quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Apartai-vos do mal e da sua aparência. Admoestação de hoje

E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência (Jó 28:28 acf)

Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal. (Jó 1 acf)

Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a. (Salmos 34:14 acf)

Aparta-te do mal e faze o bem; e terás morada para sempre. (Salmos 37:27 acf)

Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal. (Provérbios 3:7 acf)

O sábio teme, e desvia-se do mal, mas o tolo se encoleriza, e dá-se por seguro. (Provérbios 14:16 acf)

Os retos fazem o seu caminho desviar-se do mal; o que guarda o seu caminho preserva a sua alma. (Provérbios 16:17 acf)

Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos! (Isaías 5:20-21 acf)

Abstende-vos de toda a aparência do mal. (I Tessalonicenses 5:22 acf)

Aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a. (I Pedro 3:11 acf)


E tem crente assistindo filmes de terror (ex. Invocação do Mal...), jogos de terror (Resident Evil, "Mal que Reside"), jogos blasfemos como Diablo (diabo em espanhol), e achando que está no caminho estreito! Nem toquei aqui nos tópicos de vídeos pornográficos, eu tenho certeza que tem cristãos, ou casais, que consomem isso, que também é coisa má, obra da carne, cobiça dos olhos, cobiça da carne, adultério no coração (que é obviamente menos grave do que adultério físico diante de Deus).

Você que faz isso talvez não esteja no caminho de Cristo, especialmente se tem prazer no mal! Olhe por onde anda! Pelos frutos conhecereis as pessoas! Aquele que dá mau fruto é um hipócrita, falso profeta na igreja: e será lançado no fogo. Convertei-vos com verdadeiro arrependimento!

Jó temia a Deus e apartava-se do mal!

Apartar-se do mal é a inteligência! O justo, sábio, reto, aparta-se do mal e se apega a Cristo, ao bem. Amém.


Pv 14.16b o tolo se dá por seguro frente ao mal. (Paráfrase minha): é o crente tolo que contempla o mal e acha que não vai ser afetado, que acha que está seguro. Está sendo sábio segundo o mundo, sábio de si mesmo, e não com o Senhor. Engana-se pela sua própria malícia.

A amizade com o mundo é inimizade com Deus. Portanto, se alguém quiser ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. Tiago 4.4 (paráfrase minha).


Roberto Fiedler Rossi

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1. DO AMOR E DA VONTADE DE DEUS

  

Este capítulo divide-se em três seções, duas sobre o amor de Deus, e uma sobre a vontade amorosa e única de Deus.

 

1.1 AMOR A TODOS E A CADA UM

 

Deus amou a todos e a cada um com uma postura salvífica quando enviou Jesus, o Cordeiro que morreu desde a fundação do mundo, a todos e a cada um para a salvação das suas almas! Os calvinistas Peterson e Williams (Why I am not an Arminian, 2004, p. 180, tradução minha), citando D. A. Carson, comentam sobre isso:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. O que motivou o Pai para mandar seu Filho para morrer por pecadores foi seu grande amor. Calvinistas nem sempre têm entendido corretamente João 3.16. Nós rejeitamos tentativas para limitar o significado de ‘mundo’ aqui para ‘mundo dos eleitos’, por exemplo. É melhor seguir os passos de D. A. CARSON (CARSON, D. A. THE DIFFICULT DOCTRINE OF THE LOVE OF GOD. WHEATON, ILL.: CROSSWAY, 2000), que vê esse verso como indicando ‘a postura salvífica de Deus em relação ao seu mundo caído.’

Pode-se ver que os autores, citando D. A. Carson, corroboram a afirmação de que Deus Pai tem uma postura de amor, salvífica, em relação a todo o mundo caído. Isso talvez comece a iluminar a muitos para ver que Deus se importa com a salvação de todas as suas criaturas caídas, que é o espírito da Escritura e do evangelho cf. 1Tm 2.4.

Ele amou a todos porque é a Sua natureza (1Jo 4.8), Ele amou sem mérito de ser humano algum e, além disso, Ele amou a todos de modo salvífico antes que existíssemos, antes que qualquer ser humano praticasse o bem ou o amasse de volta conforme a Escritura (Rm 5.8)!

Stanley Grenz (2000, p. 71-74, tradução minha) se pronuncia sobre o amor de Deus como essência:

A doutrina da Trindade constitui a base para a concepção cristã da essência de Deus.

Como o apóstolo indica, a essência de Deus é Amor (1Jo 4.8). Por toda a eternidade a vida divina - a vida do Pai, Filho e Espírito - é melhor caracterizada pela nossa palavra "amor". O amor, portanto, isto é, a autodedicação recíproca dos membros trinitários, constrói a unidade do único Deus. Não há outro Deus além do Pai, Filho e Espírito, ligados juntos por toda a eternidade.

Quando visto em termos do seu papel na doutrina da Trindade, o termo “amor” oferece uma janela na profundidade da realidade de Deus como entendido pela tradição cristã. O Amor trinitariano descreve a vida interna de Deus – Deus como Deus fora de qualquer referência à Criação.

Visto que Deus é amor à parte da criação do mundo, o amor caracteriza Deus. O amor é a essência eterna do único Deus. Mas isso significa que o amor trinitário não é apenas um atributo de Deus entre muitos. Em vez disso, o amor é o "atributo" fundamental de Deus. "Deus é amor" é a declaração ontológica fundamental que podemos declarar a respeito da essência divina.

Porque por toda a eternidade e à parte do mundo, o único Deus é amor, o Deus que é amor não pode deixar de responder ao mundo de acordo com sua própria essência eterna, que é o amor. Assim, esta característica essencial de Deus também descreve a maneira como Deus interage com o seu mundo. O "amor", portanto, não é apenas a descrição do Deus eterno em si mesmo, é também a característica fundamental de Deus na relação com a criação. Com profunda visão teológica, portanto, João irrompe: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu..." (João 3:16).

Grenz (2000).

 

1.2 O AMOR DE DEUS É CONDICIONAL OU INCONDICIONAL? AMOR ÍNTIMO DE DEUS

 

Falando do amor de Deus para o ser humano, é fato que a Trindade tem amor incondicional por todos os homens com intenção de salvá-los em Cristo (amou o mundo, Jo 3.16), porém aos salvos Deus ama com amor íntimo, imenso e especial, pois o seu amor, em João 14.21, é condicional à união com Cristo, pela qual os salvos são filhos de Deus, e adotados em sua família: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. Deste modo, Deus ama intimamente aquele que tem os seus mandamentos e os guarda, Deus ama intimamente (ama de forma particular) seus filhos adotados e unidos a Cristo. Como apenas os nascidos de novo podem guardar os mandamentos de Deus (não por si mesmos), pois não vivem pecando (cf. 1Jo 3.6,9 ARA) e porque sem fé é impossível agradar a Deus (cf. Hb 11.6), conclui-se que apenas os nascidos de novo – os filhos de Deus em Cristo – são amados intimamente por Deus. Se Deus amasse a todos, justos e ímpios com o mesmo amor incondicional, esse versículo perderia sua força exegética (isto é, não faria sentido), pois fala de um momento em que “será amado de meu Pai, e eu [Jesus] o amarei”.

O amor íntimo de Deus ao salvo não é um amor condicional de um modo que seria necessário fazer algo para merecer o amor de Deus, mas Deus ama os seus filhos intimamente por estarem unidos a Cristo: é condicional a Cristo. Em Cristo são amados como filhos. Deus não ama intimamente o mundo longe dele, visto que “Deus odeia o pecador” (Sl 5.5 e 11.5), isto é, o pecador está separado de Deus, na ira (Jo 3.36).

