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5.1
Espírito Santo
Cremos
no Espírito Santo de Deus (Mt 28.19), que é Deus (Atos 5.3-4). O Espírito aplica
em nós a salvação conquistada por Jesus através do novo nascimento (nos faz
nascer de novo), uma só vez (João 3.3-8). Já adiantando, o novo nascimento,
nascer do alto ou nascer de novo é chamado também de regeneração, obra do
Espírito: Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a
sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do
Espírito Santo (Tito 3:5). O ato de regeneração, aspecto essencial de
salvação (às vezes visto como sinônimo da salvação), ocorre, conforme Romanos
10.9, quando confiamos no Senhor Jesus Cristo para a nossa salvação (melhor explicado na seção 10.4 Efeitos da Salvação
Divina), o que geralmente não é instantâneo, mas é pelo contato com a
Palavra que vem a fé salvadora, e por meio do relacionamento pessoal com Cristo
pelo Espírito. Detalhe, neste livro,
especialmente nesse capítulo, ao falar de ‘regeneração plena’ refiro-me à
habitação permanente do Espírito em todos os crentes segundo a nova aliança (Jo
7.39; At 2; 1Co 12.13), sem negar que o Espírito já operava de modo salvífico
na antiga aliança, mas de modo não pleno, não permanente, não universal.
O Espírito Santo convence o mundo do pecado, da
justiça e do juízo (Jo 16.8). Também dá dons e talentos aos homens (Hb 2.4). O
Espírito Santo convence os homens pela Palavra – Cristo – enviada pelo Pai, e
esses três são um (1Jo 5.7). O Espírito sela (Ef 1.13) todos os crentes
verdadeiros para o dia da redenção final, habitando nos seus corações e os
guiando. É o Consolador (Jo 14.16), o Espírito de Cristo (Rom 8.9), o Espírito
de vida (Rm 8.11) e de verdade (João 16.13) que habita em nós e que não nos deixou
órfãos, que procede do Pai e é enviado pelo Filho (deste modo procedendo do Pai
e do Filho, mas, como disse Agostinho, procede principalmente do Pai).
Como somos habitação do Espírito Santo, somos
chamados de templo, morada ou santuário do Espírito Santo. Nossos corpos são
templo ou morada do Espírito Santo individualmente, e também somos templo do
Espírito em conjunto com nossos irmãos (em comunidade) cf. Efésios 2.21-22, 1Co
3.16, 1Co 6.19, 2Co 6.16.
O
Espírito é uma Pessoa, e não uma força ativa, nem um sentimento: gosto muito
desse trecho de João 16.13-15, que mostra um relacionamento pessoal do Filho e
do Pai com a Pessoa do Espírito (13 Mas,
quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade;
porque não falará de si mesmo, mas [o Espírito Santo] dirá tudo o que
tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. 14 Ele me glorificará, porque
[Ele, o Espírito Santo] há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.
15 Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que [o Espírito Santo] há
de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar).
Continuando, o Espírito Santo não abandona um
nascido de Deus. O nascido de Deus sabe que é nascido de Deus pelo Espírito
Santo (Rom 8.16). O nascido de Deus produz o fruto do
Espírito de Amor em amor ao próximo e a Deus (Rm 5.5) em certa medida,
chamado assim em Gl 5.22, porque vem através do Espírito Santo a todo aquele
que está em Cristo (Jo 15.5), e todo aquele que está em Cristo ouve e
compreende a palavra (Mt 13.23), e produz fruto perfeito, seja cem, sessenta ou
trinta (Mt 13.8)! Ele tem ciúmes de nós (Tiago 4.5), nos cercando com Seu amor
quando erramos! O Espírito é o Espírito de Santificação: nos dá forças para
deixarmos o pecado com suas obras da carne (Gl 5.19-21), cobiças e paixões,
para andar em Espírito (Gl 5.16), de acordo com a vontade de Deus, ou seja,
fazendo o bem, andando em santidade (Gl 5.22-23), separado para Deus. Além
disso, o Espírito testifica de Cristo – da sua divindade (Jo 15.26, Atos 18.5),
do seu batismo nas águas (Jo 1.32, Mt 20.22) e da sua morte pelo seu sangue
(1Jo 5.6, 1Jo 5.8).
Primeiramente, ressaltamos que cremos na atualidade
de todos os dons espirituais, pois sou testemunha viva do poder de Deus. De
acordo com a sã hermenêutica ou exegese, vemos que é um equívoco falar que
Batismo no Espírito (o que os pentecostais falam que é uma segunda bênção) é
diferente de Batismo com o Espírito ou ser batizado em um Espírito (o que seria
ser batizado no Corpo de Cristo), só porque muda a preposição (palavra que liga
Batismo e Espírito). É muito próximo de falar que o Espírito de Deus, o Espírito
de Cristo, o Espírito Santo e o Espírito de Santificação são diferentes.
João Batista, em Mateus 3.11 (E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas
aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno
de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo), fala de dois
batismos, um de arrependimento com água (antes da fundação da Igreja, em
Pentecostes), e outro com o Espírito Santo e fogo (operando após a fundação da
Igreja, em Pentecostes). Sabe-se que foi em Pentecoste ao ler Atos 2.
Complementando, Paulo, em 1Coríntios 12.13, afirma: Pois todos nós fomos batizados em um
Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer
livres, e todos temos bebido de um Espírito.
Juntando
os dois versos, em Pentecostes (que ocorreu o batismo com o Espírito Santo e
com fogo), o Batismo em um / no / com o Espírito Santo fez os crentes formarem
um Corpo, o Corpo de Cristo – em Pentecostes foi fundada a Igreja de Cristo.
Outra coisa que Paulo afirma é que todos os que
formaram um corpo (Igreja) têm bebido do Espírito Santo (1Co 12.13), ou
seja, provaram o dom do Espírito Santo! Assim, todo nascido de novo
experimentou a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12.2). Desta
forma, todo salvo é, em certa medida, cheio do Espírito Santo
conforme a vontade de Deus, batizado no Espírito Santo (que é o mesmo, pela
Escritura, de ser batizado no Corpo de Cristo), recebeu dons de Deus – ainda
que talvez não sejam dons que se manifestam externamente, ou ainda que sejam
dons ainda não manifestos (1Co 12.7 Mas a “manifestação” do Espírito
é dada a cada um, para o que for útil - veja que o Espírito usou a palavra manifestação)!
Além
disso, nem toda pessoa que sente o Espírito Santo e seus dons, e nem todos os
que são usados esses dons espirituais são salvos de verdade, ou seja, nem todos
praticam o fruto do Espírito Santo, evidência do novo nascimento! Assim não
nasceram de novo, mas Deus pode lhes ter concedido dons sem que isso implique
regeneração segundo o contato com a Palavra e o Espírito para um propósito
Soberano nas suas vidas, em que, conforme a citação de Bunyan adiante (parágrafo
303: Vi, portanto, que
aquele que possui os dons precisa ser levado a reconhecer a natureza deles...), quem tem dons deve ser levado a
reconhecer a natureza deles e se render a Cristo!
