sábado, 20 de abril de 2024

Teologia Sistemática Atualizada dia 21/4/24, principalmente na seção 9.5

Graça e paz


[Em 22/4 retirada uma infeliz comparação com Norman Geisler no início da citação de Randy Alcorn, pdf atualizado]

9.1 Introdução (DOUTRINA DO PECADO)

Cremos que pecado é todo tipo de transgressão da lei moral e divina de Deus (por exemplo, Êx 20, Lc 10.27). Todos os homens são pecadores (1Jo 1.8-10), pois possuem a natureza pecaminosa (carne), Gl 5.17. O pecado separa o homem de Deus (Is 59.2).

Creio também que o simples fato de afastarmos o nosso coração ou ser de Deus e do Seu caminho já é um pecado (Jr 2.5, Is 29.13, Dt 9.16), ou seja, o acomodar-se na fé (1Pe 1.8,9), pois o Senhor diz que devemos buscá-lo, perseverar em oração (Atos 2.42, Rm 12.12, Col 4.2), na doutrina de Cristo (2Jo 9, 1Tm 4.16), prosseguir em conhecer o Senhor (Os 6.3), além de meditar na Sua Palavra de dia e de noite (Josué 1.1-9). Aquele que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado (Tg 1.13-15). Existem pecados até por ignorância segundo a Escritura (Nm 15.27-28).


Cremos que todas as pessoas, sem exceção, mesmo depois da Queda, são ainda imagem e semelhança de Deus: Depois do dilúvio, Deus falou a Noé: ...porque Deus fez o homem conforme a sua imagem (Gênesis 9:6).

 

Aborto

Cremos que aborto é assassinato, pois a vida é gerada na concepção (Jeremias 1.5 “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta”, Salmos 139.13-16: “13b cobriste-me no ventre de minha mãe. 14. Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. 15. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. 16. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.”), e cada homem e mulher, cada pessoa, sendo imagem de Deus, tem valor.

Ultimamente tenho sido desafiado a minhas crenças sobre aborto (eu me apoiava nos livros que Norman Geisler escreveu (Ética Cristã)), e acabei descobrindo que ele estava errado em sua primeira edição a defender uns quatro tipos de exceções para o aborto (onde ele falava erroneamente que o feto é uma pessoa em potencial) e, na segunda edição, que ele corrigiu drasticamente (na qual ele escreveu que o feto é plenamente humano, e que aborto nunca é justificável), ele (Geisler, 2010b, pág. 179-180) diz, a respeito de aborto para gravidez de risco (para salvar a vida da mãe): “É moralmente necessário tomar qualquer precaução médica para salvar a vida da mãe. Esse caso não pode ser caracterizado como um aborto... A intenção não é matar o bebê; é salvar a vida da mãe... Trata-se de uma questão de vida por vida, e não um aborto sob demanda... a mãe tem o direito de preservar a vida com base no direito de legítima defesa (Êx 22.2).

Não concordo com a opinião de Geisler acima. Randy Alcorn, que também não concorda, vai a fundo com a Bíblia e nega qualquer justificativa para abortar, incluindo essa de Norman Geisler, comparando a vida de uma menina grávida a um soldado na guerra (Alcorn, Randy; Pensando Biblicamente sobre o Aborto, 2014):

Alguns defensores do aborto afirmam que suas crenças têm a Bíblia como base. Eles afirmam que a Bíblia não proíbe o aborto. Eles estão errados. A Bíblia, de fato, proíbe enfaticamente a morte de pessoas inocentes (Êxodo 20:13) e considera claramente o nascituro como sendo um ser humano digno de proteção (21:22-25).

Jó descreveu graficamente a forma como Deus o criou antes de ele nascer (Jó 10:8-12). O que estava no ventre de sua mãe não era algo que poderia tornar-se Jó, mas alguém que era Jó – o mesmo homem, só que mais jovem. Para o profeta Isaías, Deus diz: “Assim diz o SENHOR, que te criou, e te formou desde o ventre, e que te ajuda” (Isaías 44:2). O que cada pessoa é, e não apenas o que ela pode se tornar, esteve presente no ventre de sua mãe.

Salmo 139:13-16 pinta um retrato vívido do envolvimento íntimo de Deus com uma pessoa antes de seu nascimento. Deus criou o “interior” de Davi, não no nascimento, mas antes do nascimento. Davi diz ao seu Criador, “tu me teceste no ventre de minha mãe” (versículo 13). Cada pessoa, independentemente de sua filiação ou deficiência, não foi fabricada em uma linha de montagem cósmica, mas criada pessoalmente por Deus. Todos os dias de nossas vidas são planejados por Deus antes de virmos a ser (versículo 16).

Meredith Kline observa: “O que há de mais importante a respeito da legislação do aborto na lei bíblica é que não há legislação nenhuma. Era tão inconcebível que uma mulher israelita pudesse desejar um aborto que não havia necessidade de mencionar esse crime no código penal”. Tudo o que se precisava para proibir o aborto era o mandamento “Não matarás” (Êxodo 20:13). Todo israelita sabia que o nascituro era uma criança. Assim como nós sabemos, se formos honestos. Nós todos sabemos que uma mulher grávida está “carregando uma criança”.

Toda criança no ventre é obra de Deus e faz parte do seu plano. Cristo ama essa criança e provou isso, tornando-se semelhante a ela – ele mesmo passou nove meses no ventre de sua mãe.

Assim como os termos criança e adolescente, embrião e feto não se referem a seres não humanos, mas a seres humanos em diferentes estágios de desenvolvimento. É cientificamente incorreto dizer que um embrião humano ou um feto não é um ser simplesmente porque ele está em uma fase mais prematura do que uma criança. Isso é a mesma coisa que dizer que uma criança não é um ser humano, porque ele ainda não é um adolescente. Será que alguém se torna mais humano quando cresce? Se assim for, então os adultos são mais humanos do que as crianças, e os jogadores de futebol são mais humanos do que os jóqueis. Algo que não é humano não se torna humano ou mais humano ao ficar mais velho ou maior; tudo o que for humano é humano desde o início, ou não é humano de jeito nenhum. O direito à vida não aumenta com a idade e o tamanho; caso contrário, as crianças e os adolescentes teriam menos direito de viver do que os adultos.

