domingo, 24 de maio de 2026

28/5/26 21h00 revisão extensa PDF/EPUB

Graça e Paz! Glória a Deus!

Aprimoramentos (vários!)

>>Melhorias Abaixo<<


PDF: atualizado 28/5 21h

EPUB: atualizado 28/5 21h (a partir de 27/5 a Tabela 3 da seção 10.7.2 agora pode ser visualizada)

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13.1 Glossário do Capítulo (21h 28/5)

Armínio, Jacó: Teólogo protestante holandês (1560-1609) cujas ideias foram baseadas primeiramente em Agostinho de Hipona (Agostinho jovem) e secundariamente no sinergismo de Filipe Melâncton. De Armínio surgiu o arminianismo.

Arminianismo: É uma escola de pensamento (linha) teológica, acerca da soteriologia (doutrina da salvação) baseada nos pensamentos de Jacó Armínio e seus seguidores (incluindo os remonstrantes e John Wesley). O arminianismo principal é chamado de FACTS, ou arminianismo de cinco pontos. Muitos que se dizem arminianos hoje não conhecem os escritos de Armínio, e nem, realmente, são arminianistas de cinco pontos, mas muitos negam a depravação total (que diz que cada parte de nosso ser foi corrompida pelo pecado – conforme Paulo, nascemos mortos em delitos e pecados). O arminianismo de coração é a união do arminianismo de Armínio, chamado de arminianismo clássico, com o de Wesley, chamado de arminianismo wesleyano. Acerca do pecado de Adão e consequentemente da humanidade, Deus não o decretou, mas o permitiu.

Teísmo Aberto: É uma linha de pensamento que diz que Deus não conhece o futuro exaustivamente, mas se limita quanto a isso. Não é uma linha ortodoxa nem bíblica. Ainda, não tem ligação com o arminianismo, mas Armínio chegou a escrever uma expressão, citada pelo arminiano Roger Olson, em seu livro “Teologia Arminiana: Mitos e Realidades”: “Deus se autolimita na relação com a humanidade”, o que já foi interpretado como um resquício de teísmo aberto. Porém, é importante ressaltar que para Armínio, na minha opinião (especialmente em combate com o determinismo divino rígido), essa autolimitação refere-se ao controle e poder de Deus sobre a vontade humana, e não ao Seu conhecimento do futuro, diferenciando-se assim da heresia do teísmo aberto.

Calvino, João: Reformador protestante francês (1509-1564) cujas ideias foram adotadas em Genebra, na Suíça. Baseou-se fortemente em Agostinho de Hipona (Agostinho velho) para seus escritos.

Calvinismo: Linha teológica de grande abrangência no protestantismo cristão, principalmente chamada hoje de TULIP, ou calvinismo de cinco pontos, que se baseia principalmente no determinismo divino e na predestinação de tudo o que ocorre pela soberania e decreto de Deus.

Reformados (ou calvinistas): Pessoas que seguem ou concordam com o calvinismo que teve origem em João Calvino (sintetizando Agostinho velho), e foi aprimorado por Calvino e por seus sucessores.

Compatibilismo teológico e infralapsarianismo: Originalmente o compatibilismo é um argumento filosófico que diz que não há conflito entre determinismo divino e liberdade humana. Na linha calvinista mais saudável (infralapsarianismo), o mesmo da Confissão de Fé de Westminster, Deus decretou a Queda de forma permissiva, utilizando-se de causas secundárias, de modo que a culpa recai inteiramente sobre o homem (ou Deus “decretou permitir” a queda). Ressaltando, se Deus decreta que uma pessoa vai pecar e fazer o mal, a pessoa não pode escapar e acabará pecando e fazendo o mal (todavia, misteriosamente, a pessoa o faz voluntariamente), e quem é culpado fica sendo a própria pessoa pois, segundo Agostinho por exemplo, culpado é quem realiza o ato. A ligação entre o decreto divino e o ato humano são os meios diretos ou indiretos (causas secundárias) que Deus usa para levar o homem a fazer sua vontade na teologia calvinista, o que faz com que Deus não seja o autor do pecado deles na visão calvinista, embora o compatibilismo desse modo seja discutível na minha opinião.