Versos que mostram que Deus enche do Seu Espírito
Santo pessoas até mesmo antes da regeneração:
1. 1Coríntios 13.1-2 (Ainda que eu falasse as
línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa
ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse
todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira
tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria): os dois
versos, cada um separadamente, dão diversos exemplos hipotéticos de pessoas
revestidas de poder pelo Espírito Santo (pessoas que falaram línguas dos anjos
e dos homens sem amor; pessoas que profetizaram sem amor; pessoas com dons de
Palavra da sabedoria e conhecimento; pessoas com fé para milagres), que não
possuem amor, não praticam o fruto do Espírito (Gálatas 5.22, Efésios 5.9);
2. Hebreus 6.4-6 (Porque é impossível que os que
já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram
participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus, e as
virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para
arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus,
e o expõem ao vitupério) mostra um exemplo de pessoas que receberam dons
espirituais pela capacitação sobrenatural da graça preveniente do Espírito
Santo (iluminados, dom celestial, Palavra de Deus, virtudes do século futuro),
mas que mesmo assim não alcançaram a salvação/novo nascimento, mas resistiram
ao Espírito Santo que os queria converter, santificar e regenerar por Cristo,
ou seja, recaíram! Depois de conhecer a justiça de Deus (Romanos 1.32), ao
pisar no Filho de Deus, a pessoa não é renovada para arrependimento, mas é
entregue a si mesma (Romanos 1.24-25). Essa pessoa apostatou da fé que possuía,
mas nunca foi salva, pois a fé não era uma fé justificadora. Mostrou que, por
sua própria culpa, pelo seu próprio coração mau, essa pessoa pereceu.
3.
Mateus 7.21-23 (Nem todo o que me diz: Senhor,
Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que
está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos
nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos
muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci;
apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade) mostra pessoas
revestidas de poder, que expulsaram demônios e profetizaram, sendo condenadas
ao inferno por não praticarem a vontade de Deus onde, apesar de terem tido dons
espirituais, o Senhor nunca as conheceu, pois eles resistiram a Deus: os homens
amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más (Jo
3.19).
4. Judas Iscariotes é um exemplo também de pessoa
que operou milagre verdadeiro sem ser nascida de novo. Balaão profetizou acerca
de Cristo (uma estrela virá de Jacó, e um cetro de Israel), mas suas
obras não eram retas, e foi condenado como falso profeta: fez os israelitas
pecarem com as midianitas (Judas 1; Ap 2:14).
O
Espírito Santo não segue um padrão nas Escrituras ao mostrar que alguém é cheio
do Espírito Santo ou revestido de poder, seja antes da regeneração, seja
imediatamente na regeneração / novo nascimento, mas Ele faz como quer, pois é
Soberano. Já quando Deus manifesta os dons dados por Ele, o que pode
ocorrer antes ou depois da regeneração (independente da regeneração), há uns
que sentem o coração pulsando ou aquecido, outros falam em línguas, outros tem
visões, outros uma grande alegria, e assim por diante.
Matthew Henry
(1706),
embora fosse cessassionista, admitia em seu comentário que pessoas não salvas
também manifestavam dons espirituais (Hebreus 6:4-6): “Eles podem se tornar
participantes do Espírito Santo, isto é, de seus dons extraordinários e
milagrosos; eles podem ter expulsado demônios em nome de Cristo e feito muitas
outras obras poderosas. Esses dons na era apostólica às vezes eram concedidos
àqueles que não tinham a verdadeira graça salvadora.” (“They may be made partakers of the Holy
Ghost, that is, of his extraordinary and miraculous gifts; they may have
cast out devils in the name of Christ, and done many other mighty works. Such
gifts in the apostolic age were sometimes bestowed upon those who had no true saving grace.”).
Já John
Bunyan, em sua biografia, Graça Abundante (2013), nos parágrafos 297-305 (págs. 126-128), fala das pessoas que possuem
dons de Deus, mas carecem de graça salvadora.
Baseado em 1Co 13.1,2:
297. [...] Um ou outro
trecho notável da Palavra se apresenta diante de mim, contendo alguma frase
penetrante e aguda a respeito do perecimento da alma, sem considerar dons e
talentos; por exemplo, este tem sido de grande utilidade para mim: “Ainda
que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o
sino que ressoa ou como o prato que retine” (1Coríntios 13.1,2).
298. Um prato que
retine é um instrumento com o qual um músico talentoso pode produzir uma
melodia tão comovente que mal se contêm de dançar todos os que o ouvem tocar.
Mesmo assim, veja, o prato não tem vida e a música não vem dele, mas da arte
daquele que o toca. Assim, o instrumento pode acabar e perecer, ainda que, no
passado, tal música se tenha gerado nele.
299. É exatamente assim
que, segundo vi, ocorrerá com os que têm dons, mas carecem da graça salvadora.
Estão nas mãos de Cristo, como o prato nas mãos de Davi; e, assim como Davi
podia, com o prato, produzir aquela alegria no culto a Deus, elevando o coração
dos adoradores, assim também Cristo pode usar esses homens talentosos para com
eles alcançar a alma do povo em sua igreja; mas, depois que ele terminar tudo,
os encostará, como que sem vida, ainda que pratos capazes de retinir.
300. Essa consideração,
portanto, junto com algumas outras, foram, em grande parte, como uma martelada
na cabeça do orgulho e do desejo de vanglória. Como eu me orgulharia de ser um
prato que retine? É grande coisa ser um violino? A menor criatura que possui
vida não tem mais de Deus do que esses objetos? Além disso, eu sabia, o amor é
que nunca deve morrer, mas essas coisas devem cessar e desaparecer. Assim,
concluí que um pouco de graça, um pouco de amor, um pouco de verdadeiro temor
de Deus são melhores que todos esses dons. Sim, e estou plenamente convencido
disto, que é possível para uma alma que mal consegue dar uma resposta a alguém,
senão com grande confusão quanto ao método, afirmo ser possível a esta ter mil
vezes mais graça e assim estar mais no amor e favor do Senhor do que alguns
que, em virtude do dom ou conhecimento, podem expressar-se como anjos.
301. Assim, portanto,
percebi que, ainda que os dons em si fossem bons para o fim ao qual se
destinavam, ou seja, a edificação dos outros, eram por si ainda vazios e
impotentes para salvar a alma daquele que os possui; também não eram, como
tais, nenhum sinal da condição feliz de um homem, mas apenas uma dispensação de
Deus para alguns, de cujo desenvolvimento ou não desenvolvimento precisam,
depois de seguirem mais um pouco, prestar contas àquele que está pronto para
julgar os vivos e os mortos.
302. Isto também me mostrou que os dons
sozinhos eram perigosos, não em si, mas por causa dos males que acompanham os
que os possuem, a saber: orgulho, desejo de vanglória, presunção etc., tudo o
que é facilmente inflado com os aplausos e os elogios de todo cristão
desavisado, ameaçando uma pobre criatura de cair na condenação do Diabo.
303. Vi, portanto, que
aquele que possui os dons precisa ser levado a reconhecer a natureza deles; a
saber: que eles não conseguem colocá-lo na verdadeira condição de salvo, para
que não descanse neles e assim não alcance a graça de Deus.
304. Ele também precisa
andar humildemente com Deus e não ser grande aos próprios olhos e lembrar-se
ademais de que seus dons não são seus, mas da igreja; e de quem, por meio
deles, ele é feito servo para a igreja; e de que, no fim, deve prestar contas de
sua mordomia ao Senhor Jesus; e de que apresentar um bom relato será algo
bendito.
