Declaração de Fé Bíblica atualizada (4/abril/26):
1. Letra maior (fonte 13 em vez de 12)
2. página menor no pdf
3. citações com margens de 3cm no pdf
4. colocada explicação "não substitutiva" na morte de Cristo que engloba todas as pessoas.
5. citação acrescentada:
Paulo combate e refuta o erro dos que confiavam nas obras da lei mosaica como meio da justificação e rechaçavam a fé em Cristo. Já Tiago combate o erro de alguns desordenados que se contentavam com uma fé imaginária, descuidando das boas obras e se opondo a elas. Por isso, Paulo trata da justificação pessoal diante de Deus, enquanto Tiago se ocupa da justificação pelas obras diante dos homens. Lund e Nelson, Hermenêutica (Vida, 2007).
PDF:
DECLARAÇÃO DE FÉ BÍBLICA
Protestante
Evangélica
Ortodoxa
Interdenominacional
Interconfessional
Original
Bíblica
ROBERTO FIEDLER ROSSI
4 DE ABRIL DE 2026
ISBN:
9798233299308
Título: Declaração de Fé
Bíblica
Autor: Roberto Fiedler
Rossi
Editora: Roberto Fiedler
Rossi
Edição: 1ª (versão de 4 de Abril de 2026)
PREFÁCIO
Procurei fazer uma confissão ou
declaração de fé pessoal, não ligada à denominação ou a alguma tradição
teológica fixa, mas mais sucinta e bíblica do que minha Teologia Sistemática
Interdenominacional (cuja 5ª ed. foi ainda mais ampliada e, por isso,
publicada no mundo todo, cópia física e ebook, em 28 de março de 2026) e com
mais temas do que meu Comentário Abreviado da Epístola de Paulo aos Romanos
(jan. 2026, 4ª ed.), sem depender tanto da teologia humana e de ligações
teológicas humanas, que não são inspiradas, mas mais baseado na Palavra
inspirada e inerrante. O leitor poderá ver ao final dessas curtas páginas se o
resultado foi satisfatório. Procurei tratar dos temas principais, deixando de
lado temas como casamento, ordenança de ministros, ministérios na igreja, e
assim por diante.
A maior ênfase e o maior cuidado foram
dados ao plano da salvação apresentado nas Escrituras, com o qual procurei ter
zelo, que compreende a maior parte deste documento.
Em Cristo,
Roberto Fiedler Rossi
1. DAS SAGRADAS
ESCRITURAS
2. DA CLAREZA DAS
ESCRITURAS
3. DEUS
4. JESUS CRISTO, O
FILHO DE DEUS, QUE SE FEZ VERDADEIRO HOMEM
5. DA MORTE,
RESSURREIÇÃO E ASCENSÃO DE CRISTO
6. DO ESPÍRITO
SANTO
7. DA CRIAÇÃO
8. DO PECADO
9. DA SALVAÇÃO
10. DA JUSTIFICAÇÃO,
REGENERAÇÃO E SANTIFICAÇÃO. SIMULTANEAMENTE JUSTO E PECADOR
11. DA EXPIAÇÃO
SUBSTITUTIVA AOS ELEITOS POR CRISTO COMO CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO
MUNDO
12. DA EXPIAÇÃO DE
CRISTO A TODOS E A CADA UM DOS HOMENS
13. DOS DONS
ESPIRITUAIS E DA EVIDÊNCIA DA SALVAÇÃO
14. DEUS QUER QUE
TODOS SEJAM SALVOS, MAS SOMENTE ALGUNS SÃO ELEITOS E SALVOS
15. O PROCESSO DE
CONVERSÃO: COMENTÁRIO ABREVIADO DE ROMANOS 7
16. PERSEVERANÇA DOS
SANTOS E EVIDÊNCIA BÍBLICA
17. APOSTASIA
18. IGREJA, CORPO DE
CRISTO
19. BATISMO E CEIA
DO SENHOR
20. DA SEGUNDA VINDA
DE CRISTO, JUÍZO FINAL E ETERNIDADE
1. DAS SAGRADAS ESCRITURAS
A
Bíblia Sagrada, também denominada Sagradas Escrituras, contém o Antigo ou Velho
Testamento com 39 livros e o Novo Testamento com 27 livros, é inspirada pelo
Espírito Santo de Deus tanto plenária (em suas partes, isto é, seus livros)
como verbal (suas palavras nas línguas originais). Sendo inspirada pelo
Espírito Santo em seu autógrafo, ou seja, manuscrito original, apenas nas
línguas originais, é também nele inerrante. Boas e fiéis traduções da Bíblia,
traduzidos por homens e mulheres de Deus, também são consideradas como inspirada
“Palavra de Deus”, mesmo lembrando que não existe tradução cem por cento inerrante,
pois não existe equivalente de palavras e expressões de um a outro idioma.
Para
embasar a declaração de fé acerca da Bíblia, a Palavra de Deus, vamos usar uma
fonte do Corpo de Cristo para nos auxiliar. Portanto, como declara a declaração
doutrinária da Convenção Batista Brasileira (Disponível em:
“www.convençãobatista.com.br”, acesso em nov. 2025):
“A
Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana (Sl 119.89; Hb 1.1; Is 40.8; Mt
24.35; Lc 24.44,45; Jo 10.35; Rm 3.2; 1Pe 1.25; 2Pe 1.21).
É
o registro da revelação que Deus fez de si mesmo aos homens. (Is 40.8; Mt
22.29; Hb 1.1,2; Mt 24.35; Lc 24.44,45; 16.29; Rm 16.25,26; 1Pe 1.25).
Sendo
Deus seu verdadeiro autor, foi escrita por homens inspirados e dirigidos pelo
Espírito Santo (Ex 24.4; 2Sm 23.2; At 3.21; 2Pe 1.21).
Tem
por finalidade revelar os propósitos de Deus, levar os pecadores à salvação,
edificar os crentes e promover a glória de Deus (Lc 16.29; Rm 1.16; 2Tm
3.16,17; 1Pe 2.2; Hb 4.12; Ef 6.17; Rm 15.4).
Seu
conteúdo é a verdade, sem mescla de erro, e por isso é um perfeito tesouro de
instrução divina (Sl 19.7-9; 119.105; Pv 30.5; Jo 10.35; 17.17; Rm 3.4; 15.4;
2Tm 3.15-17).
Revela
o destino final do mundo e os critérios pelo qual Deus julgará todos os homens
(Jo 12.47,48; Rm 2.12,13).
A
Bíblia é a autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual devem
ser aferidas as doutrinas e a conduta dos homens (2Cr 24.19; Sl 19.7-9; Is
34.16; Mt 5.17,18; Is 8.20; At 17.11; Gl 6.16; Fp 3.16; 2Tm 1.13).
Ela
deve ser interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus Cristo (Lc
24.44,45; Mt 5.22,28,32,34,39; 17.5; 11.29,30; Jo 5.39,40; Hb 1.1,2; Jo
1.1,2,14).”
2.
DA CLAREZA DAS
ESCRITURAS
As
Escrituras contêm todas as coisas necessárias para a salvação. Para aquele que
é humilde diante de Deus, nas coisas principais a Escritura é muito clara, e
numa tradução adequada e em sua língua nativa ela é de muito fácil
interpretação até a um jovem não discipulado, pois as coisas fáceis de entender
são as coisas e mensagens principais da Bíblia, necessárias para a salvação.
Como
escreveu Norman Geisler (Teologia Sistemática, 2 Vols., 2010), o próprio
Evangelho quase é declarado em palavras monossílabas, e nenhuma delas tem mais
de cinco letras: “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus
não tem a vida” (1Jo 5.12). Além disto, Jesus disse claramente: “Eu sou
o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo
14.6).
Wayne
Grudem (Teologia Sistemática, Atual e Exaustiva, 2010)
complementa dizendo que mesmo os simples podem compreender as Escrituras
corretamente, tornando-se sábios: “O testemunho do Senhor é fiel e dá
sabedoria aos símplices” (Sl 119.130).
3.
DEUS
Há
um único Deus (Deut 6.4, Isa 44.6, Isa 44.8, Isa 45.5a), isto é, uma
essência divina, vivo e verdadeiro, sem corpo (Espírito), perfeito, de infinito
poder, sabedoria, amor, santidade, bondade e justiça, Criador e Sustentador de
todas as coisas visíveis e invisíveis. E na unidade da Divindade há três
Pessoas distintas, de mesma substância (essência divina citada acima), poder e
eternidade: Deus Pai (1Co 8.6, Ef 4.4-6), não criado, nem gerado, mas fonte
da Divindade; o Filho, Deus Filho – nosso Senhor Jesus Cristo (João 1.1-3, João
1.14, João 10.30-33, João 20.26-29, Hb 1.6-8, Fp 2.9-11 cf. Is 45.23, Is. 7.14,
Is 9.6, Jo 1.18, Jo 8.58-59, At 20.28, Rm 9.5, Rm 10.9-13, Cl 1.15-16, Cl. 2.9,
Hb 1.3, Hb 1.8, 2Pe 1.1, 1Jo 5.20), não criado, mas eternamente gerado do
Pai, sendo o Verbo ou Palavra do Pai; e Deus Espírito Santo – Espírito Santo de
Deus (Atos 5.3-4, 2Co 3.17-18), não criado, nem gerado, mas eternamente procedente
do Pai e enviado do Filho conforme a literalidade das palavras da Escritura,
isto é, o Espírito é procedente do Pai em sua divindade (João 15.26), “e do
Filho em matéria de ser dado, revelado, manifesto, e se dar conhecido a nós”
(João 20.22, 14.16,26) cf. Gregório Palamas, Tomo (1351 apud
Migne, J. P., Patrologiae cursus completus (Apology 142.262C-D), series graeca,
Paris (1857-1866) apud Papadakis, Aristeides (1983, Crisis in Byzantium: The
Filioque Controversy in the Patriarchate of Gregory II of Cyprus (1283-1289),
New York: Fordham University Press, pág. 91).
Passagens
bíblicas que mencionam as três Pessoas (Agência de Informações Religiosas,
AGIR):
“Batizado
Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de
Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia:
Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. (Mateus 3:16-17)
Ide,
portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e
do Filho, e do Espírito Santo; (Mateus 28:19)
A
graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo
sejam com todos vós. (2 Coríntios 13:14)
Há
somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança
da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai
de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em
todos. (Efésios 4:4-6)
Quando,
porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para
com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua
misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do
Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo,
nosso Salvador (Tito 3:4-6)”
“Confira
também as seguintes passagens: Jo. 3:34-35; 14:26; 15:26; 16:13-15; Rm.
14:17-18; 15:13-17; 30; 1 Co. 6:11; 17-19; 12:4-6; 2 Co. 1:21-22; 3:4-6; Gl.
2:21-3:2; 4:6; Ef. 2:18; 3:11-17; 5:18-20; Cl. 1:6-8; 1 Ts. 1:1-5; 4:2; 8;
5:18-19; 2 Ts. 3:5; Hb. 9:14; 1 Pe. 1:2; 1 Jo. 3:23-24; 4:13-14; Jd. 20-21.”
4.
JESUS CRISTO, O
FILHO DE DEUS, QUE SE FEZ VERDADEIRO HOMEM
Jesus
Cristo é e sempre foi em sua natureza divina e imutável verdadeiro Filho de Deus
unido ao Pai e ao Espírito (João 1.1 "No princípio era o Verbo, e o
Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus", Hebreus 13.8 "Jesus
Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre.", João 8.58 "Antes
que Abraão existisse, Eu Sou."), mas na plenitude dos tempos o Verbo
(isto é, a Palavra) se fez carne, encarnou (se fez ser humano): Gálatas 4.4 “Mas,
vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido
sob a lei...”, de modo que assumiu a humanidade junto (lado a lado) com sua
imutável e eterna divindade. Essa concepção foi milagrosa e virginal (Isaías
7.14, Mateus 1, Lucas 1): Maria, judia, serva de Deus, da tribo de Judá e
escolhida pelo Senhor para isso, concebeu o Filho de Deus pelo Espírito Santo
(Lucas 1.15) enquanto virgem.