Supralapsarianismo: Linha calvinista cuja ordem dos decretos de Deus leva à conclusão de que Deus decretou o pecado de Adão (justamente pois o decreto da eleição (e condenação) é anterior ao decreto da queda de Adão). Eles também dizem que Deus usa-se de causas secundárias, mas é difícil evitar críticas bem colocadas como as de Jacó Armínio em Obras de Armínio (2015, CPAD). Essa linha tem muita dificuldade em defender que Deus não é autor do pecado de Adão e consequentemente da humanidade, inclusive recebendo críticas de reformados infralapsarianos.

Determinismo fatalista e hipercalvinismo: conceito usado por uma outra linha calvinista (heterodoxa) chamada de hipercalvinismo (nada saudável por sinal) que diz, além de que não precisamos evangelizar com eficácia o mundo, que o decreto de Deus age diretamente no homem sem causas secundárias, por exemplo, Deus nessa linha decretou diretamente o pecado de Adão, e todo o mal do mundo. O homem fica sendo quase uma marionete. Isso não leva a outra conclusão senão que esse conceito é antibíblico pois faz de Deus, além de tudo, o autor do pecado de Adão, e com isso, de toda humanidade.

Decretos de Deus: Deus, como Rei, tem decretos, e esses não podem ser revogados nem frustrados por ninguém. Os decretos de Deus não podem ser resistidos a não ser que Deus tenha decretado que eles fossem passíveis de resistência, como uma “lei ou decreto condicional”. Porque para Deus nada é impossível (Lc 1.37). A Bíblia cita muitas vezes os decretos de Deus, embora também a Bíblia mostre a liberdade de escolha humana. Cada linha calvinista e arminiana é logicamente construída de modo que possui diversas ordens logico-teológicas de decretos de Deus para a humanidade, e se a ordem desses decretos for alterada toda a cosmovisão muda. Porém, uma crítica é: Deus realmente decreta um decreto por vez? Deus precisa esperar Adão cair para decretar outro decreto, a saber, a escolha de indivíduos para morar com Ele? O decreto de exaltar a Cristo veio apenas após a queda de Adão? Claro que não. Qualquer lista que queira supor a ordem dos decretos de Deus e a natureza deles, ainda que com o melhor e mais recente da filosofia e teologia, é fadada ao fracasso. “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos (Isaías 55.8-9). A Bíblia é suficiente. Cristo é suficiente.

Liberdade Humana: Como o nome diz, é a capacidade do homem de agir, pensar, e se locomover sem a ajuda de outro, seja essa liberdade limitada ou total.

Livre-Arbítrio: Capacidade de alguém agir contra sua própria natureza às coisas espirituais, ou seja, “arbítrio livre” (seja limitado ou não). Exemplo: habilidade de uma pessoa não regenerada, não salva, de ser capaz de fazer uma boa obra, como crer e confiar em Deus para sua salvação (capacitada ou não pelo Espírito): tal é semelhante ao conceito arminiano sobre o estado do homem antes da salvação (embora eles o chamem de livre-arbítrio libertário, que inclusive é limitado, pois o homem não pode parar de pecar). O livre-arbítrio foi usado por Adão para pecar, sendo que ele não tinha a natureza pecaminosa. Usado por Satanás no Paraíso para formar o mal no seu interior, sendo que na Criação não havia mal nele, através do potencial do bom livre-arbítrio que recebeu de Deus, pois Deus requer amor voluntário.

Livre-Agência: Capacidade de agir de acordo com sua própria natureza: 1. Quem só tem a natureza pecaminosa, e não a natureza divina (de Cristo pelo Espírito Santo), não possui capacidade para o bem espiritual; 2. Um cristão nascido de novo faz tanto o bem como peca, pois tem a natureza de Cristo e a pecaminosa; 3. Os eleitos no Céu, que possuem apenas a natureza humana glorificada (que continuam unidos a Cristo), e não a natureza pecaminosa, não pecam mais, só fazem boas obras: são livres para o bem, assim como Deus é naturalmente livre para fazer o Bem, e só pode fazer o Bem.

Eleição / Eleger: Diz respeito à escolha, por parte de Deus, desde a eternidade, de indivíduos que morarão com Ele por toda a eternidade. O Novo Testamento enfatiza muitas vezes a expressão “eleitos de Deus”. Jesus é, em Isaías, “o Eleito” (o Escolhido).

Queda de Adão: Ato de Adão pecar (Romanos 5.12), e levar consigo toda a humanidade. Todos pecamos em Adão, e por isso todos nascemos mortos em delitos e pecados (Efésios 2.1, Colossenses 2.13).

Queda de Satanás: Ato de Satanás pecar (logicamente antes de Adão), e levar consigo, pela influência, muitos anjos a pecarem com ele, os quais se tornaram, após juízo divino, anjos caídos, ou demônios.


