domingo, 12 de julho de 2026

ELEIÇÃO. Complementação aos meus livros

Graça e Paz da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus.

Deus me deu um híbrido da eleiçao luterana com a arminiana: penso que Deus me agraciou.

É tudo muito novo, não tenho certeza que esteja 100% correto, foi pela fé.

Roberto

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17.           DA ELEIÇÃO ETERNA DE DEUS EM CRISTO E PELA PALAVRA

 

 

Baseado em Marcos 4, Mateus 13 e Lucas 8, a parábola do semeador, com paralelos em João 15, a parábola da videira, a semente (que salva) é a Palavra. Ela opera em duas etapas.

Neste capítulo também abordaremos Jo 15, a parábola da videira com paralelos com os capítulos do parágrafo anterior. Jo 15 diz que os chamados por Deus para um relacionamento com Cristo, ainda não sendo justificados e regenerados, também estão em certa forma em Cristo, implicitamente considerados como varas enxertadas na videira cf. Jo 15.2. É nesse sentido específico que este capítulo fala de pessoas ainda não salvas como estando em Cristo.

Ao primeiro contato com a Palavra, isto é, ao plantar a semente no solo da mente das pessoas (Mc 4.14,3) pode gerar ou não gerar uma planta da Palavra de Deus com o fim de dar fruto (a Palavra fala de semente e fruto, então está implícita a “planta”). A semente, ainda que brote, não gerará fruto se não tiver raiz suficiente (Mc 4.16-17), ou seja, se após plantada, a semente for tirada por Satanás (v. 15) ou se as pessoas se escandalizarem pela perseguição (v. 17). Esse é o processo de conversão, a primeira etapa da atuação da Palavra. Essa planta ainda não está salva se não der fruto (pode ser temporária cf. Mc 4.17, pode até crescer um pouco e ficar infrutífera cf. Mc 4.19). O que mostra que a semente de Deus salvou a pessoa é a planta dar frutos (Mc 4.20 cf. v. 12). A Palavra chama, e é a mesma Palavra que salva dando fé (Rm 10.17), que é a segunda etapa da atuação da Palavra.

Da mesma forma, o Pai chama a muitas pessoas através de sua Palavra a ponto de enxertar varas/ramos na videira que é Cristo. Como na parábola do semeador, ser enxertado em Cristo ainda não salva se não der fruto (Jo 15.2). Isso equivale a ser chamado por Jesus pelo evangelho. E se não der fruto será tirado (Jo 15.2), irá ao inferno de fogo (Jo 15.6). Para dar fruto, não é só estar em Cristo (Jo 15.1), mas Cristo na pessoa (Jo 15.5 quem está em mim, e eu nele). Isso equivale a estar em Cristo e as palavras de Cristo estarem em nós (Jo 15.7). Esse é o escolhido de Deus, aquele que a Palavra/Jesus chamou (Rm 8.30), e que deu fruto (boas obras são o fruto da fé salvadora, pois fé sem obras é fé morta cf. Tiago 2.14ss). Como deu fruto, isso é consequência do relacionamento com a Palavra, e consequência também da eleição, isto é, a pessoa foi escolhida por Deus pela Palavra, ou seja, por Cristo. Cristo chama por meio da palavra do evangelho, e o Espírito opera mediante essa palavra. É o mesmo Deus pela mesma Palavra que completa a obra, inclusive para eleger os seus para si pela presciência, pois Deus conhece os seus antes da fundação do mundo (Ef 1.4).

Ao que é humilde pela graça e escuta atentamente quando a Palavra ensina, chama, repreende, ao que se arrepende quando a Palavra o acusa, eis que é eleito de Deus – isto é comprovado se, de fato, a pessoa receber a Palavra e der frutos (Jo 15.1-8 cf. Jo 15.16 Cristo nos escolheu com o propósito de dar fruto!). E o fruto é o fruto do Espírito de Gálatas 5.22, bem como a fé perseverante, a obediência e as boas obras produzidas pela graça.