Uma vez que reconhecemos que os nascituros são seres humanos, a questão sobre o seu direito de viver deve ser resolvida, independente da forma como foram concebidos. É desigual a comparação entre os direitos das mães e os direitos dos bebês. O que está em jogo na grande maioria dos abortos é o estilo de vida da mãe, em oposição à vida do bebê. Nesses casos, é justo que a sociedade [mundana] espere que um adulto viva temporariamente com um inconveniente, se a única alternativa é matar uma criança.

Os defensores do aborto desviam a atenção da grande maioria dos abortos (99%) ao colocarem o foco sobre o estupro e o incesto por causa do fator simpatia. Eles dão a falsa impressão de que a gravidez é comum nesses casos. No entanto, nenhuma criança é um “produto desprezível de um estupro ou incesto”, mas sim uma criação de Deus única e maravilhosa feita à sua imagem. Para uma mulher vitimizada, pode ser muito mais benéfico ter e carregar uma criança do que saber que uma criança morreu em uma tentativa de reduzir o seu trauma.

Quando Alan Keyes se dirigiu aos alunos do ensino fundamental II em uma escola em Detroit, uma menina de treze anos de idade perguntou se ele faria uma exceção para o estupro em sua posição pró-vida. Ele respondeu com esta pergunta: “Se o seu pai estuprasse alguém (Deus nos livre), e nós o condenássemos por esse estupro, vocês acham que seria certo se, em seguida, nós disséssemos: ‘OK, pelo fato de seu pai ter sido culpado do estupro, nós mataremos você?’ A classe respondeu: “Não”. Quando lhe perguntaram por que uma garota teria que passar por uma gravidez, quando algo tão horrível aconteceu com ela, com sabedoria, ele fez a seguinte analogia (ao falar com um menino da classe dela):

Vamos supor que os Estados Unidos se envolvessem em uma guerra quando você tivesse 19 anos. E, sabemos que, em guerras no passado, tivemos um recrutamento e as pessoas de sua idade [soldados] eram recrutados e enviados para a guerra, certo? Então você teria que ser enviado. Você teria que viver em um campo de batalha. Você teria que arriscar a sua vida. E muitas pessoas, de fato, arriscam suas vidas, vivem em dificuldades todos os dias e, no final, elas morrem. Por quê? Elas estavam defendendo o quê? Nosso país e a sua liberdade. Elas tiveram que passar por dificuldades pela causa da liberdade, não é mesmo.

[O princípio da liberdade é que nossos direitos vêm de Deus. Você acha que é errado pedir às pessoas que façam sacrifícios para manter o respeito por esse princípio? Nós fizemos isso. Pedimos aos nossos soldados que fizessem isso nos campos de batalha, pedimos às pessoas que fizessem isso de todas as maneiras. E, no entanto, penso que seria correto pedir às mulheres deste país que o fizessem para respeitar quando se trata da vida no útero.

“Devíamos ajudá-las. Deveríamos estar lá. Precisamos amar, precisamos aconselhar e precisamos trabalhar com as pessoas para que, quando estiverem passando por um período dessa dificuldade, saibam que não é culpa delas e que Deus as ama e que nós as amamos.

Conteúdo dos colchetes retirados de: Prolife Info Digest, "What a Truly Pro Life Candidate Believes" (February 27, 2000), Disponível em: <https://www.epm.org/resources/2000/Feb/27/what-truly-pro-life-candidate-believes/>. Acesso em: Abr. 2024].

[Devemos ajudá-las com a dificuldade e a dor...] só que eu não acredito que seja certo pegar essa dor e torná-la pior… você sabe o que eu acrescento se eu permitir que se faça um aborto? Estou acrescentando o peso daquele aborto. E, em algum momento, a verdade de Deus que está escrita em seu coração retorna a você. E você é ferido por essa verdade.

Portanto, eu não acho justo, nem para a criança e nem para a mulher, deixar que esta tragédia tire a vida de ambos, a vida física da criança e a vida moral e espiritual da mãe. E nesta sociedade, eu acho que fazemos um mal terrível a ambos, porque não temos a coragem de nos posicionarmos a favor do que é verdadeiro (ProLife Info Digest, 2 de fevereiro de 2000).

Em seu livro, Victims and Victors [Vítimas e Vencedores], David Reardon e associados trazem a experiência de 192 mulheres que ficaram grávidas como resultado de estupro ou incesto. Acontece que quando as vítimas da violência falam por si, a opinião delas sobre o aborto é quase unânime e exatamente o oposto do que a maioria poderia prever: quase todas as mulheres entrevistadas disseram que se arrependeram de abortar seus bebês concebidos através de estupro ou incesto. Dentre as mulheres que deram uma opinião, mais de 90% disseram que desencorajariam outras vítimas de violência sexual a fazerem abortos. Nenhuma das que deram à luz uma criança expressou arrependimento.

A imposição de pena de morte ao filho inocente de um agressor sexual não traz nenhuma punição ao estuprador e nenhum benefício para a mulher. Criar uma segunda vítima nunca desfaz o dano causado à primeira. O aborto não traz a cura para uma vítima de estupro.

Os discípulos de Cristo não conseguiram entender como as crianças eram valiosas para ele, então eles repreendiam aquelas pessoas que tentavam trazê-las para perto dele (Lucas 18:15-17). Porém Jesus disse: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus”. Ele considerou as crianças como parte do seu reino, e não uma distração.

A visão bíblica sobre os filhos é que eles são uma bênção e uma dádiva do Senhor (Salmo 127:3-5). No entanto, a cultura ocidental trata as crianças como obrigações. Temos de aprender a ver todas as crianças como Deus as vê, e devemos agir em relação a elas conforme ele nos manda agir. Devemos defender a causa do fraco e do órfão; manter os direitos dos pobres e dos oprimidos, salvar os fracos e os necessitados e libertá-los dos ímpios (Salmo 82:3-4).

Cristo afirmou que tudo o que fazemos, ou deixamos de fazer, aos filhos de Deus que são mais fracos e vulneráveis, nós fazemos, ou deixamos de fazer, a ele. No julgamento, “O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mateus 25:40). Randy Alcorn (2014).

