Graça e Paz
Teologia Sistemática Interdenominacional atualizada conforme o que cri que o Senhor me mostrou sobre a eleição eterna híbrida de minha autoria, baseada, além dos versículos de eleição, também nas parábolas da videira e do semeador. (SEÇÃO 10.5 atualizada abaixo).
Acrescentado ANEXO: A Vontade Una e Amorosa de Deus (seção 3.6.2).
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atualizado
10.5 DA ETERNA ELEIÇÃO DE DEUS
10.5.1 Eleição
Híbrida Armínio-Luterana
Antes de abordar a eleição propriamente dita, a saber, em parte arminiana
e em parte luterana clássica (na prática, híbrida), vamos iniciar falando das
etapas da salvação baseado em Marcos 4, Mateus 13 e Lucas 8, a parábola do
semeador, com paralelos em João 15, a parábola da videira. Na parábola do
semeador, a semente (que salva) é a Palavra. Ela opera em duas etapas.
Neste capítulo também abordaremos João 15, a parábola da videira com
paralelos com os capítulos do parágrafo anterior. João 15 diz que os chamados
por Deus para um relacionamento com Cristo, ainda não sendo justificados e
regenerados, também estão em certa forma em Cristo, implicitamente
considerados como varas enxertadas na videira cf. João 15.2. É nesse
sentido específico que este capítulo fala de pessoas ainda não salvas como
estando em Cristo.
Ao primeiro contato com a Palavra, isto é, ao plantar a semente no solo
da mente das pessoas (Mc 4.14,3) pode gerar ou não gerar uma planta da Palavra
de Deus com o fim de dar fruto (a Palavra fala de semente e fruto, então está
implícita a “planta”). A semente, ainda que brote, não gerará fruto se não
tiver raiz suficiente (Mc 4.16-17), ou seja, se após plantada, a semente for
tirada por Satanás (v. 15) ou se as pessoas se escandalizarem pela perseguição
(v. 17). Esse é o processo de conversão, a primeira etapa da atuação da
Palavra. Essa planta ainda não está salva se não der fruto (pode ser temporária
cf. Mc 4.17, pode até crescer um pouco e ficar infrutífera cf. Mc 4.19). O que
mostra que a semente de Deus salvou a pessoa é a planta dar frutos (Mc 4.20 cf.
v. 12). A Palavra chama, e é a mesma Palavra que salva dando fé (Rm 10.17), que
é a segunda etapa da atuação da Palavra.
Da mesma forma, o Pai chama a muitas pessoas através de sua Palavra a
ponto de enxertar varas/ramos na videira que é Cristo. Como na parábola do
semeador, ser enxertado em Cristo ainda não salva se não der fruto (Jo 15.2).
Isso equivale a ser chamado por Jesus pelo evangelho. E se não der fruto será
tirado (Jo 15.2), irá ao inferno de fogo (Jo 15.6). Para dar fruto, não é só
estar em Cristo (Jo 15.1), mas Cristo na pessoa (Jo 15.5 quem está em mim, e eu
nele). Isso equivale a estar em Cristo e as palavras de Cristo estarem em nós
(Jo 15.7). Esse é o escolhido de Deus, aquele que a Palavra/Jesus chamou (Rm
8.30), e que deu fruto (boas obras são o fruto da fé salvadora, pois fé sem
obras é fé morta cf. Tiago 2.14ss). Como deu fruto, isso é consequência do
relacionamento com a Palavra, e consequência também da eleição, isto é, a
pessoa foi escolhida por Deus pela Palavra, ou seja, por Cristo. Cristo chama
por meio da palavra do evangelho, e o Espírito opera mediante essa palavra. É o
mesmo Deus pela mesma Palavra que completa a obra, inclusive para eleger os
seus para si pela presciência, pois Deus conhece os seus antes da fundação do
mundo (Ef 1.4).
Ao que é humilde pela graça e escuta atentamente quando a Palavra ensina,
chama, repreende, ao que se arrepende quando a Palavra o acusa, eis que é
eleito de Deus – isto é comprovado se, de fato, a pessoa receber a Palavra e
der frutos (Jo 15.1-8 cf. Jo 15.16 Cristo nos escolheu com o propósito
de dar fruto!). E o fruto é o fruto do Espírito de Gálatas 5.22, bem como a fé
perseverante, a obediência e as boas obras produzidas pela graça.
Eis que o Senhor não condena ninguém sem motivo! Jesus chama a todos cf.
1Tm 2.4, para cear cf. Ap 3.20, para as bodas cf. Mt 22! Se fosse apenas pelo
caráter e bondade de Deus, uma eleição de via única, todos seriam salvos (1Tm
2.4).
Quem não recebe a Palavra não dá fruto (Mc 4.20). Resistir ao Espírito
Santo é não receber/desprezar a Palavra cf. Mateus 13.15 o coração deste povo
está endurecido, e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus
olhos; e cf. Mt 23.37 quantas vezes quis eu, e tu não quiseste. Desprezar a
Palavra é desprezar a Cristo (Jo 14.23). Estes são chamados pelo evangelho
(todavia, não segundo o propósito de ser como Cristo pela presciência de Deus
conforme Rm 8.30 e 1Pe 1.2), pois ouviram a Palavra, estiveram plantados
temporariamente nesse processo de conversão em Cristo, mas não deram fruto,
foram tirados de Cristo e secarão: serão jogados no fogo e arderão (Jo 15.6)!
Taparam os ouvidos para não ouvir e não receber a Palavra (Mt 13.15) e por isso
não foram escolhidos!
Ainda que receba a Palavra com alegria, se não produzir o fruto do
Espírito, mas se for crente apenas por algum tempo, desviando-se no tempo da
tentação (Lc 8.13), se der fruto sem amadurecer (Lc 8.14) ou se não conservar a
Palavra, não será salvo, não dará fruto com perseverança (Lc 8.15).
Deus elege pela Palavra, pelo contato com a Palavra, pois Jo 15 relaciona
três coisas: 1) Estar em Cristo como ramo sem fruto (chamado mas não
escolhido); 2) Estar em Cristo como ramo frutífero (chamado e escolhido); E o
escolher de Deus: compare Jo 15.1-6 com v. 16 (Deus nos escolheu para dar
fruto!).
Repetindo, a Palavra chama, Jesus chama, e é a mesma Palavra que salva
dando fé (Rm 10.17). Deus elege pela Palavra para dar fruto. E, ainda que o
critério da eleição seja o relacionamento com a Palavra, somos eleitos e amados
por Deus desde a eternidade pela Sua bondade, misericórdia, graça, amor, pelo
Espírito Santo, pela presciência de Deus e para obediência do sangue de Cristo
(1Pe 1.2).
O Pai, como faz um agricultor com uma videira, coloca as pessoas como
ramos ou varas em Cristo, ou seja, convida e chama a todos pelo evangelho (Jo
15.1,2). O Pai, como agricultor, prova e manifesta no tempo a condição dos
ramos. Segundo sua presciência eterna, Deus já conhece aqueles que receberão a
Palavra, permanecerão em Cristo e produzirão fruto pela graça pelo próprio
contato com a Palavra (Jo 15.2). O fruto é sinal da eleição cf. Jo 15.16 - mas
se a pessoa convidada por Cristo para a salvação (Ap 3.20) endurecer o coração
e ouvir a mensagem do evangelho de mau grado, endurecendo os ouvidos e fechando
seus olhos (Mt 13.15 cf. Mt 23.37), não será eleita em Cristo desde a fundação
do mundo pelo conhecimento prévio de Deus Pai cf. 1Pe 1.2.