 

1.3 A VONTADE UNA E AMOROSA DE DEUS

 

A Escritura não apresenta Deus como possuidor de vontades conflitantes no chamado do evangelho, como se houvesse em Deus uma vontade revelada amorosa e outra vontade secreta oculta, como reformados descrevem a formulação teórica de vontade dupla em Deus como “a vontade prescritiva e a vontade decretiva”, também como luteranos descrevem “a vontade oculta e a revelada”, embora tais distinções não devam ser compreendidas estritamente como duas vontades ontologicamente separadas ou contraditórias em Deus. Antes, apresenta o único Deus como sendo santo, justo, verdadeiro, bom e amoroso em tudo o que é e faz. Deus não é dividido em si mesmo, nem age com duplicidade moral. Sua vontade é santa, sábia, justa e amorosa; e essa vontade única se manifesta de modos diversos: criação, providência, mandamentos, chamado ao arrependimento, eleição, misericórdia, paciência, disciplina, zelo, ira, severidade e juízo.

Deus tem uma só vontade divina, indivisa, santa e amorosa, embora essa vontade una se relacione com criaturas morais, pecadoras e responsáveis de modos diferentes.

 

Deus é amor, não apenas alguém que ama

 

De acordo com 1João 4.8 e 1João 4.16,

“Deus é amor.”

João não diz apenas que Deus ama ocasionalmente, nem que Deus se tornou amoroso depois da criação. Ele afirma algo sobre o próprio ser de Deus. O amor pertence à identidade divina. Deus ama porque Deus é amor.

Isso não significa que o amor elimina a santidade, a justiça, a ira ou o juízo. Significa que Deus é santo em amor, justo em amor, zeloso em amor, misericordioso em amor e severo em amor. O amor divino não é sentimentalismo; é o amor santo, puro, fiel, justo e verdadeiro do Deus vivo.

Essa verdade é profundamente trinitária. Antes de haver mundo, pecado, eleição, inferno ou juízo, já havia amor em Deus. Jesus diz ao Pai:

“...porque tu me amaste antes da fundação do mundo” – Jo 17.24.

Portanto, o amor não surgiu porque Deus criou criaturas para amar. O amor é eterno em Deus, pois o Pai ama o Filho no Espírito desde toda a eternidade. A criação é expressão livre desse amor transbordante, não uma necessidade em Deus. Deus não precisava criar para começar a amar; Ele criou porque eternamente é amor.

Outros textos confirmam essa abundância amorosa do ser divino: “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e grande em benignidade” – Sl 103.8; “O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras” – Sl 145.9; “Deus é rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou” – Ef 2.4; “Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” – Rm 5.8.

Assim, a vontade de Deus deve ser entendida a partir do próprio caráter de Deus: Ele é amor, luz, santidade, justiça e verdade. Não há trevas nele – 1Jo 1.5. Não há mentira nele – Nm 23.19; Tt 1.2. Não há variação moral nele – Tg 1.17.

 

A vontade salvífica de Deus é apresentada como amorosa

 

A Escritura apresenta o envio de Cristo como ato de amor. João 3.16-17 é central:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito...”

“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”

Aqui, a vontade de Deus em Cristo é redentiva. O Filho não vem como expressão de frieza decretal, mas como expressão do amor do Pai pelo mundo perdido. A encarnação, a cruz e a missão de Cristo revelam o coração salvífico de Deus.

Também 1João 4.9-10 diz que o amor de Deus se manifesta no envio do Filho: Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo para que por ele vivamos; e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. A cruz, portanto, não é contrária ao amor de Deus; é o ápice histórico da revelação desse amor. A justiça de Deus e o amor de Deus se encontram em Cristo. Deus não abandona sua justiça para amar, nem abandona seu amor para julgar. Ele ama de modo justo e justifica de modo santo.

A vontade salvífica ampla de Deus aparece em vários textos: Deus “quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” – 1Tm 2.4; Deus “não quer que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” – 2Pe 3.9; “Não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva” – Ez 33.11; Deus “anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” – At 17.30.

Esses textos favorecem a ideia de que Deus deseja sinceramente o arrependimento e a vida, não a morte como fim em si mesma. Deus julga o impenitente, mas não tem prazer na condenação. Sua severidade é justa, mas sua disposição revelada é chamar, advertir, convidar, corrigir e salvar.

Cristo lamenta sobre Jerusalém: “Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos... e tu não quiseste!” – Mt 23.37. Esse texto mostra a tensão bíblica de modo relacional. Cristo quer ajuntar; Jerusalém resiste. A culpa é da resistência humana, não de uma ausência de sinceridade em Cristo.

Por isso, pode-se dizer: a vontade revelada de Deus em Cristo é amorosa, salvífica e reconciliadora. Deus chama o pecador ao arrependimento, oferece Cristo, ordena a fé e não se deleita na perdição como um bem em si mesmo.

 

A lei moral de Deus também é expressão do amor

 

A vontade de Deus não é arbitrária. Deus não manda o bem por capricho. Ele ordena o bem porque sua lei expressa seu próprio caráter santo e amoroso.

Jesus resume toda a lei em dois mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração...” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”; “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” – Mt 22.37-40.

Paulo confirma: “O cumprimento da lei é o amor” – Rm 13.10. E também: “Toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” – Gl 5.14. Tiago chama esse mandamento de “lei real”: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo” – Tg 2.8.

Isso mostra que aquilo que Deus ordena é amoroso em sua finalidade. Os mandamentos não são expressões de uma vontade fria, legalista ou arbitrária. Eles revelam a forma correta da comunhão com Deus e com o próximo.

Mesmo os mandamentos negativos – “não matarás”, “não adulterarás”, “não furtarás”, “não dirás falso testemunho” – protegem o amor, a vida, a fidelidade, a justiça, a verdade e a comunhão. Assim, a lei moral é uma expressão da vontade amorosa de Deus para a criatura.

Quando o pecado viola a lei, ele não quebra apenas uma regra abstrata; ele rompe a ordem amorosa da criação e da aliança. Por isso Deus se ira contra o pecado: porque o pecado destrói o que o amor santo de Deus deseja preservar.

 

O ciúme de Deus é zelo santo de aliança

 

A Bíblia afirma que Deus é zeloso: “O Senhor, cujo nome é Zeloso, é Deus zeloso” – Êx 34.14; “O Senhor teu Deus é fogo consumidor, Deus zeloso” – Dt 4.24; “Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso” – Êx 20.5.

Esse zelo não é inveja pecaminosa. É zelo santo, fiel e conjugal. Deus se apresenta como esposo de seu povo; por isso a idolatria é frequentemente descrita como adultério espiritual.

Os profetas usam essa linguagem com força. Em Oséias, Israel é descrito como esposa infiel, mas Deus continua buscando restaurar a relação: “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração” – Os 2.14; “Desposar-te-ei comigo para sempre... em justiça, em juízo, em benignidade e em misericórdias” – Os 2.19.

Em Jeremias, Deus relembra o amor inicial de Israel: “Lembro-me de ti, da beneficência da tua mocidade e do amor do teu noivado” – Jr 2.2. Mas depois denuncia a infidelidade: “O meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito” – Jr 2.11.

Oséias 11 é um dos textos mais profundos para essa visão: “Quando Israel era menino, eu o amei...” – Os 11.1; “Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor...” – Os 11.4; “Como te deixaria, ó Efraim?... Meu coração está comovido dentro de mim...” – Os 11.8.

Aqui a ira de Deus não é descrita como frieza impessoal. O texto revela uma tensão relacional: Deus é santo, Israel é rebelde, mas o coração de Deus se comove. A compaixão de Deus não anula sua justiça, mas mostra que seu juízo não é contrário ao amor. A ira divina é o amor santo reagindo contra a infidelidade, a idolatria e a ruptura da comunhão.

 

A ira de Deus é contra aquilo que destrói a comunhão

 

Romanos 1.18 diz:

“Do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens.”