Jesus,
como é o Filho de Deus, não herdou o pecado de Adão que todo ser humano recebe
por imputação, nem tampouco natureza pecaminosa que todo ser humano recebe por
geração natural (Gênesis 5.3: todo ser humano gera outro ser humano à sua
imagem e semelhança caída), mas a geração de Jesus foi como se fosse antes da
queda de Adão (gerado de Deus pelo Espírito Santo: imagem de Deus original,
plena). Embora tentado em tudo (Hebreus 4.15), nunca cometeu um pecado sequer (2
Coríntios 5.21; 1 João 3.5).
Complementando,
o Credo ou Símbolo Calcedoniano (Declaração de Fé de Calcedônia) de 451
d.C., de acordo com a tradução do site Monergismo (<http://www.monergismo.com/textos/credos/declaracao_calcedonia.htm>)
e da Teologia Sistemática de Grudem (Atual e Exaustiva, 2010, Vida Nova)
declara:
“Todos
nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo
Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, perfeito quanto
à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, constando de alma racional e
de corpo; consubstancial ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós,
segundo a humanidade; em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado,
gerado segundo a divindade antes dos séculos pelo Pai e, segundo a humanidade,
por nós e para nossa salvação, gerado da virgem Maria, mãe de Deus[*]; Um só e
mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas
naturezas, inconfundíveis, imutáveis, indivisíveis e inseparáveis; a distinção
da naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as
propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma
só pessoa e em uma subsistência; não dividido nem separado em duas pessoas. Mas
um só e mesmo Filho Unigênito, Verbo de Deus, o Senhor Jesus Cristo, conforme
os profetas desde o princípio a seu respeito testemunharam, e o mesmo Senhor
Jesus nos ensinou e o Credo dos santos Pais nos transmitiu.”
*Dentro
da doutrina de Cristo, encontra-se a parte da geração de Cristo dentro de
Maria. Maria é, de fato, segundo a Escritura, mãe de Deus apenas no sentido em
que nasceu dentro dela o Filho de Deus (Lc 1.35). Esse título de Maria como
“Mãe de Deus”, originalmente na Igreja, não exalta Maria, a não ser no máximo
como “portadora de Deus” (Theotokos), mas exalta a Cristo, afirmando que Ele,
desde a concepção (Lc 1.31), o início da gestação, antes de nascer, já era Filho
de Deus (Lc 1.35), e assim já possuía as duas naturezas (divina e humana), ou
seja, não era filho de Deus apenas após nascer. Maria teve outros filhos também
depois de Jesus (Mateus 13.55, Marcos 6.3). Maria não é mãe da Igreja, não foi
imaculada, tampouco foi mãe espiritual de Jesus segundo as Escrituras Sagradas.
5.
DA MORTE,
RESSURREIÇÃO E ASCENSÃO DE CRISTO
Jesus
Cristo, filho de Davi (Atos 2.29-30), verdadeiramente padeceu e morreu por nós
na Cruz (1Pedro 3.18), sob a ordem de Pôncio Pilatos, em nosso lugar (1Pedro
2.24 cf. Isaías 53), e desceu à sepultura, tendo ido ao Pai em sua morte (João
16.28, 14.12, 14.28, 16.10, 16.16). O seu corpo não sofreu putrefação ou
corrupção como os de outros seres humanos quando falecem, segundo as Escrituras
(Atos 2.31).
Ao
terceiro dia judaico (três dias e três noites, Mt 12.40), Cristo
verdadeiramente ressurgiu dos mortos (Atos 5.30), ou seja, ressuscitou
fisicamente com o mesmo que possuía (Jo 20.26-28), porém de matéria glorificada
e perfeita, constituindo-se de parte física e espiritual, onde, mesmo com corpo
glorificado, comeu com os apóstolos e discípulos (João 21.13-15) e
transladava-se atravessando o tempo e o espaço com poder (1Co 15.20, cerradas
as portas cf. João 20.19, 20.26).
Cristo
após sua morte e ressurreição inaugurou a nova aliança (novo testamento), que é
superior às outras alianças (Hebreus 8.6), inaugurada pelo seu sangue (Hebreus
12.24, 8.13, 9.15), o sangue do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo
(João 1.29).
Cristo
destronou Satanás na Cruz (Colossenses 2.15, Apocalipse 12.10), tirou a
autoridade de seu domínio mundial, tanto o domínio espiritual, como o Império
Romano legalmente, que era o último império mundial satânico da estátua de
Daniel, o último império mundial ao longo do tempo – pois o de Cristo é eterno,
e após sua ressurreição recebeu todo o poder e autoridade no céu e na terra
(Mateus 28.18), além de autoridade sobre a morte e o inferno (Apocalipse 1.8).
Daniel 2.44 Mas,
nos dias desses reis [império Romano], o Deus do céu levantará um reino
que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará
e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre.
Cristo
após sua morte e ressurreição ascendeu ao Céu à direita do Pai e recebeu um
Reino Universal, o Reino do Pai, que não pode ser abalado.
Daniel 7.12-14
E, quanto aos outros animais [impérios], foi-lhes tirado o domínio;
todavia foi-lhes prolongada a vida até certo espaço de tempo. Eu estava
olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do
céu um como o filho do homem [Jesus]; e dirigiu-se ao ancião
de dias [Deus Pai], e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o
domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o
servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o
seu reino tal, que não será destruído.
Cristo,
após quarenta dias com os discípulos (Atos 1.3), tendo sido visto por mais de
quinhentos irmãos (1Co 15.6), ascendeu ao Céu / Paraíso à vista dos apóstolos e
discípulos (Atos 1.1-11), tendo comissionado a Igreja para fazer discípulos,
batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (e ordenando-os a
fazer tudo o que Jesus lhes ensinou, cf. Mateus 28.18-20), que em Pentecostes
(50 dias após a Páscoa judaica, lembrando que Jesus é nosso Cordeiro Pascoal
cf. 1Co 5.7), dez dias depois da ascensão de Jesus, foram capacitados pelo
Espírito Santo a testemunhar para todos os povos, tribos, nações e línguas
acerca dessa salvação (Atos 2).
6.
DO ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo,
Criador (Gênesis 1.2) com o Pai (Gn 1.1) e com o Filho (Col 1.16) de toda criação
visível e invisível, procedente do Pai (Jo 15.26) e do Filho (Jo 20.22), é de
mesma substância, majestade e glória que o Pai e o Filho, verdadeiro e eterno
Deus (Atos 5.3-4, 2Co 3.17-18), que, na Nova Aliança / Novo Testamento
em Cristo, após o evento do dia de Pentecostes de Atos 2, concedeu o dom /
promessa do Espírito Santo a todos os salvos a partir daquele momento na
história, ou seja, concedeu o novo nascimento com morada permanente do Espírito
em nossos corpos (João 7.39 E isto disse ele do Espírito que
haviam de receber os que nele cressem;
porque o Espírito Santo ainda não fora dado,
por ainda Jesus não ter sido glorificado), agora denominados
templo do Espírito Santo, formando a partir daí o Corpo de Cristo, a Igreja
(1Coríntios 12.13):
Atos 2.38-39 E
disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de
Jesus Cristo, em remissão de pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo [e
recebereis: todos os salvos recebem o dom do Espírito Santo, isto é uma
afirmação, colchetes meus]; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a
vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor
chamar.
1Co 12.13 Pois
todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer
gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.
7.
DA CRIAÇÃO
Deus
Pai (Gn 1.1), por meio do Filho (da Palavra de Deus cf. Col 1.16, Jo 1.1-2),
através do Espírito Santo (Gn 1.2), criou todas as coisas e seres invisíveis e
visíveis do Universo (na Bíblia, céus e terra) em seis dias (Gn 1) a partir do
nada material (Gênesis 1.1), mas sim a partir da Palavra de Deus para a
finalidade do louvor da glória de Deus Triuno (Trino e Uno):
Hb
11.3 Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de
maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.
A
realidade é que a Trindade toda criou a criação: Gn 1.26 E disse Deus: “Façamos
[plural: Pai, Filho, Espírito cf. o Novo Testamento] o homem à nossa
imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre
as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil
que se move sobre a terra.”
Tudo
o que Deus criou foi muito bom (Gênesis 1.31), não havia morte alguma (nem
tampouco bilhões ou milhões de anos de morte e evolução), nem pecado, nem
sofrimento. A morte veio após a desobediência (Rm 5.12).
Deus
criou o homem Adão (Gn 2.7) e a mulher (Gn 2.21-23), depois chamada Eva (Gn
3.20), à sua imagem e semelhança (tanto o homem como a mulher cf. Gn
1.27) para eles viverem como uma família unida (Gn 1.28) em relacionamento com
Ele, governarem a boa criação no nome do Senhor, refletindo o seu caráter.
Os seis dias da
criação foram literais segundo a Bíblia:
1.
Desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea (sendo que exatamente
no princípio da criação não havia nada disso, mas a Terra estava informe);
Marcos 10.6 diz:
“Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea”.
2.
Haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação (sendo
que no princípio da criação não havia aflição alguma);
Marcos 13.19
Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio
da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá.
3.
Desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a
fundação do mundo, foi derramado: Desde o sangue de Abel... (sendo que Abel não
foi criado no momento da fundação do mundo).
Lucas 11.50,51 Para
que desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a
fundação do mundo, foi derramado; Desde o sangue de Abel, até ao sangue de
Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será
requerido desta geração.
Compreendemos
então que Jesus fala desta forma, pois o período desde o Princípio da Criação,
desde o 1º dia, incluindo a fundação do mundo, não fica muito longe do período
da Queda de Adão. Por isso, podemos pensar que desde o princípio, o início do primeiro
dia da criação (início da contagem do tempo, em que só Deus existia, apenas o
Verbo cf. Gn 1.1; Jo 1.1), passando pela criação de Adão e Eva, macho e fêmea
(Marcos 10.6), passando pela Queda (Marcos 13.19), e até a morte de Abel (Lucas
11.50,51) não se passaram muitos anos. Deste modo, segundo as Palavras de
Cristo, chegamos ao raciocínio que os dias da criação de Gênesis não podem ser
muito longos, mas foram certamente curtos, ou até de 24 horas, pois senão Jesus
estaria fazendo um raciocínio incorreto colocando Abel próximo da fundação do
mundo; a criação de Adão e Eva próxima do princípio da criação (1º dia);
aflição (Queda) próxima do princípio da criação.
Portanto,
concluímos que Jesus cria em dias literais da criação de Gênesis, e como Jesus
é Deus e a Bíblia é inerrante (pois é inspirada e Deus não pode mentir cf. Nm
23.19), assim isso é um fato, o Universo não tem bilhões de anos, nem a Terra
milhões de anos, mas a Bíblia dá a entender que o Universo e a Terra têm apenas
milhares de anos, sendo, então, a Terra jovem.
A
Terra é especial para Deus: Isaías 45.18 Porque assim diz o SENHOR, que
criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a
criou para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o SENHOR, e não há outro.
Isaías 66.1a Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a
terra o escabelo [banco de apoio] dos meus pés...
8.