Não somos eleitos por boas obras. Não somos eleitos por sermos bons ou
por alguma obediência, visto que ninguém é bom senão Deus e ninguém faz o bem
de si mesmo, mas todo bem é ato da graça de Deus. Receber a palavra de Jesus
após Ele nos convidar é como um mendigo que estende as mãos para receber um
presente de um Rei que lhe vem ao encontro em tempo oportuno. O mendigo não
merece, não chamou o Rei ao seu encontro, não puxa o presente para si, não
rouba o presente, só estende a mão, e é o Rei Jesus que vai ao seu encontro,
que coloca o presente na mão do mendigo, é o Rei que salva e transforma o
mendigo e o faz assentar com os Seus príncipes no Reino dos Céus. Amém!
Continuemos
Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a
sua boa vontade. (Filipenses 2:13 acf)
Deus elege pela Palavra: é Deus pela Palavra que chama; que, sendo
recebida adequadamente, pela Palavra transforma cessando a resistência do
coração e constrangendo a livre vontade do homem por amor (opera em nós o
querer e efetuar cf. Fp 2.13); que pelo Espírito através da Palavra,
convence do pecado, justiça e juízo (Jo 16.8); constrange-nos pelo amor de
Cristo (2Co 5.14); opera o arrependimento (a ver se porventura Deus lhes
dará arrependimento para conhecerem a verdade... 2Tm 2.25); e opera a fé,
dom de Deus (Ef 2.8 cf. Rm 10.17) pelo qual a pessoa é salva. A Trindade opera,
além disso, a adoção, a regeneração, a justificação, a união com Cristo, a
preservação, a parte ativa e transformadora da santificação e a glorificação.
Quem tapa os ouvidos à Palavra não pode se confortar com a doutrina da
graciosa eleição, pois resiste a Deus, não abre a porta para Cristo (Ap 3.20),
rejeita o convite para as bodas e não comparece (Mt 22). Não são eleitos
justamente por não ouvir a Palavra e não ser transformados por ela, por Cristo.
Amém.
1Pe 1.2: eleitos para a obediência, e não pela obediência:
o mendigo estender a mão não o faz receber o presente sem o Rei dá-lo. O
estender a mão do mendigo não é boa obra, ou obediência ativa, mas é obra
neutra salvificamente, pois não salva em si mesma: é Jesus que convida, que dá
o presente, que transforma, que se revela, e de modo nenhum será lançado fora
por Jesus, de modo nenhum será rejeitado por Cristo, de modo nenhum será
considerado não eleito se receber e conservar pela graça a Palavra que
transforma e salva o coração/mente cf. o verso (Todo o que o Pai me dá virá
a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. João 6:37; Lc
8.15). Amém.
O
homem simplesmente não resiste a Deus que o chama (pois de Deus vem a
iniciativa para o homem exercer a fé e o arrependimento), e Deus lhe dá o
arrependimento e a fé, um dom pelo qual o homem crê através da graça do
Espírito, ou seja, não é errado falar que o homem crê capacitado pela graça do
Espírito Santo. O homem é justificado e regenerado monergisticamente (100% por
Deus), e condicionalmente: prefiro, em vez de sinergismo, o conceito de monergismo
condicional (Forlines, 2001, p. 235).
Base Bíblica
Adicional
O Pai amou a todos e a cada um dos seres humanos dando-lhes oportunidade
de salvação:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna.” João 3.16
Confirmando isso, Deus deseja que todos sejam salvos, não como decreto
irresistível (ou seja, não como decreto ativo):
“Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual
deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da
verdade.” 1 Timóteo 2.3,4
Porém, Deus elegeu somente alguns pela graça, pelo Espírito e pela
Palavra:
“Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que
estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: A vós graça, e paz da parte de
Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo! Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor
Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais
nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele
antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante
dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo,
para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, Para louvor da glória
de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, Em
quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as
riquezas da sua graça...” Efésios 1.1-7
A salvação, antes de ser recebida, pode ser resistida:
“Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós
sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais.”
Atos 7.51
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te
são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha
ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” Mateus 23.37
O pecado de Adão atingiu a todos, e a graça de Cristo convida a todos
dando-lhes oportunidade de justificação de vida:
“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos
os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a
graça sobre todos os homens para justificação de vida.” Romanos 5.18;
“Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos
usar de misericórdia.” Romanos 11.32
Concluímos que a predestinação (que significa “destinados previamente”,
desde a eternidade, a ser filhos amados unidos a Cristo na glória), ou eleição
individual para a vida eterna, é bíblica, operação de Deus pela graça, pela
Palavra, que é o meio pelo qual vem a fé salvadora (Rm 10.17) e meio pelo qual,
com o Espírito, convence o mundo do pecado, justiça, juízo e constrange
amorosamente nossa liberdade de escolha (a mesma liberdade de escolha que é
restaurada pelo contato com a Palavra), cessando a resistência do coração, para
o amor voluntário a Deus. O contato adequado com a Palavra de Deus faz isso com
todos nós, com o homem natural, carnal, espiritual: nos transforma, e nos leva
de fé em fé. Deus, pela Palavra de Cristo, constrange aos que recebem a Palavra
de Deus.
O Livro de Concórdia (Sinodal, 7ª ed., 2016), embora não ensine a
interpretação condicional da eleição adotada aqui, expressa corretamente a
atuação eficaz do Espírito por meio da pregação e audição da Palavra,
comentando Romanos 10.17, João 17.17,20 e Atos 11.14:
O Pai eterno clama do céu a respeito de seu amado Filho e quanto a todos
os que, em seu nome, pregam arrependimento e perdão dos pecados: “a ele ouvi”,
Mt 17.5.
Todos os que querem ser salvos devem ouvir essa pregação, pois a pregação
e a audição da palavra de Deus são o instrumento do Espírito Santo, no qual,
com o qual e por intermédio do qual ele quer operar eficazmente, converter os
homens a Deus e neles operar tanto o querer como o efetuar.
A fé vem do ouvir a palavra de Deus quando é pregada em sua “genuinidade
e pureza”, ou pregada de modo “impermista [genuíno, puro, simples, que não foi
misturado] e puramente”.
Por esse meio, a saber, a pregação e a audição de sua palavra, Deus
opera, quebranta-nos o coração e atrai o homem, de modo que, pela pregação da
lei, chega ao conhecimento de seus pecados e da ira de Deus e experimenta, no
coração, terror, contrição e pesar verdadeiros e, pela pregação e meditação do
santo evangelho do gracioso perdão dos pecados em Cristo, acende-se nele uma
centelhazinha de fé que aceita o perdão dos pecados por amor de Cristo e se
consola com a promessa do evangelho. E assim, o Espírito Santo (que opera tudo
isso) é introduzido no coração.
