domingo, 23 de agosto de 2026

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8 As Setenta Semanas de Daniel

Vamos analisar as setenta semanas de Daniel 9, reveladas pelo anjo Gabriel em visão. É necessário conhecer um pouco de história do primeiro século, da época de Jesus, sobre o qual falam os versículos que contêm a menção das setenta semanas de Daniel. Passaram-se quase 2000 anos desde a época da qual a visão de Daniel 9 fala, que é a época de Jesus, e muito ficou esquecido pelos cristãos do Século XXI.

Daniel 9:24-27 fala sobre setenta semanas (sendo cada uma de sete anos judaicos), um período importante para os judeus, povo de Deus da época, para acabar com os pecados deles, e trazer o messias, o Cristo. Esse mesmo trecho fala que depois da morte do messias viria um príncipe maligno e que destruiria Jerusalém.

Daniel 9:24,25,26a Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém [1], até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas [2]; as ruas e o muro [1] se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias [3]...

Existem três variantes sobre qual data marca o início das 70 semanas: o decreto de Ciro em 538 a.C., o de Artaxerxes I em Esdras 7 em 457 a.C. e o de Artaxerxes I para Neemias em 444 a.C. Para resolver isso basta ver que Daniel cita “as ruas e o muro se reedificarão”: vendo Neemias 2 (o último dos decretos acima, um complementando o outro), pode-se ver que o decreto para Jerusalém com as ruas e o muro [1] serem edificados é com Neemias 2.1-8,13 com o rei Artaxerxes I (o muro estava destruído até a época de Neemias).

Então, o anjo profetiza sobre sessenta e nove semanas (sete mais sessenta e duas, 483 anos proféticos [2]) desde a ordem para edificar Jerusalém [1], que cf. Neemias 2.1-8 foi em 5 de março de 444 a.C. (1º dia do mês de Nissan, ou Abibe nas nossas bíblias) quando o rei Artaxerxes da Pérsia permitiu e decretou que os judeus reconstruíssem a cidade de Jerusalém, as ruas e o muro até o distante período da morte de Cristo [3]. Sessenta e nove semanas judaicas (69x7) são 483 anos judaicos, pois cada semana judaica vale 7 anos.

 

Ano Profético da Escritura

Embora o calendário judaico desde a antiguidade fosse lunissolar, e os meses fossem estritamente contados com base nas fases da Lua (começando com a observação física da lua nova), o ano era ajustado ao ciclo solar e agrícola para que as festividades religiosas caíssem sempre nas mesmas estações do ano (como a Páscoa na primavera), ou seja, os meses tinham 29 ou 30 dias, dependendo do ciclo da lua. De acordo com Altein, Yehuda (2026), 17 Fatos do Calendário Judaico, “Os anos judaicos podem ter 353, 354 ou 356 dias (ou num ano bissexto, 383, 384 ou 385 dias). O Primeiro Ano Durou Apenas Cinco Dias.”

Porém, como o ano profético é estimado e calculado em 360 dias nesta interpretação da profecia de acordo com a subseção seguinte, consideramos no estudo o calendário judaico profético como lunar de 30 dias/mês e 360 dias/ano, ou seja, um ano foi justamente identificado nesta obra como um ano profético de 360 dias pois cremos que Deus através do anjo Gabriel queria que essa profecia fosse diretamente entendida e calculada sem muito esforço a fim de esperar a aparição pública do Messias.

 

Base bíblica para o ano profético ter 360 dias, ou seja, 12 meses de 30 dias

 

A Bíblia relaciona o período de “tempo, tempos e metade de um tempo”, como um ano, dois anos e metade de um ano (somados são 3 anos e meio, 3,5 anos). Esse é o mesmo período bíblico de quarenta e dois meses (3,5 anos vezes 12 meses/ano = 42 meses). Esse também é o mesmo período bíblico de mil duzentos e sessenta dias (42 meses vezes 30 dias/mês = 1260 dias). Consequentemente chegamos à conclusão que o ano para a contagem das profecias de Daniel e Apocalipse é o ano lunar, o ano com 12 meses de 30 dias, totalizando 360 dias:

Apocalipse 11.1 E foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo, e disse: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram. 2 E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses. 3 E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco.