DO PECADO
O
Pecado Original
Como
Adão, nosso antepassado e cabeça da humanidade caída (cf. 1Coríntios 15.22, 21,
47), pecou com Eva no Éden (Gênesis 3), enganado pela serpente que era Satanás
(Gênesis 2-3), o pecado passou a todos os seres humanos (Romanos 5.12), seus
descendentes, e a morte passou a toda a criação terrena (Gn 3). Portanto, nós
também pecamos com Adão e herdamos a natureza humana pecaminosa (carne),
portanto nascemos inclinados ao mal (Eclesiastes 7.20, Romanos 3.10-18), culpados
pelo pecado de Adão (Rm 5.12 todos pecaram) e pelo nosso próprio pecado
desde tenra idade (Rm 6.23), estando no reino das trevas e sendo escravos do
pecado (Efésios 2.1-3), sem ter recebido habilidade alguma de nosso antepassado
Adão que porventura não tenha sido perdida na sua queda para nossa salvação (portanto
ninguém nasce com livre-arbítrio, capacidade de aceitar a graça de Deus ou de
crer no Senhor cf. Isaías 64.6).
O
Propósito de Deus, apesar do pecado de Adão
Ainda
assim, o propósito de Deus após a queda não mudou, é ter uma família de filhos
semelhantes a Cristo (Rm 8.28-30), e Cristo é a plena imagem e semelhança de
Deus, na glória, para louvor da graça de sua glória, tanto é que enviou o
Salvador:
Romanos 8.28 “E
sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem
daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
29. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para
serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o
primogênito entre muitos irmãos [este é o propósito do v. 28].
30. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes
também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.”
Pecado e Graus de
Pecado
Eclesiastes 7.20 Na
verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o
bem, e nunca peque.
De acordo com Wayne Grudem (2010, Teologia Sistemática:
Atual e Exaustiva), há pecados piores do que outros, assim como há mandamentos
mais importantes do que outros para serem obedecidos:
“No tocante à nossa posição legal perante Deus, qualquer
pecado, mesmo aquilo que nos pareça um pecado leve, torna-nos legalmente
culpados perante Deus, e, portanto, dignos de castigo eterno. Adão e Eva
aprenderam isso no jardim do Éden... (Gn 2.17). [...]. Em termos de culpa
legal, todos os pecados são igualmente maus, pois nos fazem legalmente culpados
perante Deus e nos constituem pecadores.
Por outro lado, alguns pecados são piores do que outros,
pois trazem consequências mais danosas para nós e para os outros e, no tocante
ao nosso relacionamento pessoal com Deus Pai, provocam-lhe desprazer e geram
ruptura mais grave na nossa comunhão com ele. [...]. O pecado de Judas era bem
“maior” [do que de Pilatos, ver João 19.11], provavelmente por causa do
conhecimento bem maior e da malícia associada a esse conhecimento.
No Sermão do Monte, ao dizer: “Aquele, pois, que violar um
destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será
considerado o menor no reino dos céus” (Mt 5.19), Jesus sugere que há
mandamentos menores e maiores, [...] sugerindo assim que alguns pecados são
piores do que outros no tocante à própria avaliação divina da sua importância.
Nossa conclusão, então, é que em termos de consequências e
em termos do grau do desprazer de Deus, alguns pecados são certamente piores
que outros.”
9.
DA SALVAÇÃO
Colossenses 1.13,14 [O Pai] “nos tirou da potestade das
trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a
redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;”
A salvação foi conquistada na cruz por Jesus Cristo, nosso
Senhor, onde Cristo, através do seu sangue, cobre o custo do nosso resgate
(Marcos 10.45), que inclui corpo e alma, e nos compra (1Co 6.20), satisfazendo
a justiça de Deus, para a libertação e salvação eterna em santificação, unidos
com Deus e com Cristo pelo Espírito Santo para sempre nesta vida e por toda a
eternidade.
Adão,
de quem veio a queda de Gênesis 3, não é mais cabeça da humanidade salva, pois
CRISTO, o Salvador, que encarnou, viveu sem pecado, morreu na cruz, ressuscitou
e ascendeu aos céus é o novo cabeça da nova humanidade (cf. 1Coríntios 15.22,
21, 47, chamado de “último ou segundo Adão”).
Cristo, por sua morte vicária, oferece justificação (Rm
5.18) diante de Deus para todos os que nele creem cf. Romanos 10.9-11 (o que
não é só acreditar, mas sim confiar em Cristo para sua salvação), o confessam
com sua boca e obras, e se arrependem dos seus maus caminhos (Marcos 1.15),
convertendo-se a Deus, ao Deus da Bíblia, ao Jesus da Bíblia (pois há falsos
cristos cf. Mateus 24.24), pelo Espírito Santo, o Consolador, que testifica de
Cristo e das Sagradas Escrituras (1Jo 5.6).
Só há salvação em Jesus Cristo:
Atos 4.12 “E em nenhum outro [ser] há salvação, porque
também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual
devamos ser salvos.”
João 14.6 “Disse-lhe Jesus: Eu sou o Caminho, e a Verdade,
e a Vida.”
Efésios 2:8,9 “Porque pela graça sois salvos, por meio
da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para
que ninguém se glorie;”
Em outra versão: “Vocês são salvos pela graça, por meio da
fé. Isso não vem de vocês; é uma dádiva de Deus. Não é uma recompensa pela
prática de boas obras, para que ninguém venha a se orgulhar.” Efésios 2:8,9
Cristo, Jesus Cristo Deus-homem, é o único mediador entre
Deus e os homens (1Timóteo 2:5-6). Cristo intercede por nós, é o nosso
intercessor a Deus junto com o Espírito: “e o Espírito [também] nos ajuda em
nossa fraqueza, pois não sabemos orar segundo a vontade de Deus, mas o próprio
Espírito intercede por nós com gemidos que não podem ser expressos em palavras.”
Romanos 8:26
10.
DA JUSTIFICAÇÃO,
REGENERAÇÃO E SANTIFICAÇÃO. SIMULTANEAMENTE JUSTO E PECADOR
Cremos que a salvação engloba, após o processo de
conversão, a regeneração ou novo nascimento (Tt 3.5, Jo 3), instantânea e uma
só vez, pela nova vida de Cristo pelo Espírito Santo em nós; e a justificação
ao pecador (Rm 3.24) diante do tribunal de Deus, instantânea e junto com a
regeneração, pelos méritos de Cristo conquistados na sua vida e na sua morte, pelo
seu sangue (Rm 5.9), pela graça (Rm 3.24), tendo a fé como meio (Rm 5.1), e não
as obras da lei (Gl 2.16), quando o pecador recebe o perdão dos pecados com
declaração de inocência diante de Deus por receber a imputação da justiça de
Cristo em nós sem as obras (Rm 4.3-8), e assim o Pai nos vê através de Cristo
(somos revestidos de Cristo), resultando em paz com Deus (Rm 5.1).
Nossos pecados foram imputados a Cristo na cruz, e a
justiça de Cristo é imputada a nós, pecadores, quando cremos, tornando-nos
justos e santos aos olhos de Deus (1Pe 2.24). Não somos justificados pelas
obras para a nossa salvação. As nossas obras nada alteram a nossa justiça. A nossa
fé em si não tem mérito, ela é apenas o meio. O mérito é de Cristo. Jesus é o
Salvador!
Romanos 4.16 “Portanto, a promessa vem pela fé, para que
seja de acordo com a graça...”
Romanos 11.6 “Mas se é por graça, já não é pelas obras; de
outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais
graça; de outra maneira a obra já não é obra.”
A justificação não ocorre sem a regeneração, e a
regeneração não ocorre sem a justificação, de modo que os pecadores são
justificados e regenerados, ou vice-versa, instantaneamente no ato da salvação por
meio da graça apenas pela fé.
Após a regeneração e a justificação, ocorre, num verdadeiro
salvo, que é um novo homem criado em verdadeira justiça e santidade (Ef 4.24),
uma santificação eficaz e gradual (separação do pecado) que aumenta
progressivamente, segundo o Espírito santifica a pessoa não resistente (pois o
Espírito a quer santificar!) ao longo da vida (e assim a pessoa acha graça aos
outros dando bom testemunho cf. Mt 5.16). Tiago, no cap. 2, complementa o fato
de que, uma vez salvo, uma vez que Abraão foi justificado pela fé (salvo),
Abraão também foi, depois, justificado pelas obras (obras após a salvação), uma
vez que as obras são o fruto da fé, pois o salvo pratica boas obras produzindo
o fruto do Espírito Santo (Gl 5.22), as quais o salvo não praticava antes de
ser salvo (antes de ser regenerado e justificado pela fé), pois apenas
praticava o mal (Hb 11.6), e porque não possuía a natureza de Cristo pelo
Espírito, somente a carne (Rm 7.5).
Paulo e Tiago, falando sobre justificação, escrevem sobre
eventos diferentes na vida de Abraão: Paulo, nas suas cartas, fala da
justificação pela fé, em que ocorreu a salvação de Abraão, acerca do evento de
Gênesis 15.6 (E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça). Já Tiago
fala da justificação pelas obras em Tg 2.21-24, e escreve do evento de Gênesis
22, quando Abraão ofereceu a Isaque, obra que Abraão praticou depois de salvo!
De acordo com Lund e Nelson,
Paulo combate e refuta o erro dos que confiavam nas obras
da lei mosaica como meio da justificação e rechaçavam a fé em Cristo. Já Tiago
combate o erro de alguns desordenados que se contentavam com uma fé imaginária,
descuidando das boas obras e se opondo a elas. Por isso, Paulo trata da
justificação pessoal diante de Deus, enquanto Tiago se ocupa da justificação
pelas obras diante dos homens. Lund e Nelson, Hermenêutica (Vida, 2007).
Uma vez salvo (nascido de novo – regenerado, e declarado
justo diante de Deus – justificado), o salvo, como dito, passa por uma
santificação inicial no ato da salvação (1Co 6.11) e começa a praticar o bem,
ou seja, dar bons frutos para Deus (Gl 5.22-25). Desta forma, depois de salvos,
já tendo sido declarados justos e justificados pela fé para a salvação eterna
(o que é um ato e não um processo), nós somos justificados continuamente pelas
nossas obras de justiça (as quais não acrescentam em nada a nossa salvação, mas
recompensas eternas), e assim porventura obteremos o favor e a aprovação dos
homens descrentes, que irão glorificar a Deus pelas boas obras dos crentes (Mt
5.16). Todavia, nem por isso devemos nos gloriar diante de Deus. A santificação
é aperfeiçoada mediante a obra de Deus na vida de cada um até nos tornarmos
verdadeiros justos na glorificação na glória de Deus junto com Cristo, onde
receberemos corpos glorificados (Rm 8.17) na ressurreição do corpo (explicado
no capítulo de 1Co 15). Assim estaremos salvos, para sempre com o Senhor (1Ts
4.17-18).
Um detalhe é que o salvo nunca será totalmente santo na
Terra, apenas no Céu, quando não tiver mais a natureza humana pecaminosa
(carne). Como já dito, todos os homens são pecadores, até os mais santos (Eclesiastes
7.20), em maior ou menor
grau. Jesus foi e sempre será a única pessoa sem pecado desta terra (Hebreus
4.14-15)!
O salvo é ainda pecador pois continua tendo a natureza
pecaminosa (1João 1.8 “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós
mesmos, e não há verdade em nós”), porém é também justo pois é revestido da
justiça de Cristo (Gl 3.27). Assim, o salvo é simultaneamente justo e pecador.
Nos novos céus e nova terra, não haverá mais pecado, mas só santidade e
justiça.
11.
DA
EXPIAÇÃO SUBSTITUTIVA AOS ELEITOS POR CRISTO COMO CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O
PECADO DO MUNDO
1 João 4, o capítulo que exprime que Deus é Amor, mostra
que Cristo recebeu sobre si os pecados dos eleitos:
1Jo 4.9-10 Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco:
que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto
está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a
nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados [não todos os
pecados].