A ira de Deus se manifesta contra impiedade e injustiça. Impiedade é ruptura vertical: rejeição de Deus, idolatria, supressão da verdade. Injustiça é ruptura horizontal: corrupção das relações humanas, desordem moral, opressão, perversão e maldade.

Romanos 1 mostra que o pecado começa com a recusa de glorificar a Deus como Deus: “Tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças” – Rm 1.21. Depois vem a idolatria: “Mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível...” – Rm 1.23. E então Deus os entrega às consequências de sua própria rebelião – Rm 1.24,26,28. A ira, nesse texto, tem aspecto judicial e relacional: Deus entrega o pecador ao caminho que escolheu, mostrando o horror da ruptura com Ele.

Efésios 4.30 também é importante: “Não entristeçais o Espírito Santo de Deus.” O pecado entristece o Espírito. Isso é linguagem pessoal e relacional. O pecado entristece o Espírito porque fere a comunhão, mancha o amor, destrói a santidade e rompe a relação para a qual fomos criados.

Outros textos confirmam essa ligação entre pecado, ruptura e ira: “As vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus” – Is 59.2; “A amizade do mundo é inimizade contra Deus” – Tg 4.4; “Não podeis servir a Deus e a Mamom” – Mt 6.24.

O pecado é oposição ao amor de Deus. Por isso, a ira de Deus é a oposição santa de Deus àquilo que destrói a criatura e rompe a comunhão com o Criador.

 

A bondade e a severidade de Deus não são vontades conflitantes

 

Romanos 11.22 une dois aspectos essenciais:

“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade...”

Paulo não apresenta bondade e severidade como duas vontades contraditórias em Deus. Ele fala do mesmo Deus agindo de modos diferentes conforme a relação das criaturas com sua graça. Há benignidade para com os que permanecem; há severidade para com os que caem em incredulidade.

Romanos 9 também afirma a liberdade soberana de Deus: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia” – Rm 9.15; “Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer” – Rm 9.18.

Isso mostra que Deus é livre em sua misericórdia. A misericórdia não é dívida. Deus não deve salvação a ninguém. Quando salva, salva por graça; quando julga, julga com justiça.

Mas isso não significa que Deus tenha uma vontade má ou contrária ao amor. A mesma Escritura que afirma a liberdade soberana de Deus também afirma sua bondade, paciência e desejo revelado de arrependimento: “Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?” – Rm 2.4.

A benignidade de Deus visa arrependimento. Quando o homem despreza essa benignidade, acumula ira para si mesmo – Rm 2.5. Portanto, a severidade de Deus aparece como resposta justa à rejeição da bondade divina.

A unidade é esta: Deus é bom e severo; misericordioso e justo; paciente e juiz. Mas não é dividido. Sua severidade é a severidade do amor santo desprezado; sua bondade é a bondade do amor oferecido; sua misericórdia é livre; seu juízo é justo.

 

A paciência, a disciplina e a cruz revelam a vontade amorosa de Deus

 

A Escritura insiste que Deus é paciente: “O Senhor é longânimo e grande em misericórdia” – Nm 14.18; “Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade” – Sl 103.8; “O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia” – Na 1.7. Pedro diz: “A longanimidade de nosso Senhor é salvação” – 2Pe 3.15. E Paulo afirma que Deus suportou com muita paciência os vasos de ira – Rm 9.22.

Essa paciência é importante para a visão da vontade amorosa de Deus. Se Deus se deleitasse simplesmente em destruir, não haveria paciência, advertência, profetas, apelos, lágrimas, encarnação, cruz e evangelho. Mas a Bíblia mostra Deus chamando, esperando, advertindo e enviando mensageiros.

Jesus chora sobre Jerusalém: “E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela” – Lc 19.41. Esse choro de Cristo revela o coração de Deus diante da cidade rebelde. O juízo viria sobre Jerusalém, mas não como prazer frio; veio sobre uma cidade que rejeitou o tempo da visitação – Lc 19.44.

Também a disciplina de Deus nasce do amor. Hebreus 12 ensina: “O Senhor corrige o que ama” – Hb 12.6. A disciplina divina não é vingança destrutiva contra seus filhos, mas amor paternal que visa santidade: “Para sermos participantes da sua santidade” – Hb 12.10; e depois produz “um fruto pacífico de justiça” – Hb 12.11. Apocalipse 3.19 também diz: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.”

Aqui, repreensão, castigo, zelo e arrependimento estão unidos ao amor. Deus corrige porque ama; chama ao arrependimento porque deseja comunhão; fere para curar; disciplina para restaurar.

A cruz é o centro da revelação da vontade amorosa de Deus. Romanos 3.25-26 mostra que Cristo foi apresentado como propiciação, para demonstração da justiça de Deus. Ou seja, Deus não ignora o pecado. Ele o julga em Cristo. Mas Romanos 5.8 diz: “Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.”

Portanto, na cruz, a justiça de Deus e o amor de Deus não competem. A ira contra o pecado e o amor pelo pecador se encontram em Cristo. Deus não salva por sentimentalismo; salva por justiça satisfeita, graça concedida e amor revelado.

2Coríntios 5.19 diz: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo.” A vontade de Deus em Cristo é reconciliadora. Colossenses 1.19-20 diz que Deus, por Cristo, reconcilia consigo todas as coisas, fazendo a paz pelo sangue da cruz. Efésios 2.13-18 mostra que Cristo derruba a parede de separação e cria um novo homem, reconciliando-nos com Deus em um só corpo pela cruz.

Assim, a cruz é o maior argumento contra a ideia de um Deus dividido. O mesmo Deus que se ira contra o pecado entrega o Filho por amor. O mesmo Deus que julga é o Deus que reconcilia. O mesmo Deus que exige justiça é o Deus que provê o Cordeiro.

 

O juízo final é vindicação da santidade e do amor rejeitado

 

O juízo final não deve ser entendido como explosão irracional ou caprichosa de ira. A Escritura o apresenta como juízo verdadeiro, justo e santo. Apocalipse 19.2 diz: “Verdadeiros e justos são os seus juízos.” Apocalipse 16.7 diz: “Na verdade, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos.” Romanos 2.5 fala do “dia da ira e da manifestação do juízo de Deus”, e Romanos 2.6 diz que Deus “retribuirá a cada um segundo as suas obras”.

O juízo final revela que Deus leva o mal a sério. Se Deus não julgasse o pecado, sua criação permaneceria eternamente entregue à injustiça. Se Deus não excluísse definitivamente o mal, não haveria nova criação pura.

Apocalipse 21.27 diz: “Não entrará nela coisa alguma que contamine.” Apocalipse 22.3 diz: “Ali nunca mais haverá maldição.” O juízo final protege e vindica a nova criação. Ele declara que o pecado, a injustiça, a idolatria, a violência, a mentira e a morte não terão a última palavra.

Nesse sentido, mesmo o inferno pode ser entendido, não como amor sentimental, mas como a forma final da justiça santa de Deus contra a rejeição definitiva da comunhão. É a vindicação do amor santo desprezado, isto é, a manifestação final da justiça de Deus em defesa do seu amor santo desprezado, da sua aliança quebrada, da sua verdade rejeitada e da sua santidade profanada.

Deus não deixa o mal impune porque ama sua glória, ama sua santidade, ama a justiça, ama sua criação e ama o povo que redimiu. O juízo é terrível, mas não é injusto. É severidade santa.

 

Conclusão

 

A Bíblia mostra que Deus ordena o bem – Mt 22.37-40; At 17.30; 1Pe 1.16; não aprova o pecado – Hc 1.13; Tg 1.13; 1Jo 1.5; permite males – Jó 1–2; Gn 50.20; At 2.23; governa soberanamente – Sl 103.19; Ef 1.11; Dn 4.35; deseja arrependimento – Ez 33.11; 1Tm 2.4; 2Pe 3.9; tem misericórdia de quem quer – Rm 9.15-18; e julga os que permanecem na incredulidade – Jo 3.36; Rm 2.5-8; Ap 20.11-15.