Apocalipse 12.14 E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.

Daniel 7.25 E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo.

Daniel 12.7 E ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, o qual levantou ao céu a sua mão direita e a sua mão esquerda, e jurou por aquele que vive eternamente que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo, e quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas.

Daniel 9.27 E ele firmará aliança com muitos por uma semana [7 anos]; e na metade da semana [3 anos e meio] fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.

Apocalipse 13.5 E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses.

Apocalipse 12.6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

 

De Daniel ao Messias

1. Portanto, pelo calendário adotado para a profecia de Daniel, no qual um ano tem 360 dias (30 dias x 12 meses/ano) e, considerados cada ano profético, temos que 69 semanas judaicas são 483 anos x 360 dias/ano = 173.880 dias.

2. E como é diferente da nossa contagem que é baseada no calendário solar (aprox. 365.2422 dias/ano – 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos), temos que, no nosso calendário (solar), um ano tem aproximadamente 365,2422 dias.

3. Portanto, 173.880 dias da profecia de Daniel (483 anos proféticos de 360 dias cada) dividido por 365,242199 dias/ano solar totaliza 476,06766 anos atuais, que é igual a 476 anos e 24,7 dias (quase 25 dias).

4. Assim, a partir do início da primeira semana de Daniel, em 5 de março de 444 a.C. (ordem do rei Artaxerxes para Neemias), mais 476 anos temos cinco de março do ano 33 d.C. Contando os dias agora: 5 de março de 33 d.C. mais 25 dias temos 30 de março do ano 33 d.C. para o Messias aparecer publicamente e ser reconhecido, e foi exatamente nesse dia que Jesus iniciou sua entrada triunfal em Jerusalém (Mateus 21:1-17; Marcos 11:1-11; Lucas 19:29-40; João 12:12-19), e era a segunda-feira anterior à Páscoa (João 12.1,12) considerando a cronologia adotada nesta obra, pois o dia judaico iniciava-se no pôr do sol anterior.

5. Concluímos que a profecia de Daniel concernente ao Messias se cumpriu na íntegra, pois foram 476 anos e 24 dias e algumas horas para que Jesus se apresentasse publicamente como o verdadeiro Rei dos Judeus, montado num jumentinho (e mais quatro dias para Sua morte, que ocorreu na sexta-feira, dia 3 de abril de 33 d.C.) conforme Daniel 9.26a. Amém.

 

Agora falaremos acerca da última semana de Daniel, a semana número setenta.

Daniel 9.26b “e o povo do príncipe [1], que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.

27 E ele firmará aliança com muitos por uma semana [2]; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.”

Esses versos falam de um anticristo que viria depois que o Messias (Cristo) morresse. Essa última semana [2], verso 27, do príncipe romano / anticristo [1], cremos que está separada da semana sessenta e nove. Favor ler o capítulo até o final para entender. Por quê? Veja “e o povo do príncipe, que há de vir...”: Por que o anjo falou “que há de vir?”, não é já óbvio que a profecia é para muitos anos no futuro? Portanto, o anjo quis dizer que, depois do fim da semana número 69 (33 d.C. com a conta que fizemos em Daniel), levaria algum tempo mais até o cumprimento do início da semana número 70 de Daniel, a saber, que se cumpriu em 66 d.C. (aprox. 40 anos – uma geração depois do início do ministério de Cristo).

Se tomarmos como base que, de fato, Cristo morreu em 3 de abril de 33 d.C., como foi provado por várias fontes (inclusive não cristãs, mas que não cabe colocar aqui, pelo espaço ser reduzido), e dias antes de morrer falou que o templo ou santuário [3] seria derrubado em até uma geração (até 40 anos segundo a Bíblia cf. Hb 3.9-10) em Mateus 24.2,34, temos: 33 d.C. + 37 anos = 70 d.C. para a destruição do templo (e 33 d.C. + 40 anos = 73 d.C. para o fim da última semana de Daniel). Portanto, o anticristo fez uma aliança de uma semana com muitos entre 66 d.C. e 73 d.C., e na metade da semana (70 d.C.), nos 3 anos e meio (1260 dias ou 42 meses), destruiu o templo judaico! As profecias de Cristo e de Daniel se encaixam e se cumpriram em sua totalidade.