Deus nos dá o dom da fé pela Palavra, e nós cremos através desse dom dado
por Ele, conforme a própria outra seção do mesmo livro:
Cremos, ensinamos e confessamos que essa fé não é mero conhecimento da
história de Cristo, mas uma espécie de dom de Deus por meio de que [nós]
reconhecemos retamente a Cristo nosso Salvador, na palavra do evangelho e nele
confiamos que somente por causa da sua obediência temos, de graça, perdão dos
pecados, somos considerados santos e justos por Deus e somos eternamente
salvos. Livro de Concórdia (Sinodal, 7ª ed., 2016).
Isso é apenas aos eleitos – para o fim de ser conforme a imagem de Cristo
cf. Romanos 8.28-30, para ser adotado na família de Deus, para a
obediência cf. 1Pedro 1.2 (e não pela obediência: “Eleitos segundo a
presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e
aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.”)
conforme também toda a Escritura.
Como a fé salvadora é anterior à justificação (Rm 5.1, Ef 2.8), como a
Palavra produz a fé salvadora (Romanos 10.17), como a pessoa precisa receber a
Palavra em seu coração segundo as Escrituras antes dessa fé (Atos 2.41, 17.11),
e como a eleição de Deus é desde a eternidade (Ef 1.4) segundo o conhecimento
prévio de Deus Pai (1Pe 1.2), além de que a eleição é de Deus pelo contato com
a Palavra, ocorre que Deus mesmo faz a separação dos justos e injustos em vida
pela Palavra de Cristo no convencimento do Espírito Santo que testifica de
Cristo (1Jo 5.6-12). Como a eleição é de Deus, assim como Seu Amor, conclui-se
que a não resistência da livre vontade do ser humano (com consequente amor
voluntário) é pela Palavra, e também a fé, a justificação, regeneração e
glorificação vêm todas de Deus pela Sua graça, natureza, bondade, palavra e
amor.
Em contrapartida, a condenação ao inferno se dá pelo desprezo à Palavra
de Deus, e não por decreto divino inescapável e irresistível desde a
eternidade. Quem despreza e odeia a Palavra, meio pelo qual o Espírito
testifica de Cristo, também despreza e odeia a Cristo, e consequentemente
despreza e odeia ao Pai. Deus não rejeita ninguém sem dar chance a ele (1Tm
2.4), embora nem todos recebam a mesma oportunidade ou a mesma exposição ao
evangelho, mas o culpado da não aceitação divina é o próprio pecador que
recusou o convite de Deus e preferiu amar seu próprio pecado (Jo 15.22-23,
especialmente “Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado,
mas agora não têm desculpa do seu pecado” e “Quem me rejeitar a mim, e
não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho
pregado, essa o há de julgar no último dia.” cf. Jo 12.48: Jesus condena a
estes pelo desprezo à Sua Palavra).
Deus recebe a todos os que se aproximam Dele em humildade – Deus os
espera como Bom Pai, suficiente Salvador, verdadeiro e amoroso Senhor sobre
tudo e sobre todos: consequentemente confirma-se o fato de que Deus quer
salvar a todos conforme a Escritura (1Timóteo 2.4), que é inerrante, e
não contraditória nos manuscritos originais inspirados (2Timóteo 3.16-17 Toda
a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para
repreender, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus
seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra).
O apóstolo diz claramente que Deus suportou com muita longanimidade os
vasos da ira. Não diz que fez vasos de ira. Pois se tal houvera sido sua
vontade, não teria necessidade de grande longanimidade. Quanto a serem
preparados para a perdição, disso é culpado o diabo e os homens, não Deus.
Livro de Concórdia, editora Sinodal e Concórdia, 2016.
Salvos e eleitos pela graça (Porque pela graça sois
salvos Ef 2.8) pelos méritos de Cristo (E em nenhum outro há salvação,
porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo
qual devamos ser salvos At 4.12). O homem pode resistir à graça (Jerusalém
quantas vezes eu quis... e tu não quiseste! Mt 23.37) e o Espírito quer ser
eficaz (chamados segundo o propósito Rm 8.28) e salvar a todos (quer
que todos os homens se salvem 1Tm 2.3,4). Fé é um dom/dádiva (por meio
da fé: e isto não vem de vós, é dom de Deus Ef 2.8) gerado pelo Espirito
Santo (O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu
Jo 3.27) que vem por ouvir a Palavra (a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela
palavra de Deus Rm 10.17) e Jo 17.20 ACF 2011 (E não rogo somente por
estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim).
Ao que resiste e não ouve a Palavra o Espírito o ignora e a pessoa não pode se
conformar com a doutrina da graciosa eleição. Não só fé, mas também o
arrependimento é dado por Deus: 2Tm 2.25 diz: instruindo com mansidão os que
resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a
verdade. Essa é a vontade revelada de Deus através da sua Palavra.
Consideração Final
Como eu disse, repito, quem se
esforça buscando a Deus, vigiando, orando, lendo a Palavra e perseverando está
mostrando que é um eleito, e não devemos ser amedrontados pelo temor de não
termos sido eleitos, pois Deus recebe a todos que o buscam, e que se achegam a
Ele.
Se fosse pelo caráter de Deus,
todos seriam salvos (1Tm 2:4 Deus quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade). Mas como são poucos, eu não digo
que Deus deixou de ajudar e escolher os outros – perdidos – e condena-os
eternamente sem chance para seu propósito. Pois se poucos são salvos, então não
é uma salvação forçada por Deus – pois fere seu caráter de Amor – mas o erro é
do homem resistente.
10.5.2 Os Decretos de Deus
Antes da criação dos céus e da
terra, Deus Pai, Filho e Espírito Santo juntos planejaram e decidiram o que
fariam ao, por exemplo, criar a criação [1], permitir a queda [2], escolher um
povo [3], “exaltar” a Cristo dentre esse povo [4] como Salvador para o mundo
todo e, finalmente, “exaltar” todo aquele que crê em Cristo [5] para viver com
ele, desde essa vida, até o céu, quando morarão com Deus Triuno na eternidade.
Essa ordem é a que eu encontro na história da Bíblia. Não é a
ordem que poderia ser especulada para a predestinação bíblica,
concernente à salvação eterna. Creio que a Bíblia pode dar vazão a essas duas
variantes de decretos de Deus que possuem propósitos diferentes, e, na Sua
mente, de algum modo, creio que essas duas ordens estão intercaladas. E se
Deus, antes de proclamar com a Sua Palavra o primeiro decreto já sabia o que
iria acontecer no último desses decretos, antevendo a consequência do próprio
decreto? E se os decretos de Deus não ocorrem como as pessoas acham que
ocorrem? Faz sentido que Deus planejou os decretos em conjunto, pois um bom
projetista faz um projeto completo, não seria surpreendido no meio do caminho
pela queda de Adão, por exemplo, para ter que mudar o projeto e só depois de
visualizar isso, por consequência, decretar a Cristo como Salvador! Tenho
certeza que Deus Pai decidiu exaltar a Cristo do começo!
