Graça e paz. Consultei três pastores para esse aprimoramento doutrinário.
8.4.3 As Mulheres e a Pregação da Palavra
Mas, a mulher pode pregar a
Palavra? Deve. Com chamado, deve. Portanto, continuamos crendo que, segundo a
necessidade e o dom que Deus deu pelo Espírito Santo (uma vez que Deus não faz
acepção de pessoas, sexo, tradição e costume, mas somos um só em Cristo Jesus,
Gl 3.28), pode-se levantar mulheres como pregadoras do evangelho (não
estou falando de título disso, mas da função), inclusive na igreja, que tenham
chamado do Espírito Santo e dom de Deus para pregar a Palavra.
Podemos levantar mulheres como
pastoras, ordenadas ao ministério pastoral? Não é bíblico, e a Bíblia é a nossa
regra de fé e prática. Não vemos apóstola, nem bispa ou presbítera, nem pastora
na Bíblia. Portanto, a ordenação não é bíblica, e não concordo com ela. Não
cabe às mulheres o exercício pastoral, e, com isso, autoridade sobre o rebanho,
algo autoritativo na área espiritual à igreja. Cabe, sim, a exposição da
Palavra à Igreja em conjunto, conforme escreveu Paulo a Timóteo: 2Tm 3.16 Toda
a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir,
para corrigir, para instruir em justiça; 2Tm 4.2 Que pregues a palavra,
instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a
longanimidade e doutrina. Não cabe a mulher ir à sala pastoral e doutrinar
outra pessoa com autoridade, doutrinar assim o rebanho, mas pregar a Palavra à
Igreja num culto, como disse Paulo, ensinando, redarguindo, corrigindo,
repreendendo, exortando para instruir em justiça. Com qual autoridade pregará
doutrina na igreja, autoridade pastoral? Não, autoridade da Palavra através do
Espírito Santo de Deus, pregando com o dom que Deus deu, pregando estando
sujeita ao corpo de presbíteros da Igreja.
Quais mulheres devem pregar a
Palavra na igreja? Mulheres santas, honradas, cheias do Espírito Santo e de
conhecimento da Palavra. Creio inclusive que devem, de preferência, ser esposas
de maridos fiéis, auxiliando o marido em tudo (a não ser se for viúva fiel,
claro: 1Tm 5.10 [As viúvas] Tendo testemunho de boas obras: Se criou os
filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés aos santos, se socorreu os
aflitos, se praticou toda a boa obra). Assim como Paulo em Timóteo fala que
o bispo deve ser marido de uma mulher, é adequado que uma pregadora do
evangelho (não estou falando de pastora) tenha um marido fiel que em tudo
coopera com ela e vice-versa.
Deve-se mencionar que mulher de
pastor não é pastora. Mas uma mulher fiel, com chamado e dom de Deus, seja
mulher de pastor ou não, deve é pregar e ensinar mesmo na igreja do Senhor, ou
onde e quando Deus der a oportunidade.
O Novo Testamento foi escrito
durante o período do Império Romano, e a lei da época proibia as mulheres de
falarem na igreja, mas serem demasiadamente submissas aos maridos. Paulo, no
verso abaixo, conecta o fato de que à mulher não é permitido falar nas igrejas
com o fato de que devem ser em tudo sujeitas aos seus próprios maridos, e ainda
diz que isso é ordenado pela lei, lei essa que Paulo respeita e obedece!
1Co 14.34 As vossas mulheres
estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam
sujeitas, como também ordena a lei. 35 E, se querem aprender alguma coisa,
interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as
mulheres falem na igreja.
Por que é vergonhoso que as
mulheres falem na igreja? Certamente seus maridos eram mais estudados, cuido eu
que muitos sabiam ler as Escrituras e muitas das esposas não. Por que digo
isso? Porque, acima, confirmando, Paulo diz: “interroguem em casa a seus
próprios maridos”, o que quer dizer que Paulo subentendia que os maridos
tinham a capacidade e sabedoria para esclarecer as dúvidas das mulheres, e isso
não precisava ir para a igreja desnecessariamente, em público!
Agora não temos mais leis,
conforme os versos acima, que proíbem as mulheres de fazerem certas coisas,
como possivelmente havia no império romano e na lei mosaica, e como também
existe hoje em alguns poucos países muçulmanos em que a mulher não pode votar
ou dirigir veículos (embora isso tenha já amenizado um pouco). Não é mais
vergonhoso que as mulheres falem na igreja hoje, ao contrário daquela época de
Paulo. Portanto, mulheres capacitadas podem ensinar homens hoje (meio óbvio,
mas tinha que ser dito).