305. Que todos os
homens, portanto, valorizem o pouco com o temor do Senhor. Dons, de fato, são
desejáveis, mas grande graça e pequenos dons são melhores do que grandes dons e
nenhuma graça. Não se diz que o Senhor concede dons e glória, mas que concede
graça e glória; e bendito é aquele a quem o Senhor concede graça, verdadeira
graça, pois ela é com certeza a precursora da glória.
Bunyan, John (2013).
Além de tudo isso, devemos sim por toda a nossa vida
buscar os dons de Deus para servi-lo melhor, sendo cada vez mais capacitados por Deus,
granjeando talentos ou dons, para cada vez ficarmos mais parecidos à imagem de
nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso não existe um só enchimento de poder na
vida de uma pessoa, por exemplo, um só revestimento de poder ou, na ‘língua
pentecostal’ um só batismo no Espírito Santo, mas o Senhor nos abençoa e quer
que cresçamos continuamente.
Concluindo, o batismo no Espírito Santo nos faz ser
membros do Corpo de Cristo na regeneração, no qual cada membro possui um
diferente dom. Acerca da manifestação dos dons (1Co 12.7), Deus manifesta em nós os seus dons quando a
sua Soberana vontade bem entender, para o seu bom propósito, seja antes ou
depois do novo nascimento.
Falemos, não da aliança Deus-homem das obras (também
chamada de aliança da criação) no Éden, mas da aliança da graça de Deus com a
humanidade em suas formas: A antiga aliança, a aliança feita por intermédio de
Moisés, e a nova aliança, feita pelo Sangue de Cristo:
Hebreus 8.8b Eis que virão dias, diz o Senhor, Em
que com a casa de Israel e com a casa de Judá estabelecerei uma nova aliança [em
Cristo], 9 Não segundo a aliança que fiz com seus pais [Alianças
anteriores] no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do
Egito; Como não permaneceram naquela minha aliança, [Israel pecou e Deus
nos deu uma nova aliança] Eu para eles não atentei, diz o Senhor. 10 Porque
esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o
Senhor; Porei as minhas leis no seu entendimento, E em seu coração as
escreverei; E eu lhes serei por Deus, E eles me serão por povo; 11 E não
ensinará cada um a seu próximo, Nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o
Senhor; Porque todos me conhecerão, Desde o menor deles até ao maior. 12 Porque
serei misericordioso para com suas iniquidades, E de seus pecados e de suas
prevaricações não me lembrarei mais. 13 Dizendo nova aliança, envelheceu a
primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar.
O escritor de Hebreus continua falando da nova
aliança no capítulo seguinte:
Hebreus
9.11 Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos
bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo [do que o
tabernáculo feito por Moisés], não feito por mãos, isto é, não desta
criação, 12 Nem por sangue de bodes e bezerros [na antiga aliança o sangue
dos animais era o meio de santificação cerimonial das pessoas], mas por seu
próprio sangue [sangue de Jesus, do Cordeiro de Deus], entrou uma vez no
santuário, havendo efetuado uma eterna redenção [um eterno resgate]. 13
Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida
sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, 14 Quanto mais o
sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a
Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao
Deus vivo? 15 E por isso é Mediador de um novo testamento [nova aliança],
para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo
do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna.
Como as pessoas eram salvas na antiga aliança, de
Deus com os judeus? Eram salvas pela fé, assim como nós. Mas como?
Gênesis 15.6 E creu ele [Abraão] no
Senhor, e imputou-lhe isto por justiça.
Abraão
foi o pai de sangue dos judeus, e é o pai de todos os que creem em Cristo
também (melhor explicado na seção “12.17 Acerca
do Povo de Deus. O Israel de Deus”, ou veja o meu comentário abreviado da epístola
de Paulo de Romanos), que seguem nas pisadas do pai Abraão. Por quê? Porque
Abraão foi salvo quando creu no Senhor (verso acima), e o Senhor lhe
justificou.
A justificação, ato de salvação, em sua natureza, é
igual no AT e no NT: Como diz Davi no Salmo 32.1,2, bem-aventurado o homem a
quem o Senhor não imputa o pecado, bem-aventurado aquele cujo pecado é coberto;
e Abraão, em Gênesis 15, creu, e isso lhe foi imputado por justiça: esses são
os dois lados da justificação em todas as épocas: pela fé o Senhor não nos
imputa nosso pecado, mas sim a justiça Dele a nós, declarando-nos justos frente
ao juízo do tribunal divino que todos terão que passar. Isso não quer dizer que
nos tornamos em nós mesmos justos, pois esse outro aspecto (que por natureza é
ligada à justificação) é a santificação, que é gradativa – na verdade, o
justificado é em si mesmo pecador, não é justo de si mesmo! Seremos totalmente
justos e santos (sem pecado) no Céu. Deste modo, somos declarados justos não
pela nossa justiça, pelos nossos bons feitos, mas pela justiça de Deus em
Cristo (Deus nos considera justos diante Dele – ainda que continuemos sendo
pecadores – como se cumpríssemos toda a lei de Deus, feito realizado apenas por
Cristo)! Não é nosso mérito. O mérito é de Cristo, conquistado em Sua vida e
morte, Ele é o Salvador! Deus imputa a justiça de Cristo ao que crê, por graça
e bondade, pelo favor imerecido e amor! Romanos 4.5 NVT Contudo, ninguém é
considerado justo com base em seu trabalho [boas obras/feitos], mas sim
por meio de sua fé em Deus, que declara justos os pecadores. Corrobora
nisso 2Co 5.21 (NVI) Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado,
para que nele nos tornássemos justiça de Deus.
Neste quesito, Abraão, por volta de 2100 a.C., foi
salvo pela fé, como nós também somos salvos ou justificados (é um sinônimo de
salvação) hoje.
Portanto, todos os verdadeiros salvos do Antigo
Testamento foram salvos pela fé, assim como Abraão creu em Gênesis 15.
Hebreus 11.2 Porque por ela [pela fé] os
antigos alcançaram testemunho.
Qual a diferença do processo de salvação de um salvo
do Antigo Testamento até pentecoste (Atos 2), e de um salvo depois de
Pentecoste (que é a época da Igreja de Cristo)? Entenda, estou querendo
perguntar qual a diferença de um salvo na antiga aliança e na nova aliança.
Primeiro, a nova aliança foi instituída pela morte e
ressurreição de Cristo, porque foi pelo sangue de Jesus vertido na cruz.
Jeremias, antes de Cristo, sob a antiga aliança,
profetizou acerca da época de Jesus, que na nova aliança Deus seria o nosso
Deus, e nós seríamos o povo de Deus.
Jeremias
31.33 Mas esta é a aliança que farei com a casa
de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu
interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e
eles serão o meu povo.
João 20.17 Disse-lhe Jesus: Não me detenhas,
porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu
subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
Quando Jesus ressuscitou, ele instituiu essa nova
aliança profetizada por Jeremias, que nós somos, como Cristo, filhos de Deus
Pai (no caso somos adotados e ele é legítimo), e povo de Deus.
Mas qual a diferença entre um salvo do AT e um do
NT?
Na antiga aliança, Deuteronômio 30.6 diz “E o
SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua semente, para
amares ao SENHOR, teu Deus, com todo o coração e com toda a tua alma, para que
vivas.”
Isso mostra que na antiga aliança os salvos
justificados pela fé também eram em certa medida transformados, em certa medida
regenerados, em certa medida tinham contato com o Espírito Santo que convence
do pecado, justiça e juízo, mas não era algo pleno a ponto de serem chamados
templo do Espírito Santo, nem nascidos da água e do Espírito como na nova
aliança.
