TEOL. SIST. 6/MARÇO/2026:
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Correção seção 9.4 (a corrupção não vem do DNA, mas de geração natural etc.):
9.4 A Culpa e Corrupção Herdadas
pela Queda, a Aliança das Obras feita no Éden, Relação de Adão com a Humanidade; Cristo
Nasceu sem Pecado (Parte II) e Transmissão do Pecado
A respeito da culpa e da
corrupção herdada pela humanidade por causa de Adão, cito Grudem (2001):
Culpa herdada – Segundo as Sagradas Escrituras somos considerados culpados perante Deus por causa do pecado de Adão. E o apóstolo Paulo nos explica dizendo: “Portanto… por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” (Romanos 5.12). Ao observarmos o contexto, veremos que Paulo não está tratando dos pecados que as pessoas cometem efetivamente no seu dia a dia, pois todo o parágrafo (Romanos 5.12-21) trata exatamente da comparação entre Adão e Cristo, portanto quando Paulo diz “assim passou a todos os homens, porque todos pecaram”, ele está dizendo que por meio do pecado de Adão, “todos (os homens) pecaram”. Herdamos em Adão a culpa do pecado. Quando Adão pecou, o Senhor Deus considerou todos os futuros descendentes de Adão como pecadores. Mesmo que ainda não existíssemos, Deus que sabe quer o futuro quer o presente, Ele sabia que iríamos existir e passou a nos considerar culpados em Adão. E ele afirma mais: Ele diz que Cristo morreu “por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8), mesmo que muitos de nós nem existíssemos, mas Ele nos considerou pecadores necessitados de salvação. Adão pecou, e Deus nos considerou tão culpados tanto quanto Adão. Isto se chamar imputar, isto é, “considerar pertencente a alguém, e assim fazer pertencer a esse alguém”. Grudem (2001).
Essa culpa herdada da Queda de
Adão foi removida por Cristo na sua morte (na seção “A relação entre a Queda de Adão e do Sacrifício de Cristo a Todos e a
Cada Um” dentro da doutrina da salvação). Discursaremos em qual estágio
creio que essa remoção da culpa é aplicada na vida das pessoas na seção 10.3.3.
Corrupção herdada – Assim, o estado de depravação ou corrupção que se seguiu é agora inerente a toda humanidade. Todos nascem com a natureza carnal herdada de Adão. Davi diz: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51.5). Muitos estudiosos de maneira equivocada, julgam que o que está aqui em evidência é o pecado da mãe de Davi, mas isso não está no texto, pois se dermos uma boa e demorada olhada no contexto, verificaremos que nada ali narrado tem a ver com a mãe da Davi. Vamos olhar novamente o texto: “Compadece de mim, ó Deus… apaga as minhas transgressões… Lava-me completamente da minha iniquidade… conheço as minhas transgressões… Pequei contra Ti…” (Salmos 51.1-4). Davi é honesto, examina o seu passado, que se abate diante da legítima consciência do seu próprio pecado e percebe que ele foi pecador desde o início e que desde tenra idade teve uma natureza pecaminosa. Portanto, nossa natureza humana inclui uma disposição para o pecado. Grudem (2001).
Essa corrupção herdada só será
extinguida de nós na eternidade quando formos a completa imagem de Cristo na
glória, ou seja, sem pecado. Falemos um pouco da consequência da doutrina da
aliança das obras feita no Éden. Bom, basicamente é uma aliança (pacto) feito
com Adão, que se fosse fiel a Deus, obteria direitos legítimos à vida eterna
para ele e para seus descendentes. Claro que Adão já possuía a vida eterna, de
modo que comia dos frutos da árvore da vida, pois Gn 2.16-17 fala “De toda árvore do jardim comerás livremente,
mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque [...]
certamente morrerás”, em conjunto com Gn 2.9 “O Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e
boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do
conhecimento do bem e do mal”, que existia a árvore da vida no Éden, mas o
Senhor só proibiu a do conhecimento do bem e do mal. Então Adão comia dos
frutos da árvore da vida para viver, como nós comeremos nos novos céus e nova
terra (Ap 2.7, 22.14). Desobedecer a Deus nessa aliança das obras (também
chamada “aliança da criação”) seria desastroso. Deixo as palavras de Berkhof,
Louis, 1990:
Esta doutrina da aliança das obras [antes
de Adão cair em pecado] implica que Adão tinha dupla relação com os seus
descendentes, a saber, a de chefe natural da humanidade [pai de toda a
humanidade segundo a carne], e a de chefe representativo [cabeça] de toda a
raça humana. Além de ser pai de toda a humanidade, o primeiro homem [relação de
chefe natural], era também representante de todos os seus descendentes, de tal
modo que Deus ordenou que nessa aliança Adão não estaria só como si próprio,
mas como o chefe da raça, não somente num sentido paterno, mas também num sentido federal. Enquanto
que, sem essa aliança, Adão e os seus descendentes estariam num continuado
estado de prova, em constante risco de pecar, a aliança garantiu que a
perseverança, ao persistir por um período fixo de tempo,
seria recompensada com o estabelecimento do homem num permanente estado de
santidade e bem-aventurança. Segundo os termos da aliança, obteria legítimos
direitos à vida eterna, se cumprisse as condições da aliança. E não somente
ele, mas também todos os seus descendentes participariam dessa bênção.