Deus, ao mesmo tempo, decretaria
um Projeto completo (não proponho abaixo um decreto após o outro, pois assim a
ordem abaixo levaria ao supralapsarianismo (do qual eu claramente não
concordo), mas todos esses decretos ao mesmo tempo: todos os decretos são
importantes, ou seja, eles estão em ordem de importância, não ordem decretada
por Deus):
[1] O mais importante, Deus Pai
decreta exaltar a Cristo, o Eleito. [2] O segundo decreto mais importante, eleger
indivíduos com um certo critério, em Cristo, pela graça do Espírito Santo, pela
fé e para louvor da Sua glória no Amado. [3] O terceiro decreto mais importante
seria criar os meios para eleger a Cristo sobre tudo e sobre todos, e os fiéis
e santos filhos Nele. Os meios seriam: [3a] Criação. Criar o Universo, o
Paraíso, os anjos, o homem, os animais e plantas, matéria, energia e tempo etc.:
nessa condição, nesses lugares e com essa companhia é que Cristo encarnado e os
homens e anjos eleitos vão viver. [3b] Liberdade de escolha e queda. Criar a
Criação com livre-arbítrio, e com tudo o que isso significa. Permitir a queda
de alguns anjos e de toda a humanidade. Fazer consequente separação dos justos
e dos injustos (homens e anjos) pelo relacionamento direto com Deus (Deus mesmo
faz a separação) com destinos eternamente separados. [3c] Providência divina na
história em todos os aspectos necessários, inclusive para a plenitude dos
tempos em que Cristo veio e foi glorificado; providência divina na história
para Israel, e depois para a Igreja do Senhor até a consumação etc. Veja que
[3] é consequência necessária de [1] e [2].
Ainda que tenha escrito essa
lista de decretos de Deus, Ele não está na lógica, na racionalidade, na
teologia, nem na filosofia, Deus é completamente infinito. Creio que a mente do
Senhor é muito mais profunda do que racionalizar com efeito uma ordem dos
decretos de Deus como essa, ou qualquer outra ordem das muitas que existem.
Isso é apenas uma tentativa de, pela Palavra revelada, esquematizar
racionalmente o que poderia ter ocorrido na mente de Deus, qual a ordem etc.
Mas longe de mim esteja achar na realidade que Deus pensou desse modo.
Entendemos o operar de Deus na história, compreendemos parte das doutrinas do
homem, da salvação, das últimas coisas, da igreja, dos anjos, do pecado e assim
por diante, mas ninguém acessa a mente de Deus. Longe de mim esteja crer que
Deus pensou dessa forma na Sua mente, como se pela Bíblia alguém porventura
lesse o oculto da mente de Deus. Não, nós não chegamos a seus pés, imagine à
Sua mente! Pela Bíblia conhecemos a Deus, conhecemos o que Ele realmente é pelo
que Ele tem nos revelado de Si mesmo, mas buscar qualquer coisa além disso
nesta terra, seja em filosofia ou teologia, é um caminho tortuoso. Deus é o
Altíssimo Deus, e seus caminhos são inescrutáveis (Rm 11.33, Is 40.28, Jó
42.3)! Quem compreendeu a mente do Senhor (Rm 11.23, 1Co 2.16)? Somente Jesus
Cristo, o próprio Verbo, Poder e Sabedoria de Deus (1Co 1.24).
Amém.
10.5.3 Ligação de Graça Resistível com a Graça
Preveniente do Espírito Santo na Conversão
E por que digo, como crendo nessa teoria da eleição,
que a graça não é irresistível? Simplesmente porque existiram pessoas, como
está escrito em Hebreus 6:4-6, e Mateus 7.21-23, a quem o Espírito Santo de
Deus deu dons espirituais e foram condenados ao inferno, e que nós dizemos,
concordando com John Bunyan, que Deus, através dos dons espirituais, queria
amolecer os seus corações para os salvar de fato, e não que aqueles que até o
bendito Espírito Santo de amor deu dons nunca tiveram oportunidade de salvação
por causa de uma escolha soberana do Pai (o que seria contraditório).
Dizemos que o homem resistiu ao Espírito Santo que o
queria salvar. Dizemos que o homem abriu um pouco o coração a Deus em um
‘primeiro encontro’, tanto é que recebeu dons espirituais. Todavia, mais para a
frente, durante o processo de conversão (em que a conversão ocorre antes do
novo nascimento), não ‘abriu o coração’ totalmente, aceitando toda a vontade de
Deus, negando-se a si mesmo por amor a Cristo (estou usando a linguagem bíblica
de Jesus, pois sabemos que ninguém faz bem algum de si mesmo, mas apenas pela
graça do Espírito Santo), mas resistiu ao Espírito e à Palavra.
O leitor pode
ver que uso ‘conversão’ como processo externo e interno de chamado, iluminação,
convicção e aproximação a Deus em Cristo; e ‘novo nascimento’ como o ato de
regeneração pleno (ato de salvação).
Como a Escritura mostra pessoas ‘no meio do caminho’
(simbolicamente falando) para a salvação que não resistiram no início, mas
mesmo assim não chegaram à regeneração, tal como o servo que recebeu um talento
do seu senhor pela graça preveniente do Espírito (e conhecia o seu Senhor), e
como as virgens loucas que possuíam lâmpadas e um pouco de azeite (que possuíam
uma medida de graça-azeite, vindo também da graça preveniente do Espírito), a
mesma Escritura permite pensarmos que existe um meio termo entre o ‘início e o
fim’ da conversão, um processo de conversão que pode levar até anos, como já
dito anteriormente, como o de John Bunyan e o meu, no qual Deus concede uma
medida de graça – tal como uma graça preveniente – através do Espírito Santo,
através cruz de Cristo, e da bondade do Pai para aquele que ainda não chegou à
verdadeira regeneração e justificação a alcance, ou pelo menos tenha
oportunidade disso.
10.5.4 João 10.26 e Isaías 45.7 Defendem o Calvinismo?
Castanha, Lailson (2010) explana sobre a rejeição de Deus
para com os judeus, de tal modo que explica João 10:26 “mas vós não credes
porque não sois das minhas ovelhas”:
A Bíblia é enfática na ressalva de que ninguém pode
ir até Cristo, se o Pai não o enviar. Mas é clara também, no fato de que,
apenas serão salvos os que crerem e se submeterem a Cristo. Quanto ao número
das pessoas que irão até Cristo, declarado nas suas palavras, “Todo aquele
que o Pai me dá virá a mim” (Jo 6.37), as Escrituras afirmam: “E eu,
quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (Jo 12.32). Sobre a
vontade do Pai, em relação a essas pessoas, Jesus afirma: “Que todo aquele
que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna” (Jo 6.40a).
Sobre essa questão, vários pesquisadores das
Escrituras, teólogos, e debatedores livres, afirmam que o fato de Jesus
afirmar: “Mas vós não credes porque não sois das minhas
ovelhas” indica que existem pessoas que, por serem rejeitadas por Deus,
foram, por conseguinte, impedidas de crer.
Segundo eles, a ordem estabelecida seria: Deus
rejeita, por isso impede as pessoas de crer.
Quando Jesus afirma: “mas vós não credes,
porque não sois das minhas ovelhas” (Jo 10.26), com isso afirmava que a
prova que os tais não eram participantes de seu rebanho, era a ausência de fé,
não a impossibilidade dada por Deus de que cressem, tanto que, por não crerem,
foram censurados por Cristo. Se Eles não fizessem parte das ovelhas, como parte
de um plano específico de Deus, os tais não seriam censurados. Não se pode
ignorar que estas palavras foram direcionadas à grupos de judeus que já tinham
anteriormente desprezado a Jesus, chegando, até mesmo a afirmarem: “Tem
demônio, e está fora de si; por que o ouvis?” (Jo 10.20 [mesmo
capítulo]). Esses judeus tentavam Jesus, com toda sorte de provocações e
não criam em suas obras, ademais, rejeitaram a Cristo acusando-o de proferir
blasfêmias: “Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia;
porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” (Jo 10.33).
