalta e abaixa, cf. o cântico de Ana em 1Samuel 2. Deus oferece a salvação a todos em Cristo, e usa o sofrimento para o nosso crescimento e para nos levar à salvação, para mais próximo Dele. Deus quer que todos sejam salvos igualmente conforme a Escritura, Deus não faz acepção de pessoas, e quem é você que age com preconceito / acepção de pessoas? Quem é você diante de Deus? É maior? É melhor? É mais perfeito? Mais sábio? Eis que Deus disse que as próprias nações são menos do que nada para Ele, e como a gota dum balde (conforme Isaías). Portanto, que amemos aos inimigos, aos amigos, aos conhecidos, aos desconhecidos, e a todos intercedamos ao Pai, pois todos os seres humanos são iguais, pequenininhos diante de Deus como recém-nascidos, e todos têm necessidade da mesma salvação, que só se encontra em Cristo Jesus, o Senhor.

Concluindo, toda a Escritura é inspirada, e devemos ler ela toda, pois é registro da revelação de Deus aos homens; é Palavra de Deus em linguagem humana. Mas um conselho para os que costumam ler Salmos (Antigo Testamento) seria:

Alguns deles, como Salmo 139.21-22 de Davi, não são exemplos perfeitos para os cristãos da nova aliança: “Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti? Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos.”

Siga, porém, as Palavras de Jesus, pois Ele é o Perfeito Deus: Eu [JESUS], porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.

Que esse estudo seja de edificação.

Amém.


Mensagem final:

“Espero que todos oremos mais para que possamos amar mais a nosso próximo, seja lá quem for, e para que sempre estejamos obedientes, vigilantes e perseverantes no Senhor. Somos julgados pelo Senhor e pela Escritura para não sermos condenados com o mundo. Já aquele que não se deixa mais admoestar, que futuro haverá para ele?”

Roberto

sábado, 30 de maio de 2026

30/5/26 21h35 (10.8) Conclusão da Soteriologia e (12.4) início do Milênio / prisão de Satanás

Ficou lindo! Glória a Deus! Graça e paz a todos!! Essa seção parece um sonho!

PDF: (30/5 21h35)

https://www.mediafire.com/file/p539bi0gkz5tk39/30-mai-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file

EPUB: (30/5 21h35)

https://www.mediafire.com/file/fvasrpkbp90wp7l/30-mai-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.epub/file


Seção 12.4 (30/5 20h40)

Observação. Ao longo de toda a Escritura, especialmente em Daniel caps. 2, 7, 9, 12, Mateus 24 e em vários capítulos de Apocalipse, capítulos da Bíblia que trabalharemos neste livro, embora Jesus tenha conquistado a vitória definitiva e destronado o império de Satanás na Cruz em 33 d.C. (como diz a Escritura em Col. 2.14-15, “despojando principados e potestades, triunfou na Cruz”, paráfrase minha), e embora o evangelho avance grandemente nos eventos que se seguiram registrados em Atos dos Apóstolos, a aplicação histórica da prisão / selo (ou melhor, limitação) de Satanás e o consequente reino dos fiéis (como a Escritura diz, os santos) no Céu com Cristo ocorrem sempre após uma ‘grande aflição’ de 7 anos (que foi uma guerra terrível, com abomináveis anticristos), na qual até anjos e demônios batalharam segundo as Escrituras. A história registrou essa grande aflição de 7 anos, com duas metades de 3 anos e meio: cujo clímax ocorreu em 70 d.C. com a destruição do templo judaico. Portanto, a prisão de Satanás e o reino dos santos com Cristo tiveram seu início e consolidação segundo as Escrituras e a história em 70 d.C. (que é quase uma geração após a Cruz conforme a contagem bíblica de uma geração sendo de 40 anos cf. Hebreus 3.9-10 e Mateus 24.34), há mais de 1900 anos, e não em 33 d.C.


10.8 Conclusão: Antropologia e Soteriologia; a Cruz dos Teólogos e a Soberania e a Superioridade do Deus Infinito, Todo-Poderoso e Todo-Sábio Juíz sobre cada ser Humano. Dedicatória: Sobre os Ombros de Gigantes

Concluo, após a longa seção 10.7.2 (e após a Tabela 3), que para cada estágio espiritual do ser humano – ser humano natural, carnal e espiritual – há uma particularidade da atuação da graça de Deus: para o homem natural cf. 1Co 2.14, que não pode aceitar nem resistir ao contato da graça, Deus opera irresistivelmente, como defendeu John Wesley (apud Collins, 2010). Para o homem carnal cf. Rm 7, que teve o primeiro contato eficaz com a Palavra, que teve a liberdade de escolha restaurada, Deus o convida graciosamente, chamando a todos internamente pelo Espírito: pode resistir a Deus e ser condenado (Mt 23.37), como defendem os arminianos clássicos por Walls e Dongell (2014). Para o salvo, o homem espiritual, transformado pela graça com o propósito de dar fruto a Deus e ser como Cristo, ou seja, para, guiado pelo Espírito, fazer o bem espiritual (cf. Gálatas 5.22, o fruto do Espírito), pois não vive pecando (1Jo 3.6,9 - é contra sua nova natureza pecar voluntariamente), mas vive uma vida de arrependimento e superação até a Glória, a graça de Deus é constrangedora em Amor e sempre reconquista-nos quando saímos do caminho: podemos resisti-la apenas temporariamente, mas Deus nos reconquista sempre, renovando-nos 'irresistivelmente' em Amor, como defendem os calvinistas com a perseverança dos santos.