1 DOUTRINA DA BÍBLIA (atualizado em detalhes 28/5)

 A Inspiração das Escrituras

A Bíblia, no seu manuscrito original, é inspirada de modo Plenário e Verbal (2Tm 3.15-17):

Inspiração Plena ou Plenária significa que a atividade do Espírito Santo em superintender a escrita da Escritura se estende a toda a Bíblia. Tudo o que é encontrado dentro do cânon é Escritura, o produto da supervisão do Espírito Santo.

Inspiração Verbal. Basicamente, esse termo declara que a atividade do Espírito Santo se estende até as próprias palavras da Escrituras. Devemos ser cuidadosos, porém, de não igualar a ideia com a teoria do ditado verbal. Ao invés de afirmar que Deus ditava cada palavra, devemos entender a inspiração verbal apenas alegando que o Espírito superintendeu o processo de seleção de palavras e ordem das palavras na medida em que são capazes de comunicar o significado pretendido do texto. Na medida em que as palavras e a sintaxe são os principais portadores de significado, o conceito de inspiração verbal enfatiza o envolvimento divino na escrita da Escritura para que as palavras empregadas nos documentos transmitam a mensagem pretendida de Deus. Stanley Grenz (2000).

 

A Inerrância e a Preservação das Sagradas Escrituras

Geisler (2010, p. 457 e 462) nos esclarece que “a inerrância da Bíblia vem de duas premissas claramente expostas na Bíblia: (1) Deus não pode errar (Hb 6:18; Tt 1:2; Rm 3:4). (2) A Bíblia é a Palavra de Deus [cf. 2Tm 3:16-17, 2Pe 1:20-21, 1Ts 2:13 (acima), e João 10:35 diz que “A Escritura não pode ser anulada”].

Portanto, conclui-se que a Bíblia nos manuscritos originais é inerrante.

Grudem (2010, p. 59) traz uma definição precisa e fácil de se entender da inerrância da Bíblia: “A inerrância significa que a Bíblia sempre diz a verdade e que sempre diz a verdade a respeito de todas as coisas de que trata.

Assim, concluímos que o livro mais preservado do mundo e de todas as épocas (além de mais vendido) é a Bíblia Sagrada, que contém o Antigo e o Novo Testamentos, inspirada por Deus e, nos autógrafos, inerrante.

Em especial, destaca-se o Texto Recebido (Textus Receptus, ou “TR”) em grego “koiné” ou “do povo” (que é a compilação de manuscritos do Novo Testamento transmitidos pela Igreja Bizantina e usado pelos pais da Igreja e reformadores) preservado ainda hoje, que é mais de 99% fidedigno aos originais, portanto 99% inerrante, pois, além da Preservação Divina, esse Novo Testamento foi copiado de geração em geração por fiéis piedosos da Igreja – e não críticos de viés racionalista e teologia liberal do século XIX, como Westcott e Hort, que compilaram o “Texto Crítico” (ou TC), que é a base dos Novos Testamentos modernos. Um detalhe é que Tertuliano escreveu em “Prescrição contra os Hereges, cap. 36 (aprox. 200 d.C.) que “os próprios autógrafos dos apóstolos [ainda] estavam nas Igrejas”: o Novo Testamento original não foi perdido, os manuscritos foram copiados desde a escrita deles até ficarem gastos e inúteis, e é justamente por isso que os manuscritos mais novos do Novo Testamento que temos hoje, os da família de Antioquia (cidade dos apóstolos em Atos), são 99% concordantes entre si, inclusive são os autorizados pela Igreja, copiados e por isso preservados. Já os manuscritos mais antigos que temos hoje, que formam o chamado “Texto Crítico”, manuscritos contraditórios entre si 3000 vezes apenas nos Evangelhos (especialmente Sinaiticus e Vaticanus), foram os não manuseados, da família de Alexandria, e não copiados pela Igreja de Deus nem usados em liturgia, por isso que sobreviveram. Mesmo assim não só as Bíblias baseadas no Texto Recebido são a Palavra de Deus, as Bíblias modernas fazem um trabalho excelente de linguagem acessível, clara e evangelismo global, e também são a Palavra de Deus, ainda que, às vezes, a Palavra incompleta, pois as Bíblias com NT baseado no Texto Crítico têm muito menos conteúdo nos versículos do que as Bíblias com NT baseadas no Texto Recebido. Sobre o Texto Recebido, e sobre nossos Novos Testamentos em geral, desconsidere o erro de copista, que foi um acréscimo da expressão "de Cainã", que no grego está como “τοῦ Καϊνáν(The New Testament, Trinitarian Bible Society, 1976, pág. 112), em Lucas 3:36 entre Arfaxade e Selá que não é bíblico (não está em Gênesis 11, 1Crônicas 1, manuscritos mais antigos de Lucas (3:36) e LXX, nem em Josefo).