Esses textos não exigem que digamos que Deus tem duas vontades em conflito. Exigem que digamos que a vontade una de Deus é mais profunda do que nossa compreensão, e que essa vontade se expressa em diferentes relações com a criatura.

Deus quer o bem como bem. Deus reprova o mal como mal. Deus permite males sem ser autor do pecado. Deus governa a história sem ser moralmente culpado pelo pecado das criaturas. Deus deseja arrependimento sem decretar salvar todos irresistivelmente. Deus elege por misericórdia sem ser injusto com os que julga. Deus é severo sem deixar de ser amor.

Deus tem uma só vontade divina, santa, sábia, justa e amorosa. Essa vontade procede do próprio ser de Deus, pois Deus é amor. Antes da criação, o Pai já amava o Filho no Espírito; portanto, o amor é eterno em Deus. Na história, essa vontade amorosa se manifesta na criação, na providência, na lei moral, na paciência, no chamado ao arrependimento, na eleição, na misericórdia, na encarnação, na cruz, na reconciliação, na disciplina, no zelo, na ira e no juízo. A ira de Deus não é contrária ao amor, mas é o amor santo de Deus reagindo contra o pecado, a idolatria, a injustiça e a ruptura da comunhão. A severidade de Deus não contradiz sua bondade, mas manifesta sua justiça, sua santidade e a fidelidade de sua aliança diante da incredulidade persistente. Deus não tem prazer na morte do ímpio como fim em si mesmo; Ele chama ao arrependimento, oferece vida em Cristo e julga com justiça os que rejeitam sua graça. Assim, a vontade de Deus é una: amorosa em sua fonte, santa em sua natureza, justa em seus caminhos e gloriosa em seus fins.

 

Base Teológica desta Seção

 

Para embasar o raciocínio acima, Stanley Grenz, em Theology for the Community of God, relaciona o amor e a ira de Deus ao mesmo atributo em sua Pessoa (GRENZ, 2000, p. 71-74, tradução minha):

Bem compreendido, porém, o amor inclui dentro dele o que esse interesse busca preservar. Em termos simples, a presença do pecado transforma a experiência do amor divino da bem-aventurança pretendida por Deus em ira.

A possibilidade de experimentar o amor como ira surge da própria natureza do amor. Vinculado ao amor está um ciúme protetor. Como observou James I. Packer (JAMES I. PACKER, KNOWING GOD, DOWNERS GROVE, INTERVARSITY, 1973, pág. 154), além da atitude pecaminosa e viciosa que geralmente associamos ao termo, os humanos também exibem outro ciúme, o "zelo para proteger um relacionamento de amor ou para vingá-lo quando rompido". Packer então aplicou isso a Deus: "Agora, as Escrituras consistentemente veem o ciúme de Deus como sendo deste último tipo, isto é, como um aspecto de sua aliança de amor por seu próprio povo."

O amor genuíno, portanto, é positivamente ciumento. É protetor, pois o verdadeiro amante procura manter, até mesmo defender, o relacionamento amoroso sempre que ele é ameaçado de ruptura, destruição ou intrusão externa. Sempre que outra pessoa procura ferir ou minar o relacionamento amoroso, ela experimenta o ciúme do amor, que chamamos de "ira". Quando falta essa dimensão, o amor degenera em mero sentimentalismo. É assim que podemos entender que o Amado é um Deus de zelo e de ira. Aqueles que querem minar o amor que Deus derrama pelo mundo, experimentam seu amor na forma de ira.

Stanley Grenz (2000, p. 71-74, tradução minha) continua discursando sobre o amor de Deus, declarando que ele é a base para a nossa compreensão dos atributos morais do Senhor:

A declaração "Deus é amor" constitui a base para a nossa compreensão dos chamados atributos morais de Deus. Estes incluem termos como "graça", "misericórdia" e "longanimidade" – termos que falam da bondade de Deus. Todas essas palavras, no entanto, são mais bem vistas como várias tentativas de descrever as dimensões do caráter fundamental de Deus – o amor – conforme é experimentado por sua criação. Porque Deus é amor, Deus é bom – isto é, gracioso, misericordioso e longânimo – em tudo o que faz. Acima de tudo, porque Deus ama, ele busca a salvação e a renovação da criação caída.

O livro de Concórdia apoia esse raciocínio:

O apóstolo diz claramente que Deus suportou com muita longanimidade os vasos da ira. Não diz que fez vasos de ira. Pois se tal houvera sido sua vontade, não teria necessidade de grande longanimidade. Quanto a serem preparados para a perdição, disso é culpado o diabo e os homens, não Deus.

LIVRO DE CONCÓRDIA (Fórmula de Concórdia, Declaração Sólida, Artigo XI — Da Eterna Presciência e Eleição de Deus, 2016).

E a ira contra o pecado e o amor pelo pecador se encontram em Cristo. Grenz (2000, p. 643-644), concordando com a conclusão acima, continua o tópico falando que o amor como ira que condena ao inferno também vem do mesmo amor que abençoa:

Deus é um amante eterno. De acordo com a sua própria natureza, ele ama a sua criação eternamente, e ele deseja que os humanos respondam ao seu amor desfrutando de comunhão interminável com ele. Não ousamos confundir o amor de Deus com sentimentalismo. Como o grande amante, Deus é também o protetor vingador do relacionamento amoroso. Consequentemente, o amor de Deus tem um lado negro [para os rebeldes, claro]. Aqueles que rejeitam ou procuram destruir o relacionamento de amor santo que Deus deseja desfrutar com a criação experimentam o amor divino como ciúme protetor ou ira. Porque Deus é eterno, nossa experiência do amor de Deus - seja como companheirismo [união] ou como ira - também é eterno. Assim como os justos desfrutam de uma comunidade interminável com Deus, também aqueles que se colocam em oposição ao amor de Deus experimentam seu santo Amor eternamente. Para eles, no entanto, essa experiência é o inferno.

Em sua alienação do amante eles experimentam o amor na forma de ira, porque eles destruíram a relação de amor da aliança que Deus deseja compartilhar com todas as suas criaturas. Portanto, aqueles que rejeitam o amor reconciliador de Deus nesta vida devem conhecer esse amor como ira por toda a eternidade. Isso é o inferno.

Em resumo, há um lado sombrio para a eternidade. O cosmos implica uma grande tragédia, a exclusão de alguns da comunidade eterna. Mas graças a Deus, ele é longânimo. A paciência de Deus ainda não está esgotada. O Deus que não se deleita na morte dos ímpios (Ez 18.23) e que deseja que ninguém pereça (1Tim 2.4) continua a oferecer perdão e graça a humanos desobedientes. Ele continua a chamar humanos pecaminosos para entrar na comunidade com ele.

Falando da vontade de Deus no chamado pelo evangelho, ele é sincero e com amor a todos, isto é, até aos não eleitos (WALLS e DONGELL, Por que não sou Calvinista, Ed. Reflexão, 2014, p. 65-66):

Resumindo o chamado de Deus na visão arminiana clássica: Os arminianos clássicos veem o pecador como já preso no mais profundo canto de um campo terrorista. Amarrado, amordaçado, vendado e drogado, o prisioneiro está fraco e tendo visões. Os calvinistas e os arminianos clássicos sabem que o pregador no portão não pode alcançar o prisioneiro através das camadas do enclausuramento e distorção sensorial. O prisioneiro não pode sequer começar a pedir ajuda ou planejar uma fuga. Na verdade, o prisioneiro se sente em casa na abafada imundície da cela; o prisioneiro se identificou com seus capturadores e tentará lutar contra qualquer tentativa de resgate. Somente uma invasão divina será bem-sucedida. O arminiano clássico acredita que Deus invade a prisão e se aproxima da cabeceira da vítima. Deus injeta um soro que começa a limpar a mente do prisioneiro das ilusões e que reprime suas reações hostis. Deus remove a mordaça da boca do prisioneiro e liga uma lanterna e mostra a sala completamente escura.