Daniel 9.26b “e o povo do príncipe [Romano, anticristo], que há de vir, destruirá a cidade e o santuário [3], e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.27 E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício [4] e a oblação [5]; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.”

O verso 26 e 27, na realidade, falam de um príncipe que havia de vir depois que o Messias fosse cortado. Esse é um anticristo que destruiria a cidade de Jerusalém, e o santuário, que é o templo judaico. Ele faria aliança com muitos por sete anos (uma semana), e na metade da semana (3 anos e meio), acabaria com o sacrifício [4] de animais por oblação do pecado (oblação [5] é ato de fazer uma oferta a Deus) da parte dos judeus.

Para quem não sabe, isso – essa última semana de Daniel (7 anos) – se cumpriu na Primeira Guerra Judaico-Romana de sete anos (66 d.C. – 73 d.C.), na qual o templo judaico foi destruído em 70 d.C., ou seja, na metade da semana (“3 anos e meio depois de 66 d.C., ou 1260 dias, 42 meses ou tempo (1 ano), tempos (2 anos) e metade de um tempo (meio ano): 3,5 anos” de Apocalipse e Daniel), cumprindo-se assim exatamente a profecia do Senhor.

Ver a fonte “History of Information(2024): (Primeira Guerra Judaico-Romana) The First Jewish-Roman War Ends with the Destruction of the Second Temple, 66 – 73 d.C.). Disponível em: <https://historyofinformation.com/detail.php?id=12>. Acesso em: mar. 2024.

Alguns dizem que o príncipe que havia de vir era Cristo. Porém, pode-se ver que o povo do príncipe destruiria a cidade e o santuário (v. 26). A história mostra que não foi Israel (povo de Cristo) que destruiu Jerusalém com seu próprio santuário, mas foi o Império Romano (o príncipe Tito) que destruiu o templo e o santuário judaico em 70 d.C.

Daniel 12:11,12 E desde o tempo em que o sacrifício contínuo for tirado [1], e posta a abominação desoladora, haverá mil duzentos e noventa dias. Bem-aventurado o que espera [2] e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias.

Como uma semana judaica é de sete anos, e falamos dos primeiros 3,5 anos (que são também 1260 dias ou 42 meses de Daniel e Apocalipse em diversos lugares da Bíblia), vamos falar dos últimos 3,5 anos, apenas citados nesse capítulo: Daniel 12.11,12, que diz que depois que o templo fosse destruído (sem mais sacrifício contínuo de animais [1]), ou seja, depois de 70 d.C., haveria mais 1290 dias de guerra, de desolação (1290 dias são 43 meses, aproximadamente 3 anos e meio também). 70 d.C. mais 1290 dias totaliza o fim da semana de Daniel 9, 73 d.C., 40 anos após a morte de Cristo. Bem-aventurado o que espera [2] a guerra acabar, sobrevive e chega até 1335 dias (44 meses e meio), quando puderam estar em segurança.

Eis uma tabela explicativa:

 

Tabela 5 – Cronologia Daniel – Jesus

 

Ano

Acontecimentos Bíblicos e Históricos

Decreto para reconstruir Jerusalém, as ruas e o muro de Artaxerxes I

5 de março de 444 a.C.

Daniel 9.25 conforme Neemias 2.1-8, que fala do vigésimo ano do rei Artaxerxes I (que reinou de 465 a.C. a 424 a.C., sendo o primeiro ano o ano da ascensão segundo o costume Persa, e não conta). Portanto o 21º ano a partir de 465 a.C. fica em 5 de março de 444 a.C., onde iniciam-se as setenta semanas de Daniel 9.

476 anos solares depois (483 anos judaicos depois ou 69 semanas de 7 anos judaicos cada)

33 d.C.