Tiago Alencar, irmão na fé e advogado, que já deu muitas palestras e ensinos em igrejas sobre temas cristãos como aborto, acrescenta no caso de que a gravidez é de risco para a mãe, que nós cristãos fomos convidados a imitar Jesus, inclusive o amor que Ele oferece por nós. Aprendemos pela Palavra de Deus que devemos antes servir do que ser servido; antes dar do que receber; expressar o amor ao próximo como a si mesmo e expressar o amor ao próximo com o amor que Cristo amou a igreja. Além disso, se uma mãe não está disposta a dar a vida (ou assumir o risco de dar a vida) pelo próprio filho(a), pelo que ela estaria disposta a dar a vida? Somente a Deus? Eu acho um pouco questionável isso por parte de um cristão, mas respeitaria essa escolha, claro, pois ao menos juridicamente estamos tratando de uma vida por outra, e poder-se-ia argumentar que não é pecado... apesar disso, se uma mãe não está disposta a dar a vida ou assumir o risco de dar a vida pelo próprio filho(a), não deixa de ser uma manifestação não ideal (ou não perfeita) de amor ao próximo – ainda mais pois é seu próprio filho(a). Então, talvez, por não ser uma manifestação maior de amor pelo próximo, isso tudo pode ser até visto como pecado nesse sentido (sendo bem rigoroso com o conceito de pecado, como por exemplo Tiago 4.17 “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”; também pecado é “toda transgressão da lei moral de Deus”), pois o amor cristão é sacrificial, e temos que nos espelhar no exemplo de Jesus, além no exemplo dos apóstolos, que não tinham apreço pela própria vida: colocavam a missão que receberam de Deus acima de tudo, entregaram suas vidas ao Senhor, e devemos seguir esse exemplo. Para nós o morrer é lucro. Se não temos alternativa, a alternativa seria eliminar a vida do próprio filho(a)? Isso é inconcebível, temos que crer no milagre! Sim, oferece um risco, mas isso quem diz não é a medicina humana? Todavia, somos pessoas de fé e temos sempre que acreditar no milagre de Deus. Já houve casos que a gravidez era de risco, e tanto a mãe como a criança ficaram cem por cento saudáveis, pois o risco felizmente não se concretizou, mas há casos em que não só o feto, mas a própria mãe falece – a vontade de Deus é soberana, Ele tem seus propósitos, e estes estão muito bem agora, estão com Cristo no Paraíso aguardando a ressurreição física dos justos. A vida humana pela luz da Palavra de Deus vale mais do que qualquer mal ou injustiça que qualquer um de nós possa vir a sofrer, e não devemos agir sem a fé. A mãe deve agir com fé; também deve crer que o filho, mesmo que venha de um estupro, é uma dádiva de Deus, será uma bênção, e Deus há sim de cuidar tanto dela como da criança, e não temos embasamento bíblico para admitir o aborto em hipótese alguma. A verdade é essa. No presente, sabe-se que seria um absurdo, pela sociedade atual, pelo menos no mundo ocidental, defender o que a Palavra de Deus diz claramente.

Deve-se fazer aborto em caso de feto anencéfalo (ou debilidades semelhantemente graves)? Em primeiro lugar, com cérebro ou sem cérebro, é o filho legítimo de sua mãe – é o seu filho legítimo, herdou seu DNA. Em segundo lugar, a relação de uma mãe de fé com seu bebê com anencefalia é profunda – o filho é uma bênção dada por Deus (a Bíblia diz que os filhos são herança do Senhor) – e muitas vezes a relação é breve – pode morrer rápido, como em três horas após o parto, ou pode viver anos sem cérebro desafiando a medicina, é só ver as notícias – mas não o mate antes da hora, deixe Deus o levar no tempo Dele! Se Deus te deu um breve contato com seu legítimo filho, não despreze um segundo desse tempo e aproveite o momento – a duração desse momento é Deus quem sabe – com palavras de amor, carinho, união e afeto, ainda que só por uma hora no hospital! No céu, se você for para o céu com Cristo, você encontrará esse seu filho cujo contato foi breve e intenso, só que no céu ele será perfeito, portanto, ame-o! Existem orfanatos que recebem e cuidam de bebês com anencefalia, pois realmente alguns podem viver por anos como milagres vivos, portanto, se você não consegue cuidar dele – se sua rotina é avassaladora; se tem mais três filhos e sustenta sua casa – entregue-o para aqueles que podem cuidar dele com carinho e zelo verdadeiro, mesmo esse seu filho muitas vezes retribuindo esse carinho e zelo do jeito singelo dele, e não com muitas palavras! Amém.

 

É importante também frisarmos em que momento que a vida começa. Assim, conforme a ciência e a Bíblia, o início da vida se dá na concepção ou fertilização:

 

Bíblia

Gênesis 4.1 E CONHECEU Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do Senhor um homem.

Lucas 1.31 E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. [e mais de cinquenta outros versículos...]

 

Ciência

Pregnancy Resource Center of Mountain Grove (2021) nos informa:

Um zigoto é o início de um novo ser humano. O desenvolvimento humano começa na fertilização [sinônimo de concepção, colchetes meus], o processo durante o qual um gameta masculino ou espermatozóide… se une a um gameta ou ovócito feminino… para formar uma única célula chamada zigoto. Esta célula totipotente altamente especializada marca o início de cada um de nós como um indivíduo único.” O Humano em Desenvolvimento: Embriologia Clinicamente Orientada, Keith L. Moore & T.V.N. Persaud, Mark G. Torchia.

Embora a vida seja um processo contínuo, a fertilização [concepção] é um marco crítico porque, em circunstâncias normais, um novo organismo humano geneticamente distinto é formado.” Extraído de Embriologia e Teratologia Humana, Ronan R. O’Rahilly, Fabiola Muller.

Quase todos os animais superiores começam suas vidas a partir de uma única célula, o óvulo fertilizado (zigoto)…. O momento da fertilização representa o ponto de partida na história de vida, ou ontogenia, do indivíduo.” Bruce M. Carlson, fundamentos da embriologia de Patten.

Diane Irving, M.A., Ph.D, resume grande parte do consenso científico em sua pesquisa na Universidade de Princeton:

Ou seja, após a fertilização [concepção], partes dos seres humanos foram realmente transformadas em algo muito diferente do que eram antes; eles foram transformados em um ser humano único e completo. Durante o processo de fertilização, o espermatozoide e o ovócito deixam de existir como tais e um novo ser humano é produzido.