O elo que unifica essas diferentes operações da graça, sem comprometer a soberania divina ou a responsabilidade humana, reside no mistério da eleição luterana clássica. Com essa estrutura, esta teologia preserva, sem tentar solucionar de forma puramente racional, a clássica crux theologorum (a cruz dos teólogos), sintetizada na histórica indagação: 'Cur alii, alii non?' (Por que alguns se salvam e outros não, se todos compartilham da mesma culpa e a salvação é unicamente pela graça?).

Enquanto o calvinismo rígido responde a esse dilema limitando a vontade salvífica de Deus por meio da dupla predestinação; enquanto o calvinismo moderado responde a esse dilema pela união racional da graça irresistível e eleição incondicional (pois, ainda que sob uma única via de predestinação (à vida), Deus não chama internamente nem dá verdadeira chance a todos); e enquanto o arminianismo em geral tende a respondê-lo atribuindo a decisão final ao livre-arbítrio humano, a presente proposta interdenominacional mantém o mistério no conselho oculto de Deus:

1.      1. A salvação do eleito é inteiramente obra da graça soberana (manifestada: [1] na atração irresistível do homem natural; [2] na manifestação da eleição eterna na vida do homem carnal - eleição que opera a salvação em Cristo pelo contato eficaz com a Palavra pelo Espírito Santo -, transformando-o em homem espiritual, [3] e também manifestada na preservação do homem espiritual);

2.      2. A condenação do réprobo é da inteira responsabilidade de cada pessoa (por sua resistência voluntária no estágio de homem carnal).

3.      3. Isso silencia a razão humana onde a revelação bíblica preferiu não detalhar e mantém a "Cruz dos Teólogos" e a Soberania do Deus Onisciente e Todo-Poderoso Juíz:

"Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos." (Isaías 55:9 acf).


Dedicatória (abaixo dessa Conclusão)

[...]


Obs. Cap. "Outras Obras do Autor" (pág. 700), retirada do Livro.

domingo, 24 de maio de 2026

28/5/26 21h00 revisão extensa PDF/EPUB

Graça e Paz! Glória a Deus!

Aprimoramentos (vários!)

>>Melhorias Abaixo<<


PDF: atualizado 28/5 21h

EPUB: atualizado 28/5 21h (a partir de 27/5 a Tabela 3 da seção 10.7.2 agora pode ser visualizada)

https://www.mediafire.com/file/fvasrpkbp90wp7l/28-mai-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.epub/file


13.1 Glossário do Capítulo (21h 28/5)

Armínio, Jacó: Teólogo protestante holandês (1560-1609) cujas ideias foram baseadas primeiramente em Agostinho de Hipona (Agostinho jovem) e secundariamente no sinergismo de Filipe Melâncton. De Armínio surgiu o arminianismo.

Arminianismo: É uma escola de pensamento (linha) teológica, acerca da soteriologia (doutrina da salvação) baseada nos pensamentos de Jacó Armínio e seus seguidores (incluindo os remonstrantes e John Wesley). O arminianismo principal é chamado de FACTS, ou arminianismo de cinco pontos. Muitos que se dizem arminianos hoje não conhecem os escritos de Armínio, e nem, realmente, são arminianistas de cinco pontos, mas muitos negam a depravação total (que diz que cada parte de nosso ser foi corrompida pelo pecado – conforme Paulo, nascemos mortos em delitos e pecados). O arminianismo de coração é a união do arminianismo de Armínio, chamado de arminianismo clássico, com o de Wesley, chamado de arminianismo wesleyano. Acerca do pecado de Adão e consequentemente da humanidade, Deus não o decretou, mas o permitiu.

Teísmo Aberto: É uma linha de pensamento que diz que Deus não conhece o futuro exaustivamente, mas se limita quanto a isso. Não é uma linha ortodoxa nem bíblica. Ainda, não tem ligação com o arminianismo, mas Armínio chegou a escrever uma expressão, citada pelo arminiano Roger Olson, em seu livro “Teologia Arminiana: Mitos e Realidades”: “Deus se autolimita na relação com a humanidade”, o que já foi interpretado como um resquício de teísmo aberto. Porém, é importante ressaltar que para Armínio, na minha opinião (especialmente em combate com o determinismo divino rígido), essa autolimitação refere-se ao controle e poder de Deus sobre a vontade humana, e não ao Seu conhecimento do futuro, diferenciando-se assim da heresia do teísmo aberto.

Calvino, João: Reformador protestante francês (1509-1564) cujas ideias foram adotadas em Genebra, na Suíça. Baseou-se fortemente em Agostinho de Hipona (Agostinho velho) para seus escritos.

Calvinismo: Linha teológica de grande abrangência no protestantismo cristão, principalmente chamada hoje de TULIP, ou calvinismo de cinco pontos, que se baseia principalmente no determinismo divino e na predestinação de tudo o que ocorre pela soberania e decreto de Deus.

Reformados (ou calvinistas): Pessoas que seguem ou concordam com o calvinismo que teve origem em João Calvino (sintetizando Agostinho velho), e foi aprimorado por Calvino e por seus sucessores.