As Escrituras não afirmam que os tais judeus já
foram rejeitados de antemão, pelo contrário, sobre os judeus as Escrituras
afirmam: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam...” (Jo
1.11). Isso deixa bem claro, que os judeus citados por Cristo, não estavam
entre as suas ovelhas porque, anteriormente eles mesmos (os judeus incrédulos)
já o tinham rejeitado, e não porque Cristo precedentemente os rejeitou. Muitos
textos sacros evidenciam o fato de que o próprio Deus encerra os insubordinados
na desobediência e endurece ainda mais os já antes duros de coração, que não
acolhem o amor da verdade para serem salvos, enviando a “operação do erro,
para darem crédito à mentira; a fim de serem julgados todos quantos não deram
crédito à verdade, antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça” (2Ts
2.10,11). Reflitamos também no texto seguinte de Rm 1.28: “E, como eles
não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um
sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém”.
O grupo descrito por Jesus como "não
pertencente as suas ovelhas” ao contrário da ideia de ser um grupo
absolutamente rejeitado, fazem parte daqueles judeus descritos por João,
aqueles a quem Jesus viera, filhos da mesma Jerusalém que “que mata os
profetas, e apedreja os lhe foram enviados!”, sobre a qual Jesus expressou o
conhecido lamento: “quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a
galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não
quiseste!” seguido do severo juízo: “Eis que a vossa casa vai
ficar-vos deserta; Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até
que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor” (Mt 23.37-39). Castanha,
Lailson (2010).
Essas afirmações estão de acordo com o “espírito”
deste livro, de tal modo que de Deus, 40 anos depois, veio a condenação de
Jerusalém pela mão dos romanos, ou seja, esses judeus não eram ovelhas mesmo.
Acerca de Isaías 45:7 “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o
mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.”:
Contudo, o original hebraico possui quatro palavras
diferentes para o “mal”, e nem todas elas representam o mal moral. Aqui a
palavra hebraica utilizada é “ra”, que tem como um de seus significados
“calamidade” (Concordância de Strong, 7451). Essa interpretação é
ainda mais reforçada pelo contexto, que traça um contraste entre paz e guerra,
e não entre bem e mal. Se a tradução correta fosse por “mal”, o texto estaria
contrastando o bem e o mal, e ficaria assim: “eu faço o bem e crio o mal”. Mas
ele está em contraste com paz, o que significa que está no contexto de batalha,
pois o inverso de paz é guerra. CACP (2017).
Portanto, João 10.26 e Isaías 45.7 não ensinam que
Deus faz o mal moral, nem defende o calvinismo.
10.5.5 O Amor e Propósito de Deus versus a Eleição Calvinista.
Amor Salvífico Incondicional a Todos; Separação Divina aos Pecadores; e Amor
Íntimo aos Eleitos. Amor Condicional ou Incondicional? Quão Grande é o Amor de
Deus?
Vamos meditar em alguns
raciocínios referentes à eleição incondicional calvinista. Se Deus nos forçasse
a amá-lo sem que pudéssemos resistir, ao mesmo tempo de que algum réprobo ao
nosso lado é condenado sem condição alguma de aceitar a Cristo, isso não
representa um verdadeiro amor. Deus, como creio, requer amor voluntário (para
ser amor real, assim como foi na criação dos anjos e dos homens), ainda que
esse amor venha Dele, pois nos amou primeiro.
Além disso, se Deus nos salva e
não pergunta nada para ninguém, e pelo mesmo impulso condena o injusto que
criou, para que criar o injusto? Para criar um vaso de barro para ter o prazer
de destruí-lo (uma vez que não deu chance para ele)? Ou, como mostra a parábola
curiosa em Ricardo Reis,
2018, Eleição por Graça, “mostrar aos outros que é Deus forte, Soberano, através da condenação
eterna dos vasos preparados para perdição, para que seja temido por um ato
terrível?” Será que Deus cria algo e esse algo não é bom?
Eu não creio nisso, pois tudo o
que Deus criou é bom, ou, pelo menos, tem/teve a possibilidade de alcançar o
bem algum dia. De acordo com a confissão de fé da Comunidade
da Graça, 2018, o homem foi criado para a glória de Deus: No Propósito Eterno de Deus, que criou o
homem à sua imagem e semelhança, para que este expressasse a glória divina
perante o universo, governasse toda a criação implantando o Reino de Deus na
terra e se multiplicasse para realizar o sonho do coração do Pai: “ter uma
família com muitos filhos semelhantes a Jesus” (Gn 1.26-28).
Assim, sendo o homem criado para
Deus, a Queda de Adão, por acaso, impediu o plano de Deus à humanidade, como
este referido acima, uma vez que Deus queria originalmente que todos fossem
parte do plano de Deus na terra? Ou não foi Cristo o Segundo Adão, que morreu
para dar chance a todos e a cada um, uma vez que a Queda levou a morte a todos
e a cada um? Assim, mesmo depois da Queda, o propósito de Deus foi o mesmo de
antes, não frustrado, mas todos os homens são criados na desobediência para com
todos agir de misericórdia (Romanos 11.32). Assim, o Deus da Bíblia age com
misericórdia a todos os seres humanos, e como disse Walls
e Dongell, 2014, amar não é só suprir com bênçãos temporais (graça
comum), mas amar é dar oportunidade para a maior bênção, eterna, à graça
salvadora pois, se Deus ama, deseja o bem de suas criaturas caídas. Como disse,
se fosse pelo caráter de Deus, todos seriam salvos, conforme a Escritura em 1Tm
2:4.
As palavras de Cristo dizem, com
a linguagem bíblica sem interpretação (não falando de teologia), e isto está
acima de Calvino, Armínio e Lutero, aquele
que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser seu discípulo. Se falar isso
é mérito humano, talvez devamos ver a teologia com olhos mais críticos, e
voltar a confiar mais no Espírito da Escritura.
Amor a Todos e a Cada Um
Voltando ao assunto do amor da
seção 3.6 DEUS É AMOR, realmente Deus amou a todos e a cada um com uma
postura salvífica quando enviou Jesus, o Cordeiro que morreu desde a fundação
do mundo, amou a todos e a cada um para a salvação das suas almas! Os
calvinistas Peterson e
Williams (Why I am not an Arminian, 2004), em seu livro “Por
Que Não Sou Arminiano”, comentam sobre isso:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. O que motivou o Pai para mandar
seu Filho para morrer por pecadores foi seu grande amor. Calvinistas nem
sempre têm entendido corretamente João 3.16. Nós rejeitamos tentativas para
limitar o significado de ‘mundo’ aqui para ‘mundo dos eleitos’, por exemplo. É melhor seguir os passos de D. A. Carson (Carson, D. A. The Difficult Doctrine of the Love of
God. Wheaton, Ill.: Crossway, 2000), que vê esse verso como
indicando ‘a postura [stance]
salvífica de Deus em relação ao seu mundo caído.
Pode-se ver que os autores,
citando D. A. Carson, colaboram com o fato de que Deus Pai tem uma postura de
amor, salvífica, em relação a todo o mundo caído. Isso talvez comece a iluminar
muitos calvinistas para ver que Deus se importa com a salvação de todas as suas
criaturas caídas, que, de acordo com o bom entendedor, é o espírito da
Escritura e do evangelho.