Depois de 69 semanas judaicas (hoje em dia, 476 anos e 25 dias) Jesus iniciou sua entrada triunfal em Jerusalém (segunda-feira, 30 de março de 33 d.C.). Também é o ano em que Jesus profetizou que não passaria uma geração (Mateus 24.34; segundo o Antigo Testamento, uma geração era de 40 anos) sem que tudo o que Ele previu em Mateus 24.1-35 e Lucas 21 se cumprisse (incluindo a destruição de Jerusalém e do templo, separação dos escolhidos (poupados da guerra), sinais nos céus, dispersão dos judeus pelo mundo e abolição da antiga aliança) e também é o ano preciso da crucificação de Jesus, que morreu em 3 de abril de 33 d.C.

A desolação viria até 40 anos (uma geração) após o sermão escatológico de Jesus Cristo

70 d.C.

Jerusalém, Judeia e templo destruídos pelo anticristo e general Tito, o chifre pequeno (11º) que viria depois dos 10 chifres (reis) de Daniel 7.8 e Daniel 7.21 (diante do qual três reis/imperadores foram arrancados/mortos no ano dos 4 imperadores (68/69 d.C., Galba, Otto e Vitélio) - e Tito, filho de Vespasiano, foi futuramente o 11º imperador romano cf. contagem de Josefo, que considerava o primeiro regente sendo Júlio César, e não Augusto). Tito trouxe, enquanto general, a abominação desoladora de Daniel 9.27, no meio da semana judaica de 7 anos (3,5 anos/42 meses (soma de [2] tempos (anos), um tempo (ano) e metade de um tempo (meio ano))) da primeira guerra judaico-romana de 66-73 d.C. conforme a história e a Bíblia mostram.

Fim da Tribulação, guerra ou massacre de 7 anos sobre os judeus que crucificaram Jesus

73 d.C.

Término da primeira guerra judaico-romana exatos 40 anos após a morte de Cristo (e término da semana número 70 de Daniel 9, a última). Josefo disse "que nenhuma outra cidade jamais sofreu tais misérias, nem qualquer época gerou uma geração mais frutífera de iniquidade do que esta desde o princípio do mundo." Daniel 12 diz: "e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro."

Evento Celeste

70 d.C. até a eternidade

A nova aliança tornou-se a única aliança depois da destruição do templo judaico (se construírem um terceiro templo judaico não mudará nada) no qual o Senhor aboliu a oblação/oferta e sacrifício contínuo de animais (Dn 9.27), aceitando somente o de Cristo para sempre conforme Hebreus. O Filho do homem (Jesus) assentou-se no trono do ancião de dias (Deus Pai), cujo reino, inaugurado na Cruz, tornou-se pleno sobre todos os impérios do mundo (Daniel 7.12-14; 2.44, Apocalipse 11.15). Os santos possuíram o Reino com Jesus no Paraíso, ou seja, já reinam com Cristo após a morte depois de 70 d.C. (Daniel 7.21-22, 26-27, Apocalipse 20.4).

 

Transcrição da Tabela

 

Em 5 de março de 444 a.C. (Decreto para reconstruir Jerusalém, as ruas e o muro de Artaxerxes I), ocorreu: “Daniel 9.25 conforme Neemias 2.1-8, que fala do vigésimo ano do rei Artaxerxes I (que reinou de 465 a.C. a 424 a.C., sendo o primeiro ano o ano da ascensão segundo o costume Persa, e não conta). Portanto o 21º ano a partir de 465 a.C. fica em 5 de março de 444 a.C., onde iniciam-se as setenta semanas de Daniel 9.

 

Em 33 d.C. (476 anos solares depois – 483 anos judaicos depois ou 69 semanas de 7 anos judaicos cada), ocorreu: “Depois de 69 semanas judaicas (hoje em dia, 476 anos e 25 dias) Jesus iniciou sua entrada triunfal em Jerusalém (segunda-feira, 30 de março de 33 d.C.). Também é o ano em que Jesus profetizou que não passaria uma geração (Mateus 24.34; segundo o Antigo Testamento, uma geração era de 40 anos) sem que tudo o que Ele previu em Mateus 24.1-35 e Lucas 21 se cumprisse (incluindo a destruição de Jerusalém e do templo, separação dos escolhidos (poupados da guerra), sinais nos céus, dispersão dos judeus pelo mundo e abolição da antiga aliança) e também é o ano preciso da crucificação de Jesus, que morreu em 3 de abril de 33 d.C.