Eis que o Senhor não condena ninguém sem motivo! Jesus chama a todos cf. 1Tm 2.4, para cear cf. Ap 3.20, para as bodas cf. Mt 22! Se fosse apenas pelo caráter e bondade de Deus, uma eleição de via única, todos seriam salvos (1Tm 2.4).

Quem não recebe a Palavra não dá fruto (Mc 4.20). Resistir ao Espírito Santo é não receber/desprezar a Palavra cf. Mateus 13.15 o coração deste povo está endurecido, e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; e cf. Mt 23.37 quantas vezes quis eu, e tu não quiseste. Desprezar a Palavra é desprezar a Cristo (Jo 14.23). Estes são chamados pelo evangelho (todavia, não segundo o propósito de ser como Cristo pela presciência de Deus conforme Rm 8.30 e 1Pe 1.2), pois ouviram a Palavra, estiveram plantados temporariamente nesse processo de conversão em Cristo, mas não deram fruto, foram tirados de Cristo e secarão: serão jogados no fogo e arderão (Jo 15.6)! Taparam os ouvidos para não ouvir e não receber a Palavra (Mt 13.15) e por isso não foram escolhidos!

Ainda que receba a Palavra com alegria, se não produzir o fruto do Espírito, mas se for crente apenas por algum tempo, desviando-se no tempo da tentação (Lc 8.13), se der fruto sem amadurecer (Lc 8.14) ou se não conservar a Palavra, não será salvo, não dará fruto com perseverança (Lc 8.15).

Deus elege pela Palavra, pelo contato com a Palavra, pois Jo 15 relaciona três coisas: 1) Estar em Cristo como ramo sem fruto (chamado mas não escolhido); 2) Estar em Cristo como ramo frutífero (chamado e escolhido); E o escolher de Deus: compare Jo 15.1-6 com v. 16 (Deus nos escolheu para dar fruto!).

Repetindo, a Palavra chama, Jesus chama, e é a mesma Palavra que salva dando fé (Rm 10.17). Deus elege pela Palavra para dar fruto. E, ainda que o critério da eleição seja o relacionamento com a Palavra, somos eleitos e amados por Deus desde a eternidade pela Sua bondade, misericórdia, graça, amor, pelo Espírito Santo, pela presciência de Deus e para obediência do sangue de Cristo (1Pe 1.2).

O Pai, como faz um agricultor com uma videira, coloca as pessoas como ramos ou varas em Cristo, ou seja, convida e chama a todos pelo evangelho (Jo 15.1,2). O Pai, como agricultor, prova e manifesta no tempo a condição dos ramos. Segundo sua presciência eterna, Deus já conhece aqueles que receberão a Palavra, permanecerão em Cristo e produzirão fruto pela graça pelo próprio contato com a Palavra (Jo 15.2). O fruto é sinal da eleição cf. Jo 15.16 - mas se a pessoa convidada por Cristo para a salvação (Ap 3.20) endurecer o coração e ouvir a mensagem do evangelho de mau grado, endurecendo os ouvidos e fechando seus olhos (Mt 13.15 cf. Mt 23.37), não será eleita em Cristo desde a fundação do mundo pelo conhecimento prévio de Deus Pai cf. 1Pe 1.2.

Não somos eleitos por boas obras. Não somos eleitos por sermos bons ou por alguma obediência, visto que ninguém é bom senão Deus e ninguém faz o bem de si mesmo, mas todo bem é ato da graça de Deus. Receber a palavra de Jesus após Ele nos convidar é como um mendigo que estende as mãos para receber um presente de um Rei que lhe vem ao encontro em tempo oportuno. O mendigo não merece, não chamou o Rei ao seu encontro, não puxa o presente para si, não rouba o presente, só estende a mão, e é o Rei Jesus que vai ao seu encontro, que coloca o presente na mão do mendigo, é o Rei que salva e transforma o mendigo e o faz assentar com os Seus príncipes no Reino dos Céus. Amém!