Ele nos amou porque é a Sua
natureza, Ele nos amou sem mérito nosso e, além disso, Ele nos amou de modo
salvífico antes que existíssemos, antes que fizéssemos o bem ou o amássemos de
volta conforme a Escritura!
O amor de Deus é condicional ou incondicional? Amor Íntimo de Deus
Ambos. Falando do amor de Deus
para o ser humano, é fato de que a Trindade tem amor incondicional por todos os
homens com intenção de salvá-los em Cristo (amou
o mundo, Jo 3.16), porém aos
salvos Ele ama com amor íntimo (como eu o chamo), imenso e especial, pois o seu
amor, em João 14.21, é condicional: Aquele
que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me
ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. Deste
modo, Deus ama intimamente aquele que tem os seus mandamentos e os guarda. Como
apenas os nascidos de novo podem guardar os mandamentos de Deus (não por si
mesmos), conclui-se que apenas os nascidos de novo são amados intimamente por
Deus. Se Deus amasse a todos, justos e ímpios com o mesmo amor, por exemplo,
incondicional, esse verso não faria sentido, pois fala de um momento em que “será
amado de meu Pai, e eu [Jesus] o amarei”.
O amor íntimo de Deus ao salvo
não é um amor condicional de um modo que precisaríamos fazer algo para
merecer o amor de Deus, mas Deus nos ama intimamente por causa de Cristo: é
condicional a Cristo. Em Cristo e por Cristo somos amados.
Cristo é amado pelos seus méritos
próprios, como Filho unigênito, Deus de Deus, Luz de Luz. Já nós somos amados
em Cristo, e não fora de Cristo, nem pelos nossos méritos próprios (não porque
somos “bonitinhos, legais ou simpáticos, nem porque fizemos obras incríveis de
justiça”), mas sim (estou falando do amor íntimo aos que não estão na ira) a
partir do momento em que somos adotados no ato da salvação, mais
especificamente ato da adoção (que vem junto com a regeneração e justificação)
pelo qual tornamo-nos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus conforme a Escritura.
Nada podemos fazer para diminuir
ou aumentar o amor de Deus Triuno a nós, pois já fomos e somos declarados
justos, pois temos a justiça de Cristo imputada a nós. Nossa justiça está no
Céu e é Cristo, o Salvador, assentado à destra do trono de Deus: fazer o bem
não aumentará nossa justiça, e fazer o mal temporariamente não diminuirá nossa
justiça, Ela é eterna, É Jesus.
Se não podemos nos separar do
amor e da graça do nosso Deus e do nosso Senhor Jesus Cristo, segue que esse
amor íntimo ao salvo (ou eleito, pois todo salvo é eleito) ou justificado (pois
todo justificado será glorificado cf. Rm 8.28 em diante), embora condicional a
Cristo, é incondicional a nós após a salvação: condicional a Cristo, mas Ele é
imutável, e não se arrepende! É incondicional a nós pois não há nada que
possamos fazer para nos separar de Cristo e do amor de Deus conforme a
Escritura, e nem queremos, pois o Espírito nos constrange para arrependimento
com tristeza e mudança de atos toda vez que erramos conforme a Palavra.
Claro que fora de Cristo não
somos amados com esse amor íntimo conforme o Salmo 5:5 e o 11:5: “Deus odeia
[ou seja, é separado d]o pecador”), mas só com o amor salvífico que vem
junto com Sua atitude divina para salvar a todos e a cada um, pois as pessoas
do mundo têm uma alma a quem o Senhor de fato quer salvar conforme João 3:16. O
Espírito testifica na Escritura que Deus quer salvar a todos a e todos dá
verdadeira chance, mas muitos deles resistem ao Espírito Santo.
Como um pai terreno se tiver filhos biológicos e adotados deve amar todos
eles igualmente, por que não o Pai Celeste/Perfeito? A intenção do Pai em
adotar filhos por amor, por Cristo, e pelo Espírito cf. Efésios 1.4,5 é a mesma
de um pai amoroso com seu filho adotivo terreno. Vemos que Deus nos ama como
ama a Cristo em João 17.23 (Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam
perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e
que os tens amado a eles como me tens amado a mim). Pude verificar que
calvinistas e arminianos creem nisso, pois é bíblico o fato de que o Pai nos
ama como ama igualmente a Cristo!
Vemos, portanto, que o amor que uma Pessoa da Trindade ama a outra é o
mesmo amor com que a Trindade, cada Pessoa junta e separada, ama a cada um de
nós, juntos e separados, que somos seus filhos adotados e justificados,
noiva de Cristo sem ruga nem mácula na eternidade. Veja também João
17.21: "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em
ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste".
Aí também está a Unidade da Igreja (obs. a Igreja é o Corpo de Cristo, a união
de salvos de todas as épocas, do céu e da terra), nossa unidade com Cristo
através do Espírito, e de Cristo com o Pai (ou talvez Unidade da Igreja com
toda a Trindade), comemorada na ceia do Senhor, e na ceia das Bodas do Cordeiro
por toda a eternidade. Consegue agora visualizar, crer, sentir e viver o Amor
que Deus tem por você, que é o mesmo que sente por Cristo, e quão imenso, qual
a largura, altura, profundidade do Amor de Deus? ALELUIA! Glória a Deus!
10.5.6 Contra a Dupla Predestinação e a Condenação de Bebês; Acerca da
Salvação de Pessoas que Nunca Ouviram o Evangelho
Esta seção está dividida em alguns
raciocínios separados entre si:
1. Acerca da dupla predestinação calvinista
(que discordo veemente). Com minhas palavras, “se Deus não quisesse salvar
ninguém, Ele não seria injusto, pois todos merecemos o inferno. Porém, como
Deus salvou [forçadamente] alguns, ele mostrou a sua misericórdia nestes vasos.
Mostra sua graça e amor nos eleitos vasos de misericórdia, e mostra sua ira e
justiça nos reprovados vasos de perdição. Assim, Ele é amor, e Ele é justo. Não
foi injusto com ninguém”.
Esta justificativa acima não parece concordar com o caráter
e os atributos do Deus da Bíblia. Deus não é apenas soberano. É amor, bondade e
misericórdia também. Para criaturas como nós, seres humanos, colocarmos o
Senhor nosso Deus dentro de uma caixa teológica como essa, nossa visão da
Deidade com certeza estaria com sérias incoerências. Por exemplo, o Deus Pai de
Nosso Senhor Jesus Cristo é misericórdia e amor, justiça e bondade com todos,
independentemente de uma criatura ser boa ou má. Tanto é que somos conquistados
por seu amor, e não por sua ira. Ainda que nós sejamos maus, Ele sempre será
Bom. Se um nascido de novo deve tratar tanto os irmãos como os inimigos com
amor, quanto mais Deus, que ordenou através de Cristo o mandamento de amar uns
aos outros e também aos inimigos? Deus não será
menos misericordioso, justo, bom e amoroso por causa da criatura. Ele é
imutável, e nenhuma criatura o fará mudar o seu caráter, ou o seu tratamento
cordial com os maus e com os bons. Ninguém tem maior amor do que este: de dar a
sua vida pelos seus amigos (João 15.13). Todavia, Jesus morreu por nós, sendo
nós ainda pecadores (Romanos 5.8), inimigos de Deus (Rm 5.10)!