Portanto, em sua operação normal, as disposições pactuais seriam de
incalculável benefício para a humanidade. Mas havia a possibilidade de que o
homem desobedecesse, e, nesse caso, os resultados seriam correspondentemente
desastrosos. A transgressão do mandamento incluso na aliança redundaria em
morte. Adão escolheu o curso da
desobediência, corrompeu-se pelo pecado, tornou-se culpado aos olhos de Deus e,
como tal, sujeito à sentença de morte. E porque ele era o representante federal
da raça, sua desobediência afetou os seus descendentes todos. Em Seu reto
juízo, Deus imputa a culpa do primeiro pecado, cometido pelo chefe da aliança,
a todos quantos se relacionam federalmente com ele. E, como resultado, nascem
também numa condição depravada e pecaminosa, e essa corrupção inerente envolve
culpa também. Berkhof, Louis, 1990.
Sobre a Aliança da Graça, favor
ver a citação da Bíblia de Genebra no Apêndice C – Aliancismo versus
Dispensacionalismo.
Juntando algumas seções, a alma
vem diretamente por uma criação de Deus na concepção (seção Origem da Alma), todavia, como diz G. Voetius, F. Turretin e B. de Moor
apud Bavinck, Herman (2012, vol. 2, pág. 595), “a alma, embora chamada à
existência como uma entidade racional espiritual por uma atividade criativa de
Deus [...] recebe seu ser não de cima ou de fora, mas sob as condições e
no meio dos vínculos do pecado que oprime a raça humana”. Enfim, por
isso, é claro que a alma também peca: “A alma que pecar, essa morrerá”
(Ez 18.20a). Já o nosso corpo em sua plenitude (tudo, menos a alma ou espírito)
certamente vem transmitido por geração de nossos pais, formado de modo único
pelo nosso DNA, assim como corretamente a ciência mostra, e Jesus em João 3.6
fala que o que é nascido de carne é carne.
Como descrito na citação de
Grudem acima e na seção “4.3 Cristo Nasceu sem Pecado”, herdamos de Adão
(e não de Deus), o primeiro cabeça ou representante federal da humanidade, a
culpa imputada espiritualmente e a corrupção do pecado herdada por geração
natural (Gn 5.3; Sl 51.5; Rm 5.12). A respeito da culpa, como Cristo é o segundo
e novo cabeça da humanidade, depois da sua ressurreição, ele removeu tal culpa
imputada por Adão, ou seja, tirou todos os impedimentos legais à salvação a
todo aquele que crê, pela Graça, chamada preveniente ou anterior. Porém, nós,
nascidos de novo, sem a culpa que foi imputada por Adão, ainda herdamos a natureza
corrompida pelo pecado, pois não somos perfeitos, mesmo nascidos de novo, mas
somos ao mesmo tempo santos e pecadores, como Lutero disse.
Culpa e Corrupção: Relação de
Cristo, os homens e os demônios na transmissão do pecado
Agora que estudamos que os seres
humanos nascem culpados do pecado de Adão e com uma natureza humana corrompida
(natureza pecaminosa), vamos continuar o raciocínio. Relembrando raciocínios
anteriores:
Seção 4.3 – Cristo Nasceu sem
Pecado: baseado no ministério Answers in Genesis, pode-se ver que a natureza
pecaminosa passa espiritualmente.
Nessa mesma
seção, 9.4, baseado nas teologias sistemáticas reformadas, pode-se observar com
clareza que a Escritura, lendo muitas passagens bíblicas com a palavra corrupção,
defende que o ser humano, descendente de Adão, pecou [passado] em Adão
(Rm 5.12), e que por imputação [1] e geração natural [2],
como Adão morreu espiritualmente quando tomou do fruto com a Mulher (depois
chamada Eva, que também morreu espiritualmente), e como Adão é o primeiro
cabeça da humanidade [1] e como todo casal concebe filhos em sua imagem e
semelhança [2] (como diz a Escritura de Adão para Sete), “a morte passou a
todos por isso que todos pecaram” (Rm 5.12): nascem mortos por estar sob a
sentença de morte do pecado de Adão [1, pela culpa, pois somos culpados uma vez
que pecamos com ele] e mortos por causa de seus pecados cotidianos [2, pela
corrupção/natureza pecaminosa que recebemos na concepção]. Desta
maneira, todos
os seres humanos nascem mortos no pecado (Ef 2.1-3, Cl 2.13, Rm 3.9-12, Rm 5.12
etc. - depravação total), e nascem assim pecadores (antes do primeiro pecado
pessoal já são pecadores e mortos espirituais), e por serem pecadores cometem
seus pecados cotidianos, continuando nesse estado escravizado até ter um
encontro com o Evangelho do Salvador pelo Espírito e pela preparação do Pai, no
qual ao salvo é possível crucificar progressivamente a carne com Cristo de modo
que o pecado, ainda presente, não mais nos domine.