 

Conclusão

Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. (Filipenses 2:13 acf)

Deus elege pela Palavra: é Deus pela Palavra que chama; que, sendo recebida adequadamente, pela Palavra transforma cessando a resistência do coração e constrangendo a livre vontade do homem por amor (opera em nós o querer e efetuar cf. Fp 2.13); que pelo Espírito através da Palavra, convence do pecado, justiça e juízo (Jo 16.8); constrange-nos pelo amor de Cristo (2Co 5.14); opera o arrependimento (a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade... 2Tm 2.25); e opera a fé, dom de Deus (Ef 2.8 cf. Rm 10.17) pelo qual a pessoa é salva. A Trindade opera, além disso, a adoção, a regeneração, a justificação, a união com Cristo, a preservação, a parte ativa e transformadora da santificação e a glorificação.

Quem tapa os ouvidos à Palavra não pode se confortar com a doutrina da graciosa eleição, pois resiste a Deus, não abre a porta para Cristo (Ap 3.20), rejeita o convite para as bodas e não comparece (Mt 22). Não são eleitos justamente por não ouvir a Palavra e não ser transformados por ela, por Cristo. Amém.

1Pe 1.2: eleitos para a obediência, e não pela obediência: o mendigo estender a mão não o faz receber o presente sem o Rei dá-lo. O estender a mão do mendigo não é boa obra, ou obediência ativa, mas é obra neutra salvificamente, pois não salva em si mesma: é Jesus que convida, que dá o presente, que transforma, que se revela, e de modo nenhum será lançado fora por Jesus, de modo nenhum será rejeitado por Cristo, de modo nenhum será considerado não eleito se receber e conservar pela graça a Palavra que transforma e salva o coração/mente (cf. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. João 6:37; Lc 8.15). Amém.

 

Base Bíblica Adicional

O Pai amou a todos e a cada um dos seres humanos dando-lhes oportunidade de salvação:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3.16

 

Confirmando isso, Deus deseja que todos sejam salvos, não como decreto irresistível (ou seja, não como decreto ativo):

Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” 1 Timóteo 2.3,4

 

Porém, Deus elegeu somente alguns pela graça, pelo Espírito e pela Palavra:

Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: A vós graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo! Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, Para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça...” Efésios 1.1-7

 

A salvação, antes de ser recebida, pode ser resistida:

Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais.” Atos 7.51

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” Mateus 23.37

 

O pecado de Adão atingiu a todos, e a graça de Cristo convida a todos dando-lhes oportunidade de justificação de vida:

Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.” Romanos 5.18;

Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.” Romanos 11.32

 

Concluímos que a predestinação (que significa “destinados previamente”, desde a eternidade, a ser filhos amados unidos a Cristo na glória), ou eleição individual para a vida eterna, é bíblica, operação de Deus pela graça, pela Palavra, que é o meio pelo qual vem a fé salvadora (Rm 10.17) e meio pelo qual, com o Espírito, convence o mundo do pecado, justiça, juízo e constrange amorosamente nossa liberdade de escolha (a mesma liberdade de escolha que é restaurada pelo contato com a Palavra, mencionada no capítulo seguinte: “O Processo de Conversão: Comentário Abreviado de Romanos 7. Homem Natural, Carnal e Espiritual”), cessando a resistência do coração, para o amor voluntário a Deus.

O Livro de Concórdia (Sinodal, 7ª ed., 2016), embora não ensine a interpretação condicional da eleição adotada aqui, expressa corretamente a atuação eficaz do Espírito por meio da pregação e audição da Palavra, comentando Romanos 10.17, João 17.17,20 e Atos 11.14:

O Pai eterno clama do céu a respeito de seu amado Filho e quanto a todos os que, em seu nome, pregam arrependimento e perdão dos pecados: “a ele ouvi”, Mt 17.5.

Todos os que querem ser salvos devem ouvir essa pregação, pois a pregação e a audição da palavra de Deus são o instrumento do Espírito Santo, no qual, com o qual e por intermédio do qual ele quer operar eficazmente, converter os homens a Deus e neles operar tanto o querer como o efetuar.

A fé vem do ouvir a palavra de Deus quando é pregada em sua “genuinidade e pureza”, ou pregada de modo “impermista [genuíno, puro, simples, que não foi misturado] e puramente”.

