Graça e Paz
Nova versão!
Deus me agraciou!
Vamos até as raízes do que a Bíblia diz.
"Seção 3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais. Ocidente versus Oriente" aprimorada
Baixem de graça:
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EPUB
https://www.mediafire.com/file/3usmsb03ke7sd9b/18-jun-26_-_Teologia_Sistem%25C3%25A1tica_Interdenominacional.epub/file3.4.1 A Trindade: Esclarecimentos Adicionais. Ocidente versus Oriente
Essa seção foi aperfeiçoada em
junho de 2026 para a glória de Deus, e para que a Igreja do Senhor chegue mais
perto da Palavra com a teologia, através de uma “fé mais pura e límpida, clara
como cristal, cuja origem está na Palavra” (Rm 10.17).
As formulações mais conhecidas da
Trindade, a mesma da seção anterior, usadas abundantemente neste livro,
amparadas pelos Católicos e Protestantes, são baseadas na formulação da Igreja
do Ocidente: “1 DEUS em 3 PESSOAS”, ou seja, “1 ESSÊNCIA DIVINA (1 DEUS) em 3
PESSOAS, o PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO”.
Já a formulação da Trindade na Igreja
Ortodoxa Oriental, mesmo que não apoie algumas doutrinas dela que me parecem
estranhas (por ex., a definição de “essência versus energia”), também é bíblica,
baseada nos pais da Igreja e no credo Niceno-Constantinopolitano
(aperfeiçoamento do Credo de Niceia):
O PAI é fundamentalmente DEUS,
chamado na Escritura “DEUS” (pois grande parte da Escritura, quando usa a
expressão “Deus”, fala do Pai). JESUS CRISTO e o ESPÍRITO SANTO são DEUS de
DEUS, LUZ de LUZ, sendo CRISTO GERADO e o ESPÍRITO PROCEDENTE do PAI. Essa
doutrina chama-se “Monarquia do Pai”. Não entraremos em detalhes
secundários dela, apenas aos essenciais claramente expostos na Escritura.
A Escritura, na linguagem do Novo
Testamento, chama o Pai de Deus, o Filho de Senhor, e o Espírito Santo de
Espírito. Isso não é acidental. A Escritura não apoia em seus versículos
explicitamente e expositivamente a notação “essência divina (Deus), Pai, Filho
e Espírito Santo”, mas sim, “Pai (origem, não gerado, não procedente), Filho
(gerado de Deus), Espírito Santo (procedente de Deus)”.
Em contrapartida, o problema com
a formulação integral do Ocidente é que implicitamente, na prática, ao ensinar
essa doutrina, podemos pender para uma quaternidade: “ESSÊNCIA DIVINA (DEUS),
PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO”.
O que a Escritura nos diz?
Vejamos a Escritura, ela é
perfeita e é a preservada Palavra de Deus para todos os cristãos, sejam eles
ocidentais ou orientais. Quando a Escritura usa a expressão “Deus”, quer dizer
que a fonte
da Divindade é o Pai, a própria Pessoa do Pai, e não uma essência divina
abstrata.
1 Coríntios 8:6 "Todavia
para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e em quem estamos; e um só
Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele."
João 17:3 "E a vida
eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a
Jesus Cristo, a quem enviaste."
João 15:26 "Mas, quando
vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de
verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim."
Efésios 4:6 "Um só
Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós."
João 5:26 "Porque, como o
Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo;"
1 Coríntios 11:3 "Mas
quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da
mulher, e Deus a cabeça de Cristo."
Mesmo após a ressurreição em glória, o Pai
permanece como a fonte e o Deus da humanidade de Cristo
João 20:17 "Disse-lhe
Jesus: Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus
irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso
Deus."
No Apocalipse: Relação Eterna Deus-Cristo
No livro de Apocalipse, o Cristo
glorificado e entronizado repete quatro vezes seguidas a expressão "meu
Deus", reforçando que sua relação filial e a primazia do Pai persistem na
eternidade.
Apocalipse 3:12 "A quem
vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e
escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu
Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o
meu novo nome."
Divindade do Filho, onde a Escritura chama Jesus de
Deus. Na teologia (Credo Niceno): DEUS de DEUS.