Pedro diz que o fato de Cristo levar nossos pecados sobre o
madeiro (tomar os pecados dos eleitos sobre si) leva à certa consequência de
morrer para os pecados e viver para a justiça, o que mostra que aqueles que
Cristo tomou os pecados certamente são justificados:
1Pe 2.24 Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados
sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a
justiça; por suas feridas vocês foram curados.
Isaías 53, o capítulo profético sobre o Messias, mostra que
Jesus justificará a muitos [e não a todos], e mostra que Cristo levou sobre si
o pecado de muitos, ou seja, de todos os que justificou:
11 Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará
satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos;
porque as iniquidades deles levará sobre si.
Deus não quer salvar apenas alguns: a porta da graça está
aberta a todos:
Ap 22.17 “E
o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede,
venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.”
1Jo 2.1 “Meus filhinhos,
estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar,
temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. 2 E ele é a
propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos
de todo o mundo.”
Propiciação é
aplacar a ira divina e tornar Deus favorável à pessoa. Isso é somente em
Cristo.
Enfim, o versículo
acima diz que, conforme o v. 1 (se alguém pecar – o que biblicamente
significa se alguém “reconhecer o seu pecado” cf. palavras de Jesus em
Lucas 5.32 “Eu não vim chamar os justos [pessoas que não reconhecem o
seu pecado], mas, sim, os pecadores, ao arrependimento.”), de acordo com
o v. 2 (propiciação pelos pecados de todo o mundo), se todo o mundo
hipoteticamente reconhecer o seu pecado e crer, Cristo terá sido a propiciação
por todos estes também, ou seja, tornará Deus favorável as essas pessoas
também, serão retiradas da ira: a porta da graça está aberta, mas Cristo, de
fato, na realidade, é a propiciação só pelos que creem, pois só estes estão
fora da ira ou separação de Deus cf. João 3.36:
João 3.36 “Aquele
que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a
vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.”
12.
DA EXPIAÇÃO
DE CRISTO A TODOS E A CADA UM DOS HOMENS
Cristo, na cruz, removeu
todas as barreiras jurídicas que impedem e eram contrárias a nós, e que nos
impediam de crer. Isso que Jesus removeu pela cruz, aplicado em nós pela graça,
é consequência da culpa vinda do pecado de Adão (e não dos nossos pecados
pessoais).
Assim,
“Cristãos devem evangelizar porque Deus deseja
que todos os homens sejam salvos [Deus deseja que
todos creiam em Seu Filho] e fez expiação por todos
eles, assim removendo as barreiras legais que exigem sua condenação” (Allen,
David e Lemke, Steve, Whosoever Will, 2010).
Base bíblica:
Colossenses 2.14 Havendo
riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma
maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.
Efésios 2:13-16 Mas
agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo
chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e,
derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a
inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para
criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz
reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.
Cristo, neste sentido,
morreu por todos os homens (não substitutivamente), incluindo os ímpios e injustos, segundo a Escritura
(Romanos 5.6, 1Pedro 3.18). As barreiras jurídicas que se colocam no caminho
para qualquer pessoa ser perdoada por Deus foram removidas por Cristo, visto
que por esse mesmo aspecto de sua morte, a todas as pessoas, veio a graça
preveniente (Jo 12.32 E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a
mim; Romanos 5.18 Pois assim como por uma só ofensa veio o
juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de
justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida).
Vamos explicar melhor. Como nós nascemos mortos em
delitos e pecados, nascemos com a culpa e corrupção do pecado. Acerca da culpa
herdada:
Culpa herdada – Segundo as Sagradas Escrituras
somos considerados culpados perante Deus por causa do pecado de Adão. E o
apóstolo Paulo nos explica dizendo: “Portanto…
por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a
morte passou a todos os homens porque todos pecaram” (Romanos 5.12). Ao
observarmos o contexto, veremos que Paulo não está tratando dos pecados que as
pessoas cometem efetivamente no seu dia a dia, pois todo o parágrafo (Romanos
5.12-21) trata exatamente da comparação entre Adão e Cristo, portanto quando
Paulo diz “assim passou a todos os
homens, porque todos pecaram”, ele está dizendo que por meio do pecado de
Adão, “todos (os homens) pecaram”. Herdamos em Adão a culpa do
pecado. Quando Adão pecou, o Senhor Deus considerou todos os futuros
descendentes de Adão como pecadores. Mesmo que ainda não existíssemos, Deus que
sabe quer o futuro quer o presente, Ele sabia que iríamos existir e passou a
nos considerar culpados em Adão. E ele afirma mais: Ele diz que Cristo morreu “por nós, sendo nós ainda pecadores”
(Romanos 5.8), mesmo que muitos de nós nem existíssemos, mas Ele nos considerou
pecadores necessitados de salvação. Adão pecou, e Deus nos considerou tão
culpados tanto quanto Adão. Isto se chamar imputar, isto é, “considerar
pertencente a alguém, e assim fazer pertencer a esse alguém”. Grudem, Wayne.
Manual de Teologia Sistemática: uma introdução aos princípios da fé Cristã.
Editora Vida. 2001.
Como já dito, Cristo
tomou sobre si a culpa de Adão (identificacada a essa culpa de que Grudem fala
acima), que englobava os impedimentos legais para que cada pessoa pudesse ser
salva por Deus. Como assim?
Como Adão pecou, e por
ele veio a morte (Romanos 5.12), era necessário que, quem quisesse ser salvo,
devia cumprir plenamente a lei mosaica, ou seja, desfazer os efeitos da queda
de Adão nessa pessoa. Todos os seres humanos nascem sob essa pena, e assim, sem
um Salvador, deveriam por si mesmos cumprir a lei para conquistarem a salvação
para si:
Gálatas 3.10-11 Todos
aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está
escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão
escritas no livro da lei, para fazê-las. E é evidente que pela lei
ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.
Mas isso é impossível (Porquanto
o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus,
enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o
pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos
segundo a carne, mas segundo o Espírito. Romanos 8:3,4), visto que a lei
exigia perfeição (Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em
um só ponto, tornou-se culpado de todos. Tiago 2.10), e como nós nascemos
mortos, imperfeitos e com a carne (natureza pecaminosa), somos pecadores, não
conseguimos cumprir a lei (Pois quê? Somos [os apóstolos da Escritura] nós
mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto
judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; Como está escrito: Não há um
justo, nem um sequer. Romanos 3:9,10. Ora, nós sabemos que tudo o que a
lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja
fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Romanos 3:19 Porque
todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Romanos 3:23), sendo
nós impedidos de sermos salvos sem cumprir a lei (exceto se outro a conquistar
por nós) cf. Col 2.14 e Efésios 2.13-16.
MAS veio um, Cristo
Jesus, que cumpriu a lei por nós (Não pensem que vim abolir a Lei ou os
Profetas; não vim abolir, mas cumprir. Mateus 5:17), TODOS os mandamentos,
adquiriu a salvação pelos próprios méritos, e disponibilizou a salvação, que se
havia perdido, a todo homem. É o Salvador.
Se fosse possível que um
de nós conseguisse obedecer toda a lei pelas obras, só conquistaria a salvação
para si mesmo, pois já nasceu com a culpa do pecado de Adão, já nasceu pessoa
pecadora. Mas Cristo não só obedeceu toda a exigência de Deus, como, por ser
imaculado (por ter nascido sem pecado cf. Hebreus 4.15 Porque não temos um
sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas;
porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado),
ainda disponibilizou a salvação para todos cf. Romanos 1.16-17 (Porque
não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação
de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego [grego =
gentios = todos os outros povos que não são judeus, como nós, brasileiros,
colchetes meus]. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé,
como está escrito: Mas o justo viverá pela fé).
Como Adão, um homem
pecou, era necessário que outro homem conquistasse a salvação pela justiça de
Deus (Porque assim como a morte veio por um homem, também a
ressurreição dos mortos veio por um homem. 1Coríntios 15.21), por
isso Cristo veio (Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também
todos serão vivificados em Cristo. 1Coríntios 15.22), que não é só Deus,
mas também homem (Cristo assumiu a humanidade junto com a Divindade, o Verbo se
fez carne, João 1.1-18). Com a morte de Cristo a nosso favor, nós não
precisamos mais cumprir a lei para sermos salvos (o que seria impossível), pois
Cristo já a cumpriu (Gálatas 4.4-5 Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus
enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que
estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos), ele
reconquistou a salvação perdida por Adão por nós na aliança da graça (nova
aliança). A exigência do cumprimento da lei Mosaica (lei de Deus) era um
impedimento à salvação de todo homem, pois todo homem nasce culpado do pecado
de Adão, mas Cristo removeu as barreiras jurídicas (a imputação
do pecado / culpa de Adão, veja que Romanos 5.12-13 usa a palavra “imputação”),
e, por isso, nós não precisamos mais cumprir a lei, não temos mais essas
barreiras jurídicas, mas a salvação recebemos por um novo caminho, uma nova
aliança, segundo a justiça de Deus. Qual caminho? O sangue de Jesus, por meio
da fé (Ef 2.8). É disso que fala Hebreus 10.16-20 (Esta é a aliança que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas
leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos; acrescenta:
E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades. Ora,
onde há remissão destes, não há mais oblação [não há mais outra
oferta/sacrifício] pelo pecado. Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no
santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo
véu, isto é, pela sua carne).
Falando novo meio, alguém
há que foi salvo segundo as obras? Não, nenhum. Todos nascemos pecadores,
ímpios, depravados (Romanos 3). Mas Cristo não morreu no ano 33 d.C.? Sim. E a
salvação das pessoas anteriores a Cristo na história, não era pela fé, ou era
pelas obras? Sim, também era pela fé. Abraão, antigamente, foi salvo pela fé (Gênesis
15.6 E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça). Como, isso?
Ocorre que Cristo é verdadeiro Deus, e Deus não está sujeito ao tempo (mas o
criou em Gênesis 1:1), por isso o seu sacrifício, o sacrifício de Cristo
(Cordeiro de Deus), verdadeiro homem e Deus foi de alcance atemporal e universal,
ou seja, abrange todas as pessoas de todas as épocas e lugares do tempo humano.
Como o sacrifício de Cristo é atemporal, não só abrange todo o tempo das coisas
criadas (passado, presente e futuro), mas suas consequências duram até a
eternidade. Como é universal, abrange todas as pessoas de todo o universo
(mesmo que estejam no espaço).
Isso tudo, ainda que os
salvos do AT foram justificados pela fé (declarados justos, como nós somos a
partir do Novo Testamento), os pecados cometidos antes de Cristo, na primeira
aliança (ex. de Enoque, Noé, Abraão, Moisés, Davi, Daniel...) eram “cobertos”
pelo sacrifício de animais como dizia o salmista (Salmo 32.1 Bem-aventurado
aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto). O sangue dos
touros e bodes nunca perdoaram, na verdade, os pecados, mas os cobriam cf. a
revelação progressiva em Hebreus 10.4 (Porque é impossível que o sangue dos
touros e dos bodes tire os pecados). Todos os pecados da humanidade foram
efetivamente perdoados apenas por Cristo cf. Hebreus 9.15 Por essa razão,
Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a
promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas
transgressões cometidas sob a primeira aliança.
Depois de Cristo não é
necessário mais nenhum sacrifício de animal, nem outro sacrifício humano como o
Dele, pois o sacrifício de Cristo foi cabal, terminado, vicário, completo,
perfeito, único, celeste, e não precisa ser repetido cf. Hebreus 10.10,14 Na
qual vontade temos sido santificados pela oblação [oblação =
oferta/sacrifício] do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez; v.14 Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados.
Por isso, ainda que a
justiça de Deus demandasse que quem quisesse ser salvo devia cumprir a lei de
Deus, isso era impossível, mas Deus fez assim para que Cristo fizesse o
impossível para nós, sendo também homem perfeito. Deus Pai colocou esse
critério, segundo a justiça de Deus para exaltar Deus Filho, Jesus Cristo,
sobre tudo e sobre todos.