Pregnancy Resource Center of Mountain Grove. When Does Human Life actually Begin? 18 de Janeiro de 2021. Disponível em: <https://prcofmg.net/when-does-human-life-begin/>. Acesso em: Abr. 2024.

Em 2016 descobriu-se que no exato momento da concepção ou fertilização (no início da vida) emite-se uma luz / faísca – ver o video “When Sperm Meets Egg” (Quando o esperma encontra o óvulo): “https://youtu.be/BJ2x_5MSuyg” – como se pode ver neste vídeo, durante a concepção, no início da vida, quando um espermatozoide encontra um óvulo, o primeiro sinal conhecido é que faíscas voam – literalmente.

Mais uma fonte: U.S. News and World Report (Dicker, Rachel. “During Conception, Human Eggs Emit Sparks”). 26 de abril de 2016. Disponível em: <https://www.usnews.com/news/articles/2016-04-26/human-eggs-emit-zinc-sparks-at-moment-of-fertilization>. Acesso em: Abr. 2024.

Essa fonte acima diz que durante a concepção, óvulos humanos emitem faíscas de luz. Ou seja, é o primeiro sinal da vida.

 

Portanto, conclui-se que ninguém hoje em dia pode negar o fato de que após a concepção ou fertilização a mulher (agora mãe) já carrega uma pessoa, um ser humano, no seu ventre – e, de acordo com a Palavra, um ser criado à imagem e semelhança de Deus, digno de proteção e de cuidados, que não pediu para nascer, mas amado(a) por Jesus, e que deseja ser amado(a) especialmente pela sua mãe!

Amém.

sábado, 13 de abril de 2024

Coloquei mais um parágrafo na escatologia e na TS. (chaga mortal da besta de Apocalipse 13).

 Eis o parágrafo na seção 12.9 da Teologia Sistemática. Arquivo atualizado, mesmo link.

Vamos esclarecer Apocalipse 13.3 “E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta”: Como sua ferida mortal foi curada? Segundo Jim Gibson (2018), "Desde que Nero foi morto em 68 d.C., como então a “ferida mortal” foi curada? Bem, Nero foi o último da dinastia Julio-Claudiana do Césares, a família fundadora. Quando ele morreu, Roma foi mergulhada em uma grande guerra civil. Muitos motins eclodiram e muitos dos melhores edifícios de Roma foram queimados. Em menos de um ano, três imperadores haviam reivindicado essa honra, mas logo foram destronados. De fato, 69 d.C. ficou conhecido como o “ano dos quatro Césares”. A inquietação e a perturbação política não estavam isoladas apenas em Roma. Ele reverberou por todo o Império. No entanto, a paz e a calma retornaram quando Vespasiano se tornou imperador em 69 dC Assim, “a ferida mortal foi curada”. Por um breve período, o império romano estava à beira do colapso."

https://www.mediafire.com/file/goflv7bfghu1lfm/Teologia+Sistemática+Interdenominacional+-+Roberto+F.+Rossi+-+700p+abril+2ª+ed.+clubedeautores.pdf/file


terça-feira, 2 de abril de 2024

Atualizações na Teologia Sistemática e PDFs

Graça e paz

3.6 Deus É Amor. A Essência de Deus: Podemos Conhecer a Deus?

Stanley Grenz, 2000, em sua obra Theology for the Community of God, faz uma explanação sobre o Amor de Deus, complementando a seção sobre a Doutrina de Deus. O raciocínio abaixo não exclui nenhum outro atributo divino citado anteriormente:

A doutrina da Trindade constitui a base para a concepção cristã da essência de Deus. Por esta razão, carrega profundas implicações para nossa compreensão da realidade divina.

Como o apóstolo indica, a essência de Deus é Amor (1Jo 4.8). Por toda a eternidade a vida divina - a vida do Pai, Filho e Espírito - é melhor caracterizada pela nossa palavra "amor". O amor, portanto, isto é, a autodedicação recíproca dos membros trinitários, constrói a unidade do único Deus. Não há outro Deus além do Pai, Filho e Espírito, ligados juntos por toda a eternidade.

Quando visto em termos do seu papel na doutrina da Trindade, o termo “amor” oferece uma janela na profundidade da realidade de Deus como entendido pela tradição cristã. O Amor trinitariano descreve a vida interna de Deus – Deus como Deus fora de qualquer referência à Criação.

A explicação de como o amor pode ser a essência de Deus permanece na natureza triuna de Deus como Pai, Filho e Espírito. Amor é um termo relacional, que requer tanto o sujeito como o objeto (alguém ama algum outro). Se Deus fosse um sujeito de ação solitário, uma pessoa separada do Pai, do Filho e do Espírito, Deus exigiria o mundo como objeto de seu amor para ser quem ele é, ou seja, o Amado. Mas porque Deus é triuno, a realidade divina já compreende tanto o sujeito quanto o objeto do amor.

[Assim, o Pai ama o Filho e o Espírito. O Filho ama o Pai e o Espírito. O Espírito ama o Pai e o Filho].

De um modo teológico, então, a afirmação de João de que Deus é Amor, refere-se primeiramente à relação intratrinitariana dentro do eterno Deus. Deus está em amor consigo mesmo. Em suma, por toda a eternidade Deus é a Trindade social, a comunidade de amor.

Visto que Deus é amor à parte da criação do mundo, o amor caracteriza Deus. O amor é a essência eterna do único Deus. Mas isso significa que o amor trinitário não é apenas um atributo de Deus entre muitos. Em vez disso, o amor é o "atributo" fundamental de Deus. "Deus é amor" é a declaração ontológica fundamental que podemos declarar a respeito da essência divina.

Porque por toda a eternidade e à parte do mundo, o único Deus é amor, o Deus que é amor não pode deixar de responder ao mundo de acordo com sua própria essência eterna, que é o amor. Assim, esta característica essencial de Deus também descreve a maneira como Deus interage com o seu mundo. O "amor", portanto, não é apenas a descrição do Deus eterno em si mesmo, é também a característica fundamental de Deus na relação com a criação. Com profunda visão teológica, portanto, João irrompe: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu..." (João 3:16).

O atributo fundamental de Deus, a declaração central e básica que podemos afirmar sobre a essência de Deus, é "Deus é amor". Não há Deus senão o Pai e o Filho [e o Espírito Santo] por toda a eternidade unidos pelo amor... É apenas dentro desse contexto que podemos entender as supostas afirmações "obscuras" a respeito de Deus, incluindo sua santidade, natureza ciumenta e ira.