Compatibilismo teológico e infralapsarianismo: Originalmente o compatibilismo é um argumento filosófico que diz que não há conflito entre determinismo divino e liberdade humana. Na linha calvinista mais saudável (infralapsarianismo), o mesmo da Confissão de Fé de Westminster, Deus decretou a Queda de forma permissiva, utilizando-se de causas secundárias, de modo que a culpa recai inteiramente sobre o homem (ou Deus “decretou permitir” a queda). Ressaltando, se Deus decreta que uma pessoa vai pecar e fazer o mal, a pessoa não pode escapar e acabará pecando e fazendo o mal (todavia, misteriosamente, a pessoa o faz voluntariamente), e quem é culpado fica sendo a própria pessoa pois, segundo Agostinho por exemplo, culpado é quem realiza o ato. A ligação entre o decreto divino e o ato humano são os meios diretos ou indiretos (causas secundárias) que Deus usa para levar o homem a fazer sua vontade na teologia calvinista, o que faz com que Deus não seja o autor do pecado deles na visão calvinista, embora o compatibilismo desse modo seja discutível na minha opinião.

Supralapsarianismo: Linha calvinista cuja ordem dos decretos de Deus leva à conclusão de que Deus decretou o pecado de Adão (justamente pois o decreto da eleição (e condenação) é anterior ao decreto da queda de Adão). Eles também dizem que Deus usa-se de causas secundárias, mas é difícil evitar críticas bem colocadas como as de Jacó Armínio em Obras de Armínio (2015, CPAD). Essa linha tem muita dificuldade em defender que Deus não é autor do pecado de Adão e consequentemente da humanidade, inclusive recebendo críticas de reformados infralapsarianos.

Determinismo fatalista e hipercalvinismo: conceito usado por uma outra linha calvinista (heterodoxa) chamada de hipercalvinismo (nada saudável por sinal) que diz, além de que não precisamos evangelizar com eficácia o mundo, que o decreto de Deus age diretamente no homem sem causas secundárias, por exemplo, Deus nessa linha decretou diretamente o pecado de Adão, e todo o mal do mundo. O homem fica sendo quase uma marionete. Isso não leva a outra conclusão senão que esse conceito é antibíblico pois faz de Deus, além de tudo, o autor do pecado de Adão, e com isso, de toda humanidade.

Decretos de Deus: Deus, como Rei, tem decretos, e esses não podem ser revogados nem frustrados por ninguém. Os decretos de Deus não podem ser resistidos a não ser que Deus tenha decretado que eles fossem passíveis de resistência, como uma “lei ou decreto condicional”. Porque para Deus nada é impossível (Lc 1.37). A Bíblia cita muitas vezes os decretos de Deus, embora também a Bíblia mostre a liberdade de escolha humana. Cada linha calvinista e arminiana é logicamente construída de modo que possui diversas ordens logico-teológicas de decretos de Deus para a humanidade, e se a ordem desses decretos for alterada toda a cosmovisão muda. Porém, uma crítica é: Deus realmente decreta um decreto por vez? Deus precisa esperar Adão cair para decretar outro decreto, a saber, a escolha de indivíduos para morar com Ele? O decreto de exaltar a Cristo veio apenas após a queda de Adão? Claro que não. Qualquer lista que queira supor a ordem dos decretos de Deus e a natureza deles, ainda que com o melhor e mais recente da filosofia e teologia, é fadada ao fracasso. “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos (Isaías 55.8-9). A Bíblia é suficiente. Cristo é suficiente.

Liberdade Humana: Como o nome diz, é a capacidade do homem de agir, pensar, e se locomover sem a ajuda de outro, seja essa liberdade limitada ou total.

Livre-Arbítrio: Capacidade de alguém agir contra sua própria natureza às coisas espirituais, ou seja, “arbítrio livre” (seja limitado ou não). Exemplo: habilidade de uma pessoa não regenerada, não salva, de ser capaz de fazer uma boa obra, como crer e confiar em Deus para sua salvação (capacitada ou não pelo Espírito): tal é semelhante ao conceito arminiano sobre o estado do homem antes da salvação (embora eles o chamem de livre-arbítrio libertário, que inclusive é limitado, pois o homem não pode parar de pecar). O livre-arbítrio foi usado por Adão para pecar, sendo que ele não tinha a natureza pecaminosa. Usado por Satanás no Paraíso para formar o mal no seu interior, sendo que na Criação não havia mal nele, através do potencial do bom livre-arbítrio que recebeu de Deus, pois Deus requer amor voluntário.

Livre-Agência: Capacidade de agir de acordo com sua própria natureza: 1. Quem só tem a natureza pecaminosa, e não a natureza divina (de Cristo pelo Espírito Santo), não possui capacidade para o bem espiritual; 2. Um cristão nascido de novo faz tanto o bem como peca, pois tem a natureza de Cristo e a pecaminosa; 3. Os eleitos no Céu, que possuem apenas a natureza humana glorificada (que continuam unidos a Cristo), e não a natureza pecaminosa, não pecam mais, só fazem boas obras: são livres para o bem, assim como Deus é naturalmente livre para fazer o Bem, e só pode fazer o Bem.

Eleição / Eleger: Diz respeito à escolha, por parte de Deus, desde a eternidade, de indivíduos que morarão com Ele por toda a eternidade. O Novo Testamento enfatiza muitas vezes a expressão “eleitos de Deus”. Jesus é, em Isaías, “o Eleito” (o Escolhido).