 

Em 70 d.C. (A desolação viria até 40 anos (uma geração) após o sermão escatológico de Jesus Cristo), ocorreu: “Jerusalém, Judeia e templo destruídos pelo anticristo e general Tito, o chifre pequeno (11º) que viria depois dos 10 chifres (reis) de Daniel 7.8 e Daniel 7.21 (diante do qual três reis/imperadores foram arrancados/mortos no ano dos 4 imperadores (68/69 d.C., Galba, Otto e Vitélio) - e Tito, filho de Vespasiano, foi futuramente o 11º imperador romano cf. contagem de Josefo, que considerava o primeiro regente sendo Júlio César, e não Augusto). Tito trouxe, enquanto general, a abominação desoladora de Daniel 9.27, no meio da semana judaica de 7 anos (3,5 anos/42 meses (soma de [2] tempos (anos), um tempo (ano) e metade de um tempo (meio ano))) da primeira guerra judaico-romana de 66-73 d.C. conforme a história e a Bíblia mostram.”

 

Em 73 d.C. (Fim da Tribulação, guerra ou massacre de 7 anos sobre os judeus que crucificaram Jesus), ocorreu: “Término da primeira guerra judaico-romana exatos 40 anos após a morte de Cristo (e término da semana número 70 de Daniel 9, a última). Josefo disse "que nenhuma outra cidade jamais sofreu tais misérias, nem qualquer época gerou uma geração mais frutífera de iniquidade do que esta desde o princípio do mundo." Daniel 12 diz: ‘e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro.’

 

Desde 70 d.C. até a eternidade (Evento Celeste), ocorreu: “A nova aliança tornou-se a única aliança depois da destruição do templo judaico (se construírem um terceiro templo judaico não mudará nada) no qual o Senhor aboliu a oblação/oferta e sacrifício contínuo de animais (Dn 9.27), aceitando somente o de Cristo para sempre conforme Hebreus. O Filho do homem (Jesus) assentou-se no trono do ancião de dias (Deus Pai), cujo reino, inaugurado na Cruz, tornou-se pleno sobre todos os impérios do mundo (Daniel 7.12-14; 2.44, Apocalipse 11.15). Os santos possuíram o Reino com Jesus no Paraíso, ou seja, já reinam com Cristo após a morte depois de 70 d.C. (Daniel 7.21-22, 26-27, Apocalipse 20.4).

 

Conclusão: A profecia de Deus enviada a Daniel se cumpriu integralmente, tanto é que as profecias de Cristo e de Daniel se encaixam, pois Deus é fiel e verdadeiro e cumpre suas promessas no Seu tempo com perfeição, de acordo com sua vontade que é boa, perfeita e agradável! Glória a Deus. Amém.

 

Fundamentação Histórica e Exegética da Separação Correspondente a Quase uma Geração de 40 Anos (cf. Mt 24.34; Hb 3.9–10) entre a 69ª Semana (33 d.C.) e a 70ª Semana de Daniel 9.25–27 (66–73 d.C.)

 

Apresento-lhes diversas citações de fundamentação para a Escatologia apresentada, especialmente concernente às profecias de Daniel e de Cristo.

Todas as traduções de obras em língua inglesa nesta seção são do autor.

 

Fundamento para a contagem até a aparição pública do Messias

 

Hoehner (1977, p. 115–139) calcula o ponto de partida (terminus a quo) das setenta semanas. Segundo o cálculo de Hoehner, o ponto de partida é 1º de Nisã (5 de março) de 444 a.C. [...] Multiplicando as sessenta e nove semanas por sete anos e depois por 360 dias [o ano profético bíblico], obtém-se exatamente 173.880 dias. [...] Entre 5 de março de 444 a.C. e 30 de março de 33 d.C. transcorrem 476 anos solares e 25 dias, totalizando os mesmos 173.880 dias. O ponto final (terminus ad quem) da sexagésima nona semana ocorreu no próprio dia da Entrada Triunfal de Cristo em 30 de março de 33 d.C. Como predito em Zacarias 9.9, Cristo apresentou-se publicamente a Israel como o Messias e Rei pela última vez, e a multidão dos discípulos bradou em alta voz citando o salmo messiânico: 'Bendito o Rei que vem em nome do Senhor!' (Sl 118.26; Mt 21.9; Lc 19.38). Poucos dias depois, na sexta-feira, 14 de Nisã (3 de abril de 33 d.C.), o Messias foi cortado na crucificação.