A diferença é esta, a plenitude do Espírito Santo:
João 7.39 E isto disse ele
do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito
Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.
Notou? A diferença é que os santos do Antigo
Testamento, embora salvos como nós pela fé (justificados), não receberam o
Espírito Santo como habitação permanente no sentido da nova aliança. Na antiga
aliança, embora seja evidente que possuíam um novo coração no Senhor, não
desfrutavam dessa regeneração de forma plena como ocorre na nova aliança:
A Bíblia
de Estudo Pentecostal (1995, p. 1613) diz que, antes da regeneração, os discípulos [exceto Judas!] eram
verdadeiros crentes em Cristo segundo os preceitos do antigo concerto [antiga
aliança]. Porém, eles [como os santos do AT] não eram plenamente
regenerados no sentido da nova aliança.
Isso
tudo digo porque a fase apostólica era uma
transição da antiga para a nova aliança: Quem já era salvo pela fé na época de
Jesus (Jesus disse para muitos: tua fé te salvou), ou seja, quem já era
justificado (antiga aliança), nasceu de novo plenamente e permanentemente de
pentecoste (Atos 2) em diante (nova aliança): receberam o Espírito Santo e os
seus mais ricos dons, foram regenerados. Portanto, na nova aliança somos tanto
justificados como plenamente regenerados.
Pedro, quando negou a Jesus,
embora salvo / justificado pela fé nos moldes do Antigo Testamento (vós
[11 apóstolos] já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado Jo
15.3), não era ainda nascido de novo como ficaria sendo após receber o Espírito
em João 20 (pelo menos com a plenitude da nova aliança) quando negou a Jesus,
pois Jesus ainda não havia dado o Espírito Santo (João 7.39), mas ele era
justificado pela fé como Jesus falava aos outros: tua fé te salvou. Quando
Jesus disse que Pedro o negaria, disse também: quando te converteres [quando
houver se convertido / restaurado, fato que levou à plenitude do Espírito em
Pentecostes na nova aliança], fortalece teus irmãos (Lucas 22.31-32). Pedro
nasceu de novo (plenamente) depois da ressurreição quando recebeu o Espírito
Santo, e o crente justificado e nascido de novo (salvo da nova aliança), em
comparação com o salvo da antiga aliança, não nega a Jesus, não é natural, pois
tem a semente de Deus de 1João 3. Além disso, 1João 2.23 diz, na nova aliança,
“Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que
confessa o Filho, tem também o Pai.”; Ezequiel 36.26-27 diz que Deus na
nova aliança nos transformaria interiormente por inteiro no novo nascimento:
“E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e
tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E
porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e
guardeis os meus juízos, e os observeis.”; Jeremias 32.40 fala que o
nascido de novo teme a Deus: “E farei com eles uma aliança eterna de não me
desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que
nunca se apartem de mim.”
Recapitulando, uma promessa na nova aliança era o derramamento
do Espírito Santo [1] a todos os que creem, através da regeneração. Jesus
falou:
Atos 1.5: Porque,
na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com
o Espírito Santo [1], não muito depois destes dias.
Paulo complementa Lucas (que é o escritor de Atos
dos Apóstolos) dizendo:
1Coríntios 12.13: Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo [1], quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos
bebido de um Espírito.
Quem é o corpo de Cristo? A Igreja:
Colossenses 1:24 Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha
carne cumpro o resto das aflições de Cristo [1], pelo seu corpo, que é a igreja;
Concluímos que o batismo no Espírito Santo, que
ocorreu em Pentecoste (Atos 2.1) formou um Corpo, o Corpo de Cristo!
Portanto, instituiu-se o Corpo de Cristo, que é a
Igreja, em Pentecoste, quando o Espírito Santo veio para ser derramado
permanentemente nela. Deste modo, todo salvo, na nova aliança (depois de
pentecoste) é templo do Espírito Santo.
5.4
O Batismo no Espírito Santo e o Revestimento de Poder
A expressão “revestidos de poder” encontra-se
em Lucas:
Lucas 24:49 E
eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na
cidade de Jerusalém, até que do alto
sejais revestidos de poder.
Isso se cumpriu também em
pentecoste, pois os discípulos, quando receberam o Espírito em Atos 2, estavam
em Jerusalém.
O
que é revestimento de poder? Significa recebimento de dons espirituais (que vão
ainda manifestar ou já são manifestos). Poder: dons, autoridade, virtude etc.
Enfim, como o Espírito Santo entrou nos discípulos,
formando a Igreja, um Corpo, também sabemos que somos membros do Corpo.
Paulo diz que cada membro tem algum dom. O que quer
dizer? Que cada membro do corpo de Cristo, cada irmão, cada crente possui algum
dom de Deus, porque é membro do Corpo:
Romanos 12.4 Porque assim como em um corpo temos
muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, 5 Assim nós, que
somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros
uns dos outros. 6 De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é
dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé;
Se você perceber, verá nestes versos acima,
claramente, que cada membro do Corpo de Cristo tem algum dom espiritual! Cada
salvo já possui dons de Deus, mesmo que talvez ainda não manifestos.
Portanto, todos os salvos, que foram regenerados
(batizados no Espírito), são também revestidos de poder através de dons
espirituais. Não estou falando, entretanto, que já sejam automaticamente
capacitados para evangelizar como missionários.
Batismo no Espírito Santo = Regeneração, novo
nascimento. Todo salvo é regenerado, tanto é que regeneração é um sinônimo de
salvação.
Revestimento de Poder = recebimento de dons de Deus.
Todo salvo é, em certa medida, revestido de poder também, ainda que os dons não
sejam ainda manifestos!
Porém, como dito na introdução deste capítulo, há
alguns que são revestidos de poder, mas não batizados no Espírito Santo, ou
seja, simplesmente quero dizer que possuem dons, mas não são ainda salvos. O
Espírito Santo está chamando essa alma para a salvação através dos dons de
Deus, para livrá-la do mal, para que ela se renda a Cristo. Como disse Bunyan,
os dons não podem colocá-lo na condição de salvo, mas é necessário reconhecer a
natureza dos dons...
Continuemos. Hernandes Dias Lopes (2008) também dá a entender que o Batismo no Espírito é Batismo no Corpo de
Cristo, e que junto com ele veio o revestimento de poder, ou seja, Batismo no
Espírito Santo [1] e revestimento de poder [2] não são a mesma coisa, mas este
foi consequência daquele em Pentecoste:
O batismo com o Espírito Santo deu-se no Pentecoste,
quando o Espírito veio para estar para sempre com a igreja. Agora, todos nós
que cremos, somos batizados pelo Espírito Santo, no corpo de Cristo. Com o
batismo do Espírito [1], veio também o revestimento de poder [2].
Bom, Paulo, em Coríntios também (não só em Romanos),
relaciona o Corpo de Cristo com os membros do Corpo, e que cada membro tem
algum dom.
1Co
12.27. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.
28. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo
lugar profetas, em terceiro doutores, depois
milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.
O Catecismo
de Heidelberg (1563), no ponto 55, fala sobre isso:
Como você entende as palavras: “a comunhão dos
santos”?