No século vinte, muitos teólogos afirmaram que a santidade, que inclui a disposição resoluta de Deus contra o pecado - e não apenas o amor - deve ser classificada entre os atributos morais fundamentais de Deus. Brunner (Brunner, The Christian Doctrine of God, pág. 163, 167, 183), por exemplo, falou de uma "dialética" ou "dualismo paradoxal" de santidade e amor. Louis Berkhof listou três atribuições morais, que ele viu como "as mais gloriosas das perfeições divinas": bondade (sob a qual ele incluiu o amor), santidade e justiça (Louis Berkhof, Systematic Theology, revised edition, Grand Rapids: Eerdmans, 1953, pág. 70-76). E o grande pensador batista Augustus Hopkins Strong elevou a santidade a "o atributo fundamental em Deus" (Augustus Hopkins Strong, Systematic Theology, three volumes, Philadelphia: Griffith and Rowland, 1907, 1:296).

Em parte, essa ampliação da santidade como atributo divino central é motivada pelo desejo de proteger a prerrogativa de Deus de condenar pecadores impenitentes e, por sua vez, tornar palatável a doutrina do inferno. Bem compreendido, porém, o amor inclui dentro dele o que esse interesse busca preservar. Em termos simples, a presença do pecado transforma a experiência do amor divino da bem-aventurança pretendida por Deus em ira.

A possibilidade de experimentar o amor como ira surge da própria natureza do amor. Vinculado ao amor está um ciúme protetor. Como observou James I. Packer (James I. Packer, Knowing God, Downers Grove, InterVarsity, 1973, pág. 154), além da atitude pecaminosa e viciosa que geralmente associamos ao termo, os humanos também exibem outro ciúme, o "zelo para proteger um relacionamento de amor ou para vingá-lo quando rompido". Packer então aplicou isso a Deus: "Agora, as Escrituras consistentemente veem o ciúme de Deus como sendo deste último tipo, isto é, como um aspecto de sua aliança de amor por seu próprio povo."

O amor genuíno, portanto, é positivamente ciumento. É protetor, pois o verdadeiro amante procura manter, até mesmo defender, o relacionamento amoroso sempre que ele é ameaçado de ruptura, destruição ou intrusão externa. Sempre que outra pessoa procura ferir ou minar o relacionamento amoroso, ela experimenta o ciúme do amor, que chamamos de "ira". Quando falta essa dimensão, o amor degenera em mero sentimentalismo.

É assim que podemos entender que o Amado é um Deus de zelo e de ira. Aqueles que querem minar o amor que Deus derrama pelo mundo, experimentam seu amor na forma de ira.

A santidade, o ciúme e a ira de Deus diante do pecado também podem ser vistos de outra maneira. O amor de Deus pela criação significa que ele deseja que cada pessoa se torne tudo o que Deus planejou para a humanidade [1Tm 2.4]. Isso forma o plano de fundo teológico para a repetida ordenação bíblica de que sejamos santos (por exemplo, Êxodo 20:3-6). Mas, à medida que os humanos rejeitam o desígnio divino, eles sofrem a realização de seu curso de ação rebelde escolhido. Eles continuam sendo os recipientes do amor de Deus, mas experimentam esse amor na forma de ira.

A manifestação final da rejeição do amor de Deus é uma experiência sem fim da ira do Amante eterno. O inferno, portanto, não é a experiência da ausência do amor de Deus. Deus ama sua criação com um amor eterno. Portanto, o amor de Deus está presente até no inferno. Mas no inferno as pessoas experimentam a presença do amor divino na forma de ira. [Porque Deus não odeia ninguém, ainda que seja no inferno, do mesmo modo que uma pessoa má faria, pois Deus é Amor, colchetes meus].

A declaração "Deus é amor" constitui a base para a nossa compreensão dos chamados atributos morais de Deus. Estes incluem termos como "graça", "misericórdia" e "longanimidade" – termos que falam da bondade de Deus. Todas essas palavras, no entanto, são mais bem vistas como várias tentativas de descrever as dimensões do caráter fundamental de Deus – o amor – conforme é experimentado por sua criação. Porque Deus é amor, Deus é bom – isto é, gracioso, misericordioso e longânimo – em tudo o que faz. Acima de tudo, porque Deus ama, ele busca a salvação e a renovação da criação caída.” Grenz, Stanley (2000).

 

O Espírito Santo e o Amor

Para se aprofundar no amor de Deus, vamos ver a relação do Espírito com o Amor Perfeito de Deus.

A Bíblia dá a entender que o Pai é a fonte da Divindade, que gerou eternamente o Filho e Dele procede eternamente o Espírito. A Bíblia diz também que o Filho é Sabedoria e Poder de Deus pelo apóstolo Paulo. Nessa mesma linha, também dá a entender que o Espírito Santo é Amor: Leia o ANEXO E – O ESPÍRITO SANTO E O AMOR, POR AGOSTINHO DE HIPONA.

Se ainda não ficou esclarecido com Agostinho, deixe-me tentar:

Alguém pode dizer que não se pode chamar o Espírito Santo de Amor pois Agostinho usava a tradução conhecida como Vulgata, e, porque, penso eu, como era a doutrina da salvação de alguns, “o amor precede a fé salvadora”. Portanto, vou explicar isso usando a ACF (Almeida Corrigida Fiel) com a ótica protestante da doutrina da salvação, em breves palavras, baseado no raciocínio de Agostinho, para mostrar que vale sim dizer que o Espírito Santo pode ser chamado de Amor:

1 João 4:7,8 “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.”

Explicação. Qualquer que ama, como Deus é amor, é nascido de Deus, conhece a Deus, e recebeu esse amor de Deus.

1 João 4:12,13 “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito.”

Explicação. Como ninguém jamais viu a Deus, sabemos de outra forma (no caso, palpável e visível) que Deus está em nós, como? “Se nos amamos uns aos outros”. Se Deus está em nós, somos nascidos de novo e amamos os irmãos (1Jo 4.7,8 “qualquer que ama [já] é nascido de Deus e conhece a Deus”).