Queda de Adão: Ato de Adão pecar (Romanos 5.12), e levar consigo toda a humanidade. Todos pecamos em Adão, e por isso todos nascemos mortos em delitos e pecados (Efésios 2.1, Colossenses 2.13).

Queda de Satanás: Ato de Satanás pecar (logicamente antes de Adão), e levar consigo, pela influência, muitos anjos a pecarem com ele, os quais se tornaram, após juízo divino, anjos caídos, ou demônios.


1 DOUTRINA DA BÍBLIA (atualizado em detalhes 28/5)

 A Inspiração das Escrituras

A Bíblia, no seu manuscrito original, é inspirada de modo Plenário e Verbal (2Tm 3.15-17):

Inspiração Plena ou Plenária significa que a atividade do Espírito Santo em superintender a escrita da Escritura se estende a toda a Bíblia. Tudo o que é encontrado dentro do cânon é Escritura, o produto da supervisão do Espírito Santo.

Inspiração Verbal. Basicamente, esse termo declara que a atividade do Espírito Santo se estende até as próprias palavras da Escrituras. Devemos ser cuidadosos, porém, de não igualar a ideia com a teoria do ditado verbal. Ao invés de afirmar que Deus ditava cada palavra, devemos entender a inspiração verbal apenas alegando que o Espírito superintendeu o processo de seleção de palavras e ordem das palavras na medida em que são capazes de comunicar o significado pretendido do texto. Na medida em que as palavras e a sintaxe são os principais portadores de significado, o conceito de inspiração verbal enfatiza o envolvimento divino na escrita da Escritura para que as palavras empregadas nos documentos transmitam a mensagem pretendida de Deus. Stanley Grenz (2000).

 

A Inerrância e a Preservação das Sagradas Escrituras

Geisler (2010, p. 457 e 462) nos esclarece que “a inerrância da Bíblia vem de duas premissas claramente expostas na Bíblia: (1) Deus não pode errar (Hb 6:18; Tt 1:2; Rm 3:4). (2) A Bíblia é a Palavra de Deus [cf. 2Tm 3:16-17, 2Pe 1:20-21, 1Ts 2:13 (acima), e João 10:35 diz que “A Escritura não pode ser anulada”].

Portanto, conclui-se que a Bíblia nos manuscritos originais é inerrante.

Grudem (2010, p. 59) traz uma definição precisa e fácil de se entender da inerrância da Bíblia: “A inerrância significa que a Bíblia sempre diz a verdade e que sempre diz a verdade a respeito de todas as coisas de que trata.

Assim, concluímos que o livro mais preservado do mundo e de todas as épocas (além de mais vendido) é a Bíblia Sagrada, que contém o Antigo e o Novo Testamentos, inspirada por Deus e, nos autógrafos, inerrante.

Em especial, destaca-se o Texto Recebido (Textus Receptus, ou “TR”) em grego “koiné” ou “do povo” (que é a compilação de manuscritos do Novo Testamento transmitidos pela Igreja Bizantina e usado pelos pais da Igreja e reformadores) preservado ainda hoje, que é mais de 99% fidedigno aos originais, portanto 99% inerrante, pois, além da Preservação Divina, esse Novo Testamento foi copiado de geração em geração por fiéis piedosos da Igreja – e não críticos de viés racionalista e teologia liberal do século XIX, como Westcott e Hort, que compilaram o “Texto Crítico” (ou TC), que é a base dos Novos Testamentos modernos. Um detalhe é que Tertuliano escreveu em “Prescrição contra os Hereges, cap. 36 (aprox. 200 d.C.) que “os próprios autógrafos dos apóstolos [ainda] estavam nas Igrejas”: o Novo Testamento original não foi perdido, os manuscritos foram copiados desde a escrita deles até ficarem gastos e inúteis, e é justamente por isso que os manuscritos mais novos do Novo Testamento que temos hoje, os da família de Antioquia (cidade dos apóstolos em Atos), são 99% concordantes entre si, inclusive são os autorizados pela Igreja, copiados e por isso preservados. Já os manuscritos mais antigos que temos hoje, que formam o chamado “Texto Crítico”, manuscritos contraditórios entre si 3000 vezes apenas nos Evangelhos (especialmente Sinaiticus e Vaticanus), foram os não manuseados, da família de Alexandria, e não copiados pela Igreja de Deus nem usados em liturgia, por isso que sobreviveram. Mesmo assim não só as Bíblias baseadas no Texto Recebido são a Palavra de Deus, as Bíblias modernas fazem um trabalho excelente de linguagem acessível, clara e evangelismo global, e também são a Palavra de Deus, ainda que, às vezes, a Palavra incompleta, pois as Bíblias com NT baseado no Texto Crítico têm muito menos conteúdo nos versículos do que as Bíblias com NT baseadas no Texto Recebido. Sobre o Texto Recebido, e sobre nossos Novos Testamentos em geral, desconsidere o erro de copista, que foi um acréscimo da expressão "de Cainã", que no grego está como “τοῦ Καϊνáν(The New Testament, Trinitarian Bible Society, 1976, pág. 112), em Lucas 3:36 entre Arfaxade e Selá que não é bíblico (não está em Gênesis 11, 1Crônicas 1, manuscritos mais antigos de Lucas (3:36) e LXX, nem em Josefo).