R. Primeiro, entendo que todos os crentes, juntos e
cada um por si, tem, como membros, comunhão com Cristo, o Senhor, e todos os
seus ricos dons (Rm 8.32, 1Co 6.17, 1Co 12.12,13, 1Jo 1.3). Segundo: que todos
devem sentir-se obrigados a usar seus dons com vontade e alegria para o bem dos
outros membros (1Co 12.21; 1Co 13.1-7; Fp 2.2-5).
Assim, em Pentecostes, todos os discípulos e
apóstolos foram recebidos no Corpo de Cristo como membros (cuja cabeça é
Cristo) através do batismo no Espírito Santo, que é também o batismo no Corpo
de Cristo (algo como, em linguagem popular, ingresso no Corpo de Cristo, uma
vez que a pessoa é imergida/submersa (batismo) no Espírito). Eles foram
regenerados (receberam um novo Espírito e um novo coração) e foram cheios do
Espírito Santo (Atos 2.4).
Obviamente, quando Ezequiel diz que na nova aliança
nós receberíamos um novo coração (retirando o coração de pedra para colocar um
de carne), isso quer dizer acerca do nosso interior, de uma transformação a
sermos cada vez mais parecidos com Cristo Jesus (Filipenses 2.5-11). Quando
Ezequiel diz que receberíamos também um novo espírito, não está dizendo acerca
da nossa alma ou espírito imaterial, mas que receberíamos o Espírito Santo e
sua capacitação!
Para finalizar, vale lembrar de Atos 2:16 e Joel 2:
O que ocorreu em Pentecoste foi cumprimento de uma profecia do Senhor a Joel:
At
2.16 [Pedro falando] Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel
(Joel 2.28):
17. E nos
últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda
a carne [1]; E os vossos filhos e
as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos
velhos sonharão sonhos;
18. E
também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e sobre as minhas
servas [2] naqueles dias, e profetizarão;
Podemos
ver que em Atos 2.17, Pedro citando Joel fala que os dons do Espírito Santo
seriam dados sobre toda a carne - gentios[1], e sabemos que o Espírito chega a
todo aquele que o invocar, porém não habita no mundo segundo João 14:17.
Falo acerca de dons aqui por causa do final do verso acima (profetizarão,
sonhos, visões).
No
verso seguinte, em Atos 2.18, Pedro, também citando Joel, pregou que os meus
servos e minhas servas que, pensando na época de Joel, eram os judeus[2], que também estavam incluídos nas
promessas dos dons. Aconteceu assim que todos os apóstolos, discípulos e
seguidores de Jesus (os primeiros crentes eram judeus) foram cheios do Espírito
Santo, revestidos de poder, ou seja, virtude.
Obviamente o dom do Espírito Santo chegou para os
gentios (todos os povos que não são judeus) apenas depois do episódio de
Cornélio (Atos 10).
Falando
de judeus e gentios, é interessante colocar que Adams (2000) coloca que “Pedro, como recebeu as chaves do reino dos
céus (Mateus 16.17-19), abriu a porta
tanto para judeus em Pentecostes como para gentios na casa de Cornélio”, ou seja, Pedro foi o apóstolo
utilizado para que a Igreja (com judeus e gentios) como um todo fosse edificada
sobre a pedra, que é Cristo. Cristo é a pedra ou rocha pelas próprias palavras
de Pedro (1Pe 2.4-8).
Voltando ao assunto, vale lembrar, como dito, que
uma pessoa com dons de Deus não necessariamente já creu no Senhor para sua
salvação (Lucas 1.15, 1Coríntios 13.1-2, Hebreus 6.4-6, Mateus 7.21-23).
Uma nota final nesta seção deve ser colocada: Há
alguns grupos que dizem que os dons que os não regenerados receberam (Mt
7.21-23; Hb 6.4-6) não vieram de Deus, mas dos demônios. Ainda que, sim, os
demônios possam raramente fazer algo miraculoso, como enfermar alguém, não é
essa a questão aqui. Creio que o Espírito Santo realmente quer que todos sejam
salvos e dá dons a muitos para eventualmente conduzi-los a tal, como enunciou
John Bunyan e como dá a entender Matthew Henry. Se alguém fala que esse dom é
do diabo, não é isso um tipo de ofensa contra o Espírito Santo? Não é perigoso
afirmar tal sentença? Portanto, fiquemos na humildade e vigiemos.
5.5 Aplicação para nós hoje, depois
de Pentecostes
A nova aliança já foi instituída, e a Igreja foi
fundada. Todo aquele que entrega verdadeiramente sua vida a Jesus tem os seus
pecados perdoados, é justificado, é nascido de novo (regenerado), também
batizado no Espírito Santo no Corpo de Cristo – Igreja invisível; fica fazendo
parte da nova aliança pelo sangue de Jesus; recebe dons de Deus e virtude do
Espírito Santo na regeneração-salvação (mesmo que os dons ainda não sejam
manifestos, o que é comum); e é selado com o Espírito Santo para que não deixe
de ser propriedade de Deus, pois foi comprado pelo Filho, e para que alcance a
vida eterna no fim da vida, quando o Senhor o buscar. Vale ressaltar que a
verdadeira fé é evidenciada exteriormente por mudança de vida e por frutos de
arrependimento, e pelo fruto do Espírito. Algumas vezes é fácil saber se uma
pessoa é salva ou não, observando seu caráter e seu testemunho. Aquele que ama [com amor de natureza semelhante ao de 1Co 13] a Deus e a seu próximo é nascido de Deus e
conhece a Deus (1Jo 4.7).
Ainda que o salvo receba dons de
Deus na regeneração (revestimento de poder), ou antes da regeneração, ele deve
buscar ser mais revestido de poder durante a sua vida (ex. autoridade para
expulsar demônios em jejum e oração – não é qualquer crente salvo que os
expulsa), buscando mais dons de Deus (1Co 12.31, 14.1) em oração para melhor
servi-lo na preparação de Deus Pai, dando mais frutos ligado a Cristo pelo
Espírito que santifica e capacita.
Deste modo, como a vida cristã é um aperfeiçoamento
contínuo, o apóstolo Pedro, na sua segunda epístola, no capítulo primeiro, nos
informa sobre um princípio para o nascido de novo, que escapou da corrupção,
corrupção esta que pela concupiscência [desejo carnal] há no mundo:
2Pedro
1.3-11 Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida
e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude;
Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por
elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção,
que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a
diligência [esforço], [depois de ter recebido a fé] acrescentai à
vossa fé a virtude [poder], e à virtude o conhecimento [pela Bíblia], e
ao conhecimento a temperança [moderação], e à temperança a paciência, e
à paciência a piedade [segundo Calvino (2018) piedade designa a
atitude correta de um homem para com Deus – é uma atitude que inclui
conhecimento verdadeiro, adoração sincera, fé salvadora, temor filial,
submissão e amor reverentes], e à piedade o amor
fraternal [amor entre irmãos], e ao amor fraternal o amor [amor no
seu mais alto grau]. Porque, se em vós houver e abundarem
estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento
de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é
cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos
pecados. Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e
eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será
amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo.
Assim, não importam tanto assim os dons espirituais em
comparação com o fruto, com o temor a Deus. Nunca devemos estagnar na fé, nem
buscar apenas os dons, pois os dons são apenas uma parcela da vida cristã. Ao
salvo, que ele cresça na fé. Crescendo na fé, busque poder. Alcançou poder em
oração, alcance um profundo conhecimento pela Palavra de Deus. Alcançou
conhecimento, busque produzir um fruto do Espírito mais doce (moderação,
paciência, misericórdia, amor fraternal e amor ágape).