A Bíblia diz em Tiago 4.17 Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o
faz, comete pecado. Assim, é pecado alguém deixar de fazer o bem a outra
pessoa, quando isso poderia ter sido feito. A Bíblia, com sua lei moral, com os
mandamentos e com o amor de Cristo, compõe o retrato do caráter do Deus Santo,
que não pode pecar. Se dar oportunidade de salvação a todos é uma boa coisa (o
bem), e se Deus não se contradiz, logicamente Deus estaria pecando se não desse
oportunidade de salvação a todos segundo o caráter revelado na Escritura. Além
disso, um filho de Deus que conhece a Deus daria a chance a outra pessoa de
conhecer o Senhor: e não é Deus melhor do que nós, não é Ele Perfeito em Amor?
Por essa lógica, Deus não age com misericórdia dando oportunidade apenas a um
grupo seleto, que seria dos eleitos, a crer no Senhor e chegar aos pés de
Jesus, mas o Pai leva a todos ao evangelho de Cristo para ter misericórdia de
todos (Rom 11.32), pois Deus não pode ir contra seu próprio mandamento e deixar
de fazer o bem, mas Ele traz pecadores incapazes a ouvir o evangelho para que
todos aqueles que aceitam a Cristo, que é a Palavra, achem misericórdia e sejam
salvos. Assim, conhecemos o verdadeiro caráter de Deus encontrado na Bíblia, e
num contato diário com o Espírito Santo, em humildade e oração.
Jó 36.5: Eis que Deus é mui grande, contudo a ninguém despreza [...].
Deus dá a chance da salvação a todos, e não despreza nenhum pecador.
2. Acerca de condenar crianças
não-regeneradas que morrem na infância ao inferno. Contrariando isso, a
Confissão de Fé de Westminster expressa:
As crianças eleitas, morrendo na infância, são regeneradas
e por Cristo salvas, por meio do Espírito (Lc 18.15,16; At 2.38.39; Jo 3.3,5;
1Jo 5.12; Rm 8.9 – todos estes textos comparados juntos) que opera quando, onde
e como quer (Jo 3.8). Do mesmo modo são salvas todas as outras pessoas
incapazes de serem exteriormente chamadas pelo ministério da Palavra (1Jo 5.12;
At 4.12). Confissão de Fé de Westminster, 1643-1649.
Assim, crianças que falecem sendo
ainda incapazes de entender a Palavra são eleitas. Deste modo também algumas
pessoas com deficiência mental podem estar incluídas neste critério.
3. Olhe a consequência da eleição
calvinista. Piper, John
(1983), em “Como
um Deus Soberano Ama?”, fala dos seus três filhos, que,
todas as noites depois que eles dormem, ele acende a luz da sala, abre as
portas dos seus quartos, anda de cama em cama, estendendo suas mãos sobre eles
e orando. Muitas vezes é movido em lágrimas de alegria e saudade. Ele ora pelos
seus filhos para que Deus os exalte e para que sejam sua mão direita no
evangelho, deem a glória a Deus à medida que eles crescem na fé [...]. Ele
continua: “Mas não sou ignorante que Deus
talvez não tenha escolhido meus filhos por seus filhos. E, embora eu ache que
eu daria minha vida pela sua salvação, se eles se perdessem para mim, eu não me
iria contra o Todo-Poderoso. Ele é Deus. Eu só apenas um homem. O oleiro tem
direitos absolutos sobre a argila. Meu direito é me curvar sobre seu caráter
impecável e acreditar que o Juiz de toda a terra tem sempre feito e sempre fará
o que é certo.”
Embora John Piper seja na minha
opinião um homem de Deus, o leitor pode perceber que a consequência dessa
eleição calvinista é dura. Na minha opinião, mais certeira que essa visão e
fato acima é o fato de que a Bíblia diz que se ensinarmos o(a) menino(a) no
caminho que deve andar (entenda, não ensinarmos às crianças o caminho, mas no
caminho, ou seja, andando junto com elas nesse caminho, para que elas provem da
graça de Deus), o Pai terá misericórdia delas e as tem elegido. Jesus recebeu a
todos os que chegaram perto dele, pode ver a Escritura, Jesus teve misericórdia
de todos quantos o Pai trouxe a Ele! E Deus Pai leva a Jesus as almas pela
Palavra! Assim, quando pregamos a Palavra aos nossos filhos, somos vasos usados
pelo Espírito de Deus para levar os nossos filhos ao próprio Jesus! Deste modo,
pelo evangelho, o Pai leva as almas a Cristo! Inclusive quando o Pai toma um
pai de família para, como vaso usado pela Palavra, levar os filhos a Cristo. E
Cristo recebe a todos quanto o Pai lhe trouxer. E Cristo ama os meninos. E os
meninos são humildes, ou seja, recebem a Palavra! Mas Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e
não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus (Lc 18.16). E a vontade do Pai que me enviou
é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o
ressuscite no último dia (Jo 6.39). Romanos
10.14 mostra o meio usual do Pai levar uma alma ao Filho: A pregação da verdadeira Palavra de Deus, o
evangelho genuíno: Como, pois, invocarão
aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como
ouvirão, se não há quem pregue? Verso 17: De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.
4. Como evangelizar seu bebê ou
criança pequena para que, quando crescer, o Senhor confirme a sua eleição, que
foi através da Palavra?
Primeiramente, aquele que diz
como se deve andar deve agir como tal. Não adianta evangelizar e querer que
surja efeito sem testemunho de vida, sem ser nascido de novo. O nosso
testemunho fala mais do que as nossas palavras.
Deixo este trecho como modelo:
Deuteronômio 6:4 Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único
Senhor. 5 Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração,
e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. 6 E estas palavras, que
hoje te ordeno, estarão no teu coração; 7 E as ensinarás a teus filhos e
delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e
levantando-te. 8 Também as atarás por sinal na tua mão,
e te serão por frontais entre os teus olhos. 9 E as escreverás
nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.
Infelizmente, alguns hoje acham
que criança pequena não entende as coisas e vai evangelizá-la apenas na
pré-adolescência. Este é um equívoco tremendo. Invista no seu filho, e a
Palavra de Deus criará, no tempo certo, uma fé salvadora no coração dele. Esta
fé vence o mundo (1Jo 5.4). Esta fé resiste qualquer coisa: resiste pecado,
tentação, perseguição, morte cruel, fome, nudez, espada. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a
maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter
fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso
todas as coisas em Cristo que me fortalece (Filipenses 4:12,13).
5. Salvação de pessoas que nunca
ouviram falar do evangelho nos tempos do Novo Testamento ou não conheceram o
testemunho do Deus de Israel no tempo do Antigo Testamento.
