sábado, 21 de fevereiro de 2026

4.1.1 Cristo é Eternamente Gerado do Pai? Gerado ou Criado? A Simplicidade de Deus

Daqui a algumas horas corrigirei no PDF o ter pelo receber nessa frase abaixo: "Então ser gerado significa "ter" (ter está errado, é receber) receber a mesma natureza de quem gera."

Graça e paz! Aprimorado 21-fev-26 14h30, horário de Brasília

https://www.mediafire.com/file/ycy0mjv0e4s0lif/21-fev-26_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.pdf/file

4.1.1 Cristo é Eternamente Gerado do Pai? Gerado ou Criado? A Simplicidade de Deus

Continuando a seção “3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais”, eis que há inovações teológicas e filosóficas boas, e inovações danosas à fé. Dois ou três teólogos que respeito negam a geração eterna do Filho pelo Pai na eternidade, falando que: 1. Jesus foi gerado no seu nascimento (O Espírito Santo gerou Jesus pela concepção / encarnação no ventre de Maria); 2. Hb 1.5,6 cf. Sl 2.7, Jesus foi gerado na ressurreição (gerado no sentido de coroado pelo Pai como Rei).

Ainda que esses raciocínios são válidos, por exemplo, saber que Hebreus 1.5,6 foi baseado no Salmo 2, salmo messiânico, no qual fala-se de que Cristo foi ungido Rei, e, de fato, isso é verdade. Isso não quer dizer que, em primeiro lugar, o autor de Hebreus se limita ao significado do Salmo 2 (gerado = coroado), mas o autor de Hebreus pode ter dado um significado mais pleno (releitura cristológica inspirada) ao do Salmo, visto que o profeta que escreveu o Salmo 2 escreveu sem entender como aquilo ocorreria, e talvez até sem compreender a plenitude do que escrevia.

O Credo Niceno, os Credos Primitivos, a grande maioria dos Pais, a grande maioria dos teólogos antigos, a grande maioria dos Reformadores e a grande maioria dos teólogos conservadores de todos os séculos do Cristianismo defendem a geração eterna do Filho.

Mas uma minoria de teólogos nos últimos séculos (especialmente no século vinte), dos quais muitos não enxergam que a geração eterna do Filho está implícita na Bíblia, mas procuram textos claríssimos e explícitos para eles (que não acharam), que talvez não compreendam como se formou o conceito de geração eterna do Pai ao Filho, enfraquecem a Trindade revelada nas Escrituras – que não é mero conceito lógico, mas verdade revelada em Deus – e defendida pelos Pais.

A geração eterna não é baseada em um único texto explícito, mas é baseada em todo o Cânon revelado e inspirado, em passagens que fala das relações intratrinitarianas.

Por exemplo: Hebreus 1 realmente fala da coroação do Filho:

Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem. E, em verdade quanto aos anjos, diz: Que faz dos seus anjos espíritos, e de seus ministros labareda de fogo. Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do teu reino. (Hebreus 1:5-8).

Mas, se a relação de Hebreus 1 (Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito) fosse só relacional, e só a partir da concepção de Cristo, significa que Cristo seria só Filho – e Deus seria só Pai – após a encarnação. Este último raciocínio (espúrio) leva a crer que Deus Pai não era Pai de Jesus Cristo antes de Cristo ser gerado (acima: “introduz no mundo”), mas só Deus (e não Pai) de Jesus, como disse Armínio na seção 3.4.1. E não haveria distinção entre as Pessoas da Trindade antes da encarnação (ou as pessoas se confundem ou haveria três deuses! – heresias dos primeiros séculos do cristianismo!), e Deus teria mudado, e não seria imutável, portanto é incompatível com a ortodoxia cristã e teológica.

Contrariando isso, o trecho acima de Hb 1 diz: (“introduz no mundo o primogênito”), querendo dizer, contrariando o raciocínio dos teólogos que não creem que Jesus é eternamente gerado do Pai, que Jesus já era primogênito antes da encarnação: veja, acima, o “primogênito (eterno) foi introduzido ao mundo”. Concorda com isso Gálatas 4.4 (Deus enviou seu Filho) – já era Filho antes de ser enviado!