Deste modo Pedro fala que a vida cristã, depois do
novo nascimento, é uma caminhada em que se pode crescer, e crescer muito! E o
final deste crescimento não é o poder (dons), mas o fruto do Espírito que é em
amor! E o maior em amor foi nosso Senhor, que disse: amai-vos uns aos outros
assim como eu vos amei. Amém.
Primeiramente, selecionei raciocínios de fontes
assembleanas somente, e não de outras denominações pentecostais. Por isso não
escrevi “como defendida pelos Pentecostais”, pois as interpretações podem
divergir. Enfim, começo este estudo deixando três afirmações das Assembleias de
Deus:
“No batismo no
Espírito Santo, conforme as Escrituras, que nos é dado por Jesus Cristo,
demonstrado pela evidência física do falar em outras línguas, conforme a sua
vontade (At 1.5; 2.4; 10.44-46; 19.1-7);” CPAD: CREMOS (2019).
“O falar
em línguas é a evidência inicial desse batismo, mas somente a evidência
inicial, pois há evidência contínua da presença especial do Espírito como o
“fruto do Espírito” (Gl 5.22) e a manifestação dos dons.”; (Declaração de Fé
das Assembleias de Deus, Cap. XIX, 2016).
[O
batismo no Espírito Santo] “significa o recebimento de poder espiritual para
realizar a obra da expansão do Evangelho em todo o mundo, para uma vida cristã
vitoriosa e também uma adoração mais profunda.”
(Declaração de Fé
das Assembleias de Deus, Cap. XIX, 2016).
Batismo no Espírito Santo com evidência de falar em
línguas. Eu creio que é possível uma pessoa ser revestida de poder e falar em
línguas como sinal de que manifestou algum dom do Espírito (mesmo que não tenha
recebido especificamente o dom de línguas, mas só falou como sinal, uma única
vez), mas não se pode fazer disso uma regra. Creio que o Espírito Santo é
soberano e pode fazer de outras maneiras também. Adiante veremos que é um pouco
mais complicado do que isso o assunto que será abordado.
Enfim, muitas denominações se dividem acerca do
batismo no Espírito Santo, se é batismo no Corpo de Cristo no momento da
salvação (1Co 12.13), ou um ‘revestimento de poder’ após a salvação, conforme
Atos 2.
O que não deve ser ignorado é que o Espírito Santo,
que é Soberano, pode revestir de dons espirituais e de autoridade pessoas ainda
não nascidas de novo, para que seus corações sejam quebrantados e para que elas
se rendam a Cristo.
Mateus 7.22-23 indica que o Espírito Santo
distribuiu dons de profecia, de operação de maravilhas e deu autoridade para
expulsar demônios para pessoas que foram condenadas ao inferno, e que nunca
foram salvas (nunca vos conheci).
Mt 7.22-23 Muitos
me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em
teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que
praticais a iniquidade.
O
que ocorre é que se o Espírito Santo às vezes reveste pessoas com os seus dons,
e se elas pensarem que foram batizadas no Espírito Santo, falarem em línguas
etc., elas vão achar que são certamente salvas, mas a realidade não é essa.
Existe uma infinidade de cristãos que possuem dons, falam em línguas, foram
‘batizados no Espírito Santo’, pastores etc., mas não tem uma vida consagrada
de tal maneira que acabam em diversos escândalos contínuos que mancham a
reputação da igreja do Senhor: não produzem o fruto do Espírito. Estes
contradizem essa confissão de fé das ADs (Assembleias de Deus), que diz que o
irmão batizado no Espírito Santo mostra “evidência contínua da presença
especial do Espírito como o “fruto do Espírito” (Gl 5.22)” Declaração de Fé das Assembleias de Deus
(Cap. XIX, 2016);
O nascido de novo produz o fruto do Espírito Santo
de Gálatas cap. 5. Dons não são sinais de salvação. Se um assembleano batizado
recebeu os dons de línguas, ele achará que já foi salvo, sendo que, às vezes,
não foi! John Bunyan recebeu dons de Deus antes de receber a salvação! John
Wesley era pastor e não era salvo! Lutero era sincero, dedicado a Deus,
pregador, e mesmo assim demorou em ser justificado pela fé.
Não há na Escritura: “Falou em línguas é salvo”;
“Dons são sinal de salvação”, que são o raciocínio claro de se crer que o
“Batismo no Espírito Santo” se dá apenas durante ou após a conversão, e que as
línguas são sempre sinal exterior desse batismo. Porém, os versos acima de
Mateus 7 falam que existem aqueles que possuíam dons espirituais e nunca foram
salvos! Palavras de Jesus. O que diz a Escritura: árvore boa dá bons frutos
(Mateus 7); Quem é nascido de Deus não permanece na prática do pecado; Quem
permanece na prática do pecado não o viu nem o conheceu (1Jo 3.6,9). Amados,
amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer
que ama é nascido de Deus e conhece a Deus (1Jo 4.7), ou
seja, o nascido de Deus, tenha dom espiritual aparente ou não, produz o fruto
do Espírito Santo de Gálatas 5 (amor, alegria, bondade, benignidade,
longanimidade, fé, paz, domínio próprio, mansidão) em certa medida. Este é o
critério. Se alguém tem dons de línguas e profecia, e não anda em amor, ou
permanece na prática do pecado continuamente, não pode ser considerado nascido
de novo! Este é um perigo, considerar irmão e confiar muito em quem ainda está
no processo de conversão, que ainda não deixou tudo para seguir o Senhor (Lc
14.33), que ainda não confia no Senhor inteiramente para a salvação, ainda que
tenha exteriormente aceitado a Jesus na igreja e se batizado, sendo considerado
irmão apenas por causa de seus dons espirituais e frequência na igreja sem
levar em conta os seus frutos.
Portanto, podem existir muitos não nascidos de novo
achando que são crentes, como certamente existem, apenas porque foram à frente
aceitar a Jesus, sendo que muitas vezes, a pessoa foi aceitar a Jesus, porém
nem ainda orou a Deus, confessando arrependimento e fé, mas apenas o pastor fez
uma oração! Às vezes, nem sabe que é pecador! Às vezes, nem que Jesus é Deus! E
vai para casa achando-se salva, pois o pastor falou que Deus escreveu seu nome
nos céus. Pode ficar dez anos neste estado, indo à igreja, achando-se salvo,
mas se não renunciar tudo (o que Deus requer) não pode ser meu discípulo (Lc
14.33), disse Jesus. Assim, surgem brigas entre irmãos acerca de cargos na
igreja, inimizades em que irmãos não se falam mais dentro da igreja; muitos não
são nascidos de novo, mas foram domesticados. Às vezes, saem do álcool, mas
continuam com ódio. Às vezes, se casam com a namorada (pois antes eram
amasiados), mas continuam com inimizades, contendas e heresias: não há
conversão. Como disse certo pregador: Tantas igrejas, e tão poucos crentes.
Se a evidência de falar em línguas como sinal
inicial para o batismo no Espírito Santo é uma regra, por que a Escritura não
diz que Paulo falou em línguas quando recebeu o Espírito Santo?