Em nós é perfeito o seu amor”: Como é Deus que está em nós, e Deus é amor, segue que o Amor que o nascido de novo tem dentro dele, que é Deus, é perfeito. Se o amor com que amamos os irmãos fosse um fruto imperfeito, não seria perfeito, mas o amor que é Deus, que está em nós, é perfeito (manifestado como fruto perfeito em 1Co 13) porque senão não seria Deus, que é absolutamente Perfeito e cuja essência é o Amor.

Leia 1Jo 4.12,13: “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito”. Agora voltemos um pouco no raciocínio: Como conhecemos que estamos nele (e ele em nós)?

1.      1. Conhecemos que estamos nele, e ele em nós ao amarmos os irmãos (1Jo 4.8 “Qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”; 1Jo 4.12 “Se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós”), amor de natureza perfeita.

2.     2. E o que o apóstolo João complementa? Que sabemos que Deus está em nós, e nós Nele não só por Deus-Amor Perfeito estar em nós, e não só por manifestar o amor aos outros, mas: “nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito.” Então também conhecemos que estamos nele e ele em nós por causa do Espírito Santo que habita em nós! Portanto, o Espírito Santo, que é Deus, é Amor. Pelo contexto, João relaciona claramente o Espírito Santo com o Amor perfeito de Deus, pois é por ambos que conhecemos que estamos nele e ele em nós! Sendo Deus (tanto o Pai, como o Filho, como o Espírito, como os Três juntos) Amor, quem mais propriamente seria chamado de Amor senão o Espírito Santo, pois o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5:5)?

3. Concluímos que o apóstolo diz que estamos em Deus e Deus em nós por causa do Seu Amor Perfeito em nós; estamos também em Deus, e Deus em nós, por causa do Seu Espírito. Portanto, o Espírito Santo em essência, é Amor, e não vejo problema em chamá-lo, humildemente e respeitosamente, assim.

 

Outros versículos que relacionam a forte relação do Espírito com o Amor:

Romanos 5:5 "E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado."

Romanos 15:30 "E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus;"

Gálatas 5:22a "Mas o fruto do Espírito é: amor... "

Colossenses 1:8 "O qual nos declarou também o vosso amor no Espírito."

II Timóteo 1:7 “Pois Deus não nos deu um Espírito que produz temor e covardia, mas sim [...] amor [...]. (Nova Versão Transformadora, 2016).

I Pedro 1:22 "Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro;"

 

Ainda, se alguém pecar/blasfemar contra o Pai e o Filho pode-lhe ser perdoado, mas contra o Espírito Santo (que é Amor), não lhe será perdoado nem nesta vida, nem na vindoura. E por que isso? Justamente que aquele que pisa no amor de Deus, mesmo sendo também o Pai e o Filho também amor, recebe sua justa condenação.

Inclusive quem tem um relacionamento há muitos e muitos anos com o Espírito Santo, pois somos templos dele, sabe que Ele é Amor, e, seja nos abençoando diretamente e diariamente, seja nos guiando no coração, seja nos repreendendo quando pisamos fora do caminho, sabe que o Espírito nunca desistiu de nós, mas sempre nos envolve com Sua doce Presença.

Amém.

 

O Amor de Deus em Jacó Armínio

Continuando, Armínio, nas suas Obras de Armínio, Vol. 2 (2015), considera que um dos afetos primitivos de Deus é o amor, afeto de união em Deus. O amor é logicamente oposto ao ódio, afeto de separação em Deus, que flui do amor: “Uma vez que Deus ama, propriamente, a si mesmo e o bem da justiça e, pelo mesmo impulso, detesta a iniquidade; e uma vez que Ele ama, em segundo lugar, a criatura e a sua bem-aventurança e, nesse impulso, detesta a desgraça da criatura, isto é, deseja que ela seja removida da criatura, consequentemente, Ele detesta a criatura que persevera na injustiça e que ama a sua infelicidade.”

Unindo os conceitos de Stanley Grenz com Jacó Armínio, no qual o primeiro fala que Deus ama a todos, seja com amor ou com o ciúme do amor ou ira, e o último fala que Deus detesta ou “odeia” [odeia segundo Armínio significa estar separado Dele] a criatura que persevera na injustiça e que ama a sua infelicidade, concluo que o ciúme do amor ou ira de que fala Grenz pode ser identificado com o conceito de separação [“ódio”] de Deus para com o homem, segundo Armínio. Nesse livro trataremos que Deus ama a todos, seja com o amor íntimo, ou com o amor incondicional, ou com o amor em forma de ira.

Veja também a subseção “O Amor e Propósito de Deus versus a Eleição Calvinista” na doutrina da Salvação, seção “da Eterna Eleição de Deus”.

 

Os Atributos e a Essência de Deus

Depois de todos esses complexos raciocínios na doutrina de Deus, vale a pena refletirmos sobre a relação entre os atributos conhecidos e a essência/substância/natureza de Deus. Sabemos que a Bíblia com suas afirmações/atributos de Deus é a verdade absoluta pois foi inspirada pelo Espírito, e que a teologia, por sua vez, é limitada pela mente humana. Deste modo, o quanto podemos conhecer, de fato, na nossa mente limitada, a essência e o ser absoluto de Deus com absoluta certeza, pelos seus atributos? De acordo com Stanley Grenz (2000),

Em vez de afirmações estritas [de atributos] que pretendem representar um conhecimento objetivo e “científico” sobre Deus, os atributos são expressões que surgem da nossa experiência do Deus que se relaciona com os humanos e o mundo. Consequentemente, as descrições na forma de atributos são projetadas para facilitar e evocar louvores da comunidade de fé. Eles facilitam o louvor daqueles que conhecem a Deus de maneira pessoal. As afirmações atributivas não transmitem conhecimento da essência de Deus como uma realidade estática ou isolada do mundo [porém, se os atributos estão na Palavra (em contradição aos raciocínios e atributos construídos racionalmente por teólogos), que é inspirada, são verdade absoluta e pura realidade em Deus, colchetes meus, Roberto]. Em vez disso, as nossas descrições do Deus que conhecemos são tentativas de descrever o Deus em relacionamento. Através de tais declarações [baseadas na teologia e filosofia, colchetes meus], falamos sobre as relações eternas do Deus Triuno e a realidade de Deus no relacionamento com a criação, principalmente conosco. Deus não pode ser conhecido meramente por meio de uma compreensão intelectual de várias afirmações que pretendem descrever a sua natureza eterna. Assim, os vários atributos que os teólogos tradicionalmente atribuem a Deus não medeiam [de mediar, transmitir] o conhecimento de Deus. Deus é conhecido pessoalmente – como uma pessoa é conhecida – através do encontro pessoal, e nunca como um objeto que examinamos. Os atributos tradicionais de Deus funcionam como um lembrete útil da perfeição de Deus em comparação com seres humanos e o universo. Eles servem para mostrar a grandeza de Deus, quando comparamos Deus com o universo que ele criou. Grenz (2000).