Isso leva a entender que o trecho de Hebreus, quando diz: “Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho” é desde a eternidade, ou seja, o Pai sempre foi Pai, o Filho sempre foi Filho, o Pai é Pai porque gera, o Filho é Filho porque é gerado, assim como os Pais escreveram, invalidando o conceito moderno de que Hebreus 1 só fala de gerado como coroado, e que não poderia sequer implicitamente falar da geração eterna do Filho!

A própria Trindade se distingue pela paternidade do Pai, filiação do Filho, e processão do Espírito conforme está explicitamente na Escritura!

 

Vejamos versículos paralelos da Escritura:

João 5.26: “Assim como o Pai tem vida em si mesmo, concedeu ao Filho ter vida em si mesmo”. Isso é historicamente entendido como comunicação eterna de vida!

João 1.18 “o Filho unigênito, que está no seio do Pai”: o Filho está – não começou a estar – no seio do Pai, é uma relação contínua, uma intimidade eterna!

João 1: “O Logos” é eternamente o Verbo ou a Palavra; Hb 1:3: “Jesus é a expressão exata do ser de Deus (NVI)”, portanto a origem dessa relação é eterna! Jesus é luz de luz, Deus de Deus, mesma natureza do Pai, com relação distinta!

João 17.5 E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.

João 17.24 Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.

A relação Pai-Filho precede a criação. Portanto, para leitores menos entendidos em teologia, vou deixar mais claro: como um filho é filho? Através de geração. Deus muda? Não, então a geração é eterna, é eternamente gerado.

1Jo 5.1b “...e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido.” Pode significar que todo aquele que ama o Pai, ama o Filho!

1 João 2:23 Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.


Gerado ou Criado? A Simplicidade de Deus

O que significa ser gerado? Em primeiro lugar, João 3.16 fala que Jesus é o unigênito do Pai, o único gerado. Então ser gerado significa receber a mesma natureza de quem gera. O Pai sendo Deus eterno, o Filho, gerado, é Deus eterno. Um ser humano que gera outro gera um ser humano finito, temporal, com início (o que foi gerado é semelhante em natureza ao que o gerou). Mas Deus gera Deus, luz de luz. Nós, seres humanos, não somos gerados por natureza por Deus, mas criados por Deus. Por isso mesmo somos adotados em sua família. Ser humano criado não compartilha da mesma essência de Deus, somos criaturas, filhos por adoção em Jesus Cristo, o Filho de Deus. Deus criou os céus e a terra, os homens e os anjos etc., e essa criação teve início. O Pai não tem início, então logicamente o Filho não teve início – portanto, não é criado, mas gerado (e isso não diz que o Filho teve início!). Se alguém negar a geração eterna do Filho, nega (pelo menos historicamente) a eternidade e a divindade do Filho. Deus é eterno, atemporal, está num presente contínuo. O Pai é eterno, e gera Deus eterno, no caso, Deus Filho. Como a essência de Deus (essência divina) é simples, e não é divisível, ou seja, há um Deus, quando o Pai eternamente gerou o Filho e do Pai eternamente procedeu o Espírito a essência divina não se multiplicou em três (o que seria três deuses), mas permanece uma essência divina – simples - um Deus em três Pessoas Divinas, a Trindade Cristã, Bíblica.


Concluímos que:

1.      1. O Filho é Filho eterno (sempre foi Filho);

2.       2. O Pai é Pai eterno;

3.      3. O Filho é eternamente gerado do Pai (não no tempo, mas na eternidade);

4.      4. Deus é imutável, portanto essa relação é eterna;

5.     5. E isso não só na encarnação ou na ressurreição!

6.       Tal é demonstrado pelas Sagradas Escrituras, como dizem os Credos Primitivos e, mais recentemente, como diz a Confissão de Fé de Westminster. E por este livro.

Atanásio: Nunca houve tempo nem pensamento “quando Ele não era”. Wedgeworth, Steven. Athanasius on the Simple God And Eternal Generation. The Gospel Coalition (2020).

Amém.


Nenhum comentário:

Postar um comentário