Além
disso, ensinar um cristianismo de duas categorias, como cristãos normais/comuns
e cristãos batizados no Espírito/cheios do Espírito (sendo as duas categorias
pessoas consideradas nascidas de novo) provoca danos à igreja, e isto ainda
mais se um irmão buscou a vida inteira o batismo no Espírito Santo com
evidência de línguas, mas nunca falou em línguas. Conclusão: esse irmão deve
achar que não é cheio do Espírito Santo, que não é digno, e que não pode ser
missionário ou pregar a Palavra adequadamente apenas porque não falou em
línguas! Imagine se essa teologia estiver errada, como creio, e se as línguas
na realidade nunca foram sinais do batismo no Espírito Santo para todos
os salvos? A “AD”, com essa doutrina, conclamando a buscar o poder de Deus,
pode colocar muitos crentes verdadeiros que não falaram em línguas em crise! E
se o Espírito Santo não quis dar o dom para ele, mas deu outro dom? Paulo disse
“Falam todos diversas línguas?” (1Co 12.30). Tal
verso mostra que nem todos falam em línguas durante suas vidas, o que quer
dizer que para alguns crentes que estão na AD essa teologia, se for errada,
coloca um fardo em seus ombros, como se não fossem espirituais o suficiente,
nem cheios do Espírito Santo, nem dignos disso para Deus.
[O
batismo no Espírito Santo] “significa o recebimento de poder espiritual para
realizar a obra da expansão do Evangelho em todo o mundo, para uma vida cristã
vitoriosa e também uma adoração mais profunda.”
Declaração de Fé
das Assembleias de Deus, Cap. XIX, 2016.
Se crermos nesta afirmação do credo das assembleias
de Deus, consequentemente quem nunca falou em línguas não tem uma vida cristã
vitoriosa e nem uma adoração profunda como aqueles que são ‘batizados no
Espírito Santo’. Que fardo aos ombros dos membros pentecostais que ainda não
falaram em línguas!
Porém,
as pessoas em geral sabem quais são os seus dons depois de alguns anos de
conversão. A realidade é que muitos sabem (como muitos batistas renovados /
avivados) que não há, na grande maioria das vezes, evidência externa de falar
em línguas de que uma pessoa recebeu os dons de Deus, ou, na linguagem
pentecostal, o falar em línguas obrigatório no “batismo no Espírito Santo”.
Alguns recebem e manifestam o dom de visão, outros de profecia, outros de
pregação, oração, línguas, ensino, exercitar misericórdia etc., mas o Espírito
Santo é Soberano e manifesta os dons quando, como e onde quer!
A doutrina do batismo no Espírito Santo como
revestimento de poder recebido uma única vez durante a sua vida pode causar
diversos problemas, entre eles, a não necessidade de buscar mais os dons de
Deus, ficar acomodado, achar que já é espiritual o suficiente, todavia, Deus
reveste os seus de poder pouco a pouco, não é algo derramado e manifestado uma
só vez, como escrito por Pedro em sua carta, 2Pe 4.11, raciocínio encontrado na
seção anterior.
É verdade que existem três casos na Bíblia em Atos
dos Apóstolos em que pessoas falaram em línguas quando receberam o dom do
Espírito Santo (At 2.4; 10.44-46; 19.1-7). Porém, pode-se cuidadosamente notar,
em dois desses casos:
1.
Atos 2.4: e todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras
línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Este verso
indica que um grande acontecimento ocorreu no dia de Pentecostes: O Espírito
Santo foi derramado sobre todos os discípulos reunidos. Todos eles também
receberam dons de Deus. Todos eles também manifestaram dons de Deus. Aqueles
que eram salvos pela fé, como os casos em que Jesus havia dito: “a tua fé te
salvou”, receberam o Espírito Santo (porque não haviam recebido o Espírito em
plenitude – era necessário Jesus ascender ao céu para enviar o Espírito Santo: João
7:39 E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele
cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda
Jesus não ter sido glorificado). E para testificar a todos os povos de
Cristo o Espírito manifestou as línguas, servindo, também como sinal visível de
que receberam o Espírito como morada permanente na nova aliança. O período
apostólico (incluindo esse evento de Pentecostes, também inclui-se nisto Apolo
que era batizado apenas no batismo de João etc.) foi um período único, uma
transição da antiga aliança para a nova aliança, em que pessoas já
anteriormente justificadas foram plenamente regeneradas e consequentemente
cheias do Espírito Santo.
2. Em Atos 19.1-7, os discípulos de João Batista,
que eram salvos pela fé, justificados pela fé como o patriarca Abraão (o qual
não recebeu o Espírito Santo como nós segundo evidenciado explicitamente na Bíblia),
nasceram de novo, receberam um novo Espírito como parte da nova aliança, foram
batizados novamente nas águas (pois o batismo de Cristo não se equivale ao
batismo de purificação judaico que João Batista praticava), e foram batizados
pelo Espírito Santo no Corpo de Cristo, quando receberam dons espirituais (pois
cada membro tem algum dom). Estes receberam o dom de línguas e de profecia, e
falaram em línguas, e profetizaram! Se fôssemos criar uma doutrina aqui,
adaptando a doutrina pentecostal, poderíamos dizer que a profecia também
poderia ser um “sinal exterior do batismo no Espírito Santo” baseado em Atos
19.6, o que seria, na realidade, um grande equívoco. Pode-se contornar isso
falando que as línguas podem ser um meio de se profetizar cf. 1Co 12 se houver
intérprete, mas isso claramente não é uma regra, visto que as línguas
geralmente são para edificação própria (1Co 14.4).
Veja o real significado de Atos 2 para nós hoje na
próxima seção.
5.7
O Real Significado de Atos 2 Para Nós Hoje
Para tal, leiamos a mensagem final de Pedro, que
resumiu em seu sermão tudo o que ocorreu naquele evento:
Atos 2:38,39 E
disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de
Jesus Cristo, para perdão dos pecados [1]; e recebereis o dom do
Espírito Santo [2]; Porque a promessa vos diz respeito a vós,
a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso
Senhor chamar.
Tais versículos dizem que, na conversão sincera, com
arrependimento genuíno e fé no Senhor Jesus para perdão dos pecados (na época
apostólica quando uma pessoa cria no Senhor ela era logo batizada [1]), os
pecados de uma pessoa são perdoados e ela recebe a promessa do Espírito Santo e
os seus mais ricos dons [2]. Apenas isso. Pedro falou “arrependei-vos... seja batizado em nome de Jesus Cristo... e recebereis
o dom do Espírito Santo”. TODO aquele que é salvo [1] recebe o dom do
Espírito Santo [2] (promessa do Espírito Santo)! Pedro não falou, por exemplo,
como alguns pentecostais acreditam, que Deus quer dar a todos o “batismo no
Espírito Santo”, mas só os que buscam de todo o coração recebem (o que aqueles
que buscam o Senhor de todo o coração recebem é a salvação conforme Jeremias
29.13 E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso
coração). Pedro afirmou: e recebereis
o dom do Espírito Santo. É uma afirmação, uma certeza de que Deus concede a
todos os fiéis o dom do Espírito Santo. Deste modo, não possui condição alguma,
senão uma entrega, o arrependimento sincero e uma fé – confiança – verdadeira
no Senhor Jesus para a salvação. A consequência imediata de uma fé verdadeira é
uma mudança de vida e a obediência ao batismo, conforme menciona o versículo “seja batizado em nome de Jesus Cristo”.
Vejamos. O Senhor me
iluminou mais um pouco.