Romanos 10.4 Porque o
fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.
O fim de tudo isso que
falamos da lei mosaica, é Cristo! Para quê? Para justiça (para salvar,
justificar, declarar justo) de todo aquele que crê. Amém.
Agora, quem é salvo,
justificado e regenerado, pela fé, andando em Espírito, cumpre em si mesmo a
lei de Deus: Gálatas 5.14 Porque toda
a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu
próximo como a ti mesmo.
Voltando ao assunto,
leiamos Romanos 5:
17 Porque, se pela
ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a
abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus
Cristo. 18 Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os
homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça
sobre todos os homens para justificação de vida.
Por uma só ofensa, de
Adão, veio o juízo sobre todos e cada um dos homens para condenação (veja que
isso tem o sentido de ser de sentido jurídico, legal, pois Romanos 5.12-13 usa
a palavra “imputação”), pois sabemos que toda humanidade, cada um deles
foi afetado pela Queda. Assim também por um só ato de justiça, de Cristo, veio
a graça sobre todos e cada um dos homens, abrindo caminho para justificação de
vida de todas as pessoas do mundo, se elas crerem (pela fé). Assim, a Graça
sobre todos os homens é a Graça de Deus que retira todo impedimento legal,
jurídico, para que todos quantos crerem possam alcançar a vida eterna, segundo
o critério Bíblico, que é Cristo.
Cristo morreu por todos
os homens, dando chance a todos, por isso todo aquele que ouvir a mensagem do
evangelho e crer é salvo. O sacrifício de Cristo não é limitado a alguns, como
se só alguns pudessem ser salvos, mas a porta da graça está aberta. Já a eficácia
e aplicação do sacrifício de Cristo no quesito e ato de salvar, justificar, de
tomar os pecados das pessoas para Si e transmitir Sua justiça é apenas aos
crentes, apenas aos que creem.
13.
DOS DONS ESPIRITUAIS
E DA EVIDÊNCIA DA SALVAÇÃO
O
Espírito Santo concede dons aos chamados pelo evangelho que temem e buscam a
Deus, e todos os dons operam ainda hoje, mas de modo nenhum podem considerar-se
salvos (justificados e regenerados) apenas por exercer dons espirituais, ainda
que sejam dons espirituais verdadeiros, pois eles não garantem a salvação
(Mateus 7.21-23 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino
dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos
céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em
teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos
muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci;
apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade). Como no tempo
apostólico, alguns há que o Espírito Santo concede dons para o chamado, ainda não
salvo que busca a Deus (1Coríntios 13.1,2), pela graça, para que ele resista ao
mal e reconheça a natureza dos dons, rendendo-se ao Senhor dos dons, a Cristo,
renunciando a tudo pela graça (Lucas 14.33).
Essas
são pessoas chamadas pelo evangelho, como os servos que receberam talentos do
seu Senhor, ou como as virgens que tinham suas lâmpadas (Mateus 25.1-30): eles
conheciam (pelo menos minimamente) o Senhor. Já ímpios zombadores ou não
chamados pelo Senhor não recebem dons do Senhor.
Os
servos ou mordomos fiéis foram para a glória, mas o servo ou mordomo infiel,
chamado pelo Senhor, também recebeu um talento/dom pela graça infinita de Deus,
mas era mau e negligente (Mateus 25.16). As virgens prudentes (ou salvas) foram
à glória, mas as virgens loucas (ou não salvas), cujas lâmpadas também estavam
inicialmente acesas, mas que não tinham azeite em suas vasilhas (Mt 25.3-4),
foram condenadas, ainda que tinham recebido inicialmente uma porção de
virtude ou dons pela graça do Espírito Santo (suas lâmpadas estavam
inicialmente acesas).
A
evidência principal da salvação é o fruto do Espírito (Gálatas 5.22) em amor,
alegria, bondade, amabilidade, paciência, domínio próprio, fidelidade, mansidão
e paz, características ou princípios de um ser transformado por Deus que anda
em santidade e temor a Deus.
Para
maior aprofundamento, ver a biografia de John Bunyan: Graça Abundante para o
Principal dos Pecadores, parágrafos 297-305, Vida, 2013.
14.
DEUS QUER QUE TODOS
SEJAM SALVOS, MAS SOMENTE ALGUNS SÃO ELEITOS E SALVOS
O
Pai amou a todos e a cada um dos seres humanos dando-lhes oportunidade de
salvação:
“Porque
Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo
aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3.16
Confirmando
isso, Deus deseja que todos sejam salvos, não como decreto impositivo e forçado
(decreto ativo):
“Pois
isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos
os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” 1
Timóteo 2:3,4
Porém,
Deus elegeu somente alguns segundo Seu critério (a Escritura não declara qual é
o critério de Deus na eleição, que é pela graça, pelo Espírito e pela Palavra):
“Paulo,
apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso,
e fiéis em Cristo Jesus: A vós graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e
do Senhor Jesus Cristo! Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o
qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais
nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele
antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante
dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo,
para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, Para louvor da glória
de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, Em
quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as
riquezas da sua graça...” Efésios 1.1-7.
A
salvação, antes de ser recebida, pode ser resistida:
“Homens
de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao
Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais.” Atos 7.51
“Jerusalém,
Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas
vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos
debaixo das asas, e tu não quiseste!” Mateus 23.37
O
pecado de Adão atingiu a todos, e a graça de Cristo convida a todos dando-lhes
oportunidade de justificação de vida:
“Pois
assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para
condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre
todos os homens para justificação de vida.” Romanos 5.18;
“Porque
Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de
misericórdia.” Romanos 11.32.
A predestinação ou
eleição individual para a vida eterna é bíblica, operação de Deus pela graça,
pela PALAVRA (meio pelo qual vem a fé salvadora (Rm 10.17) e meio pelo qual,
com o Espírito, convence o mundo do pecado, justiça, juízo e constrange
amorosamente nossa liberdade de escolha, cessando a resistência do coração, para
o amor voluntário a Deus). Isso é apenas aos eleitos – para o fim de ser
conforme a imagem de Cristo cf. Romanos 8.28-30, para ser adotado na família de
Deus, para a obediência cf. 1Pedro 1:2 (e não pela obediência: Eleitos
segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a
obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam
multiplicadas) conforme também toda a Escritura em suas palavras
explícitas, e não por interpretação humana. Lembre-se de que não há um
versículo sequer na palavra revelada a nós que associe a eleição ou
predestinação divina com algo visto de bom em nós, tampouco alguma obediência,
mas condições assim na palavra revelada são explícitas apenas à salvação/justificação/regeneração
em vida. Como a fé salvadora é anterior à justificação, e como a Palavra produz
a fé salvadora (Romanos 10.17), e como a pessoa precisa receber a Palavra em
seu coração segundo as Escrituras antes da fé; e como a eleição é anterior à
salvação (e não há versículo bíblico de condição à eleição), pelo contrário, a
eleição é de Deus, assim como Seu Amor, portanto conclui-se que a não
resistência da livre vontade do ser humano (com consequente amor voluntário) é
pela Palavra, e também a fé, a justificação, regeneração e glorificação vêm
todas de Deus pela Sua graça, natureza, bondade, palavra e amor. Como a eleição
é a etapa anterior da salvação, assim isso é confirmado. Em Sua Mente, Deus
pode ter um critério, fundamento ou razão para a eleição não revelado na
revelação da Palavra.
Em
contrapartida, não há predestinação individual vinda de Deus na Bíblia para
condenação eterna antes da fundação do mundo. Veja:
Romanos
9:21-23 Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer
um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar
a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos
da ira, preparados para a perdição, para que também desse a conhecer as
riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia que para glória já dantes
preparou.
Parece
com uma olhada rápida que Deus ‘predestinou’ os ímpios à perdição, cada um
deles, desde a eternidade, para o inferno, mas vamos olhar com mais calma.
Os
versos acima, se com cuidado notados, não ensinam a fatalidade da dupla
predestinação, que alguns são rejeitados e ignorados desde a eternidade sem
chance de serem salvos. Na eleição à salvação desde a eternidade nós cremos.
Mas Deus dá chance a todos, conforme a Escritura, clara como cristal, e o
Espírito Santo é que testifica. Ora, a diferença do verso 22 (preparados para a
perdição) para o 23 (preparados para a glória) é que apenas os eleitos são
predestinados: “para glória já dantes [elemento de tempo, colchetes meus]
preparou” no v. 23, ou seja, desde a eternidade. Os vasos preparados para a
perdição no v. 22 não são ditos que são preparados para a perdição num tempo
anterior (desde a eternidade) como é falado dos eleitos, e não se acha na
Escritura frases como "dantes preparados para a perdição", ou
"predestinados para a perdição" etc. Claro que os nomes deles desde a
fundação do mundo não estão no livro da vida (Apocalipse 13.8), mas não, a
Bíblia não fala de predestinação individual ao inferno desde a eternidade!
Acrescentemos
mais dois trechos da Bíblia complementares a Romanos 9 nestes raciocínios:
Judas 1:3,4 (“Porque se introduziram furtivamente alguns, os quais já antes
estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em
dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso,
Jesus Cristo”), e Apocalipse 13.8 (“E adoraram-na todos os que habitam
sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do
Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”): os vasos preparados
para a perdição são pessoas que já estavam inscritas para o juízo final,
todavia foram preparadas durante suas vidas por terem rejeitado o Senhor, e
Deus, claro, já sabia disso desde a eternidade (Deus já está no futuro), ou
seja, sabia que os descrentes que resistem ao Espírito e à Palavra em vida
seriam condenados no juízo do último dia pelo próprio pecado (colhendo o que
plantaram) contra Sua lei, portanto cada pessoa que rejeita a Palavra e o
Espírito sofrerá individualmente o juízo e a condenação eterna futura a qual
Deus já conhecia, mas não serão condenados por terem sido predestinadas
individualmente, ativamente, ao inferno (como se fosse um decreto forçado de
Deus), pois não é bíblico falar em predestinação nem condenação individual ao
inferno eterno ou lago de fogo desde a eternidade decretada por Deus.
As
pessoas não são, por isso, excluídas da salvação, ou da eleição, pois, como
dito, Deus recebe a todos os que se aproximam Dele em humildade – Deus os
espera como Bom Pai, suficiente Salvador, verdadeiro e amoroso Senhor sobre
tudo e sobre todos: consequentemente confirma-se o fato de que Deus quer salvar
a todos conforme a Escritura (1Timóteo 2.4), que é inerrante, e não
contraditória nos manuscritos originais inspirados (2Timóteo 3.16-17 Toda a
Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender,
para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja
perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra).
O
apóstolo diz claramente que Deus suportou com muita longanimidade os vasos da
ira'. Não diz que fez vasos de ira. Pois se tal houvera sido sua vontade, não
teria necessidade de grande longanimidade. Quanto a serem preparados para a
perdição, disso é culpado o diabo e os homens, não Deus. Livro de Concórdia,
editora Sinodal e Concórdia, 2016.
Lund
e Nelson, em Hermenêutica (2007, Vida), afirma sobre Jacó a
Esaú:
O
uso do amar e aborrecer (ou amar e rejeitar) era para expressar preferência de
uma coisa à outra. Tanto é assim que, por exemplo, ao lermos, "Amei a
Jacó, e aborreci a Esaú" (Rm 9.13), devemos compreender: preferi
Jacó a Esaú. (ver também Dt 21.15; Jo 12.25; Lc 14.26; Mt 10.37).
Isso
não quer dizer: “condenei a Esaú desde a fundação do mundo não importa o que
ele fizesse”, tal não é bíblico!