Culpa herdada (pecado de Adão
herdado – pecamos com ele, pois a humanidade está ligada como num organismo
vivo, não são indivíduos isolados como os anjos) – a culpa é transmitida
espiritualmente (imputada), por isso certamente o ministério Answers in
Genesis acertou que Cristo, como é o Santo Filho de Deus, infinitamente Santo,
não foi afetado por ela. Assim como nós recebemos a justiça de Cristo na
justificação por imputação, recebemos também a culpa de Adão por imputação,
conforme a Escritura usa a expressão imputado (Rm 5.13).
Corrupção herdada de nossos
pais: nascemos à imagem e semelhança caída de Adão através de nossos pais
(Gênesis 5.3), isto é, com a natureza pecaminosa que habita no nosso ser e que
nos escraviza e faz continuamente pecar. Se é assim, por que Jesus não nasceu
com a corrupção herdada de Maria? Porque Jesus não nasceu à imagem e semelhança
de Adão, não nasceu por geração natural, mas sobrenatural – como se fora antes
da queda, pois Jesus é o “Segundo Adão”, puro e imaculado, o cabeça da
humanidade redimida.
Desta maneira Jesus não recebeu
a culpa espiritual imputada que vem de Adão por ser Filho de Deus, nem a
corrupção (natureza pecaminosa) pela concepção miraculosa através do Espírito
Santo. Já, nós, recebemos ambas, culpa (embora esta recebemos antes de nascer)
e corrupção na concepção.
E os demônios? O pesquisador do
ministério Answers in Genesis da citação da seção 4.3 diz que Satanás e os
demônios receberam a natureza pecaminosa espiritualmente. E isso faz todo
sentido pois, em primeiro lugar, anjos ou demônios não se multiplicam nem
procriam segundo a Escritura verdadeiramente inspirada, portanto não
fazem outros anjos/demônios segundo sua imagem e semelhança para poderem passar
a natureza pecaminosa.
Em segundo lugar, baseado na
seção 12.23.3, parte B (O Diabo Está no Inferno? Explicando 2Pe 2:4):
2 Pedro 2:4 (NVI) Pois Deus
não poupou os anjos que pecaram [1], mas os lançou no inferno [3], prendendo-os
em abismos tenebrosos [2] a fim de serem reservados para o juízo.
Pode-se ver que Pedro liga o
fato de que [1] Deus não poupou os anjos pecaram e estão perdidos para sempre
sem chance de salvação, com o fato de que [2] estão presos em abismos
tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo. E o apóstolo dá a entender
que o que faz que eles fiquem para sempre perdidos e prendem eles para o juízo
é? O inferno [3]. O inferno é o termo que liga e conecta o início do fim da
frase inspirada de Pedro. Certamente não é uma prisão que eles não possam sair
(como se fosse o lago de fogo, não é um local “físico”), mas um estado
espiritual de sofrimento, condenação e prisão fora e longe da luz de Deus, e também (como as palavras em grego são diferentes)
não é o mesmo local em que os mortos sem Cristo estão.
Portanto, no meu ponto de vista,
fica claro que Satanás e os demônios estão sob uma sentença pecaminosa e
separação da luz, que inclui a morte espiritual/eterna e, claro, a natureza
pecaminosa deles (transmitida e/ou imputada espiritualmente após a queda de
Satanás e seus anjos, evento esse que ocorreu depois dos seis dias da criação e
antes da queda de Adão conforme a seção 7.3), demônios estes que estão em
infindáveis trevas, a fim de serem reservados para o juízo.
Assim, concluindo, o ser humano
nasce morto espiritualmente, pois recebe culpa espiritual e corrupção (natureza
humana corrupta) por geração natural;
Cristo, o Santo Messias, foi
gerado sem pecado (sem culpa nem corrupção, recebendo a natureza humana perfeita
como se fosse original do Éden (antes da queda Adâmica)) pelo Espírito. Como
diz a citação na seção 4.3, a Mulher foi tentada no Éden mesmo sem natureza
pecaminosa: Cristo também, mesmo sem natureza pecaminosa, foi em tudo tentado
por nós (Hb 4.15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa
compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi
tentado, mas sem pecado);
E os demônios recebem a morte e
natureza pecaminosa espiritualmente pela queda e maldição própria do pecado
deles, uma vez que, mesmo tendo visto a glória de Deus, deixaram seu principado
(E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria
habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele
grande dia - Judas 6).
Amém.
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