Hebreus 1:8 "Mas, do
Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro
de equidade é o cetro do teu reino."
Romanos 9:5 "Dos quais
são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos,
Deus bendito eternamente. Amém."
Tito 2:13 "Aguardando a
bem-aventurada esperança, e a manifestação da glória do nosso grande Deus e
Salvador Cristo Jesus;"
Divindade do Espírito Santo (que é, assim como o Filho, Deus
de Deus):
Atos 5:3-4 "Disse então
Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao
Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava
contigo? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em
teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus."
Segue-se que a Escritura, embora
apoie quase toda a seção anterior (3.4 A Trindade, citação da AGIR), só não
apoia a designação de DEUS como essência divina abstrata (o que parece uma
quaternidade), mas apoia a designação de DEUS identificado com a própria Pessoa
do Pai, Deus Pai, e, consequentemente, o FILHO e o ESPÍRITO como DEUS de DEUS
(Deus cuja origem – gerado e procedente – vem de Deus).
A
Trindade
Diferenciamos o Pai ao Filho,
pois o Pai gerou o Filho, e o Filho é gerado pelo Pai. O Pai é quem gera, e
assim Ele se autodenominou através das Palavras do Filho na Escritura como o
Pai, e o Filho é autodenominado Filho de Deus, ou Deus Filho, porque é fruto da
geração do Pai, gerado pelo Pai (Hebreus 1:5 Porque, a qual dos anjos disse
jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E
ele me será por Filho?). Essa é a diferenciação da primeira com a segunda
pessoa da Trindade. O Pai não foi gerado, nem procedente. Nenhuma Pessoa divina
foi criada, nem existiu tempo algum em que uma Pessoa existia e outra Pessoa da
Trindade não.
Acerca do Espírito Santo, a
Escritura afirma que o Espírito é Procedente do Pai, e que Cristo, da parte do
Pai, é quem envia o Espírito (João 15.26 Mas, quando vier o Consolador, que
eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede
do Pai, ele testificará de mim), também que o Pai enviará em nome do Filho
(João 14.26 Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em
meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto
vos tenho dito). O Espírito é chamado Espírito de Deus (do Pai), e Espírito
de Cristo (do Filho) em Romanos 8.9 (Vós, porém, não estais na carne, mas no
Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o
Espírito de Cristo, esse tal não é dele).
Veja essa citação (origem
ocidental), será usada para outros raciocínios abaixo:
“Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade: Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de ninguém: não é gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.” Confissão de Fé de Westminster, 1643-1649.
Devemos meditar ainda: O
Filho/Logos/Verbo/Palavra (Jo 1.1) existia ou era uma pessoa, inclusive divina,
antes de ser gerado na eternidade, assim como o Espírito, Ele era uma pessoa
divina antes de ser procedente, ou apenas o Pai?
Segundo os autores do livro Filosofia e Cosmovisão Cristã, de J.P. Moreland e William Lane Craig (2005), Tertuliano, um pai da igreja,
acreditava incorretamente que antes de ser gerado e procedente,
respectivamente, o Filho e o Espírito não eram pessoas distintas do Pai:
O Pai existe eternamente com seu Logos imanente; na criação, antes do começo de todas as coisas, o Filho procede do Pai e, assim, se torna seu primeiro Filho gerado, por meio de quem o mundo é criado {Contra Práxeas - CP, 19). Desse modo, o Logos se torna Filho de Deus somente ao proceder do Pai como ser substantivo {CP, 7). Parece que Tertuliano estaria considerando o Filho e o Espírito pessoas distintas somente depois de sua processão do Pai {CP, 7), mas está claro que ele insiste em sua distinção pessoal a partir pelo menos deste ponto.
Apesar de Tertuliano ter
contribuído em muito para a teologia na sua época, essa parte está incorreta,
pois o Filho e o Espírito sempre existiram como pessoas divinas distintas da
pessoa do Pai, sendo eternos. Era uma época em que a igreja não havia
desenvolvido e descoberto os primeiros credos dos concílios pela Escritura.