Não
quer também dizer: “Elegi a Jacó e condenei a Esaú desde a eternidade por meu
conselho soberano” mas, sim: “Preferi a Jacó, elegi a Jacó.”
A
condenação individual é causada pelo pecado da própria pessoa que não teme a
Deus, que endurece o coração, tampa os ouvidos para não ouvir a Palavra, ou
seja, resiste ao Espírito Santo cf. Atos 7.51 (vós sempre resistis ao
Espírito Santo), e nem é humilde para recebê-la:
Mateus
5.1 Bem-aventurados os pobres em espírito [igual a ser humilde, não ter
autossuficiência espiritual, colchetes meus], porque deles é o reino dos
céus.
Esses
...de bom grado receberam a Palavra cf. Atos 2.41 e 17.11.
15.
O PROCESSO DE
CONVERSÃO: COMENTÁRIO ABREVIADO DE ROMANOS 7
É necessário comentar
aqui o capítulo sete da epístola de Paulo aos Romanos para esclarecimento geral
da Escritura, e não dessa confissão em si, mas sim do que a Escritura quer nos
transmitir nesse capítulo chave. Comentários meus abaixo dos versículos (Bíblia
Almeida Corrigida Fiel, SBTB, 2011).
[...]
Romanos
7.4 Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de
Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a
fim de que demos fruto para Deus.
Comentário:
Assim
também estamos nós, os crentes, mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para
que sejamos Dele para dar fruto a Deus.
5
Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei,
operavam em nossos membros para darem fruto para a morte.
Agora
Paulo fala da época de quando estava na carne (v. 5), antes de ser salvo, pois
seus membros davam fruto à morte.
6
Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que
estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice
da letra.
Mas
depois foi salvo da lei, tendo morrido para ela, para servir a Deus em novidade
de espírito.
7
Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado
senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não
dissesse: Não cobiçarás.
A
lei mosaica não é pecado, mas nós não conhecemos o pecado senão pela lei: os 10
mandamentos dizem: “não cobiçarás”, e eu conheci a cobiça (concupiscência). Os
mandamentos dizem para não roubar, e aquele que roubou é condenado como
transgressor da lei, pecador.
8
Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a
concupiscência; porquanto sem a lei estava morto o pecado.
O
pecado, através do mandamento, operou no velho Paulo toda a cobiça: se não
houvesse lei não haveria pecado, mas agora não tem desculpa.
9
E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e
eu morri.
E
Paulo, em algum tempo rebelde no início de sua vida, vivia sem conhecer a lei
de Deus – era ignorante das coisas do alto, e desde criança depravado [Romanos
3.9b-12 tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; Como está
escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não
há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se
fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.]. Era ignorante:
[1Coríntios 12.14 Ora, o homem natural não compreende as coisas do
Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque
elas se discernem espiritualmente.]. Paulo não desejava o bem porque não
conhecia o bem de Deus. Mas sendo evangelizado, reviveu o pecado que ele
cometia e ele percebeu que estava morto espiritualmente – o salário do pecado é
a morte – Paulo estava na depravação total, mas algo aconteceu quando foi
evangelizado (“quando veio o mandamento”).
10
E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte.
E
o mandamento dado por Deus para o bem, achou ele temporariamente que lhe era
para morte. Por quê?
11
Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me
matou.
12
E assim a lei [mosaica] é santa, e o mandamento santo, justo e bom.
13
Logo tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o pecado, para que se
mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento
o pecado se fizesse excessivamente maligno.
O
que é bom não vira ou traz morte, mas já que Deus nos deu uma lei moral que
fala para não matar (ou cobiçar, furtar, adulterar, fornicar etc.), esses
crimes ficam muito mais malignos do que seriam se não houvesse essa lei divina.
14
Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o
pecado.
Paulo
no versículo 9 falou que em algum tempo vivia sem lei (homem natural, ignorante,
que não compreende as coisas do Espírito de Deus), mas quando teve contato com
o mandamento, chama-se de carnal, vendido sob o pecado. Compreendeu que a lei é
espiritual, Paulo foi parcialmente iluminado, é carnal, vendido sob o pecado.
15
Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que
aborreço isso faço.
Paulo
não era o Paulo na velhice que dizia “Sede meus imitadores, como eu de Cristo”,
mas era o Paulo que queria fazer o bem, mas não conseguia! – como éramos antes
do novo nascimento – com liberdade de escolha restaurada pela pregação da
Palavra (quero fazer o bem) – homem carnal em vez de homem natural – desejando
o bem, mas não conseguindo praticá-lo, pois não tínhamos a natureza de Cristo
que supera a pecaminosa! Só depois de nascer de novo que uma pessoa consegue
fazer o verdadeiro bem (Hb 11.6) e ter uma consciência limpa diante de Deus.
Vale
ressaltar que as pessoas quando nascem (Rm 7.9) não buscam automaticamente a
Deus, ou seja, não querem fazer o bem diante de Deus ainda, pois não conhecem
nada sobre as coisas de Deus (o bem) se ninguém os evangelizar. É por isso que
primeiro a pessoa nasce ignorante e depravada, e somente depois que a Palavra é
pregada para ela em verdade ela tem a liberdade de escolha espiritual
restaurada (como se Paulo dissesse “quero o bem, quero ser salvo, mas não
consigo fazer o bem”), Paulo estava buscando a Deus para sua salvação (quero o
bem que não faço)! Assim, somente depois desse contato com a Palavra que a
pessoa deseja o bem que vem de Deus, como Paulo em Romanos 7.
Desejar
o bem não consiste em nada que possa salvá-lo, contudo. Somente está buscando a
Deus, desejando o bem! Deus é quem salva, Ele é o Salvador! Ele salva aqueles
que sabem que não podem se salvar (personagem “John Bunyan” em “Torchlighters”
(2006))!
16
E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.
A
lei serve mesmo para condenar os maus. A lei mosaica serve para condenar os
pecadores. A lei é boa, pois condenou a Paulo, quando era escravo do pecado, ou
seja, não conseguia fazer o bem que ele queria, só fazia o mal/pecado.
17
De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em
mim.
Realmente
escravo do pecado.
18
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com
efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.
19
Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.
20
Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em
mim.
21
Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.
Paulo
é incapaz de com seu esforço se livrar do pecado e do mal que reconhece ter.
22
Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
Como
Paulo foi evangelizado pela lei, confrontado pela lei mosaica que escancarou
seu pecado, Paulo estava sob a lei (perto de ser salvo): estando assim, ele
quer ser salvo, tem prazer na lei de Deus, mas Deus ainda não o salvou, pois
leva tempo, convencimento, livramento, amadurecimento, provisão, graça, enfim,
ainda é escravo do pecado. Quando for salvo não será mais escravo do pecado,
será livre para a justiça.
23
Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu
entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.
24
Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?
25
Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o
entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.
Paulo
com a mente parcialmente iluminada servia à lei de Deus, mas com a carne à lei
do pecado. Veja que isso é antes de Paulo ser salvo, frisando, pois o final do
versículo fala que Paulo serve com a carne a lei do pecado, ou seja, Paulo
nesse estado é servo do pecado.
Esse
é o mesmo estado das pessoas, entre a depravação total (homem natural) e o novo
nascimento (salvo): o homem carnal, que já foi renovado pelo Senhor, que provou
(pode ter provado) o dom celestial, que se tornou participante do Espírito
Santo, provou a boa palavra de Deus e os poderes do século futuro em certa
medida (Hebreus 6.4-6).
Esse
é o processo de conversão de um crente, que pode levar anos até que a pessoa
seja eficazmente e efetivamente salva/justificada/regenerada pelo Senhor
através da Palavra, ou perca a oportunidade de salvação pela própria
desobediência, oportunidade de salvação que o Senhor lhe disponibilizara, ainda
que Deus já saiba o futuro exaustivamente, e saiba quem será salvo e quem não (Lembrai-vos
das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus,
não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a
antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme,
e farei toda a minha vontade. Isaías 46.9,10).
A
pessoa, naturalmente, serve com a mente serve à lei de Deus, mas com o corpo à
lei do pecado. Essa é a explicação do v. 25, mas, conforme Romanos 8 (ver
capítulo todo depois), os que andam na carne não são salvos, e os que andam no
Espírito são os salvos, portanto Romanos 7.25 (acima) fala obviamente de um
estado antes de ser salvo, pelo qual todos passamos, e Paulo se fez exemplo
desse estágio para nos explicar como funciona isso neste capítulo de Romanos 7.
Enfatizando,
quem é salvo anda em Espírito:
Romanos
8.9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de
Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é
dele.
Romanos
8.14 Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de
Deus.
Quem
é de Cristo não anda na carne:
Gálatas
5.24 E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e
concupiscências.
16.
PERSEVERANÇA DOS
SANTOS E EVIDÊNCIA BÍBLICA
Uma
pessoa salva (uma vez que tem a natureza de Cristo) é, por natureza, em geral,
perseverante, vigilante, obediente a Deus (1Jo 5.4 Porque todo o que é
nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé),
se arrependendo de todo deslize, pelo Espírito que nela habita, que sempre a
constrangerá para arrependimento. Quem deixa a fé que tem (não-salvífica,
crendo temporariamente cf. Lucas 8.13), ou se não houver arrependimento; e quem
deixa o "caminho da salvação" mostra que não alcançou a verdadeira
salvação, não sendo um salvo (entende-se por salvo o cristão que é naturalmente
em parte perseverante, pois todo nascido de novo tem o seu fruto em
perseverança cf. Lucas 8.15, é vigilante, justificado pela fé, regenerado pelo
Espírito e que anda em santidade contínua), e não provou que Deus é bom, pois
sua graça constrange a todo o homem. Devemos repreender o jargão infeliz
"uma vez salvo, sempre salvo", que, embora correto, fica implícito
nessa frase que o homem poderia fazer o que quiser (ainda que isto não
correspondesse à vontade de Deus), e ainda morrer no pecado, e não ‘perderia a
salvação’. A realidade da Escritura é que o salvo, em geral, persevera, vigia, é obediente, não faz o que
quer, mas o salvo pratica a vontade de Deus e não permanece no
pecado nem o pratica continuamente (1Jo 3.9 Qualquer que é nascido de Deus não
permanece no pecado, 1Jo 3.6 Qualquer que permanece no pecado não o viu nem o
conheceu). Quem é nascido de Deus não vive pecando.
Aquele
que permanece no pecado (apostata ou peca continuamente) não viu, nem conheceu
Jesus, pois não é nascido de Deus. O que indica que não é uma salvação que foi
perdida, como se tivesse conhecido Jesus anteriormente, antes de o deixar. Mas
a realidade é que nunca o viu, nem o conheceu; a realidade é que nunca foi
salvo, pois não praticou o fruto do Espírito, fruto perfeito. ‘Nunca vos
conheci, apartai-vos de mim, vós que praticais a maldade’ (Mt 7).
A)
Uma
árvore boa sempre dá bons frutos (Mt 7.16-19). Está dando espinhos? Você não é
uma macieira, ou uma jabuticabeira, mas um espinheiro! Não é nascido de novo se
permanece dando maus frutos!
B)
Romanos
8.14 Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de
Deus. Esse verso nos mostra que somos filhos de Deus, nascidos de novo tão
somente se estivermos guiados pelo Espírito de Deus. Não adianta achar que é
filho de Deus adotivo por Cristo se permanecerdes nos seus pecados ou se fizerdes
continuamente a vontade da carne com suas paixões.
C)
Jeremias
32 fala da nova aliança, em que Deus vela pela preservação da nossa salvação:
Jr 32.38 E eles serão o meu povo, e eu lhes serei o seu Deus; 39 E lhes darei
um mesmo coração, e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu
bem, e o bem de seus filhos, depois deles. 40 E farei com eles uma aliança
eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus
corações, para que nunca se apartem de mim.