O Antigo Testamento, se fosse possível dar uma porcentagem, é aproximadamente “95%” preservado no Texto Massorético (que é o Cânon Judaico, também adotado pelos Protestantes, do Antigo Testamento) e, unindo grande parte do Texto Massorético Judaico, com partes do Antigo Testamento em Grego, que é a Septuaginta (LXX), partes dos Manuscritos do Mar Morto do Antigo Testamento (Dead Sea Scrolls) com o complemento histórico das obras de Flávio Josefo (que traduziu parte do Antigo Testamento da época de Cristo para o grego por meio de paráfrases), que teve acesso aos rolos do Segundo Templo antes da uniformização e padronização do Cânon judaico no Séc. II d.C. (que mais tarde formou o Texto Massorético pelos Massoretas), chegamos, na prática, a um compilado correspondente ao original do Antigo Testamento hebraico.

Deus é fiel e preservou Sua Palavra atemporal e inerrante a nós, seus filhos! Amém!

 

1.1 O Cânon Verdadeiro, Escolhido por Deus

O Cânon, “a regra de medida” adotada pela Igreja, constitui a lista ou coleção de livros inspirados que temos hoje, no caso dos protestantes, 66, que formam a Bíblia Sagrada. O cânon não é determinado pela Igreja, nem a Igreja é mãe e nem regula o cânon, mas a Igreja descobre o cânon, a Igreja é filha do cânon, reconhece o cânon, é testemunha do cânon, e é serva do cânon. Bíblia Apologética de Estudo, 2011.

O que quero dizer com isso é que o conjunto de livros inspirados da Bíblia não foi formado aleatoriamente, ou por mão humana, separado da direção de Deus. Isto para que saibais que Deus inspirou algumas Escrituras dos diversos manuscritos existentes na antiguidade, e a parte dos homens foi tão somente estudar, conferir autenticidade, e orar a Deus pelo Espírito para que, pela autoridade dos apóstolos e pelas doutrinas ortodoxas (sem que houvesse contradição interna intrabíblica), separasse o que é inspirado e autoritativo, e o que não é inspirado (pelas heresias, falsas autorias e contradições). Todos os 66 livros da Bíblia Protestante são inspirados pelo Espírito Santo, pois não têm contradição real, diferente do Cânon da Igreja Católica Apostólica Romana, com seu acréscimo de sete livros no AT oficialmente a partir do Concílio de Trento. Se alguém acredita que os livros da Bíblia protestante e preservada por Deus possuem alguma suposta contradição doutrinária, orem e busquem conhecimento do Senhor para ver que, na realidade, não possuem contradição alguma.


28/5

Correção (28/5 referências): (Alvin) Platinga --> Plantinga.

28/5 - retirada menção de inerrância por Grenz (2000), visto que ele não era adepto dessa linha. Substituído por Geisler e Grudem


Apologética - seção "existe vida inteligente fora do planeta Terra?" (26/5 22h)

Se não houvesse um dilúvio global que afetasse a estrutura e os parâmetros dos processos químicos, físicos e biológicos da terra, milhões ou bilhões de anos poderiam fazer sentido. Mas não podemos nos basear nos processos que temos hoje, e nos seus parâmetros, para extrapolar e conseguir descobrir o que havia antes do dilúvio, pois o mundo era outro, havia só um continente antes do dilúvio, dilúvio que durou mais de um ano; as pessoas viviam 900 anos; não havia chuva (nem arco-íris), apenas um vapor regava a terra; ou seja, os processos (ou apenas os seus parâmetros) da época pré-diluviana eram diferentes dos de agora, muito mais rápidos ou lentos, por isso o cálculo científico para a idade da terra a partir de processos e leis químicas, físicas e biológicas que temos hoje, pelo ritmo atual, não são validos para milhões de anos (ou bilhões, pois os evolucionistas creem que a terra existe há 4,5 bilhões de anos), mas, sem saber (ou sem estimar corretamente) as taxas dos processos antes do Dilúvio, os cálculos de estimativa da idade da matéria pelos processos que temos hoje na Terra servem somente para milhares de anos, até o Dilúvio de Noé, que ocorreu aproximadamente em 3200 a.C.