O Antigo Testamento, se fosse possível dar uma porcentagem, é aproximadamente “95%” preservado no Texto Massorético (que é o Cânon Judaico, também adotado pelos Protestantes, do Antigo Testamento) e, unindo grande parte do Texto Massorético Judaico, com partes do Antigo Testamento em Grego, que é a Septuaginta (LXX), partes dos Manuscritos do Mar Morto do Antigo Testamento (Dead Sea Scrolls) com o complemento histórico das obras de Flávio Josefo (que traduziu parte do Antigo Testamento da época de Cristo para o grego por meio de paráfrases), que teve acesso aos rolos do Segundo Templo antes da uniformização e padronização do Cânon judaico no Séc. II d.C. (que mais tarde formou o Texto Massorético pelos Massoretas), chegamos, na prática, a um compilado correspondente ao original do Antigo Testamento hebraico.

Deus é fiel e preservou Sua Palavra atemporal e inerrante a nós, seus filhos! Amém!

 

1.1 O Cânon Verdadeiro, Escolhido por Deus

O Cânon, “a regra de medida” adotada pela Igreja, constitui a lista ou coleção de livros inspirados que temos hoje, no caso dos protestantes, 66, que formam a Bíblia Sagrada. O cânon não é determinado pela Igreja, nem a Igreja é mãe e nem regula o cânon, mas a Igreja descobre o cânon, a Igreja é filha do cânon, reconhece o cânon, é testemunha do cânon, e é serva do cânon. Bíblia Apologética de Estudo, 2011.

O que quero dizer com isso é que o conjunto de livros inspirados da Bíblia não foi formado aleatoriamente, ou por mão humana, separado da direção de Deus. Isto para que saibais que Deus inspirou algumas Escrituras dos diversos manuscritos existentes na antiguidade, e a parte dos homens foi tão somente estudar, conferir autenticidade, e orar a Deus pelo Espírito para que, pela autoridade dos apóstolos e pelas doutrinas ortodoxas (sem que houvesse contradição interna intrabíblica), separasse o que é inspirado e autoritativo, e o que não é inspirado (pelas heresias, falsas autorias e contradições). Todos os 66 livros da Bíblia Protestante são inspirados pelo Espírito Santo, pois não têm contradição real, diferente do Cânon da Igreja Católica Apostólica Romana, com seu acréscimo de sete livros no AT oficialmente a partir do Concílio de Trento. Se alguém acredita que os livros da Bíblia protestante e preservada por Deus possuem alguma suposta contradição doutrinária, orem e busquem conhecimento do Senhor para ver que, na realidade, não possuem contradição alguma.


28/5

Correção (28/5 referências): (Alvin) Platinga --> Plantinga.

28/5 - retirada menção de inerrância por Grenz (2000), visto que ele não era adepto dessa linha. Substituído por Geisler e Grudem


Apologética - seção "existe vida inteligente fora do planeta Terra?" (26/5 22h)

Se não houvesse um dilúvio global que afetasse a estrutura e os parâmetros dos processos químicos, físicos e biológicos da terra, milhões ou bilhões de anos poderiam fazer sentido. Mas não podemos nos basear nos processos que temos hoje, e nos seus parâmetros, para extrapolar e conseguir descobrir o que havia antes do dilúvio, pois o mundo era outro, havia só um continente antes do dilúvio, dilúvio que durou mais de um ano; as pessoas viviam 900 anos; não havia chuva (nem arco-íris), apenas um vapor regava a terra; ou seja, os processos (ou apenas os seus parâmetros) da época pré-diluviana eram diferentes dos de agora, muito mais rápidos ou lentos, por isso o cálculo científico para a idade da terra a partir de processos e leis químicas, físicas e biológicas que temos hoje, pelo ritmo atual, não são validos para milhões de anos (ou bilhões, pois os evolucionistas creem que a terra existe há 4,5 bilhões de anos), mas, sem saber (ou sem estimar corretamente) as taxas dos processos antes do Dilúvio, os cálculos de estimativa da idade da matéria pelos processos que temos hoje na Terra servem somente para milhares de anos, até o Dilúvio de Noé, que ocorreu aproximadamente em 3200 a.C.


cap 6 (26/5)

[Os criacionistas da terra jovem que defendem que o mundo foi criado há 6000 anos costumam defender o dilúvio por volta de 2348 a.C. Mas como Abraão nasceu aproximadamente em 2000 a.C. segundo a genealogia que eles adotam, adotar essa cronologia é improvável, o que faria supor que apenas três casais no Dilúvio pudessem em 350 anos produzir uma população numerosa o suficiente em poucas gerações para organizar a Torre de Babel, dispersar-se em dezenas de clãs familiares pelo mundo, estabelecer nações distintas, repovoar o Egito - e sua cultura inteira se estabelecer (lembre-se de que Abraão teve contato com Faraó). Com a cronologia de Flávio Josefo, situando o Dilúvio em aproximadamente 3200 a.C., existe um intervalo de mais de mil anos para esses eventos acontecerem, o que é biblicamente mais preciso, e cientificamente e biologicamente sustentável segundo a cosmovisão criacionista].