D)
João
10 nos mostra que as ovelhas de Jesus ouvem a Sua voz, ou seja, o seguem
(inclui-se nisso o ato de evitar o pecado). Jesus lhes dá a vida eterna, como
Ele é a vida, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da Sua mão. Será
que esse verso não é convincente o suficiente? Ninguém arrebatará o salvo da
mão de Cristo. Ninguém também arrebatará o salvo da mão do Pai: Meu Pai, que
mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.
João 10.27-29.
E)
Romanos
8.31-39 fala que nada, nada, nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo
Jesus. Mas a própria Bíblia não fala que o pecado separa o homem de Deus? Sim,
porém, para o nascido de novo (novo homem) o domínio permanente do velho homem
é passado, as primeiras coisas são passadas, e até ter o pecado como senhor é
‘coisa passada’ para o nascido de novo (1Jo 3.6-9), isto é, o pecado junto com
a natureza pecaminosa em geral é controlado e suprimido pelo Espírito Santo,
que faz com que o salvo não viva pecando continuamente!
F)
Em 2Co
10.4-5 (Porque as armas da nossa milícia não são carnais, [...] e levando
cativo todo o entendimento à obediência de Cristo), Paulo dá a entender que o
servo, com suas armas espirituais, possui (ou deve possuir) todo o entendimento
e obediência cativos em Cristo! Se nós queremos fazer o que quisermos, se isso
não corresponder à vontade de Deus, não somos servos de Deus. O servo de Deus é
livre do pecado (Jo 8.34-36), mas não livre para fazer o que bem entender
(carne), pois é cativo de Cristo pelo Espírito! Assim, um salvo não é livre
para pecar ou para apostatar da fé.
G)
João 8
mostra que os filhos fazem o que fazem os pais (filho de Deus agrada a Deus,
filho do diabo agrada ao diabo, filho de Abraão faz as obras de Abraão);
João 8:38 Eu falo do que vi junto de meu Pai,
e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai. 39
Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se
fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. 40 Mas agora
procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem
ouvido; Abraão não fez isto. 41 Vós fazeis as obras de vosso pai.
Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é
Deus. 42 Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me
amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me
enviou. 43 Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a
minha palavra. 44 Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os
desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou
na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que
lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.
Desta maneira, salvo faz, em geral, a vontade de Deus.
Ímpio faz, em geral, a vontade do diabo. Por isso, o salvo é cativo de Cristo,
constrangido pelo Espírito, e não pode apostatar da fé, porque Deus o guarda e
há um amor mútuo entre Deus e o salvo, e entre o salvo e Deus.
H)
Romanos
8.30: E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes
também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Esse
verso nos afirma que todos os que Deus escolheu antes da fundação do mundo ele
chamou em vida. Todos esses que chamou em vida, segundo o propósito (ver Rm
8.28b), também justificou pela fé. E todos esses que Deus elegeu, todos esses
que Deus chamou segundo seu propósito, e todos esses que Deus justificou também
serão glorificados na vinda de Cristo. Portanto, se você é justificado /
regenerado, você é salvo. Se é salvo hoje (nascido de novo), será salvo
(glorificado – salvação final) na vinda de Cristo. O salvo não deve temer não
subir na vinda de Cristo, pois o salvo com certeza subirá na vinda de Cristo.
I)
1Co
3:8b em diante é mais uma evidência da perseverança dos santos.
“[...]. Mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu
trabalho. 9 Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e
edifício de Deus. 10 Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como
sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como
edifica sobre ele. 11 Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já
está posto, o qual é Jesus Cristo. 12 E, se alguém sobre este fundamento formar
um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, 13 A obra
de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será
descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. 14 Se a obra que
alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. 15 Se a obra de
alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo
fogo.”
Os salvos são edifício de Deus, e nesta construção o
fundamento, que é a base, é Cristo, e edificam (constroem) sobre ele com as
obras. Os salvos fiéis durante toda sua vida cristã constroem o seu edifício,
em geral, com ouro, pedras preciosas e prata: esse edifício permanecerá de pé
sob o fogo e o salvo receberá recompensa eterna, um grande galardão no céu. Os
salvos não tão fiéis assim durante toda sua vida (como Davi, que sendo salvo
(embora não nascido de novo pela nova aliança) pecou e sofreu juízo de Deus por
todo o resto de sua vida) constroem o seu edifício em parte com materiais
nobres e em parte com madeira, feno ou palha: esses sofrerão detrimento (dano,
perda) de parte do seu edifício e galardão. Na realidade, mesmo que um nascido
de novo tenha muitas falhas, ele, por causa do fundamento, que é Cristo, ainda
irá para o gozo eterno, onde não terá mais choro, dor, tristeza, e onde estará
com o Senhor. Portanto, ainda que não receba recompensa ou galardão por algo
feito na terra, o nascido de novo, se realmente for um nascido de novo, e não
um descrente aventureiro na fé ou domesticado do pecado achando ser cristão
verdadeiro, será repreendido no tribunal de Cristo/juízo, porém verá a face de
Deus em alegria na glória. Por Cristo e em Cristo todos os justificados serão
glorificados.
17.
APOSTASIA
A Bíblia diz explicitamente que é possível perder a graça,
fé e o Espírito. Acerca disto:
1 Tessalonicenses 5:19 “Não extingais o Espírito.”
Gálatas 5:4 “Separados estais de Cristo, vós que vos
justificais pela lei; da graça tendes caído.”
1 Timóteo 4:1 “Mas o Espírito expressamente diz que nos
últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos
enganadores…”
Acerca destes:
1João 2.19 “Saíram de nós, mas não eram de nós;
porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse
que não são todos de nós.”
Com a graça, a fé e o Espírito o crente tem contato antes
de ser salvo. Não existe na Bíblia, entretanto, expressão alguma falando que
“perderam a salvação / adoção / regeneração / justificação / eleição /
glorificação etc.. Procure com esses termos se tiver dúvida.
Perderam a graça, fé e o Espírito (antes do novo
nascimento): trabalhemos melhor esse ponto.
É possível segundo a Bíblia que uma pessoa apostate da fé
(como a parábola do semeador de Lucas 8.13 diz, crendo/acreditando
temporariamente). É possível apostatar (Hebreus 6.4-6; 10.26-31) da fé não
salvadora, como apenas acreditar sem confiar, uma vez que esta fé inicial iria
levar ela gradativamente, crescendo de fé em fé (Rm 1.17), pela graça de Deus, pelo
contato com a Palavra, até uma fé justificadora, a ser um verdadeiro salvo em
Cristo, mas isso não se tornou uma realidade na vida da pessoa por culpa dela.
O pecado para morte, imperdoável, a blasfêmia contra o Espírito Santo, a
apostasia, “é cometida quando qualquer homem, com determinada malícia,
resiste à verdade divina, ou seja, a verdade contida no Evangelho – contra a fé
em Cristo e a conversão a Deus. Portanto, o tipo de pecado é uma repulsa e
rejeição a Cristo, em oposição à consciência” (Armínio, Jacó, Obras de
Armínio, CPAD, 2015).
Acerca disso, a Bíblia não diz: “(des)nasceram”
(perderam/anularam o novo nascimento); “perderam a justificação” (pelo
contrário, Rm 8:28-30 fala que os que justificou, glorificou); não há na Bíblia:
“não são mais filhos de Deus”, “perderam a adoção”, “filhos abandonados” (obs.
filhos bastardos de Hebreus são os ‘crentes’ carnais, filhos de Deus apenas por
criação, que não aceitam a disciplina de Deus); não há na Bíblia “perderam a
salvação” (escrito assim), etc.: “perderam a eleição”, “perderam a
glorificação”, “não mais serão glorificados”... etc.
Portanto, amados irmãos, como Cristo ressuscitou dos
mortos, a justificação é eterna. A adoção é eterna. A regeneração é eterna. A
Bíblia prova que não se perde salvação / regeneração / justificação / adoção /
glorificação / eleição.
Ainda que não acreditem nas linhas teológicas humanas,
fiquem com a Bíblia, ainda mais com o que ela diz explicitamente e muitas
vezes!
As exortações, admoestações e repreensões bíblicas são
verdadeiras: vigiai e orai para que não caiam em erro.
Todo aquele que vive pecando (sem arrependimento e sem
perseverança) não o viu nem o conheceu (Jesus), 1Jo 3.6,9: precisa de
conversão. Não há licença para pecar, somos escravos de Cristo, e não livres
para fazermos o que quisermos. Somos livres para praticar a justiça.
18.
IGREJA,
CORPO DE CRISTO
A Igreja Universal de Jesus (Hb 12.23, Ef 5.25) é, num
sentido mais amplo, a união dos salvos de todos os tempos e épocas (incluindo
judeus e gentios crentes), no Céu e na terra, o Corpo de Cristo (Ef 5.23, Cl
1.18, 1Co 12.27). A Igreja num sentido mais específico teve início na
celebração de Pentecostes (1Coríntios 12.13 cf. Atos
2.38-39) e compreende os salvos
do Novo Testamento. Os salvos do Antigo Testamento, eram sim povo de Deus,
estavam num casamento/noivado com Deus, mas não eram chamados de Igreja, mas
Israel (Jeremias 2.2-3 Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim
diz o Senhor: Lembro-me de ti, da piedade da tua mocidade, e do amor do teu
noivado, quando me seguias no deserto, numa terra que não se semeava. Então
Israel era santidade para o Senhor, e as primícias da sua novidade;
todos os que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o
Senhor).
A
Igreja é atualmente a noiva do Cordeiro (Efésios 5.25), futura esposa do
Cordeiro (esposa Apocalipse 21.9, identificada com a nova Jerusalém cf.
Apocalipse 21.2,9-10) na glória sem ruga nem mácula (Ef 5.25-27, especialmente
5.27), composta dos crentes, sim, imperfeitos e pecadores na Terra, mas aos
olhos de Deus, se justificados, sem defeito ou culpa, pois Cristo é nossa
justiça. De acordo com John Bunyan (Graça Abundante para o Principal dos
Pecadores, Vida, 2013), “...não era a boa atitude do meu coração que tornava
melhor a minha justiça, nem a minha má atitude que a tornava pior, pois a minha
justiça era o próprio Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre”
(Hebreus 13.8).
A
Igreja, que é o novo Israel de Deus (pela fé), substituiu Israel (com seus
moldes do Antigo Testamento) na nova aliança (significa que Deus trata Israel
no período do Novo Testamento (que se inicia com a
ressurreição de Cristo e termina na eternidade) da mesma maneira que trata
a Igreja do Novo Testamento). Mateus 21.43 Portanto, eu vos digo que o reino
de Deus vos será tirado [Israel na antiga aliança], e será dado a uma
nação que dê os seus frutos [judeus e gentios crentes: Igreja].
1Pedro
2.9,10 Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o
povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das
trevas para a sua maravilhosa luz; Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas
agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora
alcançastes misericórdia;
Os crentes devem se reunir regularmente na igreja local,
congregação ou templo (Hb 10.25), em forma de culto racional (Rm 12.1) para,
principalmente, adoração a Deus, evangelização e edificação dos santos.
A salvação é espiritual, não denominacional; não há igreja
visível que a abrigue sozinha, mas é de um só Caminho que leva ao céu (Jo
14.6), Jesus Cristo.
“Mesmo as igrejas mais puras sobre
a terra estão sujeitas a erros doutrinários e a comprometimentos. Algumas se
degeneraram tanto, que deixaram de ser Igrejas de Cristo, e passaram a ser
sinagogas de Satanás.” (Confissão de Fé Batista de 1689).