Neste momento, como dá a entender Walls e Dongell (Por que não sou Calvinista, editora Reflexão, 2014), pelo Espírito Santo (que convence o mundo do pecado na preparação de Deus Pai), Cristo inicia uma conversa convidando o pecador que, embora pecador, é amado pela Cruz de Cristo:

O prisioneiro continua mudo enquanto a voz do Resgatador sussurra: “Sabe onde você está? Deixa eu lhe dizer! Sabe quem você é? Deixa eu lhe contar!” E ao passo em que a persuasão se inicia, a verdade divina começa a nascer no coração e mente do prisioneiro; o Salvador segura um pequeno espelho para mostrar ao prisioneiro seus olhos fundos e seu corpo débil. “Está vendo o que fizeram com você e como você se entregou a eles?” Mesmo com a luz fraca, os olhos enfraquecidos do prisioneiro estão começando a focalizar. O Resgatador continua: “Sabe quem Eu sou, e que quero você para Mim?” Talvez o prisioneiro não dê nenhum passo à frente, mas também não se vira. As perguntas continuam: “Posso lhe mostrar algumas fotos suas de quem você era, e dos maravilhosos planos que tenho para você para o futuro?” A batida do coração do prisioneiro aumenta enquanto o Salvador prosseguia: “Sei que parte de você suspeita que Eu vim aqui para lhe machucar. Mas permita-Me lhe mostrar algo – Minhas mãos, elas estão um pouco sujas de sangue. Precisei passar por meio de um horrível emaranhado de cerca de arame farpado para chegar até você”. Agora aqui nesse recém-criado espaço sagrado, nesse momento de nova possibilidade, o Salvador sussurra: “Eu quero lhe tirar daqui agora mesmo! Dê-Me seu coração! Confie em mim"! Esse cenário, nós acreditamos, captura a riqueza da mensagem bíblica: a glória da Criação original, a devastação do pecado, e busca amorosa de Deus por pecadores incapazes, e a natureza de amor com o consentimento livre das pessoas. WALLS e DONGELL (2014, p. 65-66).

Amém.


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Em Cristo, Roberto Fiedler Rossi

domingo, 23 de agosto de 2026

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8 As Setenta Semanas de Daniel

Vamos analisar as setenta semanas de Daniel 9, reveladas pelo anjo Gabriel em visão. É necessário conhecer um pouco de história do primeiro século, da época de Jesus, sobre o qual falam os versículos que contêm a menção das setenta semanas de Daniel. Passaram-se quase 2000 anos desde a época da qual a visão de Daniel 9 fala, que é a época de Jesus, e muito ficou esquecido pelos cristãos do Século XXI.

Daniel 9:24-27 fala sobre setenta semanas (sendo cada uma de sete anos judaicos), um período importante para os judeus, povo de Deus da época, para acabar com os pecados deles, e trazer o messias, o Cristo. Esse mesmo trecho fala que depois da morte do messias viria um príncipe maligno e que destruiria Jerusalém.

Daniel 9:24,25,26a Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém [1], até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas [2]; as ruas e o muro [1] se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias [3]...

Existem três variantes sobre qual data marca o início das 70 semanas: o decreto de Ciro em 538 a.C., o de Artaxerxes I em Esdras 7 em 457 a.C. e o de Artaxerxes I para Neemias em 444 a.C. Para resolver isso basta ver que Daniel cita “as ruas e o muro se reedificarão”: vendo Neemias 2 (o último dos decretos acima, um complementando o outro), pode-se ver que o decreto para Jerusalém com as ruas e o muro [1] serem edificados é com Neemias 2.1-8,13 com o rei Artaxerxes I (o muro estava destruído até a época de Neemias).

Então, o anjo profetiza sobre sessenta e nove semanas (sete mais sessenta e duas, 483 anos proféticos [2]) desde a ordem para edificar Jerusalém [1], que cf. Neemias 2.1-8 foi em 5 de março de 444 a.C. (1º dia do mês de Nissan, ou Abibe nas nossas bíblias) quando o rei Artaxerxes da Pérsia permitiu e decretou que os judeus reconstruíssem a cidade de Jerusalém, as ruas e o muro até o distante período da morte de Cristo [3]. Sessenta e nove semanas judaicas (69x7) são 483 anos judaicos, pois cada semana judaica vale 7 anos.

 

Ano Profético da Escritura

Embora o calendário judaico desde a antiguidade fosse lunissolar, e os meses fossem estritamente contados com base nas fases da Lua (começando com a observação física da lua nova), o ano era ajustado ao ciclo solar e agrícola para que as festividades religiosas caíssem sempre nas mesmas estações do ano (como a Páscoa na primavera), ou seja, os meses tinham 29 ou 30 dias, dependendo do ciclo da lua. De acordo com Altein, Yehuda (2026), 17 Fatos do Calendário Judaico, “Os anos judaicos podem ter 353, 354 ou 356 dias (ou num ano bissexto, 383, 384 ou 385 dias). O Primeiro Ano Durou Apenas Cinco Dias.”

Porém, como o ano profético é estimado e calculado em 360 dias nesta interpretação da profecia de acordo com a subseção seguinte, consideramos no estudo o calendário judaico profético como lunar de 30 dias/mês e 360 dias/ano, ou seja, um ano foi justamente identificado nesta obra como um ano profético de 360 dias pois cremos que Deus através do anjo Gabriel queria que essa profecia fosse diretamente entendida e calculada sem muito esforço a fim de esperar a aparição pública do Messias.

 

Base bíblica para o ano profético ter 360 dias, ou seja, 12 meses de 30 dias

 

A Bíblia relaciona o período de “tempo, tempos e metade de um tempo”, como um ano, dois anos e metade de um ano (somados são 3 anos e meio, 3,5 anos). Esse é o mesmo período bíblico de quarenta e dois meses (3,5 anos vezes 12 meses/ano = 42 meses). Esse também é o mesmo período bíblico de mil duzentos e sessenta dias (42 meses vezes 30 dias/mês = 1260 dias). Consequentemente chegamos à conclusão que o ano para a contagem das profecias de Daniel e Apocalipse é o ano lunar, o ano com 12 meses de 30 dias, totalizando 360 dias:

Apocalipse 11.1 E foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo, e disse: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram. 2 E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses. 3 E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco.

Apocalipse 12.14 E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.

Daniel 7.25 E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo.

Daniel 12.7 E ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, o qual levantou ao céu a sua mão direita e a sua mão esquerda, e jurou por aquele que vive eternamente que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo, e quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas.

Daniel 9.27 E ele firmará aliança com muitos por uma semana [7 anos]; e na metade da semana [3 anos e meio] fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.

Apocalipse 13.5 E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses.

Apocalipse 12.6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

 

De Daniel ao Messias

1. Portanto, pelo calendário adotado para a profecia de Daniel, no qual um ano tem 360 dias (30 dias x 12 meses/ano) e, considerados cada ano profético, temos que 69 semanas judaicas são 483 anos x 360 dias/ano = 173.880 dias.

2. E como é diferente da nossa contagem que é baseada no calendário solar (aprox. 365.2422 dias/ano – 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos), temos que, no nosso calendário (solar), um ano tem aproximadamente 365,2422 dias.

3. Portanto, 173.880 dias da profecia de Daniel (483 anos proféticos de 360 dias cada) dividido por 365,242199 dias/ano solar totaliza 476,06766 anos atuais, que é igual a 476 anos e 24,7 dias (quase 25 dias).