HOEHNER, Harold W. Chronological Aspects of the Life of Christ. Grand Rapids, MI: Zondervan, 1977. 176 p. (Capítulo VI: Daniel's Seventy Weeks, p. 115–139).

 

Lacuna entre a Semana 69 (aparição pública do Messias) e a Semana 70

 

Jordan apresenta como possibilidade alternativa à abordagem tradicional uma lacuna de 36–37 anos do final da semana 69 para o início da 70, em uma construção cronológica muito próxima à proposta nesta escatologia:

O versículo 26 afirma claramente que o Messias é eliminado após a 62ª (= 69ª) semana. Isso remete ao ano 30 d.C. Assim, se as 70 Semanas de fato incluem a destruição de Jerusalém em 70 d.C., devemos estabelecer um intervalo de 36 a 37 anos entre a 69ª e a 70ª semana (30–66 d.C.). A 70ª semana corresponderia aos anos de 67 a 73 d.C., com a destruição do templo ocorrendo na metade da semana. Um intervalo não é algo tão desarrazoado quanto parece, pois o livro de Atos e as epístolas fornecem informações cronológicas a partir do ano 30 d.C. em diante. Dessa forma, a lacuna é preenchida. A cronologia não é, na verdade, interrompida, pois as 69 semanas nos conduzem de Ciro a Cristo, Atos nos leva até pouco antes da destruição de Jerusalém, e a primeira metade da 70ª semana nos leva ao ano 70 d.C. Contudo, Atos não cobre totalmente esse período e — quem desejaria um intervalo se pudesse evitá-lo?

JORDAN, James B. Bridging the Last Gap: Daniel's Seventy Weeks Revisited. Biblical Chronology, Niceville, FL, v. 4, n. 11, p. 1-4, nov. 1992. Disponível em: <https://theopolisinstitute.com/bridging-the-last-gap-daniels-seventy-weeks-revisited/>. Acesso em: 3 de agosto de 2026.

 

Identificação do Príncipe de Daniel 9.26-27 com Tito

 

A identificação do príncipe romano de Daniel 9.26 com Tito possui precedente explícito já nas notas da Bíblia de Genebra. Comentando a expressão “o povo do príncipe que há de vir”, a anotação de Daniel 9.26 afirma:

“Isto significa Tito, filho de Vespasiano, que viria e destruiria tanto o Templo quanto o povo, sem qualquer esperança de recuperação.

Bíblia de Genebra. Nota sobre Daniel 9.26. 1599.

 

Nas Annotations upon the Holy Bible, iniciadas por Matthew Poole e continuadas após sua morte por outros teólogos, William Cooper, responsável pelo comentário de Daniel, também relacionou expressamente Daniel 9.26 a Tito. Ao explicar “o povo do príncipe que há de vir”, escreveu:

“O povo do príncipe que há de vir: os romanos sob a condução de Tito Vespasiano.”

POOLE, Matthew. Annotations upon the Holy Bible. Vol. II. London, 1685. Comentário de Daniel 9.26-27.

 

Septuagésima Semana Separada da 69ª

 

O bispo anglicano William Lloyd, em sua obra de 1690 sobre as setenta semanas. Depois de calcular as sete mais sessenta e duas semanas, Lloyd escreveu: Depois das VII e LXII semanas de Daniel será acrescentada a semana única, para completar as LXX.”

Lloyd calcula que as 69 semanas terminariam em 32 d.C., pouco antes da morte de Cristo, que situa em 3 de abril de 33 d.C. Mais adiante, ao relacionar a profecia ao período apostólico, sustenta que a última semana não começa imediatamente após as 69 anteriores, mas apenas no período em que termina a história narrada em Atos, conectando essa última semana ao processo que culminaria na destruição de Jerusalém. Temos, portanto, no século XVII, um precedente explícito para 69 semanas, em seguida o Messias, depois intervalo, em seguida a semana final ligada ao juízo sobre Jerusalém.