Alguém há que diga: mulheres não
podem trabalhar, pois Deus disse a Adão: “do suor do teu rosto comerás o teu
pão” (Gn 3.19). Isso é uma incoerência, comparar esse mandamento de mais de
seis mil anos, com as pessoas vivendo do campo, com uma realidade num país
capitalista, num contexto urbano. Obviamente, como o homem possui, geralmente,
mais força que a mulher, o homem deve, quando é agricultor, trabalhar sim no
campo em vez da sua esposa (por exemplo, se for trabalho pesado), e a mulher
cuidar dos filhos. Mas extrapolar esse raciocínio para dizer que é o homem que
deve obrigatoriamente trabalhar e a esposa obrigatoriamente cuidar dos filhos
não importa o que aconteça é uma incoerência. Num país capitalista, é bem
diferente. Às vezes ocorre que uma mulher com diversos cursos e várias
pós-graduações pode se casar com um homem com ensino médio (ou talvez o homem
tenha nível superior e não se adaptou ao mercado de trabalho, ficando largos
períodos desempregado!). Quem deve trabalhar, se a mulher ganharia oito mil
reais com seu salário, e o homem, mil e quinhentos reais? Obviamente, nesse
caso, para o bem dos filhos, a mulher deveria trabalhar para que a família
tivesse uma qualidade de vida melhor, e o homem iria cuidar da casa e dos
filhos, levando-os à escola e ensinando-lhes a Palavra de Deus. Não tenho
dúvida disso. Mas cada caso é um caso, só coloquei esse exemplo aqui, pois
parece que muitos crentes querem impor ao homem o trabalho (tendo ele condição
e saúde ou não), e a mulher a ficar em casa quando não há obrigatoriedade para
tal. Confiemos no Senhor.
Voltando ao assunto, cremos que
as mulheres que estavam com Jesus, como Maria Madalena, Maria irmã de Lázaro, e
outras também devem ter anunciado o evangelho a outros, e em algum momento
testemunharam e falaram com alguém sobre Jesus. Não podemos mudar o que está na
Bíblia e concordar com a ordenação feminina ao ministério pastoral. Mas essas
mulheres preciosas, capacitadas, que também ensinam, também pregam, podem muito
bem, sim, atuar no ministério da pregação e do ensino como auxiliadoras dos
seus maridos. E, assim, creio que elas podem pregar na igreja até para homens
adultos, pois o papel de todo cristão é pregar o evangelho onde estiver.
Quando à ordenação pastoral, não
que a mulher não seja competente, e eu não tenho preconceito com pastoras já
ordenadas, mas devemos ficar com a Palavra, que não dá vazão a tal feito. Ainda
assim, defendo as mulheres como ativas lado-a-lado com homens na pregação da
palavra, inclusive na igreja e no ensino, mas apenas as mulheres piedosas,
santas, conforme os ensinos dos apóstolos:
1Tm 3.11 Da mesma sorte as
esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo.
1Pe 3.1 SEMELHANTEMENTE, vós,
mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns
não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra; 2
Considerando a vossa vida casta, em temor. 3 O enfeite delas não seja o exterior,
no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura dos vestidos; 4
Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e
quieto, que é precioso diante de Deus. 5 Porque assim se adornavam também
antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos
seus próprios maridos; 6 Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da
qual vós sois filhas, fazendo o bem, e não temendo nenhum espanto.
Portanto, creio que Deus se agrada que mulheres sérias e
comprometidas com a Palavra preguem e ensinem nas igrejas, inclusive aos
domingos, conforme o mandamento de pregar o evangelho. Porém, frisando, não
creio ser adequado que mulheres sejam ordenadas ao ministério pastoral, o que
ainda incluiria, além da autoridade, títulos como “pastoras”, “bispas” ou
“episcopisas”, pois a Bíblia é a Palavra de Deus, e que sejamos sujeitos à
Palavra. Alguém pode dizer que não estou sendo sujeito à Palavra se essas pregadoras
ensinarem homens, mas isso é, na minha opinião, porque a Bíblia foi escrita
inserida numa cultura diferente da nossa: usava-se o véu, lavavam-se os pés,
davam-se ósculos em homens e em mulheres, a mulher não trabalhava fora
(todavia, auxiliava o marido no seu trabalho cf. Provérbios 31.10-31), mas
cuidava dos filhos etc. Assim, creio que, discernindo o que é costume e lei da
época do que é mandamento do Senhor, santas mulheres têm o aval do Senhor para
ensinar, doutrinar (com o aval da liderança masculina) e pregar a Palavra nas
igrejas a todos, caso tenham chamado para isso, e caso seja adequado.