4. Assim, a partir do início da primeira semana de Daniel, em 5 de março de 444 a.C. (ordem do rei Artaxerxes para Neemias), mais 476 anos temos cinco de março do ano 33 d.C. Contando os dias agora: 5 de março de 33 d.C. mais 25 dias temos 30 de março do ano 33 d.C. para o Messias aparecer publicamente e ser reconhecido, e foi exatamente nesse dia que Jesus iniciou sua entrada triunfal em Jerusalém (Mateus 21:1-17; Marcos 11:1-11; Lucas 19:29-40; João 12:12-19), e era a segunda-feira anterior à Páscoa (João 12.1,12) considerando a cronologia adotada nesta obra, pois o dia judaico iniciava-se no pôr do sol anterior.

5. Concluímos que a profecia de Daniel concernente ao Messias se cumpriu na íntegra, pois foram 476 anos e 24 dias e algumas horas para que Jesus se apresentasse publicamente como o verdadeiro Rei dos Judeus, montado num jumentinho (e mais quatro dias para Sua morte, que ocorreu na sexta-feira, dia 3 de abril de 33 d.C.) conforme Daniel 9.26a. Amém.

 

Agora falaremos acerca da última semana de Daniel, a semana número setenta.

Daniel 9.26b “e o povo do príncipe [1], que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.

27 E ele firmará aliança com muitos por uma semana [2]; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.”

Esses versos falam de um anticristo que viria depois que o Messias (Cristo) morresse. Essa última semana [2], verso 27, do príncipe romano / anticristo [1], cremos que está separada da semana sessenta e nove. Favor ler o capítulo até o final para entender. Por quê? Veja “e o povo do príncipe, que há de vir...”: Por que o anjo falou “que há de vir?”, não é já óbvio que a profecia é para muitos anos no futuro? Portanto, o anjo quis dizer que, depois do fim da semana número 69 (33 d.C. com a conta que fizemos em Daniel), levaria algum tempo mais até o cumprimento do início da semana número 70 de Daniel, a saber, que se cumpriu em 66 d.C. (aprox. 40 anos – uma geração depois do início do ministério de Cristo).

Se tomarmos como base que, de fato, Cristo morreu em 3 de abril de 33 d.C., como foi provado por várias fontes (inclusive não cristãs, mas que não cabe colocar aqui, pelo espaço ser reduzido), e dias antes de morrer falou que o templo ou santuário [3] seria derrubado em até uma geração (até 40 anos segundo a Bíblia cf. Hb 3.9-10) em Mateus 24.2,34, temos: 33 d.C. + 37 anos = 70 d.C. para a destruição do templo (e 33 d.C. + 40 anos = 73 d.C. para o fim da última semana de Daniel). Portanto, o anticristo fez uma aliança de uma semana com muitos entre 66 d.C. e 73 d.C., e na metade da semana (70 d.C.), nos 3 anos e meio (1260 dias ou 42 meses), destruiu o templo judaico! As profecias de Cristo e de Daniel se encaixam e se cumpriram em sua totalidade.

Daniel 9.26b “e o povo do príncipe [Romano, anticristo], que há de vir, destruirá a cidade e o santuário [3], e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.27 E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício [4] e a oblação [5]; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.”

O verso 26 e 27, na realidade, falam de um príncipe que havia de vir depois que o Messias fosse cortado. Esse é um anticristo que destruiria a cidade de Jerusalém, e o santuário, que é o templo judaico. Ele faria aliança com muitos por sete anos (uma semana), e na metade da semana (3 anos e meio), acabaria com o sacrifício [4] de animais por oblação do pecado (oblação [5] é ato de fazer uma oferta a Deus) da parte dos judeus.

Para quem não sabe, isso – essa última semana de Daniel (7 anos) – se cumpriu na Primeira Guerra Judaico-Romana de sete anos (66 d.C. – 73 d.C.), na qual o templo judaico foi destruído em 70 d.C., ou seja, na metade da semana (“3 anos e meio depois de 66 d.C., ou 1260 dias, 42 meses ou tempo (1 ano), tempos (2 anos) e metade de um tempo (meio ano): 3,5 anos” de Apocalipse e Daniel), cumprindo-se assim exatamente a profecia do Senhor.

Ver a fonte “History of Information” (2024): (Primeira Guerra Judaico-Romana) The First Jewish-Roman War Ends with the Destruction of the Second Temple, 66 – 73 d.C.). Disponível em: <https://historyofinformation.com/detail.php?id=12>. Acesso em: mar. 2024.

Alguns dizem que o príncipe que havia de vir era Cristo. Porém, pode-se ver que o povo do príncipe destruiria a cidade e o santuário (v. 26). A história mostra que não foi Israel (povo de Cristo) que destruiu Jerusalém com seu próprio santuário, mas foi o Império Romano (o príncipe Tito) que destruiu o templo e o santuário judaico em 70 d.C.

Daniel 12:11,12 E desde o tempo em que o sacrifício contínuo for tirado [1], e posta a abominação desoladora, haverá mil duzentos e noventa dias. Bem-aventurado o que espera [2] e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias.

Como uma semana judaica é de sete anos, e falamos dos primeiros 3,5 anos (que são também 1260 dias ou 42 meses de Daniel e Apocalipse em diversos lugares da Bíblia), vamos falar dos últimos 3,5 anos, apenas citados nesse capítulo: Daniel 12.11,12, que diz que depois que o templo fosse destruído (sem mais sacrifício contínuo de animais [1]), ou seja, depois de 70 d.C., haveria mais 1290 dias de guerra, de desolação (1290 dias são 43 meses, aproximadamente 3 anos e meio também). 70 d.C. mais 1290 dias totaliza o fim da semana de Daniel 9, 73 d.C., 40 anos após a morte de Cristo. Bem-aventurado o que espera [2] a guerra acabar, sobrevive e chega até 1335 dias (44 meses e meio), quando puderam estar em segurança.

Eis uma tabela explicativa:

 

Tabela 5 – Cronologia Daniel – Jesus

 

Ano

Acontecimentos Bíblicos e Históricos

Decreto para reconstruir Jerusalém, as ruas e o muro de Artaxerxes I

5 de março de 444 a.C.

Daniel 9.25 conforme Neemias 2.1-8, que fala do vigésimo ano do rei Artaxerxes I (que reinou de 465 a.C. a 424 a.C., sendo o primeiro ano o ano da ascensão segundo o costume Persa, e não conta). Portanto o 21º ano a partir de 465 a.C. fica em 5 de março de 444 a.C., onde iniciam-se as setenta semanas de Daniel 9.

476 anos solares depois (483 anos judaicos depois ou 69 semanas de 7 anos judaicos cada)

33 d.C.

Depois de 69 semanas judaicas (hoje em dia, 476 anos e 25 dias) Jesus iniciou sua entrada triunfal em Jerusalém (segunda-feira, 30 de março de 33 d.C.). Também é o ano em que Jesus profetizou que não passaria uma geração (Mateus 24.34; segundo o Antigo Testamento, uma geração era de 40 anos) sem que tudo o que Ele previu em Mateus 24.1-35 e Lucas 21 se cumprisse (incluindo a destruição de Jerusalém e do templo, separação dos escolhidos (poupados da guerra), sinais nos céus, dispersão dos judeus pelo mundo e abolição da antiga aliança) e também é o ano preciso da crucificação de Jesus, que morreu em 3 de abril de 33 d.C.

A desolação viria até 40 anos (uma geração) após o sermão escatológico de Jesus Cristo

70 d.C.