Por que a igreja cristã verdadeira não creu nisso, que o
Filho e o Espírito fossem pessoas distintas somente depois de sua “processão” do Pai na eternidade? A pergunta é
respondida pelo pai da Igreja Atanásio, anos mais tarde, contra a heresia do
arianismo. A heresia defendida por Ário (daí vem arianismo) está citada no
parágrafo abaixo:
“Embora outros teólogos alexandrinos como Orígenes — em contraste com Tertuliano — argumentassem que a geração do Logos do Pai não teve início, mas é desde a eternidade, a razão de a maioria dos teólogos considerar a doutrina de Ário inaceitável não era, como Ário imaginava, porque ele afirmava que “o Filho teve um início, mas Deus não teve início” {Carta a Eusébio de Nicomédia 4,5). Em vez disso, questionava-se que Ário negava até mesmo que o Logos preexistia imanentemente em Deus antes de ser gerado, ou que não era, em qualquer sentido, da substância do Pai, de modo que seu início não foi de fato um início, mas uma criação ex nihilo e que, portanto, o Filho era uma criatura. Como protestou mais tarde Atanásio, bispo de Alexandria, no conceito de Ário, Deus sem o Filho carecia de seu Verbo e sabedoria, o que é blasfêmia {Discurso contra os arianos 1.6.17) [...].” Moreland e Craig (2005).
Portanto, de acordo com esses
parágrafos (cujo raciocínio será aperfeiçoado até o final dessa seção), o
Filho, em sua pessoa, é eterno, e, mesmo tendo sido gerado no pai desde a
eternidade, já preexistia em Deus Pai “antes” de ser gerado (logo veremos se a
expressão “antes” é satisfatória para a eternidade). Por quê? Esclarece
Atanásio: Deus sem o Filho carecia de seu Verbo e sabedoria, o que é blasfêmia.
Esticando esse raciocínio, posso
dizer que o Espírito, em sua pessoa, que também é eterno, mesmo tendo sido
procedente do Pai e do Filho desde a eternidade, já preexistia em Deus antes de
ser procedente. Por quê? Porque Deus sem o Espírito não é Espírito (ou melhor,
Deus é eternamente Espírito – então o Espírito é eterno). E Deus é Espírito,
sempre foi. "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em
espírito e em verdade. João 4:24." Nunca houve um tempo, momento ou
condição em que Deus não fosse Espírito. Alguém que não conhece teologia pode
dizer que Jesus não era espírito. Na verdade, sim, a humanidade de Jesus se consistia
também de carne, mas Deus (essência divina) é Espírito!
Para melhorar e aperfeiçoar o
raciocínio dos últimos parágrafos, começamos falando que, na eternidade, não
existe a noção de “antes de ser gerado”, ou “antes de ser procedente”. Na
eternidade, na qual está o Deus eterno, não há antes e depois, mas um presente
absoluto e completo.
Portanto, acerta quem confia na
Confissão de Fé de Westminster, que diz que o Filho é eternamente gerado do
Pai, e o Espírito eternamente procedente também! É algo eterno, contínuo, sem
início ou fim (se é eternamente gerado e procedente, permanece assim, “continuamente”
– melhor dizendo, “sem sucessão”). Armínio (Obras de Armínio, vol. 1, pág. 423, 2015), concordando com isso, diz que:
Dizemos que [o Pai] gerou desde toda a eternidade, porque Ele não foi o Deus de Jesus Cristo, antes de ser seu Pai, nem foi simplesmente Deus antes de ser seu Pai. Porque, assim como não podemos imaginar uma mente destituída de razão, também dizemos que é ímpio formar em nossa mente uma concepção de um Deus sem a sua palavra (Jo 1.1,2). Além disso, segundo os sentimentos da antiguidade sagrada e da Igreja universal, visto que esta geração é uma operação interna [...], ela é igualmente desde toda a eternidade [contínua]. Porque todas as operações são eternas, a menos que desejemos sustentar que Deus é passível de mudar.
Então? Então, segundo Armínio, “o
Pai é a fonte e a origem de toda a Divindade, e o princípio e a causa do
próprio Filho, como sugere a palavra “Pai” (Jo 5.26,27). [...]. O Pai é
chamado de “não gerado” [...], e é também por esse motivo que o nome de
Deus com frequência é atribuído nas Escrituras, peculiarmente e por meio de
eminência, ao Pai.” Obras de Armínio (2015).