CAP 6 (e final do livro, apologética)

[Embora Ken Ham, do ministério Answers in Genesis, muito citado nesta obra, defenda rigidamente 6 mil anos para a Criação, o criacionismo da terra jovem afirma pelas evidências científicas que o mundo foi criado há menos de dez mil anos, e pela Bíblia, ainda mais assertiva, criado por Deus há aproximadamente 7.500 anos (Criação em aproximadamente 5467 a.C., Dilúvio em 3211 a.C., Abraão tendo nascido em 2166 a.C. e se passaram 3301 anos da Criação para Abraão), baseado nas precisas genealogias de Gênesis 5 e 11 mais próximas dos autógrafos originais preservadas pelos escritos de Flávio Josefo que usava a Torá hebraica (Gn 5 e 11 são capítulos que não possuem lacunas em suas genealogias): Flávio Josefo, Antiguidades apud Rudd, Steve (Bible.ca, 2017). Obs. o “Cainã” entre Arfaxade e Selá não existe nos manuscritos mais antigos do Antigo Testamento que temos hoje (não está no manuscrito mais antigo da Septuaginta), nem em 1Crônicas, nem em Qumran (Manuscritos do Mar Morto), nem no mais antigo manuscrito de Lucas, nem em Flávio Josefo, portanto esse Cainã entre Arfaxade e Selá nunca existiu, é um erro pontual (acréscimo) de copista que permanece nas Bíblias de hoje e deve ser ignorado)].


1 DOUTRINA DA BÍBLIA

Isto para que saibais que Deus inspirou algumas Escrituras dos diversos manuscritos existentes na antiguidade, e a parte dos homens foi tão somente estudar e orar a Deus pelo Espírito para que, pela autoridade dos apóstolos e pelas doutrinas ortodoxas (sem haver contradição interna intrabíblica), separasse o que é inspirado e autoritativo, e o que não é inspirado (pelas heresias, falsas autorias e contradições).


3.2.1

¹⁴ E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU [Hebr. Ehyeh asher Ehyeh]. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU [Hebr. Ehyeh] me enviou a vós.

¹⁵ E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor [YHWH, ou יהוה] Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração. 


7.3

Como Satanás foi criado como um anjo de luz no primeiro dia da criação (Ezequiel 28.15 "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti.")...


7.6

Vale dizer que, já que Paulo citou o terceiro céu (2Co 12.2), o primeiro céu é reconhecido biblicamente como o nosso céu visível a olho nu, ou atmosfera (ajuntem-se as águas debaixo dos céus Gn 1.9); o segundo céu, a expansão dos céus, é o universo (haja luminares na expansão dos céus Gn 1:14), e o terceiro céu (2Co 12.2) é o Paraíso de Deus (Lc 23.43). Não me faz sentido que o terceiro céu, o Paraíso de Deus, seja o mesmo local que esses “lugares celestiais” [dimensão espiritual] de que falou o apóstolo Paulo em Efésios, visto a Bíblia diz que Satanás não têm acesso mais ao céu depois da obra de Cristo:


80 Questões

20. Se Jesus Cristo é supostamente o deus onipotente feito carne ... como é que ele não herdou o pecado original? Lembre-se, ele é supostamente homem e deus em união, e se verdadeiramente homem, assim como deus, ele deve ter herdado o pecado original.

Jesus Cristo não nasceu como nós, da união de um homem e uma mulher: Ele nasceu de um milagre, do Espírito Santo! E é por isso que é chamado de filho de Deus, pois é filho da natureza divina de Deus Pai pelo Espírito, e é filho pela natureza humana (filho do homem) da virgem Maria, que deixou de ser virgem depois, claro. Deste modo, como a Bíblia diz várias vezes, Cristo é o único sem pecado, imaculado, perfeito. Ele é, ao mesmo tempo, Deus e homem. Desde Sua ressurreição, não esteve mais com corpo de homem terreno, mas com corpo de homem glorificado (João 20 diz que Jesus entrava em lugares quando a porta estava fechava; e assim desaparecia também). Ascendeu ao céu com este corpo humano glorificado (do Céu).


80 Questões

25. Se a terra estava coberta por uma inundação global completa, todos os seres vivos mortos, exceto os que sobreviviam na arca, por que existem muitas espécies animais completamente únicas na Austrália que não são encontradas em nenhum outro lugar na terra?

A resposta para isso é que a distribuição das espécies pode ser explicada por migração pós-dilúvio – pois depois do dilúvio ocorreu a única “era do Gelo”, que uniu os continentes através de pontes terrestres, pelas quais os animais migraram a pé para a Austrália antes que o gelo derretesse e os isolasse.


80 Questões

53. Em 1 Coríntios 15:50 diz “Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção”. Como Jesus pôde então ascender ao reino de Deus se ele mesmo é carne e sangue?

Ele não possui mais "carne e sangue" no sentido de corruptibilidade mortal (sentido de 1Co 15.50), mas preserva Sua verdadeira humanidade física glorificada (carne e ossos) no céu.

Lucas 24.39 ("Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.") diz que o corpo glorificado de Jesus também é composto de carne e ossos, o que nos faz concluir que o corpo glorificado não é de outro ser, mas humano glorificado.


80 Questões

73.

A alma é a vida imaterial de todo ser humano que se relaciona com Deus, eterna, que está ligada de um jeito misterioso ao corpo, e que retorna a Deus na morte, vivendo eternamente. Após o juízo do último dia, essa alma receberá um novo corpo para o estado eterno.


13.5

É possível que Deus conheça o futuro não por ver o futuro como se desse uma olhada nele, mas conhecendo o futuro diretamente como já presente. Se a presença de Deus habita em todos os lugares (onipresença espacial), então talvez possamos falar de Deus como habitando em todos os tempos [da criação, colchetes meus]: passado, presente e futuro (onipresença temporal). Walls e Dongell (2014).