LLOYD, William. An Exposition of the Prophecy of Seventy Weeks, Which God Sent to Daniel by the Angel Gabriel, Dan. IX.24–27. London, 1690.

 

Benjamin Marshall, desenvolvendo e defendendo a hipótese de William Lloyd, foi ainda mais explícito. O próprio título de sua obra de 1725 declara que nela seria demonstrada:

“a destruição de Jerusalém pelos romanos, na LXXª, ou semana única separada, no sentido literal, óbvio e primário.”

MARSHALL, Benjamin. A Chronological Treatise upon the Seventy Weeks of Daniel. London: James Knapton, 1725, 280 p.

 

Metade da Semana Identificada com o Período de 67-70 d.C., Culminando na Tomada de Jerusalém por Tito

 

Isaac Newton, em sua interpretação de Daniel 9, relacionou diretamente a metade de uma semana à guerra romana contra os judeus. Ao explicar Daniel 9.27, datou esse período historicamente:

[Daniel 9.27]“começou [...] em 67 d.C. [...] quando Vespasiano [...] os invadiu; e terminou [...] em 70 d.C. [...] quando Tito tomou a cidade.”

NEWTON, Isaac. Observations upon the Prophecies of Daniel, and the Apocalypse of St. John. London, 1733. Parte I, cap. X, Of the Prophecy of the Seventy Weeks.

 

Lacuna aproximada à deste livro

 

John Gill apresenta um dos precedentes mais explícitos para um verdadeiro intervalo entre as 69 semanas e a semana final. Comentando Daniel 9.27, afirma que essa última semana: deve começar no sexagésimo terceiro ano [...] cerca de trinta anos após o término das sessenta e nove semanas.”Gill prossegue explicando que essa semana terminaria em 70 d.C., “no qual ocorreu a destruição de Jerusalém”, e reconhece que, naturalmente, esperar-se-ia que a semana começasse imediatamente após as 69 anteriores. Por isso, explica expressamente a razão de ela estar separada delas, atribuindo esse intervalo à longanimidade e tolerância de Deus para com o povo judeu antes do juízo final sobre Jerusalém. Portanto, em Gill temos inequivocamente 69 semanas, e em seguida, cerca de trinta anos de intervalo, e depois a última semana, que culmina na destruição de Jerusalém em 70 d.C.

GILL, John. An Exposition of the Old Testament. Comentário sobre Daniel 9.27. 1748-1763.

 

Clarke Registra uma Interpretação com Espaço de 37 Anos e Identifica Tito como o Príncipe

 

O metodista Adam Clarke é interessante porque preserva dois elementos dessa tradição interpretativa. Primeiro, relata que alguns intérpretes admitiam que: o espaço intermediário de trinta e sete anos [...] é passado por alto”. Clarke está se referindo ao período entre a morte de Cristo e a destruição de Jerusalém, mencionando expressamente uma interpretação na qual metade da última semana é relacionada à destruição efetuada por Tito. Embora Clarke prefira a interpretação de Prideaux para a própria semana, ao comentar Daniel 9.26 ele é categórico quanto à identidade do príncipe: Pelo ‘príncipe’, Tito, filho de Vespasiano, é claramente indicado.

CLARKE, Adam. The Holy Bible, Containing the Old and New Testaments, with a Commentary and Critical Notes. Comentário sobre Daniel 9.26-27.

 

Início da Primeira Guerra Judaico-Romana

 

Eclosão da Primeira Guerra Judaico-Romana (66 d.C.).

JOSEFO, Flávio. Guerras dos Judeus, Livro II, 17.2.

 

Participação de tropas auxiliares fornecidas por reis aliados de Roma, entre eles Antíoco, Agripa, Soemo e Malco.

JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus: Guerras dos Judeus. Tradução de Vicente Pedroso. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. Cf. Guerras dos Judeus, Livro III, 4.2.

 

Louvado seja o Senhor!

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