1. O Reino de Deus chegou à
terra apenas no ministério de Jesus! “É chegado o Reino dos Céus!”
2. E em João 3 Jesus fala ao
fariseu e sábio da lei Nicodemus que só pode ver o Reino de Deus, que acabou de
chegar na terra, se nascer da água e do Espírito, nascer de novo. Nicodemus era
judeu da antiga aliança e não sabia o que era isso, dando a entender que não
era nascido de novo.
Então, a regeneração plena (novo
nascimento com morada permanente do Espírito em nós) só ocorreu após Cristo ter
sido glorificado, e iniciou-se com os 11 apóstolos, que receberam o Espírito
Santo pelo sopro de Cristo, o que pode ter sido uma antecipação do evento de
Pentecostes a eles. A Igreja, em geral, não recebeu o Espírito Santo antes do
evento de Atos 2 (judeus em Pentecostes), e de Atos 10 (gentios com Cornélio)
etc. (e à medida em que os discípulos de João receberam o evangelho, como
Apolo).
Como dito, o Espírito Santo
só foi dado depois da glorificação de Cristo: João 7.39 E isto disse ele do Espírito que haviam de receber
os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus
não ter sido glorificado.
O que isso quer dizer?
Significa, que os salvos da antiga aliança, que eram justificados como o pai
Abraão nunca nasceram de novo da mesma forma que os salvos da nova aliança após
Pentecoste, porque não era necessário... ficou sendo necessário o novo nascimento
junto com a justificação a partir de Cristo para “entrar e ver o Reino de
Deus”, que havia acabado de chegar, assim como os profetas falaram (por
exemplo, Ezequiel e Joel), que receberíamos um novo Espírito e um novo coração,
e o Espírito seria dado à toda carne. E o Espírito Santo foi dado à Igreja em
Pentecoste (Atos 2), na qual as primícias (primeiros salvos) foram regenerados
pelo Espírito Santo, foram inseridos ao Corpo de Cristo, são agora templo do
Espírito e receberam os mais ricos dons.
Portanto, hoje, aquele que é
salvo recebe o batismo no Espírito Santo no corpo de Cristo (regeneração, novo
nascimento), e também os dons (revestimento de
poder). E o Espírito manifesta quando quer.
Como dito na seção anterior,
Pedro resumiu atos 2 em uma afirmação: “arrependei-vos, sejam batizados em nome
de Jesus para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito, a promessa do
Espírito Santo”. Todo salvo nesta dispensação (nova aliança) é batizado no
Espírito e recebe a promessa do Espírito Santo.
O Batismo no Espírito Santo
é o batismo no Corpo de Cristo, é a certeza da Escritura. Porém, temos que
buscar os dons. Não fique triste se você nunca falou em língua desconhecida,
pois o Espírito Santo distribui os dons como quer, nem todos falam em línguas,
como disse Paulo. Falar em línguas desconhecidas (ou estranhas) não é sinal
obrigatório de revestimento de poder, o Espírito é Soberano: a Escritura não
diz que Paulo falou em línguas quando foi batizado. Quer falar em línguas?
Busque o dom de línguas em oração. Não precisa pedir o batismo no Espírito
Santo, mas o Espírito Santo é tão respeitoso que não se importa se usarmos a
terminologia errada, mas, mesmo assim, derrama os
dons. As igrejas não deviam ser divididas pela doutrina do batismo no Espírito.
Concluindo: 1. O reino de
Deus chegou com Cristo. 2. O novo nascimento é obrigatório para entrar no
Reino. 3. Em Pentecoste os salvos nasceram de novo e entraram no recente Reino,
fundado pela obra de Cristo, e com o mover do Espírito naquele dia também foi
feito um grande avivamento com a salvação de muitas almas. Então, o Batismo no
Espírito Santo é a regeneração (batizados em um Espírito no Corpo de Cristo, e
cada membro do Corpo tem algum dom, manifestados quando o Espírito desejar), e
a Escritura não apoia a doutrina pentecostal de Batismo no Espírito Santo após
o novo nascimento, que evoca, com minhas palavras, que são mais espirituais do
que os outros! Não existe diferença entre salvo e salvo batizado no Espírito
pois todos os salvos são Batizados no/em/com o Espírito Santo no Corpo de
Cristo e todos os salvos possuem algum dom (revestimento de poder).
Concluímos que os reformados, como Matthew Henry e
John Bunyan, corretamente creram que pessoas não nascidas de novo podiam
manifestar dons de Deus. O erro de muitos reformados é o cessacionismo, a
teoria que diz que a totalidade dos dons espirituais só operou no período
apostólico.
Pode-se ver que os pentecostais e reformados
avivados (ou renovados), corretamente creem que os dons operam hoje. Essa linha
é correta e se chama continuísmo.
Além
disso, alguns pentecostais acreditam que falaram em línguas como sinal de que
receberam os dons de Deus, e isso pode mesmo acontecer, mas o Espírito é
Soberano, e derrama os dons como, quando, onde, e do jeito que quer, ou seja,
isso não é uma regra absoluta. Alguns sentem uma grande alegria, outros recebem
visões ou sonhos, enfim, o sinal é conforme o dom de cada um quando o Espírito manifesta
o dom que deu para aquela pessoa em especial:
1Coríntios
12.7 Mas a manifestação do Espírito é
dada a cada um, para o que for útil.
Deste modo, a doutrina proposta nesse livro une a
reformada e a pentecostal, ou seja, os dons operam hoje, porém existem hoje, na
nova aliança, pessoas que possuem dons e não são ainda salvas, mas pecadoras
indo ao inferno até que haja verdadeiro arrependimento e confiança na obra de
Cristo para a salvação.
É importante nos examinarmos perante Deus, se
realmente somos salvos, se realmente andamos em amor. Além de amor, precisamos
analisar se realmente possuímos uma fé inabalável, que vence o mundo (1Jo 5.4),
uma fé salvadora, que é alicerçada na doutrina dos apóstolos (Atos 2.42), sem
se desviar do que a Bíblia diz, como os liberais fazem. Por exemplo,
Será que hoje confio em que Cristo perdoará os meus
pecados e me levará inculpável ao céu, para a eternidade? Será que tenho no meu
coração a fé de que ele já me salvou? Se eu fosse morrer hoje à noite e
comparecesse perante o tribunal de Deus, e se ele me perguntasse por que
haveria de me admitir no céu, será que eu pensaria nas minhas boas ações,
confiando nelas, ou sem hesitar diria que confio nos méritos de Cristo, com
absoluta certeza de que ele é o meu pleno Salvador? Grudem (2010).
Concluímos então, nesse livro que fala de
regeneração e dons espirituais segundo a nova aliança, isto é, batismo no
Espírito Santo e revestimento de poder, que mais excelente que qualquer dom é
um fruto do Espírito doce, perfeito (Lucas 8.14,15), assim como concluiu John
Bunyan na citação da seção 5.2 falando acerca da graça de Deus. O amor é mais
forte que a morte, e sobrepuja quaisquer trevas! Precisamos de dons, mas muito
mais precisamos do fruto do Espírito, cuja característica principal é o amor
verdadeiro a Deus e aos homens, derramado pelo próprio Espírito Santo (Romanos
5.5):
1João 4.7 Aquele que ama a Deus e a seu próximo é
nascido de Deus e conhece a Deus. Amém.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E FORMATAÇÃO ORIGINAL NO PDF ACIMA