cap 6 (26/5)

[Os criacionistas da terra jovem que defendem que o mundo foi criado há 6000 anos costumam defender o dilúvio por volta de 2348 a.C. Mas como Abraão nasceu aproximadamente em 2000 a.C. segundo a genealogia que eles adotam, adotar essa cronologia é improvável, o que faria supor que apenas três casais no Dilúvio pudessem em 350 anos produzir uma população numerosa o suficiente em poucas gerações para organizar a Torre de Babel, dispersar-se em dezenas de clãs familiares pelo mundo, estabelecer nações distintas, repovoar o Egito - e sua cultura inteira se estabelecer (lembre-se de que Abraão teve contato com Faraó). Com a cronologia de Flávio Josefo, situando o Dilúvio em aproximadamente 3200 a.C., existe um intervalo de mais de mil anos para esses eventos acontecerem, o que é biblicamente mais preciso, e cientificamente e biologicamente sustentável segundo a cosmovisão criacionista].


CAP 6 (e final do livro, apologética)

[Embora Ken Ham, do ministério Answers in Genesis, muito citado nesta obra, defenda rigidamente 6 mil anos para a Criação, o criacionismo da terra jovem afirma pelas evidências científicas que o mundo foi criado há menos de dez mil anos, e pela Bíblia, ainda mais assertiva, criado por Deus há aproximadamente 7.500 anos (Criação em aproximadamente 5467 a.C., Dilúvio em 3211 a.C., Abraão tendo nascido em 2166 a.C. e se passaram 3301 anos da Criação para Abraão), baseado nas precisas genealogias de Gênesis 5 e 11 mais próximas dos autógrafos originais preservadas pelos escritos de Flávio Josefo que usava a Torá hebraica (Gn 5 e 11 são capítulos que não possuem lacunas em suas genealogias): Flávio Josefo, Antiguidades apud Rudd, Steve (Bible.ca, 2017). Obs. o “Cainã” entre Arfaxade e Selá não existe nos manuscritos mais antigos do Antigo Testamento que temos hoje (não está no manuscrito mais antigo da Septuaginta), nem em 1Crônicas, nem em Qumran (Manuscritos do Mar Morto), nem no mais antigo manuscrito de Lucas, nem em Flávio Josefo, portanto esse Cainã entre Arfaxade e Selá nunca existiu, é um erro pontual (acréscimo) de copista que permanece nas Bíblias de hoje e deve ser ignorado)].


1 DOUTRINA DA BÍBLIA

Isto para que saibais que Deus inspirou algumas Escrituras dos diversos manuscritos existentes na antiguidade, e a parte dos homens foi tão somente estudar e orar a Deus pelo Espírito para que, pela autoridade dos apóstolos e pelas doutrinas ortodoxas (sem haver contradição interna intrabíblica), separasse o que é inspirado e autoritativo, e o que não é inspirado (pelas heresias, falsas autorias e contradições).


3.2.1

¹⁴ E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU [Hebr. Ehyeh asher Ehyeh]. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU [Hebr. Ehyeh] me enviou a vós.

¹⁵ E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor [YHWH, ou יהוה] Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração. 


7.3

Como Satanás foi criado como um anjo de luz no primeiro dia da criação (Ezequiel 28.15 "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti.")...


7.6

Vale dizer que, já que Paulo citou o terceiro céu (2Co 12.2), o primeiro céu é reconhecido biblicamente como o nosso céu visível a olho nu, ou atmosfera (ajuntem-se as águas debaixo dos céus Gn 1.9); o segundo céu, a expansão dos céus, é o universo (haja luminares na expansão dos céus Gn 1:14), e o terceiro céu (2Co 12.2) é o Paraíso de Deus (Lc 23.43). Não me faz sentido que o terceiro céu, o Paraíso de Deus, seja o mesmo local que esses “lugares celestiais” [dimensão espiritual] de que falou o apóstolo Paulo em Efésios, visto a Bíblia diz que Satanás não têm acesso mais ao céu depois da obra de Cristo:


80 Questões

20. Se Jesus Cristo é supostamente o deus onipotente feito carne ... como é que ele não herdou o pecado original? Lembre-se, ele é supostamente homem e deus em união, e se verdadeiramente homem, assim como deus, ele deve ter herdado o pecado original.