11.4

1. O Novo Testamento simplesmente não repete o mandamento do sábado do Antigo Testamento:

Marcos 10.19 (Jesus): Tu sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mãe; Rm 13.9 (Paulo): Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Esses mandamentos acima (dos dez mandamentos) são os mandamentos para o próximo. Já os mandamentos para Deus (exceto o do Sábado) estão no Novo Testamento em: Não ter outros deuses: Mateus 4.10 e 1Co 8.6; Não fazer ídolos: 1João 5.21 e 1Co 10.14; Não tomar o nome de Deus em vão: Mateus 5.33-37 e Tiago 5.12. Concluímos que o NT não repete em lugar algum o mandamento de guardar o sábado.


8.6

E o “homem” glorificado na glória dos Céus (assim como os anjos eleitos), que não terá livre-arbítrio também para pecar (pois será “livre para o Bem”), não pecará pois não possuirá mais a natureza terrena pecaminosa (carne), mas será a verdadeira imagem e semelhança de Deus na consumação, o qual não somos ainda.


13.8

Uma vez que foi dado por Deus a alguns seres humanos vivenciar e provar que o tempo e o espaço não são absolutos e eternos, imagine o que Deus pode fazer. Não estou falando que a Teoria da Relatividade corresponde perfeitamente à realidade. Todavia, se um anjo, voando do trono que está no meio do Paraíso de Deus à Terra, chegasse instantes depois de ter saído, ou até no mesmo tempo, quanto mais o próprio Deus pode trabalhar agindo no tempo e no espaço, no presente, no passado e no futuro, moldando e agindo no futuro como bem entender, ao mesmo tempo que permite nossas ‘livres’ escolhas com o nosso ‘servo arbítrio’. Se para nós o tempo é relativo, por que Deus não pode estar presente em todos os tempos da mesma forma?

[Isso tudo digo ainda que o tempo humano, em nossa realidade de baixas velocidades, seja quase totalmente linear: nossa experiência cotidiana é linear (passado-presente-futuro), mas uso ambas as linguagens nesta obra]


3.6

[Deixo uma observação aqui: Mesmo adotando partes de Agostinho nessa teologia, recuso a notação de Agostinho que o Espírito Santo é o amor com o que o Pai ama o Filho; que o Pai é o amante, o Filho o amado, o Espírito o amor: isso não é bíblico, nem muito correto na minha opinião.]


3.6.1

O que é admitido nessa teologia sistemática:

  • .      Deus é o Ser absoluto; 
  • .      Amor é o caráter absoluto do Ser.

Ou seja,

  •             Deus não é composto, é simples: um Deus;

  •         Mas o ser de Deus tem centralidade (valor central) no amor: a essência de Deus é eternamente expressa como Amor, ou, em linguagem simples: Deus é Amor.

Essa conclusão vem do fato de que o Novo Testamento, que dá luz ao Antigo, é onde Deus manifesta mais plenamente Seu Amor, sendo o ápice da revelação progressiva dada aos homens.


8.3

Deste modo, como exposto, o homem e a mulher são como Deus, e representam Deus.

O corpo unido à alma de cada ser humano também é imagem de Deus, justamente porque Gênesis 1.27 NVT, que diz “Assim, Deus criou os seres humanos à sua própria imagem, à imagem de Deus os criou; homem e mulher os criou.”, pressupõe que ser homem e ser mulher (que são diferentes pela mente e corpo, e não pela alma/espírito, nem pela moral) também faz parte da imagem de Deus, ou seja, ser imagem e semelhança de Deus não é só sobre a parte moral e espiritual, mas também é algo que engloba o corpo de cada ser humano (criado para glorificar a Deus), embora, claro, Deus, a fonte da imagem e semelhança, é Espírito. Jesus, a própria Imago Dei, o próprio resplendor da glória de Deus (Hb 1), assumiu a humanidade, sendo verdadeiro homem e Deus, mostrando que ainda que Deus seja Espírito em sua natureza divina, baseado na encarnação do Verbo, e baseado em Gn 1.27 (que liga a imagem de Deus com ser homem e mulher), o corpo unido à alma também é imagem e semelhança de Deus, e deve ser usado para a glória e louvor de Deus Trino e Uno.

Estágios da Imagem de Deus

1. Imagem original. Adão e Eva foram criados retos e puros. Possuíam a imortalidade, possuíam a pureza, justiça e retidão originais, eram uma verdadeira imagem de Deus.

2. Imagem desfigurada. Quando Adão e Eva pecaram, eles e toda a humanidade futura – seus descendentes – ainda permaneceram como imagem de Deus, mas uma imagem distorcida pelo pecado e pela queda – todos os que nascem, nascem mortos espirituais, sem a justiça original com a qual Adão e Eva foram criados.

3. Imagem renovada. Quando uma pessoa é salva (seja no Novo Testamento ou no Antigo) ela tem essa imagem restaurada ou renovada: ela é justificada pela fé, e gradualmente, conforme a pessoa é santificada por Deus, a pessoa fica cada vez mais parecida com Cristo, sua imagem fica cada vez mais parecida com à de Cristo. A plenitude da imagem de Deus não é alcançada nesta Terra, mesmo por um salvo: Cristo é perfeito e nós não somos, portanto nunca seremos a completa imagem de Deus nesta Terra.

