5. Salvação de pessoas que nunca ouviram falar do evangelho nos tempos do Novo Testamento ou não conheceram o testemunho do Deus de Israel no tempo do Antigo Testamento.
Rm 2.13-16 Porque os que ouvem a lei não são justos
diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. Porque,
quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da
lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; Os quais mostram a obra da lei
escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus
pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; No dia em que Deus há de
julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho. QUANDO
os gentios, especialmente antes da primeira vinda de Cristo, que não conhecem o
pecado pela lei [mosaica], e assim não têm lei [divina como base], fazem
naturalmente as coisas que são da lei [de Deus – Bíblia], não tendo eles lei [de
Deus], para si mesmos são lei [norma, regra]. Os quais mostram a obra da lei
[amor ao próximo e a Deus, pois o fim da lei é o amor, conforme Jesus disse]
escrita em seus corações, através do conhecimento e do senso comum da
consciência, quer acusando-os, quer defendendo-os. Complementando com Romanos
1.20 [Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu
eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo
compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são
indesculpáveis], se, pela revelação de Deus na natureza crerem
em Deus, o Criador, e seguirem a sua consciência, serão justificados pela fé (hão de ser justificados cf. Rm 2.13). O
versículo deixa implícito que não serão justificados em suas vidas terrenas,
mas no dia do juízo (Rm 2.16 no dia em que Deus há de julgar os segredos dos
homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho). Serão justificados, por
esse entendimento, todos os que, com sinceridade, sem conhecimento da lei de
Deus, sem conhecimento da graça e do Nosso Senhor Jesus Cristo, pela graça
infinita de Deus, seguem as boas pistas da sua consciência que veio de Deus.
Estes, que obedecem à consciência, que obedecem aos dez mandamentos, que quando
erram se arrependem, sem conhecer o Senhor pela revelação especial (Palavra de
Deus), mas pela revelação natural crerem (especialmente falando acerca de uma
minoria em povos não alcançados durante toda a história), serão salvos naquele
dia. Se algum desses ouvisse falar sobre a Palavra e sobre o Evangelho de
Cristo, Deus sabe que eles o aceitariam, pois escolhidos são de Deus. Ainda que
falte, talvez, pregadores e missionários, essas pessoas não deixarão de ir ao céu,
pois Deus é justo e bom, não ignorando alma nenhuma à perdição. Então, se
alguém porventura disser: “não mato, não roubo, não minto, não adultero... será
que o Senhor me aceitará no dia do juízo?” Não. Você que conhece a Deus, já
ouviu falar na Bíblia, e não o obedeceu em Cristo, não é como um deles. A
salvação não é pelas obras, obediência, rituais, sacrifícios ou caridade, é
pela fé em Cristo. Todavia, assim como o Senhor não condena bebês que falecem
ao inferno, ao Senhor também aprouve ter misericórdia de alguns dentre a humanidade
que nunca ouviu falar de Cristo ou da Bíblia, em Cristo: Porque dele [de
Cristo] e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele
eternamente. Amém. Romanos 11.36.
Por que eu coloquei este tópico
aqui sobre a salvação de uma pequeníssima minoria? Pois, assim como ocorre
contra o calvinismo, em que muitos teólogos sentem-se mal com a teoria da
condenação de ímpios pelo mero conselho e determinação da parte divina por
parte da teoria calvinista, alguns também sentem-se mal ao pensar sobre uma
eventual condenação de uma pequeniníssima minoria que nunca ouviu falar de Deus
e do evangelho, ainda que a pessoa respondesse bem à graça preveniente infinita de Deus que vem da Cruz do Calvário. Assim, sabendo que Deus é justo e bom, e não condena ninguém
injustamente, Ele é imparcial, a consciência destas pessoas pode descansar em
paz sabendo que, por exemplo, mesmo sem missionário nas Américas até a época de
Cristóvão Colombo, creio que o Senhor certamente salvou alguns índios crentes
da condenação eterna, por Jesus Cristo (Rm 2.16), nosso Senhor.
O evangelho, segundo a Bíblia,
nunca foi pregado a Abraão, senão pelo contato do próprio Deus. É disso que
falamos. E Abraão foi salvo pela fé, alcançado pela graça infinita de Deus.
Cristo continua sendo, mesmo
nessas exceções, o único mediador, e essa a aplicação é extraordinária, não o
caminho normal ou ordinário.
Obras de
Armínio (2015, p. 301): Não é heresia nem erro dizer: “Mesmo sem esses meios [ordinários,
isto é, a pregação da Palavra], Deus pode converter algumas pessoas.”
A
salvação de povos que nunca ouviram falar de Cristo permanece um mistério, mas
se Deus não condena inocentes, e sempre age com imparcialidade, e quer que
todos sejam salvos, eu creio firmemente nessa seção, embora os mecanismos
teológicos, a explicação de como isso acontece, não estejam tão claros na
Escritura a meu ver.
Assim, também, na ordem de Deus a
destruir totalmente os cananeus, a vida deles na terra foi terminada, mas provavelmente
alguns poucos (falo dos bebês, pelo menos) foram admitidos à vida eterna, e os
injustos, que já iriam à condenação eterna, simplesmente foram antes da hora
que esperavam. Quando Deus interrompe a vida de alguém aqui na terra, isso não
quer dizer que irá mudar o seu destino eterno. Se Deus recolhe algum jovem, por
exemplo, o destino dele traçado já durante sua vida pelas suas escolhas simplesmente
é alcançado antes do tempo em que ele esperava. Não há injustiça da parte de
Deus, que dá a vida e tira a vida quando quer. Porém, se muitos rejeitam a
Palavra, não importa se morrerão jovens ou velhos, se a condenação permanece.
Importa viver o hoje, e hoje se converter dos maus caminhos, para que, ainda
que Deus recolha jovem [Estêvão e Tiago], idoso de morte não natural [Pedro e
Paulo] ou de morte natural [João], esteja na multidão celeste adorando a Deus
na outra vida. A nossa vida é de poucos anos, mas a eternidade é para sempre. Imagine um “trilhão” de anos, com alegria, adoração e
novidades todos os dias que Deus nos surpreenderá (se for uma eternidade
contínua). E se for um momento de plenitude infinita, sem ter um tempo corrido,
imagine viver, no céu (quando falamos céu queremos dizer “novos céus e nova
terra”), modelando o espaço-tempo como bem entender com a capacidade que Deus
deu! Amém. Esta vida é um “teste” a todos, e Cristo venceu, e Nele somos mais
do que vencedores. E esta é a vitória que
vence o mundo, a nossa fé. 1Jo 5.4.
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