Jesus Cristo não nasceu como nós, da união de um homem e uma mulher: Ele nasceu de um milagre, do Espírito Santo! E é por isso que é chamado de filho de Deus, pois é filho da natureza divina de Deus Pai pelo Espírito, e é filho pela natureza humana (filho do homem) da virgem Maria, que deixou de ser virgem depois, claro. Deste modo, como a Bíblia diz várias vezes, Cristo é o único sem pecado, imaculado, perfeito. Ele é, ao mesmo tempo, Deus e homem. Desde Sua ressurreição, não esteve mais com corpo de homem terreno, mas com corpo de homem glorificado (João 20 diz que Jesus entrava em lugares quando a porta estava fechava; e assim desaparecia também). Ascendeu ao céu com este corpo humano glorificado (do Céu).


80 Questões

25. Se a terra estava coberta por uma inundação global completa, todos os seres vivos mortos, exceto os que sobreviviam na arca, por que existem muitas espécies animais completamente únicas na Austrália que não são encontradas em nenhum outro lugar na terra?

A resposta para isso é que a distribuição das espécies pode ser explicada por migração pós-dilúvio – pois depois do dilúvio ocorreu a única “era do Gelo”, que uniu os continentes através de pontes terrestres, pelas quais os animais migraram a pé para a Austrália antes que o gelo derretesse e os isolasse.


80 Questões

53. Em 1 Coríntios 15:50 diz “Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção”. Como Jesus pôde então ascender ao reino de Deus se ele mesmo é carne e sangue?

Ele não possui mais "carne e sangue" no sentido de corruptibilidade mortal (sentido de 1Co 15.50), mas preserva Sua verdadeira humanidade física glorificada (carne e ossos) no céu.

Lucas 24.39 ("Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.") diz que o corpo glorificado de Jesus também é composto de carne e ossos, o que nos faz concluir que o corpo glorificado não é de outro ser, mas humano glorificado.


80 Questões

73.

A alma é a vida imaterial de todo ser humano que se relaciona com Deus, eterna, que está ligada de um jeito misterioso ao corpo, e que retorna a Deus na morte, vivendo eternamente. Após o juízo do último dia, essa alma receberá um novo corpo para o estado eterno.


13.5

É possível que Deus conheça o futuro não por ver o futuro como se desse uma olhada nele, mas conhecendo o futuro diretamente como já presente. Se a presença de Deus habita em todos os lugares (onipresença espacial), então talvez possamos falar de Deus como habitando em todos os tempos [da criação, colchetes meus]: passado, presente e futuro (onipresença temporal). Walls e Dongell (2014).


11.4

1. O Novo Testamento simplesmente não repete o mandamento do sábado do Antigo Testamento:

Marcos 10.19 (Jesus): Tu sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mãe; Rm 13.9 (Paulo): Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Esses mandamentos acima (dos dez mandamentos) são os mandamentos para o próximo. Já os mandamentos para Deus (exceto o do Sábado) estão no Novo Testamento em: Não ter outros deuses: Mateus 4.10 e 1Co 8.6; Não fazer ídolos: 1João 5.21 e 1Co 10.14; Não tomar o nome de Deus em vão: Mateus 5.33-37 e Tiago 5.12. Concluímos que o NT não repete em lugar algum o mandamento de guardar o sábado.


8.6

E o “homem” glorificado na glória dos Céus (assim como os anjos eleitos), que não terá livre-arbítrio também para pecar (pois será “livre para o Bem”), não pecará pois não possuirá mais a natureza terrena pecaminosa (carne), mas será a verdadeira imagem e semelhança de Deus na consumação, o qual não somos ainda.


13.8

Uma vez que foi dado por Deus a alguns seres humanos vivenciar e provar que o tempo e o espaço não são absolutos e eternos, imagine o que Deus pode fazer. Não estou falando que a Teoria da Relatividade corresponde perfeitamente à realidade. Todavia, se um anjo, voando do trono que está no meio do Paraíso de Deus à Terra, chegasse instantes depois de ter saído, ou até no mesmo tempo, quanto mais o próprio Deus pode trabalhar agindo no tempo e no espaço, no presente, no passado e no futuro, moldando e agindo no futuro como bem entender, ao mesmo tempo que permite nossas ‘livres’ escolhas com o nosso ‘servo arbítrio’. Se para nós o tempo é relativo, por que Deus não pode estar presente em todos os tempos da mesma forma?