Rm 2.13-16 Porque os que ouvem a lei não são justos
diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. Porque,
quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da
lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; Os quais mostram a obra da lei
escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus
pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; No dia em que Deus há de
julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho. QUANDO
os gentios, especialmente antes da primeira vinda de Cristo, que não conhecem o
pecado pela lei [mosaica], e assim não têm lei [divina como base], fazem
naturalmente as coisas que são da lei [de Deus – Bíblia], não tendo eles lei [de
Deus], para si mesmos são lei [norma, regra]. Os quais mostram a obra da lei
[amor ao próximo e a Deus, pois o fim da lei é o amor, conforme Jesus disse]
escrita em seus corações, através do conhecimento e do senso comum da
consciência, quer acusando-os, quer defendendo-os. Complementando com Romanos
1.20 [Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu
eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo
compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são
indesculpáveis], se, pela revelação de Deus na natureza crerem
em Deus, o Criador, e seguirem a sua consciência, serão justificados pela fé (hão de ser justificados cf. Rm 2.13). O
versículo deixa implícito que não serão justificados em suas vidas terrenas,
mas no dia do juízo (Rm 2.16 no dia em que Deus há de julgar os segredos dos
homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho). Serão justificados, por
esse entendimento, todos os que, com sinceridade, sem conhecimento da lei de
Deus, sem conhecimento da graça e do Nosso Senhor Jesus Cristo, pela graça
infinita de Deus, seguem as boas pistas da sua consciência que veio de Deus.
Estes, que obedecem à consciência, que obedecem aos dez mandamentos, que quando
erram se arrependem, sem conhecer o Senhor pela revelação especial (Palavra de
Deus), mas pela revelação natural crerem (especialmente falando acerca de uma
minoria em povos não alcançados durante toda a história), serão salvos naquele
dia. Se algum desses ouvisse falar sobre a Palavra e sobre o Evangelho de
Cristo, Deus sabe que eles o aceitariam, pois escolhidos são de Deus. Ainda que
falte, talvez, pregadores e missionários, essas pessoas não deixarão de ir ao
céu, pois Deus é justo e bom, não ignorando alma nenhuma à perdição. Então, se
alguém porventura disser: “não mato, não roubo, não minto, não adultero... será
que o Senhor me aceitará no dia do juízo?” Não. Você que conhece a Deus, já
ouviu falar na Bíblia, e não o obedeceu em Cristo, não é como um deles. A
salvação não é pelas obras, obediência, rituais, sacrifícios ou caridade, é
pela fé em Cristo. Todavia, assim como o Senhor não condena bebês que falecem
ao inferno, ao Senhor também aprouve ter misericórdia de alguns dentre a humanidade
que nunca ouviu falar de Cristo ou da Bíblia, em Cristo: Porque dele [de
Cristo] e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele
eternamente. Amém. Romanos 11.36.
Por que eu coloquei este tópico aqui sobre a salvação de uma
pequeníssima minoria? Pois, assim como ocorre contra o calvinismo, em que
muitos teólogos sentem-se mal com a teoria da condenação de ímpios pelo mero
conselho e determinação da parte divina por parte da teoria calvinista, alguns
também sentem-se mal ao pensar sobre uma eventual condenação de uma
pequeniníssima minoria que nunca ouviu falar de Deus e do evangelho, ainda que
a pessoa respondesse bem à graça preveniente infinita de Deus que vem da Cruz
do Calvário. Assim, sabendo que Deus é justo e bom, e não condena ninguém
injustamente, Ele é imparcial, a consciência destas pessoas pode descansar em
paz sabendo que, por exemplo, mesmo sem missionário nas
Américas até a época de Cristóvão Colombo, creio que o Senhor certamente salvou
alguns índios crentes da condenação eterna, por Jesus Cristo (Rm 2.16), nosso
Senhor.
O evangelho, segundo a Bíblia,
nunca foi pregado a Abraão, senão pelo contato do próprio Deus. É disso que
falamos. E Abraão foi salvo pela fé, alcançado pela graça infinita de Deus.
Cristo continua sendo, mesmo
nessas exceções, o único mediador, e essa a aplicação é extraordinária, não o
caminho normal ou ordinário.
Obras de
Armínio (2015, p. 301): Não é heresia nem erro dizer: “Mesmo sem esses meios [ordinários,
isto é, a pregação da Palavra], Deus pode converter algumas pessoas.”
A
salvação de povos que nunca ouviram falar de Cristo permanece um mistério, mas
se Deus não condena inocentes, e sempre age com imparcialidade, e quer que
todos sejam salvos, eu creio firmemente nessa seção, embora os mecanismos
teológicos, a explicação de como isso acontece, não estejam tão claros na
Escritura a meu ver.
Concluímos
que se Deus salva alguém que nunca teve acesso ordinário à revelação especial,
tal pessoa não é salva pela consciência, pelas obras ou por mérito próprio, mas
unicamente por Cristo, pela graça, mediante uma fé real em Deus conforme a luz
recebida. A consciência não é fundamento meritório da salvação, mas possível
evidência de uma resposta à graça divina. Essa é uma possibilidade
extraordinária, não o caminho ordinário da salvação, que permanece sendo a
pregação do evangelho de Cristo.
Assim, também, na ordem de Deus a
destruir totalmente os cananeus, a vida deles na terra foi terminada, mas provavelmente
alguns poucos (falo dos bebês, pelo menos) foram admitidos à vida eterna, e os
injustos, que já iriam à condenação eterna, simplesmente foram antes da hora
que esperavam. Quando Deus interrompe a vida de alguém aqui na terra, isso não
quer dizer que irá mudar o seu destino eterno. Se Deus recolhe algum jovem, por
exemplo, o destino dele traçado já durante sua vida pelas suas escolhas
simplesmente é alcançado antes do tempo em que ele esperava. Não há injustiça
da parte de Deus, que dá a vida e tira a vida quando quer. Porém, se muitos
rejeitam a Palavra, não importa se morrerão jovens ou velhos, se a condenação
permanece. Importa viver o hoje, e hoje se converter dos maus caminhos, para
que, ainda que Deus recolha jovem [Estêvão e Tiago], idoso de morte não natural
[Pedro e Paulo] ou de morte natural [João], esteja na multidão celeste adorando
a Deus na outra vida. A nossa vida é de poucos anos, mas a eternidade é para
sempre. Imagine um “trilhão” de anos, com alegria,
adoração e novidades todos os dias que Deus nos surpreenderá (se for uma
eternidade contínua). E se for um momento de plenitude infinita, sem ter um
tempo corrido, imagine viver, no céu (quando falamos céu queremos dizer “novos
céus e nova terra”), modelando o espaço-tempo como bem entender com a
capacidade que Deus deu! Amém. Esta vida é um “teste” a todos, e Cristo venceu,
e Nele somos mais do que vencedores. E
esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. 1Jo 5.4.
10.5.7 O Perfil dos Eleitos de Deus
Mateus 25.34-36,40 mostra que o
perfil dos eleitos de Deus tem como evidência ajudar o próximo, um cristianismo
prático, e não teórico:
Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu
Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do
mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber;
era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e
visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver [...]. E, respondendo o Rei,
lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus
pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Tiago 1.27 mostra que o
verdadeiro cristianismo é a prática: A
religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as
viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.
Aquele que fica em teorias, que
conhece e ouve a Palavra, mas não a pratica, não tem a sua casa na rocha
(Mateus 7.24-29).
Tiago 4.17 Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.
Mateus 5 fala o perfil dos
eleitos de Deus:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão
fartos;
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de
Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque
deles é o reino dos céus;
Mateus 5.3-10. Os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, e os perseguidos são os elementos que se encontram nos verdadeiros cristãos, em algum grau, pois uma árvore boa dá bons frutos (Mt 7.17)!
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