Jerusalém, Judeia e templo destruídos pelo anticristo e general Tito, o chifre pequeno (11º) que viria depois dos 10 chifres (reis) de Daniel 7.8 e Daniel 7.21 (diante do qual três reis/imperadores foram arrancados/mortos no ano dos 4 imperadores (68/69 d.C., Galba, Otto e Vitélio) - e Tito, filho de Vespasiano, foi futuramente o 11º imperador romano cf. contagem de Josefo, que considerava o primeiro regente sendo Júlio César, e não Augusto). Tito trouxe, enquanto general, a abominação desoladora de Daniel 9.27, no meio da semana judaica de 7 anos (3,5 anos/42 meses (soma de [2] tempos (anos), um tempo (ano) e metade de um tempo (meio ano))) da primeira guerra judaico-romana de 66-73 d.C. conforme a história e a Bíblia mostram.

Fim da Tribulação, guerra ou massacre de 7 anos sobre os judeus que crucificaram Jesus

73 d.C.

Término da primeira guerra judaico-romana exatos 40 anos após a morte de Cristo (e término da semana número 70 de Daniel 9, a última). Josefo disse "que nenhuma outra cidade jamais sofreu tais misérias, nem qualquer época gerou uma geração mais frutífera de iniquidade do que esta desde o princípio do mundo." Daniel 12 diz: "e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro."

Evento Celeste

70 d.C. até a eternidade

A nova aliança tornou-se a única aliança depois da destruição do templo judaico (se construírem um terceiro templo judaico não mudará nada) no qual o Senhor aboliu a oblação/oferta e sacrifício contínuo de animais (Dn 9.27), aceitando somente o de Cristo para sempre conforme Hebreus. O Filho do homem (Jesus) assentou-se no trono do ancião de dias (Deus Pai), cujo reino, inaugurado na Cruz, tornou-se pleno sobre todos os impérios do mundo (Daniel 7.12-14; 2.44, Apocalipse 11.15). Os santos possuíram o Reino com Jesus no Paraíso, ou seja, já reinam com Cristo após a morte depois de 70 d.C. (Daniel 7.21-22, 26-27, Apocalipse 20.4).

 

Transcrição da Tabela

 

Em 5 de março de 444 a.C. (Decreto para reconstruir Jerusalém, as ruas e o muro de Artaxerxes I), ocorreu: “Daniel 9.25 conforme Neemias 2.1-8, que fala do vigésimo ano do rei Artaxerxes I (que reinou de 465 a.C. a 424 a.C., sendo o primeiro ano o ano da ascensão segundo o costume Persa, e não conta). Portanto o 21º ano a partir de 465 a.C. fica em 5 de março de 444 a.C., onde iniciam-se as setenta semanas de Daniel 9.”

 

Em 33 d.C. (476 anos solares depois – 483 anos judaicos depois ou 69 semanas de 7 anos judaicos cada), ocorreu: “Depois de 69 semanas judaicas (hoje em dia, 476 anos e 25 dias) Jesus iniciou sua entrada triunfal em Jerusalém (segunda-feira, 30 de março de 33 d.C.). Também é o ano em que Jesus profetizou que não passaria uma geração (Mateus 24.34; segundo o Antigo Testamento, uma geração era de 40 anos) sem que tudo o que Ele previu em Mateus 24.1-35 e Lucas 21 se cumprisse (incluindo a destruição de Jerusalém e do templo, separação dos escolhidos (poupados da guerra), sinais nos céus, dispersão dos judeus pelo mundo e abolição da antiga aliança) e também é o ano preciso da crucificação de Jesus, que morreu em 3 de abril de 33 d.C.”

 

Em 70 d.C. (A desolação viria até 40 anos (uma geração) após o sermão escatológico de Jesus Cristo), ocorreu: “Jerusalém, Judeia e templo destruídos pelo anticristo e general Tito, o chifre pequeno (11º) que viria depois dos 10 chifres (reis) de Daniel 7.8 e Daniel 7.21 (diante do qual três reis/imperadores foram arrancados/mortos no ano dos 4 imperadores (68/69 d.C., Galba, Otto e Vitélio) - e Tito, filho de Vespasiano, foi futuramente o 11º imperador romano cf. contagem de Josefo, que considerava o primeiro regente sendo Júlio César, e não Augusto). Tito trouxe, enquanto general, a abominação desoladora de Daniel 9.27, no meio da semana judaica de 7 anos (3,5 anos/42 meses (soma de [2] tempos (anos), um tempo (ano) e metade de um tempo (meio ano))) da primeira guerra judaico-romana de 66-73 d.C. conforme a história e a Bíblia mostram.”

 

Em 73 d.C. (Fim da Tribulação, guerra ou massacre de 7 anos sobre os judeus que crucificaram Jesus), ocorreu: “Término da primeira guerra judaico-romana exatos 40 anos após a morte de Cristo (e término da semana número 70 de Daniel 9, a última). Josefo disse "que nenhuma outra cidade jamais sofreu tais misérias, nem qualquer época gerou uma geração mais frutífera de iniquidade do que esta desde o princípio do mundo." Daniel 12 diz: ‘e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro.’”

 

Desde 70 d.C. até a eternidade (Evento Celeste), ocorreu: “A nova aliança tornou-se a única aliança depois da destruição do templo judaico (se construírem um terceiro templo judaico não mudará nada) no qual o Senhor aboliu a oblação/oferta e sacrifício contínuo de animais (Dn 9.27), aceitando somente o de Cristo para sempre conforme Hebreus. O Filho do homem (Jesus) assentou-se no trono do ancião de dias (Deus Pai), cujo reino, inaugurado na Cruz, tornou-se pleno sobre todos os impérios do mundo (Daniel 7.12-14; 2.44, Apocalipse 11.15). Os santos possuíram o Reino com Jesus no Paraíso, ou seja, já reinam com Cristo após a morte depois de 70 d.C. (Daniel 7.21-22, 26-27, Apocalipse 20.4).”

 

Conclusão: A profecia de Deus enviada a Daniel se cumpriu integralmente, tanto é que as profecias de Cristo e de Daniel se encaixam, pois Deus é fiel e verdadeiro e cumpre suas promessas no Seu tempo com perfeição, de acordo com sua vontade que é boa, perfeita e agradável! Glória a Deus. Amém.

 

Fundamentação Histórica e Exegética da Separação Correspondente a Quase uma Geração de 40 Anos (cf. Mt 24.34; Hb 3.9–10) entre a 69ª Semana (33 d.C.) e a 70ª Semana de Daniel 9.25–27 (66–73 d.C.)

 

Apresento-lhes diversas citações de fundamentação para a Escatologia apresentada, especialmente concernente às profecias de Daniel e de Cristo.

Todas as traduções de obras em língua inglesa nesta seção são do autor.

 

Fundamento para a contagem até a aparição pública do Messias

 

Hoehner (1977, p. 115–139) calcula o ponto de partida (terminus a quo) das setenta semanas. Segundo o cálculo de Hoehner, o ponto de partida é 1º de Nisã (5 de março) de 444 a.C. [...] Multiplicando as sessenta e nove semanas por sete anos e depois por 360 dias [o ano profético bíblico], obtém-se exatamente 173.880 dias. [...] Entre 5 de março de 444 a.C. e 30 de março de 33 d.C. transcorrem 476 anos solares e 25 dias, totalizando os mesmos 173.880 dias. O ponto final (terminus ad quem) da sexagésima nona semana ocorreu no próprio dia da Entrada Triunfal de Cristo em 30 de março de 33 d.C. Como predito em Zacarias 9.9, Cristo apresentou-se publicamente a Israel como o Messias e Rei pela última vez, e a multidão dos discípulos bradou em alta voz citando o salmo messiânico: 'Bendito o Rei que vem em nome do Senhor!' (Sl 118.26; Mt 21.9; Lc 19.38). Poucos dias depois, na sexta-feira, 14 de Nisã (3 de abril de 33 d.C.), o Messias foi cortado na crucificação.