[Isso tudo digo ainda que o tempo humano, em nossa realidade de baixas velocidades, seja quase totalmente linear: nossa experiência cotidiana é linear (passado-presente-futuro), mas uso ambas as linguagens nesta obra]


3.6

[Deixo uma observação aqui: Mesmo adotando partes de Agostinho nessa teologia, recuso a notação de Agostinho que o Espírito Santo é o amor com o que o Pai ama o Filho; que o Pai é o amante, o Filho o amado, o Espírito o amor: isso não é bíblico, nem muito correto na minha opinião.]


3.6.1

O que é admitido nessa teologia sistemática:

  • .      Deus é o Ser absoluto; 
  • .      Amor é o caráter absoluto do Ser.

Ou seja,

  •             Deus não é composto, é simples: um Deus;

  •         Mas o ser de Deus tem centralidade (valor central) no amor: a essência de Deus é eternamente expressa como Amor, ou, em linguagem simples: Deus é Amor.

Essa conclusão vem do fato de que o Novo Testamento, que dá luz ao Antigo, é onde Deus manifesta mais plenamente Seu Amor, sendo o ápice da revelação progressiva dada aos homens.


8.3

Deste modo, como exposto, o homem e a mulher são como Deus, e representam Deus.

O corpo unido à alma de cada ser humano também é imagem de Deus, justamente porque Gênesis 1.27 NVT, que diz “Assim, Deus criou os seres humanos à sua própria imagem, à imagem de Deus os criou; homem e mulher os criou.”, pressupõe que ser homem e ser mulher (que são diferentes pela mente e corpo, e não pela alma/espírito, nem pela moral) também faz parte da imagem de Deus, ou seja, ser imagem e semelhança de Deus não é só sobre a parte moral e espiritual, mas também é algo que engloba o corpo de cada ser humano (criado para glorificar a Deus), embora, claro, Deus, a fonte da imagem e semelhança, é Espírito. Jesus, a própria Imago Dei, o próprio resplendor da glória de Deus (Hb 1), assumiu a humanidade, sendo verdadeiro homem e Deus, mostrando que ainda que Deus seja Espírito em sua natureza divina, baseado na encarnação do Verbo, e baseado em Gn 1.27 (que liga a imagem de Deus com ser homem e mulher), o corpo unido à alma também é imagem e semelhança de Deus, e deve ser usado para a glória e louvor de Deus Trino e Uno.

Estágios da Imagem de Deus

1. Imagem original. Adão e Eva foram criados retos e puros. Possuíam a imortalidade, possuíam a pureza, justiça e retidão originais, eram uma verdadeira imagem de Deus.

2. Imagem desfigurada. Quando Adão e Eva pecaram, eles e toda a humanidade futura – seus descendentes – ainda permaneceram como imagem de Deus, mas uma imagem distorcida pelo pecado e pela queda – todos os que nascem, nascem mortos espirituais, sem a justiça original com a qual Adão e Eva foram criados.

3. Imagem renovada. Quando uma pessoa é salva (seja no Novo Testamento ou no Antigo) ela tem essa imagem restaurada ou renovada: ela é justificada pela fé, e gradualmente, conforme a pessoa é santificada por Deus, a pessoa fica cada vez mais parecida com Cristo, sua imagem fica cada vez mais parecida com à de Cristo. A plenitude da imagem de Deus não é alcançada nesta Terra, mesmo por um salvo: Cristo é perfeito e nós não somos, portanto nunca seremos a completa imagem de Deus nesta Terra.

4. Imagem aperfeiçoada. A imagem de Deus plena, ligada ao corpo glorificado, conforme a imagem de Deus em Cristo Jesus (seremos como ele), só será alcançada na glória dos céus, na glorificação, na vida eterna, a qual será uma medida melhor e mais excelente do que a imagem original do Éden, tanto quanto os novos céus e terra serão mais excelentes do que o Éden.


10.7.2

Não, os ladrões, os homicidas e os malfeitores não são instrumentos da divina providência em nome de Jesus. São instrumentos de Satanás, o pai da mentira e o autor do pecado e do mal. É permissão e não decreto ativo de Deus.


10.7.2

Não compartilho da eleição arminiana e, apesar de estar escrito segurança eterna, o arminianismo (e o luteranismo clássico), em geral, acredita que alguém pode perder a sua salvação, argumento que combato na seção 10.6.