O Espírito Santo é Soberano, é
Deus, e dá dons a quem Ele quiser. Assim, certamente o Espírito concede dons de
Palavra a muitas mulheres também, e elas têm que pregar, senão serão culpadas
pelo sangue inocente que morrer e não se converter pela falta da pregação
inspirada pelo Espírito, se Deus enviou o(a) profeta, como está em Ezequiel
33.7-9 “A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa
de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca, e lha anunciarás da minha
parte. 8 Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares,
para dissuadir ao ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade,
porém o seu sangue eu o requererei da tua mão. 9 Mas, se advertires o ímpio do
seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho,
ele morrerá na sua iniquidade; mas tu livraste a tua alma.”
Base Bíblica para não ordenar pastoras
1.
As mulheres são pilares
importantes para o crescimento e edificação do povo de Deus no AT e no NT, no
entanto, em toda a Escritura fica claro que não se reservam a elas o papel de
liderança espiritual.
2.
Maria, por exemplo, foi mãe do
Cristo encarnado, e José apenas o padrasto / pai de criação, porém ao dar
instruções para o casal as instruções eram dadas a José: foi revelado a José (e
não a Maria) fugir do Egito, depois retornar a Israel e ir morar em Nazaré.
3.
O relacionamento entre o marido e
a esposa reflete o princípio de que Cristo é o cabeça da Igreja, assim como o
marido é o cabeça da esposa (Ef 5). A liderança masculina na Igreja é espelhada
na liderança masculina no lar, que é espelhada na liderança de Cristo como
Cabeça ao Seu Corpo.
4.
Isso é refletido na ordem bíblica
da Criação e da Queda por Paulo:
Paulo, inspirado pelo Espírito em
todo o trecho abaixo, dá instruções às mulheres:
1 Timóteo 2.9-14 Que do mesmo
modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com
tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, mas (como convém a
mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras. A mulher aprenda
[veja
que o marido a ensina] em silêncio, com toda a sujeição.
Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido,
mas que esteja em silêncio [para aprender em humildade]. Porque primeiro foi formado
Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu
em transgressão [Paulo fala de princípios eternos, antes da Queda
de Adão: primeiro foi formado Adão, depois Eva (Criação); Adão não foi
enganado, mas a mulher foi enganada e pecou - isso tudo ocorreu antes do pecado
pessoal de Adão].
5.
Quem aceita ordenar pastoras deve
ignorar 1Timóteo 2 na seção sobre a relação entre a liderança masculina e a
queda.
6.
Alguns dizem que a carta de 1
Timóteo, unido a essas afirmações de Paulo, eram apenas instruções informativas
para combater o proto-gnosticismo. Ainda que Paulo realmente combata ensinos
gnósticos, a carta de Timóteo, se lida adequadamente do início ao fim, é
instrução ativa à Igreja do Senhor pelo Espírito Santo com o propósito de ensino
eterno, edificação e crescimento do Corpo de Cristo, não só contra as heresias
da época.
7.
Como dito, a liderança masculina
na Igreja é espelhada na liderança masculina no lar, que é espelhada na
liderança de Cristo como Cabeça ao Seu Corpo:
1 Timóteo 3:2-5 É necessário,
pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher [consequentemente, o líder deve ser homem], vigilante, sóbrio, honesto,
hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não
cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que
governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia
(Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como terá cuidado
da igreja de Deus?);
8.
Fazendo uma comparação do ser
humano e a fonte de nossa autoridade, o Senhor: Deus é chamado de “Pai”, e não
chamado como “Mãe”. Jesus nasceu homem, e não mulher. Deve haver um significado
para tal: assim como a ordem eterna da criação é uma só, e como a liderança do
lar, e consequentemente da Igreja, é um fardo (que deve ser conduzido com amor
sacrificial, sacrificando os interesses próprios para os dos outros) dado por
Deus aos ombros dos homens, e não das mulheres, Jesus também veio como homem,
Jesus conhecia a Deus desde a eternidade e Ele tinha propriedade de chamar Deus
especificamente de Pai e não de Mãe (embora Deus, essência divina, não seja
homem), e isso levando em consideração que Isaías 49.15 descreve que o Pai tem
sentimento tão forte por nós como de uma mãe pelo seu filho [Acaso,
pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se
compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele,
eu, todavia, não me esquecerei de ti].
Exceção à Regra
Na falta de homens que se
disponham a uma vida de consagração, Deus pode levantar ao ministério pastoral quem
se colocar na “brecha”, seja homem, mulher ou jovens ainda inexperientes.
Do mesmo modo, o caso de Débora
em Juízes, muito evocada pelos igualitaristas, é uma exceção à regra da
liderança masculina. Débora foi uma lição divina para apontar e expor o
declínio moral, a omissão e a fraqueza dos homens naquele período, e não uma
regra geral atemporal.
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