4. Imagem aperfeiçoada. A imagem de Deus plena, ligada ao corpo glorificado, conforme a imagem de Deus em Cristo Jesus (seremos como ele), só será alcançada na glória dos céus, na glorificação, na vida eterna, a qual será uma medida melhor e mais excelente do que a imagem original do Éden, tanto quanto os novos céus e terra serão mais excelentes do que o Éden.


10.7.2

Não, os ladrões, os homicidas e os malfeitores não são instrumentos da divina providência em nome de Jesus. São instrumentos de Satanás, o pai da mentira e o autor do pecado e do mal. É permissão e não decreto ativo de Deus.


10.7.2

Não compartilho da eleição arminiana e, apesar de estar escrito segurança eterna, o arminianismo (e o luteranismo clássico), em geral, acredita que alguém pode perder a sua salvação, argumento que combato na seção 10.6.

Adotei a eleição luterana à salvação e, embora eu use a Fórmula de Concórdia para a definição de eleição, afasto-me do luteranismo clássico no que tange à perda da salvação, adotando a visão reformada/calvinista da perseverança ou preservação pela graça dos salvos verdadeiramente transformados (nascidos de novo), amplamente defendida nas Escrituras.

Eleição luterana: Há um critério em Deus para a escolha de Deus desde a eternidade de indivíduos para Sua Glória, mas que a Escritura não revela especificamente, portanto a eleição é incondicional à revelação, mas certamente há um critério não revelado em Deus;

Para unir tudo, “expiação de dois aspectos”: expiação substitutiva limitada (Cristo tomou os pecados dos eleitos apenas sobre si, o que ocasiona sempre justificação de vida); Expiação ilimitada em outro aspecto - Graça preveniente irresistível - Cristo tomou sobre si toda a culpa Adâmica (fato aplicado a nós ao contato com a Palavra); a expiação de Cristo no seu sentido amplo, não substitutivo, nos trouxe a graça preveniente irresistível, que tira-lhe a culpa adâmica herdada e começa a iluminar o pecador e mostra-lhe a verdade do evangelho;


10.4.4

O princípio de um mandamento considero que é o porquê intentado por Deus ao criar o mandamento, nos salvar ou preservar de quê: isso permanece?

O mandamento do Sábado foi abolido, mas os princípios do mandamento do Sábado permanecem: o preservar e proteger o ser humano da exaustão física e da escravidão do trabalho, fato que deve apontar para a necessidade contínua de comunhão com Deus, isto permanece, ou seja, o ideal é descansar pelo menos um dia na semana e se dedicar a Deus por este princípio do Sábado, e não "guardar o sábado".


11.4

Princípio do Mandamento do Sábado

O mandamento do Sábado findou junto com a lei cerimonial do Antigo Testamento. O princípio dos mandamentos cerimoniais não. O princípio de um mandamento considero que é o porquê intentado por Deus ao criar o mandamento, nos salvar ou preservar de quê: isso permanece? No caso, preservar e proteger o ser humano da exaustão física e da escravidão do trabalho, apontando para a nossa necessidade contínua de comunhão com Deus permanece, ou seja, o ideal é descansar pelo menos um dia na semana por este princípio do Sábado.

Outro exemplo é: no Antigo Testamento vemos mandamentos cerimoniais para os sacerdotes se aproximarem de Deus em santidade. Já na nova aliança não são mais requeridos, mas o princípio sim: Todos somos sacerdotes, e Deus requer reverência ao se aproximar de Sua Presença.


10.5.2.3

Deus, ao mesmo tempo, decretaria um Projeto completo (não proponho abaixo um decreto após o outro, pois assim a ordem abaixo levaria ao supralapsarianismo (do qual eu claramente não concordo), mas todos esses decretos ao mesmo tempo: todos os decretos são importantes, ou seja, eles estão em ordem de importância, não ordem decretada por Deus):

[1] O mais importante, Deus Pai decreta exaltar a Cristo, o Eleito. [2] O segundo decreto mais importante, eleger indivíduos com um certo critério, em Cristo, pela graça do Espírito Santo, pela fé e para louvor da Sua glória no Amado. [3] O terceiro decreto mais importante seria criar os meios para eleger a Cristo sobre tudo e sobre todos, e os fiéis e santos filhos Nele. Os meios seriam: [3a] Criação. Criar o Universo, o Paraíso, os anjos, o homem, os animais e plantas, matéria, energia e tempo etc.: nessa condição, nesses lugares e com essa companhia é que Cristo encarnado e os homens e anjos eleitos vão viver. [3b] Liberdade de escolha e queda. Criar a Criação com livre-arbítrio, e com tudo o que isso significa. Permitir a queda de alguns anjos e de toda a humanidade. Fazer consequente separação dos justos e dos injustos (homens e anjos) pelo relacionamento direto com Deus (Deus mesmo faz a separação) com destinos eternamente separados. [3c] Providência divina na história em todos os aspectos necessários, inclusive para a plenitude dos tempos em que Cristo veio e foi glorificado; providência divina na história para Israel, e depois para a Igreja do Senhor até a consumação etc. Veja que nessa lista temos [1] e [2], exaltação de Cristo e dos eleitos, como se fosse os 4 decretos da seção anterior, e todo o resto é consequência disso [3]. Essa lista não é perfeita nem é exaustiva.


Menções de Felipe Melâncton alteradas para Filipe Melâncton