Adotei a eleição luterana à salvação e, embora eu use a Fórmula de Concórdia para a definição de eleição, afasto-me do luteranismo clássico no que tange à perda da salvação, adotando a visão reformada/calvinista da perseverança ou preservação pela graça dos salvos verdadeiramente transformados (nascidos de novo), amplamente defendida nas Escrituras.

Eleição luterana: Há um critério em Deus para a escolha de Deus desde a eternidade de indivíduos para Sua Glória, mas que a Escritura não revela especificamente, portanto a eleição é incondicional à revelação, mas certamente há um critério não revelado em Deus;

Para unir tudo, “expiação de dois aspectos”: expiação substitutiva limitada (Cristo tomou os pecados dos eleitos apenas sobre si, o que ocasiona sempre justificação de vida); Expiação ilimitada em outro aspecto - Graça preveniente irresistível - Cristo tomou sobre si toda a culpa Adâmica (fato aplicado a nós ao contato com a Palavra); a expiação de Cristo no seu sentido amplo, não substitutivo, nos trouxe a graça preveniente irresistível, que tira-lhe a culpa adâmica herdada e começa a iluminar o pecador e mostra-lhe a verdade do evangelho;


10.4.4

O princípio de um mandamento considero que é o porquê intentado por Deus ao criar o mandamento, nos salvar ou preservar de quê: isso permanece?

O mandamento do Sábado foi abolido, mas os princípios do mandamento do Sábado permanecem: o preservar e proteger o ser humano da exaustão física e da escravidão do trabalho, fato que deve apontar para a necessidade contínua de comunhão com Deus, isto permanece, ou seja, o ideal é descansar pelo menos um dia na semana e se dedicar a Deus por este princípio do Sábado, e não "guardar o sábado".


11.4

Princípio do Mandamento do Sábado

O mandamento do Sábado findou junto com a lei cerimonial do Antigo Testamento. O princípio dos mandamentos cerimoniais não. O princípio de um mandamento considero que é o porquê intentado por Deus ao criar o mandamento, nos salvar ou preservar de quê: isso permanece? No caso, preservar e proteger o ser humano da exaustão física e da escravidão do trabalho, apontando para a nossa necessidade contínua de comunhão com Deus permanece, ou seja, o ideal é descansar pelo menos um dia na semana por este princípio do Sábado.

Outro exemplo é: no Antigo Testamento vemos mandamentos cerimoniais para os sacerdotes se aproximarem de Deus em santidade. Já na nova aliança não são mais requeridos, mas o princípio sim: Todos somos sacerdotes, e Deus requer reverência ao se aproximar de Sua Presença.


10.5.2.3

Deus, ao mesmo tempo, decretaria um Projeto completo (não proponho abaixo um decreto após o outro, pois assim a ordem abaixo levaria ao supralapsarianismo (do qual eu claramente não concordo), mas todos esses decretos ao mesmo tempo: todos os decretos são importantes, ou seja, eles estão em ordem de importância, não ordem decretada por Deus):

[1] O mais importante, Deus Pai decreta exaltar a Cristo, o Eleito. [2] O segundo decreto mais importante, eleger indivíduos com um certo critério, em Cristo, pela graça do Espírito Santo, pela fé e para louvor da Sua glória no Amado. [3] O terceiro decreto mais importante seria criar os meios para eleger a Cristo sobre tudo e sobre todos, e os fiéis e santos filhos Nele. Os meios seriam: [3a] Criação. Criar o Universo, o Paraíso, os anjos, o homem, os animais e plantas, matéria, energia e tempo etc.: nessa condição, nesses lugares e com essa companhia é que Cristo encarnado e os homens e anjos eleitos vão viver. [3b] Liberdade de escolha e queda. Criar a Criação com livre-arbítrio, e com tudo o que isso significa. Permitir a queda de alguns anjos e de toda a humanidade. Fazer consequente separação dos justos e dos injustos (homens e anjos) pelo relacionamento direto com Deus (Deus mesmo faz a separação) com destinos eternamente separados. [3c] Providência divina na história em todos os aspectos necessários, inclusive para a plenitude dos tempos em que Cristo veio e foi glorificado; providência divina na história para Israel, e depois para a Igreja do Senhor até a consumação etc. Veja que nessa lista temos [1] e [2], exaltação de Cristo e dos eleitos, como se fosse os 4 decretos da seção anterior, e todo o resto é consequência disso [3]. Essa lista não é perfeita nem é exaustiva.


Menções de Felipe Melâncton alteradas para Filipe Melâncton

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