HOEHNER, Harold W. Chronological Aspects of the Life of Christ. Grand Rapids, MI: Zondervan, 1977. 176 p. (Capítulo VI: Daniel's Seventy Weeks, p. 115–139).

 

Lacuna entre a Semana 69 (aparição pública do Messias) e a Semana 70

 

Jordan apresenta como possibilidade alternativa à abordagem tradicional uma lacuna de 36–37 anos do final da semana 69 para o início da 70, em uma construção cronológica muito próxima à proposta nesta escatologia:

O versículo 26 afirma claramente que o Messias é eliminado após a 62ª (= 69ª) semana. Isso remete ao ano 30 d.C. Assim, se as 70 Semanas de fato incluem a destruição de Jerusalém em 70 d.C., devemos estabelecer um intervalo de 36 a 37 anos entre a 69ª e a 70ª semana (30–66 d.C.). A 70ª semana corresponderia aos anos de 67 a 73 d.C., com a destruição do templo ocorrendo na metade da semana. Um intervalo não é algo tão desarrazoado quanto parece, pois o livro de Atos e as epístolas fornecem informações cronológicas a partir do ano 30 d.C. em diante. Dessa forma, a lacuna é preenchida. A cronologia não é, na verdade, interrompida, pois as 69 semanas nos conduzem de Ciro a Cristo, Atos nos leva até pouco antes da destruição de Jerusalém, e a primeira metade da 70ª semana nos leva ao ano 70 d.C. Contudo, Atos não cobre totalmente esse período e — quem desejaria um intervalo se pudesse evitá-lo?

JORDAN, James B. Bridging the Last Gap: Daniel's Seventy Weeks Revisited. Biblical Chronology, Niceville, FL, v. 4, n. 11, p. 1-4, nov. 1992. Disponível em: <https://theopolisinstitute.com/bridging-the-last-gap-daniels-seventy-weeks-revisited/>. Acesso em: 3 de agosto de 2026.

 

Identificação do Príncipe de Daniel 9.26-27 com Tito

 

A identificação do príncipe romano de Daniel 9.26 com Tito possui precedente explícito já nas notas da Bíblia de Genebra. Comentando a expressão “o povo do príncipe que há de vir”, a anotação de Daniel 9.26 afirma:

“Isto significa Tito, filho de Vespasiano, que viria e destruiria tanto o Templo quanto o povo, sem qualquer esperança de recuperação.”

Bíblia de Genebra. Nota sobre Daniel 9.26. 1599.

 

Nas Annotations upon the Holy Bible, iniciadas por Matthew Poole e continuadas após sua morte por outros teólogos, William Cooper, responsável pelo comentário de Daniel, também relacionou expressamente Daniel 9.26 a Tito. Ao explicar “o povo do príncipe que há de vir”, escreveu:

“O povo do príncipe que há de vir: os romanos sob a condução de Tito Vespasiano.”

POOLE, Matthew. Annotations upon the Holy Bible. Vol. II. London, 1685. Comentário de Daniel 9.26-27.

 

Septuagésima Semana Separada da 69ª

 

O bispo anglicano William Lloyd, em sua obra de 1690 sobre as setenta semanas. Depois de calcular as sete mais sessenta e duas semanas, Lloyd escreveu: “Depois das VII e LXII semanas de Daniel será acrescentada a semana única, para completar as LXX.”

Lloyd calcula que as 69 semanas terminariam em 32 d.C., pouco antes da morte de Cristo, que situa em 3 de abril de 33 d.C. Mais adiante, ao relacionar a profecia ao período apostólico, sustenta que a última semana não começa imediatamente após as 69 anteriores, mas apenas no período em que termina a história narrada em Atos, conectando essa última semana ao processo que culminaria na destruição de Jerusalém. Temos, portanto, no século XVII, um precedente explícito para 69 semanas, em seguida o Messias, depois intervalo, em seguida a semana final ligada ao juízo sobre Jerusalém.

LLOYD, William. An Exposition of the Prophecy of Seventy Weeks, Which God Sent to Daniel by the Angel Gabriel, Dan. IX.24–27. London, 1690.

 

Benjamin Marshall, desenvolvendo e defendendo a hipótese de William Lloyd, foi ainda mais explícito. O próprio título de sua obra de 1725 declara que nela seria demonstrada:

“a destruição de Jerusalém pelos romanos, na LXXª, ou semana única separada, no sentido literal, óbvio e primário.”

MARSHALL, Benjamin. A Chronological Treatise upon the Seventy Weeks of Daniel. London: James Knapton, 1725, 280 p.

 

Metade da Semana Identificada com o Período de 67-70 d.C., Culminando na Tomada de Jerusalém por Tito

 

Isaac Newton, em sua interpretação de Daniel 9, relacionou diretamente a metade de uma semana à guerra romana contra os judeus. Ao explicar Daniel 9.27, datou esse período historicamente:

[Daniel 9.27]“começou [...] em 67 d.C. [...] quando Vespasiano [...] os invadiu; e terminou [...] em 70 d.C. [...] quando Tito tomou a cidade.”

NEWTON, Isaac. Observations upon the Prophecies of Daniel, and the Apocalypse of St. John. London, 1733. Parte I, cap. X, Of the Prophecy of the Seventy Weeks.

 

Lacuna aproximada à deste livro

 

John Gill apresenta um dos precedentes mais explícitos para um verdadeiro intervalo entre as 69 semanas e a semana final. Comentando Daniel 9.27, afirma que essa última semana: “deve começar no sexagésimo terceiro ano [...] cerca de trinta anos após o término das sessenta e nove semanas.”Gill prossegue explicando que essa semana terminaria em 70 d.C., “no qual ocorreu a destruição de Jerusalém”, e reconhece que, naturalmente, esperar-se-ia que a semana começasse imediatamente após as 69 anteriores. Por isso, explica expressamente a razão de ela estar separada delas, atribuindo esse intervalo à longanimidade e tolerância de Deus para com o povo judeu antes do juízo final sobre Jerusalém. Portanto, em Gill temos inequivocamente 69 semanas, e em seguida, cerca de trinta anos de intervalo, e depois a última semana, que culmina na destruição de Jerusalém em 70 d.C.

GILL, John. An Exposition of the Old Testament. Comentário sobre Daniel 9.27. 1748-1763.

 

Clarke Registra uma Interpretação com Espaço de 37 Anos e Identifica Tito como o Príncipe

 

O metodista Adam Clarke é interessante porque preserva dois elementos dessa tradição interpretativa. Primeiro, relata que alguns intérpretes admitiam que: “o espaço intermediário de trinta e sete anos [...] é passado por alto”. Clarke está se referindo ao período entre a morte de Cristo e a destruição de Jerusalém, mencionando expressamente uma interpretação na qual metade da última semana é relacionada à destruição efetuada por Tito. Embora Clarke prefira a interpretação de Prideaux para a própria semana, ao comentar Daniel 9.26 ele é categórico quanto à identidade do príncipe: “Pelo ‘príncipe’, Tito, filho de Vespasiano, é claramente indicado.”

CLARKE, Adam. The Holy Bible, Containing the Old and New Testaments, with a Commentary and Critical Notes. Comentário sobre Daniel 9.26-27.

 

Início da Primeira Guerra Judaico-Romana

 

Eclosão da Primeira Guerra Judaico-Romana (66 d.C.).

JOSEFO, Flávio. Guerras dos Judeus, Livro II, 17.2.

 

Participação de tropas auxiliares fornecidas por reis aliados de Roma, entre eles Antíoco, Agripa, Soemo e Malco.

JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus: Guerras dos Judeus. Tradução de Vicente Pedroso. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. Cf. Guerras dos Judeus, Livro III, 4.2.

 

Louvado seja o Senhor!