Como diz o credo
niceno-constantinopolitano, “o Filho foi gerado do Pai, luz de luz, Deus de
Deus...” Isso implica que Deus Pai comunica (em linguagem grosseira, “comunica”
significa “transmite”) a divindade ao Filho (e, claro, também ao Espírito!).
Concluímos, finalmente, que Deus
Pai é “não gerado” (sendo assim a primeira pessoa da trindade), pois é, segundo
Armínio, a fonte e origem da divindade do Filho e do Espírito. Na Bíblia,
muitas vezes, quando se diz ‘Deus’, geralmente está falando de Deus ‘Pai’. O
Pai gera eternamente (isto é, na eternidade, fora do tempo criado) o Filho e,
nessa geração eterna, comunica ao Filho, sem sucessão, atemporalmente, sua essência
divina (isto é, a mesma natureza ou divindade), de modo que, assim como a
Confissão de Westminster diz que o Filho é eternamente gerado pelo Pai, o Filho
sempre foi Deus, uma pessoa divina. Deus é imutável e isso sempre foi assim e
nunca mudou, o que quero dizer que o Filho sempre foi e sempre será gerado
eternamente do Pai, que é a fonte imutável dessa essência divina. Nunca houve
época em que o Filho não fosse uma pessoa divina, ou que não tivesse sido
gerado.
Para um maior esclarecimento, o
Espírito Santo procede apenas do Pai, ou do Pai e do Filho? Resposta: ambos
estão corretos, dependendo do significado atribuído
ao verbo proceder, e justamente por isso ocorreu a confusão do Cisma
da Igreja em cima da Cláusula Filioque (...e do Filho). Ela ocorreu
principalmente devido à diferença da expressão “que procede do Pai” em latim versus no grego: latim (procedere - avançar, espalhar-se,
enviar) e em grego (ekporeuesthai - proceder a partir de uma
fonte original de existência):
No quesito de receber sua
Divindade, conforme a Escritura, o Espírito é procedente apenas do Pai (o Pai é
a fonte da Divindade, ou seja, a causa – o princípio – do Filho e do Espírito).
No quesito mais abrangente do termo "proceder", conforme a comunhão
da mesma divindade entre as três Pessoas da Trindade, em que a Bíblia também é
extremamente clara, o Espírito Santo é o Espírito do Pai e do Filho, procedente
(no sentido geral) tanto do Pai como do Filho – do Filho não por receber a
divindade do Filho, mas porque "o Espírito é dado, revelado, manifesto,
advém e é conhecido pelo Filho" conforme Gregório Palamas, Tomo (1351 apud Migne, J. P.,
Patrologiae cursus completus (Apology 142.262C-D), series graeca, Paris
(1857-1866) apud Papadakis, Aristeides (1983, Crisis in Byzantium: The Filioque
Controversy in the Patriarchate of Gregory II of Cyprus (1283-1289), New York:
Fordham University Press, pág. 91))). Amém.
Portanto, Deus Pai é eternamente
a fonte da divindade, não gerado; Deus Filho é eternamente gerado do Pai; e
Deus Espírito Santo é eternamente procedente do Pai, e eternamente enviado do
Filho (ou, em formulações teológicas distintas, conforme a variação do
significado do verbo “proceder”, eternamente procedente do Pai e do Filho). Por
que coloquei tantas vezes eternamente? Porque, dando uma última ênfase, isso
nunca foi diferente, pois Deus é imutável – não muda, nunca mudou! Jesus
Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente! (Hb 13.8).
Concluímos que nossa compreensão da Trindade não necessita obrigatoriamente que pensemos nela através do modo ocidental de ‘Um Deus em Três Pessoas’, nem como ‘Um Deus (uma essência divina) que subsiste em três Pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo’. A própria menção de “PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO” já engloba a Divindade, ou seja, já abarca a Divindade que tem sua fonte na Pessoa do Pai, estando o Filho Jesus Cristo e o Espírito Santo eternamente e imutavelmente unidos em comunhão com o Pai.
Amém.
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