A
Igreja está intimamente ligada ao Reino de Deus ou dos Céus, pois é formada de
salvos que são reis e sacerdotes no Reino de Deus, cujo Rei dos Reis e sumo
sacerdote é Jesus. O Reino de Deus ou dos céus (são sinônimos) é mais amplo que
a Igreja, é o Reino em que Deus (quero dizer, a Trindade toda) é o (sumo) Rei,
Senhor e Governador sobre tudo e todos, e governa tudo e todos com justiça e
amor. Apesar de tamanha grandeza, Cristo nos fez assentar com Ele em seu reino,
que se inicia desde essa vida como filhos adotados até a eternidade (onde
entraremos em seu Reino Eterno na glória).
A
Igreja é o Corpo de Cristo, que tem muitos membros (eu e você, por exemplo),
mas que é Igreja / assembleia / comunidade / reunião de pessoas com mesmo
propósito (e não pessoas isoladas), conforme o significado original na
Escritura a partir das línguas originais.
Por
isso, eu não sou Igreja sozinho, você não é Igreja sozinho. Eu não sou Igreja,
mas faço parte da Igreja. Você não é Igreja, mas faz parte da Igreja. Não se
diz: "Sou Igreja”, mas: “Somos Igreja."
Não
existe ser Igreja sem os irmãos em Cristo (“Não deixando nossa mútua
congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e
tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” Hebreus
10:25).
Mesmo
assim, a Bíblia declara que tanto individualmente como coletivamente somos
templo do Espírito Santo, habitação de Deus. Enfatizando, nossos corpos,
individualmente, também são templo ou habitação do Espírito.
Deus
nos chamou, ao fazer parte de uma comunidade de fé, para suportar os outros,
para amar os outros, para carregar o fardo uns dos outros, para ensinar os
outros, para sermos admoestados e ensinados pelos outros, para crescermos
juntos para parecemos mais com Cristo já nesta Terra e até chegarmos a ser conforme
a plena imagem de Deus no Céu: até sermos como Jesus Cristo na glória de Deus
Triuno.
Para
isso, precisamos uns dos outros, e não só de Deus: pessoas também precisam de
outras pessoas. Não somos seres humanos isolados, mas como disse Bavinck
(Dogmática Reformada, Cultura Cristã, 2012), “Cada pessoa é um membro orgânico
da humanidade como um todo e, ao mesmo tempo, nesse todo, ocupa um lugar
independente, preservando a unidade orgânica (física e moral) da humanidade,
além de respeitar o mistério da personalidade individual. Deste modo, os seres
humanos não são espécies [como animais], nem são indivíduos isolados como os
anjos, mas são parte de um todo e também são indivíduos: pedras vivas do templo
de Deus (1Pe 2.5).”
Se um
ser humano sofre, o outro sofre também. Estamos ligados, a humanidade é uma
unidade orgânica, não somos indivíduos isolados, um é parente distante do
outro, o que não ocorre com os animais, que foram criados por tipos (Gn 1), nem
com os anjos, que são assexuados cf. Mateus 22.30.
Assim,
nos relacionando com Deus e uns com os outros, família, Igreja, amigos,
colegas, conhecidos, vizinhos etc. cresceremos em sabedoria, graça, comunidade
e no favor do Senhor:
E não
vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus
se agrada. (Hebreus 13:16).
19.
BATISMO
E CEIA DO SENHOR
Há dois sacramentos para a Igreja ordenados por Cristo: o
Batismo e a Ceia. Não consideramos o batismo e ceia simplesmente ordenanças, ou
que apenas possuem aparência exterior, mas sacramentos, pelos quais o fiel é
certamente abençoado e agraciado pelo Senhor continuamente em obediência ao
mandamento (e não pelo sacramento por ele mesmo).
O batismo simboliza o início da caminhada cristã, e a ceia
do Senhor a permanência na caminhada cristã, mas nem o batismo nem a ceia
salvam (somos salvos pela fé, não por boas obras como o batismo ou ceia),
todavia o batismo e a ceia renovam o cristão interiormente, especialmente pela
presença verdadeira, mas espiritual de Cristo na Ceia do Senhor conforme as
Escrituras (Jo 6.58, 6.55).
“Nenhum dos quais [batismo e ceia] pode ser administrado
senão por um ministro da Palavra, legalmente ordenado. Mt 28.19; 1Co 11.20,23;
4.1; Hb 5.4.” (Confissão de Fé de Westminster)
O método batismal mais adequado biblicamente, sem
querer fazer disso uma “completa divisão de águas”, é a imersão completa
(conforme Mt 3.6, Mt 3.16 saiu logo da água) uma só vez na vida se
ministrado corretamente (cf. Efésios 4.5), com imposição de mãos (Hb 6.2), em
nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, (Mt 28.19) sob a autoridade do
Senhor Jesus (At 19.5).
A Bíblia não ensina o batismo de bebês (como um batismo sem
receber a palavra pregada e consequentemente sem fé), mas sempre associa o
batismo à fé, a crer, inclusive quando toda a casa foi batizada. Exemplo:
Atos 16.30-34: “E, tirando-os para
fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para ser salvo? E eles
disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa. E
lhe pregavam a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa. E,
tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e
logo foi batizado, ele e todos os seus. E, levando-os à sua
casa, lhes pôs a mesa; e alegrou-se de que com toda a sua
casa havia crido em Deus.”
Quem se batiza e participa da ceia indignamente o faz para
sua própria condenação cf. 1Co 11.27-30 (sim, inclui-se nisto o batismo – quem
o faz indignamente despreza o mandamento), mas quem se batiza e toma a ceia de
acordo com o que instruiu o Senhor Jesus e o apóstolo Paulo nas Escrituras
certamente é abençoado e renovado (bênção da Ceia: 1Co 10.16, Lc 22.19-20;
bênção do batismo: Gálatas 3.27 e 1Pedro 3.21).
A ceia, além de nutrir um relacionamento íntimo com Cristo
pela fé, é fruto de comunhão e união da Igreja, dos membros do corpo de Cristo
(1Co 10.16 Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é
a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura
a comunhão do corpo de Cristo?).
Além disso, pela Ceia declaramos que continuaremos tomando
a Ceia nos novos céus e na nova terra, na festa de casamento da Igreja com
Cristo no Reino de Deus:
Mateus 26.29 E digo-vos que, desde agora, não beberei
deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu
Pai.
Apocalipse 19.7,9 Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e
demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se
aprontou. [...] E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à
ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de
Deus.
20.
DA SEGUNDA
VINDA DE CRISTO, JUÍZO FINAL E ETERNIDADE
Jesus voltará em glória a essa Terra como Ele prometeu
(Mateus 25.31-46, Apocalipse 22.12-17,20), e isso será da mesma maneira como
Ele ascendeu aos céus, isto é, não num cavalo, mas pessoalmente em glória com
seus santos anjos (Atos 1.11).
1Tessalonicenses
4.16-17 fala sobre a vinda do Senhor Jesus na Terra, a Segunda Vinda: “Porque o
mesmo Senhor descerá do céu com alarido [grande brado/grande aclamação], e com
voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo
ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados
juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim
estaremos sempre com o Senhor.”
Os santos mortos ressuscitarão com novos corpos (e os vivos
apenas serão transformados), de matéria espiritual e glorificada, corpos que
nada mais eram do que pó (Gênesis 2.7, 3.19), mas o poder de Deus os
vivificará, e transformará esse pó em corpos incorruptíveis, perfeitos,
saudáveis e eternos (conforme 1Coríntios 15), com os quais reinaremos, sendo
literalmente reis com Deus e com Cristo para sempre no novo Universo (novos
céus e nova terra): reinarão em vida, reinarão para todo o sempre cf. Rm
5.17 e Ap 22.5. Após a vinda do Senhor brilharemos como as estrelas sempre e
eternamente (Daniel 12.2-3).
Quando Jesus voltar ressuscitará fisicamente a todas as
pessoas da história: ímpios e justos (João 5.29), e os atrairá a Ele. Ele fará
uma solene separação. Os céus e a terra serão enrolados como um rolo de um
livro e fugirão da presença Daquele que É (Apocalipse 20.11, Êxodo 3.14 LXX).
Os ímpios/bodes estarão à esquerda e os salvos/justificados/ovelhas à direita.
Será aberto um livro (livro das obras) com as obras de todos os homens e anjos
caídos, que serão julgados por suas obras. Aquele que não estiver com o nome
escrito no livro da vida do Cordeiro (que é outro livro, livro da vida), será
condenado eternamente ao lago de fogo (inferno eterno) e de modo justo e
imparcial, com castigo proporcional ao pecado que cometeu durante sua vida,
testificado pela sua consciência, contra o único Deus eterno, justo, vivo e
santo (Mateus 25.31-46, Apocalipse 20.11-15).
Deste
juízo Deus criou os critérios, baseados na Lei divina, retos e justos – no qual
sabe-se que a aprovação é só em Cristo (Apocalipse 20.5) – só entra pessoa
perfeita no céu. Como nenhum de nós é perfeito, só podemos ser aprovados no Céu
se declarados justos por Cristo, pela Graça (Efésios 2.8-10), sendo justos e
santos pela justiça de Cristo, e não a nossa – isto é ser justificado. Todo
justificado irá à glória com Cristo (Romanos 5.9 Logo muito mais agora,
tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira).
Assim, aquele que foi justificado em sua vida terrena, ou
seja, declarado justo, já foi na Terra declarado inocente frente a esse
tribunal ou julgamento (Romanos 8.1), visto que a nossa justiça é Cristo, a
nossa justiça é o próprio Senhor Jesus, ou seja, o nosso mérito é o que foi
conquistado por Cristo em sua vida e morte, pois morreu em nosso lugar, em um
sacrifício consumado de uma vez por todas no tempo e no espaço, como substituto
da nossa pena, pois o nosso pecado foi cravado na Cruz e Cristo sofreu a pena
de morte que cada um de nós merecia (Isaías 53), fazendo-nos livres e inocentes
perante o juízo final (vivendo, frente a esse julgamento, em paz desde essa
Terra cf. Romanos 5.1), por isso iremos à vida eterna (Rm 6.23), também chamada
de glória eterna.
Os ímpios receberão galardão (recompensa) da injustiça (2Pe
2.13) por suas obras em vida (com níveis de condenação conforme a luz recebida
e conforme a gravidade dos crimes contra a lei de Deus cometidos cf. Lucas
12.47-48), e os justos, se fiéis, galardão (recompensa) do Senhor conforme
1Coríntios 3, caso tenham edificado sobre o fundamento que é Cristo com boas
obras.
Deixo um incentivo e advertência para o salvo continuar
praticando boas obras pelo Espírito: 2João 1.8 Olhai
por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o
inteiro galardão.
Um novo Universo será criado, uma nova criação, dimensão
separada do lago de fogo cf. Apocalipse 21.27 (pois nos novos céus e nova terra
não haverá mais morte cf. Ap 21.4), onde habitaremos com Deus, com Cristo e com
o Espírito, como herdeiros de Deus Pai e coerdeiros de Cristo sobre todas as
coisas que existirão, e estaremos em júbilo, alegria, vida eterna, nos
relacionando com a Trindade face a face, reinando eternamente com Cristo sobre
os novos céus e nova terra, em uma nova realidade, conhecendo e prosseguindo em
conhecer e nos aproximarmos de Yahweh (Êxodo 3.14-15), o Eu Sou, que é a
própria realidade absoluta (cf. seu Nome) regida por amor e que permanece
eternamente em amor (cf. 1João 4).
Deixo-vos um incentivo ao amor e ao serviço em humildade:
Mateus 25.34-40 “Então dirá o Rei
aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai,
possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque
tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era
estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e
visitastes-me; estive na prisão, e fostes me ver. Então os justos
lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos
de comer? Ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos
estrangeiro, e te hospedamos? Ou nu, e te vestimos?
E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E,
respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes
a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”
1
João 5:20 “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento
para que conheçamos ao Verdadeiro; e no que é Verdadeiro estamos, isto é, em
seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.”
Amém!
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