Entretanto, a Escritura afirma e testifica que parte de Deus pode ser conhecido com certeza absoluta, mesmo na nossa mente limitada, pois Deus se revelou a nós de diversas maneiras. Por exemplo: Romanos 1:19-21a Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças...

As afirmações, atributos e pensamentos de Deus declarados por Ele mesmo na Bíblia são verdade absoluta (Deus não pode mentir e a Escritura é inerrante), e por eles realmente conhecemos, mesmo na nossa mente limitada, parte da essência e da verdade absoluta de Deus em Si mesmo, como Ele é fora da criação, pois somos imagem Dele.

Mas, claro, como a Bíblia é verdade absoluta e a teologia não, afirmações concebidas racionalmente, de fora da bíblia, por seres humanos como nós – como as da teologia – não nos fazem compreender a essência de Deus em Si mesmo, como escreveu Stanley Grenz (2000) acima, mas foram concebidas racionalmente para edificação e para louvor da glória de Deus na terra. Porém, conhecemos o Senhor nosso Deus, de fato, não através de afirmações de atributos descritivos, mas através de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo, pelo Espírito de amor.

Se uma criança não compreende com maestria as conversas de adultos com seus raciocínios, assim também nós não compreendemos plenamente o Senhor nosso Deus nesta vida, mas em parte - a Bíblia afirma que verdadeiramente conhecemos em parte, e isso não é ilusão, nem relativo (1Coríntios 13:12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então [na eternidade] veremos face a face; agora conheço em parte, mas então [na eternidade] conhecerei como também sou conhecido). A verdade absoluta é a Palavra de Deus. E ela também diz que devemos ser humildes como meninos para entrarmos no Reino dos céus.

Veja também a conclusão da subseção 10.5.2.2 Os Decretos de Deus, da relação do nosso conhecimento atual com a Mente de Deus.

Para olhar para a plenitude de Deus, basta olhar para Cristo, o resplendor da Glória de Deus e a expressa imagem do Pai. Cristo nos revelou tudo o que ouviu do Pai, pelo Espírito, conforme a Escritura.

 

A Essência de Deus

Depois de tudo isso, podemos concluir e avançar um pouco no raciocínio. Assim como uma pessoa qualquer (como eu e você) não pode ser conhecida meramente por afirmações, ainda que sejam verdadeiras afirmações de nossa pessoa, assim também não conhecemos a Deus verdadeiramente e intensamente apenas com afirmações de atributos, mas conhecemos o que de Deus se pode conhecer (o que Ele se revelou Dele mesmo) com um relacionamento pessoal com Jesus Cristo pelo Espírito Santo na preparação de Deus Pai.

O nome Yahweh em Êxodo 3 dito por Deus mesmo (que é Ehyeh) significa EU SOU (lembre-se de que o nome de Deus dito por uma criatura, Yahweh, significa Ele É). Desta maneira, a essência de Deus também reside no fato de que Deus é o Ser Absoluto, a própria “Realidade Absoluta(Piper, John, 2020, Who Is Yahweh?), compartilhada entre as três Pessoas da Trindade. Deus é criador de tudo, causador de tudo; tudo o que existe existe Nele. O apóstolo Paulo disse em Atos 17 que “nele [em Deus] vivemos, e nos movemos, e existimos”, “pois ele [Deus] mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas”.

A essência de Deus, além do significado de Ser Absoluto – o Eu Sou (do qual todas as coisas, substâncias e seres derivam) – conforme João indica, conforme a Pessoa e o sacrifício de Cristo, conforme o relacionamento com o Espírito diariamente, e conforme o relacionamento com o Pai em oração claramente indicam é o AMOR (1João 4).

Mas eu discordo de Agostinho que isso signifique com todas as letras que o Espírito é o amor em que o Pai ama o Filho e o Filho ama o Pai conforme escreveu Agostinho, pois o Espírito é uma Pessoa também, e para mim também faz sentido que, sendo três Pessoas (e baseado na teoria social da Trindade), o Pai também ama o Espírito e vice-versa e o Filho também ama o Espírito e vice-versa.

É claro que o Espírito é Amor também, como o Pai é a fonte da Divindade e como o Filho é o Poder, Sabedoria e Palavra de Deus, mas não podemos extrapolar com isso, pois, acima de tudo, o Pai, Filho e Espírito são três Pessoas, que falam, pensam, agem, interagem etc. que se relacionam entre Si e conosco e que são ligados pela essência divina de Deus que se chama Yahweh - a realidade absoluta, o Eu Sou, o ser Absoluto em Amor (sem rejeitar o ciúme benigno do amor de Deus).

Portanto, em contradição com a realidade do mundo longe de Deus, o que vejo e creio que é possível de se afirmar com precisão, olhando toda a Bíblia, toda a cosmovisão cristã, todo o histórico da Igreja, e todo o relacionamento de Deus com seu povo por Cristo e pelo Espírito Santo, unindo o significado do nome de Deus, Yahweh (de Êxodo 3), com o Novo Testamento, que trouxe luz ao Antigo, é que Deus Triuno é a Realidade Absoluta (da qual originalmente todas as outras realidades derivam) regida por Amor e que permanece eternamente em Amor.

Amém!

atualizado 16h25 horário de Brasília, 2/abr/24.


segunda-feira, 1 de abril de 2024

Atualização na seção 7.2.1 Acerca do nome 'Lucifer'.

 Graça e paz.


7.2.1 Acerca do Nome “Lúcifer”

Alguns chamam Satanás (que significa adversário) ou Diabo (que significa acusador), antes da sua queda, de ‘Lúcifer’ (o que não é um nome próprio de um anjo no texto original da Bíblia – como, por exemplo, Gabriel ou Miguel – mas significa somente expressões como “estrela da manhã” ou “portador de luz” a partir da palavra hebraica “heylel”).