Por esse meio, a saber, a pregação e a audição de sua palavra, Deus opera, quebranta-nos o coração e atrai o homem, de modo que, pela pregação da lei, chega ao conhecimento de seus pecados e da ira de Deus e experimenta, no coração, terror, contrição e pesar verdadeiros e, pela pregação e meditação do santo evangelho do gracioso perdão dos pecados em Cristo, acende-se nele uma centelhazinha de fé que aceita o perdão dos pecados por amor de Cristo e se consola com a promessa do evangelho. E assim, o Espírito Santo (que opera tudo isso) é introduzido no coração.

Deus nos dá o dom da fé pela Palavra, e nós cremos através desse dom dado por Ele, conforme a própria outra seção do mesmo livro:

Cremos, ensinamos e confessamos que essa fé não é mero conhecimento da história de Cristo, mas uma espécie de dom de Deus por meio de que [nós] reconhecemos retamente a Cristo nosso Salvador, na palavra do evangelho e nele confiamos que somente por causa da sua obediência temos, de graça, perdão dos pecados, somos considerados santos e justos por Deus e somos eternamente salvos. Livro de Concórdia (Sinodal, 7ª ed., 2016).

Isso é apenas aos eleitos – para o fim de ser conforme a imagem de Cristo cf. Romanos 8.28-30, para ser adotado na família de Deus, para a obediência cf. 1Pedro 1.2 (e não pela obediência: Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas) conforme também toda a Escritura.

Como a fé salvadora é anterior à justificação (Rm 5.1, Ef 2.8), como a Palavra produz a fé salvadora (Romanos 10.17), como a pessoa precisa receber a Palavra em seu coração segundo as Escrituras antes dessa fé (Atos 2.41, 17.11), e como a eleição de Deus é desde a eternidade (Ef 1.4) segundo o conhecimento prévio de Deus Pai (1Pe 1.2), além de que a eleição é de Deus pelo contato com a Palavra, ocorre que Deus mesmo faz a separação dos justos e injustos em vida pela Palavra de Cristo no convencimento do Espírito Santo que testifica de Cristo (1Jo 5.6-12). Como a eleição é de Deus, assim como Seu Amor, conclui-se que a não resistência da livre vontade do ser humano (com consequente amor voluntário) é pela Palavra, e também a fé, a justificação, regeneração e glorificação vêm todas de Deus pela Sua graça, natureza, bondade, palavra e amor.

Em contrapartida, a condenação ao inferno é pelo desprezo à Palavra de Deus, e não por decreto divino inescapável e irresistível desde a eternidade. Quem despreza e odeia a Palavra, meio pelo qual o Espírito testifica de Cristo, também despreza e odeia a Cristo, e consequentemente despreza e odeia ao Pai. Deus não rejeita ninguém sem dar chance a ele (1Tm 2.4), embora nem todos recebam a mesma oportunidade ou a mesma exposição ao evangelho, mas o culpado da não aceitação divina é o próprio pecador que recusou o convite de Deus e preferiu amar seu próprio pecado (Jo 15.22-23, especialmente “Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado” e “Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia.” cf. Jo 12.48: Jesus condena a estes pelo desprezo à Sua Palavra).

Deus recebe a todos os que se aproximam Dele em humildade – Deus os espera como Bom Pai, suficiente Salvador, verdadeiro e amoroso Senhor sobre tudo e sobre todos: consequentemente confirma-se o fato de que Deus quer salvar a todos conforme a Escritura (1Timóteo 2.4), que é inerrante, e não contraditória nos manuscritos originais inspirados (2Timóteo 3.16-17 Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra).

O apóstolo diz claramente que Deus suportou com muita longanimidade os vasos da ira. Não diz que fez vasos de ira. Pois se tal houvera sido sua vontade, não teria necessidade de grande longanimidade. Quanto a serem preparados para a perdição, disso é culpado o diabo e os homens, não Deus. Livro de Concórdia, editora Sinodal e Concórdia, 2016.

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