Esse apelido de Satanás, enquanto anjo de luz de Lúcifer, ou seja, estrela da manhã, foi baseado na tradução de Isaías 14:12 da Bíblia para o latim que foi traduzida por Jerônimo no final do séc. IV (ou início do séc. V), chamada de “Vulgata Latina”. Embora Jerônimo não tenha escrito a palavra ‘lucifer’ (em latim não tem acento) com letra maiúscula (que seria um nome próprio) em Isaías 14:12, mas com letra minúscula, ou seja, ainda que Jerônimo tenha escrito apenas “estrela da manhã” em latim no texto, a tradição e interpretação da época (cf. Lucas 10.18), que lembramos que era muito mística, atribuiu essa palavra, lucifer de Isaías 14.12, a Satanás antes de sua queda – mas isso não é bíblico, não está nos originais em hebraico – o contexto claramente diz que fala do rei da Babilônia, e não de Satanás.

Tanto é que a tradição adotou tal nome para Satanás nesse trecho que uma das versões posteriores da vulgata, a Bíblia Vulgata Clementina em sua versão eletrônica, uma das bíblias oficiais da Igreja Católica, cuja referência é “Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam” (2006, “https://www.wilbourhall.org/pdfs/vulgate.pdf”, pág. 849 (Is. 14.12); acesso em mar. 2024”) traduziu e adotou “Lucifer” em Isaías 14:12 como nome próprio (L maiúsculo – dirigido a Satanás), e não como expressão que significa estrela da manhã ou equivalente (L minúsculo – dirigido ao rei da Babilônia). Em outras referências da vulgata (não sendo Isaías 14.12), a palavra ‘lucifer’ é associada a expressões como ‘estrela da manhã’, ‘portador da luz’, etc.

Resumindo: a expressão “estrela da manhã” em português é equivalente em latim a “lucifer” (sem o acento em latim, com a inicial minúscula), mas a palavra Lucifer com L maiúsculo seria um nome próprio fictício adotado pela tradição da igreja aproximadamente após o século V.

Se não é bíblico, Satanás nunca deve ter sido chamado de Lucifer no céu, da mesma maneira como Gabriel e Miguel são chamados de Gabriel e Miguel, na terra e no céu – mas a tradição adotou isso, e de fora da Bíblia inspirada nas línguas originais. Tanto que “estrela da manhã” é um título de CRISTO em Apocalipse 22.16. Ainda, alguns católicos na Páscoa (com as cerimônias em latim) chamam Deus de lucifer, mas com letra minúscula (o que significa apenas “estrela da manhã” e não um nome próprio), e não estão errados nesse cântico, pois Deus é Luz, é como uma estrela da manhã. E Cristo é Filho da Luz, Luz de Luz, Deus de Deus, também estrela da manhã.

Antigamente, antes da Vulgata e antes da tradição que adotou o nome Lucifer para Satanás, davam-se nomes aos filhos de Lucifer, para dizer que eram como estrelas da manhã (assim como muitos de nós nomeamos nossos filhos com nomes que significam bênçãos), tanto é que até existiu no século IV um bispo chamado Lucifer, que hoje é idolatrado como santo da igreja católica. Todavia, como pegou esse apelido infame para o Satanás no imaginário popular (até entre muitos teólogos evangélicos), não vale a pena mencionar hoje essa palavra em latim nem compará-la com outra coisa.

O trecho que em algumas bíblias aparece o nome próprio/título/apelido incorreto de Satanás como Lúcifer (em português tem acento, em latim, não) é Isaías 14:12.

 

Versões incorretas neste trecho (Lúcifer como nome próprio):

Bíblia Vulgata Clementina Eletrônica (2006 [latim])Quomodo cecidisti de cælo, Lucifer, qui mane oriebaris ? corruisti in terram, qui vulnerabas gentes ?”

Bíblia ACF (2007, 2011 [português]) “Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!”

Bíblia King James (KJV, 1611 [inglês antigo]) “How art thou fallen from heaven, O Lucifer, son of the morning! how art thou cut down to the ground, which didst weaken the nations!

 

Versões corretas – tradução fiel (grande maioria):

Bíblia NVI (2001) “Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações!”

Bíblia ARC (2009) “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!”

Bíblia NVT (2016) “Como você caiu dos céus, ó estrela brilhante, filho da alvorada! Foi lançado à terra, você que destruía as nações.”

Bíblia ARA (1993) “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!”

 

Até a Bíblia ACF em versões anteriores, sem alguma influência errônea e infeliz externa, havia traduzido isso corretamente:

Bíblia ACF (1994, 1995) “Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!”

 

E, além disso, esse trecho não fala propriamente de Satanás, visto que essa pessoa que era como uma “estrela da manhã” “debilitava as nações”, e, como Satanás foi certamente criado dentro dos seis dias de vinte e quatro horas, e não na eternidade, não havia nações para ele debilitar. Isaías 14.16 (mesmo capítulo) diz: “É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos?” fala que o trecho fala de um homem, não anjo. Matthew Henry (1706) diz: Isso tem sido comumente aludido (e é uma mera alusão) para ilustrar a queda dos anjos, que eram como estrelas da manhã (Jó 38.7). O Dicionário do Google, acessado em 2019, fala que alusão é uma referência vaga, de maneira indireta, ou uma avaliação indireta de uma pessoa ou fato, pela citação de algo que possa lembrá-lo. Assim, fico com Matthew Henry, que, como ele diz, esse trecho claramente fala da soberba do rei da Babilônia, que realmente debilitou as nações. Vejamos o contexto:

Isaías 14:4 Então proferirás este provérbio contra o rei de babilônia, e dirás: Como já cessou o opressor, como já cessou a cidade dourada!

Isaías 14:22 Porque me levantarei contra eles, diz o SENHOR dos Exércitos, e extirparei de babilônia o nome...

 

Já para o Satanás, existem textos como Ezequiel 28.12-18, especialmente Ezequiel 28.14 (querubim ungido), que é uma lamentação para o rei de Tiro, e que, bem provavelmente, encaixa com o caráter de Satanás também. Deus pode, na minha opinião, ter escrito o livro de Ezequiel 28.12-18 para ambos, caso Ele quisesse. Mesmo assim, não há base forte para classificar Satanás como um querubim ungido, pois não é repetido no Novo Testamento, nem em qualquer outro lugar.